sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Como o protestantismo pode ser um retorno às origens da fé? (Parte II)

O que o Cristianismo primitivo diz de si mesmo?

1. Como o protestantismo pode ser um retorno ás origens da fé, se a Igreja Primitiva cria que na Eucaristia (Santa Ceia para os protestantes) estava presente o verdadeiro sangue e corpo de Nosso Senhor, o que é negado pela fé protestante e ensinado pela Igreja Católica?
 
"Não me agradam comida passageira, nem prazeres desta vida. Quero pão de Deus que é carne de Jesus Cristo, da descendência de Davi, e como bebida quero o sangue d'Ele, que é Amor incorruptível". (Santo Inácio de Antioquia, Carta aos Romanos, parágrafo 7, cerca de 80-110 d.C.)
 
"Apartai-vos das ervas daninhas que Jesus Cristo não cultiva, por não serem plantação do Pai. Não que tenha encontrado em vosso meio discórdias, pelo contrário encontrei um povo purificado.
Na verdade, o que são propriedade de Deus e de Jesus Cristo estão com o Bispo, e todos os que se converterem e voltarem à unidade da Igreja, pertencerão também a Deus, para terem uma vida segundo Jesus Cristo. Não vos deixeis iludir, meus irmãos. Se alguém seguir a um cismático, não herdará o reino de Deus se alguém se guiar por doutrina alheia, não se conforma com a Paixão de Cristo.

Sede solícitos em tomar parte numa só Eucaristia, porquanto uma é a carne de Nosso Senhor Jesus Cristo, um o cálice para a união com Seu sangue; um o altar, assim como também um é o Bispo, junto com seu presbitério e diáconos, aliás meus colegas de serviço. E isso, para fazerdes segundo Deus o que fizerdes" . (Santo Inácio de Antioquia,Carta aos Filadelfienses,3 e 4, + 110 d.C.)

"Esta comida nós chamamos Eucaristia, da qual ninguém é permitido participar, exceto o que creia que as coisas nós ensinamos são verdadeiras, e tenha recebido o batismo para perdão de pecados e renascimento, e que vive como Cristo nos ordenou. Nós não recebemos essas espécies como pão comum ou bebida comum; mas como Cristo Jesus nosso Salvador, que se encarnou pela Palavra de Deus, se fez carne e sangue para nossa salvação, assim também nós temos ensinado que o alimento consagrado pela Palavra da oração que vem dele, de que a carne e o sangue são, por transformação, a carne e sangue daquele Jesus Encarnado." - (São Justino, I Apologia, Cap. 66, cerca de 148-155 d.C.)

"Deus tem portanto anunciado que todos os sacrifícios oferecidos em Seu Nome, por Jesus Cristo, que está, na Eucaristia do Pão e do Cálice, que são oferecidos por nós cristãos em toda parte do mundo, são agradáveis a Ele." - (São Justino, Diálogo com Trifão, Cap. 117, 130-160 d.C.)

"Outrossim, como eu disse antes, concernente os sacrifícios que vocês, naquele tempo, ofereciam, Deus fala através de Malaquias, um dos doze, como segue:
'Eu não tenho nenhum prazer em você, diz o Senhor; e Eu não aceitarei os sacrifícios de suas mãos; do nascer do sol até seu ocaso, meu Nome tem sido glorificado dentre os gentios; e em todo o lugar incenso é oferecido em meu Nome, e uma oferta pura: Grande tem sido meu nome dentre os gentios, diz o Senhor; mas você O profana.'
Assim são os sacrifícios oferecidos a Ele, em todo lugar, por nós os gentios, que são o Pão da Eucaristia e igualmente a taça da Eucaristia, que Ele falou naquele tempo; e Ele diz que nós glorificamos Seu nome, enquanto vocês O profanam." (São Justino, Diálogo com Trifão, [41, 8-10], 130-160 d.C.)
"[Cristo] declarou o cálice, uma parte de criação, por ser seu próprio Sangue, pelo qual faz nosso sangue fluir; e o pão, uma parte de criação, ele estabeleceu como seu próprio Corpo, pelo qual Ele completa nossos corpos." (Santo Irineu de Lião, Contra Heresias, 180 d.C.)
"Assim então, se a taça misturada e o pão fabricado recebem a Palavra de Deus e tornam-se Eucaristia, que é dizer, o Sangue e Corpo de Cristo, que fortifica e reconstrói a substância de nossa carne, como podem essas pessoas dizer que a carne é incapaz de receber o presente de Deus que é a vida eterna, quando isto é feito pelo Sangue e Corpo de Cristo, que são Seu membro?
 
Como o apóstolo abençoado diz em sua carta aos Efésios, 'Nós somos membros de Seu Corpo, de sua carne e de seus ossos' (Ef 5,30). Ele não está falando de forma 'espiritual' e de ' homem invisível', 'um espírito não tem carne e ossos' (Lc 24,39).
Não, ele está falando do organismo possuído por um ser humano real, composto de carne e nervos e esqueleto. Isto é este que é nutrido pela taça que é Seu Sangue, e é fortificado pelo pão que é Seu Corpo.
O talo da vinha toma raiz na terra e futuramente dá frutos, e 'o grão de trigo cai na terra' (Jo 12,24), dissolve, ascende outra vez, multiplicado pelo Espírito de Deus, e finalmente depois é processando, é colocado para uso humano. Esses dois então recebe a Palavra de Deus e torna-se Eucaristia, que é o Corpo e Sangue de Cristo." (Cinco Livros = Desmascarando e Refutando a Falsidade)
"Somente como o pão que vem da terra, tendo recebido a invocação de Deus, não é mais pão comum, mas Eucaristia, consistindo de duas realidades, divina e terrestre, assim nossos corpos, tendo recebidos a Eucaristia, não são mais corruptíveis, porque eles têm a esperança da ressurreição." - "Cinco Livros = Desmascarando e Refutando a Falsidade - especificamente a Gnose". Livro 4,18; 4-5, cerca de 180 d.C.
"O Sangue do Senhor, realmente, é duplo. Há Seu Sangue corpóreo, por que nós somos redimidos da corrupção; e Seu Sangue espiritual, com que nós somos ungidos. Que significa: beber o Sangue de Jesus é compartilhar sua imortalidade. O vigor da Palavra é o Espírito somente como o sangue é o vigor do corpo.
Do mesmo modo, como vinho é misturado com água, assim é o Espírito com o homem. O Único, o Vinho e Água nutrido na fé, enquanto o outro, o Espírito, conduzindo-nos para a imortalidade. A união de ambos, entretanto, - da bebida e da Palavra, - é chamada Eucaristia, digna de louvor e presente excelente. Aqueles que partilham disto na fé são santificados no corpo e na alma. Pela vontade do Pai, a mistura divina, homem, está misticamente unida ao Espírito e à Palavra." (São Clemente de Alexandria, O Instrutor das Crianças". [2,2,19,4] + - 202.)
"A Palavra é tudo para uma criança: ambos Pai e Mãe, ambos Instrutor e Enfermeira. 'Comam minha Carne,' Ele diz, 'e Bebam meu Sangue.' O Senhor nos nutre com esses nutrientes íntimos. Ele nos entrega Sua Carne, e nos dá Seu Sangue; e nada é escasso para o crescimento de Suas crianças. Oh mistério incrível!". (São Clemente de Alexandria, O Instrutor das Crianças [1,6,41,3] + - 202.)
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Alessandro Lima
www.veritatis.com.br

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

As imagens na Tradição da Igreja

 

A beleza e a cor das imagens estimula minha oração, disse São João Damasceno.
 
