quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Homilia de Bento XVI na Solenidade da Epifania do Senhor


Queridos irmãos e irmãs,


na Solenidade da Epifania, a Igreja continua a contemplar e a celebrar o mistério do nascimento de Jesus Salvador. Em particular, a recorrência de hoje sublinha a destinação e o significado universais desse nascimento. Fazendo-se homem no ventre de Maria, o Filho de Deus veio não somente para o povo de Israel, representado pelos pastores de Belém, mas também para a humanidade inteira, representada pelos Magos. E é exatamente sobre os Magos e sobre seu caminho na busca do Messias (cf. Mt 2,1-12) que a Igreja nos convida hoje a meditar e rezar. No Evangelho, escutamos que esses, chegando a Jerusalém do Oriente, perguntaram: "Onde está aquele que nasceu, o rei dos Judeus? Vimos despontar a sua estrela e viemos para adorá-lo" (v. 2). Que tipo de pessoas eram, e que espécie de estrela era aquela? Eram, provavelmente, sábios que escrutavam o céu, mas não para buscar "ler" nos astros o futuro, eventualmente para ganhar algum dinheiro; eram, mais que tudo, homens "em busca" de algo mais, em busca da verdadeira luz, que seja capaz de indicar a estrada a percorrer na vida. Eram pessoas convictas de que, na criação, existe aquilo que poderíamos definir como a "marca" de Deus, uma marca que o homem pode e deve tentar descobrir e decifrar. Talvez o melhor modo para conhecer esses Magos e entender o seu desejo de deixar-se guiar pelos sinais de Deus seja determo-nos em considerar aquilo que encontraram, em seu caminho, na grande cidade de Jerusalém.

Antes de tudo, encontraram o rei Herodes. Certamente, ele era interessado no menino de que falavam os Magos; não, no entanto, com o objetivo de adorá-Lo, como desejou dar a entender, mentindo, mas para suprimi-Lo. Herodes é um homem de poder, que no outro consegue ver somente um rival a combater. No fundo, se refletirmos bem, também Deus parece-lhe um rival, antes, um rival particularmente perigoso, que desejaria privar os homens do seu espaço vital, da sua autonomia, do seu poder; um rival que indica a estrada a percorrer na vida e impede, assim, de fazer tudo aquilo que se quer. Herodes escuta de seus especialistas nas Sagradas Escrituras as palavras do profeta Miqueias (5,1), mas o seu único pensamento é o trono. Portanto, Deus mesmo deve ser ofuscado e as pessoas devem ser reduzidas a meras peças a serem movidas no grande tabuleiro do poder. Herodes é um personagem que não nos é simpático e que, instintivamente, julgamos de modo negativo pela sua brutalidade. Mas deveríamos perguntar-nos: talvez haja algo de Herodes também em nós? Talvez também nós, às vezes, vemos Deus como uma espécie de rival? Talvez também nós estejamos cegos diante de seus sinais, surdos às suas palavras, porque pensamos que Ele põe limites na nossa vida e não nos permite dispor da existência a nosso bel-prazer? Queridos irmãos e irmãs, quando vemos Deus desse modo, acabamos sentindo-nos insatisfeitos e descontentes, porque não nos deixamos guiar por Aquele que está no fundamento de todas as coisas. Devemos tolher da nossa mente e do nosso coração a ideia da rivalidade, a ideia de que dar espaço para Deus seja um limite para nós mesmos; devemos abrir-nos à certeza de que Deus é o amor onipotente que não tolhe nada, não ameaça, antes, é o Único capaz de oferecer-nos a possibilidade de viver em plenitude, de provar a verdadeira alegria.

Os Magos, depois, encontram os estudiosos, os teólogos, os especialistas que sabem tudo sobre as Sagradas Escrituras, que conhecem as possíveis interpretações, que são capazes de citar de memória cada trecho e que, portanto, são um precioso auxílio para quem deseja percorrer o caminho de Deus. No entanto, afirma Santo Agostinho, esses amam ser guias para os outros, indicam a estrada, mas não caminham , permanecem imóveis. Para eles, as Escrituras tornam-se uma espécie de atlas para ler com curiosidade, um conjunto de palavras e de conceitos a examinar e sobre o qual discutir doutamente. Mas, novamente, podemos perguntar-nos: não há também em nós a tentação de considerar as Sagradas Escrituras, este tesouro riquíssimo e vital para a fé da Igreja, mais como um objeto para o estudo e discussão dos especialistas que como o Livro que nos indica o caminho para chegar à vida? Penso que, como indiquei na Exortação apostólica Verbum Domini, deveria nascer sempre de novo em nós a disposição profunda de ver a palavra da Bíblia, lida na Tradição viva da Igreja (n. 18), como a verdade que nos diz o que é o homem e como ele pode realizar-se plenamente, a verdade que é a via a se percorrer cotidianamente, juntamente com os outros, se desejamos construir a nossa existência sobre a rocha e não sobre a areia.

E vemos, assim, a estrela. Que tipo de estrela era aquela que os Magos viram e seguiram? Ao longo dos séculos, essa pergunta foi objeto de discussão entre os astrônomos. Keplero, por exemplo, acreditava que se tratasse de uma "nova" ou uma "supernova", isto é, de uma daquelas estrelas que normalmente emanam uma luz fraca, mas que podem ter improvisadamente uma violenta explosão interna que produz uma luz excepcional. Sim, coisas interessantes, mas que não nos levam ao que é essencial para compreender aquela estrela. Devemos voltar-nos para o fato de que aqueles homens buscavam os traços de Deus; buscavam ler a sua "marca" na criação; sabiam que "os céus narram a glória de Deus" (Sal 19,2); eram convictos, isto é, de que Deus pode ser entrevisto na criação. Mas, por serem sábios, sabiam também que não é com um telescópio qualquer, mas com os olhos profundos da razão em busca do sentido último da realidade e com o desejo motivado pela fé que é possível encontrá-Lo, que se torna possível que Deus se aproxime de nós. O universo não é resultado do acaso, como alguns desejam fazer-nos crer. Contemplando-o, somos convidados a ler algo de profundo: a sabedoria do Criador, a inexaurível criatividade de Deus, o seu infinito amor por nós. Não devemos deixar-nos limitar a mente por teorias que chegam sempre somente até certo ponto e que – se olharmos bem – não estão em concorrência com a fé, mas não chegam a explicar o sentido último da realidade. Na beleza do mundo, no seu mistério, na sua grandeza e na sua racionalidade não podemos deixar de ler a racionalidade eterna, e não podem deixar de guiar-nos ao único Deus, criador do céu e da terra. Se tivermos esse olhar, veremos que Aquele que criou o mundo e Aquele que nasceu em uma gruta em Belém e continua a habitar em meio a nós na Eucaristia é o próprio Deus vivo, que nos interpela, ama-nos, deseja conduzir-nos à vida eterna.

Herodes, os especialistas nas Escrituras, a estrela. No entanto, sigamos o caminho dos magos que chegam a Jerusalém. Sobre a grande cidade, a estrela desaparece, não se vê mais. O que isso significa? Também nesse caso devemos ler o sinal em profundidade. Para aqueles homens, era lógico buscar o novo rei no palácio real, onde encontram-se os sábios conselheiros de corte. Mas, provavelmente com espanto, tiveram que constatar que aquele recém-nascido não se encontrava nos lugares do poder e da cultura, mesmo que lá tenham sido oferecidas preciosas informações sobre Ele. Se deram conta, pelo contrário, que, muitas vezes, o poder, também aquele da consciência, fica no caminho de encontro com aquele Menino. A estrela guiou-lhes então a Belém, uma pequena cidade; guiou-lhes entre os pobres, entre os humildes, para encontrar o Rei do mundo. Os critérios de Deus são diferentes daqueles dos homens; Deus não se manifesta no poder deste mundo, mas na humildade do seu amor, aquele amor que requer a nossa liberdade de ser acolhido para transformar-nos e tornar-nos capazes de chegar Àquele que é o Amor. Mas também para nós as coisas não são assim tão diferentes de como eram para os Magos. Se fosse pedido o nosso parecer sobre como Deus deveria salvar o mundo, talvez responderíamos que devesse manifestar todo o seu poder para dar ao mundo um sistema econômico mais justo, em que todos pudessem ter tudo aquilo que desejassem. Na realidade, isso seria uma espécie de violência contra o homem, porque o privaria de elementos fundamentais que o caracterizam. Com efeito, não seriam chamados em causa a nossa liberdade, nem o nosso amor. O poder de Deus manifesta-se de modo completamente diferente: em Belém, onde encontramos a aparente impotência do seu amor. E é para lá que nós devemos andar, e é lá que re-encontraremos a estrela de Deus.

Assim aparece-nos bem claro um último elemento importante do acontecimento dos Magos: a linguagem do criado permite-nos percorrer um bom trecho da estrada rumo a Deus, mas não nos dá a luz definitiva. No final, para os Magos, foi indispensável escutar a voz das Sagradas Escrituras: somente essas podiam indicar o seu caminho. É a Palavra de Deus a verdadeira estrela que, na incerteza dos discursos humanos, oferece-nos o imenso esplendor da verdade divina. Queridos irmãos e irmãs, deixemo-nos guiar pela estrela, que é a Palavra de Deus, sigamo-la na nossa vida, caminhando com a Igreja, onde a palavra montou sua tenda. A nossa estrada será sempre iluminada por uma luz que nenhum outro sinal pode nos dar. E poderemos, também nós, tornar-nos estrelas para os outros, reflexo daquela luz que Cristo fez resplandecer sobre nós. Amém!

sábado, 25 de dezembro de 2010

Homilia de Bento XVI na Missa da Noite do Natal do Senhor


SOLENIDADE DO NATAL DO SENHOR

HOMILIA DO SANTO PADRE BENTO XVI

Basílica Vaticana
24 de Dezembro de 2010

Amados irmãos e irmãs!

