O pontificado de Bento XVI deu uma atenção especial à chamada "reforma da reforma". O foco era corrigir as imprecisões e aberturas do Missal de Paulo VI, que dão espaço a interpretações protestantes da Celebração Eucarística. Mas quais são essas aberturas e como elas surgiram? E qual deve ser a posição dos católicos frente a esses problemas?
sexta-feira, 23 de agosto de 2013
O Missal de Paulo VI e a Reforma da Reforma Litúrgica.
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Paulo Roberto
O pontificado de Bento XVI deu uma atenção especial à chamada "reforma da reforma". O foco era corrigir as imprecisões e aberturas do Missal de Paulo VI, que dão espaço a interpretações protestantes da Celebração Eucarística. Mas quais são essas aberturas e como elas surgiram? E qual deve ser a posição dos católicos frente a esses problemas?
quinta-feira, 6 de junho de 2013
Pode a alma sair do corpo e voltar?
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Caio Vinícius
Bem, a Igreja Católica diz que somos formados de duas realidades unidas: corpo e alma; cuja separação significa a morte da pessoa. O Catecismo da Igreja explica que: “A unidade da alma e do corpo é tão profunda que se deve considerar a alma como a “forma do corpo” (Concílio de Viena, 1312: DS 902); ou seja, é graças à alma espiritual que o corpo constituído de matéria é um corpo humano vivo; o espírito e a matéria no homem não são duas naturezas unidas, mas a união deles forma uma única natureza” (§365).
Portanto, se a alma deixar o corpo, a pessoa experimenta a morte. Se esta voltar ao corpo, será então um caso de milagre de ressurreição, como Jesus fez com Lázaro, a menina Talita, o filho da viúva de Naim e outros casos.
Assim, não tem base teológica a afirmação de que algumas pessoas viveram a experiência de “sair do corpo”, e continuaram vivas. Isto pode ser devido a alguma sugestão ou algo que a ciência deva explicar.
No dia 24 de agosto de 2007, o jornal “Folha de São Paulo”, publicou uma matéria sobre neurociência, sob o título “Realidade virtual faz pessoa se sentir “fora do corpo”" (Eduardo Geraque) sobre uma matéria publicada na Revista “Science”, onde se diz o seguinte:
“Você é você ou o seu avatar (representação virtual)? Ao depender dos experimentos apresentados hoje na revista “Science”, essa pergunta é cada vez mais pertinente. Dois grupos de pesquisa conseguiram iludir o cérebro a partir de estímulos visuais e fazer com que a pessoa real pensasse que era a virtual. O grupo liderado por Olaf Blanke, do Hospital Universitário de Genebra, conseguiu quebrar a ligação que existe entre a autoconsciência e o corpo físico a partir de um experimento até simples. Os voluntários, com óculos 3D, foram colocados diante de uma câmera. A imagem projetada para o ser real era das suas próprias costas. Uma caneta passou a ser pressionada, ao mesmo tempo, tanto na pessoa quanto na sua representação virtual. Os voluntários eram deslocados e então solicitados a voltar ao lugar onde estavam antes. E eles foram na direção do clone virtual”.
O estudo, diz o autor, prova que o conflito multissensorial fez os voluntários se sentirem no corpo virtual. Pelo menos mentalmente, eles se deslocaram “para fora do corpo”.
“Isso mostra que o nosso sistema nervoso entende algumas coisas como real, mas que não aconteceram realmente”, disse à Folha o neurocientista Luiz Eugênio de Mello, da Unifesp.
“A outra pesquisa, do grupo de Henrik Ehrsson, do Instituto Karolinska, na Suécia, também fez a realidade virtual enganar o cérebro. O toque físico fez com que pessoas sentissem que estavam sentadas em um local diferente de uma sala”.
Portanto, a ciência começa a revelar que os ensinamentos da Igreja têm base científica, embora sejam apresentados apenas como princípios religiosos. Ninguém pode viver a realidade de sua alma deixar o seu corpo sem experimentar a morte.
Prof. Felipe Aquino
Retirado de: Cléofas
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
Credo do Povo de Deus
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Caio Vinícius
SOLENE CONCELEBRAÇÃO
NA CONCLUSÃO DO «ANO DA FÉ»
NO CENTENÁRIO DO MARTÍRIO
DOS APÓSTOLOS PEDRO E PAULO
NA CONCLUSÃO DO «ANO DA FÉ»
NO CENTENÁRIO DO MARTÍRIO
DOS APÓSTOLOS PEDRO E PAULO
HOMILIA DO PAPA PAULO VI
Praça de São Pedro
Domingo, 30 de Junho de 1968
Domingo, 30 de Junho de 1968
Veneráveis irmãos e diletos filhos:
1. Encerramos, com esta Liturgia solene, tanto a celebração do XIX centenário do martírio dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, como este ano que denominamos "Ano da Fé". Nós o dedicamos à comemoração dos Apóstolos, não só com a intenção de testemunhar nossa vontade inquebrantável de conservar sem corrupção o depósito da Fé (cf. 1Tm 6,20) que eles nos transmitiram, senão também para confirmar o nosso propósito de relacionar a mesma Fé com a vida dos tempos atuais, em que a Igreja deve peregrinar no mundo.
2. Sentimo-nos na obrigação de agradecer publicamente a todos os fiéis que responderam ao nosso convite, fazendo com que o "Ano da Fé" produzisse o máximo de frutos, quer por uma adesão mais profunda à Palavra de Deus, quer pela renovação da profissão de fé em muitas comunidades, quer pela confirmação da própria fé, com o testemunho de uma vida autenticamente cristã. Por isso, ao mesmo tempo que expressamos nosso reconhecimento, sobretudo a nossos Irmãos no Episcopado e a todos os filhos da Santa Igreja, queremos dar-lhes nossa Bênção Apostólica.
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
Dom Eugênio esclarece sobre a maçonaria
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Caio Vinícius
VOZ DO PASTOR - Mensagem do Cardeal D. Eugênio de Araújo Sales Arcebispo Emérito da Arquidiocese do Rio de Janeiro

Sobre a Maçonaria Desde o Papa Clemente XII, com a Constituição Apostólica “In eminenti”, de 28 de abril de 1738 até nossos dias, a Igreja tem proibido aos fiéis a adesão à Maçonaria ou associações maçônicas. Após o Concílio Vaticano II, houve quem levantasse a possibilidade de o católico, conservando a sua identidade, ingressar na Maçonaria. Igualmente, se questionou a qual entidade se aplicava o interdito, pois há várias correntes: se à anglo-saxônica ou à franco-maçonaria, a atéia e a deísta, anti-clerical ou de tendência católica. Para superar essa interrogação, o Documento da Congregação para a Doutrina da Fé, com data de 26 de novembro de 1983, e que trata da atitude oficial da Igreja frente à Maçonaria, utiliza a expressão “associações maçônicas”, sem distinguir uma das outras. É vedado a todos nós, eclesiásticos ou leigos, ingressar nessa organização e quem o fizer, está “em estado de pecado grave e não pode aproximar-se da Sagrada Comunhão”.
Entretanto, quem a elas se associar de boa fé e ignorando penalidades, não pecou gravemente. Permanecer após tomar conhecimento da posição da Igreja, seria formalizar o ato de desobediência em matéria grave. A Congregação, no mesmo Documento de 26 de novembro de 1983, declara que “não compete às autoridades eclesiásticas locais (Conferência Episcopal, Bispos, párocos, sacerdotes, religiosos) pronunciarem-se sobre a natureza das associações maçônicas, com um juízo que implique derrogação do quanto acima estabelecido”. O texto faz referência à Declaração de 17 de fevereiro de 1981, que reservava à Sé Apostólica qualquer pronunciamento que implicasse em derrogação da lei canônica em vigor. Tratava-se do cânon 2335 do Código de Direito Canônico de 1917, que previa excomunhão “ipso facto” a quem ingressasse na Maçonaria. Reconhecer uma incompatibilidade doutrinária não implica fomentar um clima de hostilidade. Preservar a própria identidade e defendê-la, não significa incentivar atritos. Aliás, somente o respeito à Verdade facilita a paz e a busca da concórdia entre os indivíduos. O novo Código de Direito Canônico assim se expressa: “Quem se inscreve em alguma associação que conspira contra a Igreja, seja punido com justa pena; e quem promove ou dirige uma dessas associações, seja punido com interdito” (cânon 1374).
No dia seguinte à entrada em vigor do novo Código, isto é, 26 de novembro, é publicada a citada Declaração com a aprovação do Santo Padre. Diz o Documento que a Maçonaria não vem expressamente citada por um critério redacional e acrescenta: “Permanece, portanto, inalterado o parecer negativo da Igreja, a respeito das associações maçônicas, pois os seus princípios foram sempre considerados inconciliáveis com a Doutrina da Igreja e, por isso, permanece proibida a inscrição nelas. Em 1997, a Livraria do Vaticano editou uma obra intitulada “A Maçonaria nas disposições do Código de Direito Canônico de 1917 e de 1983”, de autoria de Zbigniew Suchecki. O sucesso levou à tradução para o italiano de outro livro do mesmo autor. Eu fazia parte da Comissão do novo Código, na parte final da elaboração. Recordo-me bem. Houve uma emenda para fazer permanecer, de modo explícito, a condenação à Maçonaria, como foi obtido para o aborto, com excomunhão “latae sententiae”. A votação, no caso do abortamento, alcançou os dois terços requeridos e foi incluído o termo. No que se refere à Maçonaria, houve maioria em favor da explicitação da mesma associação, mas não com o índice requerido. Nos debates prévios foi alegado não ser necessário, pois o texto já continha uma proibição implícita.
Dom Boaventura Kloppenburg, em sua obra “Igreja e Maçonaria: conciliação possível?” recentemente reeditado em 4ª edição pela “Vozes”, trata profusamente deste assunto, no capítulo “Dos princípios do liberalismo religioso à maçonaria brasileira”. E no capítulo XI, “O Maçom perante a Igreja católica – As razões da condenação da Maçonaria” – Frontal oposição de doutrinas”. Outra obra recém-publicada pela Editora “Santuário” é “Maçonaria e Igreja católica”, de Dom João Evangelista Martins Terra.
Permanecendo a proibição no ensinamento da Igreja, houve nesse período pós-conciliar uma profunda modificação no relacionamento entre pessoas, entre católicos e maçons. Embora permanecendo separadas, existe um clima de respeito mútuo que permite um diálogo. O exemplo foi o aparecimento de reuniões entre católicos e maçons para estudo como o de uma Comissão das Grandes Lojas reunidas da Alemanha e a Conferência Episcopal Alemã, de 1974 a 1980. A Declaração final do Episcopado alemão evidencia a incompatibilidade, pois a maçonaria não mudou em sua essência. A pesquisa acurada sobre rituais e os fundamentos dessa instituição demonstra a existência de doutrinas que se excluem. Entre as causas dessa separação, enumera: a ideologia dos maçons, o conceito de Verdade, de Religião, de Deus, a Revelação, sobre a tolerância, os ritos, a perfeição do homem e a espiritualidade. De outro lado, a realidade alemã vê a possibilidade de colaboração pastoral na área da Justiça Social e Direitos Humanos. O fato de existirem eclesiásticos na maçonaria prova que há falhas na disciplina. São dadas explicações, não justificativas, baseadas em situações históricas, como no caso da Independência do Brasil. Dom Boaventura Kloppenburg, em sua obra examina o assunto e o reduz a dimensões reais O respeito mútuo e a fidelidade aos ensinamentos da Igreja nos possibilitam uma convivência pacífica com os irmãos maçons.
