sábado, 16 de março de 2013

Folha de São Paulo entrevista Cardeal Hummes em Roma.


Folha - O sr. foi convidado pelo papa Francisco a estar ao seu lado na primeira aparição. Como é a relação entre vocês?
 
D.Claudio Hummes - Nós nos conhecemos de tantas oportunidades, porque fui arcebispo de São Paulo, e ele, arcebispo de Buenos Aires. Mas sobretudo foi em Aparecida (SP) onde estivemos mais tempo trabalhando juntos, na 5ª Conferência Latino-americana, em 2007. Existia ali a comissão da redação, a mais importante porque ali que se formulava o documento para depois ser votado. Ele era o presidente, e eu, um dos membros. Admirei muito a sua sabedoria, serenidade, santidade divina, espiritualidade. Muito lúcido e muito pastoral, grande zelo missionário, de querer que a igreja seja mais evangelizadora, mais aberta.

Como foi o convite para o balcão?
 
Quando se começou a organizar a procissão da Capela Sistina para o balcão na praça, ele chamou o cardeal Vallini, que faz as vezes do bispo de Roma, o vigário da cidade, e me chamou também. Disse: "D.Cláudio, vem você também, fica comigo neste momento". Disse até: "Busca o teu barrete [chapéu eclesiástico]", bem informalmente. Fui lá buscar o meu barrete e estava todo feliz....
 
Porque não é o costume, quem vai junto são os cerimonários, nunca tem cardeais com o papa, eles estão nos outros balcões. E o fato de que ele nos convidou acabou rompendo um monte de rituais. Mas foi realmente, para mim, muito gratificante. E também pelo fato de ele ter recém-escolhido o nome de Francisco. Eu sou franciscano, então isso me envolvia muito pessoalmente.

Como o sr. interpreta esse gesto?
 
Como um gesto pessoal dele, muito espontâneo, muito simples. Não sei quais os significados que ele queria dar. Eu digo que fiquei muito feliz, estava ali com o primeiro papa chamado Francisco.

[...]

São Francisco também é lembrado pela missão de reformar a igreja como um todo. A escolha do nome também tem essa abrangência?
 
Certamente, para o papa, o nome é todo esse programa. Hoje, a igreja (sic) precisa, de fato, de uma reforma em todas as suas estruturas. Organizar a vida da igreja (sic), a Cúria Romana, que tanto se falou e que precisa urgente e estruturalmente ser reformada, isso é pacífico entre nós. Porém uma coisa é entender que precisa ser feito e outra coisa é fazê-lo.
 
Será uma obra gigantesca. Não porque seja uma estrutura gigantesca, mas por um mundo de dificuldades que há dentro de uma estrutura como essa, que foi crescendo nos últimos séculos.
 
Alguém disse já que a escolha do nome Francisco já é uma encíclica [mensagens do papa à igreja(sic)], não precisa nem escrever. Isso é muito bonito, é muito promissor.

A primeira viagem do papa deve ser ao Brasil, onde a igreja enfrenta desafios muito grandes, como a evasão de jovens e o avanço das igrejas neopentecostais. O sr. tem uma ideia do que o papa pretende orientar sobre o futuro da igreja no país?
 
Ainda não transpirou nada sobre as mensagens que ele vai levar, mas a gente sabe, tem certeza de que ele vai falar, em primeiro lugar, da importância dos jovens, de que devemos estar do lado dele, devemos ser compreensíveis. Ele quer que a igreja (sic) seja compreensiva, misericordiosa, saiba caminhar juntos e que isso é um percurso que tem de fazer, não se pode exigir que amanhã alguém já seja um cristão perfeito. É um caminho, um processo.
 
É dar a certeza aos jovens de que a igreja (sic) os entende e quer acompanhá-los e também quer mostrar a luz. Quer dizer: "Prestem atenção, existe, sim, um sentido para a vida, existe alguém pelo qual vale a pena viver e dar a vida. Há alguém, que é Jesus Cristo, ele é uma luz que vocês deveriam seguir." Isto é, não deixar de mostrar o caminho, mas, ao mesmo tempo, ser compreensivo de onde o jovem ainda está nesse caminho.
 
E depois a nova evangelização certamente será um outro tema forte dele.

O sr. já é emérito, mas vai ficar no Vaticano em alguma função?
 
Não, não, eu vou ficar aqui até o dia 22, vou participar da cerimônia pública religiosa e vou participar de uma reunião no dia 21. E aí volto para os meus trabalhos.

Há relatos na imprensa italiana de que o sr. contribuiu durante o conclave para eleger o papa Francisco. O sr. confirma?
 
Tudo o que aconteceu dentro do conclave, eu não posso falar.


A matéria completa encontra-se neste link: Folha de São Paulo - Online

sábado, 2 de março de 2013

Pe. Zuhlsdorf: O resgate da liturgia solene


Entrevista com o Padre John Zuhlsdorf
Por Marcio Antonio Campos
Fonte: Gazeta do Povo, Curitiba
Para restaurar a sacralidade da missa, desfigurada por invenções locais alheias ao senso litúrgico da Igreja, Bento XVI resolveu, em 2007, liberar a celebração da missa tridentina, que era a norma na Igreja até 1969. Essa é a avaliação de um dos principais blogueiros de liturgia do mundo, o padre americano John Zuhlsdorf. Ele discorda da avaliação de muitos especialistas, para os quais a liberação da missa tridentina seria meramente um gesto de boa vontade para buscar o fim do cisma dos tradicionalistas da Sociedade São Pio X. Zuhlsdorf, que mantém o blog What does the prayer really say? (www.wdtprs.com), concedeu entrevista por e-mail à Gazeta do Povo.
 
Qual o papel da liturgia para Bento XVI?
O culto a Deus pela liturgia sempre foi central em seu pensamento. Ele escreveu muito sobre o tema.
 
Ratzinger liga a crise da Igreja à crise da liturgia. Como elas se relacionam?
Deus está no topo da hierarquia dos nossos afetos. Se nossa relação com Deus está distorcida, defeituosa ou inadequada, todos os nossos relacionamentos serão distorcidos, defeituosos ou inadequados. Se nosso culto a Deus não é adequado ou agradável a Ele, enfraquecemos todos os outros aspectos de nossa vida. Nenhuma esfera da vida da Igreja pode estar bem se o culto litúrgico da Igreja não estiver saudável. Isso significa que precisamos rezar e adorar a Deus, como Igreja, da maneira como a própria Igreja determina que devemos fazê-lo. E precisamos manter uma continuidade com a forma como a Igreja sempre rezou. Essa continuidade é quebrada quando decidimos fazer as coisas de acordo com nossos próprios critérios, alterando incorretamente o modo de adorar e rezar. Assim fazemos mal a nós e a todos, porque estamos nisso juntos.