"Tu és meu filho, Eu hoje te gerei" – com estas palavras do Salmo segundo, a Igreja dá início à liturgia da Noite Santa. Ela sabe que esta frase pertencia, originariamente, ao rito da coroação do rei de Israel. O rei, que por si só é um ser humano como os outros homens, torna-se "filho de Deus" por meio do chamamento e entronização na sua função: trata-se de uma espécie de adoção por parte de Deus, uma ata da decisão, pela qual Ele concede a este homem uma nova existência, atraindo-o para o seu próprio ser. De modo ainda mais claro, a leitura tirada do profeta Isaías, que acabamos de ouvir, apresenta o mesmo processo numa situação de tribulação e ameaça para Israel: "Um menino nasceu para nós, um filho nos foi concedido. Tem o poder sobre os ombros" (9, 5). A entronização na função régia é como um novo nascimento. E, precisamente como recém-nascido por decisão pessoal de Deus, como menino proveniente de Deus, o rei constitui uma esperança. O futuro assenta sobre os seus ombros. É o detentor da promessa de paz. Na noite de Belém, esta palavra profética realizou-se de um modo que, no tempo de Isaías, teria ainda sido inimaginável. Sim, agora Aquele sobre cujos ombros está o poder é verdadeiramente um menino. N’Ele aparece a nova realeza que Deus institui no mundo. Este menino nasceu verdadeiramente de Deus. É a Palavra eterna de Deus, que une mutuamente humanidade e divindade. Para este menino, são válidos os títulos de dignidade que lhe atribui o cântico de coroação de Isaías: Conselheiro admirável, Deus forte, Pai para sempre, Príncipe da paz (9, 5). Sim, este rei não precisa de conselheiros pertencentes aos sábios do mundo. Em Si mesmo traz a sapiência e o conselho de Deus. Precisamente na fragilidade de menino que é, Ele é o Deus forte e assim nos mostra, face aos pretensiosos poderes do mundo, a fortaleza própria de Deus.

Na verdade, as palavras do rito da coroação em Israel não passavam de palavras rituais de esperança, que de longe previam um futuro que haveria de ser dado por Deus. Nenhum dos reis, assim homenageados, correspondia à sublimidade de tais palavras. Neles, todas as expressões sobre a filiação de Deus, sobre a entronização na herança dos povos, sobre o domínio das terras distantes (Sal 2, 8) permaneciam apenas presságio de um futuro – como se fossem painéis sinalizadores da esperança, indicações apontando para um futuro que então era ainda inconcebível. Assim o cumprimento da palavra, que tem início na noite de Belém, é ao mesmo tempo imensamente maior e – do ponto de vista do mundo – mais humilde do que a palavra profética deixava intuir. É maior, porque este menino é verdadeiramente Filho de Deus, é verdadeiramente "Deus de Deus, Luz da Luz, gerado, não criado, consubstancial ao Pai". Fica superada a distância infinita entre Deus e o homem. Deus não Se limitou a inclinar o olhar para baixo, como dizem os Salmos; Ele "desceu" verdadeiramente, entrou no mundo, tornou-Se um de nós para nos atrair a todos para Si. Este menino é verdadeiramente o Emanuel, o Deus conosco. O seu reino estende-se verdadeiramente até aos confins da terra. Na imensidão universal da Sagrada Eucaristia, Ele verdadeiramente instituiu ilhas de paz. Em todo o lado onde ela é celebrada, temos uma ilha de paz, daquela paz que é própria de Deus. Este menino acendeu, nos homens, a luz da bondade e deu-lhes a força para resistir à tirania do poder. Em cada geração, Ele constrói o seu reino a partir de dentro, a partir do coração. Mas é verdade também que "o bastão do opressor" não foi quebrado. Também hoje marcha o calçado ruidoso dos soldados e temos ainda incessantemente a "veste manchada de sangue" (Is 9, 3-4). Assim faz parte desta noite o júbilo pela proximidade de Deus. Damos graças porque Deus, como menino, Se confia às nossas mãos, por assim dizer mendiga o nosso amor, infunde a sua paz no nosso coração. Mas este júbilo é também uma prece: Senhor, realizai totalmente a vossa promessa. Quebrai o bastão dos opressores. Queimai o calçado ruidoso. Fazei com que o tempo das vestes manchadas de sangue acabe. Realizai a promessa de "uma paz sem fim" (Is 9, 6). Nós Vos agradecemos pela vossa bondade, mas pedimos-Vos também: mostrai a vossa força. Instituí no mundo o domínio da vossa verdade, do vosso amor – o "reino da justiça, do amor e da paz".

"Maria deu à luz o seu filho primogênito" (Lc 2, 7). Com esta frase, São Lucas narra, de modo absolutamente sóbrio, o grande acontecimento que as palavras proféticas, na história de Israel, tinham com antecedência vislumbrado. Lucas designa o menino como "primogênito". Na linguagem que se foi formando na Sagrada Escritura da Antiga Aliança, "primogênito" não significa o primeiro de uma série de outros filhos. A palavra "primogênito" é um título de honra, independentemente do fato se depois se seguem outros irmãs e irmãs ou não. Assim, no Livro do Êxodo, Israel é chamado por Deus "o meu filho primogênito" (Ex 4, 22), exprimindo-se deste modo a sua eleição, a sua dignidade única, o particular amor de Deus Pai. A Igreja nascente sabia que esta palavra ganhara uma nova profundidade em Jesus; que n’Ele estão compendiadas as promessas feitas a Israel. Assim a Carta aos Hebreus chama Jesus "o primogênito" simplesmente para O qualificar, depois das preparações no Antigo Testamento, como o Filho que Deus manda ao mundo (cf. Heb 1, 5-7). O primogênito pertence de maneira especial a Deus, e por isso – como sucede em muitas religiões – devia ser entregue de modo particular a Deus e resgatado com um sacrifício de substituição, como São Lucas narra no episódio da apresentação de Jesus no templo. O primogênito pertence a Deus de modo particular, é por assim dizer destinado ao sacrifício. No sacrifício de Jesus na cruz, realiza-se de uma forma única o destino do primogênito. Em Si mesmo, Jesus oferece a humanidade a Deus, unindo o homem e Deus de uma maneira tal que Deus seja tudo em todos. Paulo, nas Cartas aos Colossenses e aos Efésios, ampliou e aprofundou a ideia de Jesus como primogênito: Jesus – dizem-nos as referidas Cartas – é o primogênito da criação, o verdadeiro arquétipo segundo o qual Deus formou a criatura-homem. O homem pode ser imagem de Deus, porque Jesus é Deus e Homem, a verdadeira imagem de Deus e do homem. Ele é o primogênito dos mortos: dizem-nos ainda aquelas Cartas. Na Ressurreição, atravessou o muro da morte por todos nós. Abriu ao homem a dimensão da vida eterna na comunhão com Deus. Por fim, é-nos dito: Ele é o primogênito de muitos irmãos. Sim, agora Ele também é o primeiro de uma série de irmãos, isto é, o primeiro que inaugura para nós a vida em comunhão com Deus. Cria a verdadeira fraternidade: não a fraternidade, deturpada pelo pecado, de Caim e Abel, de Rômulo e Remo, mas a fraternidade nova na qual somos a própria família de Deus. Esta nova família de Deus começa no momento em que Maria envolve o "primogênito" em faixas e O reclina na manjedoura. Supliquemos-Lhe: Senhor Jesus, Vós que quisestes nascer como o primeiro de muitos irmãos, dai-nos a verdadeira fraternidade. Ajudai-nos a tornarmo-nos semelhantes a Vós. Ajudai-nos a reconhecer no outro que tem necessidade de mim, naqueles que sofrem ou estão abandonados, em todos os homens, o vosso rosto, e a viver, juntamente convosco, como irmãos e irmãs para nos tornarmos uma família, a vossa família.

No fim, o Evangelho de Natal narra-nos que uma multidão de anjos do exército celeste louvava a Deus e dizia: "Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens que Ele ama" (Lc 2, 14). A Igreja ampliou este louvor que os anjos entoaram à vista do acontecimento da Noite Santa, fazendo dele um hino de júbilo sobre a glória de Deus. "Nós Vos damos graças por vossa imensa glória". Nós Vos damos graças pela beleza, pela grandeza, pela bondade de Deus, que, nesta noite, se tornam visíveis para nós. A manifestação da beleza, do belo, torna-nos felizes sem que devamos interrogar-nos sobre a sua utilidade. A glória de Deus, da qual provém toda a beleza, faz explodir em nós o deslumbramento e a alegria. Quem vislumbra Deus, sente alegria; e, nesta noite, vemos algo da sua luz. Mas a mensagem dos anjos na Noite Santa também fala dos homens: "Paz aos homens que Ele ama". A tradução latina desta frase, que usamos na Liturgia e remonta a São Jerônimo, interpreta diversamente: "Paz aos homens de boa vontade". Precisamente nos últimos decênios, esta expressão "os homens de boa vontade" entrou de modo particular no vocabulário da Igreja. Mas qual é a tradução justa? Devemos ler, juntas, as duas versões; só assim compreendemos retamente a frase dos anjos. Seria errada uma interpretação que reconhecesse apenas o agir exclusivo de Deus, como se Ele não tivesse chamado o homem a uma resposta livre e amorosa. Mas seria errada também uma resposta moralizante, segundo a qual o homem com a sua boa vontade poder-se-ia, por assim dizer, redimir a si próprio. As duas coisas andam juntas: graça e liberdade; o amor de Deus, que nos precede e sem o qual não O poderemos amar, e a nossa resposta, que Ele espera e até no-la suplica no nascimento do seu Filho. O entrelaçamento de graça e liberdade, o entrelaçamento de apelo e resposta não podemos dividi-lo em partes separadas uma da outra. Ambas estão indivisivelmente entrançadas entre si. Assim esta frase é simultaneamente promessa e apelo. Deus precedeu-nos com o dom do seu Filho. E, sempre de novo e de forma inesperada, Deus nos precede. Não cessa de nos procurar, de nos levantar todas as vezes que o necessitamos. Não abandona a ovelha extraviada no deserto, onde se perdeu. Deus não se deixa confundir pelo nosso pecado. Sempre de novo recomeça conosco. Todavia espera que amemos juntamente com Ele. Ama-nos para que nos seja possível tornarmo-nos pessoas que amam juntamente com Ele e, assim, possa haver paz na terra.

Lucas não disse que os anjos cantaram. Muito sobriamente, escreve que o exército celeste louvava a Deus e dizia: "Glória a Deus nas alturas…" (Lc 2, 13-14). Mas desde sempre os homens souberam que o falar dos anjos é diverso do dos homens; e que, precisamente nesta noite da jubilosa mensagem, tal falar foi um canto no qual brilhou a glória sublime de Deus. Assim, desde o início, este canto dos anjos foi entendido como música vinda de Deus, mais ainda, como convite a unirmo-nos ao canto com o coração em júbilo pelo fato de sermos amados por Deus. Diz Santo Agostinho: Cantare amantis est – cantar é próprio de quem ama. Assim ao longo dos séculos, o canto dos anjos tornou-se sempre de novo um canto de amor e de júbilo, um canto daqueles que amam. Nesta hora, associemo-nos, cheios de gratidão, a este cantar de todos os séculos, que une céu e terra, anjos e homens. Sim, Senhor, nós Vos damos graças por vossa imensa glória. Nós Vos damos graças pelo vosso amor. Fazei que nos tornemos cada vez mais pessoas que amam juntamente convosco e, consequentemente, pessoas de paz. Amém.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Cardeal Vallini denuncia perseguição “sutil e silenciosa”

Retirado de: Zenit

Existe outra forma de perseguição”, que é “sutil e silenciosa, mas não menos grave, nas nações de longa tradição cristã, que hoje parecem querer esquecer suas raízes”.


