sexta-feira, 5 de julho de 2013

Carta Encíclica LUMEN FIDEI do Sumo Pontífice Francisco sobre a FÉ



CARTA ENCÍCLICA

LUMEN FIDEI

DO SUMO PONTÍFICE

FRANCISCO

AOS BISPOS
AOS PRESBÍTEROS E AOS DIÁCONOS
ÀS PESSOAS CONSAGRADAS
E A TODOS OS FIÉIS LEIGOS

SOBRE A FÉ

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

POR TRÁS DA RENÚNCIA...

A Igreja é repleta de mistérios, sendo ela mesma um mistério, como um sacramento, no qual uma coisa é o que aparece, outra é o que realmente é. E a Igreja, à semelhança de seu Divino Fundador, tem sua parte divina e humana. Divina na sua instituição, doutrina e graça salvífica que nos transmite, e humana nos seus membros, muitas vezes pecadores, ela “é ao mesmo tempo santa e sempre necessitada de purificação” (L.G. 8).
 
Pessoas nem sempre imbuídas de espírito de Fé especulam os problemas da Igreja católica, demasiadamente focados na sua parte humana, organizacional e estrutural, esquecendo-se da parte divina, muito mais importante, e a presença nela do seu Fundador, que a assiste através do Divino Espírito Santo. Mas, há já dois mil anos, ela “continua o seu peregrinar entre as perseguições do mundo e as consolações de Deus” (L.G. 8).
 
Mas afinal o que há por trás da renúncia de Bento XVI. Além dos motivos visíveis, apontados pelo próprio Papa – “forças já não idôneas, vigor do corpo e do espírito, devido à idade avançada” – existem outros fatores ocultos. Todos estão curiosos e eu vou lhes revelar o que realmente está por detrás dessa atitude do Papa.
 
Só é capaz de renunciar a esse cargo de tal importância e influência quem, olhando muito além das perspectivas humanas, tem uma profunda Fé em Deus, na divindade da sua Igreja e na assistência daquele do qual o Papa é o representante na terra: “confiemos a Santa Igreja à solicitude do seu Pastor Supremo, Nosso Senhor Jesus Cristo” (Bento XVI).
           
E como a Fé é a base da Esperança e da confiança, por trás dessa renúncia há uma sublime confiança em Deus: a barca de Pedro não soçobrará nas ondas desse mar tempestuoso, nem depende de nós para isso: “as forças do Inferno não poderão vencê-la” (Mt 16, 18).
 
Por trás dessa renúncia, vemos um grande amor a Deus e à sua Igreja: “uma decisão de grande importância para a vida da Igreja”, como disse ele.  
 
Um grande desapego do alto cargo e influente posição, declarando-se apenas um humilde servidor, uma profunda humildade, não se julgando necessário e reconhecendo a própria fraqueza e incapacidade, de corpo e de espírito, para exercer adequadamente o ministério petrino, e ao pedir perdão – “peço perdão por todos os meus defeitos”.
 
Ao lado do heroísmo do Beato João Paulo II de levar o sofrimento pessoal até o fim, temos o grande heroísmo de Bento XVI de renunciar por amor à Igreja, para evitar qualquer sofrimento para ela. No começo da Igreja, no tempo das perseguições, houve cristãos que resolveram ficar onde estavam e enfrentar o martírio. Exemplo de fortaleza. Houve outros cristãos, que temendo a perseguição e a própria perseverança, acharam melhor fugir da perseguição e se refugiar no deserto, para rezar e fazer penitência, longe do mundo. Exemplo de humildade. Houve santos de ambas as posturas, os que enfrentaram e os que se retiraram. Heroísmo de fortaleza e heroísmo de humildade, frutos da Fé. A Igreja é feita de heróis da Fé!
 

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Credo do Povo de Deus



SOLENE CONCELEBRAÇÃO
NA CONCLUSÃO DO «ANO DA FÉ»
NO CENTENÁRIO DO MARTÍRIO
DOS APÓSTOLOS PEDRO E PAULO
HOMILIA DO PAPA PAULO VI
Praça de São Pedro
Domingo, 30 de Junho de 1968


Veneráveis irmãos e diletos filhos:

1. Encerramos, com esta Liturgia solene, tanto a celebração do XIX centenário do martírio dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, como este ano que denominamos "Ano da Fé". Nós o dedicamos à comemoração dos Apóstolos, não só com a intenção de testemunhar nossa vontade inquebrantável de conservar sem corrupção o depósito da Fé (cf. 1Tm 6,20) que eles nos transmitiram, senão também para confirmar o nosso propósito de relacionar a mesma Fé com a vida dos tempos atuais, em que a Igreja deve peregrinar no mundo.

2. Sentimo-nos na obrigação de agradecer publicamente a todos os fiéis que responderam ao nosso convite, fazendo com que o "Ano da Fé" produzisse o máximo de frutos, quer por uma adesão mais profunda à Palavra de Deus, quer pela renovação da profissão de fé em muitas comunidades, quer pela confirmação da própria fé, com o testemunho de uma vida autenticamente cristã. Por isso, ao mesmo tempo que expressamos nosso reconhecimento, sobretudo a nossos Irmãos no Episcopado e a todos os filhos da Santa Igreja, queremos dar-lhes nossa Bênção Apostólica.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

O Rito Moçárabe e o Ano da Fé

 
Dom Bráulio Rodríguez Plaza, arcebispo de Toledo, publicou um magnífico artigo no jornal L'Osservatore Romano em 18 de dezembro, no qual relaciona o Rito Hispano-Moçárabe com o Ano da Fé. Colocamos um parágrafo do artigo do Primado da Espanha:

Este ano de graça considero que é muito importante dar a conhecer os conteúdos da fé da Igreja; isso, sem dúvida, nos pode ajudar a aprofundar na lex credendi que nos mostra nossa própria tradição, a bonita tradição litúrgica do Rito Hispano-Moçárabe. Uma fé que forjou uma cultura, nossa cultura; e para uma contínua e verdadeira renovação deve ter-se em conta a volta às fontes e o conhecimento de si mesmo: «Esta antiga Liturgia hispano-moçárabe representa, portanto, uma realidade eclesial, e também cultural, que não pode ser relegada ao esquecimento se se querem compreender em profundidade as raízes do espírito cristão do povo espanhol»
O site Lex Orandi  traduziu o artigo para a língua espanhola.

Fonte: Lex Orandi
 


quinta-feira, 8 de novembro de 2012

As imagens na Tradição da Igreja

 

A beleza e a cor das imagens estimula minha oração, disse São João Damasceno.
 
Na Encarnação do Verbo, Deus mostrou aos homens uma face visível de Deus. Os cristãos foram, então, compreendendo que segundo a pedagogia divina, deveriam passar da contemplação do visível ao invisível. As imagens, principalmente os que reproduziam personagens e cenas da história sagrada, tornaram-se “a Bíblia dos iletrados” ou analfabetos.
 
