sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Testemunhos de judeus sobre a ação do Papa Pio XII durante a 2ª Grande Guerra

Alguns testemunhos de judeus sobre a ação do Papa Pio XII:

Albert Einstein, judeu:

 "A Igreja Católica foi a única a protestar contra os atentados de Hitler à liberdade. Até então eu não tinha interesse pela Igreja, mas hoje experimento grande admiração por ela¥ visto que somente a Igreja teve a coragem de se levantar em, favor da verdade espiritual e da liberdade moral".

As declarações dos líderes judeus:

1 - Albert Einstein:

“Quando aconteceu a revolução na Alemanha, olhei com confiança as universidades, pois sabia que sempre se orgulharam de sua devoção por causa da verdade. Mas as universidades foram amordaçadas. Então, confiei nos grandes editores dos diários que proclamavam seu amor pela liberdade. Mas, do mesmo modo que as universidades, também eles tiveram que se calar, sufocados em poucas semanas. Somente a Igreja permaneceu firme, em pé, para fechar o caminho às campanhas de Hitler que pretendiam suprimir a verdade. Antes eu nunca havia experimentado um interesse particular pela Igreja, mas agora sinto por ela um grande afeto e admiração, porque a Igreja foi a única que teve a valentia e a constância para defender a verdade intelectual e a liberdade moral.” [Albert Einstein, judeu alemão, Prêmio Nobel de Física, na Revista norte-americana TIME, em 23 de dezembro de 1940. Einstein teve que fugir da Alemanha nazista e foi acolhido nos EUA na universidade de Princeton]

2 – Isaac Herzog:

“O povo de Israel nunca se esquecerá o que Sua Santidade [Pio XII] e seus ilustres delegados, inspirados pelos princípios eternos da religião que formam os fundamentos mesmos da civilização verdadeira, estão fazendo por nossos desafortunados irmãos e irmãs nesta hora , a mais trágica de nossa história, que é a prova viva da divina Providência neste mundo.” [Isaac Herzog, Gran Rabino da Palestina, em 28 de fevereiro de 1944; “Actes et documents du Saint Siege relatifs a
la Seconde Guerre Mondiale”, X, p. 292.]

3 – Alexander Shafran:

“Não é fácil para nós encontrar as palavras adequadas para expressar o calor e consolo que experimentamos pela preocupação do Sumo Pontífice [Pio XII], que ofereceu uma grande soma para aliviar os sofrimentos dos judeus deportados; os judeus da Romênia nunca esqueceremos estes fatos de importância histórica.” [Alexander Shafran, Gran Rabino de Bucarest, em 7 de abril de 1944; “Actes et documents du Saint Siege relatifs a la Seconde Guerre Mondiale”, X, p. 291-292]

4 – Juez Joseph Proskauer:
“Temos ouvido em muitas partes que o Santo Padre [Pio XII] foi omisso na salvação dos refugiados na Itália, e sabemos de fontes que merecem confiança que este grande Papa estendeu suas mãos poderosas e acolhedoras para ajudar aos oprimidos na Hungria”. [Juez Joseph Proskauer, presidente do “American Jewish Committee”, na Marcha de Conscientização de 31 de julho de 1944
em Nova York]

5 – Giuseppe Nathan:

“Dirigimos uma reverente homenagem de reconhecimento ao Sumo Pontífice [Pio XII], aos religiosos e religiosas que puseram em prática as diretrizes do Santo Padre, somente viram nos perseguidos a irmãos, e com arrojo e abnegação atuaram de forma inteligente e eficaz para socorrer-nos, sem pensar nos gravíssimos perigos a que se expunham.”[Giuseppe Nathan, Comissário da União de Comunidades Israelitas Italianas, 07-09-1945]

6. A. Leo Kubowitzki:

“Ao Santo Padre [Pio XII], em nome da União das Comunidades Israelitas, o mais sentido agradecimento pela obra levada a cabo pela Igreja Católica em favor do povo judeu em toda a Europa durante a Guerra”. [ A.Leo Kubowitzki, Secretario Geral do “World Jewish Congress” (Congresso Judeu Mundial ), ao ser recebido pelo Papa em 21-09-1945]

7. William Rosenwald:

“Desejaria aproveitar esta oportunidade para render homenagem ao Papa Pio XII por seu esforço em favor das vítimas da Guerra e da opressão. Proveu ajuda aos judeus na Itália e interveio a favor dos refugiados para aliviar sua carga”. [William Rosenwald, presidente de “United Jewish Appeal for Refugees”, 17 de março de 1946, citado em 18 de março no “New York Times”.]

8 – Eugenio Zolli:

“Podem ser escritos volumes sobre as multiformes obras de socorro de Pio XII. As regras da severa clausura cairam, todas e cada uma das coisas estão a serviço da caridade. Escolas, oficinas administrativas, igrejas, conventos, todos têm seus hóspedes. Como uma sentinela diante da sagrada herança da dor humana, surge o Pastor Angélico, Pio XII. Ele viu o abismo de desgraça ao qual a humanidade se dirige. Ele mediu e prognosticou a imensidão da tragédia. Ele fez de si mesmo o arauto da voz da justiça e o defensor da verdadeira paz”. [Eugenio Zolli, em seu livro “Before the Dawn” (Antes da Aurora), 1954; seu nome original era Israel Zoller, Gran Rabino de Roma; durante a Segunda Guerra Mundial; convertido ao cristianismo em 1945, foi batizado como "Eugenio" em honra de Eugenio Pacelli, Pío XII]

9 – Golda Meir:

“Choramos a um grande servidor da paz que levantou sua voz pelas vítimas quando o terrível martírio se abateu sobre nosso povo”. [Golda Meier, ministra do Exterior de Israel, outubro de 1958, ao morrer Pío XII]

10 – Pinchas E. Lapide:
“Em um tempo em que a força armada dominava de forma indiscriminada e o sentido moral havia caído ao nível mais baixo, Pio XII não dispunha de força alguma semelhante e pôde apelar somente à moral; se viu obrigado a contrastar a violência do mal com as mãos desnudas. Poderia ter elevado vibrantes protestos, que pareceriam inclusive insensatos, ou melhor proceder passo a passo, em silêncio. Palavras gritadas ou atos silenciosos. Pio XII escolheu os atos silenciosos e tratou de salvar o que poderia ser salvo.”[Pinchas E. Lapide, historiador hebreu e consul de Israel em Milão, em sua obra "Three Popes and Jews" (Três Papas e os Judeus), Londres 1967; ele calcula que Pío XII e a Igreja salvaram com suas intervenções 850.000 vidas].

11 – Sir Martin Gilbert:

 “O mesmo Papa foi denunciado por Joseph Goebbels - ministro de Propagando do governo nazista – por haver tomado a defesa dos judeus na mensagem de Natal de 1942, onde criticou o racismo. Desempenhou também um papel, que descrevo com alguns detalhes, no resgate das três quartas partes dos judeus de Roma”.[Sir Martin Gilbert, historiador judeu inglês, especialista no Holocausto e a Segunda Guerra Mundial, em uma entrevista em 02-02-2003 no programa "In Depth", do canal de televisão C-Span].