O vigário do Papa para Roma, cardeal Agostino Vallini, fez essa afirmação durante a celebração da missa anual pela França, no dia 13 de dezembro, na catedral do Papa, a basílica de São João de Latrão, em Roma.

“O mundo de hoje precisa de cristãos que professem sua fé com valentia e que, também nas dificuldades, permaneçam fiéis a Cristo, reconheçam-no e o mostrem aos homens de nosso tempo como único Salvador”, disse.

O purpurado começou sua homilia destacando que a história da comunidade cristã, desde o início, esteve marcada pela perseguição.

Depois ele recordou que “ainda hoje, em diferentes partes do mundo, os discípulos de Jesus são objeto de vexações e cruéis violências” e se referiu a “nossos irmãos que, nos últimos meses, têm sofrido no Oriente Médio e em alguns países da Ásia”.

Dom Vallini chamou a atenção para outra forma de perseguição, que se dá em países cristãos, onde a fé está “cada vez mais marginalizada e reduzida a um ato privado”.

Nesses lugares – de acordo com o prelado – a fé não poderia ter nenhuma influência pública e, portanto, não deveria oferecer sua contribuição para a construção de uma sociedade autenticamente humana, em que o homem, cada homem, fosse reconhecido pelo que é, e não pelo que tem, com base em sua dignidade.

“O individualismo crescente e a busca do bem-estar pessoal ou nacional são o sintoma mais evidente disso”, lamentou.

Palavra de Deus

O cardeal Vallini propôs a Palavra de Deus e os mártires como “uma luz” e “um dom precioso colocado perante nós para que encontremos a força e a valentia de viver como discípulos de Cristo”.

“A meditação da Sagrada Escritura, através da prática da lectio divina, encontra-se na base de toda existência que queira ser autenticamente cristã”, afirmou.

Em seguida, ele se referiu aos santos Bernardo de Claravall, Francisco de Sales e Teresa de Lisieux como “exemplos luminosos de homens e mulheres” dedicados na França à leitura orante da Palavra de Deus.

O cardeal afirmou a necessidade de se aderir sempre a Jesus Cristo e não se deixar intimidar pelas ideologias contemporâneas que pretendem ter autoridade sobre a vida do homem.

“A verdadeira liberdade é estar unido a Cristo, e a felicidade, para o homem, consiste em doar-se a si mesmo, imitando o divino Mestre”, afirmou.

A missa pro natione gallica se celebra todo ano em São João de Latrão, no dia do aniversário do rei Henrique IV, que fez esta exigência ao realizar uma doação generosa ao Capítulo de Latrão, em 1604.

Este rei tinha herdado um reino fortemente dividido entre católicos e protestantes. Ao se converter ao catolicismo, adotou uma legislação que concedeu aos protestantes uma importante liberdade religiosa (Edito de Nantes, 1598), o que permitiu pacificar o reino.

domingo, 28 de novembro de 2010

Homilia de Bento XVI na Vígilia pela Vida Nascente



Queridos irmãos e irmãs,


com esta celebração vespertina, o Senhor nos dá a graça e a alegria de abrir o novo Ano Litúrgico, iniciando pela sua primeira etapa: o Advento, o período que faz memória da vinda de Deus entre nós. Todo o início traz em si uma graça particular, porque é abençoado pelo Senhor. Neste Advento nos será dada, mais uma vez, a oportunidade de fazer a experiência da proximidade d'Aquele que criou o mundo, que orienta a história e que tomou conta de nós, alcançando o cume de sua condescendência ao fazer-se homem. Exatamente o mistério grande e fascinante de Deus conosco, mais ainda, de Deus que se fez um de nós, é que celebraremos nas próximas semanas, caminhando em direção ao Santo Natal. Durante o tempo do Advento, sentiremos a Igreja que nos toma pela mão e, à semelhança de Maria Santíssima, expressa a sua maternidade fazendo-nos experimentar a alegre expectativa da vinda do Senhor, que abraça a todos no seu amor que salva e consola.

Enquanto os nossos corações abrem-se rumo à celebração anual do nascimento de Cristo, a liturgia da Igreja orienta o nosso olhar à meta definitiva: o encontro com o Senhor que virá no esplendor da sua glória. Por isso nós que, em toda a Eucaristia, "anunciamos a sua morte, proclamamos a sua ressurreição, na expectativa da sua vinda", vigiamos em oração. A liturgia não cessa de encorajar-nos e sustentar-nos, colocando em nossos lábios, nos dias do Advento, o grito com o qual se encerra toda a Sagrada Escritura, na última página do Apocalipse de São João: "Vem, Senhor Jesus!" (22, 20).

Queridos irmãos e irmãs, o nosso reunir-se nesta noite para iniciar o caminho do Advento enriquece-se por um outro importante motivo: com toda a Igreja, desejamos celebrar solenemente uma vigília de oração pela vida nascente. Desejo expressar o meu agradecimento a todos aqueles que aderiram a esse convite e a quantos se dedicam de modo específico a acolher e proteger a vida humana nas diversas situações de fragilidade, em particular nos seus inícios e nos seus primeiros passos. Propriamente o início do Ano Litúrgico faz-nos viver novamente a expectativa de Deus que se faz carne no seio da Virgem Maria, de Deus que se faz pequeno, torna-se criança; fala-nos da vinda de um Deus próximo, que desejou percorrer a vida do homem, desde os inícios, e isso para salvá-la totalmente, em plenitude. E, assim, o mistério da Encarnação do Senhor e o início da vida humana estão intimamente e harmonicamente conectados entre si dentro do único projeto salvífico de Deus, Senhor da vida de todos e de cada um. A Encarnação revela-nos com intensa luz e de modo surpreendente que toda a vida humana tem uma dignidade altíssima, incomparável.


O homem apresenta uma originalidade inconfundível com relação a todos os outros seres vivos que povoam a terra. Apresenta-se como sujeito único e singular, dotado de inteligência e vontade livre, ainda que composto de realidades materiais. Vive simultaneamente e indivisivelmente na dimensão espiritual e na dimensão corpórea. Sugere isso também o texto da Primeira Carta aos Tessalonicenses que foi proclamado: "O Deus da paz –escreve São Paulo – vos conceda santidade perfeita. Que todo o vosso ser, espírito, alma e corpo, seja conservado irrepreensível para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo!" (5, 23). Somos, portanto, espírito, alma e corpo. Somos parte deste mundo, ligados às possibilidades e aos limites da condição material; ao mesmo tempo, somos abertos a um horizonte infinito, capaz de dialogar com Deus e de acolhê-lo em nós. Operamos nas realidades terrenas e, através dessas, podemos perceber a presença de Deus e tender a Ele, verdade, bondade e beleza absoluta. Saboreamos fragmentos de vida e felicidade e anelamos à plenitude total.

Deus ama-nos de modo profundo, total, sem distinções; chama-nos à amizade com Ele; torna-nos participantes de uma realidade que ultrapassa toda a imaginação e todo o pensamento e palavra: a sua própria vida divina. Com comoção e gratidão tomemos consciência do valor, da dignidade incomparável de toda a pessoa humana e da grande responsabilidade que temos com relação a todos. "Cristo, novo Adão, na própria revelação do mistério do Pai e do seu amor, revela o homem a si mesmo e descobre-lhe a sua vocação sublime. [...] Pela sua encarnação, Ele, o Filho de Deus, uniu-se de certo modo a cada homem" (Constituição Gaudium et Spes, 22).

Crer em Jesus Cristo comporta também ter um olhar novo sobre o homem, um olhar de confiança, de esperança. De resto, a própria experiência e a reta razão atestam que o ser humano é um sujeito capaz de entender e desejar, autoconsciente e livre, irrepetível e insubstituível, vértice de todas as realidades terrenas, que exige ser reconhecido como valor em si mesmo e merece ser acolhido sempre com respeito e amor. Ele tem o direito de não ser tratado como um objeto a se possuir, ou como uma coisa que se pode manipular a bel prazer, de não ser tornado um puro instrumento em vantagem de outros e seus interesses. A pessoa é um bem em si mesma e é preciso buscar sempre o seu desenvolvimento integral. O amor por todos, portanto, se é sincero, tende espontaneamente a dar atenção preferencial aos mais débeis e pobres. Sobre essa linha, coloca-se a solicitude da Igreja pela vida nascente, a mais frágil, a mais ameaçada pelo egoísmo dos adultos e do obscurecimento de consciência. A Igreja continuamente reafirma aquilo que declarou o Concílio Vaticano II contra o aborto e toda a violação da vida nascente: "A vida, uma vez concebida, deve ser protegida com o máximo cuidado" (Ibid., n. 51).

Há tendências culturais que buscam anestesiar as consciências com motivações espúrias. Com relação ao embrião no ventre materno, a própria ciência coloca em evidência a autonomia capaz de interação com a mãe, a coordenação dos processos biológicos, a continuidade do desenvolvimento, a crescente complexidade do organismo. Não se trata de um acúmulo de material biológico, mas de um novo ser vivente, dinâmico e maravilhosamente ordenado, um novo indivíduo da espécie humana. Assim aconteceu com Jesus no seio de Maria; assim foi com cada um de nós, no ventre de nossa mãe. Com o antigo autor cristão Tertuliano, podemos afirmar: "É já um homem aquele que o será" (Apologetico, IX, 8); não há nenhuma razão para não considerá-lo pessoa desde a sua concepção.

Infelizmente, também após o nascimento, a vida das crianças continua a ser exposta ao abandono, à fome, à miséria, à doença, aos abusos, à violência, à exploração. As múltiplas violações de seus direitos que se cometem no mundo ferem dolorosamente a consciência de todo o homem de boa vontade. Diante do triste panorama das injustiças cometidas contra a vida do homem, antes e depois do nascimento, faço meu o apaixonado apelo do Papa João Paulo II à responsabilidade de todos e de cada um: "Respeita, defende, ama e serve a vida, cada vida humana! Unicamente por esta estrada, encontrarás justiça, progresso, verdadeira liberdade, paz e felicidade" (Encíclica Evangelium vitae, 5). Exorto os protagonistas da política, da economia e da comunicação social a fazer o que esteja ao seu alcance para promover uma cultura sempre respeitosa pela vida humana, para procurar condições favoráveis e retas de apoio ao acolhimento e desenvolvimento dessa vida.

