terça-feira, 9 de julho de 2013

Congresso aprova lei que, na prática, legaliza o aborto no Brasil



A presidente Dilma Rousseff está prestes a legalizar o aborto no Brasil
O Congresso brasileiro aprovou, na última quinta-feira, 4 de julho de 2013, um projeto de lei que, na prática, legaliza o aborto no Brasil. O projeto de lei tramitou em regime de urgência e, em pouco mais de dois meses, foi aprovado por unanimidade, em quatro votações relâmpago, na Câmara e no Senado, sem que a maioria dos parlamentares tivesse tempo para tomar conhecimento do teor e da verdadeira importância do assunto. Agora, para que vire lei, só precisa da sanção da presidente Dilma Rousseff.
A iniciativa de aprová-lo em regime de urgência partiu do Dr. Alexandre Padilha, Ministro da Saúde do governo da presidente Dilma Rousseff. Cabe lembrar que a presidente assumiu um compromisso com o povo brasileiro, durante as eleições de 2010, de que não legalizaria o aborto no país. Urge agora, mais do que nunca, que a população cobre do Governo a defesa da vida e vete todos os artigos desse projeto falacioso e mal intencionado. Entenda o caso e saiba como agir:
Leia a seguir:
  1. O que aconteceu
  2. O que diz o projeto aprovado
  3. O que fazer
  4. E-mails e telefones da Presidência da República

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Serão canonizados João Paulo II e João XXIII e beatificados Alvaro del Portillo e Giuseppe Luzzati


Serão proclamados santos, provavelmente ainda este ano, os Beatos João Paulo II e João XXIII. O Papa Francisco aprovou hoje o Decreto sobre o reconhecimento de um segundo milagre que se realizou graças à intercessão do Papa Wojtyla e decidiu convocar um Consistório relativo à canonização do Papa Roncali, mesmo na ausência do segundo milagre. Também hoje, o Papa deu luz verde para a beatificação de Alvaro del Portillo, Prelado da Opus Dei, de Madre Speranza, fundadora da Congregação das Servas e dos Filhos do Amor Misericordioso, e de 42 mártires assassinados por ódio à fé durante a Guerra Civil Espanhola. Também foram reconhecidas as virtudes heróicas de Giuseppe Lazzati, leigo consagrado, político e intelectual italiano. 

Papa Francisco, na presença de Bento XVI, inaugurou imagem de São Miguel Arcanjo nos Jardins Vaticanos







Após a Missa celebrada na manhã desta sexta-feira na Casa Santa Marta, o Papa Francisco inaugurou nos Jardins Vaticanos, uma estátua de São Miguel Arcanjo, protetor da Igreja e padroeiro do Estado Cidade do Vaticano.

Pouco antes da cerimônia, o Papa Emérito Bento XVI chegou ao local, a convite do Papa Francisco, sendo acolhido por todos com grande afeto. Ao chegar, pouco depois, Papa Francisco abraçou-o calorosamente e os dois ficaram juntos durante toda a cerimônia, nas duas cadeiras colocadas lado a lado, diante da imagem.

Após uma breve saudação do Cardeal Giuseppe Bertello, Presidente do Governatorato, discursou o Cardeal Giovanni Lajolo, Presidente Emérito do Governatorato. Em seguida, Papa Francisco fez um pronunciamento.

No seu discurso, o Papa destacou que alí existem inúmeras obras de arte, mas que esta “assume uma posição de particular importância, quer pela localização, quer pelo significado que exprime”. A imagem, diz o Papa, “é um convite à reflexão e à oração, que se insere muito bem no Ano da Fé”.

“Miguel – explicou Francisco – que significa ‘Quem é como Deus?’ - é o campeão do primado de Deus, de sua transcendência e poder. Miguel luta para restabelecer a justiça divina; defende o povo de Deus de seus inimigos e, sobretudo, do inimigo por excelência, o diabo. E São Miguel vence porque é Deus que age nele”. 

Após, Francisco destacou que a escultura recorda que “o mal é vencido, o acusador é desmascarado e a sua cabeça esmagada, porque a salvação foi realizada de uma vez por todas no sangue de Cristo. Embora o diabo sempre tente arranhar o rosto do Arcanjo e o rosto do homem, Deus é mais forte; é sua a vitória e sua salvação é oferecida a todos os homens”. 

O Papa Francisco recordou que no caminho e nas provações da vida “não estamos sozinhos, mas somos acompanhados e amparados pelos Anjos de Deus, que oferecem as suas asas para nos ajudar a superar tantos perigos, para sermos capazes de voar alto em relação às realidades que possam tornar pesada a nossa vida e nos arrastar para baixo”.

Após seu discurso, Papa Francisco colocou a estola e recitou duas orações de consagração, a primeira a São José e a segunda a São Miguel Arcanjo. Sucessivamente, aspergiu a imagem e abençoou os presentes.

A imagem está numa área dos Jardins Vaticanos, próxima ao prédio do Governatorato. O autor é o artista Giuseppe Antonio Lomuscio, da cidade de Trani, vencedor do Concurso Internacional organizado pelo Governatorato do Estado Vaticano, segundo o julgamento oficial de uma comissão de especialistas, presidida pelo Diretor dos Museus Vaticanos Prof. Paolo Paolucci.

A escultura de 5 metros de altura foi realizada em bronze e está apoiada sobre uma base de mármore travertino, também projetada pelo artista, e caracterizada pela presença de dois baixo-relevos em bronze. Na base, foram colocados os brasões de Bento XVI e do Papa Francisco.


terça-feira, 18 de junho de 2013

Reconhecido segundo milagre por intercessão de João Paulo II

A comissão teológica da Congregação para a Causa dos Santos aprovou o segundo milagre atribuído à intercessão de João Paulo II. 

O reconhecimento abre caminho para a canonização do Papa polonês, porém antes deve ser aprovado por uma comissão de Cardeais e Bispos e ter o decreto assinado pelo Papa Francisco. Não foi informada a natureza deste segundo milagre.

O Cardeal Karol Wojtyla foi eleito Papa em 16 de outubro de 1988. No dia 22, celebrou a missa de início de pontificado.

Em 1º de maio de 2011, Bento XVI proclamou-o Beato, após a comprovação da cura - inexplicável para a ciência -, da Irmã Marie Simon Pierre, que sofria do Mal-de-Parkinson. 