12 – Paolo Mieri:

 “O linchamento contra Pio XII? Um absurdo. Venho de uma família de origem judia e tenho parentes que morreram nos campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial. Esse Papa [Pio XII] e a Igreja que tanto dependia dele, fizeram muitíssimo pelos judeus. Seis milhões de judeus assassinados pelos nazistas e quase um milhão de judeus salvos graças à estrutura da Igreja e deste Pontífice. Se recrimina a Pio XII por não ter dado um grito diante das deportações do gueto de Roma, mas outros historiadores têm observado que nunca viram os antifacistas correndo à estação para tratar de deter o trem dos deportados. Um dos motivos por que este importante Papa foi crucificado se deve ao fato de que tomou parte contra o universo comunista de maneira dura, forte e decidida.”[Paolo Mieri, periodista judeu italiano, ex-diretor do “Corriere della Será”, apresentando o livro “Pio XII; Il Papa degli ebrei” (Pio XII; O Papa dos hebreus), de Andrea Tornielli, a 6 de junho de 2001. ]

13 – David G. Dalin:

“Pio XII não foi o Papa de Hitler, mas o defensor maior que já tiveram os judeus, e precisamente no momento em que o necessitávamos. O Papa Pacelli foi um justo entre as nações a quem há de reconhecer haver protegido e salvado a centenas de milhares de judeus. É difícil imaginar que tantos líderes mundiais do judaísmo, em continentes tão diferentes, tenham se equivocado ou confundido a hora de louvar a conduta do Papa durante a Guerra. Sua gratidão a Pio XII permaneceu durante muito tempo, e era genuína e profunda. [David G. Dalin, rabino de Nova York e historiador, 22 de agosto de 2004, entrevistado em Rímini, Itália]



http://cleofas.com.br/historiador-judeu-revela-de-maneira-pessoal-e-encoberta-pio-xii-salvou-milhares-de-judeus/

http://cleofas.com.br/museu-de-israel-isenta-papa-pio-xii-de-culpa/

http://www.pr.gonet.biz/kb_read.php?num=1347

http://www.apostoladoscr.com.br/2011/06/13-declaracoes-de-lideres-judeus-em.html

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Como o protestantismo pode ser um retorno às origens da fé? (Parte II)

O que o Cristianismo primitivo diz de si mesmo?

1. Como o protestantismo pode ser um retorno ás origens da fé, se a Igreja Primitiva cria que na Eucaristia (Santa Ceia para os protestantes) estava presente o verdadeiro sangue e corpo de Nosso Senhor, o que é negado pela fé protestante e ensinado pela Igreja Católica?
 
"Não me agradam comida passageira, nem prazeres desta vida. Quero pão de Deus que é carne de Jesus Cristo, da descendência de Davi, e como bebida quero o sangue d'Ele, que é Amor incorruptível". (Santo Inácio de Antioquia, Carta aos Romanos, parágrafo 7, cerca de 80-110 d.C.)
 
"Apartai-vos das ervas daninhas que Jesus Cristo não cultiva, por não serem plantação do Pai. Não que tenha encontrado em vosso meio discórdias, pelo contrário encontrei um povo purificado.
Na verdade, o que são propriedade de Deus e de Jesus Cristo estão com o Bispo, e todos os que se converterem e voltarem à unidade da Igreja, pertencerão também a Deus, para terem uma vida segundo Jesus Cristo. Não vos deixeis iludir, meus irmãos. Se alguém seguir a um cismático, não herdará o reino de Deus se alguém se guiar por doutrina alheia, não se conforma com a Paixão de Cristo.

Sede solícitos em tomar parte numa só Eucaristia, porquanto uma é a carne de Nosso Senhor Jesus Cristo, um o cálice para a união com Seu sangue; um o altar, assim como também um é o Bispo, junto com seu presbitério e diáconos, aliás meus colegas de serviço. E isso, para fazerdes segundo Deus o que fizerdes" . (Santo Inácio de Antioquia,Carta aos Filadelfienses,3 e 4, + 110 d.C.)

"Esta comida nós chamamos Eucaristia, da qual ninguém é permitido participar, exceto o que creia que as coisas nós ensinamos são verdadeiras, e tenha recebido o batismo para perdão de pecados e renascimento, e que vive como Cristo nos ordenou. Nós não recebemos essas espécies como pão comum ou bebida comum; mas como Cristo Jesus nosso Salvador, que se encarnou pela Palavra de Deus, se fez carne e sangue para nossa salvação, assim também nós temos ensinado que o alimento consagrado pela Palavra da oração que vem dele, de que a carne e o sangue são, por transformação, a carne e sangue daquele Jesus Encarnado." - (São Justino, I Apologia, Cap. 66, cerca de 148-155 d.C.)

"Deus tem portanto anunciado que todos os sacrifícios oferecidos em Seu Nome, por Jesus Cristo, que está, na Eucaristia do Pão e do Cálice, que são oferecidos por nós cristãos em toda parte do mundo, são agradáveis a Ele." - (São Justino, Diálogo com Trifão, Cap. 117, 130-160 d.C.)

"Outrossim, como eu disse antes, concernente os sacrifícios que vocês, naquele tempo, ofereciam, Deus fala através de Malaquias, um dos doze, como segue:
'Eu não tenho nenhum prazer em você, diz o Senhor; e Eu não aceitarei os sacrifícios de suas mãos; do nascer do sol até seu ocaso, meu Nome tem sido glorificado dentre os gentios; e em todo o lugar incenso é oferecido em meu Nome, e uma oferta pura: Grande tem sido meu nome dentre os gentios, diz o Senhor; mas você O profana.'
Assim são os sacrifícios oferecidos a Ele, em todo lugar, por nós os gentios, que são o Pão da Eucaristia e igualmente a taça da Eucaristia, que Ele falou naquele tempo; e Ele diz que nós glorificamos Seu nome, enquanto vocês O profanam." (São Justino, Diálogo com Trifão, [41, 8-10], 130-160 d.C.)
"[Cristo] declarou o cálice, uma parte de criação, por ser seu próprio Sangue, pelo qual faz nosso sangue fluir; e o pão, uma parte de criação, ele estabeleceu como seu próprio Corpo, pelo qual Ele completa nossos corpos." (Santo Irineu de Lião, Contra Heresias, 180 d.C.)
"Assim então, se a taça misturada e o pão fabricado recebem a Palavra de Deus e tornam-se Eucaristia, que é dizer, o Sangue e Corpo de Cristo, que fortifica e reconstrói a substância de nossa carne, como podem essas pessoas dizer que a carne é incapaz de receber o presente de Deus que é a vida eterna, quando isto é feito pelo Sangue e Corpo de Cristo, que são Seu membro?
 