À Virgem Maria, que acolheu o Filho de Deus feito homem com a sua fé, com o seu ventre materno, com carinho, com acompanhamento solidário e vibrante de amor, confiamos a oração e o empenho a favor da vida nascente. Fazemo-lo na liturgia – que é o lugar onde vivemos a verdade e onde a verdade vive conosco – adorando a divina Eucaristia, em que contemplamos o Corpo de Cristo, aquele Corpo que encarnou em Maria por obra do Espírito Santo, e d'Ela nasce em Belém, para a nossa salvação. Ave, verum Corpus, natum de Maria Virgine! Amém.

sábado, 27 de novembro de 2010

Omelia del Santo Padre Benedetto XVI

Por: Missa Gregoriana em Portugal

Cari fratelli e sorelle,


con questa celebrazione vespertina, il Signore ci dona la grazia e la gioia di aprire il nuovo Anno Liturgico iniziando dalla sua prima tappa: l’Avvento, il periodo che fa memoria della venuta di Dio fra noi. Ogni inizio porta in sé una grazia particolare, perché benedetto dal Signore. In questo Avvento ci sarà dato, ancora una volta, di fare esperienza della vicinanza di Colui che ha creato il mondo, che orienta la storia e che si è preso cura di noi giungendo fino al culmine della sua condiscendenza con il farsi uomo. Proprio il mistero grande e affascinante del Dio con noi, anzi del Dio che si fa uno di noi, è quanto celebreremo nelle prossime settimane camminando verso il santo Natale. Durante il tempo di Avvento sentiremo la Chiesa che ci prende per mano e, ad immagine di Maria Santissima, esprime la sua maternità facendoci sperimentare l’attesa gioiosa della venuta del Signore, che tutti ci abbraccia nel suo amore che salva e consola.

Mentre i nostri cuori si protendono verso la celebrazione annuale della nascita di Cristo, la liturgia della Chiesa orienta il nostro sguardo alla meta definitiva: l’incontro con il Signore che verrà nello splendore della sua gloria. Per questo noi che, in ogni Eucaristia, “annunciamo la sua morte, proclamiamo la sua risurrezione nell’attesa della sua venuta”, vigiliamo in preghiera. La liturgia non si stanca di incoraggiarci e di sostenerci, ponendo sulle nostre labbra, nei giorni di Avvento, il grido con il quale si chiude l’intera Sacra Scrittura, nell’ultima pagina dell’Apocalisse di san Giovanni: “Vieni, Signore Gesù!” (22,20).

Cari fratelli e sorelle, il nostro radunarci questa sera per iniziare il cammino di Avvento si arricchisce di un altro importante motivo: con tutta la Chiesa, vogliamo celebrare solennemente una veglia di preghiera per la vita nascente. Desidero esprimere il mio ringraziamento a tutti coloro che hanno aderito a questo invito e a quanti si dedicano in modo specifico ad accogliere e custodire la vita umana nelle diverse situazioni di fragilità, in particolare ai suoi inizi e nei suoi primi passi. Proprio l’inizio dell’Anno Liturgico ci fa vivere nuovamente l’attesa di Dio che si fa carne nel grembo della Vergine Maria, di Dio che si fa piccolo, diventa bambino; ci parla della venuta di un Dio vicino, che ha voluto ripercorrere la vita dell’uomo, fin dagli inizi, e questo per salvarla totalmente, in pienezza. E così il mistero dell’Incarnazione del Signore e l’inizio della vita umana sono intimamente e armonicamente connessi tra loro entro l’unico disegno salvifico di Dio, Signore della vita di tutti e di ciascuno. L’Incarnazione ci rivela con intensa luce e in modo sorprendente che ogni vita umana ha una dignità altissima, incomparabile.

L’uomo presenta un’originalità inconfondibile rispetto a tutti gli altri esseri viventi che popolano la terra. Si presenta come soggetto unico e singolare, dotato di intelligenza e volontà libera, oltre che composto di realtà materiale. Vive simultaneamente e inscindibilmente nella dimensione spirituale e nella dimensione corporea. Lo suggerisce anche il testo della Prima Lettera ai Tessalonicesi che è stato proclamato: “Il Dio della pace – scrive san Paolo – vi santifichi interamente, e tutta la vostra persona, spirito, anima e corpo, si conservi irreprensibile per la venuta del Signore nostro Gesù Cristo” (5,23). Siamo dunque spirito, anima e corpo. Siamo parte di questo mondo, legati alle possibilità e ai limiti della condizione materiale; nello stesso tempo siamo aperti su un orizzonte infinito, capaci di dialogare con Dio e di accoglierlo in noi. Operiamo nelle realtà terrene e attraverso di esse possiamo percepire la presenza di Dio e tendere a Lui, verità, bontà e bellezza assoluta. Assaporiamo frammenti di vita e di felicità e aneliamo alla pienezza totale.

Dio ci ama in modo profondo, totale, senza distinzioni; ci chiama all’amicizia con Lui; ci rende partecipi di una realtà al di sopra di ogni immaginazione e di ogni pensiero e parola: la sua stessa vita divina. Con commozione e gratitudine prendiamo coscienza del valore, della dignità incomparabile di ogni persona umana e della grande responsabilità che abbiamo verso tutti. “Cristo, che è il nuovo Adamo – afferma il Concilio Vaticano II – proprio rivelando il mistero del Padre e del suo amore, svela anche pienamente l’uomo a se stesso e gli manifesta la sua altissima vocazione ... Con la sua incarnazione il Figlio di Dio si è unito in certo modo ad ogni uomo” (Cost. Gaudium et spes, 22).

Credere in Gesù Cristo comporta anche avere uno sguardo nuovo sull’uomo, uno sguardo di fiducia, di speranza. Del resto l’esperienza stessa e la retta ragione attestano che l’essere umano è un soggetto capace di intendere e di volere, autocosciente e libero, irripetibile e insostituibile, vertice di tutte le realtà terrene, che esige di essere riconosciuto come valore in se stesso e merita di essere accolto sempre con rispetto e amore. Egli ha il diritto di non essere trattato come un oggetto da possedere o come una cosa che si può manipolare a piacimento, di non essere ridotto a puro strumento a vantaggio di altri e dei loro interessi. La persona è un bene in se stessa e occorre cercare sempre il suo sviluppo integrale. L’amore verso tutti, poi, se è sincero, tende spontaneamente a diventare attenzione preferenziale per i più deboli e i più poveri. Su questa linea si colloca la sollecitudine della Chiesa per la vita nascente, la più fragile, la più minacciata dall’egoismo degli adulti e dall’oscuramento delle coscienze. La Chiesa continuamente ribadisce quanto ha dichiarato il Concilio Vaticano II contro l’aborto e ogni violazione della vita nascente: “La vita, una volta concepita, deve essere protetta con la massima cura” (ibid., n. 51).
Ci sono tendenze culturali che cercano di anestetizzare le coscienze con motivazioni pretestuose. Riguardo all’embrione nel grembo materno, la scienza stessa ne mette in evidenza l’autonomia capace d’interazione con la madre, il coordinamento dei processi biologici, la continuità dello sviluppo, la crescente complessità dell’organismo. Non si tratta di un cumulo di materiale biologico, ma di un nuovo essere vivente, dinamico e meravigliosamente ordinato, un nuovo individuo della specie umana. Così è stato Gesù nel grembo di Maria; così è stato per ognuno di noi, nel grembo della madre. Con l’antico autore cristiano Tertulliano possiamo affermare: “E’ già un uomo colui che lo sarà” (Apologetico, IX, 8); non c’è alcuna ragione per non considerarlo persona fin dal concepimento.

Purtroppo, anche dopo la nascita, la vita dei bambini continua ad essere esposta all’abbandono, alla fame, alla miseria, alla malattia, agli abusi, alla violenza, allo sfruttamento. Le molteplici violazioni dei loro diritti che si commettono nel mondo feriscono dolorosamente la coscienza di ogni uomo di buona volontà. Davanti al triste panorama delle ingiustizie commesse contro la vita dell’uomo, prima e dopo la nascita, faccio mio l’appassionato appello del Papa Giovanni Paolo II alla responsabilità di tutti e di ciascuno: “Rispetta, difendi, ama e servi la vita, ogni vita umana! Solo su questa strada troverai giustizia, sviluppo, libertà vera, pace e felicità” (Enc. Evangelium vitae, 5). Esorto i protagonisti della politica, dell’economia e della comunicazione sociale a fare quanto è nelle loro possibilità, per promuovere una cultura sempre rispettosa della vita umana, per procurare condizioni favorevoli e reti di sostegno all’accoglienza e allo sviluppo di essa.

Alla Vergine Maria, che ha accolto il Figlio di Dio fatto uomo con la sua fede, con il suo grembo materno, con la cura premurosa, con l’accompagnamento solidale e vibrante di amore, affidiamo la preghiera e l’impegno a favore della vita nascente. Lo facciamo nella liturgia - che è il luogo dove viviamo la verità e dove la verità vive con noi - adorando la divina Eucaristia, in cui contempliamo il Corpo di Cristo, quel Corpo che prese carne da Maria per opera dello Spirito Santo, e da lei nacque a Betlemme, per la nostra salvezza. Ave, verum Corpus, natum de Maria Virgine! Amen.

© Copyright 2010 - Libreria Editrice Vaticana

domingo, 21 de novembro de 2010

Homilia de Bento XVI na Missa de entrega do anel cardinalício

Senhores Cardeais,

Venerados Irmãos no Episcopado e no Sacerdócio,
Queridos irmãos e irmãs!

Na Solenidade de Cristo Rei do Universo, temos a alegria de reunir-nos em torno do Altar do Senhor juntamente com os 24 novos cardeais que, ontem, eu agreguei ao Colégio Cardinalício. A esses, antes de tudo, destino a minha cordial saudação, que estendo aos outros Purpurados e a todos os Prelados presentes; da mesma forma às distintas Autoridades, aos Senhores Embaixadores, aos sacerdotes, aos religiosos e a todos os fiéis, vindos de várias partes do mundo para essa feliz circunstância, que se reveste de um forte caráter de universalidade.