Quais as principais contribuições de Bento XVI para a liturgia?
Sua principal contribuição para o Novus Ordo (a missa celebrada atualmente) é, acima de tudo, a permissão para a celebração da missa tridentina na forma antiga, com o “motu proprio” Summorum pontificum. Parece paradoxal, mas não é. A celebração da forma mais tradicional lado a lado com o Novus Ordo cria uma atração gravitacional sobre como a forma nova é celebrada, no sentido de haver maior solenidade. O uso da missa tradicional, que está crescendo, ajudará a“curar” o culto e direcioná-lo para a continuidade com a herança católica e com o modo como a Igreja quer que celebremos.
 
A missa tridentina ganhou força com Bento XVI, mas ainda está disponível para uma minoria bem restrita. Ela permanecerá assim?
Pequenas minorias podem fazer coisas grandiosas. Além disso, o número de pessoas que frequentam a missa tradicional cresce lentamente, mas de forma consistente. Pelo menos nos Estados Uni­­dos, jovens padres e seminaristas vêm se interessando pela missa tridentina. À medida que eles vão assumindo paróquias, veremos um aumento no interesse por parte dos fiéis também.

Bento XVI também usou as missas papais para mandar mensagens sobre a maneira como ele quer ver a missa ser celebrada…
Sim, é importante a ação humilde, mas clara, do papa. Ele ensina pelo exemplo e pelo convite, em vez da imposição. Ele vem tentando trazer a Igreja de volta ao culto ad orientem (voltado para o oriente), e por isso pede que os altares tenham o crucifixo no centro, mesmo quando o padre está de frente para os fiéis. É um arranjo provisório na direção de colocar padre e fiéis juntos, voltados para a mesma direção, para o crucifixo, para o “oriente litúrgico”.Esta é a melhor forma de expressar nossa esperança e anseio pelo Senhor. O papa também vem promovendo a comunhão de joelhos e diretamente na boca, que é a forma adequada de nos aproximarmos do Senhor Eucarístico. Esses são os exemplos mais importantes.
 
Qual o papel do monsenhor Guido Marini, mestre de cerimônias pontifícias, nesse processo?
O monsenhor Marini entende muito bem a visão que o Santo Padre tem do culto litúrgico, e trabalhou para implementá-la. Ele tem feito um ótimo trabalho e espero que o próximo papa o mantenha no cargo.

Por que demora tanto para as mudanças e sugestões do papa serem aceitas nas dioceses e paróquias?
Porque é muito mais fácil demolir um prédio que construí-lo. Mas a geração dos que foram animados pelo chamado “espírito do Vaticano II”, oposto aos seus documentos, está passando. Uma nova geração está assumindo posições de liderança e não tem a bagagem desse entendimento torto do Concílio, o que Bento XVI chamou de “hermenêutica da ruptura”. A nova geração quer a continuidade e está bem aberta ao que o papa vem fazendo.
 
Visto em: Da Mihi Animas

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Vaticano II e reforma litúrgica: entrevista ao Card. Kurt Koch, presidente do Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos

O Concílio Vaticano II e a sua "correta interpretação" é e continua a ser "o ponto de referência essencial" para a missão da Igreja hoje, sublinhou-o o Cardeal Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, Kurt Koch. Numa entrevista, há dias, à agência católica austríaca Kath.net, o Cardeal abordou a questão da reforma litúrgica, esclarecendo em particular o significado daquela que praticamente agora em muitas partes é chamada a "reforma da reforma".
 
Uma definição, esclarece, que "não pode ter nenhuma outra finalidade para além daquela de despertar o autêntico patrimônio do Concílio e de torná-lo frutuoso para a situação da Igreja hoje". Neste sentido, sublinha, "a questão da reforma litúrgica está intimamente ligada à questão da interpretação correta do Concílio".

No início da entrevista o Purpurado centra-se no significado do Ano da Fé desejado por Bento XVI, marcando um importante paralelismo com o que fez no seu tempo Paulo VI - "vejo mais semelhanças que diferenças" - apontando que para ambos os Papas o Concílio Vaticano II é o "ponto de referência essencial". Assim, se para o Papa Montini o Ano da Fé foi uma "consequência do Concílio" e a oportunidade de chamar a atenção para a urgência da "confissão da verdadeira fé católica" perante os "graves problemas" daquele tempo, para o Papa Ratzinger o Ano da Fé está ligado ao quinquagésimo aniversário da abertura do Concílio Vaticano II, "a fim de implementar as principais preocupações deste Concílio".

Quanto às responsabilidades ecumênicas a ele confiadas pelo Santo Padre, o Cardeal Koch sublinha que o Ano da Fé constitui uma a chamada a uma "nova consciência que a unidade entre os cristãos só pode ser encontrada se se refletir em conjunto sobre os fundamentos da fé". Até porque os "desertos do mundo de hoje" de que fala o Papa e a fraca incidência da fé cristã na sociedade actual "afetam todas as Igrejas cristãs e as comunidades eclesiais".
 
Quanto à  reforma litúrgica da Igreja Católica, tema seguido de perto também pelas outras Igrejas e Comunidades eclesiais, o Purpurado não deixou de observar o "uso excessivo" da própria palavra reforma. E para evitar qualquer instrumentalização, interrogou-se sobre qual será o seu verdadeiro significado. Estamos, disse, perante uma "alternativa fundamental." Na verdade, se por reforma se entende "uma ruptura com a história passada", esta "já não é uma reforma." Pelo contrário, quando entendida no seu "significado literal", a reforma litúrgica tira o seu significado "daquela forma fundamental do serviço do culto cristão que é prescrita pela tradição da Igreja". De fato, porém, "a reforma da liturgia após o Concílio foi muitas vezes considerada e implementada com uma hermenêutica da descontinuidade e da ruptura", considerando sobretudo o fato de que ela está "centrada no mistério pascal da morte e ressurreição de Cristo." No entanto, "o Papa Bento XVI, ainda quando era cardeal, julgou que a maior parte dos problemas no desenvolvimento pós-conciliar da liturgia está relacionada com o fato de que a abordagem do Concílio a este mistério fundamental não foi suficientemente tida em conta."
 
Fonte: News.va

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

O Papa usará novamente o fânon no tempo do Natal


Uma última palavra sobre as vestes litúrgicas. Na ocasião das canonizações de 21 de outubro passado, Bento XVI usou o fânon, uma capa muito simples e leve que, a partir do X-XII século, foi utilizada como veste litúrgica tipicamente papal. O fará de novo?

Aparecerá nas duas grandes solenidades a da Noite de Natal e da Epifania. O termo fânon deriva do latim e significa "pano". Foi habitualmente usado pelos Pontífices até João Paulo II. Bento XVI tem procurado preservar o uso desta simples e significativa veste litúrgica. Durante o tempo foi-se desenvolvida uma simbologia em relação a este paramento. Se diz que representa o escudo da fé que protege a Igreja. Nesta interpretação simbólica, as faixas verticais de cor ouro e prata exprimem a unidade e a indissolubilidade da Igreja latina e oriental, que se colocam aos ombros do Sucessor de Pedro. Me parece uma simbologia muito bonita. E é muito importante e significativo recordá-la durante o Ano da Fé.
 