Na Encarnação do Verbo, Deus mostrou aos homens uma face visível de Deus. Os cristãos foram, então, compreendendo que segundo a pedagogia divina, deveriam passar da contemplação do visível ao invisível. As imagens, principalmente os que reproduziam personagens e cenas da história sagrada, tornaram-se “a Bíblia dos iletrados” ou analfabetos.
 
Os Reformadores protestantes rejeitaram as imagens por causa dos abusos do fim da Idade Média; Lutero, porém, se mostrou bastante liberal com as imagens; não as proibia.
 
Ultimamente entre os luteranos a atitude inococlasta (heresia que rejeitava as imagens) tem sido submetida a revisão. Lutero rejeitou os iconoclastas (quebradores de imagens) escreveu essas palavras em 1528: “Tenho como algo deixado à livre escolha as imagens, os sinos, as vestes litúrgicas e coisas semelhantes. Quem não os quer, deixe-os de lado, embora as imagens inspiradas pela Escritura e por histórias edificantes me pareçam muito úteis… Nada tenho em comum com os Iconoclastas” (Da Ceia de Cristo).
 
Nos primeiros séculos do Cristianismo, ainda encontramos alguns escritores cristãos que mostram mal-entendidos ou abusos por parte dos fiéis no uso das imagens. Mas os cristãos foram percebendo que a proibição de fazer imagens no Antigo Testamento era apenas uma questão pedagógica de Deus com o povo de Israel, para que esse não se voltasse para os ídolos. Deus proibia fazer imagens de ídolos e não de outros seres. As gerações cristãs começaram a representar e meditar as fases da vida de Jesus e a representação artística das mesmas começaram a surgir como um meio valioso para que o povo fiel se aproximasse do Filho de Deus.
 
Já nas antigas catacumbas de Roma (S. Calisto, Priscila, etc.), os antigos cemitérios cristãos, encontram-se diversos afrescos geralmente inspirados pelo texto bíblico: Noé salvo das águas do dilúvio, os três jovens cantando na fornalha, Daniel na cova dos leões, os pães e os peixes restantes da multiplicação efetuada por Jesus, o Peixe (Ichthys), que simbolizava o Cristo.
 
Note que esses cristãos dos primeiros séculos estão debaixo da perseguição dos romanos. E eles faziam imagens e pintavam figuras. Será que eram idólatras por isso? É lógico que não, eles morriam às vezes mártires exatamente para não praticarem a idolatria, reconhecendo César como Deus e lhe queimando incenso. Ora, se os nossos mártires usavam figuras pintadas, é claro que elas são legítimas.
 
Nas Igrejas as imagens tornaram-se a “Bíblia dos iletrados”, dos simples e das crianças, exercendo grande função catequética. Alguns escritores cristãos nos contam isso. São Gregório de Nissa (†394) escreveu: “O desenho mudo sabe falar sobre as paredes das igrejas e ajuda grandemente” (Panegírico de S. Teodoro, PG 94, 1248c).
 
São João Damasceno, doutor da Igreja, grande defensor das imagens no Concilio de Nicéia II, disse: “O que a Bíblia é para os que sabem ler, a imagem o é para os iletrados” (De imaginibus I 17 PG, 1248c). “Antigamente Deus, que não tem corpo nem face, não poderia ser absolutamente representado através duma imagem. Mas agora que Ele se fez ver na carne e que Ele viveu com os homens, eu posso fazer uma imagem do que vi de Deus.” “A beleza e a cor das imagens estimula minha oração. É uma festa para os meus olhos, tanto quanto o espetáculo dos campos estimula o meu coração para dar glória a Deus” (CIC, 1162). “Como fazer a imagem do invisível? Na medida em que Deus é invisível, não o represento por imagens; mas, desde que viste o incorpóreo feito homem, fazes a imagem da forma humana: já que o inviável se tornou visível na carne, pinta a semelhança do invisível” (I 8 PG 94, 1237-1240). “Outrora Deus, o Incorpóreo e invisível, nunca era representado. Mas agora que Deus se manifestou na carne e habitou entre os homens, eu represento o “visível” de Deus. Não adoro a matéria, mas o Criador da matéria” (Ibid. I 16 PG 94, 1245s).
 
O Papa São Gregório Magno († 604), doutor da Igreja, escreveu a Sereno, bispo de Marselha, que ordenou quebrar as imagens: “Tu não devias quebrar o que foi colocado nas Igrejas não para ser adorado, mas simplesmente para ser venerado. Uma coisa é adorar uma imagem, outra coisa é aprender, mediante essa imagem, a quem se dirigem as tuas preces. O que a Escritura é para aqueles que sabem ler, a imagem o é para os ignorantes; mediante essas imagens aprendem o caminho a seguir. A imagem é o livro daqueles que não sabem ler” (epist. XI 13 PL 77, 1128c).
 
Nos séculos VIII e IX surgiu na Igreja a disputa em torno do uso das imagens, a questão iconoclasta. Por influência do judaísmo, do islamismo, de seitas e de antigas heresias cristológicas, muitos cristãos do Oriente começaram a negar a legitimidade do culto das imagens. Os imperadores bizantinos, de Constantinopla, tomaram parte na disputa, por motivos políticos mais do que por razões religiosas. Desencadeada sob o Imperador bizantino Leão Isáurico (717-741), a controvérsia das imagens foi levada ao Concílio de Nicéia II (787).
Com base nos sólidos argumentos de grandes teólogos como São João Damasceno, doutor da Igreja, este Concilio reafirmou a validade do culto de veneração (não adoração) das imagens. O Concílio distinguiu entre Iatréia (em grego adoração), devida somente a Deus, e proskynesis (veneração), tributável aos santos e também às imagens sagradas na medida em que estas representam os santos ou o próprio Senhor; o culto às imagens é, portanto, relativo, só se explica na medida em que é tributado indiretamente àqueles que as imagens representam.
 
Assim se pronunciaram os padres conciliares: “Definimos que, como as representações da Cruz, assim também as veneráveis e santas imagens, em pintura, em mosaico ou de qualquer outra matéria adequada, devem ser expostas nas santas igrejas de Deus (sobre os santos utensílios e os paramentos, sobre as paredes e de quadros), nas casas e nas entradas. O mesmo se faça com a imagem de Deus Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, com as da santa Mãe de Deus, com as dos santos Anjos e as de todos os santos e justos. Quanto mais os fiéis contemplarem essas representações, mais serão levados a recordar-se dos modelos originais, a se voltar para eles, e lhes testemunhar … uma veneração respeitosa, sem que isto seja adoração, pois esta só convém, segundo a nossa fé, a Deus” (sessão 7, 13 de outubro de 787; Denzinger-Schönmetzer, Enchridion Symbolorum nº 600s).
 
Note, então, que muito antes da Reforma Protestante, a Igreja já tinha estudado o uso das imagens; isto foi cerca de 750 anos antes da Reforma. A sagrada Tradição da Igreja, sempre assistida pelo Espírito Santo (cf. Jo14,15.25; 16,12-13) sempre reconheceu o valor pedagógico e psicológico das imagens como um auxílio para a vida de oração. Todos os santos da Igreja, em todas as épocas, valorizaram as imagens. Santa Teresa de Ávila († 1582), ao ensinar as vias da oração às suas Religiosas, dizia: “Eis um meio que vos poderá ajudar… Cuidai de ter uma imagem ou uma pintura de Nosso Senhor que esteja de acordo com o vosso gosto. Não vos contenteis com trazê-las sobre o vosso coração sem jamais a olhar, mas servi-vos da mesma para vos entreterdes muitas vezes com Ele” (Caminho de Perfeição, cap. 43,1).
 
