sábado, 8 de junho de 2013

Carta do Prelado do Opus Dei - Junho

Caríssimos: que Jesus guarde as minhas filhas e os meus filhos!

Ao começar o mês de junho, sempre vem à nossa mente, com particular força, a recordação de São Josemaría, cuja memória litúrgica – solenidade na Prelazia – recai no dia 26. Ao meditarmos no seu exemplo de vida, ao relermos os seus escritos, percebemos cada vez mais as grandes maravilhas que Deus realiza nas almas plenamente fiéis aos seus desígnios. Vem-me à boca aquela exclamação da Sagrada Escritura: Mirábilis Deus in sanctis suis [1], como De

A identificação plena com Cristo – nisto consiste a santidade – é atribuída de modo especial ao Espírito Santo. Agradeçamos-lhe pela ação com que constantemente santifica as almas. Nos dias anteriores, ao celebrarmos a solenidade de Pentecostes e a seguir a Santíssima Trindade, muitas vezes elevamos o nosso coração a esse Deus cuja vontade é – como escreve São Paulo – que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade [2].

E ao mergulharmos novamente no Tempo Comum, a liturgia recorda-nos que nos encontramos na etapa da história intermédia entre a vinda do Paráclito no Pentecostes e o advento glorioso de Jesus Cristo no fim dos tempos. Esta é uma das verdades contidas no Credo, com a qual se encerra o ciclo dos mistérios referentes a Nosso Senhor. Todos os domingos, na Santa Missa, confessamos que o Senhor, agora sentado à direita do Pai, de novo há de vir em sua glória para julgar os vivos e os mortos, e o seu reino não terá fim [3].

«A partir da Ascensão – explica o Catecismo da Igreja Católica –, o advento de Cristo é iminente» [4], no sentido de que pode ocorrer em qualquer momento. Só Deus conhece quando terá lugar este acontecimento que marcará o fim da história e a renovação definitiva do mundo. Por isso, sem alarmismos nem temores, mas com sentido de responsabilidade, temos de caminhar bem preparados para esse encontro definitivo com Jesus, que, por outro lado, se realiza para cada um de nós no momento da morte. De Deus viemos e para Deus vamos: no fundo, esta realidade é a síntese da sabedoria cristã. No entanto, como o Papa lamentava recentemente, estes dois polos da história são frequentemente esquecidos; e sobretudo a fé no retorno de Cristo e no juízo final às vezes não é tão clara e firme no coração dos cristãos [5].

Consideremos que esse encontro definitivo do Senhor com cada um de nós é precedido pela sua atuação constante em cada momento da nossa vida cotidiana. Ainda me recordo da vivacidade com que São Josemaria lhe pedia para este caminhar diário: Mane nobíscum! [6], fica conosco. Dizemos-lhe isto conscientes de que temos de deixar que Ele atue em toda a nossa vida? Também nos estimulava a estar prontos para prestarmos contas a Deus em qualquer momento. Escreveu em Caminho: “Há de vir julgar os vivos e os mortos”, rezamos no Credo. – Oxalá não percas de vista esse julgamento e essa justiça e… esse Juiz [7]. Sou testemunha de que, todos os dias, considerava pessoalmente esta eventualidade e se enchia de alegria; da mesma maneira deveríamos alegrar-nos todos os que sabemos que somos filhos de Deus. Por isso acrescentava: Será que não brilha na tua alma o desejo de que teu Pai-Deus fique contente quando tiver que julgar-te? [8].

O tempo presente, a etapa da história que cabe a cada um de nós percorrer, «é um tempo de expectativa e de vigília» [9], em que temos de trabalhar com a vontade e o entusiasmo dos bons filhos para irmos estabelecendo na terra, com a ajuda da graça, o reino de Deus que Jesus Cristo levará à sua perfeição no último dia. Assim o explica o Senhor na parábola dos talentos, que o nosso Padre comentou em tantas ocasiões [10]. O Romano Pontífice recordou-o em uma das suas catequeses por ocasião do Ano da fé. A espera pelo retorno do Senhor é o tempo da ação (…), o tempo de fazermos render os dons não para nós mesmos, mas para Ele, para a Igreja, para os outros; o tempo em que devemos sempre procurar fazer que o bem cresça no mundo. E hoje, em particular, neste período de crise, é importante não nos fecharmos em nós mesmos, enterrando o nosso talento, as nossas riquezas espirituais, intelectuais, materiais, tudo aquilo que o Senhor nos deu; mas abrirmo-nos, sermos solidários, estarmos atentos ao outro [11].