Mensagem do Cardeal D. Eugênio de Araújo Sales Arcebispo Emérito da Arquidiocese do Rio de Janeiro.
terça-feira, 21 de agosto de 2012
São Pio X P.P, Rogai por nós!
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Paulo Roberto
Segundo filho de uma família do campo
em Treviso, foi ordenado padre em 1858, estudou direito canônico e obras de São
Tomas de Aquino. Em 1884 foi sagrado bispo para a diocese de Mântua e em 1896
assumiu o patriarcado de Veneza, chegando automaticamente ao cardinalato (Cf. diretos
patriarcais) Giuseppe foi eleito Papa e 4 de agosto de 1903.
Com o lema: “Instaurare omnia in
Christo” (Renovar todas as coisas em Cristo) foi um grande defensor da doutrina Católica, governou a Igreja em
tempos de dificuldades, mas a governou com firmeza. Pio X introduziu
grandes reformas na liturgia e codificou a Doutrina da Igreja Católica, sempre num
sentido tradicional e facilitou a participação popular na Eucaristia.
Foi um Papa pastoral, encorajando estilos de vida que refletissem os valores
cristãos. Permitiu a prática da comunhão
eucarística frequente e fomentou o acesso das crianças à Eucaristia
quando da chegada à chamada idade da
razão. Promoveu ainda o estudo do canto
gregoriano e do catecismo(Conhecido pelos nomes: 3º Catecismo da Cristandade
ou Catecismo Maior de São Pio X). No Brasil foi o
fundador da Diocese de Taubaté, no Estado de São Paulo.
quarta-feira, 6 de julho de 2011
Igreja Católica, Igreja de Cristo
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Caio Vinícius
Dizem alguns que a Igreja Católica não é a Igreja de Cristo; para estes, a Igreja de Cristo seria maior que a Igreja Católica, englobando também as seitas protestantes. Ora, a Igreja de Cristo É a Igreja Católica Apostólica Romana. Ela é visível e reconhecível, ela é Una, e não é feita da união de seitas mais Igreja Católica.
Não há uma Igreja de Cristo diferente da Igreja Católica; ambas são uma mesmíssima coisa.
Há, é certo, o caso de pessoas batizadas (logo incorporadas à Igreja de Cristo, que é a Igreja Católica) mas que sem culpa própria, por ignorância invencível (não por não terem procurado o suficiente a Igreja, que acabariam encontrando; este caso é sem dúvida raríssimo hoje com os meios de comunicação à disposição de praticamente todos) não estão ligadas de forma visível à Igreja.
sábado, 18 de junho de 2011
A Santíssima Trindade na doutrina da fé
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Caio Vinícius
A FORMAÇÃO DO DOGMA TRINITÁRIO
249. A verdade revelada da Santíssima Trindade esteve, desde a origem, na raiz da fé viva da Igreja. principalmente por meio do Baptismo. Encontra a sua expressão na regra da fé baptismal, formulada na pregação, na catequese e na oração da Igreja. Tais formulações encontram-se já nos escritos apostólicos, como o comprova esta saudação retomada na liturgia eucarística: «A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós» (2 Cor 13, 13)(62).
250. No decurso dos primeiros séculos, a Igreja preocupou-se com formular mais explicitamente a sua fé trinitária, tanto para aprofundar a sua própria inteligência da fé, como para a defender contra os erros que a deformavam. Foi esse o trabalho dos primeiros concílios, ajudados pelo trabalho teológico dos Padres da Igreja e sustentados pelo sentido da fé do povo cristão.
251. Para a formulação do dogma da Trindade, a Igreja teve de elaborar uma terminologia própria, com a ajuda de noções de origem filosófica: «substância», «pessoa» ou «hipóstase», «relação», etc. Ao fazer isto, a Igreja não sujeitou a fé a uma sabedoria humana, mas deu um sentido novo, inédito, a estes termos, chamados a exprimir também, desde então, um mistério inefável, «transcendendo infinitamente tudo quanto podemos conceber a nível humano» (63).
252. A Igreja utiliza o termo «substância» (às vezes também traduzido por «essência» ou «natureza») para designar o ser divino na sua unidade; o termo «pessoa» ou «hipóstase» para designar o Pai, o Filho e o Espírito Santo na distinção real entre Si; e o termo «relação» para designar o facto de que a sua distinção reside na referência recíproca de uns aos outros.
O DOGMA DA SANTÍSSIMA TRINDADE
253. A Trindade é una. Nós não confessamos três deuses, mas um só Deus em três pessoas: «a Trindade consubstancial» (64). As pessoas divinas não dividem entre Si a divindade única: cada uma delas é Deus por inteiro: «O Pai é aquilo mesmo que o Filho, o Filho aquilo mesmo que o Pai, o Pai e o Filho aquilo mesmo que o Espírito Santo, ou seja, um único Deus por natureza» (65). «Cada uma das três pessoas é esta realidade, quer dizer, a substância, a essência ou a natureza divina» (66).
254. As pessoas divinas são realmente distintas entre Si. «Deus é um só, mas não solitário» (67). «Pai», «Filho», «Espírito Santo» não são meros nomes que designam modalidades do ser divino, porque são realmente distintos entre Si. «Aquele que é o Filho não é o Pai e Aquele que é o Pai não é o Filho, nem o Espírito Santo é Aquele que é o Pai ou o Filho» (68). São distintos entre Si pelas suas relações de origem: «O Pai gera, o Filho é gerado, o Espírito Santo procede»(69). A unidade divina é trina.
255. As pessoas divinas são relativas umas às outras. Uma vez que não divide a unidade divina, a distinção real das pessoas entre Si reside unicamente nas relações que as referenciam umas às outras: «Nos nomes relativos das pessoas, o Pai é referido ao Filho, o Filho ao Pai, o Espírito Santo a ambos. Quando falamos destas três pessoas, considerando as relações respectivas, cremos, todavia, numa só natureza ou substância» (70). Com efeito, «n'Eles tudo é um, onde não há a oposição da relação» (71). «Por causa desta unidade, o Pai está todo no Filho e todo no Espírito Santo: o Filho está todo no Pai e todo no Espírito Santo: o Espírito Santo está todo no Pai e todo no Filho»(72).
256. São Gregório de Nazianzo, também chamado «o Teólogo», confia aos catecúmenos de Constantinopla o seguinte resumo da fé trinitária:
«Antes de mais nada, guardai-me este bom depósito, pelo qual vivo e combato, com o qual quero morrer, que me dá coragem para suportar todos os males e desprezar todos os prazeres: refiro-me à profissão de fé no Pai e no Filho e no Espírito Santo. Eu vo-la confio hoje. É por ela que, daqui a instantes, eu vou mergulhar-vos na água e dela fazer-vos sair. Eu vo-la dou por companheira e protectora de toda a vossa vida. Dou-vos uma só Divindade e Potência, uma nos Três e abrangendo os Três de maneira distinta. Divindade sem diferença de substância ou natureza, sem grau superior que eleve nem grau inferior que abaixe [...] É de três infinitos a infinita conaturalidade. Deus integralmente, cada um considerado em Si mesmo [...] Deus, os Três considerados juntamente [...] Assim que comecei a pensar na Unidade logo me encontrei envolvido no esplendor da Trindade. Mal começo a pensar na Trindade, logo à Unidade sou reconduzido» (73).
Retirado de: Catecismo da Igreja Católica
A Santíssima Trindade
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Caio Vinícius
A Trindade pode ser estudada sob diversos aspectos: estudo das processões (procedência, origem), estudo das relações e estudo das pessoas, sendo este último dividido em estudo das pessoas consideradas absolutamente e relativamente por comparação. Esse artigo pretende somente abordar as pessoas divinas de per si, naquilo que se distinguem umas das outras.
As Pessoas divinas são realmente distintas entre Si. Deus é único, mas não solitário. Pai, Filho e Espírito Santo não são simplesmente nomes que designam modalidades do Ser divino, pois são realmente distintos entre Si: Aquele que é o Pai não é o Filho e Aquele que é o Filho não é o Pai, nem o Espírito Santo é Aquele que é o Pai ou o Filho. São distintos entre Si pelas suas relações de origem: é o Pai que gera, o Filho que é gerado e o Espírito Santo que procede. A Unidade divina é Trina (CIC§254).
Pode-se afirmar que é impossível chegar ao conhecimento das pessoas da Trindade pela razão natural. Isso porque, pela razão natural, o homem é levado ao conhecimento de Deus a partir do conhecimento das criaturas, como o estudo do efeito leva ao conhecimento da causa - ou seja - um conhecimento incompleto. Conclui-se, ainda, que com a razão natural se pode chegar a ter conhecimento do que pertence à unidade de essência, mas não do que pertence à distinção das pessoas divinas. Somente conhecemos, portanto, o que nos foi revelado:
“Entretanto, o que pregamos entre os perfeitos é uma sabedoria, porém não a sabedoria deste mundo nem a dos grandes deste mundo, que são, aos olhos daquela, desqualificados. Pregamos a sabedoria de Deus, misteriosa e secreta, que Deus predeterminou antes de existir o tempo, para a nossa glória. Sabedoria que nenhuma autoridade deste mundo conheceu (pois se a houvessem conhecido, não teriam crucificado o Senhor da glória). É como está escrito: Coisas que os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração humano imaginou (Is 64,4), tais são os bens que Deus tem preparado para aqueles que o amam. Todavia, Deus no-las revelou pelo seu Espírito, porque o Espírito penetra tudo, mesmo as profundezas de Deus.”(1Cor 2,6-10)
“Deus dispôs na sua bondade e sabedoria revelar-se a si mesmo e dar a conhecer o mistério da sua vontade, mediante o qual os homens, por meio de Cristo, Verbo encarnado, têm acesso ao Pai no Espírito Santo e tornam-se participantes da natureza divina” (Dei Verbum, 2).
Quando Deus criou o homem, disse: "Façamos o homem à nossa imagem e semelhança" (Gen.I,26). O plural, proposital, indica uma ação conjunta das três pessoas divinas. No que se refere às suas relações com as criaturas, as três pessoas divinas não diferem, portanto é impossível para nós apreender seus atributos pela mera observação dessas relações (ad extra). Somente nas relações internas (ad intra) é que podemos inferir qualquer conhecimento, a partir do qual podemos atribuir às pessoas divinas noções e nomes.
Ao estudar os atributos e nomes associados a cada uma das pessoas divinas, devemos ter em mente que não há relação de hierarquia entre elas, e que se distinguem somente pela origem: "Entre os Três tudo é idêntico, exceto a relação de origem" (Gregório de Nanzianzo, Or. 34).
A invocação de Deus como “Pai” não é prerrogativa da religião cristã, sendo conhecida em várias religiões (CIC §238). No Antigo Testamento (AT), Deus é visto por Israel como Pai por ser o Criador do mundo, bem como em razão da aliança, por meio da qual o Deus de Israel intervém na história: “Dirás a Faraó: ‘Assim falou Iahweh: o meu filho primogênito é Israel’” (Ex. 4,22)
Quando chamamos Deus de “Pai”, a experiência humana nos remete à paternidade terrestre, e afirmamos duas coisas: primeiramente, que Deus nos deu a vida, e em segundo lugar, que é bondade e todo amor para com todos os seus filhos. Deus cuida com a sua providência de todas as coisas e, em especial, do homem. É nosso Pai do céu; em conseqüência, somos seus filhos. Para que nos lembrássemos sempre de nossa filiação divina, Jesus nos ensinou a rezar: "Pai Nosso, que estás no céu" (Mateus 6,9).