Muitos de vós deveis ter notado que também o precedente Consistório Público para a criação dos Cardeais, ocorrido em novembro de 2007, foi celebrado na vigília da solenidade de Cristo Rei. Passaram-se três anos e, então, segundo o ciclo litúrgico dominical, a Palavra de Deus vem-nos ao encontro através das mesmas Leituras bíblicas, próprias desta importante festividade. Essa se coloca no último domingo do ano litúrgico e apresenta-nos, ao final do itinerário da fé, o rosto real de Cristo, como o Pantocrator na abside de uma antiga basílica. Essa coincidência convida-nos a meditar profundamente sobre o mistério do Bispo de Roma e sobre aquele, a esse ligado, dos Cardeais, à luz da singular Realeza de Jesus, nosso Senhor.

O primeiro serviço do Sucessor de Pedro é aquele da fé. No Novo testamento, Pedro torna-se "pedra" da Igreja enquanto portador do Credo: o "nós" da Igreja Inicia com o nome daquele que professou por primeiro a fé em Cristo, inicia com a sua fé; uma fé inicialmente amarga e ainda "demasiado humana", mas então, depois da Páscoa, madura e capaz de seguir a Cristo até o dom de si; madura no crer que Jesus é verdadeiramente o Rei; que o é exatamente porque permaneceu sobre a Cruz e, daquele modo, deu vida para os pecadores. No Evangelho, vê-se que todos pedem que Jesus desça da cruz. Zombavam dele, mas também é um modo de se desculpar, como quem diz: não é culpa nossa se tu estás aí sobre a cruz; é somente culpa tua, porque, se tu fosses verdadeiramente Filho de Deus, o Rei dos Judeus, tu não estarias aí, mas te salvarias descendo daquele patíbulo infame. Portanto, se permaneces ali, isso significa que tu estás errado e nós temos razão.

O drama que se desenrola sob a cruz de Jesus é um drama universal; diz respeito a todos os homens frente a Deus, que se revela por aquilo que é, isto é, Amor. Em Jesus Crucificado, a divindade é desfigurada, despojada de toda a glória visível, mas está presente e real. Somente a fé sabe reconhecê-la: a fé de Maria, que une no seu coração também essa última peça do mosaico da vida de seu Filho; Ela não vê ainda tudo, mas continua a confiar em Deus, repetindo mais uma vez com o próprio abandono "Eis a serva do Senhor" (Lc 1,38). E aí está a fé do bom ladrão: uma fé muito rudimentar, mas suficiente para assegurar-lhe a salvação: "Hoje estarás comigo no paraíso". Decisivo é aquele "comigo". Sim, é isso que o salva. Certo, o bom ladrão está sobre a cruz como Jesus, mas, sobretudo, está sobre a cruz com Jesus. E, ao contrário do outro malfeitor, e de todos os outros que o escarnecem, não pede a Jesus que desça da cruz, nem que o faça descer. Diz, ao contrário: "Lembra-te de mim quando entrares no teu reino". Vê-o na cruz, desfigurado, irreconhecível, mas, no entanto, confia-se a Ele como a um rei, antes, como ao Rei. O bom ladrão crê naquilo que está escrito na tábua sobre a testa de Jesus: "O rei dos Judeus": crê, e se entrega. Por isto está já, subitamente, no "hoje" de Deus, no paraíso, porque paraíso é isto: estar com Jesus, estar com Deus.

Aqui então, queridos Irmãos, emerge claramente a primeira e fundamental mensagem que a Palavra de Deus hoje diz a nós: a mim, Sucessor de Pedro, e a vós, Cardeais. Chama-nos a estar com Jesus, como Maria, e a não lhe pedir que desça da cruz, mas estar ali com Ele. E isso, por ocasião do nosso ministério, devemos fazê-lo não somente por nós mesmos, mas por toda a Igreja, por todo o povo de Deus. Sabemos dos Evangelhos que a cruz foi um ponto crítico da fé de Simão Pedro e dos outros Apóstolos. É claro e não podia ser diferente: eram homens e pensavam "segundo os homens"; não podiam tolerar a ideia de um Messias Crucificado. A "conversão" de Pedro realiza-se plenamente quando renuncia ao desejar "salvar" Jesus e aceita ser salvo por Ele. Renuncia ao desejar salvar Jesus da cruz e aceita ser salvo pela sua cruz. "Eu roguei por ti, para que a tua confiança não desfaleça; e tu, por tua vez, confirma os teus irmãos" (Lc 22,32), diz o Senhor. O ministério de Pedro consiste todo na sua fé, uma fé que Jesus reconhece prontamente, desde o início, como genuína, como dom do Pai celeste; mas uma fé que deve passar através do escândalo da cruz, para tornar-se autêntica, verdadeiramente "cristã", para tornar-se "pedra" sobre a qual Jesus possa constituir a sua Igreja. A participação no Senhorio de Cristo verifica-se concretamente somente na partilha com a sua base, com a Cruz. Também o meu ministério, queridos irmãos, e por consequência também o vosso, consiste todo na fé. Jesus pode construir sobre nós a sua Igreja tanto quanto encontra em nós aquela fé verdadeira, pascal, aquela fé que não deseja fazer Jesus descer da Cruz, mas confia-se a Ele sobre a Cruz. Nesse sentido, o lugar autêntico do Vigário de Cristo é a Cruz, persistir na obediência da Cruz.

É difícil esse ministério, porque não se alinha com o modo de pensar dos homens – àquela lógica natural que permanece sempre ativa também em nós mesmos. Mas isso é e permanece sempre o nosso primeiro serviço, o serviço da fé, que transforma toda a vida: crer que Jesus é Deus, que é Rei exatamente porque chegou até aquele ponto, porque amou-nos até o extremo. E essa realeza paradoxal, devemos testemunhá-la e anunciá-la como fez Ele, o Rei, isto é, seguindo a sua mesma estrada e esforçando-nos por adotar a sua mesma lógica, a lógica da humildade e do serviço, do grão de trigo que morrer para produzir fruto. O Papa e os Cardeais são chamados a serem profundamente unidos antes de tudo nisso: todos juntos, sob a guia do Sucessor de Pedro, devem permanecer no senhorio de Cristo, pensando e operando segundo a lógica da Cruz – e isso não é nunca fácil nem óbvio. Nisso devemos ser compactos, e isso porque o que nos une não é uma ideia, uma estratégia, mas nos une o amor de Cristo e o seu Santo Espírito. A eficácia do nosso serviço à Igreja, a Esposa de Cristo, depende essencialmente disso, da nossa fidelidade à realeza divina do Amor crucificado. Por isso, sobre o anel que vos entreguei, selo do vosso pacto nupcial com a Igreja, está representada a imagem da Crucificação. E, pelo mesmo motivo, a cor do vosso hábito alude ao sangue, símbolo da vida e do amor. O Sangue de Cristo que, segundo uma antiga iconografia, Maria recolhe do lado transpassado do Filho morto sobre a cruz; e que o apóstolo João contempla enquanto flui junto com a água, segundo as Escrituras proféticas.

Queridos Irmãos, daqui deriva a nossa sabedoria: sapientia Crucis. Sobre isso refletiu a fundo São Paulo, o primeiro a traçar um orgânico pensamento cristão, centrado exatamente sobre o paradoxo da Cruz (cf. 1Cor 1,18-25; 2,1-8). Na Carta aos Colossenses – da qual a Liturgia hodierna propõe o hino cristológico – a reflexão paulina, fecundada pela graça do Espírito, chega a um nível impressionante de síntese ao expressar uma autêntica concepção cristã de Deus e do mundo, da salvação pessoal e universal; e tudo está centrado em Cristo, Senhor dos corações, da história e do cosmo. "Porque aprouve a Deus fazer habitar nele toda a plenitude e por seu intermédio reconciliar consigo todas as criaturas, por intermédio daquele que, ao preço do próprio sangue na cruz, restabeleceu a paz a tudo quanto existe na terra e nos céus" (Col 1,19-20). Isso, queridos Irmãos, somos sempre chamados a anunciar ao mundo: Cristo "imagem do Deus invisível", Cristo "primogênito de toda a criação" e "daqueles que ressurgiram dos mortos", porque – como escreve o Apóstolo – "ele tem o primeiro lugar em todas as coisas" (Col 1,15.18). O primado de Pedro e dos seus Sucessores está totalmente ao serviço desse primado de Jesus Cristo, único Senhor; ao serviço do seu Reino, isto é, do seu Senhorio de amor, a fim de que venha e se difunda, renove os homens e as coisas, transforma a terra e faça germinar nessa a paz e a justiça.

No interior desse projeto, que transcende a história e, ao mesmo tempo, revela-se e realiza-se nessa, encontra lugar a Igreja, "corpo" do qual Cristo é a "cabeça" (cf. Col 1,18). Na Carta aos Efésios, São Paulo fala explicitamente do senhorio de Cristo e o coloca em relação com a Igreja. Ele formula uma oração de louvor à "grandiosidade do poder de Deus", que ressuscitou Cristo e constituiu-o Senhor universal, e conclui: "E sujeitou a seus pés todas as coisas, e o constituiu chefe supremo da Igreja, que é o seu corpo, a plenitude daquele que enche todas as coisas sob todos os aspectos" (Ef 1,22-23). A mesma palavra "plenitude", que diz respeito a Cristo, Paulo atribuiu aqui à Igreja, por participação: o corpo, de fato, participa da plenitude da Cabeça. Eis, venerados Irmãos Cardeais – e me dirijo também a todos vós, que com nós compartilhais a graça de sermos cristãos –, eis qual é a nossa alegria: aquela de participar, na Igreja, na plenitude de Cristo através da obediência da Cruz, de "participar da herança dos santos na luz", de sermos "introduzidos" no reino do Filho de Deus (cf. Col 1,12-13). Por isso nós vivemos em perene ação de graças, e também em meio às provações não diminui a alegria e a paz que Deus nos deixou, como garantia de seu Reino, que está já em meio a nós, que esperamos com fé e esperança, e antecipamos na caridade. Amém.

sábado, 20 de novembro de 2010

Homilia de Bento XVI no Consistório Ordinário Público

Veja a homilia do Santo Padre Bento XVI no Consistório Público Ordinário para a criação de novos Cardeais, pronunciado, na Basílica Vaticana, neste sábado, 20.


Senhores Cardeais,
veneráveis Irmãos no Episcopado e no Sacerdócio,
caros irmãos e irmãs!

O senhor me doa a alegria de cumprir, agora mais uma vez, este solene ato, mediante o qual o Colégio Cardinalício se enriquece de novos Membros, escolhidos das diversas partes do mundo: tratam-se de Pastores que governam com zelo importantes comunidades diocesanas, dos departamentos da Cúria Romana, ou que serviram com exemplar fidelidade à Igreja e à Santa Sé.

De agora em diante, eles se tornam parte do coetus peculiaris, que presta ao Sucessor de Pedro uma colaboração mais imediata e assídua, sustentando-o no serviço de seu ministério universal.