Prof. Felipe Aquino
Fonte: http://blog.cancaonova.com/felipeaquino/2012/11/06/as-imagens-na-tradicao-da-igreja/

quarta-feira, 7 de março de 2012

Nota pastoral a respeito da determinação do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, estabelecendo a retirada dos símbolos religiosos dos locais públicos da Justiça.


DOM ANTONIO CARLOS ROSSI KELLER
PELA GRAÇA DE DEUS E DA SANTA SÉ APOSTÓLICA
BISPO DE FREDERICO WESTPHALEN (RS)
Nota Pastoral
a respeito da determinação do Tribunal de Justiça
do Estado do Rio Grande do Sul,
estabelecendo a retirada dos símbolos religiosos dos locais públicos da Justiça.

O Conselho da Magistratura do TJ – RS determinou, nesta última terça feira, dia 06 de março, a retirada de todos os símbolos religiosos presentes nos prédios da justiça gaúcha.
O pedido para tal decisão tem a sua origem na Liga Brasileira de Lésbicas, através de uma solicitação protocolada em fevereiro de 2012. Tal decisão contraria o que a antiga administração do TJ – RS já tinha deliberado sobre esta questão, entendendo, na ocasião, não existir qualquer princípio preconceituoso na instalação de símbolos religiosos nas dependências dos prédios da justiça.
Como Bispo Diocesano, quero, através desta Nota Pastoral, expressar minha surpresa e meu repúdio a tal decisão.
É lamentável que o egrégio Tribunal de Justiça dobre-se diante da pressão de um grupo determinado, ideologizado e raivoso, contrariando a opinião da grande maioria da população do Estado do Rio Grande do Sul.
A interpretação dada pelo excelentíssimo relator daquilo que é a laicidade do Estado revela distorção de visão.
Como em outros países, orquestram-se movimentos pela expulsão do crucifixo das salas dos tribunais, das escolas e de outros lugares públicos, sob o pretexto de que o Estado deva respeitar as religiões que não adotam o mesmo símbolo, bem como aqueles que não adotam nenhuma forma de expressão religiosa.
Países com elevada tradição jurídica já rechaçaram tais argumentos, demonstrando cabalmente que a exposição passiva, em público, de símbolos religiosos não pode ser entendida como um proselitismo estatal de favorecimento a algum culto, ou como uma afronta à liberdade dos que ou não professam a fé em Cristo ou não professam algum tipo de fé.
No Brasil, o próprio Conselho Nacional de Justiça indeferiu tal pretensão, afirmando que a presença de um símbolo religioso, in casu o crucifixo em uma dependência de qualquer órgão do Judiciário, “não viola, não agride, não discrimina e nem sequer perturba ou tolhe os direitos e a ação de qualquer tipo de pessoa”, na expressão do então Conselheiro Oscar Argollo.
“A liberdade religiosa consiste na liberdade para professar a fé em Deus. Por isso, não cabe argüir a liberdade religiosa para impedir a demonstração da fé de outrem em certos lugares, ainda que públicos. O Estado, que não professa o ateísmo, pode conviver com símbolos dos quais não somente correspondem a valores que informam sua existência cultural, como remetem a bens encarecidos por parcela expressiva da sua população – por isso, também, não é dado proibir a exibição de crucifixos ou de imagens sagradas em lugares públicos”. [1]
Diante de tal decisão, como Bispo Diocesano, venho solicitar:
1. AOS EXCELENTÍSSIMOS SENHORES MAGISTRADOS dos Fóruns das Comarcas presentes na área compreendida pela Circunscrição Eclesiástica da Diocese de Frederico Westphalen, RESPEITOSAMENTE, a entrega dos símbolos religiosos católicos (crucifixos, demais imagens sagradas, Bíblias, etc..), caso os mesmos pertençam ao Tribunal e não ao Poder Judiciário, para os respectivos párocos das Paróquias Sedes das mesmas Comarcas, para que os mesmos custodiem as referidas imagens e delas cuidem.
2. AOS REVERENDÍSSIMOS SENHORES PÁROCOS das Paróquias nas quais existam Fóruns, que recebam os símbolos religiosos católicos das mãos dos Excelentíssimos senhores Magistrados, emitindo um recibo em três vias, detalhando o que foi entregue, sendo uma via para o Excelentíssimo senhor Magistrado, uma via para a Paróquia e uma via para a Cúria Diocesana.
3. AOS SERVIDORES PÚBLICOS DA JUSTIÇA, que professam a fé católica, que mantenham os sinais religiosos católicos que costumam usar pessoalmente (terços, escapulários, medalhas, crucifixos, etc...) e que, no esmero do trabalho em favor da justiça, especialmente no serviço dos mais necessitados e carentes dela, demonstrem sua fé católica, mantendo Jesus Cristo, Nosso Senhor, sempre presente nestes ambientes públicos.
Podem nos tirar os crucifixos e as imagens expostas em locais públicos. Mas jamais poderão tirar de nós a fé e a adesão aos princípios e valores do Evangelho.
Dada e passada em nossa Sede Episcopal, aos sete dias do mês de março do ano do Senhor de dois mil e doze.

+ Antonio Carlos Rossi Keller
Bispo de Frederico Westphalen (RS)

Visto:Encontro com o Bispo

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Papa nomeia bispo para Pesqueira e arcebispo para Campinas

O papa Bento XVI nomeou na manhã de hoje, 15, para a diocese vacante de Pesqueira (PE), o bispo auxiliar de Fortaleza (CE), dom José Luiz Ferreira Salles. E para a arquidiocese de Campinas (SP), transferiu o bispo de Mogi das Cruzes (SP), dom Airton José dos Santos.


Dom_Jos_Luiz_Ferreira_Salles_3-4Dom José Luiz Ferreira Salles nasceu em janeiro de 1957, em Itirapina (SP). Sua ordenação episcopal foi em sua terra natal, em 1985, e a ordenação episcopal foi em 2006, na capital cearense.
Fez Filosofia na Pontifícia Universidade Católica de Campinas (SP) e Teologia no Instituto Teológico São Paulo (SP).
Dom José Luiz já trabalhou nas Missões Populares, foi coordenador da equipe missionária em Garanhuns (PE), administrador paroquial na par[oquia de São Pedro, em Caraúbas, da diocese de Campina Grande (PB) e foi nomeado reitor da Casa de Teologia Inter-Provincial dos Missionários Redentoristas em Fortaleza (2005-2006).
Seu lema episcopal é “Deus é Amor”.


Dom Airton José
Dom_Airton_e_o_PapaJá o novo arcebispo de Campinas, dom Airton José dos Santos, nasceu em 1956, em Bom Repouso (MG). Sua ordenação episcopal se deu no dia 02/03/2002, em São Bernardo do Campo (SP). Estudou Filosofia na Faculdade Associadas do Ipiranga (SP) e Teologia na Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção (SP).
Dom Airton foi bispo auxiliar de Santo André (SP), secretário do Regional Sul 1 da CNBB (São Paulo), membro da Comissão Episcopal para os Tribunais Eclesiásticos de Segunda Instância (2007 a 2011).


Seu lema Episcopal é “Para Fazer ó Deus a Tua Vontade”.

Visto em: CNBB

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Os três tipos de católicos



"Existia uma alma que se encontrava em cima de um muro. De um lado do muro haviam anjos que pediam para que a alma fosse para o lado deles. Do outro lado havia os demônios que estavam calados diante de tudo aquilo. A alma perguntou aos anjos o porquê deles clamarem tanto enquanto os demônios se calavam. Eis que a resposta veio justamente de um dos demônios, que disse: "O muro a nós pertence"."
"Conheço as tuas obras: não és nem frio nem quente. Oxalá fosses frio ou quente!
Mas, como és morno, nem frio nem quente, vou vomitar-te." (Apocalipse 3, 15-16)
 
Desta pequena crônica, podemos fazer as seguintes análises e a seguinte conclusão:
 
Existem três tipos de católicos:
 
 
Os modernistas
(Os aceita-tudo)
 
São aqueles que aceitam as novidades propostas pelo modernismo, este já condenado abertamente pelo Magistério Infalível da Santa Igreja e pelos santos.
 