Como o apóstolo abençoado diz em sua carta aos Efésios, 'Nós somos membros de Seu Corpo, de sua carne e de seus ossos' (Ef 5,30). Ele não está falando de forma 'espiritual' e de ' homem invisível', 'um espírito não tem carne e ossos' (Lc 24,39).
Não, ele está falando do organismo possuído por um ser humano real, composto de carne e nervos e esqueleto. Isto é este que é nutrido pela taça que é Seu Sangue, e é fortificado pelo pão que é Seu Corpo.
O talo da vinha toma raiz na terra e futuramente dá frutos, e 'o grão de trigo cai na terra' (Jo 12,24), dissolve, ascende outra vez, multiplicado pelo Espírito de Deus, e finalmente depois é processando, é colocado para uso humano. Esses dois então recebe a Palavra de Deus e torna-se Eucaristia, que é o Corpo e Sangue de Cristo." (Cinco Livros = Desmascarando e Refutando a Falsidade)
"Somente como o pão que vem da terra, tendo recebido a invocação de Deus, não é mais pão comum, mas Eucaristia, consistindo de duas realidades, divina e terrestre, assim nossos corpos, tendo recebidos a Eucaristia, não são mais corruptíveis, porque eles têm a esperança da ressurreição." - "Cinco Livros = Desmascarando e Refutando a Falsidade - especificamente a Gnose". Livro 4,18; 4-5, cerca de 180 d.C.
"O Sangue do Senhor, realmente, é duplo. Há Seu Sangue corpóreo, por que nós somos redimidos da corrupção; e Seu Sangue espiritual, com que nós somos ungidos. Que significa: beber o Sangue de Jesus é compartilhar sua imortalidade. O vigor da Palavra é o Espírito somente como o sangue é o vigor do corpo.
Do mesmo modo, como vinho é misturado com água, assim é o Espírito com o homem. O Único, o Vinho e Água nutrido na fé, enquanto o outro, o Espírito, conduzindo-nos para a imortalidade. A união de ambos, entretanto, - da bebida e da Palavra, - é chamada Eucaristia, digna de louvor e presente excelente. Aqueles que partilham disto na fé são santificados no corpo e na alma. Pela vontade do Pai, a mistura divina, homem, está misticamente unida ao Espírito e à Palavra." (São Clemente de Alexandria, O Instrutor das Crianças". [2,2,19,4] + - 202.)
"A Palavra é tudo para uma criança: ambos Pai e Mãe, ambos Instrutor e Enfermeira. 'Comam minha Carne,' Ele diz, 'e Bebam meu Sangue.' O Senhor nos nutre com esses nutrientes íntimos. Ele nos entrega Sua Carne, e nos dá Seu Sangue; e nada é escasso para o crescimento de Suas crianças. Oh mistério incrível!". (São Clemente de Alexandria, O Instrutor das Crianças [1,6,41,3] + - 202.)
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Alessandro Lima
www.veritatis.com.br

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Como o protestantismo pode ser um retorno às origens da fé? (Parte I)

Introdução
Segundo ensinam os protestantes, a Reforma Protestante foi um movimento de retorno ao Cristianismo primitivo, este que fora totalmente esquecido pela Igreja Católica. Acusam a Igreja de alterar de adulterar o cristianismo professado nos primeiros séculos.
Um estudo sincero dos testemunhos de fé deixados pelos primeiros cristãos prova exatamente o contrário.
O retorno à fé verdadeira que os protestantes dizem confessar, é na verdade uma grande ilusão, uma grande mentira.
Na prática, o cristianismo primitivo deles é o entendimento que conseguem retirar da Bíblia, isto é, eles plasmam um cristianismo primitivo a partir da leitura que fazem da Bíblia.
Os luteranos e anglicanos, por exemplo, lendo a Bíblia entendem que o batismo deve ser ministrado também às crianças. Assim, eles crêem que desde o início do cristianismo, as crianças eram batizadas.
Já os fiéis da Assembléia de Deus, por exemplo, lendo a Bíblia entendem que o batismo deve ser ministrado apenas aos adultos.
Assim, eles creem que desde o início do cristianismo, somente os adultos eram batizados.
Os cristãos adventistas, por exemplo, lendo a Bíblia entendem que o dia Santo do Senhor é o sábado e não o domingo. Assim, eles crêem que desde o início do cristianismo, o sábado nunca deixou de ser o dia Santo do Senhor.
Além dos adventistas, as Testemunhas de Jeová lendo a Bíblia também entendem que a Santíssima Trindade não existe, então crêem que desde o início do Cristianismo nunca houve a fé na Santíssima Trindade.
Desta forma, cada confissão protestante que surge, vai modificando a história do Cristianismo, pregando que no passado era assim ou assado, conforme o que entendem das Sagradas Escrituras. É lógico que duas ou mais teses contraditórias não podem ser igualmente válidas e verdadeiras, logo o conjunto de idéias que as confissões protestantes possuem do cristianismo antigo, necessariamente não corresponde ao que realmente foi o cristianismo antigo.
Isto acontece porque os protestantes ao longo dos séculos foram cada vez mais se esquecendo da memória cristã, à medida que se enveredaram nos labirintos do Livre Exame e da Sola Scriptura.
Adotaram fundamentos que criam ser possível levá-los ao conhecimento da Verdade, mas que na prática cobriram seus olhos como um véu.
No entanto, os primeiros cristãos nos deixaram o testemunho da sua fé (os escritos patrísticos), para que jamais nos esquecêssemos da doutrina que receberam dos Santos Apóstolos.
Já que a proposta dos protestantes é o retorno ao Cristianismo Primitivo, procuraremos neste artigo apresentar alguns poucos exemplos o que o próprio Cristianismo primitivo diz de si mesmo.
 
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Alessandro Lima
www.veritatis.com.br

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

O Concílio Vaticano II, uma história nunca escrita (III): Os ‘vota’ os Padres conciliares.

Lançado em 2011 na Itália, a prestigiosa obra do Professor Roberto de Mattei, intitulada “O Concílio Vaticano II – Uma história nunca escrita”, chega agora ao público lusófono. A Editora Caminhos Romanos, detentora dos direitos sobre a versão portuguesa do laureado livro — Prêmio Acqui Storia 2011 e finalista do Pen Club Italia — , concedeu ao Fratres in Unum a exclusiva honra de divulgar alguns excertos deste trabalho que é um verdadeiro marco na historiografia do Concílio Vaticano II.
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Como os "cahiers de doléance" da Revolução Francesa.
 
Bispos no Vaticano II.No verão de 1959, chegaram a Roma, sob a forma de vota, as respostas dos bispos, dos superiores das ordens religiosas e das universidades católicas à solicitação de pareceres do Cardeal Tardini [então Secretário de Estado]. O apuramento do imenso material foi iniciado no mês de Setembro e ficou concluído em finais de Janeiro de 1960. As cerca de três mil cartas constituíram a matéria dos oito volumes de Acta et documenta concilio Vaticano II apparando" [1].
 