Enquanto no AT a paternidade de Deus significa a relação entre criador - criatura (relação ad extra ou ‘para fora’), no Novo Testamento (NT), embora ainda carregue esse significado, o que o hagiógrafo pretende destacar é a relação ad intra (Pai-Filho) e a filiação divina que adquirimos pelo sacrifício de Cristo.
O Pai é também chamado Ingênito e não procedente, ou, ainda, o ‘Princípio sem Princípio’. Traduzindo, significa dizer que o Pai não nasceu (como o filho) nem procedeu (como o Espírito Santo). O Filho por Ele é gerado e o Espírito Santo dEle procede. O Pai é, portanto, a origem de toda a divindade.
À pessoa do Filho se atribuem três nomes: Filho, Palavra e Imagem. A “filiação” indica a processão por via de geração, ou, segundo a teoria agostiniano-tomista, por via do intelecto. Ressalte-se, no entanto, que tal não implica supremacia do Pai sobre o Filho, não havendo superioridade de um sobre o outro.
A filiação explica a consubstancialidade, a eternidade e a divindade da segunda Pessoa da Santíssima Trindade. O Filho é da mesma substância e natureza que o Pai, é gerado, desde sempre, pelo Pai e dele recebe a divindade. Mas como explicar a geração? Quanto ao mecanismo da geração do Filho, faz parte do mistério. Onde termina o terreno da razão, inicia-se o da fé.
"O que é então a processão? Diga-me o que é a ingenerabilidade do Pai e eu explicar-lhe-ei a fisiologia da geração do Filho e a processão do Espírito; e nós ambos seremos arrebatados por nos intrometer no mistério de Deus" (Gregório de Nanzianzo, Or. 31,8).
O Filho intermedia toda a relação do Pai com suas criaturas: “ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14,6). Da mesma forma: "Ao Pai universal por Jesus Cristo no Espírito Santo" (Orígenes de Alexandria, Da Oração 33).
A segunda pessoa divina também é chamada Palavra (Logos), é o intelecto, a sabedoria de Deus. É a palavra que sai da boca do altissímo. É nome atribuído como próprio pelo evangelista São João: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio junto de Deus.” (Jo 1,1-2).
Palavra aqui significa o concebido no entendimento, o conceito, o produto da concepção. O signo lingüístico é formado de dois elementos: significante e significado. O significante é a cadeia de fonemas (sons) e/ou grafemas (letras, ideogramas) pelos quais se exprime um conceito; este último é o significado. Diz Santo Agostinho que o Filho é o produto do intelecto do Pai - é o significado pelo meio do qual o Pai se revela a nós.
"Quem puder entender uma palavra antes que ressoe pronunciada, antes mesmo que se forme na mente uma imagem de seu som, isto é, que não pertença ainda a nenhum idioma conhecido (...) esse poderá perceber, como em espelho e em enigma, uma semelhança com aquele Verbo do qual está escrito: 'No princípio era o Verbo e o Verbo estava em Deus e o Verbo era Deus'" (Da Trindade 1,15,20).
Esse mesmo conceito mental implica procedência de outro, isto é, do conhecimento daquele que concebe. Por isso, a Palavra em Deus propriamente significa algo que procede de outro.
"[O Pai] enviou o Verbo como graça, para que se manifestasse ao mundo. (...) Desde o princípio, ele apareceu como novo e era antigo, e agora sempre se torna novo nos corações dos fiéis. Ele é desde sempre, e hoje é reconhecido como Filho" (Epístola a Diogneto, 11,3-4).
O nome Imagem é atribuído por São Paulo a Jesus Cristo: “Ele é a imagem de Deus invisível, o Primogênito de toda a criação” (Cl1,15). Com efeito, Jesus já havia dito de si mesmo: “Aquele que me viu, viu também o Pai” (Jo 14,9).
O conceito de imagem importa em semelhança. Mas nem toda semelhança pode entrar no conceito de imagem, a não ser aquela semelhança que está na espécie do objeto ou, ao menos, em algum signo da espécie, ou seja, toda imagem pressupõe um original.
Como diz Santo Tomás de Aquino: “Mas essa semelhança entre espécie e figura tampouco é suficiente, uma vez que, para que algo seja semelhante, se requer a origem” (Suma Teológica, prima pars, questão 34).
O ensinamento paulino e epistolar do NT confirmam: “(...) a tal ponto que não percebem a luz do Evangelho, onde resplandece a glória de Cristo, que é a imagem de Deus” (2Cor 4,4)
“Ultimamente nos falou por seu Filho, que constituiu herdeiro universal, pelo qual criou todas as coisas. Esplendor da glória (de Deus) e imagem do seu ser, sustenta o universo com o poder da sua palavra. Depois de ter realizado a purificação dos pecados, está sentado à direita da Majestade no mais alto dos céus, tão superior aos anjos quanto excede o deles o nome que herdou. Pois a quem dentre os anjos disse Deus alguma vez: Tu és meu Filho; eu hoje te gerei (Sl 2,7)? Ou então: Eu serei seu Pai e ele será meu Filho (II Sm 7,14)?” (Hb 1,2-5)
Mais tarde, também a patrística consolidou a noção de Imagem ao falar do Filho: "Disse Deus, o Criador Trino: 'Façamos o homem à nossa imagem'. E essa imagem já é, de antemão, o Filho encarnado" (Anastácio do Sinai, In. Hex. 6).
A origem divina do Espírito Santo foi primeiramente afirmada em 381, no Concílio de Constantinopla, que disse que Ele "procede do Pai". Mais tarde, Santo Ambrósio e Santo Agostinho inauguraram uma tradição que afirmava ser o Espírito procedente do Pai e do Filho, sendo essa a tradição latina até hoje, tendo sido introduzido, no início do segundo milênio, no Credo, na liturgia, a expressão: "O Espírito provém do Pai e do Filho". O Credo da Igreja, do Concílio de Constantinopla, confessa: “Com o Pai e o Filho Ele recebe a mesma adoração e a mesma glória” (CIC 245).
Crer no Espírito Santo é, pois, professar que o Espírito Santo é uma das Pessoas da Santíssima Trindade, consubstancial ao Pai e ao Filho, “e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado”. É por isso que se tratou do mistério divino do Espírito Santo na “teologia” trinitária (CIC §685).
A processão por amor não tem nome. Por isso, a pessoa que resulta da referida processão também não tem nome próprio. No entanto, a escritura atribui o título de Espírito Santo, como próprio, à terceira pessoa da trindade: “Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28,19).
O nome é conveniente, por duas razões: a primeira, porque traduz o que é comum a todas as pessoas divinas. Como diz Santo Agostinho (XV De Trin.4): “é comum a ambos, e tem como nome próprio o que é comum aos dois: Pois o Pai é Espírito e o Filho é Espírito; e o Pai é Santo, como o Filho é Santo”.
A segunda, por sua significação. A palavra espírito, em sua significação relativa ao mundo criado – sopro, expiração - parece indicar certo impulso e moção. É próprio do amor mover e impulsionar a vontade do que ama na direção do amado. De outro lado, a santidade se atribui àquilo que está ordenado a Deus. Dessa forma, é adequado que seja chamada Espírito Santo.
Uma metáfora trinitária comum é: O Pai é o que ama (sujeito). O Filho é o amado (paciente). O Espírito Santo é o Amor. Tal noção advém das Escrituras: “Porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5,5).
O Espírito Santo é dom de Deus nas criaturas; é a doação ou ato de dar. Dar é um ato de amor e liberdade. As dimensões amor e doação são estreitamente ligadas: Pelo amor que é o Espírito, o Pai se doa ao Filho e o Filho ao Pai: "O Espírito Santo procede do Pai enquanto fonte primeira e, pela doação eterna deste último ao Filho, do Pai e do Filho em comunhão" (Santo Agostinho, Da Trindade 15,26,47).
“Desde que o Verbo assumiu a natureza humana, a graça foi como que natural para este Homem, intocável pelo pecado. E se essa graça devia ser atribuída ao Espírito Santo é porque o Espírito Santo existe em Deus de tal sorte que se chama o Dom de Deus” (Santo Agostinho, Enchiridion 40).
Enfim, em Deus há três pessoas e uma única natureza. Não há hierarquia e não se pode falar em inferioridade ou superioridade de uma ou outra pessoa divina em relação às demais. Há ainda muita coisa que não compreendemos sobre a Santíssima Trindade, esse verdadeiro e excelso “triângulo amoroso”. Na eternidade, teremos todas as respostas. Por ora, basta-nos a certeza que vem da fé.
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA.
Catecismo da Igreja Católica. 11ª ed. Reimpres. São Paulo: EDIÇÕES LOYOLA,
2004.
ANDRÉ, Pe. Emmanuel. O Mistério da Santíssima Trindade. Disponível em http://www.catequisar.com.br/dw/livro/misterio.doc Acesso em 31/10/2008.
BETTENCOURT, Pe. Estêvão, OSB. Deus Uno e Trino. Apostila da Escola Mater Ecclesi
ae.
NABETO, Carlos Martins. A Fé Cristã: Coletânea de Sentenças Patrísticas. Volume 2: Deus Pai, Filho e Espírito Santo. São Vicente: Veritatis Splendor, 2007.
PUJOLL, Jayme; BIELA, Jesus Sanches. Apostolado Veritatis Splendor: 04: CREIO EM DEUS, PAI TODO PODEROSO. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/687. Desde 1/13/2003.
SUSIN, Luis Carlos; Apostolado Veritatis Splendor: O ESPÍRITO PROVÉM DO PAI E DO FILHO. Disponível em http://www.veritatis.com.br/article/1892. Desde 8/25/2003.
TOMÁS DE AQUINO. Suma de Teología. Vol I. Prima Pars. Biblioteca de Autores Cristianos, Provincias Dominicanas de España. Questões 27 a 47.
TRESE, Leo John. A Fé Explicada. 7ed. São Paulo, Quadrante, 1999. p.26-30.
domingo, 12 de junho de 2011
CREIO NO ESPÍRITO SANTO
Postado por
Caio Vinícius
CAPÍTULO TERCEIRO
CREIO NO ESPÍRITO SANTO
683. «Ninguém pode dizer "Jesus é o Senhor" a não ser pela ação do Espírito Santo» (1Cor 12, 3). «Deus enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho, que clama: "Abbá! Pai!'» (Gl 4, 6). Este conhecimento da fé só é possível no Espírito Santo. Para estar em contato com Cristo, é preciso primeiro ter sido tocado pelo Espírito Santo. É Ele que nos precede e suscita em nós a fé. Em virtude do nosso Batismo, primeiro sacramento da fé, a Vida, que tem a sua fonte no Pai e nos é oferecida no Filho, é-nos comunicada, íntima e pessoalmente, pelo Espírito Santo na Igreja:
O Batismo «dá-nos a graça do novo nascimento em Deus Pai, por meio do Filho no Espírito Santo. Porque aqueles que têm o Espírito de Deus são conduzidos ao Verbo, isto é, ao Filho: mas o Filho apresenta-os ao Pai, e o Pai dá-lhes a incorruptibilidade. Portanto, sem o Espírito não é possível ver o Filho de Deus, e sem o Filho ninguém tem acesso ao Pai, porque o conhecimento do Pai é o Filho, e o conhecimento do Filho de Deus faz-se pelo Espírito Santo».