Para eles, em primeiro lugar, dirijo a minha afetuosa saudação, renovando a expressão da minha estima e do minha viva apreciação pelo testemunho que rendem à Igreja e ao mundo. Em particular, saúdo o Arcebispo Angelo Amato e o agradeço pelas gentis expressões que me direcionou.

Ofereço, então, as minhas calorosas boas-vindas para as delegações oficiais de vários países, e a todos que estão aqui reunidos para participar neste evento, no qual esses veneráveis e caros Irmãos recebem o sinal da dignidade cardinalícia, com a imposição do barrete e atribuição do título de uma igreja em Roma.

O vínculo de especial comunhão e afeto, que liga esses novos Cardeais ao Papa, os tornam únicos e preciosos colaboradores do alto mandato confiada por Cristo a Pedro, de pastorar o seu rebanho (Cf. Jo 21,15-17), para reunir os povos com a solicitude da caridade de Cristo. É próprio deste amor que nasceu a Igreja, chamada a viver e caminhar segundo o mandamento do Senhor, no qual se reassume toda a Lei e as profecias. Estar unidos a Cristo na fé e em comunhão com Ele, significa estar “arraigados e alicerçados em amor” (Ef 3:17), o tecido que une todos os membros do Corpo de Cristo.

A palavra de Deus há pouco proclamada ajuda-nos a meditar sobre este aspecto tão crucial. No Evangelho (Mc 10,32-45) coloca diante de nossos olhos o ícone de Jesus como o Messias, profetizado por Isaías (cf. Isaías 53), que não veio para ser servido, mas para servir: o seu estilo de vida se torna a base dos novos relacionamentos ao interno da comunidade cristã e de um modo de exercer a autoridade.

Jesus está no caminho para Jerusalém e anuncia pelo terceira vez, indicando aos discípulos a rota pela qual se pretende implementar o trabalho dado pelo Pai: é o caminho da humildade, dom de si para o sacrifício da vida, caminho da Paixão, caminho da Cruz.

No entanto, mesmo após este anúncio, assim como foi anunciado por seus antecessores, os discípulos revelam toda a sua fadiga em compreender, em operar o necessário “exôdo” de uma mentalidade humana à uma mentalidade de Deus.

Neste caso estão os dois filhos de Zebedeu, Tiago e João, que pedem a Jesus de sentar nos primeiros lugares ao lado dele em sua “glória”, manifestando expectativas e projetos de grandeza, de autoridade, de honras segundo o mundo. Jesus, que conhece o coração do homem, não fica perturbado com esse pedido, mas logo coloca em luz o fluxo de profundidade: “vocês não sabem o que pedem”; depois guia os dois irmãos a compreender o que comporta segui-lo.

Qual é então o caminho que deve percorrer quem quer ser discípulo? É o caminho do Mestre, é o caminho da total obediência a Deus. Por isso, Jesus pede a Tiago e João: estão dispostos a partilhar a minha escolha para fazer a vontade plena do Pai? Estão dispostos a percorrer esta estrada que passa pelo humilhação, sofrimento e morte por amor? Os dois discípulos, com suas respostas seguras, “podemos”, mostrando, mais uma vez, não terem entendido o sentido real daquilo que promete seu Mestre.

E de novo, Jesus, com paciência, os faz dar um passo além: nem mesmo podem tomar do cálice do sofrimento e do batismo da morte dá o direito aos primeiros lugares, porque este é “para aquele que está preparado”, está nas mãos do Pai Celeste; o homem não deve calcular, deve simplesmente abandonar-se em Deus, sem pretender, conformar-se a sua vontade.

A indignação dos outros discípulos se torna ocasião para estender o ensinamento a toda comunidade. Antes de tudo, Jesus “chamou a si mesmo”: é o gesto da vocação original, no qual se convida a voltar. É muito significativo este referir-se ao momento constitutivo da vocação dos Dez em “estar com Jesus", para serem enviados, porque recorda com clareza que cada ministério eclesial é sempre resposta a um chamado de Deu. Não é jamais fruto de um projeto próprio ou de uma ambição própria, mas é conformar a própria vontade àquela do Pai que está no Céu, como Cristo em Getsêmani (Cfr Lc 22,42).

Na Igreja nenhum é patrão, mas todos são chamados, todos são convidados, todos são alcançados e guiados pela graça divina. E esta é também a nossa segurança! Basta ouvir novamente a palavra de Jesus que pede “vem e segue-me”, somente recordando a vocação original é possível entender a própria presença e a própria missão na Igreja, como autênticos discípulos.

O pedido de Tiago e João e a indicação dos outros dez Apóstolos levantam uma questão central na qual querem que Jesus responda: quem é grande, quem é o primeiro para Deus?

Primeiro, olhe para o comportamento que pode ser tomado por "aqueles que são considerados os líderes das nações": "dominar e oprimir". Jesus indica aos discípulos um modo completamente diferente: “Entre vós, não é asssim”. A sua comunidade segue uma outra regra, uma outra lógica, um outro modelo: “Quem quiser ser grande entre vós será o vosso servo, e quem quiser ser o primeiro entre vós será escravo de todos”.


O critério da grandeza e primazia, segundo Deus, não é o domínio, mas o serviço. O diaconato é a lei fundamental do discípulo e da comunidade cristã, e permite-nos intuir algo da “soberania de Deus”. E Jesus indica também o ponto de referência: O Filho do homem, que veio para servir, sintetizando assim a sua missão sobre a categoria do serviço, compreendida não no sentido genérico, mas naquele concreto da Cruz, na doação total da vida como “resgaste”, como redenção para muitos, e o indica como condição para o seguir.


É a mensagem que vale aos Apóstolos, vale para toda a Igreja, vale, sobretudo, para aqueles que têm a tarefa de guiar o povo de Deus. Não é a lógica do domínio, de poder segundo os critérios humanos, mas a lógica de inclinar-se para lavar os pés, a lógica do serviço, a lógica da Cruz que é a base de cada serviço de autoridade. Em cada tempo, a Igreja se compromete a cumprir esta lógica e testemunhá-la a fim de refletir a “verdadeira soberania de Deus”, aquela do amor.

Venerados Irmãos eleitos à dignidade cardinalícia, a missão, a qual Deus vos chama hoje e que vos permite um serviço eclesial agora mais carregado de responsabilidade, requer uma vontade sempre maior de assumir o modelo do Filho de Deus, que veio em meio a nós como aquele que servir (C0fr Lc 22:25-27).

Se trata de segui-lo na sua doação de amor humilde e total à Igreja, sua esposa, sua Cruz: é sobre essa madeira que o grão de trigo, deixado cair do Pai sob o campo do mundo, morre para se tornar fruto maduro.

Por isso, requer um enraizamento ainda mais profundo e firme em Cristo. O relacionamento íntimo com Ele, que transforma sempre mais a vida de modo a poder dizer como São Paulo “não sou eu quem vive, mas Cristo em mim” (Gl 2,20); constitui a exigência primária para que o nosso serviço seja sereno e feliz e possa dar o fruto que espera Deus de nós.

Queridos irmãos e irmãs, rezem pelos novos Cardeais! Amanhã, nesta Basílica, durante a concelebração na solenidade de Cristo Rei do Universo, lhes consentirei seus anéis. Será uma nova ocasião para “louvar o Senhor , que permanece fiel para sempre” (Sl 145), como respondemos no Salmo Responsorial.

O seu Espírito sustenta os novos portadores no empenho do serviço à Igreja, segundo o Cristo da Cruz também, se necessário usque ad effusionem sanguinis, prontos sempre – como nos dizia São Pedro na leitura proclamada – a responder a qualquer um que nos pergunte a razão da esperança que está em nós (cf 1 Pd 3:15). À Maria, Mãe da Igreja, confio os novos Cardeais e seus serviços eclesiais, afim que, com ardor apostólico, possam proclamar a todos os povos o amor misericordioso de Deus. Amém.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Homilia de Bento XVI, na celebração da Missa pelos bispos e cardeais falecidos no decorrer do ano de 2010.

Senhores Cardeais,

queridos irmãos e irmãs!
"Se, portanto, ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas lá do alto". As palavras que ouvimos há pouco na segunda leitura (Col 3,1-4) convidam-nos a elevar o olhar às realidades celestes. De fato, com a expressão "as coisas lá do alto", São Paulo compreende o Céu, porque complementa: " onde Cristo está sentado à direita de Deus". O Apóstolo busca referir-se à condição dos fiéis, daqueles que estão "mortos" para o pecado e cuja vida "está escondida com Cristo em Deus". Esses são chamados a viver cotidianamente sob o senhorio de Cristo, princípio e cumprimento de todas as suas ações, testemunhando a vida nova que foi dada a eles no batismo. Essa renovação em Cristo acontece no íntimo da pessoa: enquanto continua a luta contra o pecado, é possível progredir na virtude, buscando dar uma resposta plena e pronta à Graça de Deus.

Por antítese, o Apóstolo assinala então "as coisas da terra", evidenciando assim que a vida em Cristo comporta uma "escolha de campo", uma radical renúncia a tudo aquilo que – como peso – mantém o homem ligado à terra, corrompendo a sua alma. A busca das "coisas lá do alto" não significa dizer que o cristão deva descuidar das suas obrigações e compromissos terrenos, mas sim que não deve se perder em meio a esses, como se tivessem um valor definitivo. O chamado à realidade do Céu é um convite a reconhecer a relatividade disso que está destinado a passar, frente aqueles valores que não conhecem a usura do tempo. Trata-se de trabalhar, de empenhar-se, de conceder-se o justo repouso, mas com o sereno distanciamento de quem sabe ser somente um viandante a caminho rumo à Pátria celeste; um peregrino; em certo sentido, um estrangeiro rumo à eternidade.

A essa meta última chegaram recentemente os Cardeais Peter Seiichi Shirayanagi, Cahal Brendan Daly, Armand Gaétan Razafindratandra, Thomáš špidlik, Paul Augustin Mayer, Luigi Poggi; bem como os numerosos Arcebispos e Bispos que nos deixaram ao longo do último ano. Com sentimentos de afeto, desejamos recordar, dando graças a Deus pelos seus dons dados á Igreja exatamente através desses nossos irmãos que nos precederam no sinal da fé e agora dormem o sono da paz. O nosso agradecimento torna-se oração de sufrágio por eles, a fim de que o Senhor os acolha na bem-aventurança do Paraíso. Pelas suas almas eleitas, oferecemos esta Santa Eucaristia, reunidos em torno do Altar, sobre o qual se torna presente o Sacrifício que proclama a vitória da Vida sobre a morte, da Graça sobre o pecado, do Paraíso sobre o inferno.