A notícia da aprovação do segundo milagre já provocou reações em Cracóvia, onde o Arcebispo Stanislau Dziwisz, ex-secretário de João Paulo II, afirmou que “Papa Francisco não colocará à prova a paciência dos poloneses”. “Existe muita esperança de que a canonização ocorra em no domingo 20 de outubro”, disse ele, recordando que é a data em que se celebra o 35º aniversário da eleição de Wojtyla. O Arcebispo Dziwisz foi recebido pelo Papa Francisco no Vaticano no último sábado. 
Texto proveniente da página do site da Rádio Vaticano.

sábado, 18 de maio de 2013

Lisboa tem novo Patriarca


Cidade do Vaticano (RV) - O Santo Padre aceitou a renúncia ao governo pastoral do Patriarcado de Lisboa (Portugal), apresentada pelo Cardeal José da Cruz Policarpo, em conformidade ao Can. 401 §1 do Código de Direito Canônico.

O Papa nomeou como novo Patriarca Dom Manuel José Macário do Nascimento Clemente, transferindo-o da Diocese de Porto. 

Dom Clemente nasceu em Torres Vedras, Patriarcado de Lisboa, em 16 de julho de 1948.

Recebeu a ordenação episcopal em 22 de janeiro de 2000 e em 2007 foi nomeado Bispo da Diocese de Porto. 

Atualmente, é Vice-Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa e desde 2012 é Membro do Pontifício Conselho das Comunicações Sociais. 

Fonte: Rádio Vaticano

sábado, 13 de abril de 2013

Papa Francisco alternará as férulas de seus predecessores

O Ofício das celebrações Liturgicas do Vaticano informa que o Papa Francisco usará ora a ferula de Paulo VI, ora, de Bento XVI.
 
 

 
Eis o texto, publicado pelo Vaticano:
 
LA FERULA  
 
Il pastorale come insegna liturgica dei vescovi e degli abati risale al settimo secolo in alcune fonti spagnole, anche se il suo uso poteva essere forse più antico. Pare che il pastorale come simbolo dell’autorità episcopale sia passato dalla penisola iberica all’Inghilterra, alla Gallia e alla Germania. Comunque, dalle descrizioni della solenne messa papale negli Ordines Romani non emerge il suo uso. Anche le raffigurazioni dei papi confermano che il pastorale vescovile non faceva parte delle insegne del papa, perché non lo si vede in nessun monumento iconografico eseguito a Roma. Perciò, Innocenzo III († 1216) scrive nel suo De sacro altaris mysterio (I,62): “Romanus Pontifex pastorali virga non utitur”.
 
La ragione di questo costume risiede forse nel fatto che il pastorale era un simbolo di investitura del neo-eletto vescovo da parte del metropolita o di un altro vescovo (cerimonia che dal periodo carolingio fino all’epoca della lotta per le investiture era fatto proprio sempre di più dai regnanti secolari). Il papa invece non riceveva l’investitura da un altro vescovo, come accennò Bernardo Botono da Parma (†1263) nella Glossa ordinaria dei Decretali di Gregorio IX (I,15): Il papa riceve il suo potere da Dio solo. San Tommaso d’Aquino fa un ulteriore ragionamento, quando commenta che “Romanus pontifex non utitur baculo … etiam in signum quod non habet coarctatam potestatem, quod curvatio baculi significat” (Super Sent., lib. 4 d. 24 q. 3 a. 3 ad 8), riferendosialla forma ormai comune del bastone storto alla cima, come un segno della cura pastorale e della giurisdizione.
 
Dall’alto medioevo, se non prima, i papi si servirono della ferula pontificalis come insegna indicante la loro potestà temporale. La forma della ferula non è ben conosciuta. Probabilmente era un bastone che portava al suo vertice una croce. Nel medioevo al papa, quando dopo la sua elezione prendeva di possesso della Basilica Lateranense , era presentata la ferula dal priore di S. Lorenzo al Laterano (cioè dal Sancta Sanctorum) come “signum regiminis et correctionis”, cioè come simbolo di governo che include la punizione e la penitenza. La presentazione della ferula fu un atto importante, ma non avevo lo stesso significato dell’imposizione del pallio nella coronazione del papa. Infatti, non era più osservata almeno dall’inizio del cinquecento.
L’uso della ferula non ha mai fatto parte della liturgia papale, tranne in alcune occasioni come l’apertura della porta santa e le consacrazioni delle chiese, nelle quali il papa prendeva la ferula per bussare per tre volte alla porta e per disegnare l'alfabeto latino e greco sul pavimento della chiesa. Nel tardo medioevo, i papi usavano come ferula anche un bastone con la triplice croce.
 
Dopo la sua elezione nel 1963 Papa Paolo VI ha commissionato allo scultore napoletano Lello Scorzelli un bastone pastorale per le solenni celebrazioni liturgiche. Questo pastorale argenteo riprese dalla ferula tradizionale la forma di croce, accompagnato però dalla figura del Crocifisso. Paolo VI ha utilizzato questo bastone per la prima volta nell’occasione della chiusura del Concilio Vaticano Secondo, l’8 dicembre 1965. In seguito, l’ha adoperato in modo analogo al pastorale del vescovo, spesso ma non sempre nelle celebrazioni liturgiche. Paolo VI e Giovanni Paolo II hanno usato in certe occasioni anche la triplice croce come insegna.
 
Per la Domenica delle Palme 2008, Papa Benedetto XVI ha sostituito questo pastorale, usato anche da Giovanni Paolo IGiovanni Paolo II e da lui stesso, con un bastone sormontato da una croce dorata, che fu regalato al Beato Pio IX nel 1877, dal Circolo di San Pietro, in occasione del cinquantesimo anniversario della sua consacrazione vescovile. Questo bastone è stato adoperato come ferula già dal Beato Giovanni XXIII per varie celebrazioni liturgiche durante il Vaticano Secondo.
 
Con la celebrazione dei Primi Vespri di Avvento del 2009, il Santo Padre Benedetto XVI ha iniziato a usare un nuovo bastone, a lui donato dal Circolo San Pietro, simile nella forma a quello di Pio IX.  
 
Il Santo Padre Francesco, per la celebrazione della Santa Messa in occasione dell'insediamento sulla Cathedra Romana (7.04.2013), ha usato la croce pastorale di Paolo VI, con l'intenzione di alternare nelle prossime celebrazioni l'uso di questa con quella di Benedetto XVI.
 

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Poucas surpresas. Francisco como é

Os primeiros atos do novo Papa revistos à luz da sua autobiografia. Os motivos de seu silêncio sobre os temas que mais opõem a Igreja aos poderes do mundo: nascimento, morte, família, liberdade religiosa.

A reportagem é de Sandro Magister e publicada no sítio italiano Chiesa.it, 03-04-2013. A tradução é do Cepat.

Salvo na Argentina, pouquíssimos textos sobre Jorge Mario Bergoglio haviam sido publicados antes de ele ser eleito Papa.