684. O Espírito Santo, pela sua graça, é o primeiro no despertar da nossa fé e na vida nova que consiste em conhecer o Pai e Aquele que Ele enviou, Jesus Cristo . No entanto, Ele é o último na revelação das Pessoas da Santíssima Trindade. São Gregário de Nazianzo, «o Teólogo», explica esta progressão pela pedagogia da «condescendência» divina:
«O Antigo Testamento proclamava manifestamente o Pai e mais obscuramente o Filho. O Novo manifestou o Filho e fez entrever a divindade do Espírito. Agora, porém, o próprio Espírito vive conosco e manifesta-se a nós mais abertamente. Com efeito, quando ainda não se confessava a divindade do Pai, não era prudente proclamar abertamente o Filho: e quando a divindade do Filho ainda não era admitida, não era prudente acrescentar o Espírito Santo como um fardo suplementar, para empregar uma expressão um tanto ousada [...] É por avanços e progressões "de glória em glória " que a luz da Trindade brilhará em mais esplendorosas claridades».
685. Crer no Espírito é, portanto, professar que o Espírito Santo é uma das Pessoas da Santíssima Trindade, consubstancial ao Pai e ao Filho, «adorado e glorificado com o Pai e o Filho». É por isso que tratamos do mistério divino do Espírito Santo na «teologia» trinitária. Portanto, aqui só trataremos do Espírito Santo no âmbito da «economia» divina.
686. O Espírito Santo age juntamente com o Pai e o Filho, desde o princípio até à consumação do desígnio da nossa salvação. Mas é nestes «últimos tempos», inaugurados com a Encarnação redentora do Filho, que Ele é revelado e dado, reconhecido e acolhido como Pessoa. Então, esse desígnio divino, consumado em Cristo, «Primogênito» e Cabeça da nova criação, poderá tomar corpo na humanidade pelo Espírito derramado: a Igreja, a comunhão dos santos, a remissão dos pecados, a ressurreição da carne, a vida eterna.
Retirado de: Catecismo da Igreja Católica
Leia mais no Catecismo da Igreja Católica no Site do Vaticano
terça-feira, 31 de maio de 2011
Carta Encíclica de Pio XII: Ad Caeli Reginam
Postado por
Caio Vinícius
CARTA ENCÍCLICA DO PAPA PIO XII
AD CAELI REGINAM
SOBRE A REALEZA DE MARIA
E A INSTITUIÇÃO DA SUA FESTA
Aos veneráveis irmãos Patriarcas, Primazes,
Arcebispos e bispos e outros Ordinários do lugar,
em paz e comunhão com a Sé Apostólica
INTRODUÇÃO
2. Ora, depois das grandes calamidades que, mesmo à nossa vista, destruíram horrivelmente florescentes cidades, vilas e aldeias; diante do doloroso espetáculo de tantos e tão grandes males morais, que transbordam em temeroso aluvião; quando vacila às vezes a justiça e triunfa com freqüência a corrupção; neste incerto e temeroso estado de coisas, sentimos nós a maior dor; mas ao mesmo tempo recorremos confiantes à nossa rainha, Maria santíssima, e patenteamos-lhe não só os nossos devotos sentimentos mas também os de todos os fiéis cristãos.
3. É grato e útil recordar que nós próprios - no dia 1° de novembro do ano santo de 1950, diante de grande multidão formada de cardeais, bispos, sacerdotes e simples cristãos, vindos de toda a parte do mundo - definimos o dogma da assunção da bem-aventurada virgem Maria ao céu(1), a qual presente em alma e corpo, reina entre os coros dos anjos e santos, juntamente com o seu unigênito Filho. Além disso - ocorrendo o primeiro centenário da definição dogmática do nosso predecessor de imortal memória Pio IX, que proclamou ter sido a Mãe de Deus concebida sem qualquer mancha do pecado original - promulgamos,(2) com grande alegria do nosso coração paterno, o presente ano mariano; e vemos com satisfação que não só nesta augusta cidade - especialmente na Basílica Liberiana, onde inumeráveis multidões vão testemunhando bem claramente a sua fé e ardente amor a Mãe do céu - mas em todas as partes do mundo a devoção à virgem Mãe de Deus refloresce cada vez mais, ocorrendo grandes peregrinações aos principais santuários de Maria.
4. Todos sabem que nós, na medida do possível - quando em audiências falamos aos nossos filhos, ou quando, por meio das ondas radiofônicas, dirigimos mensagens ao longe - não deixamos de recomendar, a quantos nos ouviam que amassem, com amor terno e filial, tão boa e poderosa Mãe. A esse propósito, recordamos em especial a radiomensagem que endereçamos ao povo português, por motivo da coroação da prodigiosa imagem de nossa Senhora de Fátima (3), que chamamos radiomensagem da "realeza" de Maria.(4)
5. Portanto, como coroamento de tantos testemunhos deste nosso amor filial, a que o povo cristão correspondeu com tanto ardor, para encerrar com alegria e fruto o ano mariano que se aproxima do fim, e para satisfazer aos insistentes pedidos, que nos chegaram de toda a parte, resolvemos instituir a festa litúrgica da bem-aventurada rainha virgem Maria.
6. Não é verdade nova que propomos à crença do povo cristão, porque o fundamento e as razões da dignidade régia de Maria encontram-se bem expressos em todas as idades, e constam dos documentos antigos da Igreja e dos livros da sagrada liturgia.
7. Queremos recordá-los na presente encíclica, para renovar os louvores da nossa Mãe do céu e avivar proveitosamente na alma de todos a devoção para com ela.
I A REALEZA DE MARIA NOS TEXTOS DA TRADIÇÃO...
9. Assim, baseando-se nas palavras do arcanjo Gabriel, que predisse o reino eterno do Filho de Maria,(8) e nas de Isabel, que se inclinou diante dela e a saudou como "Mãe do meu Senhor",(9) compreende-se que já os antigos escritores eclesiásticos chamassem a Maria "mãe do Rei" e "Mãe do Senhor", dando claramente a entender que da realeza do Filho derivara para a Mãe certa elevação e preeminência.
10. Santo Efrém, com grande inspiração poética, põe estas palavras na boca de Maria: "Erga-me o firmamento nos seus braços, porque eu estou mais honrada do que ele. O céu não foi tua mãe, e fizeste dele teu trono. Ora, quanto mais se deve honrar e venerar a mãe do Rei, do que o seu trono!"(10) Em outro passo, assim invoca a Maria santíssima: "...Virgem augusta e protetora, rainha e senhora, protege-me à tua sombra, guarda-me, para que Satanás, que semeia ruínas, não me ataque, nem triunfe de mim o iníquo adversário".(11)
11. A Maria chama s. Gregório Nazianzeno "Mãe do Rei de todo o universo", "Mãe virgem, [que] deu à luz o Rei do todo o mundo".(12) Prudêncio diz que a Mãe se maravilha "de ter gerado a Deus não só como homem mas também como sumo rei".(13)
12. E afirmam claramente a dignidade real de Maria aqueles que a chamam "senhora", "dominadora" e "rainha".
13. Já numa homilia atribuída a Orígenes, Maria é chamada por Isabel não só "Mãe do meu Senhor" mas também "Tu, minha Senhora".(14)
14. O mesmo conceito se pode deduzir dum texto de s. Jerônimo, que expõe o próprio parecer acerca das várias interpretações do nome de Maria: "Saiba-se que Maria, na língua siríaca, significa Senhora".(15) Igualmente e com mais decisão, se exprime depois s. Pedro Crisólogo: "O nome hebraico Maria traduz-se por "Domina" em latim: "portanto o anjo chama-lhe Senhora para livrar do temor de escrava a mãe do Dominador, a qual nasce e se chama Senhora pelo poder do Filho".(16)
15. Santo Epifânio, bispo de Constantinopla, escreve ao papa Hormisdas pedindo a conservação da unidade da Igreja "mediante a graça da Trindade una e santa e por intercessão de nossa Senhora, a santa e gloriosa virgem Maria, Mãe de Deus".(17)
16. Um autor do mesmo tempo dirige-se a Maria santíssima, sentada à direita de Deus, invocando-a solenemente como "Senhora dos mortais, santíssima Mãe de Deus".(18)
17. Santo André Cretense atribui muitas vezes a dignidade real à virgem Maria; escreve, por exemplo: "Leva [Jesus Cristo] neste dia da morada terrestre [para o céu], como rainha do gênero humano, a sua Mãe sempre virgem, em cujo seio, permanecendo Deus, tomou a carne humana".(19) E noutro lugar: "Rainha de todo o gênero humano, porque, fiel à significação do seu nome, se encontra acima de tudo quanto não é Deus".(20)
18. Do mesmo modo se dirige s. Germano à humildade da Virgem: "Senta-te, ó Senhora; sendo tu Rainha e mais eminente que todos os reis, pertence-te estar sentada no lugar mais nobre"(21); e chama-lhe: "Senhora de todos aqueles que habitam a terra".(22)
19. São João Damasceno proclama-a "rainha, protetora e senhora"(23) e também: "senhora de todas as criaturas"(24); e um antigo escritor da Igreja ocidental chama-lhe: "ditosa rainha", "rainha eterna junto do Filho Rei", e diz que ela tem a "nívea cabeça ornada com um diadema de ouro".(25)
20. Finalmente, s. Ildefonso de Toledo resume-lhe quase todos os títulos de honra nesta saudação: "Ó minha senhora, minha dominadora: tu dominas em mim, ó mãe do meu Senhor... Senhora entre as escravas, rainha entre as irmãs".(26)
21. Recolhendo a lição desses e outros inumeráveis testemunhos antigos, chamaram os teólogos a santíssima Virgem, rainha de todas as coisas criadas, rainha do mundo e senhora do universo.
22. Por sua vez, os sumos pastores da Igreja julgavam obrigação sua aprovar e promover a devoção à celeste Mãe e Rainha com exortação e louvores. Pondo de parte os documentos dos papas recentes, recordamos que já no século VII o nosso predecessor s. Martinho I chamou a Maria "gloriosa Senhora nossa, sempre virgem";(27) s. Agatão, na carta sinodal enviada aos padres do sexto concílio ecumênico, chamou-a "Senhora nossa, verdadeiramente e com propriedade Mãe de Deus";(28) e no século VIII, Gregório II, em carta ao patriarca s. Germano, que foi lida entre as aclamações dos padres do sétimo concílio ecumênico, proclamava Maria "Senhora de todos e verdadeira Mãe de Deus" e "Senhora de todos os cristãos".(29)
23. Apraz-nos recordar também que o nosso predecessor de imortal memória Sixto IV, querendo favorecer a doutrina da imaculada conceição da santíssima Virgem, começa a carta apostólica Cum praeexcelsa (30) chamando precisamente a Maria "rainha sempre vigilante, a interceder junto ao Rei, que ela gerou". Do mesmo modo Bento XIV, na carta apostólica Gloriosae Dominae (31), chama a Maria "rainha do céu e da terra", afirmando que o sumo Rei lhe contou, em certo modo, o seu próprio império.
24. Por isso, s. Afonso de Ligório, tendo presente todos os testemunhos dos séculos precedentes, pôde escrever com a maior devoção: "Porque a virgem Maria foi elevada até ser Mãe do Rei dos reis, com justa razão a distingue a Igreja com o título de Rainha".(32)
II NA LITURGIA E NA ARTE
25. A sagrada liturgia, espelho fel da doutrina transmitida pelos santos padres e da crença do povo cristão, cantou por todo o decurso dos séculos e canta ainda sem cessar, tanto no oriente como no ocidente, as glórias da celestial Rainha.