 
 
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Da entrevista de Mons. Guido Marini sobre as celebrações litúrgicas natalinas deste ano, que pode ser conferida na íntegra, em italiano, no site do vaticano.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Modificaciones en el Rito de Canonización, por Mons. Guido Marini

 
El próximo domingo 21 de octubre se celebrará, en Plaza San Pedro, la canonización de siete nuevos santos, uno de los acontecimientos importantes del Año de la Fe que está viviendo la Iglesia. Además, en esta ocasión, el Santo Padre utilizará por primera vez un nuevo Ritual para las ceremonias de canonización, preparado por la Oficina para las Celebraciones Litúrgicas del Sumo Pontífice, que realiza algunas modificaciones al ritual hasta ahora vigente y recupera algunos signos del antiguo ritual. Presentamos nuestra traducción de la entrevista que Mons. Guido Marini, Maestro de las Celebraciones Litúrgicas Pontificias, ha concedido a L’Osservatore Romano.

 
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Entonces, ¿el rito de canonización ya no se realizará durante la celebración eucarística?
 
Exactamente, como ya ha ocurrido, por otro lado, para los otros ritos: piénsese en el rito del Resurrexit, el domingo de Pascua; en el consistorio para la creación de nuevos cardenales, a partir del pasado 18 de febrero; y en la bendición y imposición de los palios a los arzobispos metropolitanos, en la reciente solemnidad de los santos Pedro y Pablo.
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¿Cuál es el motivo de fondo?
 
Evitar que dentro de la celebración eucarística estén presentes elementos que no pertenecen estrictamente a la misma, manteniendo así intacta la unidad, como es pedido por la Constitución conciliar sobre la sagrada liturgia Sacrosanctum Concilium. Además, no es modificada una tradición consolidada sino sólo una práctica reciente. La canonización es fundamentalmente un acto canónico, en el cual están involucrados el munus docendi y el munus regendi. El munus santificandi entra en escena como segundo momento y está constituido por el acto de culto que sigue a la canonización.
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En pocas palabras, para decirlo con el documento del Vaticano II citado por usted, ¿“sana tradición y legítimo progreso”?
 
Ciertamente, si bien en este caso específico la renovación del rito de canonización se inserta en el surco del camino comenzado por Benedicto XVI en el 2005. Fue entonces que la Congregación para las Causas de los Santos, con comunicación del 29 de septiembre, dispuso – luego de las conclusiones del estudio de las razones teológicas y las exigencias pastorales sobre los ritos de beatificación y canonización aprobados por el Santo Padre – que la canonización seguiría siendo presidida por el Pontífice en San Pedro, mientras que la beatificación sería celebrada por un representante suyo, normalmente el Prefecto de la Congregación para las Causas de los Santos, en las diócesis interesadas. La canonización, en efecto, es una sentencia definitiva, con la cual el Sumo Pontífice decreta que un siervo de Dios, ya incluido entre los beatos, sea insertado en el catálogo de los santos y se venere en la Iglesia universal con el culto debido a todos los canonizados. Se trata, por lo tanto, de un acto preceptivo y universal. La autoridad ejercida por el Papa en la sentencia de la canonización será ahora todavía más visible a través de algunos elementos rituales.
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Más allá del cambio de lugar del Rito, que tendrá lugar enteramente antes del comienzo de la Misa, ¿cuáles son estos elementos rituales?
 
En primer lugar, el triple pedido, durante el cual el cardenal Prefecto de la Congregación para las Causas de los Santos se dirigirá al Santo Padre para pedirle que proceda a la canonización de los siete beatos. Es por lo tanto recuperada, si bien de forma renovada, la antigua tradición según la cual el Papa reza con insistencia para pedir la ayuda del Señor en la realización del importante acto. En particular, en respuesta a la segunda petición, él invocará al Espíritu Santo y, después de tal invocación, será entonado el himno del Veni Creator. En segundo lugar, el canto del Te Deum, presente en el Rito de canonización hasta 1969, acompañará la colocación y la veneración de las reliquias de los nuevos santos.
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Respecto a la procesión con las reliquias de los nuevos santos, ¿está prevista alguna otra modificación?
 
La habitual procesión se detendrá brevemente frente al Santo Padre que, así, podrá venerar las reliquias. Una vez que sean colocadas ante el altar, las reliquias serán incensadas por el diácono.
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La revisión del rito de canonización, como ya los otros ritos, ¿comporta también una simplificación?
 
Diría que sí. Y también esto es un aspecto importante del rito renovado, junto al de su reforma en armónica continuidad con una tradición ya secular. De este modo es posible realizar el “esplendor de la noble sencillez” auspiciado por el concilio Vaticano II. Las Letanías de los santos acompañarán la procesión inicial, resultando anticipadas respecto a la praxis actual. Ocurría así durante el pontificado de Pío XII, a partir de 1946. Serán además omitidas las biografías de los nuevos santos por parte del Prefecto, dado que el Santo Padre, como es costumbre, las presentará brevemente durante la homilía. No está ya previsto, finalmente, el saludo personal del Pontífice por parte de los postuladores, que podrán encontrarlo brevemente después de la Misa, en la sacristía de la basílica Vaticana.
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quarta-feira, 27 de junho de 2012

Mons.Guido Marini - "Novidades no rito de imposição do pálio aos metropolitas"

Il maestro delle celebrazioni liturgiche del Sommo Pontefice sulla messa dei santi Pietro e Paolo
Novità nel rito dei Palli

di Gianluca Biccini

Per le celebrazioni papali ancora un piccolo passo in direzione del rinnovamento nella fedeltà alla tradizione: venerdì prossimo, 29 giugno, in occasione della messa per la solennità dei Santi Pietro e Paolo, che Benedetto XVI celebrerà alle ore 9 nella basilica Vaticana, sarà anticipato lo svolgimento del rito di benedizione e imposizione dei palli agli arcivescovi metropoliti, che tradizionalmente avviene in questa circostanza.

La cerimonia di consegna della piccola fascia di lana bianca — che manifesta visibilmente l’autorità dei pastori delle maggiori arcidiocesi del mondo nell’unione con il vescovo di Roma — non ha infatti natura sacramentale. Monsignor Guido Marini, maestro delle Celebrazioni Liturgiche del Sommo Pontefice, in questa intervista al nostro giornale spiega i motivi della decisione approvata dal Papa.