Minhas filhas e meus filhos, não deixemos estas recomendações caírem no esquecimento; esforcemo-nos para que outras pessoas – muitas! – não apenas as escutem, mas se esforcem para pô-las em prática. Em última instância, tudo se resume em permanecermos atentos, por amor a Deus, às necessidades dos demais, começando pelos mais próximos – pelos que se encontram ao nosso lado por motivos familiares, profissionais ou sociais –, tendo muito presente que – como escreveu São João da Cruz e o Catecismo cita – «no ocaso da nossa vida, seremos julgados quanto ao amor» [12]. O próprio Cristo assim o manifesta na impressionante cena do juízo final descrita por São Mateus [13]. Como é que servimos? Pomos alegria sobrenatural e humana nesses detalhes, que devem ser cotidianos?

A reflexão sobre estas realidades últimas não há de ser, repito, uma causa de temores que paralisem a alma, mas ocasião para irmos retificando a nossa senda terrena, conformando-nos com o que Deus espera de cada um de nós. Tem de impelir-nos a viver melhor o presente. Deus oferece-nos este tempo com misericórdia e paciência, para que aprendamos a reconhecê-lO todos os dias nos pobres e nos pequenos; para que nos dediquemos ao bem e estejamos vigilantes na oração e no amor [14].

Somos sustentados e impelidos pelo Espírito Santo, que Jesus enviou ao mundo após a sua ascensão gloriosa ao Céu. Consideramo-lo com alegria na recente solenidade de Pentecostes e confessamos a sua existência e a sua ação na Igreja todas as vezes em que rezamos o Credo: Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida, e procede do Pai e do Filho, e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado; Ele que falou pelos profetas [15].

Trata-se de uma verdade inacessível à razão humana, revelada por Cristo aos Apóstolos, que nos mostra a grandeza e a perfeição de Deus. «O Pai não foi feito, nem gerado, nem criado por ninguém. O Filho procede do Pai, não foi feito, nem criado, mas gerado. O Espírito Santo não foi feito, nem criado, nem gerado, mas procede do Pai e do Filho» [16]. O Catecismo da Igreja Católica sintetiza esta doutrina em breves palavras: «A Unidade divina é Trina» [17].

O Espírito Santo é o Amor das duas primeiras Pessoas: Amor nãocriado e infinito, Amor consubstancial, Amor eterno que procede da entrega mútua do Pai e do Filho: um mistério absolutamente sobrenatural que conhecemos por revelação do próprio Jesus Cristo e que nos ajuda a entender a grandeza do dom de amar. Fundamentados nas suas palavras, os Padres da Igreja e outros grandes teólogos guiados pelo Magistério esforçaram-se por ilustrar de algum modo – sempre no claro-escuro da fé – a divindade do Paráclito.

Baseados no modo de conhecer e de querer próprio das criaturas humanas, criadas à imagem e semelhança de Deus, e nos nomes e missões atribuídos ao Espírito Santo na Sagrada Escritura, esses autores explicaram a sua processão do Pai e do Filho como Amor subsistente. Assim como Deus Pai, ao conhecer a sua própria Essência, gera o Filho, assim o Pai e o Filho se amam em um único ato de amor, eterno e infinito, que é o Espírito Santo.

Que alegria e que paz nos deve dar a fé de nos sabermos assistidos a todo o momento pelo divino Paráclito! Não só acompanhados por Ele de fora, como um amigo afetuoso, mas como um hóspede que mora, com o Pai e com o Filho, na intimidade da nossa alma em graça. Ele é descanso no trabalho, refrigério no meio do calor, consolo no pranto [18], como reza a Igreja na sequência de Pentecostes. É a lux beatíssima, a luz bem-aventurada que penetra até o fundo da alma: ilumina-nos para que conheçamos Cristo melhor, fortalece-nos para segui-lO de perto quando os obstáculos e as contradições parecem assediar-nos, impele-nos a sair de nós mesmos para nos preocuparmos com os outros e levá-los a Deus.

A força e o poder de Deus iluminam a face da terra. O Espírito Santo continua assistindo a Igreja de Cristo, para que seja – sempre e em tudo – o sinal erguido diante das nações para anunciar à humanidade a benevolência e o amor de Deus (cf. Is 11, 12). Por maiores que sejam as nossas limitações, nós, os homens, podemos olhar com confiança para os céus e sentir-nos cheios de alegria: Deus nos ama e nos livra dos nossos pecados. A presença e a ação do Espírito Santo na Igreja são o penhor e a antecipação da felicidade eterna, dessa alegria e dessa paz que Deus nos proporciona [19].