Mas agora as traduções de seus escritos, discursos e entrevistas se multiplicam rapidamente e ajudam a tornar menos surpreendentes os gestos do Papa Francisco.

Na sequência, apresentamos algumas destas “surpresas”, pequenas e grandes, mas que não aparecem como tais à luz da sua autobiografia, publicada em 2010 na Argentina, no livro-entrevista de Sergio Rubin e Francesca Ambrogetti, com o título El Jesuíta, agora à venda também em outros países, entre eles a Itália.

Um Papa que nunca canta

É verdade, o Papa Francisco gosta de ouvir música, mas não canta, nem sequer durante as Missas solenes nem ao dar a bênção. Diz-se que os jesuítas “non rubricant nec cantant”, quer dizer, os jesuítas não gostam das cerimônias nem do canto. Mas a explicação é mais simples.

Aos 21 anos sofreu uma pneumonia aguda e “foram detectados três quistos... [e] teve que se submeter a uma cirurgia para retirar a parte superior do pulmão direito. [...] Desde então sofre de uma deficiência pulmonar que, embora não o condicione severamente, impõe-lhe um limite humano”.

Em consequência, simplesmente não canta porque não tem ar suficiente para isso, tal como se intui também pela forma como fala, com uma respiração curta e com voz suave. Em qualquer caso, confessou: “sou desafinado”.

Um Papa que fala somente em italiano

Efetivamente, fala bem o italiano. E também compreende o dialeto piemontês de sua família de origem. Mas “quanto a outros idiomas – admite em sua autobiografia –, eu deveria precisar que não os falo, mas que eu os falava, pela falta de prática. Falava bem o francês, e com o alemão me virava. O que sempre mais me custou foi o inglês, sobretudo pela fonética”.

O fato é que ao renunciar a falar em idiomas diferentes do italiano, Bergoglio parece ter decidido sacrificar – em público – também sua língua materna, o espanhol.

Na Páscoa, renunciou também a saudar em 65 idiomas, habitualmente recitados pelos pontífices que o precederam.

Um Papa que quer fazer tudo por si mesmo

No Vaticano, teve que tomar forçosamente um secretário, o maltês Alfred Xuereb, ex-segundo assistente de Bento XVI. Também em Buenos Aires tinha uma secretária, mas ele mesmo agendava seus compromissos e fazia sua agenda de endereços que, dizia, “seria um verdadeiro desastre perdê-la”.

Tinha um escritório “pequeno, mas muito bem organizado”. E organizados são também seus horários: cinco horas de sono por noite, luz apagada às 23h, levanta às 4h “sem necessidade de um despertador”, depois do almoço “uma sesta de 40 minutos”. Sabe cozinhar. Gosta de ouvir música e ler, especialmente os clássicos da literatura. Vê as notícias nos jornais. Nunca utilizou internet, nem sequer para correio.

Um Papa que não quer se fazer chamar de “Papa”

Notou-se isso. Bergoglio prefere para si o simples título de “bispo de Roma” e cala sobre seu poder de chefe da Igreja universal, apesar de que esse poder tenha sido confirmado com muita força pelo Concílio Vaticano II.

Pode-se ler na sua autobiografia: “Quando o pai ou o professor tem que dizer ‘aqui quem manda sou eu’ ou ‘aqui o superior sou eu’ é porque já perdeu a autoridade. E então tem que se apropriar dela com as palavras. Proclamar que se tem o bastão na mão não significa mandar e impor, mas servir”.

Parece que Bergoglio não quer proclamar, mas exercitar o seu poder supremo de sucessor de Pedro.

Um Papa que decide tudo por si

Também disse em sua entrevista autobiográfica: “Confesso que, em geral, por meu temperamento, a primeira resposta que me vem é equivocada. [...] Por conta disso, aprendi a desconfiar da primeira reação. Já mais tranquilo, depois de passar pelo crisol da solidão, vou me aproximando do que tenho que fazer. Mas da solidão das decisões ninguém se salva. Posso pedir um conselho, mas, no final das contas, sou eu mesmo quem tem que decidir”.

Na prática, é preciso prever que com Francisco o primado para a tomada de decisões não será afetado, nem sequer com uma futura atitude mais colegiada do governo da Igreja.

Um Papa que se esquiva dos temas conflitivos

Efetivamente, nos discursos e nas homilias do começo de seu pontificado, Bergoglio evitou, até agora, tocar nas questões que mais mostram a Igreja em oposição aos poderes mundanos.

No discurso ao corpo diplomático não tocou nas ameaças que pesam sobre a liberdade religiosa, da mesma maneira que em suas outras intervenções evitou qualquer menção aos pontos críticos do nascimento, da morte e da família.

Mas, em seu livro-entrevista Bergoglio lembra que também Bento XVI decidiu calar em uma ocasião: “Quando Bento XVI foi à Espanha [em 2006] todos pensaram que criticaria o governo de Rodríguez Zapatero por suas diferenças com a Igreja católica em vários temas. Alguém, inclusive, lhe perguntou se havia falado com as autoridades espanholas sobre o casamento entre homossexuais. Mas o Papa disse que não, que falou com eles de coisas positivas e que depois viria o resto. De alguma maneira estava dizendo que primeiro é preciso sublinhar o positivo, o que nos une; não o negativo, o que nos divide; que se deve priorizar o encontro entre as pessoas, o caminhar juntos. Depois, a abordagem das diferenças será mais fácil”.

Em outra passagem do livro Bergoglio critica essas homilias “que deveriam ser querigmáticas, mas que acabam sendo moralizantes. E dentro da moral – embora não tanto nas homilias como em outras ocasiões – prefere-se falar da moral sexual, de tudo o que tem algum vínculo com o sexo. Dizer que isso pode, aquilo não pode. Que isso é pecado, aquilo não. E então relegamos o tesouro de Jesus vivo, o tesouro do Espírito Santo em nossos corações, o tesouro de um projeto de vida cristã que tem muitas outras implicações para além das questões sexuais. Deixamos de lado uma catequese riquíssima, com os mistérios da fé, do Credo e acabamos nos centrando em se fazemos ou não uma marcha contra um projeto de lei que permite o uso da camisinha”.

E acrescenta: “Creio, sinceramente, que a opção básica da Igreja, na atualidade, não é diminuir ou tirar prescrições ou tornar mais fácil isto ou aquilo, mas sair às ruas para encontrar as pessoas, conhecer as pessoas por seu nome. Mas não só porque essa é sua missão, sair para anunciar o Evangelho, mas porque não fazê-lo produz prejuízo. [...] É verdade que, se alguém sai às ruas, pode lhe acontecer o que acontece a qualquer cidadão comum: acidentar-se. Mas prefiro mil vezes ter uma Igreja acidentada a uma Igreja doente”.