Com’era accaduto nel Concistoro dello scorso 18 febbraio, ancora una volta un rito viene anticipato rispetto alla collocazione precedente nel contesto della celebrazione. Come mai?
Anzitutto vorrei precisare che il rito della benedizione e imposizione dei Palli rimane sostanzialmente invariato. Tuttavia, da quest’anno, nella logica di uno sviluppo nella continuità, si è pensato semplicemente a una diversa collocazione del rito stesso, che avrà luogo prima dell’inizio della Celebrazione eucaristica. La modifica è stata approvata dal Santo Padre ed è dovuta a tre diversi motivi, strettamente collegati l’uno con l’altro.

Quali sono?
Anzitutto si intende abbreviare la lunghezza del rito. Infatti, si darà lettura dell’elenco dei nuovi arcivescovi metropoliti appena prima dell’ingresso della processione iniziale e del canto del Tu es Petrus, al di fuori della celebrazione vera e propria. Poi, quando Benedetto XVI sarà giunto all’altare avrà subito luogo il rito dei Palli.

Una scelta che consentirà anche di evitare tempi eccessivi?
In pratica — ed è questo il secondo motivo — si preferisce evitare che la Celebrazione eucaristica sia interrotta da un rito piuttosto lungo, il che potrebbe rendere più difficile la partecipazione attenta e raccolta alla Santa Messa. Basti considerare che il numero dei metropoliti si aggira ormai ogni anno intorno ai 45.

E quest’anno?
Quest’anno son ben 46, anche se due di essi — un ghanese e un canadese — non potranno essere presenti personalmente. Tra loro ci sono due cardinali — Rainer Maria Woelki, di Berlino, e Francisco Robles Ortega, di Guadalajara — e il patriarca di Venezia, Francesco Moraglia. Il Paese maggiormente rappresentato è il Brasile con 7 presuli, seguito da Stati Uniti d’America, Canada e Filippine con 4, Italia e Polonia con 3, Messico, India e Australia con 2.

Lei ha parlato di sviluppo nella continuità. Cosa significa?
È un richiamo al terzo motivo: attenersi maggiormente allo svolgimento del rito di imposizione del pallio, così come previsto nel Cæremoniale Episcoporum, ed evitare che, a motivo della collocazione dopo l’omelia, si possa pensare a un rito sacramentale. Infatti i riti che vengono inseriti nella celebrazione eucaristica dopo l’omelia sono normalmente riti sacramentali. L’imposizione del pallio non ha invece in alcun modo natura sacramentale.

(©L’Osservatore Romano 27 giugno 2012)

Fonte: http://sanctamissaportugal.wordpress.com/2012/06/27/entrevista-ao-mons-guido-marini-novidades-no-rito-de-entrega-do-palio/

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

“Benedicto XVI es la columna que sostiene hoy a la Iglesia”, dice el card. George Cottier

 
 
Una gran fiesta de la Iglesia. Un momento “de alegria”, en que “la Iglesia se ha reunido en torno al Papa” para manifestarle “el propio afecto”. “En las grandes perplejidades de nuestro tiempo, él es la columna que sostiene. Lo hace con sencillez, sin fracaso”. El cardenal George Cottier, que cumplirá noventa años en abril, por casi veinte años teólogo de la Casa Pontificia, habla de los cuatro días del cuarto Consistorio de Benedicto XVI. Que han confirmado, dice con un ojo – desencantado - dirigido a las polémicas de las últimas semanas, que “su principal preocupación es que los cristianos vuelvan a los temas centrales de la fe”.

¿Cómo ha visto al Papa en estos días?

Me ha impresionado su serenidad. Ciertamente sufre todas las cosas que han sido dichas por los medios en estos días, pero en el fondo de su ánimo está sereno. Es la fuerza del Espíritu Santo que guía su vida. Es su fe. La vocación específica de Pedro es sostener la fe de los hermanos. He aquí que, en todas las dificultades, en todas las grandes perplejidades, él es la columna que sostiene. Puede parecer un poco cansado, pero en estos días ha hecho una estupenda síntesis de lo que debe ser la actitud de los creyentes, no buscar nunca el poder sino el servicio, hasta el martirio si es necesario, siguiendo el ejemplo de Jesús. Y es bellísimo el testimonio de este hombre que, humilde, sencillo, modesto, tiene esta fuerza espiritual tan intensa, capaz de transmitir paz.

En pocas palabras, se puede decir que, para él, es un modo de ir “más allá”.

Sí, ciertamente. Él deja pasar estas “olas” que quisieran sacudir a la Iglesia, esta gran agitación de las aguas, porque sabe que el movimiento de fondo va más allá. Me ha ocurrido que reflexionando en estos días sobre todo esto, y precisamente durante las jornadas del Consistorio, hablando con otros hermanos, he constatado que no había sido el único en tener un cierto pensamiento. Que es éste: en todo el agitarse en torno a la Iglesia, se puede ver la obra del Maligno en acción. Pero si agita mucho las aguas entonces quiere decir que hay vitalidad en la Iglesia, que el Maligno quiere contrastar. Y esta vitalidad es la fuerza de la fe, es la vida cristiana que se manifiesta en todo el mundo.

¿Dónde se ve esta vitalidad?

Precisamente hace un tiempo un hermano, que viaja mucho, me hablaba de cómo, en todo el mundo, los jóvenes de alguna manera han reencontrado el sentido de la adoración eucarística. Estos son realmente signos de gran vitalidad, allí está la realidad de la Iglesia: una realidad que no debe ser ofuscada por los pecados de los cristianos. Y éste es, en el fondo, el misterio de la Iglesia, que es santa y que tiene miembros que son pecadores, pero que están llamados a ser santos. Entonces, si es a esto a lo que todos estamos llamados, a la santidad, entonces estamos llamados también a dar testimonio, a tener una vida coherente con lo que profesamos. El Papa, también en estos últimos días, ha citado la palabra de Pablo VI, que decía que nuestra época es más sensible a los testigos que a los maestros, y todavía más a los maestros que son también testigos. Éste debería ser el programa de todos nosotros. De todos los cristianos, pero ciertamente todavía más los que tenemos responsabilidades particulares.

¿Qué ejemplo nos da Benedicto XVI?

Un ejemplo grandísimo, cotidiano. Tiene 85 años, como dije antes a veces se lo ve cansado, y esto es totalmente normal; las falsas novelas que se han oído dando vueltas, también sobre esto, ciertamente lo hacen estar mal… Sin embargo, nosotros vemos cómo, a su edad, logra hacer cosas extraordinarias: lo hemos visto en Madrid, o en Alemania, donde nos ha recordado que las estructuras más bellas, si están vacías de fe, no valen nada. Lo hemos visto cuando ha ido a Rebibbia. Y dentro de poco irá a México y a Cuba. Sus catequesis de los miércoles son extraordinarias. Debemos mirar estas cosas. Que él hace siempre con esta idea-clave, que el problema fundamental, especialmente de Europa y de Occidente, es la necesidad de la re-evangelización, a causa de la pérdida de la fe. Esta es la línea fuerte de su pontificado, esta invitación a volver a mirar al amor de Jesús, a la Eucaristía, a los temas centrales de la fe cristiana. Y el Papa habla de esto, porque esto es lo que interesa al mundo.