"NÃO importa se estas novidades são contrárias à fé, o que importa é "modernizar a Igreja, pois, afinal, estamos no século XXI"."
 
O mundo moderno faz com que homem se esqueça de coisas que são extremamente importantes, como Deus, a Santa Igreja, Sua doutrina e a Morte. De que vale ao homem conquistar o mundo e perder sua alma? O modernismo é falso. É preciso virar as costas ao modernismo. É obra do inferno. Mesmo os Sacerdotes que difundem o modernismo nem sequer estão de acordo entre si. Nenhum está de acordo quando estes se encontram nesta situação: aderindo ao modernismo.
 
São estes os do tipo que aceitam todas as religiões, que transformam a Missa em um palco, que participam de seitas protestantes, argumentando que apenas pretendem "estar em plena comunhão com nossos irmãos de outras religiões".
Ainda podem ser chamados de católicos ou simplesmente de católicos protestantes?
 
«Temos que admitir realisticamente e com sentimentos de intensa dor que hoje os Cristãos, na sua grande parte, sentem-se perdidos, confusos, perplexos e mesmo desapontados; abundantemente se espalham ideias contrárias à verdade que foi revelada e que sempre foi ensinada; heresias, no sentido lato e próprio da palavra, propagaram-se na área do dogma e da moral, criando dúvidas, confusões e rebelião; a liturgia foi adulterada. Imersos num relativismo intelectual e moral e, portanto, no permissivismo, os Cristãos são tentados pelo ateísmo, pelo agnosticismo, por um iluminismo vagamente moral e por um Cristianismo sociológico desprovido de dogmas definidos ou de uma moralidade objectiva».

Papa João Paulo II, citado em
L'Osservatore Romano,
7 de Fevereiro de 1981.

"Neo-tradicionais"
(Defendem a tradição e apoiam o modernismo)
Exite os que se auto-intitulam "tradicionais" ou "tradicionalistas" mas que aceitam tanto a tradição quanto o modernismo, apenas para agradar aos dois lados. Quem fica encima do muro, está com o demônio e não com Deus. Deus Pai vomitará os que são mornos. Estes são piores que os modernistas, pois eles ao menos escolheram um lado, enquanto estes pretendem agradar a Deus e ao mundo, mas se esquecem que "não se pode agradar a dois senhores ao mesmo tempo".
 
É mais que comum ver católicos que assistem à Santa Missa no Rito de Sempre e participam das chamadas "Missas Carismáticas", são os primeiros à rebolarem(...) profanando assim o local onde Nosso Senhor habita.
 
Repetindo o versículo do início do artigo:
"Conheço as tuas obras: não és nem frio nem quente. Oxalá fosses frio ou quente!
Mas, como és morno, nem frio nem quente, vou vomitar-te."
 
São estes os que estão em cima do muro. Que rezam o confiteor na Missa de Sempre mas que são simpatizantes ou até mesmo participantes das sacrílegas "Missas de Cura e Libertação" e carismáticas.
 
Se Deus vai vomitar os que são mornos, seriam estes ainda católicos?
 
Católicos
 
 
São estes os católicos, propriamente ditos.
Todos os CATÓLICOS são tradicionais, apenas por seguirem tradições e repetirem o que é verdadeiramente da Fé Católica, rejeitando o que é estranho e contrário aos ensinamentos da Igreja. Antes de serem chamados de tradicionais, devem ser chamados de Católicos. São estes os que repetem o que os Papas disseram ao longo dos séculos. São estes os que não têm medo de condenarem as seitas, as outras religiões e tudo aquilo que é de moderno, ofensivo e perigoso à Fé.
(...)
 
 

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

O Rito de Vestição Pontifical no Oriente e Ocidente


Vestição dos Paramentos para o Rito Bizantino
(Igreja Otodoxa Russa)


Vestição dos Paramentos para o Rito Romano
- Forma Extraordinária
 

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Hábitos religiosos obrigatórios da Família católica



A casa de família - deve ser benzida e nela entronizado o quadro do Sagrado Coração de Jesus. Está escrito que ricas bênçãos Deus derramará sobre a casa e seus habitantes, sempre que isso se der. Pelos quartos, à cabeceira das camas, haverá um quadro de santo, um Crucificado. Aqui te dou o conselho de procurares antes poucos, mas belos quadros ou imagens, do que muitos e feios.
 
No horário da casa - haverá tempo marcado para as orações da manhã e da noite. Que belo costume esse de se unir a família perante o oratório da família e aí rezar pelos presentes e ausentes!
 
Nos dias da semana - o domingo tem lugar de honra. É dia sagrado, dedicado primeiro à oração e à Missa e somente depois aos divertimentos inocentes. É também dia respeitado, até nos trajes festivos da família. O mesmo se dá com os dias de festa religiosa. No aniversário dos batizados, das primeiras comunhões, a família faz questão de agradecer a Deus as graças que esses dias trouxeram.
 
As devoções da família - Se o pai já trouxe algumas de seu tempo de moço, ou se na tua mocidade praticava algumas, continua com elas na casa. Sobretudo a devoção a Nossa Senhora não pode faltar, em caso algum. Pois é garantia de salvação eterna e fonte de muita bênção material. Mas, não o esqueças nunca, a primeira devoção cristã é a Santa Eucaristia. Amor a nosso Senhor Sacramentado - pela assistência à Santa Missa - deve ser precioso patrimônio de todo lar cristão.
 
Fidelidade á fé - A cristã a recebeu dos pais e deve deixá-la aos filhos. Do contrário, os privaria da herança mais preciosa na vida. Tudo farás, leitora, para conservá-la em ti e nos teus. Para isso é preciso praticar a oração... fugir dos livros maus e procurar os bons. Sobretudo é necessário viver de acordo com aquilo que se crê. Combaterás energicamente as superstições que tanto prejudicam a fé e ofendem a Deus. Se algum dos teus se afastar da fé, não descanses nas tuas orações e sacrifícios para convertê-lo. Cedo ou tarde o conseguirás...

Trecho do livro: As três chamas do lar - Pe. Geraldo Pires de Sousa

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Ano Mariano 2012-2013

Em 2012 faz 25 anos do ultimo ano Mariano proclamado por S.Santidade João Paulo II, com isso, católicos de todo mundo estão a fazer um pedido ao Santo Padre, a proclamação de um ano Mariano 2012-2013. E nós do Brasil também temos representação. Foi criado uma petição que está abaixo:

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A Sua Santidade Papa Bento XVI

Beatissime Pater,
No desejo de contribuir com a santificação dos cristãos e com a Nova Evangelização, vimos suplicar a Vossa Santidade a graça da proclamação de um Ano Mariano em 2012-2013.

Sugerimos esta data por ela marcar os 25 anos do último Ano Mariano proclamado pelo Servo de Deus João Paulo II e por comemorar os 300 anos do Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, de São Luis Maria Montfort, obra tão amada e recomendada pelo próprio Servo de Deus João Paulo II.

Somos testemunhas dos frutos de graça e santidade que a proclamação do Ano Sacerdotal, feita por Vossa Santidade, fez brotar para a Igreja do mundo inteiro. Por esta razão, sugerimos humildemente que um Ano Mariano poderia ser uma grande oportunidade para reavivar a Devoção a Toda Santa Mãe de Deus no coração dos fiéis e propagar a prática da "Consagração Total a Jesus por Maria", como é ensinado pelo próprio São Luis, e como o Servo de Deus João Paulo II viveu e testemunhou.