26. Vozes entusiásticas ressoam do oriente: "Ó Mãe de Deus, hoje és transferida para o céu sobre os carros dos querubins, os serafins estão às tuas ordens, e os exércitos da milícia celeste prostram-se diante de ti".(33)
27. E mais ainda: "Ó justo, felicíssimo [José], pela tua origem real foste escolhido entre todos para esposo da Rainha imaculada, que dará à luz de modo inefável a Jesus Rei".(34) E depois: "Vou elevar um hino à rainha e Mãe de quem, ao celebrar, me aproximarei com alegria, para cantar com exultação alegremente as suas glórias... Ó Senhora, nossa língua não te pode louvar dignamente, porque tu, que deste à luz a Cristo nosso Rei, foste exaltada acima dos serafins... Salve, rainha do mundo, salve, ó Maria, senhora de todos nós".(35)
28. Lê-se no Missal etíope: "Ó Maria, centro do mundo todo,... Tu és maior que os querubins de olhar penetrante, e que os serafins de seis asas... O céu e a terra estão cheios da santidade da tua glória".(36)
29. O mesmo canta a liturgia da Igreja latina com a antiga e dulcíssima oração "Salve, rainha", as alegres antífonas "Ave, ó rainha dos céus", "Rainha do céu, alegrai-vos, aleluia", e outras que se costumam rezar em várias festas de nossa Senhora: "Colocou-se como rainha à tua direita, com vestido dourado e circundada de vários ornamentos"(37); "A terra e o povo cantam o teu poder, ó rainha"(38); "Hoje a virgem Maria sobe ao céu: alegrai-vos, porque reina com Cristo para sempre".(39)
30. A esse e outros cânticos devem juntar-se as Ladainhas lauretanas, que levam o povo cristão a invocar todos os dias nossa Senhora como rainha; e no santo rosário, que se pode chamar coroa mística da celeste rainha, já há muitos séculos os fiéis contemplam, do quinto mistério glorioso, o reino de Maria, que abraça o céu e a terra.
31. Finalmente a arte cristã, intérprete natural da espontânea e pura devoção do povo, desde o concílio de Éfeso que representa Maria como rainha e imperatriz, sentada num trono e adornada com as insígnias reais, de coroa na cabeça, rodeada da corte dos anjos e santos, como quem domina não só as forças da natureza, mas também os malignos assaltos de Satanás. A iconografia da virgem Maria como rainha enriqueceu-se em todos os séculos com obras de arte de alto mérito, chegando até a figurar o divino Redentor no ato de cingir com brilhante coroa a cabeça da própria Mãe.
32. Os pontífices romanos não deixaram de favorecer esta devoção coroando pessoalmente ou por meio de legados as imagens da virgem Mãe de Deus, que eram objeto de especial veneração.
III OS ARGUMENTOS TEOLÓGICOS
33. Como acima apontamos, veneráveis irmãos, segundo a tradição e a sagrada liturgia, o principal argumento em que se funda a dignidade régia de Maria é sem dúvida a maternidade divina. Na verdade, do Filho que será dado à luz pela Virgem, afirma-se na Sagrada Escritura: "chamar-se-á Filho do Altíssimo e o Senhor Deus dar-lhe-á o trono de Davi, seu pai; reinará na casa de Jacó eternamente, e o seu reino não terá fim"(40); ao mesmo tempo que Maria é proclamada "a Mãe do Senhor".(41) Daqui se segue logicamente que Maria é rainha, por ter dado a vida a um Filho, que no próprio instante da sua concepção, mesmo como homem, era rei e senhor de todas as coisas, pela união hipostática da natureza humana com o Verbo. Por isso muito bem escreveu s. João Damasceno: "Tornou-se verdadeiramente senhora de toda a criação, no momento em que se tornou Mãe do Criador".(42) E assim o arcanjo Gabriel pode ser chamado o primeiro arauto da dignidade real de Maria.
34. Contudo, nossa Senhora deve proclamar-se Rainha, não só pela sua maternidade divina, mas ainda pela parte singular que Deus queria ter na obra da salvação. "Que pode haver - escrevia nosso predecessor de feliz memória, Pio XI - mais doce e suave do que pensar que Cristo é nosso Rei, não só por direito de natureza, mas ainda por direito adquirido, isto é, pela redenção? Repensem todos os homens, esquecidos do quanto custamos ao nosso Redentor e recordem todos: 'Não fostes remidos com ouro ou prata, bens corruptíveis..., mas pelo precioso sangue de Cristo, cordeiro imaculado e incontaminado'.(43) 'Não pertencemos portanto a nós mesmos, pois Cristo 'a alto preço',(44) 'nos comprou'.(45)
Sua cooperação na redenção
35. Ora, ao realizar-se a obra da redenção, Maria santíssima foi intimamente associada a Cristo, e por isso justamente se canta na sagrada liturgia: "Santa Maria, rainha do céu e senhora do mundo, estava traspassada de dor, ao pé da cruz de nosso Senhor Jesus Cristo".(46) E um piedosíssimo discípulo de s. Anselmo podia escrever na Idade Média: "Como... Deus, criando todas as coisas pelo seu poder, é Pai e Senhor de tudo, assim Maria, reparando todas as coisas com os seus méritos, é mãe e senhora de tudo: Deus é senhor de todas as coisas, constituindo cada uma delas na sua própria natureza pela voz do seu poder, e Maria é Senhora de todas as coisas, reconstituindo-as na sua dignidade primitiva pela graça, que lhes mereceu".(47) De fato "como Cristo, pelo título particular da redenção, é nosso senhor e nosso rei, assim a bem-aventurada Virgem [é senhora nossa] pelo singular concurso, prestado à nossa redenção, subministrando a sua substância e oferecendo voluntariamente por nós o Filho Jesus, desejando, pedindo e procurando de modo singular a nossa salvação".(48)
36. Dessas premissas se pode argumentar: Se Maria, na obra da salvação espiritual, foi associada por vontade de Deus a Jesus Cristo, princípio de salvação, e o foi quase como Eva foi associada a Adão, princípio de morte, podendo-se afirmar que a nossa redenção se realizou segundo uma certa "recapitulação",(49) pela qual o gênero humano, sujeito à morte por causa duma virgem, salva-se também por meio duma virgem; se, além disso, pode-se dizer igualmente que esta gloriosíssima Senhora foi escolhida para Mãe de Cristo "para lhe ser associada na redenção do gênero humano",(50) e se realmente "foi ela que - isenta de qualquer culpa pessoal ou hereditária, e sempre estreitamente unida a seu Filho - o ofereceu no Gólgota ao eterno Pai, sacrificando juntamente, qual nova Eva, os direitos e o amor de mãe em benefício de toda a posteridade de Adão, manchada pela sua desventurada queda"(51) poder-se-á legitimamente concluir que, assim como Cristo, o novo Adão, deve-se chamar rei não só porque é Filho de Deus mas também porque é nosso redentor, assim, segundo certa analogia, pode-se afirmar também que a bem-aventurada virgem Maria é rainha, não só porque é Mãe de Deus mas ainda porque, como nova Eva, foi associada ao novo Adão.
Sua sublime dignidade
37. E certo que no sentido pleno, próprio e absoluto, somente Jesus Cristo, Deus e homem, é rei; mas também Maria - de maneira limitada e analógica, como Mãe de Cristo-Deus e como associada à obra do divino Redentor, à sua luta contra os inimigos e ao triunfo deles obtido participa da dignidade real. De fato, dessa união com Cristo-Rei deriva para ela tão esplendente sublimidade, que supera a excelência de todas as coisas criadas: dessa mesma união com Cristo nasce aquele poder real, pelo qual ela pode dispensar os tesouros do reino do Redentor divino; finalmente, da mesma união com Cristo se origina a inexaurível eficácia da sua intercessão junto do Filho e do Pai.
38. Portanto, não há dúvida alguma que Maria santíssima se avantaja em dignidade a todas as coisas criadas e tem sobre todas o primado, a seguir ao seu Filho. "Tu finalmente, canta s. Sofrônio, superaste em muito todas as criaturas... Que poderá existir mais sublime que tal alegria, ó Virgem Mãe? Que pode existir mais elevado que tal graça, a qual por divina vontade só tu tiveste em sorte?"(52) "A esses louvores acrescenta s. Germano: "A tua honra e dignidade colocam-te acima de toda a criação: a tua sublimidade faz-te superior aos anjos".(53) João Damasceno chega a escrever o seguinte: "É infinita a diferença entre os servos de Deus e a sua Mãe".(54)
39. Para melhor compreendermos a sublime dignidade, que a Mãe de Deus atingiu acima de todas as criaturas, podemos considerar que a santíssima Virgem, desde o primeiro instante da sua conceição, foi enriquecida de tal abundância de graças, que supera a graça de todos os santos. Por isso, como escreveu na carta apostólica Ineffabilis Deus o nosso predecessor, de feliz memória, Pio IX, Deus "fez a maravilha de a enriquecer, acima de todos os anjos e santos, de tal abundância de todas as graças celestiais hauridas dos tesouros da divindade, que ela - imune de toda a mancha do pecado, e toda bela apresenta tal plenitude de inocência e santidade, que não se pode conceber maior abaixo de Deus, nem ninguém a pode compreender plenamente senão Deus".(55)
Com Cristo, ela reina nas mentes e vontades dos homens
40. Nem a bem-aventurada virgem Maria teve apenas, ao seguir a Cristo, o supremo grau de excelência e perfeição, mas também participou ainda daquela eficácia pela qual justamente se afirma que o seu divino Filho e nosso Redentor reina na mente e na vontade dos homens. Se, de fato, o Verbo de Deus opera milagres e infunde a graça por meio da humanidade que assumiu - e se utiliza dos sacramentos e dos seus santos, como instrumentos, para salvar as almas; por que não há de servir-se do múnus e ação de sua Mãe santíssima para nos distribuir os frutos da redenção? "Com ânimo verdadeiramente materno para conosco - como diz o mesmo predecessor nosso, de feliz memória, Pio IX - e ocupando-se da nossa salvação, ela, que pelo Senhor foi constituída rainha do céu e da terra, toma cuidado de todo o gênero humano, e - tendo sido exaltada sobre todos os coros dos anjos e as hierarquias dos santos do céu, e estando à direita do seu unigênito Filho, Jesus Cristo, nosso Senhor - com as suas súplicas maternas impetra com eficácia, obtém quanto pede, nem pode deixar de ser ouvida".(56) A esse propósito, outro nosso predecessor, de feliz memória, Leão XIII, declarou que foi concedido à bem-aventurada virgem Maria um poder "quase ilimitado"(57) na distribuição das graças; s. Pio X acrescenta que Maria desempenha esta missão "como por direito materno".(58)
Duplo erro a ser evitado
41. Gloriem-se, portanto, todos os féis cristãos de estar submetidos ao império da virgem Mãe de Deus, que tem poder régio e se abrasa de amor materno.
42. Porém, nessas e noutras questões que dizem respeito à bem-aventurada virgem Maria, procurem os teólogos e pregadores evitar certos desvios, para não caírem em duplo erro: acautelem-se de opiniões sem fundamento e que ultrapassam com exageros os limites da verdade; e evitem, por outro lado, a excessiva estreiteza ao considerarem a singular, sublime, e mesmo quase divina dignidade da Mãe de Deus, que o doutor angélico nos ensina a atribuir-lhe "em razão do bem infinito, que é Deus".(59)
43. Mas, nesse, como em todos os outros capítulos da doutrina cristã, "a norma próxima e universal" é para todos o magistério vivo da Igreja, instituído por Cristo "também para esclarecer e explicar aquelas coisas que só de modo obscuro e como que implícito estão contidas no depósito da fé".(6)
IV A FESTA DE MARIA RAINHA
44. Dos testemunhos da antiguidade cristã, das orações da liturgia, da inata devoção do povo cristão, das obras artísticas, de toda a parte recolhemos expressões que nos mostram que a virgem Mãe de Deus se distingue pela sua dignidade real; mostramos também que as razões, deduzidas pela sagrada teologia do tesouro da fé divina, confirmam plenamente essa verdade. De tantos testemunhos referidos forma-se uma espécie de concerto harmonioso que exalta a incomparável dignidade real da Mãe de Deus e dos homens, a qual domina todas as coisas criadas e foi elevada aos reinos celestes, acima dos coros dos anjos".(61)
45. Depois de atentas e ponderadas reflexões, tendo chegado à convicção de que seriam grandes as vantagens para a Igreja, se essa verdade solidamente demonstrada resplandecesse com maior evidência diante de todos como luz que brilha mais, quando posta no candelabro, - com a nossa autoridade apostólica decretamos e instituímos a festa de Maria rainha, para ser celebrada cada ano em todo o mundo no dia 31 de maio. Ordenamos igualmente que no mesmo dia se renove a consagração do gênero humano ao seu coração imaculado. Tudo isso nos incute grande esperança de que há de surgir nova era, iluminada pela paz cristã e pelo triunfo da religião.