Os Reformadores protestantes rejeitaram as imagens por causa dos abusos do fim da Idade Média; Lutero, porém, se mostrou bastante liberal com as imagens; não as proibia.
 
Ultimamente entre os luteranos a atitude inococlasta (heresia que rejeitava as imagens) tem sido submetida a revisão. Lutero rejeitou os iconoclastas (quebradores de imagens) escreveu essas palavras em 1528: “Tenho como algo deixado à livre escolha as imagens, os sinos, as vestes litúrgicas e coisas semelhantes. Quem não os quer, deixe-os de lado, embora as imagens inspiradas pela Escritura e por histórias edificantes me pareçam muito úteis… Nada tenho em comum com os Iconoclastas” (Da Ceia de Cristo).
 
Nos primeiros séculos do Cristianismo, ainda encontramos alguns escritores cristãos que mostram mal-entendidos ou abusos por parte dos fiéis no uso das imagens. Mas os cristãos foram percebendo que a proibição de fazer imagens no Antigo Testamento era apenas uma questão pedagógica de Deus com o povo de Israel, para que esse não se voltasse para os ídolos. Deus proibia fazer imagens de ídolos e não de outros seres. As gerações cristãs começaram a representar e meditar as fases da vida de Jesus e a representação artística das mesmas começaram a surgir como um meio valioso para que o povo fiel se aproximasse do Filho de Deus.
 
Já nas antigas catacumbas de Roma (S. Calisto, Priscila, etc.), os antigos cemitérios cristãos, encontram-se diversos afrescos geralmente inspirados pelo texto bíblico: Noé salvo das águas do dilúvio, os três jovens cantando na fornalha, Daniel na cova dos leões, os pães e os peixes restantes da multiplicação efetuada por Jesus, o Peixe (Ichthys), que simbolizava o Cristo.
 
Note que esses cristãos dos primeiros séculos estão debaixo da perseguição dos romanos. E eles faziam imagens e pintavam figuras. Será que eram idólatras por isso? É lógico que não, eles morriam às vezes mártires exatamente para não praticarem a idolatria, reconhecendo César como Deus e lhe queimando incenso. Ora, se os nossos mártires usavam figuras pintadas, é claro que elas são legítimas.
 
Nas Igrejas as imagens tornaram-se a “Bíblia dos iletrados”, dos simples e das crianças, exercendo grande função catequética. Alguns escritores cristãos nos contam isso. São Gregório de Nissa (†394) escreveu: “O desenho mudo sabe falar sobre as paredes das igrejas e ajuda grandemente” (Panegírico de S. Teodoro, PG 94, 1248c).
 
São João Damasceno, doutor da Igreja, grande defensor das imagens no Concilio de Nicéia II, disse: “O que a Bíblia é para os que sabem ler, a imagem o é para os iletrados” (De imaginibus I 17 PG, 1248c). “Antigamente Deus, que não tem corpo nem face, não poderia ser absolutamente representado através duma imagem. Mas agora que Ele se fez ver na carne e que Ele viveu com os homens, eu posso fazer uma imagem do que vi de Deus.” “A beleza e a cor das imagens estimula minha oração. É uma festa para os meus olhos, tanto quanto o espetáculo dos campos estimula o meu coração para dar glória a Deus” (CIC, 1162). “Como fazer a imagem do invisível? Na medida em que Deus é invisível, não o represento por imagens; mas, desde que viste o incorpóreo feito homem, fazes a imagem da forma humana: já que o inviável se tornou visível na carne, pinta a semelhança do invisível” (I 8 PG 94, 1237-1240). “Outrora Deus, o Incorpóreo e invisível, nunca era representado. Mas agora que Deus se manifestou na carne e habitou entre os homens, eu represento o “visível” de Deus. Não adoro a matéria, mas o Criador da matéria” (Ibid. I 16 PG 94, 1245s).
 
O Papa São Gregório Magno († 604), doutor da Igreja, escreveu a Sereno, bispo de Marselha, que ordenou quebrar as imagens: “Tu não devias quebrar o que foi colocado nas Igrejas não para ser adorado, mas simplesmente para ser venerado. Uma coisa é adorar uma imagem, outra coisa é aprender, mediante essa imagem, a quem se dirigem as tuas preces. O que a Escritura é para aqueles que sabem ler, a imagem o é para os ignorantes; mediante essas imagens aprendem o caminho a seguir. A imagem é o livro daqueles que não sabem ler” (epist. XI 13 PL 77, 1128c).
 
Nos séculos VIII e IX surgiu na Igreja a disputa em torno do uso das imagens, a questão iconoclasta. Por influência do judaísmo, do islamismo, de seitas e de antigas heresias cristológicas, muitos cristãos do Oriente começaram a negar a legitimidade do culto das imagens. Os imperadores bizantinos, de Constantinopla, tomaram parte na disputa, por motivos políticos mais do que por razões religiosas. Desencadeada sob o Imperador bizantino Leão Isáurico (717-741), a controvérsia das imagens foi levada ao Concílio de Nicéia II (787).
Com base nos sólidos argumentos de grandes teólogos como São João Damasceno, doutor da Igreja, este Concilio reafirmou a validade do culto de veneração (não adoração) das imagens. O Concílio distinguiu entre Iatréia (em grego adoração), devida somente a Deus, e proskynesis (veneração), tributável aos santos e também às imagens sagradas na medida em que estas representam os santos ou o próprio Senhor; o culto às imagens é, portanto, relativo, só se explica na medida em que é tributado indiretamente àqueles que as imagens representam.
 
Assim se pronunciaram os padres conciliares: “Definimos que, como as representações da Cruz, assim também as veneráveis e santas imagens, em pintura, em mosaico ou de qualquer outra matéria adequada, devem ser expostas nas santas igrejas de Deus (sobre os santos utensílios e os paramentos, sobre as paredes e de quadros), nas casas e nas entradas. O mesmo se faça com a imagem de Deus Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, com as da santa Mãe de Deus, com as dos santos Anjos e as de todos os santos e justos. Quanto mais os fiéis contemplarem essas representações, mais serão levados a recordar-se dos modelos originais, a se voltar para eles, e lhes testemunhar … uma veneração respeitosa, sem que isto seja adoração, pois esta só convém, segundo a nossa fé, a Deus” (sessão 7, 13 de outubro de 787; Denzinger-Schönmetzer, Enchridion Symbolorum nº 600s).
 
Note, então, que muito antes da Reforma Protestante, a Igreja já tinha estudado o uso das imagens; isto foi cerca de 750 anos antes da Reforma. A sagrada Tradição da Igreja, sempre assistida pelo Espírito Santo (cf. Jo14,15.25; 16,12-13) sempre reconheceu o valor pedagógico e psicológico das imagens como um auxílio para a vida de oração. Todos os santos da Igreja, em todas as épocas, valorizaram as imagens. Santa Teresa de Ávila († 1582), ao ensinar as vias da oração às suas Religiosas, dizia: “Eis um meio que vos poderá ajudar… Cuidai de ter uma imagem ou uma pintura de Nosso Senhor que esteja de acordo com o vosso gosto. Não vos contenteis com trazê-las sobre o vosso coração sem jamais a olhar, mas servi-vos da mesma para vos entreterdes muitas vezes com Ele” (Caminho de Perfeição, cap. 43,1).
 