Voltamo-nos a Vossa Santidade, com confiança, exercendo o que pensamos ser o nosso deve de manifestar aos nossos Sagrados Pastores os nossos anseios e necessidades espirituais (cf. cân. 212).

Aproveitamos a ocasião para manifestar a Vossa Santidade nossa mais completa fidelidade e devoção filial.


Quem quiser assinar a petição, está no link abaixo:

sexta-feira, 18 de março de 2011

Papa confere títulos honoríficos a fundadores do Ordinariato para ex-anglicanos


Nota do site do Ordinariato para ex-anglicanos:



Foi hoje anunciado que o Ordinário do Ordinariato Pessoal de Nossa Senhora de Walsingham foi distinguido por Sua Santidade, Papa Bento XVI, com o título de Protonotário Apostólico.


Padre John Broadhurst e Padre Andrew Burnham também foram distinguidos com o título de Prelados de Honra.


De forma que os três padres são agora conhecidos como Monsenhores.

A mesma notícia no Catholic Herald:

O Papa distinguiu os três ex-bispos anglicanos, os primeiros membros do Ordinariato de Nossa Senhora de Walsingham, com o título de monsenhor [na realidade "monsenhor" não é título, mas apelativo que se usa para certos sacerdotes, alguns por serem detentores de títulos, outros por desempenharem certos ofícios; o Ordinário, por exemplo, mesmo sem qualquer título é chamado "monsenhor" ex officio, como o são os vigários-gerais].

Padre Keith Newton, líder do Ordinariato que desempenha a maioria das funções de um bispo, e Padre John Broadhurst, ex-bispo [anglicano] de Fulham, receberam a comenda papal de Protonotários Apostólicos, mais elevado título eclesiástico para não bispos. Padre Andrew Burnham, ex-bispo [anglicano] de Ebbsfleet, recebeu a comenda papal de Prelado de Honra, e portanto também é um monsenhor [a informação está incorreta, conforme se lê acima no site do Ordinariato].

Os três tornaram-se os primeiros clérigos do primeiro ordinariato pessoal do mundo estabelecido para grupos de ex-anglicanos em janeiro, fruto da Constituição Apostólica Anglicanorum Coetibus.

Grupos de ex-anglicanos serão recebidos na Igreja na Semana Santa e os padres para o Ordinariato serão ordenados por volta de Pentecostes.

O ordinário espera que cerca de 900 pessoas se tornarão membros do Ordinariato na Semana Santa, incluindo 61 clérigos. A maioria dos leigos que entrarão no Ordinariato participaram de um Rito de Eleição em todo o país na semana passada.

Padre Newton afirmou: "Estou deveras encantado com o número de leigos anglicanos que iniciaram sua jornada em direção à plena comunhão com a Igreja Católica na Semana Santa. Não tem sido uma jornada fácil para muitos mas eu sei que eles serão largamente abençoados. Os Ritos de Eleição (ou Alistamento para membros do Ordinariato) nas dioceses foram uma parte muito comovente e importante desta jornada".

Fonte: OBLATVS

segunda-feira, 7 de março de 2011

O que é a Quaresma?


A quaresma é o tempo litúrgico de conversão, que a Igreja marca para nos preparar para a grande festa da Páscoa. É tempo para nos arrepender dos nossos pecados e de mudar algo de nós para sermos melhores e poder viver mais próximos de Cristo.


A Quaresma dura 40 dias; começa na Quarta-feira de Cinzas e termina no Domingo de Ramos. Ao longo deste tempo, sobretudo na liturgia do domingo, fazemos um esfoço para recuperar o ritmo e estilo de verdadeiros fiéis que devemos viver como filhos de Deus.

A cor litúrgica deste tempo é o roxo, que significa penitência. É um tempo de reflexão, de penitência, de conversão espiritual; tempo e preparação para o mistério pascal.

Na Quaresma, Cristo nos convida a mudar de vida. A Igreja nos convida a viver a Quaresma como um caminho a Jesus Cristo, escutando a Palavra de Deus, orando, compartilhando com o próximo e praticando boas obras. Nos convida a viver uma série de atitudes cristãs que nos ajudam a parecer mais com Jesus Cristo, já que por ação do pecado, nos afastamos mais de Deus.

Por isso, a Quaresma é o tempo do perdão e da reconciliação fraterna. Cada dia, durante a vida, devemos retirar de nossos corações o ódio, o rancor, a inveja, os zelos que se opõem a nosso amor a Deus e aos irmãos. Na Quaresma, aprendemos a conhecer e apreciar a Cruz de Jesus. Com isto aprendemos também a tomar nossa cruz com alegria para alcançar a glória da ressurreição.

Significado dos 40 dias

A duração da Quaresma está baseada no símbolo do número quarenta na Bíblia. Nesta, é falada dos quarenta dias do dilúvio, dos quarenta anos de peregrinação do povo judeu pelo deserto, dos quarenta dias e Moisés e de Elias na montanha, dos quarenta dias que Jesus passou no deserto antes de começar sua vida pública, dos 400 anos que durou o exílio dos judeus no Egito.

Na Bíblia, o número quatro simboliza o universo material, seguido de zeros significa o tempo de nossa vida na terra, seguido de provações e dificuldades.

A prática da Quaresma data do século IV, quando se dá a tendência a constituí-la em tempo de penitência e de renovação para toda a Igreja, com a prática do jejum e da abstinência. Conservada com bastante vigor, ao menos em um princípio, nas Igrejas do oriente, a prática penitencial da Quaresma tem sido cada vez mais abrandada no ocidente, mas deve-se observar um espírito penitencial e de conversão.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Nossas Orações ao Santo Padre


Um incentivo para ser cumprido diariamente, é a oração pelo Santo Padre. Nosso Pastor universal necessita de nossas orações, pois é atacado por todos os lados por Satanás. Façamos a partir de hoje uma novena em honra ao Santo Padre o Papa Bento XVI que sofreu (sofre) tantos atentados morais, para que possa ser firme neste ministério Petrino, ministério que concede a sucessão do Apóstolo Pedro.

Depois de 1 Padre Nosso, 3 Ave Marias 1 Glória ao Pai, façamos a oração abaixo, e ofereçamos ao Papa. Que nos custa, retirar 5-10 minutos do nosso dia?Dia esse que tem 1440 minutos.

Pelo Santo Padre:

V/. Oremos pelo nosso Santo Padre, o Papa Bento XVI

R/. O Senhor o guarde, e o fortaleça, lhe dê a felicidade nesta terra, e não o abandone, a perversidade dos seus inimigos.

R/. Tu és Pedro!

V/. E sobre esta pedra edificarei a minha Igreja.

Oremos:

Ó Deus, que escolhestes Vosso servo BENTO XVI sucessor do apóstolo Pedro, como pastor de todo o rebanho, atendei às súplicas do vosso povo. Concedei ao que faz as vezes do Cristo na Terra confirmar na fé seus irmão, para que toda a Igreja se mantenha em comunhão com ele, no vínculo da unidade, do amor e da paz, até que em Vós, pastor das almas, cheguemos todos à Verdade e à Vida Eterna. Por Jesus Cristo, Vosso filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

São Matias, rogai por nós!