Visto em: Instituto Humanitas Unisinos

sexta-feira, 8 de março de 2013

Conclave terá início no dia 12 de março

 
A oitava Congregação Geral do Colégio dos Cardeais, encerrada no final da tarde desta sexta-feira, decidiu que o Conclave para a eleição do novo Pontífice terá início na prèoxima terça-feira, 12 de março de 2013.

Pela manhã, na Basílica de São Pedro, será celebrada a Missa ‘pro eligendo Pontifice’ e na parte da tarde a entrada dos Cardeais no Conclave.


Fonte: Rádio Vaticano

terça-feira, 5 de março de 2013

Explode o caso Vatileaks. Os cardeais querem saber.

IHU – Vatileaks entra no conclave. No primeiro dia de discussões a portas fechadas e celulares mudos, os 144 cardeais reunidos para falar sobre o futuro da Igreja ouviram pelo menos três vezes, na aula do Sínodo, o pedido de conhecer o relatório reservado sobre a fuga de documentos e os venenos curiais.
 
A reportagem é de Andrea Tornielli e publicada pelo jornal La Stampa, 05-03-2013. A tradução é do Instituto Humanitas Unisinos – IHU.

Na manhã de ontem foram três cardeais que manifestaram o desejo de saber o que consta no “Relatio” preparado pela comissão dos cardeais que fizeram a investigação. O conteúdo do relatório, até o momento, é secreto.
 
O pedido foi feito pelo cardeal alemão Walter Kasper que é da ala dos velhos curiais mais críticos da gestão da Secretaria de Estado dos últimos anos. O mesmo pedido foi feito pelo austríaco Cristoph Schönborn, arcebispo de Viena, que, em 2010, criticou publicamente o ex-Secretário de Estado, Angelo Sodano, por conta da gestão, nos anos do pontificado de João Paulo II, dos casos de abusos sexuais. Igualmente o húngaro Peter Erdö, arcebispo de Budapest, fez o mesmo pedido.
 
Não por acaso também os cardeais de Washington e de Chicago, Donald Wuerl e Francis George, afirmaram, depois da primeira congregação geral, que o caso Vatileaks precisa ser discutido e “que algumas questões serão feitas aos cardeais envolvidos na investigação”.
 
Sabe-se que Bento XVI não quis divulgar o relatório mas permitiu que os três cardeais que investigaram o caso – Herranz, Jozef Tomko e Salvatore De Giorgi – forneçam informações de caráter geral.
 
Também questões ligadas ao funcionamento da Cúria foram levantadas. Um tema central, sobretudo para os cardeais americanos, é a luta contra a pedofilia clerical e a continuação da obra de limpeza iniciada por Ratzinger. “É uma grave ferida no corpo da Igreja – dizem – e o novo Papa precisa afrontá-la”.
 
Outros cardeais fizeram intervenções pontuais e concretas sobre os procedimentos do conclave. “A impressão é que não será um trabalho breve”, sussurra um dos presentes ao sair da reunião.
 
Não há pressa. O colégio cardinalício quer ter o tempo necessário para conversar entre eles, para se encontrarem, para trocar opiniões. Um procedimento que pode desarticular tentativas de acordo e de candidaturas pré-constituídas.
 
Mas seria um erro considerar que os escândalos e Vatileaks tenham sido o tema principal do primeiro dia de trabalho: a preocupação da maioria dos presentes é encontrar um novo Papa que saiba falar ao mundo, anunciar o Evangelho de maneira positiva. “Precisamos de um Papa como São Francisco – diz um cardeal influente no final dos trabalhos de ontem. Um homem que saiba sorrir como João Paulo I, que possa mostrar o rosto da misericórdia de Deus. E que saiba reforma a Cúria para torná-la mais credível e transparente”.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Despedida: Bento XVI se reúne com cardeais antes de deixar pontificado

 
O Papa Bento XVI reuniu-se na manhã desta quinta-feira, 28, com o Colégio Cardinalício em audiência privada, último compromisso de seu pontificado. Na ocasião, o Santo Padre despediu-se dos cardeais.
 
No encontro, o decano do colégio cardinalício, Cardeal Angelo Sodano, dirigiu algumas palavras de homenagem ao Santo Padre. O Cardeal manifestou o profundo afeto dos cardeais pelo Papa e a gratidão pelo seu testemunho de serviço apostólico, para o bem da Igreja de Cristo e de toda a humanidade.
 
Leia mais
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O decano recordou o agradecimento expresso pelo Santo Padre no último sábado, no encerramento dos exercícios espirituais. Na ocasião, Bento XVI agradeceu à Cúria Romana não só pela semana de reflexões, mas também pelos quase oito anos nos quais compartilhou com ele o peso do ministério petrino.
 
“Amado e venerado Sucessor de Pedro, somos nós que devemos agradecer-lhe pelo exemplo que nos destes nestes quase oito anos de Pontificado. (…) Saiba que ardia também o nosso coração quando caminhávamos contigo nestes últimos oito anos. Hoje queremos uma vez mais exprimir-lhe toda a nossa gratidão”.
 
Diante das palavras, o Santo Padre também agradeceu. Ele afirmou, como já havia dito aos fiéis na última audiência geral, realizada ontem, que os conselhos recebidos dos cardeais ao longo de seu pontificado foram grandes riquezas para seu ministério. “Mesmo quando havia nuvens no céu, servimos Cristo e sua Igreja com amor total… demos esperança… só Deus pode iluminar nosso caminho… agradeço ao Senhor que nos uniu”.
 
Bento XVI manifestou seu desejo de que se possa crescer essa unidade profunda, de que o Colégio Cardinalício possa crescer em harmonia. Ele destacou o caráter vivo da Igreja, que vive iluminada pelo Espírito Santo, força de Deus.
 
“Através da encarnação de Cristo, permanece viva, continua a caminhar no tempo e em todos os lugares. Permaneçamos unidos, na oração e eucaristia cotidiana… animamos assim a Igreja e toda humanidade… antes de vos saudar, quero dizer que estarei próximo a vocês na oração, especialmente nos próximos dias. Que o Senhor lhes mostre o que quer de nós”.
 
Logo mais, às 17h (horário em Roma, 13h no horário de Brasília), Bento XVI deixa o Vaticano e segue para Castel Gandolfo. Ele deixa oficialmente o ministério petrino às 20h (16h no horário de Brasília). A partir deste momento, inicia-se o período de Sé Vacante, até a eleição do novo Papa.
 