Prof. Felipe Aquino
Fonte: http://blog.cancaonova.com/felipeaquino/2012/11/06/as-imagens-na-tradicao-da-igreja/

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

sábado, 6 de outubro de 2012

Para o Ano da Fé o Pontífice concede Indulgência Plenária

 
Por ocasião do Ano da Fé, o Papa Bento XVI concede o dom da Indulgência Plenária. A Santa Sé divulgou nesta sexta-feira, 5, o decreto da Penitenciaria Apostólica com o qual se concede a indulgência.

As disposições estabelecidas pela Penitenciaria Apostólica indicam que podem obter a indulgência os fiéis verdadeiramente arrependidos, que tenham reparado os próprios pecados com a penitência sacramental e elevado orações segundo as intenções do Sumo Pontífice. Isso de acordo com as seguintes situações:

- toda vez que participarem de pelo menos três momentos de pregações durante as Santas Missões, ou de pelo menos três lições sobre as Atas do Concílio Vaticano II e sobre os Artigos do Catecismo da Igreja Católica, em qualquer igreja ou local idôneo;

- toda vez que visitarem em forma de peregrinação uma Basílica Papal, um catacumba cristã, uma Igreja Catedral, um local sagrado designado pelo Ordinário do lugar para o Ano da Fé, e ali participarem de alguma função sagrada ou se detiverem para um tempo de recolhimento, concluindo com a oração do Pai-Nosso, o Credo, as invocações a Nossa Senhora e, de acordo com o caso, aos Santos Apóstolos ou Padroeiros;

- toda vez, nos dias determinados pelo Ordinário do lugar para o Ano da Fé, em algum local sagrado participarem de uma solene celebração eucarística ou da Liturgia das Horas, acrescentando a Profissão de Fé em qualquer forma legítima;

- um dia livremente escolhido, durante o Ano da Fé, para a visita do batistério ou de outro lugar no qual receberam o sacramento do Batismo, se renovarem as promessas batismais em qualquer fórmula legítima.

Aos idosos, doentes e a todos os que por motivos legítimos não puderem sair de casa, concede-se de igual modo a Indulgência plenária nas condições de costume. Isso se unidos com o espírito e com o pensamento aos fiéis presentes, especialmente nos momentos em que as palavras do Pontífice ou dos Bispos Diocesanos forem transmitidas pela televisão ou pelo rádio, recitarem na própria casa ou onde estiverem o Pai-Nosso, o Credo e outras orações conformes as finalidades do Ano da Fé, oferecendo seus sofrimentos ou as dificuldades da própria vida.

Fonte: Rádio Vaticano e Canção Nova


sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Dom Eugênio esclarece sobre a maçonaria

 
VOZ DO PASTOR - Mensagem do Cardeal D. Eugênio de Araújo Sales Arcebispo Emérito da Arquidiocese do Rio de Janeiro
 
Sobre a Maçonaria Desde o Papa Clemente XII, com a Constituição Apostólica “In eminenti”, de 28 de abril de 1738 até nossos dias, a Igreja tem proibido aos fiéis a adesão à Maçonaria ou associações maçônicas. Após o Concílio Vaticano II, houve quem levantasse a possibilidade de o católico, conservando a sua identidade, ingressar na Maçonaria. Igualmente, se questionou a qual entidade se aplicava o interdito, pois há várias correntes: se à anglo-saxônica ou à franco-maçonaria, a atéia e a deísta, anti-clerical ou de tendência católica. Para superar essa interrogação, o Documento da Congregação para a Doutrina da Fé, com data de 26 de novembro de 1983, e que trata da atitude oficial da Igreja frente à Maçonaria, utiliza a expressão “associações maçônicas”, sem distinguir uma das outras. É vedado a todos nós, eclesiásticos ou leigos, ingressar nessa organização e quem o fizer, está “em estado de pecado grave e não pode aproximar-se da Sagrada Comunhão”.
 
Entretanto, quem a elas se associar de boa fé e ignorando penalidades, não pecou gravemente. Permanecer após tomar conhecimento da posição da Igreja, seria formalizar o ato de desobediência em matéria grave. A Congregação, no mesmo Documento de 26 de novembro de 1983, declara que “não compete às autoridades eclesiásticas locais (Conferência Episcopal, Bispos, párocos, sacerdotes, religiosos) pronunciarem-se sobre a natureza das associações maçônicas, com um juízo que implique derrogação do quanto acima estabelecido”. O texto faz referência à Declaração de 17 de fevereiro de 1981, que reservava à Sé Apostólica qualquer pronunciamento que implicasse em derrogação da lei canônica em vigor. Tratava-se do cânon 2335 do Código de Direito Canônico de 1917, que previa excomunhão “ipso facto” a quem ingressasse na Maçonaria. Reconhecer uma incompatibilidade doutrinária não implica fomentar um clima de hostilidade. Preservar a própria identidade e defendê-la, não significa incentivar atritos. Aliás, somente o respeito à Verdade facilita a paz e a busca da concórdia entre os indivíduos. O novo Código de Direito Canônico assim se expressa: “Quem se inscreve em alguma associação que conspira contra a Igreja, seja punido com justa pena; e quem promove ou dirige uma dessas associações, seja punido com interdito” (cânon 1374).
 
No dia seguinte à entrada em vigor do novo Código, isto é, 26 de novembro, é publicada a citada Declaração com a aprovação do Santo Padre. Diz o Documento que a Maçonaria não vem expressamente citada por um critério redacional e acrescenta: “Permanece, portanto, inalterado o parecer negativo da Igreja, a respeito das associações maçônicas, pois os seus princípios foram sempre considerados inconciliáveis com a Doutrina da Igreja e, por isso, permanece proibida a inscrição nelas. Em 1997, a Livraria do Vaticano editou uma obra intitulada “A Maçonaria nas disposições do Código de Direito Canônico de 1917 e de 1983”, de autoria de Zbigniew Suchecki. O sucesso levou à tradução para o italiano de outro livro do mesmo autor. Eu fazia parte da Comissão do novo Código, na parte final da elaboração. Recordo-me bem. Houve uma emenda para fazer permanecer, de modo explícito, a condenação à Maçonaria, como foi obtido para o aborto, com excomunhão “latae sententiae”. A votação, no caso do abortamento, alcançou os dois terços requeridos e foi incluído o termo. No que se refere à Maçonaria, houve maioria em favor da explicitação da mesma associação, mas não com o índice requerido. Nos debates prévios foi alegado não ser necessário, pois o texto já continha uma proibição implícita.
 