Uma análise atenta deste material permite hoje ao historiador -- como permitiu então ao Papa, à Cúria e à Comissão Preparatória -- obter um quadro dos desiderata do episcopado mundial nas vésperas do Concílio.
 
As solicitações dos futuros Padres conciliares, consideradas no seu conjunto, não exprimem o desejo de uma radical reviravolta, e ainda menos de uma "Revolução" no interior da Igreja [2]. Se é certo que as tendências anti-romanas de alguns episcopados afloram claramente em respostas como a do Cardeal Alfrink [3], arcebispo de Utrecht, de uma maneira geral os auspícios dos Padres são de uma "reforma" moderada, na linha da tradição. A maioria dos vota solicitava uma condenação dos males modernos, internos e externos à Igreja, sobretudo do comunismo, bem como novas definições doutrinais, nomeadamente a respeito da Bem-Aventurada Virgem Maria. Nos vota do episcopado britânico, por exemplo, está presente a denúncia dos males da sociedade contemporânea, mas não se encontram aí instâncias de uma reforma radical [4]; e mesmo entre bispos franceses, considerados dos mais progressistas, muitos pediam a condenação do marxismo ou do comunismo, e uma minoria consistente pedia a definição do dogma da mediação de Maria [5]. Quanto aos bispos belgas, Claude Soetens, que analisou os respectivos vota, sublinha ‹‹ o caráter assaz decepcionante ›› das propostas, ‹‹ que eram pouco susceptíveis de provocar uma verdadeira renovação eclesial ››, confirmando a impressão de quantos salientaram a diferença entre as respostas dos bispos à consulta de 1959 e as atitudes por eles posteriormente assumidas durante o Concílio [6].
 
Os bispos italianos, que eram os mais numerosos, queriam que o Concílio proclamasse o dogma da ‹‹ mediação universal da Bem-Aventurada Viagem Maria ›› [7]; o segundo dogma cuja definição pediam era o da Realeza de Cristo, para ser contraposto ao laicismo dominante [8]. Muitos pediam ainda ao Concílio a condenação de erros doutrinais: 91 queriam ver reiteradas a condenação do comunismo, 57 exprimiam-se contra o existencialismo ateu, 47 contra o relativismo moral, 31 contra o materialismo, 24 contra o modernismo [9]. ‹‹ Nas milhares de cartas chegadas a Roma e enviadas de todo o mundo, o comunismo era referido como o erro mais grave que o Concílio deveria condenar. Eram 286 bispos que a ele se referiam. Para além das numerosas referências ao socialismo, ao materialismo e ao ateísmo ››, refere Giovanni Turbanti [10].
 
No Relatório sintético, que enuncia os vota dos bispos por nações e foi elaborado pela Secretaria-Geral das Comissões Preparatórias, o comunismo também figura como o primeiro erro que o Concílio deveria condenar [11].
 
É interessante fazer uma analogia entre os vota dos Padres conciliares e os Cahiers de doléance redigidos em França com vista aos Estados Gerais de 1789. Antes da Revolução Francesa, nenhum destes cahiers se propunha subverter as bases do Ancien Régime, nomeadamente a monarquia e a Igreja. ‹‹ Nenhum Cahier foi redigido como se os Estados Gerais devessem ter como objectivo anular todo o poder pré-existente e criá-lo ou recriá-lo ex-novo ››, sublinha o historiador Armando Saitta [12]. Aquilo que se pedia era uma moderada reforma das instituições e não a subversão das mesmas, como inesperadamente aconteceu quando os Estados Gerais se reuniram. Também no caso do Vaticano II, conclui o Padre O'Malley, ‹‹ em geral, as respostas vinham pedir um reforço do status quo, uma condenação dos males modernos, quer no interior, quer no exterior da Igreja, e outras definições doutrinais, em especial relacionadas à Virgem Maria›› [13].
 
O Concilio não atendeu às solicitações presentes nos vota dos Padres Conciliares, optando por secundar as reivindicações de uma minoria que conseguiu, desde o princípio, digirir a assembléia e orientar as suas decisões. Esta é a conclusão irrefutável da análise dos factos históricos.
* * *
[1] Os votos foram coligidos em Acta et documenta Concilio Oecumenico Vaticano II apparando -- Series I (Antepraeparatoria), cit.. Em 2594 futuros Padres Conciliares, responderam 1988, ou seja, 77% (cf. E. FOUILLOUX), ‹‹ La fase ante-preparatoria (1959-1960) ››, cit., pp. 112-113).
 
[2] Para uma análise global dos vota veja-se À la veille du Concile Vatican II, cit., bem como Le deuxième Concile du Vatican, pp. 101-177. Para os prelados italianos, cf. MAURO VELATI, ‹‹ I consila et vota dei vescovi italiani ››, in À la veille du Concile Vatican II, cit., pp. 83-97; ROBERTO MOROZZO DELLA ROCCA, ‹‹ I "voti" dei vescovi italiani per il Concilio ›› , in Le deuxième Concile du Vatican, pp. 119-137.
 
[3] AD, I-II, pp. 509-516. Bernard Jan Alfrink (1900-1987), holandês, ordenado em 1924, arcebispo de Utrecht a partir de 1955, feito cardeal em 1960, membro da Comissão Preparatória e do Conselho dos Presidentes, Cf. FABRIZIO DE SANTIS, Alfrink, il cardinale d'Olanda, Longanesi, Milão, 1969; TON H. M. VAN SCHAIK, Alfrink, Een biografie, Authos, Amesterdão, 1997. Sobre o papel de Alfrink no Concílio, cf. Actes et Acteurs, pp. 522-553.
 
[4] Cf. SOLANGE DAYRAS, ‹‹ Les voeux de l'episcopat britannique. Reflets d'une église minoritaire ›› , in Le deuxième Concile du Vatican, pp. 139-153.
 
[5] CFf. YVES-MARIE HILAIRE, ‹‹ Les voeux des évêques français après l'annonce du Concile ››, in Le deuxième Concile du Vatican, p. 102 (pp. 101-117).
 
[6] Cf. C. SOETENS, ‹‹ Les vota des évêques belges en vue du Concile ››, in À la veille du Concile Vatican II, cit., p. 49 (pp. 38-52).
 
[7] Cf. R. MOROZZO DELLA ROCCA, ‹‹ I vota dei vescovi italiani ›› , cit., p. 127.
[8] Cf. ibid.
 
[9] Cf. ibid., pp. 119-137.
 
[10] G. TURBANTI, ‹‹ Il problema do comunismo al Concilio Vaticano II ›› , in Vatican II in Moscow, p. 149 (pp. 147-187).´
 
[11] Ibid., p. 150. Especialmente notórios são os votos das universidades católicas, como por exemplo a do Ateneu De Propaganda Fide de Roma, que apresenta um longo e aprofundado estudo do padre estigmatino Cornelio Fabro sobre as origens e a natureza do ateísmo contemporâneo. (Cf. De atheismo positivo seu constructivo ut irreligiositatis nostri temporis fundamenta, AD, I-I/1, pp. 452-463).
 