Exortação à devoção mariana
46. Procurem pois todos, e agora com mais confiança, aproximar-se do trono da misericórdia e da graça, para pedir à nossa Rainha e Mãe socorro na adversidade, luz nas trevas, conforto na dor e no pranto; e, o que é mais, esforcem-se por se libertar da escravidão do pecado, e prestem ao cetro régio de tão poderosa Mãe a homenagem duradoura da devoção dial. Freqüentem as multidões de fiéis os seus templos e celebrem-lhe as festas; ande nas mãos de todos a piedosa coroa do terço; e reúna a recitação dele - nas igrejas, nas casas, nos hospitais e nas prisões - ora pequenos grupos, ora grandes assembléias, para cantarem as glórias de Maria. Honra-se o mais possível o seu nome, mais doce do que o néctar e mais valioso que toda a pedra preciosa; ninguém ouse o que seria prova de alma vil - pronunciar ímpias blasfêmias contra este nome santíssimo, ornado de tanta majestade e venerável pelo carinho próprio de mãe; nem se atreva ninguém a dizer nada que seja irreverente.
47. Com vivo e diligente cuidado todos se esforcem por copiar nos sentimentos e nos atos, segundo a própria condição, as altas virtudes da Rainha do céu e nossa Mãe amantíssima. Donde resultará que os féis, venerando e imitando tão grande Rainha e Mãe, virão se sentir verdadeiros irmãos entre si, desprezarão a inveja e a cobiça das riquezas, e hão de promover a caridade social, respeitar os direitos dos fracos e fomentar a paz. Nem presuma alguém ser filho de Maria, digno de se acolher à sua poderosíssima proteção, se à exemplo dela não é justo, manso e casto, e não mostra verdadeira fraternidade, evitando ferir e prejudicar, e procurando socorrer e dar ânimo.
A Igreja do silêncio
48. Em algumas regiões da terra, não falta quem seja injustamente perseguido por causa do nome cristão e se veja privado dos direitos divinos e humanos da liberdade. Para afastar tais males, nada conseguiram até hoje justificados pedidos e reiterados protestos. A esses filhos inocentes e atormentados volva os seus olhos de misericórdia, cuja luz dissipa nuvens e serena tempestades, a poderosa Senhora dos acontecimentos e dos tempos, que sabe vencer a maldade com o seu pé virginal. Conceda-lhes poderem em breve gozar a devida liberdade e cumprir publicamente os deveres religiosos. E, servindo a causa do Evangelho - com o seu esforço concorde e egrégias virtudes, de que no meio de tantas dificuldades dão exemplo - concorram para o fortalecimento e progresso das sociedades terrestres.
Maria, Rainha e Medianeira da paz
49. A festa - instituída pela presente carta encíclica, a fim de que todos reconheçam mais claramente e melhor honrem o clemente e materno império da Mãe de Deus pensamos que poderá contribuir para que se conserve, consolide e torne perene a paz dos povos, ameaçada quase todos os dias por acontecimentos que enchem de ansiedade. Não é ela acaso o arco-íris que se eleva para Deus, como sinal de pacífica aliança?(62) "Contempla o arco-íris e bendize aquele que o fez; é muito belo no seu esplendor; abraça o céu na sua órbita radiosa, e foram as mãos do Altíssimo que o traçaram".(63) Todo aquele que honra a Senhora dos anjos e dos homens - e ninguém se julgue isento deste tributo de reconhecimento e amor - invoque esta rainha, medianeira da paz; respeite e defenda a paz, que não é maldade impune nem liberdade desenfreada, mas concórdia bem ordenada sob o signo e comando da divina vontade: tendem a protegê-la e aumentá-la as maternas exortações e ordens de Maria.
50. Desejando ardentemente que a Rainha e Mãe do povo cristão acolha estes nossos votos, alegre com a sua paz as terras sacudidas pelo ódio, e a todos nós, depois deste exílio, mostre a Jesus, que será na eternidade a nossa paz e alegria; a vós, veneráveis irmãos, e aos vossos rebanhos, concedemos de todo o coração a bênção apostólica, como penhor do auxílio de Deus onipotente e testemunho do nosso paternal afeto.
Dado em Roma, junto de São Pedro, na festa da maternidade de Nossa Senhora, no dia 11 de outubro do ano de 1954, XVI do nosso pontificado.
PIO PP. XII
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Notas
(1) Cf. Const. apostólica Munificentissimus Deus: AAS 42(1950), p. 753ss.
(2) Cf. Carta enc. Fulgens corona.: AAS 45(1953), p. 577ss.
(3) Cf. AAS 38(1946), p. 264ss.
(4) Cf. L'Osservatore Romano, de 19 de maio, de 1946.
(5) Lc 1,32.
(6) Is 9,6.
(7) Ap 19,16.
(8) Cf. Lc 1,32-33.
(9) Lc 1,43.
(10) S. Ephraem. Hymni de B. Maria, ed. Th. J. Lamy, t. II, Mechiniae,1886 Hymn. XIX p. 624.
(11) Idem, Oratio and Ss.mam Dei Matrem; Opera omnia, Ed. Assemani, t. III (graece), Romae,1747, p. 546.
(12) S. Gregorio Naz., Poemata dogmatica, XVIII, v. 58: P G. XXXVII, 485.
(13) Prudêncio, Dittochoeum, XVII; PL 60,102A.
(14) Hom. ins. Lucam, hom. VII; ed. Rauer, Origenes Werke, t. IX, p. 48 (ex catem Macarii Chrysocephali). Cf. PG 13,1902 D.
(15) S. Jeronimo, Liber de nominibus hebraeis: PL 23, 886.
(16) S. Pedro Chrisólogo, Sermo 142, De Annuntiatlone B.M.V.: PL 52, 579 C; cf. também 582B; 584A: "Regina totius exstitit castitatis".
(17) Relatio Epiphanii Ep. Constantin.: PL 63, 498D.
(18) Encomium in Dormitionem Ss.mae Deiparae (inter opera s. Modesti): PG 86, 3306B.
(19) s. Andreas Cretensis, Homilia II in Dormitionem Ss.mae Deiparae: PG 97, 1079B.
(20) Id., Homilla III in Dormitionem Ss.mae Deiparae: I PG 98, 303A.
(21) S. Germano, In Praesentationem Ss.mae Deiparae, I: PG 98 303A.
(22) Id., In Praesentationem Ss.mae Deiparae, II: PG 98, 315C.
(23) S. João Damasceno, Homilia I in Dormitionem B.M.V: PG 96, 719A.
(24) Id., De fide orthodoxa, I, IV, c.14: PG 44,1158B.
(25) De laudibus Mariae (inter opera Venantii Fortunati): PL 88 282B e 283A.
(26) Ildefonso Toledano, De virginitate perpetua B.M.V.: PL 96, 58AD.
(27) S. Martinho I, Epist. XIV PL 87,199-200A.
(28) S. Agatão: PL 87,1221A.
(29) Hardouin, Acta Conciliorum, IV, 234 e 238: PL LXXXIX89 508B.
(30) Xisto IV, Bulla Cum praeexcelsa, de 28 de Fevereiro de 1476.
(31) Bento XIV, Bulla Gloriosae Dominae, de 27 de setembro de 1748.
(32) S. Afonso, Le glorie di Maria, p. I, c. I, § 1.
(33) Da liturgia dos Armenos: na festa da Assunção, hino do Matutino.
(34) Ex Menaeo (bizantino): Domingo depois do Natal, no Cânon, no Matutino.
(35) Offício, hino Akátistos (no rito bizantino).
(36) Missale Aethiopicum, Anáfora Dominae noetrae Mariae, Matris Dei.
(37) Brev. Rom., Versículo do sesto Respons.
(38) Festa da Assunção; hino ad Laudes.
(39) Ibidem, ao Magnificat, II Vésp.
(40) Lc 1, 32, 33.
(41) Ibid.1,43.
(42) S. João Damas., De fide orthodoxa, 1. IV, c.14, PG 94,1158s.B.
(43) 1Pd 1,18,19.
(44) 1Cor 6,20.
(45) Pio XI, Carta enc. Quas primas: AAS 17(1925), p.599.
(46) Festa aeptem dolorum B. Mariae Virg., Tractus.
(47) Eadmero, De excellentia Virginis Mariae, c. 11: PL 159, 308AB.
(48) E Suárez, De mysteriis vitae Christi, disp. XXII, sect. II (ed. Vivès. XIX, 327).
(49) S. Ireneu, Adv. haer., V,19,1: PG 9,1175B.
(50) Pio XI, Epist. Auspicatus profecto: AAS 25(1933), p. 80.
(51). Pio XII, Carta enc. Mystici Corporis: AAS 35(1943), p. 247.
(52) S. Sofrônio, In Annuntiationem Beatae Mariae Virg.: PG 87, 3238D e 3242A.
(53) S. Germano, Hom. II in Dormitionem Beatae Mariae Virginis: PG 98, 354B.
(54) S. João Damas. Hom. I. in Dormitionem Beatae Mariae Virginis: PG 96, 715A.
(55) Pio IX, Bula Ineffabilis Deus: Acta Pii IX, I, p. 597-598.
(56) Ibid., p. 618.
(57) Leão XIII, Carta enc. Adiutricem populi: AAS 28(1895-96), p.130.
(58) Pio X, Carta enc. Ad diem illum: AAS 36(1903-1904), p. 455.
(59) S. Tomás, Summa Theol., I, q. 25, a. 6, ad 4.
(60) Pio XII, Carta enc. Humani generis: AAS, 42(1950), p. 569.
(61) Do Brev. Rom.: Festa da Assunção de Maria virgem
(62)Cf. Gn 9,13.
(63) Eccl. 43,12-13.
Retirado: Site do Vaticano
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
Festa da Cátedra de Pedro
Postado por
Paulo Roberto
A festa da Cátedra de São Pedro em Roma é muito antiga. No século VI, porém desapareceu do calendário romano, provavelmente por cair na quaresma. Reapareceu, então, na Gália em duas datas, 18 de Janeiro, e 22 de Fevereiro, celebrando-se na primeira, a cadeira de pedro em Roma, e na segunda em Antioquia. Foi deste modo que a Igreja universal celebrou as duas festas durante muito tempo, até que em 1960, com a reforma nas rubricas, passou a ser comemorada só HOJE.
Festejar a Cátedra de Pedro, é venerar, na pessoa de Pedro, os desígnios providenciais de Deus, que o escolheu para chefe dos Apóstolos e primeiro pastor da sua Igreja. Todos os papas, bispos de Roma e seus sucessores de Pedro, são como ele foi, chefes da Igreja única e verdadeira, fundada por Nosso Senhor. Os sucessores de Pedro, tem a missão de transmitir a doutrina do Salvador, e de nos conduzir em seu nome.