Esses nossos venerados Irmãos, amamos recordar-lhes como Pastores zelosos, cujo ministério foi sempre assinalado pelo horizonte escatológico que anima a esperança na felicidade sem trevas a nós prometida após esta vida; como testemunhas do Evangelho prontas a viver aquelas "coisas lá do alto", que são o fruto do Espírito: "amor, alegria, paz, magnanimidade, benevolência, bondade, fidelidade, mansidão, domínio de si" (Gal 5,22); como cristãos e Pastores animados de profunda fé, do vivo desejo de conformar-se a Jesus e de aderir intimamente à sua Pessoa, contemplando incessantemente o seu rosto na oração. Por isso, puderam antecipa a "vida eterna", da qual nos fala a página de hoje do Evangelho (Jo 3,13-17) e que o próprio Cristo prometeu "àqueles que creem n'Ele". A expressão "vida eterna", de fato, designa o dom divino concedido à humanidade: a comunhão com Deus neste mundo e a sua plenitude naquele futuro.

A vida eterna nos foi aberta pelo Mistério Pascal de Cristo e a fé é a via para alcançá-la. É o que emerge das palavras dirigidas por Jesus a Nicodemos e reportadas pelo evangelista João: "Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim deve ser levantado o Filho do Homem, para que todo homem que nele crer tenha a vida eterna" (Jo 3,14-15). Aqui é explicitada a referência ao episódio narrado no livro dos Números (21,1-9), que ressalta a força salvífica da fé na palavra divina. Durante o êxodo, o povo hebreu rebelou-se contra Moisés e contra Deus, e foi punido com a praga das serpentes venenosas. Moisés pede perdão, e Deus, aceitando a penitência dos israelitas, ordena-lhes: "Faze para ti uma serpente ardente e mete-a sobre um poste. Todo o que for mordido, olhando para ela, será salvo". E assim acontece. Jesus, na conversa com Nicodemos, revela o sentido mais profundo daquele evento de salvação, comparando-o à sua morte e ressurreição: o Filho do homem deve ser levantado sobre o lenho da Cruz para que quem crê n'Ele tenha a vida. São João vê exatamente no mistério da Cruz o momento em que se revela a glória régia de Jesus, a glória de um amor que se doa inteiramente na paixão e morte. Assim, a Cruz, paradoxalmente, de sinal de condenação, de morte, torna-se sinal de redenção, de vida, de vitória, em que, com o olhar da fé, podem-se entrever os frutos da salvação.

Continuando o diálogo com Nicodemos, Jesus aprofunda posteriormente o sentido salvífico da Cruz, revelando com sempre mais clareza que esse consiste no imenso amor de Deus e no dom do Filho unigênito: "De fato, Deus tanto amou o mundo que deu a ele o seu Filho unigênito". É essa uma das palavras centrais do Evangelho. O sujeito é o Deus Pai, origem de todo o mistério criador e redentor. Os verbos "amar" e "dar" indicam um ato decisivo e definitivo que expressa a radicalidade com que Deus aproximou-se do homem no amor, até o dom total, a ponto de cruzas o limiar de nossa solidão última, descendo ao abismo do nosso extremo abandono, ultrapassando a porta da morte. O objeto e o beneficiário do amor divino é o mundo, isto é, a humanidade. É uma palavra que remove completamente a ideia de um Deus distante e estranho ao caminho do homem, e revela, mais que tudo, o seu verdadeiro rosto: Ele nos deu o seu Filho por amor, para ser o Deus próximo, para fazer-nos sentir a sua presença, para vir ao nosso encontro e levar-nos ao seu amor, de modo que toda a vida seja animada por esse amor divino. O Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida. Deus não domina, antes ama sem medidas. Não manifesta a sua onipotência no castigo, mas na misericórdia e no perdão. Compreender tudo isso significa entrar no mistério da salvação: Jesus veio para salvar e não para condenar; com o Sacrifício da Cruz, ele revela o rosto de amor de Deus. E exatamente pela fé no amor superabundante doado a nós em Cristo Jesus, nós sabemos que também a menor força de amor é maior que a máxima força destruidora e pode transformar o mundo, e por essa mesma fé nós podemos ter uma "esperança confiável", aquela na vida eterna e na ressurreição da carne.

Queridos irmãos e irmãs, com as palavras da primeira leitura, tiradas do livro das Lamentações, peçamos que os Cardeais, os Arcebispos e os Bispos, que hoje recordamos, generosos servidores do Evangelho e da Igreja, possam agora conhecer plenamente quão "bom é o Senhor com quem espera n'Ele, com a alma que o procura" e experimentar que "junto ao Senhor se acha a misericórdia; encontra-se nele copiosa redenção" (Sal 129). E nós, peregrinos no caminho rumo à Jerusalém celeste, esperemos em silêncio, com firme esperança, a salvação do Senhor (cf. Lam 3,26), procurando caminhar sobre as vias do bem, sustentados pela graça de Deus, recordando sempre que "não temos aqui cidade permanente, mas vamos em busca da futura" (Hb 13,14). Amém.

domingo, 17 de outubro de 2010

Bento XVI canoniza seis novos Santos

Uma multidão se reuniu neste domingo, 17, na Praça de São Pedro para a Missa de canonização de seis novos santos, presidida pelo Papa Bento XVI.

Um padre polaco - do século XV- Estanislau Kazimierczyk; o religioso canadiano André Bessette, que viveu entre os séculos XIX e XX; a religiosa espanhola - do século XIX - Madre Cândida Maria Barriola; a religiosa australiana Mary McKillop, do séc. XIX; e finalmente, da Itália, a Irmã Giulia Salzano, também do séc. XIX; e a monja clarissa - do séc. XV - Baptista Varano, são os novos santos da Igreja Católica. "Todos eles viveram de modo exemplar a fé e a oração de que falam as Leituras da Missa", destacou o Santo Padre na homilia da Missa.

Bento XVI recordou as palavras conclusivas do Evangelho deste domingo: “O Filho do Homem, quando vier, encontrará a fé sobre a terra?”. E comentou que esta é "uma pergunta que quer suscitar um aumento de fé da nossa parte. Está claro que a oração deve ser expressão de fé, caso contrário não é verdadeira oração. Se alguém não crê na bondade de Deus, não pode rezar de modo verdadeiramente adequado. A fé é essencial como base da atitude de verdadeira oração. Foi o que fizeram os seis novos santos que hoje são propostos à veneração da Igreja universal”.
O Papa referiu-se, de maneira especial, a cada um dos novos santos. São Estanislau Kazimierczyk, religioso dos Cônegos Regulares, em Cracóvia, padre, educador, atento ao cuidado dos mais necessitados. “De modo particular estava ligado à Eucaristia, através do ardente amor por Cristo, presente sob as espécies do pão e do vinho; vivendo o mistério da morte e da ressurreição, que de modo incruento se realiza na Santa Missa; através da prática do amor ao próximo”.

Relativamente ao Irmão André Bessete, do Québec, no Canadá, religioso da Congregação da Santa Cruz, porteiro de um colégio em Montreal, o Papa pôs em destaque a modéstia e simplicidade da sua vida, com um iminente grau de fé e de submissão à vontade de Deus. “Profundamente habitado pelo mistério de Jesus, viveu a beatitude dos corações puros e da retidão pessoal. Foi graças a esta simplicidade que ele permitiu a muitos ver a Deus. Fez construir o Oratório São José de Mont Royal, do qual foi responsável até à morte, em 1937 e onde testemunhou inumeráveis curas e conversões”.
Sobre Madre Cândida Maria Barriola, fundadora da congregação das Filhas de Jesus, Bento XVI sublinhou a sua total dedicação a Deus e aos outros. "Aquela jovem de origem simples, com um coração no qual Deus pôs o seu selo e que a levaria bem depressa, sob a guia dos seus diretores espirituais jesuítas, a tomar a firme resolução de viver só para Deus. Decisão mantida fielmente, como ela própria recordava quando estava para morrer. Viveu para Deus e para o que Ele mais quer: chegar a todos, a todos levar a esperança que não vacila, e especialmente aos que dela mais necessitam”.

Quanto a Madre Mary McKillop, o Papa sublinhou o “corajoso e santo exemplo de zelo, perseverança e oração”. “Dedicou-se como jovem à educação dos pobres em dificuldade da Austrália rural, inspirando outras mulheres a unirem-se a ela na primeira comunidade de Irmãs do país. Preocupava-se com as necessidades de cada jovem que lhe estava confiado, sem considerar a condição ou riqueza, assegurando-lhes formação ao mesmo tempo intelectual e espiritual”.

Em seguida, destacou o exemplo de Madre Giulia Salzano, fundadora da Congregação das Irmãs Catequistas do Sagrado Coração de Jesus, “apóstola da educação cristã”. “Madre Giulia compreendeu bem a importância da catequese na Igreja, e, unindo a preparação pedagógica para o fervor espiritual, dedicou-se-lhe com generosidade e inteligência, contribuindo para a formação de pessoas de qualquer idade e condição social”.

Finalmente, referiu-se a Santa Baptista Varano, monja clarissa do século XV: “Tendo entrado aos 23 anos no mosteiro de Urbino, inseriu-se como protagonista naquele vasto movimento de reforma da espiritualidade feminina franciscana que pretendia recuperar plenamente o carisma de santa Clara de Assis. (…) Num tempo em que a Igreja sofria um relaxamento dos costumes, ela percorreu com decisão o caminho da penitência e da oração, animada pelo ardente desejo de renovação do Corpo místico de Cristo”.

Veja o vídeo da homilia de Sua Santidade Bento XVI:


Santa Maria McKillop

Santa Cândida Maria Barriola

São Stanislaw Kazimierczyk Solys

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Arcebispo de Brasília critica candidatos e partidos que afirmam 'o contrário do que há pouco afirmavam'


Dom João Aviz, arcebispo de Brasília.
 Na sua homilia de ontem pela solenidade de Nossa Senhora Aparecida, o arcebispo de Brasília, Dom João Braz de Aviz criticou os candidatos e partidos que, após caírem nas pesquisas, afirmam "o contrário do que há pouco afirmavam" em torno de questões religiosas e "valores decorrentes", como o aborto.


Segundo o diário O Estado de São Paulo (o Estadão), o prelado dirigiu-se indiretamente à candidata Dilma Rousseff do PT, quem em 2007, se disse “a favor da descriminalização do aborto, mas adotou um discurso menos controverso depois que começou a enfrentar a contestação de lideres religiosos e manifestação de eleitores”.