Dom Boaventura Kloppenburg, em sua obra “Igreja e Maçonaria: conciliação possível?” recentemente reeditado em 4ª edição pela “Vozes”, trata profusamente deste assunto, no capítulo “Dos princípios do liberalismo religioso à maçonaria brasileira”. E no capítulo XI, “O Maçom perante a Igreja católica – As razões da condenação da Maçonaria” – Frontal oposição de doutrinas”. Outra obra recém-publicada pela Editora “Santuário” é “Maçonaria e Igreja católica”, de Dom João Evangelista Martins Terra.
 
Permanecendo a proibição no ensinamento da Igreja, houve nesse período pós-conciliar uma profunda modificação no relacionamento entre pessoas, entre católicos e maçons. Embora permanecendo separadas, existe um clima de respeito mútuo que permite um diálogo. O exemplo foi o aparecimento de reuniões entre católicos e maçons para estudo como o de uma Comissão das Grandes Lojas reunidas da Alemanha e a Conferência Episcopal Alemã, de 1974 a 1980. A Declaração final do Episcopado alemão evidencia a incompatibilidade, pois a maçonaria não mudou em sua essência. A pesquisa acurada sobre rituais e os fundamentos dessa instituição demonstra a existência de doutrinas que se excluem. Entre as causas dessa separação, enumera: a ideologia dos maçons, o conceito de Verdade, de Religião, de Deus, a Revelação, sobre a tolerância, os ritos, a perfeição do homem e a espiritualidade. De outro lado, a realidade alemã vê a possibilidade de colaboração pastoral na área da Justiça Social e Direitos Humanos. O fato de existirem eclesiásticos na maçonaria prova que há falhas na disciplina. São dadas explicações, não justificativas, baseadas em situações históricas, como no caso da Independência do Brasil. Dom Boaventura Kloppenburg, em sua obra examina o assunto e o reduz a dimensões reais O respeito mútuo e a fidelidade aos ensinamentos da Igreja nos possibilitam uma convivência pacífica com os irmãos maçons.
 
Mensagem do Cardeal D. Eugênio de Araújo Sales Arcebispo Emérito da Arquidiocese do Rio de Janeiro.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Crisis de fe en la Iglesia de Alemania: “Sin asimilación del Catecismo, la fe se desvanece”

 
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Presentamos algunos extractos de un artículo de Andrea Galli, publicado en Avvenire, sobre la compleja realidad de la Iglesia en Alemania, en vísperas del Año de la Fe convocado por el Santo Padre, junto con la entrevista a Mons. Willhelm Inkamp, sacerdote alemán, historiador de la Iglesia y consultor de las Congregaciones para las Causas de los Santos y para el Culto Divino. Como rector del santuario bávaro de Maria Vesperbild, Mons. Inkamp se destaca por su empeño en promover la visión litúrgica del Papa Benedicto XVI. Es, además, un observador autorizado de la compleja situación del catolicismo alemán.
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El Año de la Fe visto y vivido por la Iglesia alemana será un año especial. No sólo es alemán el Papa que lo ha convocado, y alemán el nuevo Prefecto de la Congregación para la Doctrina de la Fe, caso único en la historia. Alemania misma, con todo su peso, es un caso ejemplar de la secularización que ha investido brutalmente a Europa, y no sólo del norte.
 
Durante este pontificado no han faltado las agitaciones, advertidas hasta en Roma. Como el memorándum firmado por un grupo de 143 exponentes de diversas facultades de teología que, partiendo del escándalo de los abusos sexuales cometidos en algunas estructuras eclesiales, han propuesto un nuevo comienzo para la Iglesia alemana bajo la bandera de una ruptura: entre otras cosas, con el magisterio en el campo de la ética sexual, con la estructura jerárquica de la Iglesia misma, con el celibato sacerdotal.
 
Pero también en la Carta sobre la remisión de la excomunión a los cuatro obispos lefebristas – aquella en que Benedicto XVI recordó que “en amplias zonas de la tierra la fe está en peligro de apagarse como una llama que no encuentra ya su alimento” – alguno ha visto una referencia a ambientes y personalidades del catolicismo alemán en estas dramáticas palabras: “Me ha entristecido el hecho de que también católicos, que en el fondo hubieran podido saber mejor cómo están las cosas, hayan pensado que debían herirme con una hostilidad dispuesta al ataque”.
 
Precisamente en Alemania, de hecho, a pesar de que la presencia de la Fraternidad Sacerdotal San Pío X es bastante menor que en Francia, el intento de superar el cisma realizado por Lefebvre ha desencadenado reacciones polémicas.
 
A una comunidad eclesial gloriosa y compleja, atravesada todavía por instancias de renovación traumática y por tensiones que se remontan a los años `60 y `70, pero que al mismo tiempo ha dado a la Iglesia universal un Pontífice y uno de los mayores teólogos contemporáneos, a una Iglesia que ha visto una erosión constante de las vocaciones y del mismo número de fieles (150 los nuevos seminaristas registrados en el 2011, 100.000 los católicos menos cada año a partir del 2000), pero que continúa teniendo un gran impulso caritativo (450 millones de euros donados para proyectos de caridad y misioneros en los cinco continentes), Benedicto XVI ha indicado en persona las directivas para vivir el Año de la Fe.
 
Lo ha hecho en su viaje apostólico a Alemania en septiembre del año pasado y en los discursos que ha pronunciado. En uno en particular, al Consejo del Comité central de los católicos, ha querido tocar un punto difícil. La Iglesia alemana está “organizada de manera óptima pero – preguntó Ratzinger –, detrás de las estructuras, ¿hay una fuerza espiritual correspondiente, la fuerza de la fe en el Dios vivo? Debemos decir sinceramente que hay un desfase entre las estructuras y el Espíritu”.
 
El sentido teutónico del orden y la organización ha hecho de las 27 diócesis, de las curias y de su aparato máquinas eficientísimas e imponentes. Con un millón y medio de empleados, la Iglesia católica y la evangélica son juntas el segundo dador de trabajo en Alemania después de la administración pública. La Iglesia católica da trabajo en particular a cerca de 650 mil personas, de las cuales 500 mil empeñadas en la Caritas. Por esta desproporción entre aparato y fe auténticamente vivida – que concierne también al mundo de la teología, de la que Alemania continúa siendo una reserva de primordial importancia para autores, publicaciones y facultades -, así como por el riesgo de prestar excesiva atención a cuestiones en el fondo secundarias, ha venido la advertencia del Papa: “Si no llegamos a una verdadera renovación en la fe, toda reforma estructural será ineficaz”.

Entrevista a Mons. Willhelm Inkamp
 
De entre los posibles frutos del inminente Año de la Fe, ¿de cuáles tiene más necesidad la Iglesia alemana?
 