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Título, vestes e anel de Bento XVI: eis as respostas

 
 
Cidade do Vaticano (RV) – O Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, realizou na manhã desta terça-feira mais uma coletiva de imprensa, em que esclareceu algumas das muitas dúvidas dos jornalistas.

Uma delas é sobre como Bento XVI será chamado a partir do dia 28 de fevereiro. A resposta é: continuará a chamar-se Sua Santidade Bento XVI, mas foi escolhido também Papa Emérito ou Romano Pontífice Emérito.
Sobre as vestes: branca, simples, sem mantelete. Não são mais previstas os sapatos vermelhos. “Parece que o Papa ficou muito satisfeito com os sapatos que lhe presentearam no México, em Leon”, disse Pe. Lombardi.

Não usará mais o anel do pescador, para o qual o Camerlengo, com o decano, darão o fim que a Constituição prevê.

Sobre o dia de hoje, o Papa a transcorrerá em oração e preparação para a transferência a Castel Gandolfo.

Para a Audiência Geral de quarta-feira, foram distribuídos 50 mil bilhetes. Prevê-se o mesmo esquema: um amplo giro com o papamóvel. Não terá lugar o “beija-mão” – este será feito após a Audiência Geral, na Sala Clementina, para algumas autoridades, como o Presidente da Eslováquia, o Presidente da região da Baviera.

Quinta-feira, às 11h, haverá a saudação aos Cardeais, com o discurso do Decano no início. Às 16h55 (hora local), a partida de carro do pátio de São Dâmaso, saudação dos superiores. No heliporto, haverá a saudação do Cardeal Decano. Às 17h15, a chegada a Castel Gandolfo, onde estarão presentes o Bispo de Albano e outros autoridades. Às 17h30, no Pátio interno o Papa saúda os fiéis – a última saudação pública do Santo Padre. Às 20h, a Guarda Suíça, fecha a porta do Palácio Apostólico, encerrando o serviço para o Papa como chefe da Igreja.
(BF)

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Bento XVI aprova modificações nos ritos de posse do novo Papa

Por Catholic News Service | Tradução: Fratres in Unum.com – O Papa Bento XVI ordenou diversas alterações para as Missas e liturgias que marcarão a inauguração do pontificado do próximo papa.
 
Os ritos e gestos que não são estritamente sacramentais ocorrerão antes de uma Missa ou em uma cerimônia que não envolva Missa, disse o Monsenhor Guido Marini, mestre de cerimônias litúrgicas papais, ao jornal do Vaticano, em 22 de fevereiro.
 
Uma das mudanças mais visíveis, segundo ele, seria a restauração do “ato público de obediência”, em que cada cardeal presente na Missa inaugural do papa se apresenta e promete obediência.
 
Quando o Papa Bento celebrou a sua Missa inaugural, em 2005, 12 pessoas foram escolhidas para representar todos os católicos: três cardeais, um bispo, um padre diocesano, um diácono transitório, um religioso, uma religiosa, um casal, bem como um jovem e uma jovem recém-crismados.
 
Marini disse que o Papa Bento aprovou pessoalmente as alterações no dia 18 de fevereiro; elas incluem a oferta de uma escolha mais ampla de orações tradicionais de Missas em polifonia e canto, em vez do novo repertório musical composto para o livro de 2005.
 
Após ter experimentado pessoalmente os ritos litúrgicos redigidos pelo predecessor de Monsenhor Marini – e aprovados pelo Papa Bento imediatamente após a sua eleição – o papa sugeriu “algumas alterações com o objetivo de melhorar o texto” dos ritos para o início do pontificado, formalmente conhecido como o “Ordo Rituum pro Ministerii Petrini Initio Romae Episcopi.”
 
As alterações, disse o Monsenhor Marini, “seguem na linha das modificações feitas nas liturgias papais” ao longo do curso do pontificado do Papa Bento.
 
A edição anterior do caderno de rituais também pedia que o novo papa visitasse as basílicas de São Paulo Fora dos Muros e Santa Maria Maior dentro de duas ou três semanas de sua posse.
 
O novo livro, disse Monsenhor Marini, deixa essa incumbência para que o novo papa decida “quando essa visita seria mais oportuna, mesmo com alguma distância da sua eleição, e sob a maneira que ele julgar melhor, seja ela uma Missa, uma celebração da Liturgia das Horas ou um ato litúrgico particular” como aquele que se encontra no livro de rituais de 2005.
 
Por outro lado, em uma resposta de e-mail a indagações, Monsenhor Marini disse ao Catholic News Service que nenhuma modificação significativa havia sido feita ao “Ordo rituum conclavis,” o livro de rituais, Missas e orações que acompanham o conclave para eleger um novo papa.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

O Papa está para mudar as regras do Conclave

O porta-voz vaticano, padre Lombardi, indicou que poderiam tratar-se de «alguns pontos de detalhe», como a «plena harmonização com outro documento relacionado com o Conclave, o “Ordo Rituum Conclavis”»

Alessandro Speciale Roma
 
«O Papa está considerando a publicação de um Motu proprio, nos  próximos dias, obviamente antes de que comece a sede vacante, para esclarecer alguns pontos particulares da Constituição Apostólica sobre o Conclave (“Universi Dominici Gregis”, ndr.) que, durante os últimos anos, lhe foram apresentados».
  
Segundo Lombardi, as indicações do Motu Proprio poderiam se relacionar com «alguns pontos de detalhes», como a «plena harmonização com outro documento relacionado com o Conclave, quer dizer o ''Ordo Rituum Conclavis''», que regula as orações e a as fórmulas recitadas para a eleição de um novo Papa, «De qualquer maneira – concluiu – a questão depende da avaliação do Papa, pelo que, se fará um texto novo, ou se indicará da maneira oportuna».
   
Durante um encontro que houve esta manhã no Vaticano, o Vice-Prefeito da Biblioteca Apostólica Vaticana, Ambrogio Piazzoni, explicou que, à luz da legislação atual, «se os cardeais chegam a Roma antes dos 15 dias de espera previstos, não há nada que esperar», e, neste caso, a reunião dos cardeais poderia dar-se antes do prazo estabelecido pela“Universi Dominici Gregis”.
 
A Constituição estabelece, no parágrafo 37, que a partir do momento em que a Sé Apostólica está legitimamente vacante, os Cardeais eleitores devem esperar durante quinze dias aos ausentes; ademais, o Colégio dos Cardeais tem a faculdade de retardar, se existem motivos muitos graves, o início da eleição. No máximo depois de que hajam passado 20 dias do início da sede vacante, todos os cardeais eleitores presentes terão que começar a eleição.
 