Hoje, comemoramos o dia de São Matias, apóstolo de Jesus. No livro dos Atos dos Apóstolos, São Pedro explicou de substituir Judas que se havia tornado traidor. Assim, propôs aos outros apóstolos reunidos que a vaga fosse preenchida. O concílio¹ referiu os nomes de José Bársabas, o Justo e Matias como hipóteses para a escolha. Depois de orarem em conjunto com essas palavras <"Ó Senhor, que conheces os corações de todos, mostra-nos qual destes dois escolheste para tomar neste ministério apostólico o lugar de Judas que se transviou para seu próprio lugar.">(Atos 1,24-25) lançaram a sorte e Matias foi escolhido. Isto ocorreu, apenas poucos dias antes do derramamento do Espírito Santo, no dia de Pentecostes do ano 30 ou 33 EC, consoante as opiniões de alguns estudiosos, foi a última ocasião mencionada na Bíblia em que se recorreu a sorte para se saber a escolha de Deus num determinado assunto.

Segundo as palavras de Pedro registradas em Atos 1:21, 22, Matias havia sido seguidor de Jesus durante os três anos e meio do seu ministério e havia estado intimamente associado com os apóstolos. Provavelmente era um dos setenta discípulos ou evangelistas que Jesus enviou para pregar, segundo o relato de Lucas 10:1. Após a sua escolha, ele foi "contado com os onze apóstolos" pela congregação e quando o livro de Atos logo depois fala dos "apóstolos" ou dos "doze", isso incluía Matias.


Concílio¹: Esta reunião dos apóstolos após a morte de Jesus, é considerada pela Santa Igreja o primeiro concílio

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

A Doutrina das Indulgências


A doutrina das Indulgências


Por Leonardo Silva de Paula

Quem é católico certamente já teve que escutar frases acusadoras como: “Os católicos são idólatras, pois adoram Maria e os santos!”, “Os católicos se prostram para adorar ídolos de barro, são idólatras!”, “A Igreja Católica mandava prender, torturar e queimar todos os que se posicionavam contra seu poder!” ou ainda a famosa “A Igreja Católica vendia lugares no céu, ou o perdão dos pecados!”.

Não há dúvidas que essas sentenças citadas acima, além de outras tantas que somos obrigados a escutar muitas vezes são frutos de uma total falta de piedade cristã, além de um desconhecimento imenso da doutrina e da fé que baseiam a Igreja Católica e a vida de seus filhos.

Faz-se necessário entender que, em nenhum momento de sua história, a Igreja Católica tencionou ou buscou afastar-se dos Sagrados Mandamentos e Ensinamentos confiados a ela por seu Fundador, Nosso Senhor Jesus Cristo, na pessoa do apóstolo Pedro, considerado pela cristandade católica como o primeiro bispo de Roma e o primeiro Papa.

Durante os muitos séculos de sua existência, nossa igreja enfrentou com bravura inúmeros períodos conturbados da História. Passou pelo ápice e a queda de Roma sob os bárbaros; conheceu o apogeu e o declínio do Império Bizantino; presenciou o surgimento e a organização das primeiras nações européias; acompanhou as navegações que aproximaram o “Velho Mundo” do “Novo Continente”; sofreu com toda a humanidade os horrores das Grandes Guerras, e enfrenta hoje a hostilidade, às vezes velada, escondida, de uma grande multidão que busca, sob falsos pretextos de liberdade e igualdade entre todos, difamar o nome da Igreja de Cristo, incitar o ódio e a descrença contra seus líderes e por abaixo quase dois séculos de uma bela e frutuosa história de fé e testemunho cristão, escoltados pela promessa de Nosso Senhor Jesus Cristo a Pedro: “E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.” (Mt 16, 18-19)

A Igreja, como uma instituição sediada na terra, é composta por homens e mulheres, todos falhos, fracos, sujeitos a equívocos, por serem pecadores, herdeiros do pecado original, fruto da desobediência dos primeiros pais, Adão e Eva.

Apesar disso, o próprio Senhor garantiu a Pedro a vitória da Igreja sobre as forças do inferno, como vimos na citação acima e, em outro momento, prometeu a seus discípulos que lhes mandaria o Espírito Santo, o Paráclito, que daria testemunho da verdade, confirmando ao mundo a Palavra de Deus, proclamada por meio d’Ele, para que todos cressem que no senhorio de Jesus sobre o mundo (cf. Jo 15, 26 – 16 ss).

Portanto, é injusto, da parte de quem quer que seja questionar ou desacreditar a santidade e a autoridade da Igreja Católica, conferida por Jesus Cristo, pelo fato de alguns entre seus membros cometerem erros, mesmo que erros considerados graves. É hipocrisia valer-se dos erros de alguns para manchar a imagem de todo um corpo, de todo um povo. O próprio Senhor nos advertiu: “Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão e não reparas na trave que está no teu olho? Ou como podes dizer a teu irmão: Deixa-me, irmão, tirar de teu olho o argueiro, quando tu não vês a trave no teu olho? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho e depois enxergarás para tirar o argueiro do olho de teu irmão.” (Lc 6, 41-42) Não estarão os críticos da Igreja esquecendo que, à frente de suas próprias denominações religiosas estão homens, tão humanos e pecadores quanto qualquer líder católico? Não estarão se esquecendo de olhar primeiro suas próprias falhas para, após tomar consciência delas e corrigi-las, apontar os erros de seus irmãos?

Sendo assim, é plenamente compreensível o fato de que, como homens, todos estamos sujeitos a errar diversas vezes durante nossa peregrinação terrestre, devendo, no entanto, evitar constantemente, as ocasiões de pecado, desenvolvendo tal horror aos erros e tal amor a Cristo e à sua Palavra, que, aqui mesmo na terra, iniciemos nossa santificação, a purificação de nossa alma, para desfrutarmos um dia da visão da Face de Nosso Deus, na eternidade.

O nosso objetivo, com esse texto, não é declarar a Igreja Católica como uma igreja melhor que as outras, sob uma análise puramente humana e infantil. Acreditamos, porém, que ao reconhecer a autoridade de Pedro como o primeiro chefe dessa Igreja e de seus sucessores, nós fazemos parte da verdadeira Igreja sonhada e fundada por Cristo, Nosso Senhor, na pessoa de Pedro, e que tem, nesse mesmo Jesus, seu Chefe, Esposo e Cabeça.

Tomaremos como tema desse artigo a última das sentenças apresentadas no início: a “venda” do perdão dos pecados, ou de lugares no céu, pela Igreja Católica. O presente texto não possui o objetivo de ser o único depositário da verdade, ou o mais explicativo, ou ainda o único local onde os cristãos católicos terão suas dúvidas satisfeitas ou esclarecidas. Não, de forma alguma é este nosso propósito. O que nos move a escrever essas linhas é a consciência da obrigação cristã que todos temos de ajudar e formar nossos irmãos na fé que se encontram ainda em início de caminhada ou aqueles cuja fé se encontra abalada, muitas vezes devido às falácias e intrigas semeadas por muitos dos irmãos de denominações protestantes.

***

“A salutar instituição das indulgências contribui, assim, por sua parte, para que a Igreja se apresente a Cristo sem mancha nem ruga, mas santa e imaculada, admiravelmente unida em Cristo pelo elo da caridade sobrenatural. De fato, por meio das indulgências são os membros da Igreja padecente mais rapidamente agregados à Igreja triunfante. Daí resulta que por essas mesmas indulgências o Reino de Cristo se instaura muito mais rapidamente ‘até que todos tenhamos chegado à unidade da fé e de pleno conhecimento do Filho de Deus, à idade de homem perfeito, à medida da estatura que convém ao complemento de Cristo’.” (Papa Paulo VI, Indulgentiarum Doctrina)

É muito comum que protestantes e não cristãos levantem a voz e apontem o dedo para os católicos afirmando – sempre com muita “certeza e convicção” – que a Igreja Católica vendia o perdão dos pecados durante a Idade Média. Como se não bastasse a reinante ignorância sobre esse importante período da história humana e da própria cristandade (leia mais no livro “Uma História que não é contada”, do professor Felipe Aquino), os argumentos utilizados pelos críticos da Igreja revelam um total desconhecimento sobre uma das mais belas doutrinas do catolicismo: as indulgências.