Es necesaria una verdadera recepción del Catecismo de la Iglesia Católica, que debe convertirse en un fundamento vinculante para la transmisión de los contenidos de la fe. Esto vale para la preparación a los sacramentos, para el plan de formación y para los programas didácticos de los profesores de religión, obviamente hasta la preparación de los sacerdotes.
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Usted es el rector de un santuario muy famoso, signo de un amor secular del catolicismo alemán por la Virgen. ¿Este amor existe todavía o la importancia de María debe ser redescubierta?
 
Incluso sólo el título de “Mater Ecclesiae” muestra la importancia que la Virgen María tiene para este Año de la Fe. Ella es la “Puerta de la fe” y, por eso, también la “Puerta del Cielo”. En el santuario de Maria Vesperbild florece y arde el amor por la Madre de Dios. Y la piedad popular tendrá un significado especial en el Año de la Fe.
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Una actitud de contestación al Magisterio y un cierto espíritu anti-romano sobreviven en las Iglesias de lengua alemana, a pesar de que se han revelado estériles y en el post-Concilio han desertificado muchas comunidades cristianas. ¿Por qué resisten todavía?
 
Respecto al sentimiento anti-romano, Hans Urs Von Baltashar ya ha dicho todo lo que había para decir. Lamentablemente esto es un continuum en la historia de la Iglesia alemana. Para decirlo de un modo un poco fuerte, Febronio (NdR: 1701-1790, canonista alemán que negaba al Papa el derecho de pronunciarse sobre la conducta de las Iglesias nacionales) vive todavía, y muchos teólogos alemanes nunca han ido más allá del Concilio de Pistoya (NdR: 1786, condenado por el Papa Pío VI, se propuso una reforma de la Iglesia en sentido jansenista). El sentimiento anti-romano es, en el fondo, un resto del siglo XVIII.
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¿Por qué la Iglesia y la misma fe resultan tan poco convincentes a muchos jóvenes?
 
El aparato eclesial, con su complicado sistema de comisiones y de consejos, no es percibido en su grandeza espiritual sino como un simple ente de derecho público que se esfuerza en todos los aspectos por tener relevancia social. Pero los efectos a largo plazo, por ejemplo de las Jornadas Mundiales de la Juventud o de los nuevos movimientos eclesiales, podrían cambiar las cosas.
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Es típico hoy que a sacerdotes y personalidades de la Iglesia se les pida pronunciarse sobre cualquier tema que concierne a la vida social: ecología, trabajo, derechos humanos… Está quien sostiene que sería mejor concentrarse en los contenidos de la fe, dejando de lado el resto. ¿Usted qué piensa de eso?
Estoy plenamente de acuerdo. Sin la asimilación del Catecismo, de la que hablaba antes, la fe se evapora, se desvanece. También aquí, sin embargo, existe la esperanza de una corrección, por ejemplo con proyectos como el Youcat (NdR: el Catecismo de los jóvenes difundido en la JMJ de Madrid).
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La fe se expresa también a través de signos: ¿cuáles deberían redescubrirse?

Se necesita una especial introducción a los sacramentales. La piedad popular conoce bien su profundo significado, son un tesoro para redescubrir y para ofrecer nuevamente. Me parece que es urgente una pastoral que piense cómo lograrlo.
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Fuente: Avvenire
Traducción: La Buhardilla de Jerónimo

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Virgindade Perpétua de Maria:: Escritos de São Jerônimo – Capítulos 3 e 4

Capítulo 3

Sua primeira declaração [argumento de Helvídio para refutar a Virgindade Perpétua de Maria] : “Mateus diz: ‘O nascimento de Jesus Cristo foi assim: quando sua mãe Maria estava prometida a José, antes de coabitarem, encontrou-se grávida pelo Espírito Santo. E José, seu marido, sendo um homem justo e não desejando denunciá-la publicamente, pensou em repudiá-la em segredo. Mas enquanto pensava essas coisas, um anjo do Senhor lhe apareceu em sonho e disse: ‘José, filho de Davi, não temas em tomar para ti Maria como tua esposa, pois o que nela foi gerado provém do Espirito Santo’. Notem” – continua ele – “que a palavra empregada é ‘prometida‘ e não ‘confiada‘, como vocês dizem; é óbvio que a única razão para estar prometida é porque deveria se casar um dia. E o Evangelista não iria dizer ‘antes de coabitarem’ se eles não viessem a coabitar no futuro, já que ninguém usaria a frase ‘antes de jantar’ se certa pessoa não fosse jantar. Também o anjo a chama ‘tua esposa’ e se refere a ela como unida a José. A seguir, somos chamados a ouvir a declaração da Escritura: ‘E José despertou do seu sono e fez como o anjo do Senhor lhe havia ordenado, tomando-a para si como esposa; e não a conheceu até que deu à luz a seu filho’”.

Capítulo IV

[São Jerônimo começa a argumentar e destruir Helvídio] Consideremos cada um desses pontos, pois seguindo o caminho dessa impiedade mostraremos que ele [Helvídio] está se contradizendo. Admite que [Maria] estava “prometida” e que o próximo passo seria se tornar esposa daquele homem a quem estava prometida. Novamente, ele a chama de “esposa” e diz que a única razão para estar prometida seria pelo fato de casar-se um dia. E, temendo que não o compreendêssemos suficientemente bem, ainda diz: “a palavra usada é ‘prometida’ e não ‘confiada’, isto é, ela ainda não se tornara esposa, nem mesmo havia sido unida pelo contrato de casamento”.

Mas quando ele continua: “o Evangelista jamais usaria tais palavras se eles não viessem a se juntar futuramente, já que não se usa a frase ‘antes de jantar’ se certa pessoa não for jantar”. Sinceramente não sei se devo lamentar ou rir. Deveria acusá-lo de ignorância ou de imprudência? Como se isto, supondo que uma pessoa dissesse: “Antes de jantar no porto, naveguei para a África”, significasse que tais palavras obrigatoriamente demonstrassem que essa pessoa alguma vez já jantou no porto. Se eu preferisse dizer: “o apóstolo Paulo, antes de ir para a Espanha, foi preso em Roma”, ou (como também acho provável) “Helvídio, antes de se arrepender, morreu”; acaso teria Paulo obrigatoriamente estado na Espanha [após a prisão], ou Helvídio se arrependeria após a morte, ainda que a Escritura diga: “No Sheol quem vos dará graças?”?

Não podemos entender a preposição “antes” – ainda que muitas vezes signifique ordem no tempo – como também ordem de pensamento? Portanto, não há necessidade que nossos pensamentos se concretizem, se alguma causa suficiente vier a evitá-los (sua concretização). Logo, quando o Evangelista diz “antes que coabitassem”, indica apenas o tempo imediatamente precedente ao casamento, e mostra que estava em estado bem adiantado, pois ela já estava prometida, a ponto de estar próximo o momento de se tornar esposa. Conforme diz [o Evangelista], antes de se beijarem e se abraçarem, antes da consumação do casamento, ela se encontrou grávida. E ela foi determinada para pertencer a ninguém mais a não ser José, que guardou com zêlo o ventre cada vez maior de sua prometida, com olhar inquieto mas que, a esta altura, quase que com o privilégio de um marido.