Piazzoni sublinhou que, de qualquer maneira, «até às 19h59min de 28 de fevereiro, o Papa é o supremo legislador e pode intervir nas normas que regulam o Conclave», porque «o Santo Padre é o único que pode intervir na legislação relativa ao Conclave». Até o momento de sua renúncia, adicionou, «a interpretação da lei a pode dar somente o Papa».
 
Há alguns dias, o padre Lombardi tinha excluído qualquer novidade sobre a data de início do Conclave e disse ainda que a questão « foi plantada inclusive por diferentes cardeais e esperamos uma resposta autorizada, apenas que esteja disponível ». «A situação é um pouco diferente da anterior, na que a convocação aos cardeais se fez quando já estava vacante a sé, enquanto neste caso, com a comunicação antecipada da renúncia algumas semanas antes e o anúncio do começo da sede vacante antecipadamente, os cardeais, obviamente já estão conscientes e podem  se preparar para vir com mais tempo» a Roma. E o jesuíta também explicou que na eventualidade de que já tenham chegado, de que não tenha que esperar a ninguém, «se pode interpretar a constituição apostólica de forma diferente. A pergunta existe, alguns têm a plantado, alguns a têm proposto. O problema segue aberto». 
 

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Trechos do discurso de Bento XVI aos párocos de Roma - 14/02/13

 
 
É para mim uma graça particular da Providência que, antes de deixar o ministério petrino, possa ver ainda o meu clero, o clero de Roma. É sempre uma grande alegria ver como a Igreja vive, como em Roma a Igreja está viva: são pastores que no espírito do Pastor supremo, guiam o Rebanho do Senhor. É um clero realmente católico, universal e isto responde à essência da Igreja de Roma em si, levar à universalidade, a catolicidade de todos os povos, de todas as raças, de todas as culturas. Ao mesmo tempo estou muito grato ao cardeal vigário que ajuda a despertar, a encontrar as vocações na própria Roma, porque se Roma por um lado deve ser a cidade da universalidade, deve ser também uma cidade com uma própria força, fé robusta, a partir da qual nascem vocações. E estou convicto de que com a ajuda do Senhor podemos encontrar as vocações que Ele próprio nos dá, guiá-las, ajudá-las a amadurecer e assim servir para o trabalho na vinha do Senhor.

Hoje, vós confessastes diante do Túmulo de São Pedro, o Credo: no Ano da Fé, parece-me um ato muito oportuno, necessário, talvez, que o clero de Roma se reúna no Túmulo do Apóstolo ao qual o Senhor disse: "A ti confio a minha Igreja. Sobre ti edificarei a minha Igreja". Diante do Senhor, junto com Pedro, vós confesseis: “Tu és Cristo, o Filho de Deus vivo”. Assim cresce a Igreja: junto com Pedro, confessar Cristo, seguir Cristo. E façamos isso, sempre. Eu sou muito grato pela vossa oração que senti – como disse na quarta-feira – quase fisicamente. Mesmo se me retiro agora, em oração estou sempre próximo a todos vós e tenho certeza de que também todos vós sois próximos a mim, mesmo que para o mundo eu permaneça escondido.

Por hoje, segundo as minhas condições e idade, não pude preparar um grande e verdadeiro discurso, como se poderia esperar; mas antes de tudo penso em uma pequena conversa sobre o Concílio Vaticano II, como eu o vi.

Eu tinha sido nomeado em 1959 como professor da Universidade de Bonn, onde estudam os estudantes, os seminaristas da diocese de Colônia e de outras dioceses vizinhas. Assim, estive em contato com o Cardeal de Colônia, o Cardeal Frings. O Cardeal Siri, de Gênova, - parece-me que em 1961 – tinha organizado uma série de conferências, com diversos cardeais europeus, sobre o Concílio e tinha convidado também o arcebispo de Colônia para realizar uma conferência, com o título: “O Concílio e o mundo do pensamento moderno”. O cardeal convidou-me – o mais jovem dos professores – a escrever-lhe um projeto; o projeto lhe agradou e propôs ao povo, a Gênova, este texto, como eu o tinha escrito.
 
Pouco depois, Papa João o convida a vir e ele estava cheio de temor de ter dito talvez qualquer coisa de errado, de falso e teria uma reprovação, talvez também para tirar-lhe o título... (os párocos riem). Sim ...quando o seu secretário o vestiu para a audiência, disse: "Talvez agora abrigue pela última vez este material"... (os párocos riem). Depois, entrou. Papa João vai ao seu encontro, abraça-o e diz: "Obrigado, eminência, dissestes o que eu queria dizer, mas não tinha encontrado as palavras"... (os párocos riem, aplaudem). Assim, o cardeal sabia que estava no caminho certo, e convidou-me a ir com ele ao Concílio, antes como seu assessor pessoal, depois – ao longo do primeiro período, talvez em novembro de 1962 – fui nomeado também perito oficial do Concílio.

Então, nós fomos ao Concílio não só com alegria, mas com entusiasmo. Era uma expectativa incrível. Esperávamos que tudo se renovasse, verdadeiramente que viesse um novo Pentecostes, uma nova era da Igreja, porque a Igreja estava ainda bastante robusta, naquele tempo: a práxi dominical ainda boa, também as vocações ao sacerdócio e à vida religiosa estavam já um pouco reduzidas, mas ainda suficientes. Todavia, se sentia que a Igreja não estava seguindo em frente, mas estava reduzindo, parecia uma realidade do passado e não a condutora do futuro. E agora, esperávamos que esta relação se renovasse, fosse mudada, que a Igreja fosse de novo a força do amanhã e a força do hoje.
 
O Papa recordou ainda como a visão que se tinha era de "que a relação entre a Igreja e o período moderno do início era um pouco contrastante", começando com o erro no caso de Galileu, "e se pensava em corrigir este início errado" e em encontrar uma nova relação entre a Igreja e as forças melhores do mundo, "para abrir o futuro da humanidade, para abrir o verdadeiro progresso".

O Papa recorda: "estávamos cheios de esperança, de entusiasmo e também de vontade. Recordo-me – disse – que como modelo negativo era considerado o Sìnodo romano" - onde – se diz – que teria lido textos já preparados, e os membros do Sínodo teriam simplesmente aprovado e assim se teria realizado o Sínodo. Os bispos concordaram que não fariam assim enquanto eles próprios fossem sujeitos do Concílio. Assim – prosseguiu – até o cardeal Frings, que era famoso pela fidelidade absoluta, quase escrupulosa, ao Santo Padre, disse que o Papa convocou os bispos no Concílio ecumênico como um sujeito que renova a Igreja.