 
Avvenire
La Buhardilla de Jerónimo

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

O Sentido real do Natal

Em entrevista ao noticias.cancaonova.com, Dom Henrique destaca como o cristão deve vivenciar esse tempo litúrgico e alerta para o processo de descristianização do Natal que tem acontecido na sociedade. 

noticias.cancaonova.com: Qual o sentido do Natal? Como cada cristão deve vivê-lo?

Dom Henrique: O Natal não é simplesmente a festa de um dia. É um tempo litúrgico, isto é, um tempo sagrado no qual nos ritos, palavras, gestos e símbolos da liturgia, cheios do Espírito Santo, a Igreja torna presente o mistério da graça da vinda do Filho de Deus para ser humano como nós, elevando a humanidade a Deus. Dito em outras palavras: o Natal é o tempo no qual a Igreja celebra a graça da manifestação, da aparição do Filho eterno do eterno Pai na nossa natureza humana. Este tempo é celebrado com cinco festas: a Natividade do Senhor, a Sagrada Família, Santa Maria Mãe de Deus, Epifania do Senhor e Batismo do Senhor. Há ainda uma sexta festa, fora do tempo do Natal, mas a ele ligada: a Apresentação do Senhor, no dia 2 de fevereiro.

noticias.cancaonova.com: Vivemos em uma época na qual o valor da celebração do nascimento do Senhor dá lugar ao espírito consumista que leva famílias inteiras a viverem a data como uma simples festividade. Na visão do senhor, essa seria mais uma tendência imposta pelo relativismo?

Dom Henrique: Mais do que relativismo, trata-se do processo de descristianização e de secularização. Mas, não culpo a mundo, culpo os membros da Igreja. Nossas Missas são piedosas, exprimem o sagrado, ajudam a contemplar o Mistério ou, ao invés, são shows, teatrinhos, oficina de criatividade tola do padre e de outros ministros? Nossa catequese e nossas homilias introduzem realmente no Mistério ou, ao invés, são discursos insossos sobre mil assuntos, relegando o essencial ao segundo plano? Basta ver o quanto não é boa a consciência, a vivência dos fiéis ao participarem dos ritos sagrados...

noticias.cancaonova.com: Sabemos que o Natal por se tratar de uma das grandes celebrações litúrgicas da Igreja convida os católicos a participarem das Missas próprias de cada dia. Além das Celebrações, os cristãos também são convidados a práticas de piedade diversas ou a outras ações concretas que incentivem a boa vivência do real espírito natalino?

Dom Henrique: É indispensável participar da Missa do Natal, de Santa Maria Mãe de Deus e do Domingo da Epifania. Também é tempo de uma oração em família mais cuidadosa, de um tempo mais longo de leitura e oração com a Palavra de Deus e de atenção aos pobres, sendo para eles uma presença de Cristo, que se fez presente na nossa pobreza.

noticias.cancaonova.com: O Papa disse no Natal de 2005 que Deus é tão grande, que se faz pequeno. A partir dessa afirmação do Pontífice podemos concluir que também somos convidados a entrar em cheio na espiritualidade de um Deus que é simples?

Dom Henrique: O Natal é a festa da pobreza de Deus: "Sendo rico se fez pobre para nos enriquecer com a sua pobreza". Deus se fez pequeno, fez-se um de nós. No natal experimentamos que não estamos sozinhos, que Deus caminha conosco, e somos convidados a descobri-lo nas coisas pequenas, no que é simples e aparentemente sem valor. Deus não é Deus do mega, mas do micro!

sábado, 3 de dezembro de 2011

Cardenal Burke sobre la posible unificación del Rito Romano

Inquietantes palabras del Card. Raymond Burke, prefecto del Supremo Tribunal de la Signatura Apostólica, en el curso de una entrevista concedida a Catholic News Agency, Nov-28-2011. El Card. Burke revela que según como Él lo entiende, a futuro la intención es que haya una sola forma del Rito Latino, un híbrido, una especie de colcha de retazos sacados de las dos formas que existen actualmente, la forma ordinaria (llamada habitualmente Novus Ordo) y la forma extraordiaria (a la que popularmente se le dice Tridentina, Gregoriana, etc).

Aquí nuestra traducción del aparte correspondiente.

[...]

El Cardenal Burke también es responsable de vigilar la liturgia de la Iglesia como miembro de la Congregación Vaticana para el Culto Divino.

Él está agradecido con el Beato Juan Pablo II y con el Papa Benedicto XVI por darle a la Iglesia “una fuente de dirección sólida” respecto del culto, basada en la visión del Concilio Vaticano II de una “liturgia centrada en Dios y no una liturgia centrada en el hombre”.

La intención no siempre fue realizada, dijo, ya que el llamado del concilio por una reforma litúrgica coincidió con una “revolución cultural”.

Muchas congregaciones perdieron su “sentido fundamental de que la liturgia es Jesucristo mismo actuando, Dios mismo actuando en medio nuestro santificandonos”.

El Cardenal Burke dijo que el mayor acceso a la Tradicional Misa Latina, ahora conocida como “forma extraordinaria” del rito Romano, ha ayudado ha corregir el problema.

“La celebración de la Misa en la forma extraordinaria ahora es menos y menos contestada”, señaló, “y la gente está viendo la gran belleza del rito como fue celebrado prácticamente desde el tiempo del Papa Gregorio Magno” en el siglo sexto.

Muchos católicos ahora ven la “forma ordinaria” de la Misa de la Iglesia, celebrada en lenguas modernas, “podría ser enriquecida por elementos de esa larga tradición”.

Con el tiempo, el Cardenal Burke espera que las formas antigua y moderna de la Misa de la Iglesia Occidental se combinen en un rito normativo, un movimiento que Él sugiere el Papa también favorece.

“A mi me parece que lo que Él tiene en mente es que este mutuo enriquecimiento pareciera producir naturalmente una nueva forma del rito Romano —la ‘reforma de la reforma’, si se puede—, a todo lo cual le daría la bienvenida y esperaría su llegada”.

[...]


Visto en: SECRETUM MEUM MIHI

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Entrevista com Dom Bernard Fellay depois do seu encontro com o Cardeal William Levada

Por ocasião da reunião que Dom Bernard Fellay e seus dois Assistentes gerais tiveram, no Vaticano, com o Cardeal William Levada, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, no dia 14 de setembro de 2011, às 10 h., o Superior Geral da Fraternidade São Pio X respondeu às nossas perguntas.

Como foi este encontro?