Ainda que possa parecer – conforme o exemplo citado – que ele teve relações sexuais com Maria após o seu parto, o seu desejo poderia ter desaparecido pelo fato dela já ter concebido anteriormente. E, embora encontremos que foi dito a José em um sonho: “Não temas em receber Maria por tua esposa” e, de novo: “José despertou do seu sono e fez conforme o anjo lhe ordenara, tomando-a por sua esposa”, não devemos nos preocupar com isto, pois ainda que seja chamada “esposa”, ela somente deixou de ser prometida, pois sabemos que é usual na Escritura dar esse título para aqueles que são noivos.

A seguinte evidência, retirada do Deuteronômio, assim o indica: “Se um homem” – diz o Escritor [sagrado] – “encontra uma mulher prometida no campo e a violenta, deve ser morto porque humilhou a esposa do seu próximo”; e, em outro lugar: “Se uma virgem é prometida a um marido, e um homem a encontra na cidade e a violenta, então deveis trazê-los para fora do portão da cidade e os apedrejareis até à morte; a mulher porque não gritou, estando na cidade, e o homem porque humilhou a esposa do seu próximo. Fareis isto para eliminar o mal do meio de vós”; e também, em outra parte: “Que tipo de homem é este que possui uma esposa prometida e ainda não a recebeu? Que volte para sua casa, para que não morra na batalha, e que outro homem a despose”.

Mas se alguém guarda dúvidas do porquê a Virgem concebeu após estar prometida [a José], uma vez que não estava prometida a mais ninguém, ou, para usar os termos da Escritura, estava sem marido, deixe-me explicar três razões: [1ª] Pela genealogia de José, Maria possuía parentesco com ele, e a origem de Maria também precisava ser demonstrada; [2ª] Porque ela não poderia ser enquadrada na Lei de Moisés para ser apedrejada como adúltera; [3ª] Porque em sua fuga para o Egito ela precisava de segurança, o que poderia ser obtido com a ajuda de um guardião, de preferência um marido.

Quem, naquele tempo, acreditaria na palavra da Virgem, de que teria concebido pelo poder do Espírito Santo, e que o anjo Gabriel lhe teria aparecido para anunciar o propósito de Deus? Todos não a chamariam de adúltera, como fizeram com Suzana? Ainda nos tempos presentes, quando praticamente toda a terra abraçou a Fé, não vêm os judeus afirmar que as palavras de Isaías: “Eis que a ‘Virgem’ conceberá e dará à luz um filho” são equívocas porque o termo hebraico almah que aparece na frase, significa mulher jovem, enquanto que o termo bethulah, que significa virgem não é usado? Tal posição, abordaremos com mais detalhes adiante.

Finalmente, com exceção de José, Isabel e da própria Maria – e talvez de mais alguns poucos que podemos supor ouviram a verdade da boca deles – todos supunham que Jesus era filho de José. E de tal modo era essa a suposição que até mesmo os Evangelistas, expressando a opinião corrente – que é a regra correta para qualquer historiador – o chamavam de pai do Salvador, como, por exemplo: “Movido pelo Espírito, ele (isto é, Simeão) veio ao Templo. Então os pais trouxeram o menino Jesus para cumprir as prescrições da Lei a seu respeito”; e, em outro lugar: “E seus pais iam todos os anos a Jerusalém por ocasião da festa da Páscoa”; e, mais adiante: “Tendo completado os dias, eles retornaram, mas o menino Jesus permaneceu em Jerusalém, e seus pais não sabiam disso”.

Note-se que a própria Maria respondeu ao [anjo] Gabriel com as seguintes palavras: “Como se sucederá isso, se não conheço varão?”, dizendo isto a respeito de José; e, mais: “Filho, por que fizeste isto conosco? Teu pai e eu estávamos à tua procura”. Não fazemos uso aqui, como muitos fazem, do discurso dos judeus ou dos escarnecedores. Os Evangelistas chamam José de “pai” e Maria confessa que ele era pai. Não – como já disse antes – que José fosse realmente o pai do Salvador, mas, preservando a reputação de Maria, todos o viam como sendo o pai [de Jesus], pois ouvira a advertência do anjo: “José, filho de Davi, não temas em tomar para ti Maria como tua esposa, pois o que nela foi gerado provém do Espírito Santo”, pois pensava em repudiá-la em segredo; tudo isto bem demonstrando que o filho não era dele.

Ao dizermos tudo isto, mais com o objetivo de oferecer uma instrução imparcial do que responder a um oponente, mostramos o porquê José era chamado de pai de Nosso Senhor e o porquê Maria era chamada de esposa de José. Isto também responde ao porquê de certas pessoas serem chamadas de “seus irmãos”. Entretanto, este último ponto encontrará seu lugar apropriado mais adiante.

Continua…
( Tradução: José Fernandes Vidal e Carlos Martins Nabeto – Central de Obras do Cristianismo Primitivo)

sábado, 4 de agosto de 2012

Virgindade Perpétua de Maria:: Escritos de São Jerônimo – Capítulos 1 e 2


Introdução – Capítulo 1

Há algum tempo, recebi o pedido de alguns irmãos para responder a um panfleto escrito por um tal Helvídio. Demorei para fazê-lo, não porque fosse tarefa difícil defender a verdade e refutar um ignorante sem cultura, que dificilmente tomou contato com os primeiros graus do saber, mas porque fiquei preocupado em oferecer uma resposta digna, que desmoronasse os seus argumentos.

Havia ainda a preocupação de que um discípulo confuso (o único sujeito do mundo que se considera clérigo e leigo; único também, como se diz, que pensa que a eloqüência consiste na tagarelice, e que falar mal de alguém torna o testemunho de boa fé) poderia passar a blasfemar ainda mais, caso lhe fosse dada outra oportunidade para discutir. Ele, então, como se estivesse sobre um pedestal, passaria a espalhar suas opiniões em todos os lugares.

Também temia que, quando caísse na realidade, passasse a atacar seus adversários de forma ainda mais ofensiva.

Mas, mesmo que eu achasse justos todos esses motivos para guardar silêncio, muito mais justamente deixaram de me influenciar a partir do instante em que um escândalo foi instaurado entre os irmãos, que passaram a acreditar nesse falatório. O machado do Evangelho deve agora cortar pela raiz essa árvore estéril, e tanto ela quanto suas folhagens sem frutos devem ser atiradas no fogo, de tal maneira que Helvídio – que jamais aprendeu a falar – possa aprender, finalmente, a controlar a sua língua.