[12] ARMANDO SAITTA, Constituenti e Costituizioni della Francia rivoluzionaria e liberale (1789-1875), Giuffrè, Milão, 1975, p. 3.
 
[13] J. W. O'MALLEY, s.j., Introdução a Vatican II. Did anything happen?, cit., p. 4
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Roberto de Mattei nasceu em Roma, em 1948. Formou-se em Ciências Políticas na Universidade La Sapienza. Atualmente, leciona História da Igreja e do Cristianismo na Universidade Europeia de Roma, no seu departamento de Ciências Históricas, de que é o director. Até 2011, foi vice-presidente do Conselho Nacional de Investigação de Itália, e entre 2002 e 2006, foi conselheiro do Governo italiano para questões internacionais. É membro dos Conselhos Diretivos do Instituto Histórico Italiana para a Idade Moderna e Contemporânea e da Sociedade Geográfica Italiana. É presidente da Fundação Lepanto, com sede em Roma, e dirige as revistas Radici Cristiane e Nova Historica e colabora com o Pontifício Comitê de Ciências Históricas. Em 2008, foi agraciado pelo Papa com a comenda da Ordem de São Gregório Magno, em reconhecimento pelos relevantes serviços prestados à Igreja.

Onde encontrar:

Em Portugal – Nas maiores livrarias do país. Em Lisboa, nas livrarias Fnac e Férin (próxima ao Chiado, centro histórico). Em Porto, pelos telefones 936364150 e 911984862.

No Brasil -- Nas livrarias Loyola, da rua Barão de Itapetininga, no centro de São Paulo, e Lumen Christi, do Mosteiro de São Bento, Rio de Janeiro. Pela internet, na Livraria Petrus e Editora Ecclesiae.

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Artigos da série:
Fonte: Fratres in Unum

As imagens na Tradição da Igreja

 

A beleza e a cor das imagens estimula minha oração, disse São João Damasceno.
 
Na Encarnação do Verbo, Deus mostrou aos homens uma face visível de Deus. Os cristãos foram, então, compreendendo que segundo a pedagogia divina, deveriam passar da contemplação do visível ao invisível. As imagens, principalmente os que reproduziam personagens e cenas da história sagrada, tornaram-se “a Bíblia dos iletrados” ou analfabetos.
 
Os Reformadores protestantes rejeitaram as imagens por causa dos abusos do fim da Idade Média; Lutero, porém, se mostrou bastante liberal com as imagens; não as proibia.
 
Ultimamente entre os luteranos a atitude inococlasta (heresia que rejeitava as imagens) tem sido submetida a revisão. Lutero rejeitou os iconoclastas (quebradores de imagens) escreveu essas palavras em 1528: “Tenho como algo deixado à livre escolha as imagens, os sinos, as vestes litúrgicas e coisas semelhantes. Quem não os quer, deixe-os de lado, embora as imagens inspiradas pela Escritura e por histórias edificantes me pareçam muito úteis… Nada tenho em comum com os Iconoclastas” (Da Ceia de Cristo).
 
Nos primeiros séculos do Cristianismo, ainda encontramos alguns escritores cristãos que mostram mal-entendidos ou abusos por parte dos fiéis no uso das imagens. Mas os cristãos foram percebendo que a proibição de fazer imagens no Antigo Testamento era apenas uma questão pedagógica de Deus com o povo de Israel, para que esse não se voltasse para os ídolos. Deus proibia fazer imagens de ídolos e não de outros seres. As gerações cristãs começaram a representar e meditar as fases da vida de Jesus e a representação artística das mesmas começaram a surgir como um meio valioso para que o povo fiel se aproximasse do Filho de Deus.
 
Já nas antigas catacumbas de Roma (S. Calisto, Priscila, etc.), os antigos cemitérios cristãos, encontram-se diversos afrescos geralmente inspirados pelo texto bíblico: Noé salvo das águas do dilúvio, os três jovens cantando na fornalha, Daniel na cova dos leões, os pães e os peixes restantes da multiplicação efetuada por Jesus, o Peixe (Ichthys), que simbolizava o Cristo.
 
Note que esses cristãos dos primeiros séculos estão debaixo da perseguição dos romanos. E eles faziam imagens e pintavam figuras. Será que eram idólatras por isso? É lógico que não, eles morriam às vezes mártires exatamente para não praticarem a idolatria, reconhecendo César como Deus e lhe queimando incenso. Ora, se os nossos mártires usavam figuras pintadas, é claro que elas são legítimas.
 
Nas Igrejas as imagens tornaram-se a “Bíblia dos iletrados”, dos simples e das crianças, exercendo grande função catequética. Alguns escritores cristãos nos contam isso. São Gregório de Nissa (†394) escreveu: “O desenho mudo sabe falar sobre as paredes das igrejas e ajuda grandemente” (Panegírico de S. Teodoro, PG 94, 1248c).
 
São João Damasceno, doutor da Igreja, grande defensor das imagens no Concilio de Nicéia II, disse: “O que a Bíblia é para os que sabem ler, a imagem o é para os iletrados” (De imaginibus I 17 PG, 1248c). “Antigamente Deus, que não tem corpo nem face, não poderia ser absolutamente representado através duma imagem. Mas agora que Ele se fez ver na carne e que Ele viveu com os homens, eu posso fazer uma imagem do que vi de Deus.” “A beleza e a cor das imagens estimula minha oração. É uma festa para os meus olhos, tanto quanto o espetáculo dos campos estimula o meu coração para dar glória a Deus” (CIC, 1162). “Como fazer a imagem do invisível? Na medida em que Deus é invisível, não o represento por imagens; mas, desde que viste o incorpóreo feito homem, fazes a imagem da forma humana: já que o inviável se tornou visível na carne, pinta a semelhança do invisível” (I 8 PG 94, 1237-1240). “Outrora Deus, o Incorpóreo e invisível, nunca era representado. Mas agora que Deus se manifestou na carne e habitou entre os homens, eu represento o “visível” de Deus. Não adoro a matéria, mas o Criador da matéria” (Ibid. I 16 PG 94, 1245s).
 
O Papa São Gregório Magno († 604), doutor da Igreja, escreveu a Sereno, bispo de Marselha, que ordenou quebrar as imagens: “Tu não devias quebrar o que foi colocado nas Igrejas não para ser adorado, mas simplesmente para ser venerado. Uma coisa é adorar uma imagem, outra coisa é aprender, mediante essa imagem, a quem se dirigem as tuas preces. O que a Escritura é para aqueles que sabem ler, a imagem o é para os ignorantes; mediante essas imagens aprendem o caminho a seguir. A imagem é o livro daqueles que não sabem ler” (epist. XI 13 PL 77, 1128c).
 