A reunião foi de uma grande cortesia e também de uma grande franqueza, pois é por lealdade que a Fraternidade São Pio X recusa-se a fugir dos problemas que permanecem. Foi também neste espírito que os colóquios teológicos se desenvolveram durantes estes dois últimos anos.

Quando declarei, no dia 15 de agosto passado, que nós estávamos de acordo em que nós não estávamos de acordo sobre o Concílio Vaticano II, eu fiz a aclaração que quando se trata dos dogmas, como o da Santíssima Trindade, nós estamos evidentemente de acordo quando o Vaticano II faz menção deles. Uma frase não pode ser entendida isolada do seu contexto. Nossos colóquios tiveram o grande mérito de aprofundar seriamente e de esclarecer todos estes problemas doutrinais.

O comunicado oficial comum ao Vaticano e à Fraternidade anuncia que um documento doutrinal lhe foi entregue e que uma resolução canônica lhe foi proposta. Poderia dar-nos algumas precisões?

Este documento se chama Preâmbulo doutrinal, ele nos foi entregue para um estudo mais aprofundado. Por tanto ele é confidencial, e o senhor me entenderá que eu possa comentá-lo um pouco mais. No entanto o termo “preâmbulo” indica bem que a sua aceitação constitui uma condição prévia a todo reconhecimento canônico da Fraternidade São Pio X por parte da Santa Sé.

Sobre este preâmbulo doutrinal, na medida em que não comprometa a sua confidencialidade, Sua Excelência poderia confirmar que há nele, como foi anunciado pela imprensa, uma distinção entre o que é de Fé – ao que a Fraternidade adere plenamente – e o que vindo de um concílio pastoral, como o Vaticano II quis se definir, poderia estar submetido a uma crítica, sem comprometer a Fé?

Esta distinção nova foi anunciada não somente pela imprensa, mas eu a escutei pessoalmente de diversas fontes. Já em 2005, o Cardeal Castrillon Hoyos me declarou depois de eu ter exposto durante cinco horas todas as objeções que a Fraternidade São Pio X formulava contra o Vaticano II: – “Não posso dizer que estou de acordo com tudo o que o senhor disse, mas nada do que disse lhe faz estar fora da Igreja. Escreva ao Papa para que Ele levante a excomunhão”.

Hoje eu devo reconhecer objetivamente que não encontramos neste preâmbulo doutrinal uma distinção clara entre o domínio dogmático intangível e o domínio pastoral passivo de discussão. O único que posso declarar, pois isto aparece no comunicado de imprensa, é que este preâmbulo contém “princípios doutrinais e dos critérios de interpretação da doutrina católica necessários para garantir a fidelidade ao Magistério da Igreja e ao sentir com a Igreja, deixando certamente aberta a uma legítima discussão o estudo e a interpretação teológica de expressões ou de formulações particulares presentes nos textos do Concilio Vaticano II e do Magistério posterior”. Nada mais nada menos.

Quanto ao estatuto canônico que será proposto à Fraternidade, sob a condição de uma adesão ao preâmbulo canônico, fala-se de uma prelatura em preferência a um ordinariado, isto é assim?

Como o senhor lembrou, este estatuto canônico é condicional; a sua modalidade exata não pode ser considerada a não ser posteriormente e permanece ainda objeto de discussão.

Quando Sua Excelência pensa responder à proposta deste preâmbulo doutrinal?

Tão logo eu tenha tomado o tempo necessário para estudar este documento e consultar os principais responsáveis da Fraternidade São Pio X, pois sobre uma matéria tão importante como esta eu me comprometi com os meus confrades de não tomar nenhuma decisão sem lhes ter consultado antes.
Mas posso lhes assegurar que nossa decisão será tomada pelo bem da Igreja e das almas. Nossa cruzada de rosários que segue já desde vários meses deve intensificar-se para que alcancemos pela intercessão de Maria Mãe da Igreja, as graças de luz e de força das que necessitamos mais do que nunca.

(DICI n°240 do 14/09/11)

Fonte: http://www.dici.org/en/news/entrevista-com-dom-bernard-fellay-depois-do-seu-encontro-com-o-cardeal-william-levada/

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

“Nem Lutero”. “A comunhão na mão não tem nada a ver com a Igreja primitiva, é de origem calvinista”.


Athanasius Schneider tem 50 anos, é ucraniano [ndr: na realidade, nasceu no Quirguistão] e desde 2006 atuou como bispo auxiliar em duas dioceses do Cazaquistão, uma antiga república soviética com 26% de população cristã, majoritariamente ortodoxa, mas com uma pujante comunidade católica.
Recentemente, Dom Schneider, que é especialista em Patrística e Igreja primitiva, explicou à emissora Rádio Maria, no sul do Tirol, as diferenças entre a forma de comungar na Igreja primitiva e a atual prática da comunhão na mão.

Segundo afirmou, este costume é “completamente novo” após o Concílio Vaticano II e suas raízes não remontam aos tempos dos primeiros cristão, como se sustentou com freqüência.

Na Igreja primitiva, era necessário purificar as mãos antes e depois do rito, e a mão estava coberta por um corporal, do qual se tomava a partícula diretamente com a língüa: “Era mais uma comunhão na boca do que na mão”, afirmou Schneider. De fato, após consumir a Sagrada Hóstia, o fiel devia recolher da mão, com sua língua, qualquer mínima partícula consagrada. Um diácono supervisionava esta operação.

Jamais se tocava com os dedos: “O gesto da comunhão na mão, tal como conhecemos hoje, era completamente desconhecido” entre os primeiros cristãos.

Origem calvinista

Ainda assim, abandonou-se aquele rito pela administração direta do sacerdote na boca, uma mudança que ocorreu “instintiva e pacificamente” em toda a Igreja. A partir do século V, no Oriente, e pouco depois no Ocidente. O Papa São Gregório Magno já a administrava assim no século VII, e os sínodos franceses e espanhóis dos séculos XIII e IX puniam quem tocasse na Sagrada Forma.

Segundo Dom Schneider, a prática que conhecemos hoje da comunhão na mão nasceu no século XVII entre os calvinistas, que não acreditavam na presença real de Jesus Cristo na Eucaristia. “Nem Lutero”, que acreditava na presença real, mas não na transubstanciação, “o havia feito”, disse o bispo do Cazaquistão: “De fato, até relativamente há pouco os luteranos comungavam de joelhos e na boca, e ainda hoje alguns comungam assim nos países escandinavos”.

Tradução: Fratres in Unum

quinta-feira, 7 de julho de 2011

“A liturgia não admite ficção: exige sempre a verdade” (2)


É impossível confundir a liturgia com um código de normas ou uma espécie de protocolo sagrado, quando é compreendida e estudada a partir de dentro. Esta é a reflexão feita nesta entrevista pelo novo diretor do Instituto Superior de Liturgia de Barcelona (http://www.cpl.es/ISLB/default.html), o único instituto superior de Liturgia que oferece suas aulas em espanhol – motivo pelo qual desperta grande interesse na América Latina.