Bento XVI recordou que "o primeiro momento no qual se mostrou esta atitude, foi logo no primeiro dia". Estavam previstas, para este primeiro dia, as eleições das Comissões e estavam preparadas “de maneira imparcial as listas, os nominativos”. E estas listas eram para votar. Mas logo os padres disseram: “Não, não queremos simplesmente votar listas já feitas. Somos nós o sujeito”. Foi preciso transferir as eleições – acrescentou – porque os padres mesmos queriam conhecer-se um pouco, queriam eles mesmos preparar as listas. Assim foi feito. Não era um ato revolucionário – mas um ato de consciência, de responsabilidade por parte dos Padres conciliares.

Assim – observou o Papa – começava uma forte atividade de conhecimento recíproco. E isso se tornou usual para todo o período do Concílio: "pequenos encontros transversais". Neste novo modo pode conhecer grandes figuras como padre de Lubac, Danielou, Congar, etc.. E esta – revelou "era já uma experiência da universalidade da Igreja e da realidade concreta da Igreja, que não simplesmente recebe imperativos do alto, mas unida cresce e vai avante, sempre sob a guia – naturalmente – do Sucessor de Pedro.

Ressaltou, portanto, que tudos “vinham com grandes expectativas” porque “jamais havia sido realizado um Concílio destas dimensões”, mas não todos sabiam como operar. Aqueles que tinham intenções mais definidas eram o episcopado francês, alemão, belga, holandês, a assim chamada "Aliança Renana" (ou europeia). E na primeira parte do Concílio – disse – era eles que indicavam a estrada, em seguida alargada velozmente a atividade e todos sempre mais participaram da “criatividade do Concílio”.

Os franceses e os alemães – observou – tinham diversos interesses em comum, também com tons bastante diferentes. A primeira intenção inicial, aparentemente simples, “era a reforma da liturgia, que já havia começado com Pio XII”, que já tinha reformado a Semana Santa; a segunda intenção era a eclesiologia; a terceira a Palavra de Deus, a Revelação, e depois também o ecumenismo. Os franceses, muito mais que os alemães – notou – tinham ainda o problema de enfrentar a situação da relação entre a Igreja e o mundo.

Em relação à primeira questão, o Papa recordou que “depois da primeira guerra mundial, havia crescido na Europa central-ocidental, o movimento litúrgico” como “redescoberta da riqueza e profundidade da liturgia”, que estava até aquele momento quase fechado no Missal Romano do sacerdote, enquanto o povo reza com os próprios livros de oração “que eram feitos de acordo com o coração do povo”, assim se “buscava traduzir os conteúdos altos, a linguagem alta da liturgia clássica, em palavras mais emocionais, mais próximas ao coração do povo. Mas eram quase duas liturgias paralelas: o sacerdote com o coroinha, que celebrava a Missa segundo o Missal, e os leigos que rezavam a Missa com seus livros de oração”. Agora – prosseguiu – foi redescoberta “a beleza, a profundidade, a riqueza histórica, humana, espiritual do Missal” e a necessidade que não só um representante do povo, um pequeno coroinha, pudesse dizer “Et cum spiritu tuo” etc., mas que pudesse ser realmente “um diálogo entre sacerdote e povo”, de maneira que realmente a liturgia do altar e a liturgia do povo fossem “uma única liturgia, uma participação ativa”, de maneira que as riquezas chegassem ao povo: “e assim foi redescoberta, renovada a liturgia”.
 
O Papa destacou considerar de maneira muito positiva o fato de ter começado com a liturgia, porque desta maneira “aparece o primado de Deus”. Alguém – relevou – criticou o Concílio porque falava de tantas coisas, mas não de Deus: ao invés, falou de Deus e seu primeiro ato foi o de falar de Deus e de abrir a todo o povo santo a possibilidade da adoração de Deus, na comum celebração da liturgia do Corpo e Sangue de Cristo. Neste sentido – observou – além dos fatores práticos que desaconselhavam começar logo com temas controversos, foi realmente “um ato de Providência” que no início do Concílio tivesse liturgia, tivesse Deus, tivesse adoração.
 
O Santo Padre recordou, portanto, ideias essenciais do Concílio: principalmente o mistério pascal como centro do ser cristão, e portanto da vida cristã, expressada no tempo pascal e no domingo que é sempre o dia da Ressurreição: “sempre de novo começamos o nosso tempo com a Ressurreição, com o encontro com o Ressuscitado”. Neste sentido – observou – é uma pena que hoje o domingo tenha se transformado em um fim de semana, enquanto é o primeiro dia, é o início: “interiormente devemos considerar assim, é o início, o início da Criação, é o início da re-criação da Igreja, o encontro com o Criador e com Cristo Ressuscitado”. O Papa sublinhou a importância deste duplo conteúdo do domingo: é o primeiro dia, isto é, a festa da Criação, enquanto cremos em Deus Criador, e o encontro com o Ressuscitado que renova a Criação: “seu verdadeiro objetivo é criar um mundo que é resposta ao amor de Deus”.
 
Outras ideias do Concílio eram princípios de inteligibilidade da Liturgia – ao invés de ficar fechado em uma língua não conhecida, não falada – e também a participação ativa. “Infelizmente – disse – estes princípios foram também mal entendidos”. De fato, a inteligibilidade não significa “banalidade”, porque os grandes textos da liturgia – também nas línguas faladas – não são facilmente inteligíveis, “precisam de uma formação permanente do cristão, para que cresça e entre sempre mais na profundidade do mistério e assim possa compreender”. E também em relação à Palavra de Deus – perguntou – quem poderia dizer que entende os textos da Escritura rapidamente, somente porque está na própria língua? “Só uma formação permanente do coração e da mente pode realmente criar inteligibilidade e uma participação que é mais de uma atividade exterior, que é um entrar na pessoa, do meu ser na comunhão da Igreja e assim na comunhão com Cristo”.
 
O Papa abordou o segundo tema: a Igreja. Recordou que o Concílio Vaticano I foi interrompido por causa da guerra franco-germânica e assim sublinhou só a doutrina sobre o primado, que foi definida “graças a Deus naquele momento histórico”, e “para a Igreja era muito necessária para o tempo seguinte”. Mas – sublinhou - “era somente um elemento em uma eclesiologia mais vasta”, já em preparação. Assim do Concílio restou um fragmento. E, portanto, já desde o início – disse – havia esta intenção de realizar em uma data a ser fixada uma eclesiologia completa. Também aqui – sublinhou – as condições pareciam muito boas porque, depois da primeira guerra mundial, renasceu o sentido da Igreja em novo modo. Nas almas começa a despertar a Igreja e o bispo protestante falava do “século da Igreja”. Foi reencontrado principalmente o conceito que estava previsto pelo Vaticano I, do corpo místico de Cristo, queria dizer e entender que a Igreja não é uma organização, algo de estrutural, jurídico, institucional, é também isso, mas é um organismo, uma realidade vital, que entra na minha alma, tanto que eu mesmo, com minha alma que crê, sou elemento construtivo da Igreja como tal. Neste sentido, Pio XII havia escrito a Encíclica Mistici Corporis Christi, como um passo rumo a uma complementação da eclesiologia do Vaticano I.
 