"Santa Igreja, Romana, Católica
Una, excelsa, divina, imortal
Que conservas a fé apostólica
E as promessas da vida eternal!
Nós te amamos! Nós somos teus filhos!
Em teu seio queremos viver,
E, da luz que nos dás entre os brilhos,
Nos teus braços maternos morrer!
Sobre a rocha de Pedro invencível
Tu abranges a terra e os céus;
Na doutrina de Cristo infalível
Tua força, é a força de Deus!" (trecho do Hino a Santa Igreja Católica)
sábado, 12 de fevereiro de 2011
Catecismo Resumido da Doutrina Católica
Postado por
Caio Vinícius
LIÇÃO XIV
DA CONFISSÃO
1. Que é preciso para receber dignamente o sacramento da Penitência?
Cinco coisas: exame de consciência, ato de contrição, propósito, confissão e satisfação.
2. Que é o exame de consciência?
É uma indagação cuidadosa e exata de todos os nossos pecados.
3. Que é a contrição?
É uma verdadeira dor de ter ofendido a Deus.
4. Que é propósito?
É a firme resolução de nunca mais pecar.
5. Que é a confissão?
É a acusação de nossos pecados, feita a um sacerdote aprovado, para recebermos dele a absolvição.
6. Que é a satisfação?
É a reparação devida a Deus por causa dos nossos pecados, feita mediante a penitência imposta pelo confessor.
7. Quando se deve cumprir a penitência?
Logo que for possível.
8. Podem-se contar as coisas ditas ou ouvidas no confessionário?
Não se devem contar a ninguém.
9. Seria bem feita a confissão em que o penitente ocultasse um pecado mortal por sua culpa?
Não; seria uma confissão nula e sacrílega.
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
A Doutrina das Indulgências
Postado por
Caio Vinícius
A doutrina das Indulgências
Por Leonardo Silva de Paula
Quem é católico certamente já teve que escutar frases acusadoras como: “Os católicos são idólatras, pois adoram Maria e os santos!”, “Os católicos se prostram para adorar ídolos de barro, são idólatras!”, “A Igreja Católica mandava prender, torturar e queimar todos os que se posicionavam contra seu poder!” ou ainda a famosa “A Igreja Católica vendia lugares no céu, ou o perdão dos pecados!”.
Não há dúvidas que essas sentenças citadas acima, além de outras tantas que somos obrigados a escutar muitas vezes são frutos de uma total falta de piedade cristã, além de um desconhecimento imenso da doutrina e da fé que baseiam a Igreja Católica e a vida de seus filhos.
Faz-se necessário entender que, em nenhum momento de sua história, a Igreja Católica tencionou ou buscou afastar-se dos Sagrados Mandamentos e Ensinamentos confiados a ela por seu Fundador, Nosso Senhor Jesus Cristo, na pessoa do apóstolo Pedro, considerado pela cristandade católica como o primeiro bispo de Roma e o primeiro Papa.
Durante os muitos séculos de sua existência, nossa igreja enfrentou com bravura inúmeros períodos conturbados da História. Passou pelo ápice e a queda de Roma sob os bárbaros; conheceu o apogeu e o declínio do Império Bizantino; presenciou o surgimento e a organização das primeiras nações européias; acompanhou as navegações que aproximaram o “Velho Mundo” do “Novo Continente”; sofreu com toda a humanidade os horrores das Grandes Guerras, e enfrenta hoje a hostilidade, às vezes velada, escondida, de uma grande multidão que busca, sob falsos pretextos de liberdade e igualdade entre todos, difamar o nome da Igreja de Cristo, incitar o ódio e a descrença contra seus líderes e por abaixo quase dois séculos de uma bela e frutuosa história de fé e testemunho cristão, escoltados pela promessa de Nosso Senhor Jesus Cristo a Pedro: “E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.” (Mt 16, 18-19)
A Igreja, como uma instituição sediada na terra, é composta por homens e mulheres, todos falhos, fracos, sujeitos a equívocos, por serem pecadores, herdeiros do pecado original, fruto da desobediência dos primeiros pais, Adão e Eva.
Apesar disso, o próprio Senhor garantiu a Pedro a vitória da Igreja sobre as forças do inferno, como vimos na citação acima e, em outro momento, prometeu a seus discípulos que lhes mandaria o Espírito Santo, o Paráclito, que daria testemunho da verdade, confirmando ao mundo a Palavra de Deus, proclamada por meio d’Ele, para que todos cressem que no senhorio de Jesus sobre o mundo (cf. Jo 15, 26 – 16 ss).
Portanto, é injusto, da parte de quem quer que seja questionar ou desacreditar a santidade e a autoridade da Igreja Católica, conferida por Jesus Cristo, pelo fato de alguns entre seus membros cometerem erros, mesmo que erros considerados graves. É hipocrisia valer-se dos erros de alguns para manchar a imagem de todo um corpo, de todo um povo. O próprio Senhor nos advertiu: “Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão e não reparas na trave que está no teu olho? Ou como podes dizer a teu irmão: Deixa-me, irmão, tirar de teu olho o argueiro, quando tu não vês a trave no teu olho? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho e depois enxergarás para tirar o argueiro do olho de teu irmão.” (Lc 6, 41-42) Não estarão os críticos da Igreja esquecendo que, à frente de suas próprias denominações religiosas estão homens, tão humanos e pecadores quanto qualquer líder católico? Não estarão se esquecendo de olhar primeiro suas próprias falhas para, após tomar consciência delas e corrigi-las, apontar os erros de seus irmãos?
Sendo assim, é plenamente compreensível o fato de que, como homens, todos estamos sujeitos a errar diversas vezes durante nossa peregrinação terrestre, devendo, no entanto, evitar constantemente, as ocasiões de pecado, desenvolvendo tal horror aos erros e tal amor a Cristo e à sua Palavra, que, aqui mesmo na terra, iniciemos nossa santificação, a purificação de nossa alma, para desfrutarmos um dia da visão da Face de Nosso Deus, na eternidade.
O nosso objetivo, com esse texto, não é declarar a Igreja Católica como uma igreja melhor que as outras, sob uma análise puramente humana e infantil. Acreditamos, porém, que ao reconhecer a autoridade de Pedro como o primeiro chefe dessa Igreja e de seus sucessores, nós fazemos parte da verdadeira Igreja sonhada e fundada por Cristo, Nosso Senhor, na pessoa de Pedro, e que tem, nesse mesmo Jesus, seu Chefe, Esposo e Cabeça.
Tomaremos como tema desse artigo a última das sentenças apresentadas no início: a “venda” do perdão dos pecados, ou de lugares no céu, pela Igreja Católica. O presente texto não possui o objetivo de ser o único depositário da verdade, ou o mais explicativo, ou ainda o único local onde os cristãos católicos terão suas dúvidas satisfeitas ou esclarecidas. Não, de forma alguma é este nosso propósito. O que nos move a escrever essas linhas é a consciência da obrigação cristã que todos temos de ajudar e formar nossos irmãos na fé que se encontram ainda em início de caminhada ou aqueles cuja fé se encontra abalada, muitas vezes devido às falácias e intrigas semeadas por muitos dos irmãos de denominações protestantes.
***
“A salutar instituição das indulgências contribui, assim, por sua parte, para que a Igreja se apresente a Cristo sem mancha nem ruga, mas santa e imaculada, admiravelmente unida em Cristo pelo elo da caridade sobrenatural. De fato, por meio das indulgências são os membros da Igreja padecente mais rapidamente agregados à Igreja triunfante. Daí resulta que por essas mesmas indulgências o Reino de Cristo se instaura muito mais rapidamente ‘até que todos tenhamos chegado à unidade da fé e de pleno conhecimento do Filho de Deus, à idade de homem perfeito, à medida da estatura que convém ao complemento de Cristo’.” (Papa Paulo VI, Indulgentiarum Doctrina)
É muito comum que protestantes e não cristãos levantem a voz e apontem o dedo para os católicos afirmando – sempre com muita “certeza e convicção” – que a Igreja Católica vendia o perdão dos pecados durante a Idade Média. Como se não bastasse a reinante ignorância sobre esse importante período da história humana e da própria cristandade (leia mais no livro “Uma História que não é contada”, do professor Felipe Aquino), os argumentos utilizados pelos críticos da Igreja revelam um total desconhecimento sobre uma das mais belas doutrinas do catolicismo: as indulgências.
Antes de avançar mais a fundo no que são as indulgências, é preciso falar um pouco sobre o pecado. Todo pecado é falta humana que nos afasta da convivência plena e pacífica com Deus Nosso Senhor. Porém, para que se entendam melhor os efeitos do pecado na relação entre o ser humano e Deus, a Igreja nos apresenta as definições pecado grave, ou mortal e pecado leve, ou venial.
Por pecado grave, entende-se aquele cometido conscientemente, de forma deliberada (não acidental) e constituído de matéria grave (desobediência a alguma lei ou preceito fundamental e importante da Lei de Deus). Este pecado representa nossa rejeição ao projeto do Senhor para nós: o pecador prefere aderir ao pecado e ao mundo, recusando a vontade de Deus. Ele nos priva da comunhão com Deus e nos torna incapazes de participar da vida eterna. Essa privação da vida eterna recebe o nome de pena eterna do pecado.
Por pecado leve ou venial, entende-se toda má ação ou inclinação do ser humano que, mesmo não consistindo em uma violação da dignidade da vida e pureza humana, ou negação e desrespeito pela soberana grandeza de Deus e de suas resoluções (pecado mortal), deixa em nós um apego prejudicial às criaturas, ou seja, faz com que criemos um vínculo perigoso com as “pequenas” e costumeiras falhas e vícios diários, comuns ao ser humano. Esse pecado exige purificação, que pode acontecer tanto em vida, como após a morte, no estado chamado Purgatório.
Para entender melhor:
Quando um indivíduo escolhe tirar a vida de outra pessoa e realiza o ato, comete um pecado grave, pois:
a- O assassinato não foi um acidente (portanto foi praticado deliberadamente, intencionalmente);
b- O crime foi realizado conscientemente (o autor sabia o que estava fazendo e quais as conseqüências de seu ato);
c- O assassino atentou contra a vida de um ser humano, algo grave perante Deus, o único detentor dos direitos sobre a vida e a morte (ou seja, pecado em matéria grave).
Ao cometermos um pecado grave estamos colocando aquele ato ou decisão acima de Deus. Estamos trocando a graça Dele pelo pecado. Como Deus nos deu liberdade de escolha, Ele aceita nossa decisão. A conseqüência disso é a privação da vida eterna: não poderemos desfrutar da vida eterna junto da Trindade e de toda a corte celeste. Essa é a pena eterna do pecado, que só pode ser perdoada, absolvida completamente, mediante o sacramento da Confissão (ou Reconciliação).
Muitas vezes o ser humano se acostuma a dizer “não” a Deus através de erros ou falhas costumeiras como a mentira. Quem mente a primeira vez, mentirá mais uma e mais outra vez, como num verdadeiro “efeito-dominó”. Ainda que esse pecado muitas vezes não seja cometido de forma deliberada, consciente ou em matéria grave (características do pecado mortal), é um ato que nos distancia de Deus e nos faz mais apegados às coisas do mundo. Nos “acostumamos a pecar”. A mentira aqui se enquadra no que a Igreja chama de pecado venial.
Ocorre que, por causa desse “apego às criaturas”, presente tanto no pecado mortal quanto no pecado venial, o pecador adquire outra pena além da pena eterna: a pena temporal. A pena temporal pode ser entendida como todos os sofrimentos, provações e dificuldades que passaremos aqui na terra, por causa de nossos pecados. Jesus nos explica a pena temporal quando nos diz “...dali não sairás antes de teres pago o último centavo.” (Mt 5,26). Ou seja, temos uma dívida a pagar pelos pecados cometidos.