Jaume González Padrós (Sabadell, 1960) é um sacerdote doutor em Liturgia (Pontifício Ateneu Sant'Alselmo) que afirma que, ainda que a Liturgia seja “terreno dos crentes”, também é uma magnífica oportunidade para evangelizar.

Padrós é membro do Centro de Pastoral Litúrgica de Barcelona e consultor da Comissão Episcopal de Liturgia da Conferência Episcopal Espanhola.

A primeira parte desta entrevista foi publicada ontem.

ZENIT: A liturgia parece um âmbito estritamente de interesse dos crentes. O senhor vê nela alguma dimensão de evangelização, de campo comum com os não católicos?

González Padrós: A liturgia, de fato, é um âmbito dos crentes. Ela tem a faculdade de iniciar na vida cristã, através dos sacramentos primeiros (Batismo, Confirmação, Eucaristia), e de renovar, nos já iniciados, a graça para que vivam sempre de Deus e em Deus. Então, é preciso pensar em uma tarefa de anúncio, de evangelização, que deve preceder, no tempo, a prática litúrgica. A confusão destas duas etapas se traduz em fracasso da ação pastoral e frustração na vivência litúrgica.

Não obstante, também é verdade que a liturgia possui uma grande força pedagógica e contém uma grande instrução. Quantas pessoas se sentiram interpeladas no fundo do seu coração, ao longo de uma celebração litúrgica bem realizada!

Outra coisa é o nível em que podemos participar juntos, durante as ações litúrgicas, católicos e membros de outras igrejas, comunidades ou congregações cristãs. No contexto da celebração da Palavra de Deus, sim é factível uma notável participação comum, mas infelizmente não podemos ir além. Fazer isso seria falsear a realidade, mostrando, na ação litúrgica, uma comunhão – na fé objetiva – fictícia.

E a liturgia não admite a ficção; exige sempre a verdade, no que se diz e no que se faz.

ZENIT: O que é a espiritualidade litúrgica à qual Joseph Ratzinger fazia referência antes de ser Papa?

González Padrós: O Papa Bento XVI teve sempre, como teólogo, uma grande estima pela liturgia. Ele a compreendeu a partir da fé, com profundidade doutrinal, e a conhece bem.

Precisamente por isso, por sua trajetória tão fecunda de estudo e pesquisa, pode viver espiritualmente da liturgia, fazendo dela não uma piedade particular, mas acolhendo-a como o que é, a piedade da Igreja, em seu sentido mais genuíno. É uma alegria intelectual muito grande tomar nas mãos qualquer um dos livros de Joseph Ratzinger e ler o que ele escreve sobre a liturgia e suas consequências para a espiritualidade do cristão.

Penso que suas reflexões estão na linha das páginas que lemos, com grande fruição espiritual, procedentes dos Padres da Igreja, aqueles pastores e teólogos dos primeiros séculos, do Oriente e do Ocidente, e que se caracterizam por sua referência imediata à Sagrada Escritura e pela compreensão mistérica dos ritos sacramentais.

ZENIT: Por que a liturgia se associa com severidade, formalidade, normativas?

González Padrós: Porque se tem dela um conhecimento tópico, meramente prático, periférico. Talvez também porque nunca se teve uma experiência celebrativa de qualidade. No entanto, é impossível confundir a liturgia com um código de normas ou uma espécie de protocolo sagrado, quando é compreendida e estudada a partir de dentro, no campo teológico e em sintonia com a grande tradição da Igreja, e quando é celebrada com a arte espiritual que exige.

Umas das coisas mais gratificantes para um professor de liturgia é quando, ao acabar um curso, alguns participantes lhe dizem que, durante esses dias, eles descobriram a liturgia; que até esse dia a concebiam como um conjunto de leis e ritos antiquados e que agora veem tudo de forma diferente, com sentido e perfume espiritual. Nesse dia, você vai para a cama satisfeito e dando muitas graças a Deus!

Eu sempre gostei do que li uma vez do cardeal Bevilacqua, grande amigo de Paulo VI: “A liturgia é agradecida; se você a trata bem, ela o recompensa muito”. Quanta razão ele tinha! Muitas vezes eu experimentei isso, tanto na sala de aula como na igreja!

De: Zenit

quarta-feira, 6 de julho de 2011

“A liturgia não admite ficção: exige sempre a verdade” (1)


Fala novo diretor do Instituto Superior de Liturgia de Barcelona

É impossível confundir a liturgia com um código de normas ou uma espécie de protocolo sagrado, quando é compreendida e estudada a partir de dentro. Esta é a reflexão feita nesta entrevista pelo novo diretor do Instituto Superior de Liturgia de Barcelona (http://www.cpl.es/ISLB/default.html), o único instituto superior de Liturgia que oferece suas aulas em espanhol – motivo pelo qual desperta grande interesse na América Latina.

Jaume González Padrós (Sabadell, 1960) é um sacerdote doutor em Liturgia (Pontifício Ateneu Sant'Alselmo) que afirma que, ainda que a Liturgia seja “terreno dos crentes”, também é uma magnífica oportunidade para evangelizar.

Padrós é membro do Centro de Pastoral Litúrgica de Barcelona e consultor da Comissão Episcopal de Liturgia da Conferência Episcopal Espanhola.

ZENIT: Cada vez há mais latino-americanos que vêm a Barcelona para estudar Liturgia. O que este instituto tem que o torna tão atraente?

González Padrós: Não há dúvida de que o idioma influencia, dado que, no nosso instituto, temos toda a atividade docente em língua espanhola, e também a proximidade cultural das nações latino-americanas com a Espanha.

Mas, além disso, há outro fator e é a divulgação, ativa há muitos anos, das publicações do Centro de Pastoral Litúrgica de Barcelona nas igrejas da América, junto à presença de alguns dos membros e professores do instituto nestas terras, dando cursos, tanto a sacerdotes e pessoas da vida consagrada como a leigos.

Há outro elemento que influencia: o enfoque pastoral que, nas nossas aulas, damos aos estudos de teologia litúrgica. Tentamos fazer uma tradução eficaz ao momento celebrativo de todos os princípios teológicos e espirituais, assim como do conhecimento histórico dos livros litúrgicos e de suas implicações jurídicas.

Muitos dos nossos alunos – a maioria – são pastores da Igreja, presbíteros, e seu ministério não está orientado somente à docência e à pesquisa: também a guia de comunidades concretas faz parte da sua missão. Por isso, agradecem tanto que tudo o que é estudado seja trabalho em relação com a práxis celebrativa.

Tudo isso faz que, da América Latina, o Instituto Litúrgico de Barcelona seja visto como uma referência próxima. E, para nós, professores, os estudantes daquelas latitudes são vistos e sentidos como muito próximos das nossas expectativas e do nosso trabalho.