Nos séculos VIII e IX surgiu na Igreja a disputa em torno do uso das imagens, a questão iconoclasta. Por influência do judaísmo, do islamismo, de seitas e de antigas heresias cristológicas, muitos cristãos do Oriente começaram a negar a legitimidade do culto das imagens. Os imperadores bizantinos, de Constantinopla, tomaram parte na disputa, por motivos políticos mais do que por razões religiosas. Desencadeada sob o Imperador bizantino Leão Isáurico (717-741), a controvérsia das imagens foi levada ao Concílio de Nicéia II (787).
Com base nos sólidos argumentos de grandes teólogos como São João Damasceno, doutor da Igreja, este Concilio reafirmou a validade do culto de veneração (não adoração) das imagens. O Concílio distinguiu entre Iatréia (em grego adoração), devida somente a Deus, e proskynesis (veneração), tributável aos santos e também às imagens sagradas na medida em que estas representam os santos ou o próprio Senhor; o culto às imagens é, portanto, relativo, só se explica na medida em que é tributado indiretamente àqueles que as imagens representam.
 
Assim se pronunciaram os padres conciliares: “Definimos que, como as representações da Cruz, assim também as veneráveis e santas imagens, em pintura, em mosaico ou de qualquer outra matéria adequada, devem ser expostas nas santas igrejas de Deus (sobre os santos utensílios e os paramentos, sobre as paredes e de quadros), nas casas e nas entradas. O mesmo se faça com a imagem de Deus Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, com as da santa Mãe de Deus, com as dos santos Anjos e as de todos os santos e justos. Quanto mais os fiéis contemplarem essas representações, mais serão levados a recordar-se dos modelos originais, a se voltar para eles, e lhes testemunhar … uma veneração respeitosa, sem que isto seja adoração, pois esta só convém, segundo a nossa fé, a Deus” (sessão 7, 13 de outubro de 787; Denzinger-Schönmetzer, Enchridion Symbolorum nº 600s).
 
Note, então, que muito antes da Reforma Protestante, a Igreja já tinha estudado o uso das imagens; isto foi cerca de 750 anos antes da Reforma. A sagrada Tradição da Igreja, sempre assistida pelo Espírito Santo (cf. Jo14,15.25; 16,12-13) sempre reconheceu o valor pedagógico e psicológico das imagens como um auxílio para a vida de oração. Todos os santos da Igreja, em todas as épocas, valorizaram as imagens. Santa Teresa de Ávila († 1582), ao ensinar as vias da oração às suas Religiosas, dizia: “Eis um meio que vos poderá ajudar… Cuidai de ter uma imagem ou uma pintura de Nosso Senhor que esteja de acordo com o vosso gosto. Não vos contenteis com trazê-las sobre o vosso coração sem jamais a olhar, mas servi-vos da mesma para vos entreterdes muitas vezes com Ele” (Caminho de Perfeição, cap. 43,1).
 
Prof. Felipe Aquino
Fonte: http://blog.cancaonova.com/felipeaquino/2012/11/06/as-imagens-na-tradicao-da-igreja/

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Comemoração dos Finados


No dia 2 de novembro, a sagrada Liturgia se lembra de modo especial dos fiéis defuntos. Depois de ter celebrado - no dia anterior, festa de Todos os Santos - os triunfos de seus filhos que já alcançaram a glória do Céu, a Igreja dirige seu maternal desvelo para aqueles que sofrem no Purgatório e clamam com o salmista: "Tirai-me desta prisão, para que possa agradecer ao vosso nome. Os justos virão rodear-me, quando me tiverdes feito este benefício" (Sl 141, 8).

A gênese dessa celebração está na famosa abadia de Cluny, quando seu quinto Abade, Santo Odilon, instituiu no calendário litúrgico cluniacense a "Festa dos Mortos", dando especial oportunidade a seus monges de interceder pelos defuntos, ajudando-os a alcançarem a bemaventurança do Céu.
A partir de Cluny, essa comemoração foi-se estendendo entre os fiéis até ser incluída no Calendário Litúrgico da Igreja, tornando- se uma devoção habitual, em todo o mundo católico.
 
Talvez o leitor, como milhares de outros fiéis, tenha o costume de visitar o cemitério nesse dia, para recordar os familiares e amigos falecidos, e por eles orar. Muitos cristãos, porém, não prestam ouvidos aos apelos de seu coração, que os move a sentir saudades de seus entes queridos e a aliviálos com uma prece. Talvez por falta de cultura religiosa, ou por falta de alguém que as incentive ou oriente, muitas pessoas nem vêem a necessidade de rezar pelas almas dos falecidos.
 
A inúmeras outras, a existência do Purgatório causa estranheza e antipatia.
 
Seja como for, tanto por amor às almas que esperam ver-se livres de suas manchas para entrarem no Paraíso, quanto para estimular em nós a caridade para com esses irmãos necessitados, como também para nosso próprio proveito, vejamos o "porquê" e o "para quê" da existência do Purgatório.
 
 

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

A decandência do Anglicanismo


Anglicanos ontem

Anglicanos hoje
[...]
 
Os anglicanos acham-se herdeiros dos católicos ingleses que já existiam desde Santo Agostinho de Cantuária, mas na verdade, como denominação, surgem apenas na Reforma.
 

Os anglicanos costumam considerar-se "católicos anglicanos", em contraposição a nós, "católicos romanos". Isso porque, de um lado, o termo "anglicano" significa, literalmente, "inglês"; por outro, crêem que a Reforma na Inglaterra tenha sido apenas um cisma, não uma heresia. Daí considerarem (especialmente, a High Church) que mantêm a Sucessão Apostólica.

São católicos? Evidente que não! Aliás, sequer são igreja no sentido estrito do termo, visto lhes faltar a Sucessão Apostólica. São, pois, protestantes, ainda que em "vestes católicas". Sua teologia é protestante (ainda que com resquícios católicos), e sua liturgia é bem próxima da católica (embora INEFICAZ e NULA sua "missa", pois lhes falta Sucessão Apostólica). Em algumas igrejas mais anglo-católicas, o culto é belíssimo, com cantos do Uso de Sarum (antigo rito inglês anterior a Trento), trechos em latim, muitas vestes lindas, incenso etc.

São protestantes em com certos resquícios católicos. Mas tais resquícios, frise-se, NÃO os torna católicos.
 
Nem sequer estão em cisma (como os "ortodoxos"), porém em heresia. Apesar de chamarem seus líderes de Bispos, falta-lhes o essencial: a Sucessão Apostólica.

A Sucessão Apostólica é a linha que liga um Bispo validamente sagrado a um dos Apostólos. Tal linha se dá através do sacramento da Ordem em seu máximo grau, o episcopado.

Ora, todo sacramento tem matéria, forma, ministro e intenção. Para que a Igreja Anglicana, pois, tenha um legítimo sacramento da Ordem, e, portanto, um verdadeiro episcopado, para inserir-se na Sucessão Apostólica, precisamos analisar o rito pelo qual os anglicanos pretendem conferir as ordenações.