Enquanto, através da Confissão Sacramental, Cristo nos liberta da pena eterna do pecado, a remissão da pena temporal é feita através da oração, caridade e obras de penitência ou “obras indulgenciáveis”.
Durante os primeiros séculos da história da Igreja, os pecadores só recebiam a absolvição de suas penas (as temporais, mesmo não havendo esse conceito naquela época) após realizarem severas obras de penitência pública e/ou privada, associadas a um verdadeiro e forte desejo de arrancar de si os resquícios do pecado. É claro que nem todos podiam praticar obras penitenciais como autoflagelação, uso do cilício e os severos jejuns comuns à época (1).
Como Mãe preocupada e generosa com seus filhos (mas não injusta), a Igreja apelou para o Tesouro dos Méritos ou Satisfações de Cristo e de seus santos, do qual ela é depositária, guardiã. Esse tesouro espiritual constitui-se dos méritos adquiridos junto a Deus por Jesus Cristo, através de seus sofrimentos e sua morte de cruz, associado às orações e obras de caridade e misericórdia de todos os seus membros, vivos e mortos, oferecidas a Deus em intenção e benefício da Igreja e de seus filhos.
Ensina-nos o Santo Padre Papa Paulo VI, em sua “Constituição Apostólica Indulgentiarum Doctrina”:
“A convicção existente na Igreja de que os Pastores do rebanho do Senhor podem por meio da aplicação dos méritos de Cristo e dos Santos libertar cada fiel dos restos de seus pecados introduziu aos poucos no correr dos séculos, pelo sopro do Espírito Santo que sempre anima o Povo de Deus, o uso das indulgências; uso pelo qual se efetuou um progresso, não uma mudança, na doutrina e na disciplina da Igreja, e da raiz que é a revelação brotou um novo bem para a utilidade dos fiéis e de toda a Igreja.
Pouco a pouco se propagou o uso das indulgências e se tornou um fato notório na história da Igreja desde que os Pontífices Romanos decretaram que certas obras favoráveis ao bem geral da Igreja ‘poderiam ser imputadas ao título de uma penitência total’; e aos fiéis ‘verdadeiramente penitentes, que tivessem confessado seus pecados’ e realizassem tais obras, esses mesmos Pontífices ‘pela misericórdia de Deus e... confiando nos méritos e na autoridade dos apóstolos’, ‘na plenitude do poder apostólico’ concediam o perdão não só pleno e abundante, mas até o mais cabal, de todos os seus pecados". Pois ‘o Filho unigênito de Deus adquiriu um grande tesouro para a Igreja Militante... Esse tesouro... quis ele fosse distribuído aos fiéis para sua salvação por são Pedro, portador das chaves do céu, e por seus sucessores, seus vigários na terra, e fosse, por motivos particulares e razoáveis, a fim de remir ora parcial ora completamente a pena temporal devida ao pecado, misericordiosamente aplicado, em geral ou em particular, como diante de Deus se julgasse mais útil, aos que, verdadeiramente penitentes se tivessem confessado. Sabe-se que os méritos da Bem-aventurada Mãe de Deus e de todos os eleitos contribuem para a riqueza desse tesouro’.” (Indulgentiarum Doctrina, Capítulo IV, §7)
Então, dispondo desse Tesouro de méritos, a Igreja passou a aplicar esses méritos a seus filhos que não possuíam condições físicas de cumprir com as penitências mais pesadas. Assim, a Igreja instituiu, a partir do século IX, as “obras indulgenciáveis”.
Sendo assim, após uma confissão sacramental, o fiel deveria praticar determinada obra de caridade ou penitência, para que, através desse sacrifício, sua pena temporal fosse também apagada, como a pena eterna o fora com a confissão. Ao invés de um pesado jejum, o fiel podia agora ao rezar a oração do terço, visitar determinado Santuário, ou orar em um cemitério no Dia dos Fiéis Defuntos (Dia de Finados), obter a expiação de sua pena temporal, associando seu esforço às orações e obras dos membros da Igreja, presentes no Tesouro de Méritos!
A prática de obras de penitência pela expiação dos pecados não é invenção da Igreja Católica, muito menos as normas, exigências ou exceções à forma como ela deve ser realizada. O Antigo Testamento nos mostra como Deus aceita o sacrifício do pobre fiel que não tem como oferecer atos mais pesados ou bens mais valiosos em expiação de suas falhas. “Se não houver meio de se obter uma ovelha ou uma cabra, oferecerá ao Senhor em expiação pelo seu pecado duas rolas ou dois pombinhos, um em sacrifício pelo pecado e o outro em holocausto.(...) Se não houver meio de se encontrarem duas rolas ou dois pombinhos, trará como oferta, pelo pecado cometido, o décimo de um efá de flor de farinha em sacrifício pelo pecado. Não lhe deitará azeite nem lhe porá incenso, porque é um sacrifício pelo pecado” (Lv 7,5.11).
O fiel pode oferecer a Deus o que puder, desde que seja acompanhado de um profundo desejo de conversão e reta intenção de não tornar a pecar, com a graça de Deus. Ou seja: não basta apenas realizar a obra, mas sim, realizá-la com verdadeiro arrependimento e com o puro intento de não mais pecar. Daí, podemos notar que a Igreja não retira de onde não tem, meios de perdoar os pecados de seus membros, vendendo ou comerciando a remissão dos pecados através de ações escolhidas por seus líderes. Não existe comércio do perdão: a Igreja ensina seus filhos como se achegar de forma mais íntima do coração de Deus e como agir para reconciliar-se com ele, libertar-se do pecado e alcançar o perdão e a vida eterna.
A indulgência por si só, também não leva ninguém ao céu. É preciso que o fiel que deseja lucrar o benefício da indulgência cumpra com algumas condições:
a- Fazer um exame de consciência rigoroso e minucioso, depois confessar-se e após a absolvição sacramental, deve assistir à Missa completa e comungar;
b- Deve possuir e/ou desenvolver o mais absoluto horror ao pecado cometido e manifestar firme intenção de não cometê-lo novamente;
c- E deve ter em mente o desejo de lucrar a indulgência associada ao ato enquanto o executa.
Ou seja: quem, por seus atos, escolheu o inferno e não se arrependeu (confessando-se e recebendo a absolvição sacramental) não pode lucrar a absolvição da pena temporal através das indulgências. A Indulgência só vale quando o fiel já foi absolvido de sua pena eterna e pratica a obra indulgenciável obedecendo às condições prescritas acima.
Não há, portanto, fundamento nas palavras de protestantes e não cristãos que atacam a Igreja e sua doutrina das indulgências, colocando-a como uma “vendedora do perdão dos pecados”. Nada mais falso e em mais descompasso com a verdadeira fé e a Sã doutrina da Igreja Católica que, apoiada nos ensinamentos de Cristo, seu senhor e mestre, continuará a dar testemunho da verdade até a consumação dos séculos.
Bibliografia:
MARTINS DE JESUS, Leandro. Entendendo a Doutrina das Indulgências. Site “Veritatis Splendor”: http://www.veritatis.com.br/article/5663 Acessado em: 21 de maio de 2010
RAMALHETE, Professor Carlos. A Igreja Católica vendia lugares no céu? Site “Vetitatis Splendor”: http://www.veritatis.com.br/article/3843 Acessado em: 21 de maio de 2010
PAULO VI, Papa. Constituição Apostólica Indulgentiarum Doctrina. Página Oficial do Vaticano: http://www.vatican.va/holy_father/paul_vi/apost_constitutions/documents/hf_p-vi_apc_01011967_indulgentiarum-doctrina_po.html. Acessado em: 21 de maio de 2010
Notas:
(1) É preciso ter em mente que, em nenhum momento, a Igreja desejou impor sofrimento a seus filhos, pelo simples prazer ou ato de sofrer. Isso é masoquismo, algo abominável que vai contra os princípios da Lei de Deus. As práticas penitenciais, como os severos jejuns a pão e água, ou ainda a autoflagelação ou o uso do cilício, eram comuns no início do cristianismo (e não apenas na Idade Média, como insistem muitos escritores e professores anti-católicos) e eram maneiras encontradas pelos fiéis para que, infligindo sofrimentos e privações a seus próprios corpos, desenvolvessem aversão ao pecado e às suas conseqüências, além de, a exemplo de Cristo, Servo Sofredor, aceitassem os sofrimentos terrenos como forma de purificação espiritual na busca da perfeição e da eternidade.
(2) Até antes do Concílio Vaticano II, as indulgências eram aplicadas a períodos de tempo. Segundo Dom Estêvão Bettencourt, “Quando, antes do Concílio Vaticano II (1962-1965), se falava de “indulgencia de 100, 300 dias, um ou mais anos”, não se designava um estágio no purgatório, pois neste não há dias nem anos. Com essa contagem, indicava-se o perdão da expiação que outrora alguém prestaria fazendo 100, 300 dias, um ou mais anos de penitencia rigorosa, avaliada segundo a praxe da Igreja antiga.” (BETTENCOURT, Estêvão. Indulgências: Que são? In: Pergunte e Responderemos, ano XLIX, setembro de 2008, nº 555, p.387 apud MARTINS DE JESUS, Leandro. Entendendo a Doutrina das Indulgências.)
(3) Não se pode afirmar com categoria, como fazem os críticos, que o comércio de Indulgências é dogma ou prática ordenada pela Igreja Católica. Isso nunca fez ou faz parte da doutrina ensinada pela Igreja e não encontra base ou eco em nenhuma carta, encíclica, bula, decreto ou demais publicações oficiais de resoluções e ensinamentos papais. Ocorreram, não há dúvidas, casos famosos de abusos na aplicação da doutrina das indulgências durante a Idade Média. É preciso avaliar, porém, que o “comércio de indulgências” foi uma prática resultante das falhas e resoluções errôneas de membros individuais dentre o clero da Igreja. Mesmo sendo membros influentes na sociedade e comunidade cristã, seu proceder nunca encontrou apoio na doutrina da Igreja, ainda que essa prática condenável estivesse se tornando comum em determinados locais ou contextos.
(4) Muito do que se escreve hoje de negativo com relação às indulgências, e que se diz baseado em documentos ou testemunhos da época, revela total falta de caridade e senso crítico para tratar fatos e textos relacionando-os com os contextos e com a realidade da época em que foram escritos. Não havia, na Idade Média, por exemplo, a facilidade de que dispomos hoje para nos formarmos e informarmos sobre a doutrina e as opiniões da Igreja sobre o mundo. Muitos sacerdotes não compreendiam bem o funcionamento das indulgências e com isso, mais por ignorância do que por desejo de ver perdido o rebanho de Cristo, repassavam informações nem sempre corretas aos fiéis, a respeito do tempo de validade das indulgências, por exemplo, etc.
(5) A Constituição Apostólica Indulgentiarum Doctrina, do Papa Paulo VI, de onde foram retirados alguns trechos é um importantíssimo documento pastoral e oficial da Igreja Católica acerca da doutrina das Indulgências. Para que não houvessem equívocos na compreensão e prática das indulgências por parte de religiosos e fiéis, o Santo Padre redigiu e publicou esse documento, no dia 1º de janeiro de 1967, rememorando a história e o significado das indulgências para a Igreja, além de estabelecer algumas novas normas para a para a prática dessa doutrina, “para que o mesmo uso das indulgências fosse levado à máxima dignidade e altíssima estima”, nas palavras do próprio Pontífice. É um documento de leitura essencial e altamente recomendável para a formação cristã e para os que desejam entender melhor essa doutrina.
Retirado de: A Vida Sacerdotal
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