Antes de avançar mais a fundo no que são as indulgências, é preciso falar um pouco sobre o pecado. Todo pecado é falta humana que nos afasta da convivência plena e pacífica com Deus Nosso Senhor. Porém, para que se entendam melhor os efeitos do pecado na relação entre o ser humano e Deus, a Igreja nos apresenta as definições pecado grave, ou mortal e pecado leve, ou venial.

Por pecado grave, entende-se aquele cometido conscientemente, de forma deliberada (não acidental) e constituído de matéria grave (desobediência a alguma lei ou preceito fundamental e importante da Lei de Deus). Este pecado representa nossa rejeição ao projeto do Senhor para nós: o pecador prefere aderir ao pecado e ao mundo, recusando a vontade de Deus. Ele nos priva da comunhão com Deus e nos torna incapazes de participar da vida eterna. Essa privação da vida eterna recebe o nome de pena eterna do pecado.

Por pecado leve ou venial, entende-se toda má ação ou inclinação do ser humano que, mesmo não consistindo em uma violação da dignidade da vida e pureza humana, ou negação e desrespeito pela soberana grandeza de Deus e de suas resoluções (pecado mortal), deixa em nós um apego prejudicial às criaturas, ou seja, faz com que criemos um vínculo perigoso com as “pequenas” e costumeiras falhas e vícios diários, comuns ao ser humano. Esse pecado exige purificação, que pode acontecer tanto em vida, como após a morte, no estado chamado Purgatório.

Para entender melhor:

Quando um indivíduo escolhe tirar a vida de outra pessoa e realiza o ato, comete um pecado grave, pois:

a- O assassinato não foi um acidente (portanto foi praticado deliberadamente, intencionalmente);

b- O crime foi realizado conscientemente (o autor sabia o que estava fazendo e quais as conseqüências de seu ato);

c- O assassino atentou contra a vida de um ser humano, algo grave perante Deus, o único detentor dos direitos sobre a vida e a morte (ou seja, pecado em matéria grave).

Ao cometermos um pecado grave estamos colocando aquele ato ou decisão acima de Deus. Estamos trocando a graça Dele pelo pecado. Como Deus nos deu liberdade de escolha, Ele aceita nossa decisão. A conseqüência disso é a privação da vida eterna: não poderemos desfrutar da vida eterna junto da Trindade e de toda a corte celeste. Essa é a pena eterna do pecado, que só pode ser perdoada, absolvida completamente, mediante o sacramento da Confissão (ou Reconciliação).

Muitas vezes o ser humano se acostuma a dizer “não” a Deus através de erros ou falhas costumeiras como a mentira. Quem mente a primeira vez, mentirá mais uma e mais outra vez, como num verdadeiro “efeito-dominó”. Ainda que esse pecado muitas vezes não seja cometido de forma deliberada, consciente ou em matéria grave (características do pecado mortal), é um ato que nos distancia de Deus e nos faz mais apegados às coisas do mundo. Nos “acostumamos a pecar”. A mentira aqui se enquadra no que a Igreja chama de pecado venial.

Ocorre que, por causa desse “apego às criaturas”, presente tanto no pecado mortal quanto no pecado venial, o pecador adquire outra pena além da pena eterna: a pena temporal. A pena temporal pode ser entendida como todos os sofrimentos, provações e dificuldades que passaremos aqui na terra, por causa de nossos pecados. Jesus nos explica a pena temporal quando nos diz “...dali não sairás antes de teres pago o último centavo.” (Mt 5,26). Ou seja, temos uma dívida a pagar pelos pecados cometidos.

Enquanto, através da Confissão Sacramental, Cristo nos liberta da pena eterna do pecado, a remissão da pena temporal é feita através da oração, caridade e obras de penitência ou “obras indulgenciáveis”.

Durante os primeiros séculos da história da Igreja, os pecadores só recebiam a absolvição de suas penas (as temporais, mesmo não havendo esse conceito naquela época) após realizarem severas obras de penitência pública e/ou privada, associadas a um verdadeiro e forte desejo de arrancar de si os resquícios do pecado. É claro que nem todos podiam praticar obras penitenciais como autoflagelação, uso do cilício e os severos jejuns comuns à época (1).

Como Mãe preocupada e generosa com seus filhos (mas não injusta), a Igreja apelou para o Tesouro dos Méritos ou Satisfações de Cristo e de seus santos, do qual ela é depositária, guardiã. Esse tesouro espiritual constitui-se dos méritos adquiridos junto a Deus por Jesus Cristo, através de seus sofrimentos e sua morte de cruz, associado às orações e obras de caridade e misericórdia de todos os seus membros, vivos e mortos, oferecidas a Deus em intenção e benefício da Igreja e de seus filhos.

Ensina-nos o Santo Padre Papa Paulo VI, em sua “Constituição Apostólica Indulgentiarum Doctrina”:

“A convicção existente na Igreja de que os Pastores do rebanho do Senhor podem por meio da aplicação dos méritos de Cristo e dos Santos libertar cada fiel dos restos de seus pecados introduziu aos poucos no correr dos séculos, pelo sopro do Espírito Santo que sempre anima o Povo de Deus, o uso das indulgências; uso pelo qual se efetuou um progresso, não uma mudança, na doutrina e na disciplina da Igreja, e da raiz que é a revelação brotou um novo bem para a utilidade dos fiéis e de toda a Igreja.


Pouco a pouco se propagou o uso das indulgências e se tornou um fato notório na história da Igreja desde que os Pontífices Romanos decretaram que certas obras favoráveis ao bem geral da Igreja ‘poderiam ser imputadas ao título de uma penitência total’; e aos fiéis ‘verdadeiramente penitentes, que tivessem confessado seus pecados’ e realizassem tais obras, esses mesmos Pontífices ‘pela misericórdia de Deus e... confiando nos méritos e na autoridade dos apóstolos’, ‘na plenitude do poder apostólico’ concediam o perdão não só pleno e abundante, mas até o mais cabal, de todos os seus pecados". Pois ‘o Filho unigênito de Deus adquiriu um grande tesouro para a Igreja Militante... Esse tesouro... quis ele fosse distribuído aos fiéis para sua salvação por são Pedro, portador das chaves do céu, e por seus sucessores, seus vigários na terra, e fosse, por motivos particulares e razoáveis, a fim de remir ora parcial ora completamente a pena temporal devida ao pecado, misericordiosamente aplicado, em geral ou em particular, como diante de Deus se julgasse mais útil, aos que, verdadeiramente penitentes se tivessem confessado. Sabe-se que os méritos da Bem-aventurada Mãe de Deus e de todos os eleitos contribuem para a riqueza desse tesouro’.” (Indulgentiarum Doctrina, Capítulo IV, §7)

Então, dispondo desse Tesouro de méritos, a Igreja passou a aplicar esses méritos a seus filhos que não possuíam condições físicas de cumprir com as penitências mais pesadas. Assim, a Igreja instituiu, a partir do século IX, as “obras indulgenciáveis”.

Sendo assim, após uma confissão sacramental, o fiel deveria praticar determinada obra de caridade ou penitência, para que, através desse sacrifício, sua pena temporal fosse também apagada, como a pena eterna o fora com a confissão. Ao invés de um pesado jejum, o fiel podia agora ao rezar a oração do terço, visitar determinado Santuário, ou orar em um cemitério no Dia dos Fiéis Defuntos (Dia de Finados), obter a expiação de sua pena temporal, associando seu esforço às orações e obras dos membros da Igreja, presentes no Tesouro de Méritos!