Capítulo 2

Invoco o Espírito Santo para que Ele possa se expressar através da minha boca e, assim, defenda a virgindade da bem-aventurada Maria. Invoco o Senhor Jesus para que proteja o santíssimo ventre no qual permaneceu por aproximadamente dez meses, sem quaisquer suspeitas de colaboração de natureza sexual. Rogo também a Deus Pai para que demonstre que a mãe de Seu Filho – que se tornou mãe antes de se casar – permaneceu Virgem ainda após o nascimento de seu Filho.

Não desejamos entrar no campo da eloqüência, nem usar de armadilhas lógicas ou dos subterfúgios de Aristóteles. Usaremos as reais palavras da Escritura; [Helvídio] será refutado pelas mesmas provas que empregou contra nós, para que possa ver que lhe foi possível ler conforme está escrito, e, ainda assim, foi incapaz de perceber a conclusão de uma fé sólida.

Continua…
( Tradução: José Fernandes Vidal e Carlos Martins Nabeto – Central de Obras do Cristianismo Primitivo)

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Bento XVI prepara nova encíclica sobre a Fé

O Secretário de estado do Vaticano, Cardeal Tarcisio Bertone, afirmou no dia 02 de agosto que o Papa Bento XVI prepara uma nova encíclica sobre a Fé, como "um grande presente pelo Ano da Fé".

Ao celebrar a Missa na Igreja Paroquial de Introd, no Vale d’Aosta (Itália), onde passa uns dias de repouso, o Cardeal Bertone comunicou aos assistentes que "o Santo Padre já concluiu o terceiro volume de sua trilogia sobre a vida de Jesus, que consistirá em um manuscrito dedicado a Jesus de Nazaret", e "depois, possivelmente também tenha lugar uma encíclica".

A encíclica do Papa apareceria no contexto do Ano da Fé, estabelecido pelo Pontífice para ser celebrado de 11 de outubro de 2012 a 24 de novembro de 2013, comemorando os 50 anos do início do Concílio Vaticano II e os 20 anos da publicação do Catecismo da Igreja Católica.

Depois de escrever sobre a caridade e a esperança, uma encíclica dedicada à fé completaria as cartas que o Santo Padre dedicou às outras duas virtudes teologais: Deus caritas est (Deus é amor), de 25 de dezembro de 2005; Spe salvi (Salvos na esperança), de 2007, e Caritas in veritate (Caridade na verdade) de 2009.

Em sua homilia, o Cardeal Tarcisio Bertone assinalou, que o ministério do Papa significa "cuidar de outros, defender os mais fracos, os necessitado, e à imagem e semelhança do bom pastor, fazer resplandecer a realeza de Cristo".

ACI Digital

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Nomeação do novo prefeito do Santo Ofício

O Papa Bento XVI acolheu o pedido de renúncia apresentado já há um ano, ao completar 75 anos, pelo Cardeal William Joseph Levada, aos cargos de Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e de Presidente da Pontifícia Comissão “Ecclesia Dei” da Pontifícia Comissão Bíblica e da Comissão Teológica Internacional. Bento XVI nomeou como sucessor, nestes cargos, o bispo de Regensburg (Ratisbona), Alemanha, Dom Gerhard Ludwig Müller, de 64 anos.

O Cardeal Joseph Levada, dos Estados Unidos, ocupou a direção da Doutrina da Fé ao longo de 7 anos, desde quando seu predecessor, Joseph Ratzinger, eleito Papa após 24 anos de exercício deste cargo, lhe pediu que deixasse a responsabilidade da Arquidiocese de São Francisco para lhe suceder nesta nova responsabilidade.

Fonte: http://noticias.cancaonova.com/noticia.php?id=286652

domingo, 16 de outubro de 2011

Bento XVI anuncia "Ano da fé" e prepara Carta apostólica


Durante a homilia pronunciada durante a Missa do XIX Domingo "per annum", por ocasião do primeiro encontro internacional dos novos evangelizadores, promovido pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, o Santo Padre Bento XVI anunciou 2012 como o Ano da Fé, com início em 11 de outubro, 50º aniversário da abertura do Segundo Concílio do Vaticano, e conclusão a 24 de novembro de 2013, Solenidade de Cristo Rei do Universo.


"Será um momento de graça e compromisso para uma plena conversão a Deus, para fortalecer a nossa fé n'Ele e a anunciá-Lo com alegria ao homem do nosso tempo. Queridos irmãos e irmãs, vocês estão entre os protagonistas da nova evangelização que a Igreja iniciou e leva avante, não sem dificuldade, mas com o mesmo entusiasmo dos primeiros cristãos" - concluiu o Papa.
 
Retirado de: Direto da Sacristia

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Festa da Cátedra de Pedro

A festa da Cátedra de São Pedro em Roma é muito antiga. No século VI, porém desapareceu do calendário romano, provavelmente por cair na quaresma. Reapareceu, então, na Gália em duas datas, 18 de Janeiro, e 22 de Fevereiro, celebrando-se na primeira, a cadeira de pedro em Roma, e na segunda em Antioquia. Foi deste modo que a Igreja universal celebrou as duas festas durante muito tempo, até que em 1960, com a reforma nas rubricas, passou a ser comemorada só HOJE.

Festejar a Cátedra de Pedro, é venerar, na pessoa de Pedro, os desígnios providenciais de Deus, que o escolheu para chefe dos Apóstolos e primeiro pastor da sua Igreja. Todos os papas, bispos de Roma e seus sucessores de Pedro, são como ele foi, chefes da Igreja única e verdadeira, fundada por Nosso Senhor. Os sucessores de Pedro, tem a missão de transmitir a doutrina do Salvador, e de nos conduzir em seu nome.

"Santa Igreja, Romana, Católica

Una, excelsa, divina, imortal

Que conservas a fé apostólica

E as promessas da vida eternal!


Nós te amamos! Nós somos teus filhos!

Em teu seio queremos viver,

E, da luz que nos dás entre os brilhos,

Nos teus braços maternos morrer!


Sobre a rocha de Pedro invencível

Tu abranges a terra e os céus;

Na doutrina de Cristo infalível

Tua força, é a força de Deus!" (trecho do Hino a Santa Igreja Católica)

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

I segni esterni della Fede


I segni esterni di devozione da parte dei fedeli

Rubrica di teologia liturgica a cura di don Mauro Gagliardi

di Juan Silvestre*

Si legge nel Catechismo della Chiesa Cattolica: «Nella liturgia della Nuova Alleanza, ogni azione liturgica, specialmente la celebrazione dell’Eucaristia e dei sacramenti, è un incontro tra Cristo e la Chiesa» (CCC, n. 1097). La Liturgia è quindi “luogo” privilegiato dell’incontro dei cristiani con Dio e con Colui che Egli ha inviato, Gesù Cristo (cf. Gv 17,3).