Diria que a discussão teológica dos anos 30 e 40, também 20, estava completamente sob este sinal do palavra “Mistici Corporis”. Foi uma descoberta que criou tanto alegria naquele tempo e também neste contexto cresceu a fórmula “Nós somos a Igreja, a Igreja não é uma estrutura, alguma coisa... nós cristãos, juntos, somos todos o corpo vivo da Igreja”. E naturalmente isso vale no sentido que nós, o verdadeiro nós dos crentes, junto com o Eu de Cristo, é a Igreja. Cada um de nós, não um nós, um grupo que se declara Igreja. Não: este “nós somos Igreja” exige minha inserção no grande “nós” dos crentes de todos os tempos e lugares.
 
Portanto, primeira ideia: completar a eclesiologia de modo teológico, mas prosseguindo também de modo estrutural, isto é, ao lado da sucessão de Pedro, a sua função única, definir também melhor a função dos bispos, do corpo episcopal. E para fazer isso, foi encontrada a palavra “colegialidade”, muito discutida com intensas discussões, diria, até um pouco exageradas. Mas era a palavra, talvez poderia ser também uma outra, mas servia esta para expressar que os bispos, juntos, são a continuação dos doze, do corpo dos Apóstolos. Dissemos: só um bispo, o de Roma, é sucessor de um determinado apóstolo, de Pedro. Todos os outros se tornam sucessor dos apóstolos entrando no corpo dos apóstolos. E assim o corpo dos bispos, o colégio, é a continuação do corpo dos doze, tem assim sua necessidade, a sua função, os seus direitos e deveres.
 

Continuaremos a chamá-lo de Bento XVI, diz porta-voz do Vaticano


O Papa Bento XVI poderá continuar sendo chamado de Bento XVI após sua renúncia. Isso foi o que disse o porta voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, durante coletiva de imprensa na manhã desta quinta-feira, 14, no Vaticano.
Respondendo aos jornalistas que indagavam sobre a forma como se referir ao Papa no futuro, Padre Lombardi explicou que “ainda não se tem clareza” se será “Bispo emérito de Roma”. Mas quanto ao nome “Bento XVI”, esclareceu que é um título ao qual não pode renunciar.

“Penso poder reiterar que Bento XVI é um título ao qual não pode renunciar: é o seu nome como Papa, que levou para toda a Igreja e para todo o mundo oficialmente, por oito anos. Então certamente nós continuaremos a poder dizer que é Bento XVI. Isto não muda e não pode evidentemente mudar!”, disse o porta voz.

Sobre a viagem do Papa após 28 de fevereiro, ele explicou que serão Dom George Gaenswein, que permanece prefeito da Casa Pontifícia, e as “leigas consagradas da família pontifícia”, que já se ocupam da vida cotidiana do Papa, a acompanhá-lo primeiro para Castel Gandolfo, depois para o Vaticano.

O porta voz também explicou que os cardeais que vão chegar ao Vaticano estarão a partir de 1º de março, não antes disso, na Casa Santa Marta. Ele confirmou que o conclave iniciará entre 15 e 20 de março, “a data será comunicada durante a sede vacante” e que seja o Cardeal Walter Kasper seja o Cardeal Severino Poletto poderão participar, porque completarão 80 anos em março. O limite previsto para o voto é para quem já completou esta idade no primeiro dia da sede vacante.

Com relação ao encontro do Papa com os párocos e sacerdotes de Roma, realizado também nesta quinta-feira, padre Lombardi disse aos jornalistas que foi um “testemunho único do Concílio Vaticano II”. Mais uma vez, ele voltou a reiterar que a renúncia do Pontífice aconteceu por motivos de envelhecimento e que nem a queda durante a viagem ao México nem outras motivações influíram sobre sua decisão.

Fonte: Canção Nova Notícias e Rádio Vaticano

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Obrigado, BENTO XVI!



Realmente a notícia da renúncia do Santo Padre Bento XVI nos pegou desprevenidos, de surpresa!

Se havia comentado algo em tempos passados, sobre uma possível renúncia do Papa em caso de fragilidade física. No livro ‘Luz do mundo: o Papa, a Igreja e o Sinal dos Tempos’, uma entrevista do papa ao jornalista católico alemão Peter Seewald, contém muitas informações e reflexões sobre a vida pessoal e perspectivas de Bento XVI. E o próprio Papa chega a comentar: “Sim, se um papa percebe claramente que não tem mais condições físicas, psicológicas e espirituais de encarregar-se dos deveres de seu cargo, ele tem o direito e, sob certas circunstâncias, a obrigação de renunciar”.

(...)

MEDIDAS PRÓXIMAS A SEREM TOMADAS

Segundo o porta-voz do Vaticano, a Santa Igreja deve ter um novo Papa até a festa da Páscoa, no próximo dia 31 de março: “Temos de ter um novo Papa na Páscoa”, afirmou. O conclave deve ser realizado de 15 a 20 dias após a renúncia.

No Código de Direito Canônico, no artigo 332.2, se prevê a possibilidade de um papa renunciar, mas precisa fazê-lo por sua livre vontade, e não é necessário que sua renúncia seja aceita por ninguém. Segundo o código, uma vez tendo renunciado, o papa não pode mais voltar atrás.

Após a renúncia ou morte do papa, os assuntos da Santa Igreja ficam sob a responsabilidade do Cardeal Decano ou Camerlengo. 

Ele convocará o conclave, reunindo todos os cardeais da Igreja Católica no Vaticano. Eles ficarão isolados em celas particulares e se reunirão na Capela Sistina duas vezes por dia para votar, durante o tempo que for necessário para a eleição do novo Pontífice. O voto é secreto. A votação é feita em papel. Para que um papa seja eleito o candidato deverá ter a maioria dos votos, ou seja, metade mais um. Depois de cada sessão, os papéis da votação são queimados. Se não houver uma definição, uma substância química é adicionada aos papéis para produzir uma fumaça escura, que sai pela famosa chaminé que poderá ser avistada da Praça de São Pedro. Se houver uma definição, a fumaça é branca. Assim sendo, reviveremos novamente a emoção de ouvir na sacada principal da Basílica Vaticana: ‘Habemus Papam!’


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