É possível que nos primórdios, a Igreja Anglicana, que era apenas um cisma, conservasse a Sucessão Apostólica e a tenha passado adiante. Possuía verdadeiros Bispos, e eles sagraram outros segundo o rito romano levemente alterado para receber fórmulas do antigo rito celta (ou uso de Sarum). Nesse rito, estavam previstas a forma e a matéria autênticas, e o ministro era válido (um Bispo), bem como havia ainda a intenção de, pela Ordem, dar sacerdotes à Igreja. Era apenas um cisma, não uma heresia.

Com o novo Ordinale do rei Eduardo, composto por Thomas Cranmer, as coisas se modificaram. Ainda existiam Bispos válidos (em cisma, ilícitos, mas válidos), e talvez alguns até tivessem a intenção de dar sacerdotes pela Ordem. Todavia, não estavam mais previstas, no novo rito, a forma e a matéria válidas. Mais ainda: a própria intenção de, pela Ordem, conferir o sacerdócio, não estava presente em todos os Bispos ordenantes, de vez que a heresia protestante dominava boa parte da Igreja Anglicana da época.

Assim, havia dois grupos: o dos Bispos que tinham mentalidade católica e o dos que tinham mentalidade protestante. Os Bispos "católicos" não ordenavam validamente por defeito de forma e de matéria. Os Bispos "protestantes" não ordenavam validamente por defeito de forma, de matéria e também de intenção.
 
Portanto, dessa geração de Bispos válidos, a Sucessão Apostólica não passou. Os Bispos válidos não puderam conferir verdadeiro sacerdócio aos seus ordenandos. A linha da Sucessão se perdeu.
 
 
Com a morte do último Bispo válido da Igreja Anglicana, ela perdeu a Sucessão Apostólica.

Em conseqüência, a partir de então, nem mais Bispos válidos tiveram. E, assim, além dos defeitos de forma, matéria e intenção, outro se lhe juntou: o de ministro.

Com o tempo, algumas reformas foram feitas na liturgia anglicana e alguns defeitos de forma e de matéria foram supridos em certos livros litúrgicos. Contudo, resta ainda o problema da intenção e do ministro, de vez que grande parte do anglicanismo não acredita no sacerdócio hierárquico (e, portanto, não tem intenção de ordenar sacerdotes, mas meros pregadores, ministros religiosos, administradores de sacramentos) e também porque perderam o episcopado.

Enfim, não há Sucessão Apostólica na Igreja Anglicana por defeito de forma (mesmo que alguns usem ritos nos quais ela é suprida, isso não é maioria), de matéria (idem), de intenção (ainda que alguns ramos anglo-católicos da High Church tenham verdadeira intenção de dar sacerdotes, essa crença não é geral, até porque os 39 Artigos de Religião têm uma compreensão distinta), e de ministro (ainda que tivessem válida forma, válida matéria, e válida intenção, faltam-lhes válidos Bispos para "passar adiante" a Sucessão).

Não foi outra a conclusão da Bula Apostolicae Curae, de Leão XIII:

"Por isto, e aderindo estritamente, neste caso, aos decretos dos pontífices, nossos predecessores, e confirmando-os mais completamente, e, como o foi, renovando-os por nossa autoridade, de nossa própria iniciativa e de conhecimento próprio, pornunciamos e declaramos que as ordenações conduzidas de acordo com o rito Anglicano foram, e são, absolutamente nulas e totalmente inválidas." (Papa Leão XIII, Bula Apostolicae Cureae, 36)
http://www.papalencyclicals.net/Leo13/l13curae.htm
A Igreja Anglicana oficial, no Brasil, é a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, em comunhão com Cantuária e com todas as Igrejas Anglicanas oficiais do mundo.

Além da Comunhão Anglicana, que reconhece a primazia de honra da Sé de Cantuária (sé primacial da Igreja da Inglaterra - anglicana), existem outras comunhões: a Comunhão Anglicana Independente, o Movimento Anglicano Continuante etc. São igrejas que se separaram de Cantuária e das respectivas Igrejas Anglicanas oficiais por entenderem-nas heterodoxas ou com práticas contrárias à sua doutrina. São o cisma do cisma, a separação dos já hereges.

Entre essas anglicanas "separadas", há a Igreja Anglicana Continuante, a Igreja Anglicana Católica, a Igreja Anglicana Livre, a Igreja Anglicana Ortodoxa, algumas delas com presença no Brasil.

Lembro, entretanto, que a o termo "católica" é usado não só pela Igreja Anglicana Católica (essa seita que saiu do anglicanismo oficial), mas pela Igreja Anglicana ligada à Cantuária também.
 
 

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Anglicanos, quem são eles?

Anglicanos, quem são eles?


Os anglicanos eram de início, um mero cisma e nesse momento tinham a sucessão. Mais tarde, ao aderirem princípios do protestantismo, perderam a intenção de fazer o que a Igreja faz e, além disso, usaram por certo período uma forma inválida.

Portanto, o troco central do anglicanismo não tem sucessão por uma falha de forma e intenção. Digo o "tronco central" porque após as declarações de Roma no século XIX verificando a invalidade das ordens anglicanas, pequenos grupos anglo-católicos conseguiram a sucessão por meio de "ortodoxos" ou vétero-católicos com sucessão.

Foi São Gregório Magno que mandou um de seus monges – Santo Agostinho de Cantuária (que não é o famoso Santo Agostinho, bispo de Hipona, na África) catequizar os anglos. Santo Agostinho se tornou o grande Apóstolo da Inglaterra, Arcebispo de Canterbury, e primaz da Inglaterra.

Os reis ingleses, desde muito cedo, tentaram dominar a Igreja. Para isto se aproveitavam das dificuldades de comunicação com Roma, para se apossarem de bens da Igreja, e pretenderem dar a investidura aos Bispos, direito que é do Papa. Essa tentativa de dominar a Igreja na Inglaterra causou perseguições a Santo Anselmo, assim como o assassinato de São Thomas Becket. (ambos arcebispos de Cantuária).

São Tomás Becket sofreu exílio durante anos, para não ceder às pretensões regalistas do Rei Henrique II. Quando o próprio Papa Alexandre III cedeu às intrigas do rei, São Thomas Becket teve que voltar à Inglaterra, sabendo que o rei o mataria. E foi o que aconteceu. São Thomas Becket foi assassinado na própria catedral de Canterbury.

Foi martirizado por defender os direitos do Papa e as imunidades da Igreja, frente as pretensões absolutistas do rei Henrique II da dinastia Plantageneta. Isso foi no século XII. As tendências regalistas dos reis da Inglaterra prosseguiram. A decadência do poder papal cresceu a partir do século XIV, quando os reis da França forçaram os Papas a residirem em Avignon.

Inglaterra e Alemanha passaram a ver o Papa como um mero capelão do rei da França e não mais como juiz imparcial entre as nações da Cristandade. Este foi um dos motivos que auxiliaram a Alemanha e a Inglaterra a caírem na heresia e no cisma, pela Reforma, no século XVI.