In questo incontro l’iniziativa, come sempre, è del Signore, che si presenta, nel cuore della Ecclesia, risorto e glorioso. Di fatto, «se nella liturgia non emergesse la figura di Cristo, che è il suo principio ed è realmente presente per renderla valida, non avremmo più la liturgia cristiana, completamente dipendente dal Signore e sostenuta dalla sua presenza creatrice» (Benedetto XVI, Ai Vescovi del Brasile [norte 2], 15.04.2010).

Cristo precede l’assemblea che celebra. Egli – che agisce inseparabilmente unito allo Spirito Santo – la convoca, la riunisce e la istruisce. Per questo, la comunità, ed ogni fedele che la forma, «deve prepararsi ad incontrare il suo Signore, essere un popolo ben disposto» (CCC, n. 1098). Attraverso le parole, le azioni e i simboli che costituiscono la trama di ogni celebrazione, lo Spirito Santo pone fedeli e ministri in relazione viva con Cristo, Parola e Immagine del Padre, in modo che possano innestare nella propria vita il senso di ciò che ascoltano, contemplano e realizzano. Di qui che «ogni celebrazione sacramentale è un incontro dei figli di Dio con il loro Padre, in Cristo e nello Spirito Santo, e tale incontro si esprime come un dialogo, attraverso azioni e parole» (CCC, n. 1153).

In questo incontro l’aspetto umano è importante, come segnala anche san Josemaría Escrivá: «Io non ho un cuore per amare Dio e un altro per amare le persone della terra. Con lo stesso cuore con il quale ho amato i miei genitori e amo i miei amici, proprio con questo stesso cuore io amo Cristo e il Padre e lo Spirito Santo e Maria Santissima. Non mi stancherò mai di ripeterlo: dobbiamo essere molto umani; perché, altrimenti, non potremo essere neppure divini» (È Cristo che passa, n. 166). Per questo la fiducia filiale deve caratterizzare il nostro incontro con Cristo. Senza dimenticare tuttavia che «questa familiarità comporta anche un pericolo: quello che il sacro da noi continuamente incontrato divenga per noi abitudine. Si spegne così il timore riverenziale. Condizionati da tutte le abitudini, non percepiamo più il fatto grande, nuovo, sorprendente, che Egli stesso sia presente, ci parli, si doni a noi» (Benedetto XVI, Santa Messa del Crisma, 20.03.2008).

Uso da batina como um "Sinal exterior da Fé".
La Liturgia, e in modo speciale l’Eucaristia, «è l’incontro e l’unificazione di persone; la Persona, però, che ci viene incontro e desidera unirsi a noi è il Figlio di Dio» (Benedetto XVI, Alla Curia Romana, 22.12.2005). Il singolo e la comunità devono essere consapevoli di trovarsi davanti a Colui che è il tre volte Santo. Di qui la necessaria attitudine, piena di riverenza e di senso di stupore, che sgorga dal sapersi alla presenza della maestà di Dio. Non era forse questo ciò che Dio intendeva esprimere quando ordinò a Mosè di togliersi i sandali davanti al roveto ardente? Non nasceva da simile consapevolezza l’atteggiamento di Mosè e di Elia, che non osarono guardare Dio faccia a faccia? E non ci mostrano questa stessa disposizione d’animo i Magi che «prostratisi, lo adorarono»? I diversi personaggi del Vangelo che incontrano Gesù che passa, che perdona… non ci danno anch’essi un modello esemplare di condotta per i nostri incontri con il Figlio del Dio vivo?

In realtà, i gesti corporei esprimono e promuovono «l’intenzione e i sentimenti dei partecipanti» (IGMR, n. 42) e permettono di superare il pericolo che insidia ogni cristiano: l’abitudine. «Per noi che viviamo da sempre con il concetto cristiano di Dio e ci siamo assuefatti ad esso, il possesso della speranza, che proviene dall’incontro reale con questo Dio, quasi non è più percepibile» (Benedetto XVI, Spe salvi, n. 3). Per questo, «un segnale convincente dell’efficacia che la catechesi eucaristica ha sui fedeli è sicuramente la crescita in loro del senso del mistero di Dio presente tra noi. Ciò può essere verificato attraverso specifiche manifestazioni di riverenza verso l’Eucaristia, a cui il percorso mistagogico deve introdurre i fedeli» (Id., Sacramentum Caritatis, n. 65).

Gli atti di devozione si comprendono in modo adeguato in questo contesto di incontro con il Signore, che implica unione, «unificazione [che] può soltanto realizzarsi secondo le modalità dell’adorazione» (Id., Alla Curia Romana, 22.12.2005).
A comunhão de joelhos, outro sinal exterior da nossa fé.

Evidenziamo in primo luogo la genuflessione, «che si fa piegando il ginocchio destro fino a terra, e significa adorazione; perciò è riservata al SS.mo Sacramento e alla santa Croce, dalla solenne adorazione nell’Azione liturgica del Venerdì nella Passione del Signore fino all’inizio della Veglia pasquale» (IGMR, n. 274).

L’inchino del capo significa invece riverenza e onore. Nel Credo – eccetto nelle solennità del Natale e dell’Annunciazione (Incarnazione), nelle quali si sostituisce con la genuflessione – compiamo questo gesto pronunciando le mirabili parole: «E per opera dello Spirito Santo si è incarnato nel seno della Vergine Maria e si è fatto uomo».

Da ultimo, vogliamo mettere in luce il gesto di inginocchiarsi al momento della consacrazione e, dove si conserva quest’uso, dal Sanctus fino alla fine della Preghiera Eucaristica, o anche ricevendo la sacra Comunione. Si tratta di segni forti, che manifestano la consapevolezza di stare davanti a Qualcuno di speciale. È Cristo, il Figlio del Dio vivo, e davanti a Lui cadiamo in ginocchio. Nell’inginocchiarsi, il significato spirituale e corporeo formano un’unità, perché il gesto corporeo implica un significato spirituale e, viceversa, l’atto spirituale esige una manifestazione, una traduzione esteriore. Inginocchiarsi davanti a Dio non è qualcosa di “poco moderno”; al contrario corrisponde alla verità del nostro stesso essere. «Chi impara a credere, impara anche ad inginocchiarsi, ed una fede e una liturgia che non conoscesse più l’inginocchiarsi sarebbe malata in un punto centrale. Dove questo gesto è andato perduto, dobbiamo impararlo di nuovo, per rimanere con la nostra preghiera nella comunione degli Apostoli e dei martiri, nella comunione di tutto il cosmo, nell’unità con Gesù Cristo stesso» (J. Ratzinger, Teologia della liturgia [Opera omnia 11], LEV, Città del Vaticano 2010, p. 183).

***
[Traduzione dallo spagnolo di don Mauro Gagliardi; il prossimo articolo della rubrica sarà pubblicato il 26 gennaio]

* Don Juan Silvestre è professore di Liturgia presso la Pontificia Università della Santa Croce e Consultore della Congregazione per il Culto Divino e la Disciplina dei Sacramenti nonché dell’Ufficio delle Celebrazioni Liturgiche del Sommo Pontefice.
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