Na nota de hoje do jornal paulista, ao referir-se à “incoerência política”, o prelado afirmou que "agora, com o perigo de ver seus índices de pesquisa caírem, de repente o assunto religião e seus valores decorrentes, como a defesa da vida, moveu candidatos e partidos a afirmarem o contrário do que há pouco afirmavam”.

O arcebispo de Brasília expressou sua confiança em que os políticos vencedores das eleições continuarão lembrando que "mais de 90% dos brasileiros são identificados com os valores da fé cristã".

"É muito bom que os eleitos não esqueçam outro dado que emergiu no debate político: 71% dos brasileiros são contra o aborto", continuou Dom Braz .

Finalmente o arcebispo elogiou o Projeto Ficha Limpa afirmando que este “ajudou a impedir que políticos corruptos nos governem”.

"Já podemos dizer que o povo começou a realizar a tão esperada reforma política, que poderá tomar uma força bem maior", asseverou o arcebispo da capital brasileira.

Dom Braz terminou sua homilia rogando a Deus para que os brasileiros sejam um povo “para quem a religião seja o valor fundamental” e assim possa caminhar “para a direção que o Pai nos criou e para a qual entregou seu Filho Jesus”.

Fonte: Aci digital

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Homilia completa do Padre José Augusto, no dia 05 de outubro.



Mais uma vez Jesus, ele continua dizendo para Maria e para Marta,que estava muito agitada, que a irmã dela Maria escolheu a melhor parte.E a melhor parte é estar com Jesus.Eu acho interessante que essa palavra, ela vem cair assim num momento em que eu me encontro agitado.


Estou vindo das minhas férias, aqui na comunidade nós falamos que são dias de descanso que nós tiramos, e eu pude ficar em casa, com a minha mãe durante uns doze dias, depois eu fui fazer um retiro, um retiro de, oito dias de silêncio, lá em Itaici, com os jesuítas.Só que nesse período,muitas coisas me agitaram, tem me agitado como sacerdote, da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo.Vocês poderiam me perguntar o que é que está me agitando, o que tem me agitado,são muitos emails que eu tenho recebido.E a questão é essa “eleição”;e eu não posso deixar de falar também que eu sou sacerdote da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Diante de tantos pastores que vêm se pronunciando, tantos bispos se pronunciando.Eu nunca vi uma eleição tão agitada como essa.Nunca vi.Tenho 44 anos de idade e nunca vi uma eleição tão agitada.Por que, que está tão agitada?Por que de tanta agitação?Porque os rumos da Nação brasileira, estão prestes a mudar, e ela poderá mudar para o pior, pro lado pior, se nesse 2° turno, e eu vou falar com clareza, se o PT ganhar.Estou falando claro, podem me matar,podem me prender, podem fazer o que quiser.Não tenho advogado nenhum.Podem me processar.Se tiver de ser preso eu serei,não tem problema.Mas eu não posso me calar diante, de um partido, que está apoiando o aborto,e a Igreja não aprova.Eu não posso apoiar.Não votei e não votarei.Deixando bem claro não votei e não vou votar.Eu sou a favor da vida.Sou mesmo.Sou sacerdote do Altíssimo,meu sacerdócio não é para os homens, é pra Deus!Eu fui ordenado pra Deus.Não para os homens.

No Evangelho,Jesus está dizendo que Maria escolheu a melhor parte e Marta está agitada, e eu estou agitado.Porque não é possível que os cristãos estejam tão alheios à situação, preocupados apenas com o seu trabalhozinho, seu emprego, com as suas coisas, sabendo que o PT está querendo aprovar leis aonde o sacerdote não pode se pronunciar, não pode falar, aonde os meios de comunicação religiosos só vão ter uma hora de programação(imagine a Canção Nova, só tendo uma hora de programação).E as pessoas não estão nem aí, pra isso.

Eu nunca vou celebrar casamento de homossexual. Nunca! Podem me prender.Podem me processar e podem me matar.Nunca vou celebrar.Porque a Igreja não quer, e Bento XVI também não quer, e eu estou com Bento XVI, estou com a Igreja.Pro Inferno eu não quero ir.Não quero favores de ninguém.O meu favor,vem do Céu, da providência.É a Providência que me providencia, e se não me providenciar não tem problema.Se tiver que morrer de fome, eu vou morrer de fome,pela Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Segundo turno está aí, estou falando para os cristãos que comungam, que rezam seu “terçinho”(me desculpe falar a expressão, terçinho), que adoram, e dizem que adoram Nosso Senhor Jesus Cristo, e que se não se pronunciam.Todos com medo!E o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, não é um evangelho de medo não, nem de terror.Mas Jesus falou mesmo,vocês serão levados aos tribunais,serão mortos por causa, do meu Nome.Ou nós nos pronunciamos ou não.Que o seu sim seja sim, e que seu não seja não.Se os evangélicos se pronunciam, nós católicos precisamos nos pronunciar também.Chega de sermos católicos mornos, frios e medrosos.Imagina só, se evangélicos e cristãos se pronunciando.Até atores, atrizes, estão se pronunciado, estão com medo do que pode vir no futuro.Como é que nós ficamos assim, como se nada tivesse acontecendo, numa “boa”, com medo de perder isso, com medo de perder aquilo.Que perca tudo!Só não podemos perder Jesus Cristo nessa vida!E a Nação brasileira, ela tem que ser uma nação, cujo Deus é o Senhor.[Aplausos]A nação brasileira.

Estão querendo tirar Deus da nossa vida, não sei o que poderá acontecer depois de tudo isso que eu estou falando aqui,talvez nem missa das sete eu celebre mais.Não tem problema.Não tem problema.

Mas eu sou Sacerdote do Altíssimo, tenho os meus pecados, eu tenho.Eu fui ordenado pela causa do Senhor e da Igreja. E a Nação Brasileira não pode se tornar uma nação marxista, comunista, com terrorista.Tendo pessoas à frente, mandando um e outro se calar.Porque se a gente se calar, as pedras vão falar.Vai ser uma vergonha, Jesus falou isso, vai ser uma vergonha muito grande, se as pedras falarem porque os cristãos não se pronunciam.E ai daqueles que se filiaram, aos partidos comunistas.Ai daqueles; que Deus sabe muito bem disso.Porque quem compactua com pessoas que aderem ao aborto, está excomungado.Latae sentitiae, a Igreja não vai falar não, mas já está. Porque nós não podemos compactuar com pessoas que querem matar crianças, matando criança, no seio,na barriga de uma mãe. E aqui não importa como foi que estas crianças vieram, elas têm o direito à vida sim.Eu estou agitado, com o segundo turno.Aqui eu peço perdão ao D.Beni, bispo da Igreja de Lorena, por estar fazendo do altar, um lugar de política partidária, e ao D.Alberto também lá no Pará.Porque o altar não pra se fazer isso, mas se o sacerdotes não se pronunciarem, o que é que vai acontecer com a Nação brasileira?Não podemos nos filiar a partido, a o partido que quer beneficiar-nos pra depois estragar com a própria natureza.

Vendo homossexuais indo para o altar querendo os seus direitos, eles têm.Se eles podem exigir os direitos deles por que é que nós não podemos exigir os nossos?Eles podem falar e a gente que tem que se calar?A gente tem que se calar não. Deus criou o homem e a mulher, livro do Gênesis,e o homem e a mulher deixam a sua família e vai formar a família.Como é que dois homens ou duas mulheres vão formar uma família?Vai nascer como? De um útero de plástico?É um útero de plástico? Todo mundo caladinho, todo mundo aí, como se tudo estivesse bem, está tudo ótimo, num ta tudo ótimo não.Num ta ótimo não.Eu quero é ver no futuro se vai ter Missa de sete,de onze...missa pela TV,pela rádio, vocês vão ver sevai ter alguma coisa.Aí vai todo mundo buscar Deus, e não vai ter Deus, porque os padres vão estar todos nas masmorras.Tudo presos, porque se pronunciaram, porque falaram, porque falaram de Jesus Cristo, porque não querem Jesus.Querem tirar Jesus da nossa vida, da minha vida ninguém vai tirar não.Pode me matar!Estou dizendo, da minha vida ninguém vai tirar Jesus não.Pode me matar.Moro em Cachoeira Paulista, meu endereço é este, sou membro do Conselho da Canção Nova,meu endereço está aqui.Todo dia você vai me encontrar aqui, não tem problema.E se eu desaparecer, vocês já sabem, porque eu falei tudo isso aqui hoje.Se souberem que eu desapareci foi porque eu falei tudo isso aqui.Mas eu prefiro morrer com a verdade, do que viver na mentira e depois ir pro Inferno![Aplausos]

Eu sei que é fácil, eu sei que é fácil, vocês baterem palmas, depois se esconderem e depois não se pronunciarem e não se dizerem com medo.Mas é fácil bater palmas.É bom quando tem alguém que fala, né?Porque o outro fala e eu me escondo; porque não tenho coragem de dizer a Verdade do Evangelho.Se pronuncie, sejam de DEUS, prove agora que você ora em línguas, prove agora que você é de Pedro e é de Paulo, prove agora que você é de Nosso Senhor Jesus Cristo.Estou preocupado como segundo turno, mas já saibam, no PT eu não voto.E não voto em ninguém que esteja coligado ao PT.Não votei e não voto.Falei que não ia falar isso nunca,mas hoje rezando lá, Jesus disse “ta na hora de você falar também”.Porque se os outros estão falando, não é possível que os padres da Igreja Católica fiquem calados.A gente fala tanto dos evangélicos, diz isso dos evangélicos, fala aquilo dos evangélicos, mas eles têm coragem de pronunciar, e nós não temos.Nos calamos.Medrosos!Bando de covardes!Bandos de covardes!Que só querem os benefícios de Deus; só querem ganhar, mas salvar, ninguém quer salvação de alma ninguém quer. E a salvação, e a salvação dos nossos filhos?! Se vocês pensam que o Inferno não existe, o Inferno existe sim.E ai daqueles que forem pra lá.Estou com Bento XVI,estou com o bispo Dom Beni, estou com Dom Alberto, estou com os bispos que estão ligados à Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo, os que não estão, eu não estou, estou com Jesus!

Votar em pessoas só pra ganhar, pra ter um empregozinho, você terá o emprego,mas perderá Deus da tua vida.Crucifixo da minha casa, eu não tiro, não tiro.Podem me prender!Não vou tirar e vou andar com o crucifixo e vou andar com a Bíblia na mão sim, porque eu sou cristão, sou seguidor de Nosso Senhor Jesus Cristo, e durma com esse barulho, pelo amor de Deus!
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