A prática de obras de penitência pela expiação dos pecados não é invenção da Igreja Católica, muito menos as normas, exigências ou exceções à forma como ela deve ser realizada. O Antigo Testamento nos mostra como Deus aceita o sacrifício do pobre fiel que não tem como oferecer atos mais pesados ou bens mais valiosos em expiação de suas falhas. “Se não houver meio de se obter uma ovelha ou uma cabra, oferecerá ao Senhor em expiação pelo seu pecado duas rolas ou dois pombinhos, um em sacrifício pelo pecado e o outro em holocausto.(...) Se não houver meio de se encontrarem duas rolas ou dois pombinhos, trará como oferta, pelo pecado cometido, o décimo de um efá de flor de farinha em sacrifício pelo pecado. Não lhe deitará azeite nem lhe porá incenso, porque é um sacrifício pelo pecado” (Lv 7,5.11).

O fiel pode oferecer a Deus o que puder, desde que seja acompanhado de um profundo desejo de conversão e reta intenção de não tornar a pecar, com a graça de Deus. Ou seja: não basta apenas realizar a obra, mas sim, realizá-la com verdadeiro arrependimento e com o puro intento de não mais pecar. Daí, podemos notar que a Igreja não retira de onde não tem, meios de perdoar os pecados de seus membros, vendendo ou comerciando a remissão dos pecados através de ações escolhidas por seus líderes. Não existe comércio do perdão: a Igreja ensina seus filhos como se achegar de forma mais íntima do coração de Deus e como agir para reconciliar-se com ele, libertar-se do pecado e alcançar o perdão e a vida eterna.

A indulgência por si só, também não leva ninguém ao céu. É preciso que o fiel que deseja lucrar o benefício da indulgência cumpra com algumas condições:

a- Fazer um exame de consciência rigoroso e minucioso, depois confessar-se e após a absolvição sacramental, deve assistir à Missa completa e comungar;

b- Deve possuir e/ou desenvolver o mais absoluto horror ao pecado cometido e manifestar firme intenção de não cometê-lo novamente;

c- E deve ter em mente o desejo de lucrar a indulgência associada ao ato enquanto o executa.

Ou seja: quem, por seus atos, escolheu o inferno e não se arrependeu (confessando-se e recebendo a absolvição sacramental) não pode lucrar a absolvição da pena temporal através das indulgências. A Indulgência só vale quando o fiel já foi absolvido de sua pena eterna e pratica a obra indulgenciável obedecendo às condições prescritas acima.

Não há, portanto, fundamento nas palavras de protestantes e não cristãos que atacam a Igreja e sua doutrina das indulgências, colocando-a como uma “vendedora do perdão dos pecados”. Nada mais falso e em mais descompasso com a verdadeira fé e a Sã doutrina da Igreja Católica que, apoiada nos ensinamentos de Cristo, seu senhor e mestre, continuará a dar testemunho da verdade até a consumação dos séculos.

Bibliografia:

MARTINS DE JESUS, Leandro. Entendendo a Doutrina das Indulgências. Site “Veritatis Splendor”: http://www.veritatis.com.br/article/5663 Acessado em: 21 de maio de 2010

RAMALHETE, Professor Carlos. A Igreja Católica vendia lugares no céu? Site “Vetitatis Splendor”: http://www.veritatis.com.br/article/3843 Acessado em: 21 de maio de 2010

PAULO VI, Papa. Constituição Apostólica Indulgentiarum Doctrina. Página Oficial do Vaticano: http://www.vatican.va/holy_father/paul_vi/apost_constitutions/documents/hf_p-vi_apc_01011967_indulgentiarum-doctrina_po.html. Acessado em: 21 de maio de 2010

Notas:

(1) É preciso ter em mente que, em nenhum momento, a Igreja desejou impor sofrimento a seus filhos, pelo simples prazer ou ato de sofrer. Isso é masoquismo, algo abominável que vai contra os princípios da Lei de Deus. As práticas penitenciais, como os severos jejuns a pão e água, ou ainda a autoflagelação ou o uso do cilício, eram comuns no início do cristianismo (e não apenas na Idade Média, como insistem muitos escritores e professores anti-católicos) e eram maneiras encontradas pelos fiéis para que, infligindo sofrimentos e privações a seus próprios corpos, desenvolvessem aversão ao pecado e às suas conseqüências, além de, a exemplo de Cristo, Servo Sofredor, aceitassem os sofrimentos terrenos como forma de purificação espiritual na busca da perfeição e da eternidade.


(2) Até antes do Concílio Vaticano II, as indulgências eram aplicadas a períodos de tempo. Segundo Dom Estêvão Bettencourt, “Quando, antes do Concílio Vaticano II (1962-1965), se falava de “indulgencia de 100, 300 dias, um ou mais anos”, não se designava um estágio no purgatório, pois neste não há dias nem anos. Com essa contagem, indicava-se o perdão da expiação que outrora alguém prestaria fazendo 100, 300 dias, um ou mais anos de penitencia rigorosa, avaliada segundo a praxe da Igreja antiga.” (BETTENCOURT, Estêvão. Indulgências: Que são? In: Pergunte e Responderemos, ano XLIX, setembro de 2008, nº 555, p.387 apud MARTINS DE JESUS, Leandro. Entendendo a Doutrina das Indulgências.)


(3) Não se pode afirmar com categoria, como fazem os críticos, que o comércio de Indulgências é dogma ou prática ordenada pela Igreja Católica. Isso nunca fez ou faz parte da doutrina ensinada pela Igreja e não encontra base ou eco em nenhuma carta, encíclica, bula, decreto ou demais publicações oficiais de resoluções e ensinamentos papais. Ocorreram, não há dúvidas, casos famosos de abusos na aplicação da doutrina das indulgências durante a Idade Média. É preciso avaliar, porém, que o “comércio de indulgências” foi uma prática resultante das falhas e resoluções errôneas de membros individuais dentre o clero da Igreja. Mesmo sendo membros influentes na sociedade e comunidade cristã, seu proceder nunca encontrou apoio na doutrina da Igreja, ainda que essa prática condenável estivesse se tornando comum em determinados locais ou contextos.


(4) Muito do que se escreve hoje de negativo com relação às indulgências, e que se diz baseado em documentos ou testemunhos da época, revela total falta de caridade e senso crítico para tratar fatos e textos relacionando-os com os contextos e com a realidade da época em que foram escritos. Não havia, na Idade Média, por exemplo, a facilidade de que dispomos hoje para nos formarmos e informarmos sobre a doutrina e as opiniões da Igreja sobre o mundo. Muitos sacerdotes não compreendiam bem o funcionamento das indulgências e com isso, mais por ignorância do que por desejo de ver perdido o rebanho de Cristo, repassavam informações nem sempre corretas aos fiéis, a respeito do tempo de validade das indulgências, por exemplo, etc.


(5) A Constituição Apostólica Indulgentiarum Doctrina, do Papa Paulo VI, de onde foram retirados alguns trechos é um importantíssimo documento pastoral e oficial da Igreja Católica acerca da doutrina das Indulgências. Para que não houvessem equívocos na compreensão e prática das indulgências por parte de religiosos e fiéis, o Santo Padre redigiu e publicou esse documento, no dia 1º de janeiro de 1967, rememorando a história e o significado das indulgências para a Igreja, além de estabelecer algumas novas normas para a para a prática dessa doutrina, “para que o mesmo uso das indulgências fosse levado à máxima dignidade e altíssima estima”, nas palavras do próprio Pontífice. É um documento de leitura essencial e altamente recomendável para a formação cristã e para os que desejam entender melhor essa doutrina.
 
Retirado de: A Vida Sacerdotal
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