ZENIT: Como o instituto enfrenta a reforma litúrgica conciliar e a aplicação do motu proprio do Papa sobre a questão?

González Padrós: O Concílio Vaticano II enfrentou a reforma litúrgica para “fomentar a vida cristã entre os fiéis, adaptar melhor às necessidades do nosso tempo as instituições suscetíveis de mudança, promover tudo o que pode ajudar à união de todos os crentes em Cristo e fortalecer o que pode contribuir para chamar a todos ao seio da Igreja” (Constituição Sacrosanctum Concilium, n. 1).

Ou seja, o Concílio quis uma reforma e um fomento da liturgia, ou melhor, uma reforma da liturgia para promover seu fomento, consciente de que ela – a liturgia – é o sujeito mais eficaz para uma verdadeira renovação das mentalidades, segundo o Evangelho, e o estímulo de graça necessário para uma vida cristã verdadeira, como nos recordou recentemente o Santo Padre.

Mas a tarefa proposta não tinha nada de fácil, de tal maneira que os próprios padres conciliares declararam que tudo isso não seria possível sem uma adequada educação, começando pelos pastores de almas, que devem ser os professores de todo o povo de Deus. Eis aqui onde aparece a necessidade de centros especializados no estudo da Liturgia a partir de parâmetros autenticamente teológicos, com seriedade e profundidade. Nosso instituto tem sua razão de ser aqui.

É a tradução histórica dessa vontade da Igreja, movida pelo Espírito Santo, de dar a todos os batizados a oportunidade de entrar em comunhão de vida com a Santa Trindade de Deus.

Por isso, o desafio é constante para nós, professores de Liturgia. E mais ainda: com o passar dos anos, o acontecimento conciliar vai ficando longe das novas gerações, que não só não viveram o antes, mas nem sequer o durante e o pós-concílio mais imediato, com suas luzes e sombras. Para elas, o Vaticano II é algo distante, do qual devem se aproximar acompanhadas de alguém que o conheça bem, dado que continua afetando a vida das Igrejas particulares. Essa companhia somos nós, os docentes. E por isso digo que a tarefa é de enorme responsabilidade; podemos mostrar-lhes toda a beleza teológica e espiritual da reforma litúrgica ou, se não formos competentes e rigorosos em conteúdo e método, podemos mal educar e desviar do centro de compreensão.

Por isso, um professor de liturgia deve, cada dia, invocar o auxílio do Senhor sobre sua tarefa, suplicando a luz do Espírito e seus dons.

Sobre o motu proprio Summorum Pontificum, do Papa Bento XVI, sobre o uso atual dos livros litúrgicos vigentes até 1962, às portas do Vaticano II, escreveu-se e discutiu-se muito. No último dia 13 de maio, a Santa Sé publicou, ao respeito, a instrução Universae Ecclesiae, para regular com precisão o que foi expressado no citado documento papal.

Estamos obrigados a uma leitura atenta destes textos, para não gerar confusão sobre esta liberação do uso dos livros anteriores à reforma conciliar, constituídos como “forma extraordinária” do Rito Romano.

Mais uma vez, também aqui, todos – estudantes, professores, pastores – devem fazer um esforço para não cair no subjetivismo e compreender a vontade do Papa em seu sentido mais concreto, visando ao bem maior da comunhão eclesial e da estreita unidade entre a lei da oração e a lei da fé, entre o que se reza e o que se crê.

[A segunda parte desta entrevista será publicada amanhã]

Retirado de: Zenit

terça-feira, 21 de junho de 2011

Parte da entrevista de Don Marco, liturgista da viagem papal a San Marino, concedida ao "Messa in Latino"


- Don Marco quer ter a bondade de compartilhar com os leitores do Messa in latino suas observações gerais sobre a celebração eucarística de domingo passado? O Papa apreciou?

Foi um dia maravilhoso e inesquecível! Como delegado para a Liturgia da visita papal, eu estava autorizado a executar em conformidade com as indicações recebidas pela Diocese, algumas escolhas muito específicas que, embora possa parecer pequena aos olhos de muitos, na verdade, tinha um único propósito: promover a educação para a fé do povo de Deus, que estariam reunidos em torno do Sucessor de Pedro em uma situação (um estádio de futebol) certamente não ideal.

Por comentários recebidos das pessoas que entre ontem e hoje conheci, penso que tais objetivos foram alcançados. Além da realização mais ou menos perfeita de tais escolhas.

Mas, vale para todos, o comentário espontâneo do Papa ao Mons. Negri: “Excelência, obrigado por esta bela celebração e pela música que haveis escolhido: eu parecia estar em casa!”A parte musical foi seguida(e em parte executada) por um caro irmão, que sabiamente misturou as melhores tradições do canto litúrgico da Igreja: o gregoriano( as antífonas do Missal Romano), os corais(como por exemplo o “Te louvamos Trindade”, tradução de um canto alemão caro ao Papa) e a música instrumental( uma missa de Mozart).

No que se refere, no entanto, as escolhas feitas para a Santa Missa, aproveitamos os ótimos meninos, provenientes do Seminário de Bolonha, mas também entre os rapazes que servem na Missa, incluindo a Forma Extraordinária: isto nos permitiu de fazer certos movimentos tranqüilos, para o que diz respeito a gestualidade que alguns podem ser comparados a um simples ouropel, mas que acreditamos que são igualmente importantes para tudo o resto. E assim, vemos todos os ministrantes fazer a inclinação junto ao Papa e aos bispos concelebrantes, quando vinha a ser nomeado o nome de Jesus, era verdadeiramente comovente. Também porque, além do que um menino pode compreender certos gestos, o próprio fato de realizá-los ajuda-o a entender. Não estando todos os seminaristas, eu também tinha dado uma orientação clara sobre como se vestir: uma pessoa me agradeceu por ter visto "muitos padres vestidos de padre".

- Dentro dos limites impostos pelo Novus Ordo Missae, havia mais opções feita por ela que têm incutido fortes elementos de continuidade tradicional no rito, em plena adesão ao modo litúrgico restaurador do papa Bento, que evidentemente, por isso, se sentiu “em casa”.

 Outras escolhas? Nós decidimos que re recitasse o Canon Romano (em latim, como pede a Santa Sé), porque, além de considerá-lo um sinal de homenagem ao Santo Padre é, certamente, rico do ponto de vista teológico. As críticas não faltaram: “mas não se compreende, é muito difícil para pessoas normais”. A resposta, claro que pouco apressada ​​", que demos foi:" Bem, desta forma estaremos mais atentos." E devo dizer que nessa etapa, durante a Oração Eucarística, ouvimos apenas as palavras dos concelebrantes e o badalar dos sinos!


Fonte: Messa in Latino
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