O nascimento da pseudoigreja anglicana foi motivado, em primeiro lugar, pelo desejo do Rei Henrique VIII de se divorciar de sua esposa Catarina de Aragão.

Essa rainha era filha dos reis de Espanha, Isabel de Castela e Fernando de Aragão, e ela se casara, com o Rei da Inglaterra, irmão de Henrique VIII, mas esse rei morreu sem consumar o casamento com ela.

Inglaterra e Espanha, então, pediram ao Papa que concedesse licença a Henrique VIII, irmão e herdeiro do rei falecido e que não consumara o casamento com Catarina de Aragão, a casar-se com ela, afim de manter a aliança das duas nações.

Roma, tendo em vista que o casamento se dera apenas no papel, permitiu a Henrique VIII que se casasse com Catarina, visto que eles eram cunhados apenas documentalmente, e não realmente. Eles se casaram e tiveram uma filha, Maria Tudor, que será Rainha da Inglaterra.

O casal real não teve filhos homens, a rainha Catarina tendo sofrido várias perdas de gestação por aborto involuntário, é claro. Depois de quase trinta anos de matrimônio, Henrique VIII se apaixonou por uma mulher leviana e protestante, Ana Bolena, e pretendeu anular seu casamento com Catarina de Aragão, porque ela seria sua "cunhada".

Para isto ele pediu ao Papa que anulasse o seu casamento, assim como a licença que ele pedira a Roma – e que Roma dera – para casar-se com Catarina de Aragão. O Papa negou a Henrique VIII a nulidade de seu casamento com Catarina, reafirmando que o casamento fora legítimo.

Como o Papa não cedeu nem a subornos, nem a ameaças, o Rei Henrique VIII proclamou-se chefe supremo da Igreja na Inglaterra, concedeu a si mesmo o divórcio e a licença para casar-se com Ana Bolena (de cuja mãe ele fora amante). Casou-se com Ana Bolena, e foi excomungado por sua rebeldia contra Roma, por assumir a chefia da Igreja na Inglaterra.

Ele forçou o episcopado inglês a apoiá-lo. Só o Bispo de Exeter, João Fisher, resistiu e permaneceu fiel ao Papa. Henrique VIII cortou-lhe a cabeça, e o Papa proclamou São João Fisher mártir da Fé.
Outro martírio importante foi o de Thomas Morus, antigo Chanceler de Inglaterra, que não aceitou a usurpação da chefia da Igreja por Henrique VIII, e nem o divórcio do Rei.

Henrique VIII decapitou Thomas Morus, que o Papa, por isso, elevou aos altares como mártir. Houve uma perseguição enorme contra aqueles que se mantinham fiéis ao Papa, havendo inúmeros martírios de sacerdotes e de leigos.

O Rei teve de Ana Bolena uma filha, Isabel, que vai ser a rainha que consolidará o cisma e a heresia anglicana. Entretanto, o Rei não ficou muito tempo com Ana Bolena. O fato de que ela não teve um filho, como o rei queria, e o fato de que o rei já não tinha paixão por ela, levaram-no a querer se livrar dela.

Isso não foi difícil.

O Rei se aproveitou de provas das ligações sexuais de Ana Bolena com cortesãos – ele a acusou até de ser amante do próprio irmão dela – para condená-la à morte por adultério. O Rei se casou seis vezes, tendo matado várias de suas amantes. A última só se salvou do patíbulo, porque o rei morreu antes.

A coroa inglesa foi herdada pela legítima filha de Henrique VIII e Catarina de Aragão, Maria Tudor, que era católica, e que fez a Inglaterra voltar à união com Roma. Ela se casou com o Rei da Espanha Felipe II, mas eles não tiveram filhos.

A filha bastarda de Henrique VIII e de Ana Bolena, Isabel, era protestante secretamente, e como ela pretendia ter direito à Coroa – e os anglicanos esperavam que ela subisse ao trono e rompesse, de novo, com Roma – a Rainha Maria Tudor a manteve sob vigilância, e, depois presa.

Felipe II, esposo da Rainha Maria Tudor, se interessou por Isabel, quis conhecê-la, e quando a conheceu, apaixonou-se por ela. Desde então, vendo que Maria Tudor não teria filhos porque já era muito velha, planejou casar-se com Isabel, para manter a aliança com a Inglaterra e manter esse país unido a Roma católica.

Quando Maria Tudor descobriu que Isabel se envolvera numa conspiração para matar a rainha e assumir a coroa, a Rainha quis condenar Isabel à morte, mas Felipe II não permitiu que isso ocorresse, protegendo Isabel.

Ao morrer a Rainha Maria Tudor, o trono inglês deveria ter passado para Maria Stuart, Rainha católica da Escócia, mas Felipe II favoreceu Isabel, e foi esta que subiu ao trono inglês.

Inicialmente, Isabel I, procurou disfarçar sua verdadeira posição religiosa, que só foi revelando aos poucos. Quando se sentiu firme no poder, ela rompeu, de novo, com o Papa, e restabeleceu o anglicanismo. Foi ela a verdadeira consolidadora da religião anglicana.
Quando o Papa tomou conhecimento dessa traição, excomungou Isabel como herege.

Felipe II procurou impedir – e durante certo tempo conseguiu fazer isso – que a notícia da excomunhão chegasse na Inglaterra, colocando a frota espanhola guardando o Canal da Mancha para impedir que qualquer navio levasse o decreto de excomunhão para a Inglaterra.

Ele fez pior. Procurou casar-se com Isabel, chegando a fazer o seu embaixador dizer a ela que, por amor dela, ele seria capaz de renunciar à Religião.

Graças a Deus, esse plano de casamento de Felipe II com Isabel I falhou.

Isabel nunca se casou. Passou à História inglesa com o epíteto de "a Rainha Virgem", apesar de ter tido onze amantes. Ela era feiticeira, e favoreceu a pirataria, tornado-se participante dos lucros dos piratas ingleses. Ela perseguiu os católicos de modo brutal.

Prendeu e matou sua prima Maria Stuart. Favoreceu o protestantismo por toda a parte.

Fez triunfar o anglicanismo na Inglaterra.

Texto de William Thomas Walsh, Felipe II, (Ed. Espasa Calpe, Madrid, 1958).

Estamos presenciando um momento histórico com a conversão em massa dos anglicanos pelo Ordinariato oferecido pelo Romano Pontifice. Rezemos por todos os anglicanos, por toda a Igreja e especialmente por Sua Santidade o Papa Bento XVI, gloriosamente reinante.

Que a união dos anglicanos descontentes à Igreja Católica sirva de exemplo para que outros cristãos separados também se incorporem à Una Sancta. "E haverá apenas um só rebanho e um só pastor!"

Espero que não demore o dia em que os ortodoxos estarão em plena comunhão com a Sé Romana.

PARA CITAR ESTE ARTIGO:

A liturgia anglicana tradicional. David A. Conceição, agosto de 2012, blogue Tradição em Foco com Roma.??????????
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