Entre as metáforas que a Escritura utiliza para falar do Paráclito, uma das mais frequentes é a da água, um elemento absolutamente necessário para a vida natural: onde falta ou escasseia, tudo se converte em deserto, e os seres vivos adoecem ou morrem; manifesta uma das grandes riquezas que o Criador confiou aos homens para que a administrem bem, a serviço de todos. Na ordem sobrenatural, essa fonte de vida é o Paráclito. No seu colóquio com a mulher samaritana e depois na festa dos Tabernáculos, Jesus Cristo prometeu que daria água viva àqueles que acolhessem a sua palavra com fé, que poria, em todos aqueles que O buscassem, uma fonte de água viva que brotaria incessantemente do seu interior. São João anota que se referiu com isto ao Espírito que haviam de receber os que cressem nEle [20].

O Espírito Santo chega aos cristãos como manancial inesgotável dos tesouros divinos. Recebemo-lO no Batismo e na Confirmação; é-nos conferido no sacramento da Penitência, aplicando novamente às almas os méritos infinitos de Cristo; é enviado às nossas almas e aos nossos corpos todas as vezes que recebemos a Eucaristia e os outros sacramentos; age na nossa consciência por meio das virtudes infusas e dos dons… Em uma palavra, a sua missão consiste em fazer-nos verdadeiros filhos de Deus e em que nos comportemos de acordo com essa dignidade. Ensina-nos a olhar com os olhos de Cristo, a viver a vida como Cristo a viveu, a compreender a vida como Cristo a compreendeu. Eis por que a água viva que é o Espírito sacia a sede da nossa vida [21].

O Paráclito, Senhor e Dador de vida, que falou pelos profetas e ungiu Cristo para que nos comunicasse as palavras de Deus, agora continua a fazer que a sua voz seja ouvida na Igreja e na intimidade das almas. Por isso, viver segundo o Espírito Santo é viver de fé, de esperança, de caridade: é deixar que Deus tome posse de nós e mude pela raiz os nossos corações, para os moldar à sua medida [22]. Agradeçamos-lhe os cuidados que nos dispensa como um pai e uma mãe bons, porque isso e muito mais é o que Ele faz por cada um de nós. Invocamo-lO frequentemente? Renovamos, todos os dias, a decisão de manter a alma atenta às suas inspirações? Esforçamo-nos por segui-las sem opor resistência?

Para tornar realidade estas aspirações, recomendo-vos que façais vossas umas palavras que São Josemaria escreveu nos primeiros anos da Obra: Vem, ó Espírito Santo! Ilumina o meu entendimento para conhecer os teus preceitos; fortalece o meu coração contra as insídias do inimigo; inflama a minha vontade… Ouvi a tua voz e não quero endurecer-me e resistir, dizendo: depois…, amanhã. Nunc cœpi! Agora!, que não seja que o amanhã me falte.

Ó Espírito de verdade e sabedoria, Espírito de entendimento e conselho, Espírito de alegria e paz! Quero o que quiseres, quero porque o queres, quero como o quiseres, quero quando o quiseres… [23].

Peçamos-lhe com toda a confiança pela Igreja e pelo Papa, pelos bispos e sacerdotes, por todo o povo cristão. De modo especial, roguemos-lhe por esta pequena parte da Igreja que é o Opus Dei, pelos seus fiéis e cooperadores, por todas as pessoas que se aproximam do nosso apostolado movidas pelo nobre desejo de servir a Deus e os outros mais e melhor. E que grande consolo nos é oferecido com a solenidade do Coração de Jesus e com a memória do Coração Imaculado de Maria! Recorramos a estes refúgios de paz, de amor, de alegria, de segurança.

Há dois dias regressei de uma viagem à África do Sul, onde o trabalho da Obra vai ganhando corpo. Sabeis que me faria feliz estar em todos os lugares onde vivem e trabalham as minhas filhas e os meus filhos. Vou a cada um deles com a oração, com o sacrifício feito com gosto, com o oferecimento do trabalho. Uni-vos às minhas intenções e rezai por mim, especialmente por ocasião do meu aniversário, no próximo dia 14, para que, sempre e em tudo, me deixe conduzir pelo afã exclusivo de servir a Deus, a Igreja, as almas e todos vós com a totalidade e a alegria com que o nosso Padre procedeu, com a fidelidade do queridíssimo D. Álvaro e de todos os que nos precederam na Casa do Céu.

Com todo o afeto, abençoa-vos

                                                                                     o vosso Padre

                                                                                     + Javier



Roma, 1º de junho de 2013.
us é admirável nos seus santos!

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Carta do Prelado do Opus Dei para o mês de Maio

Caríssimos: que Jesus guarde as minhas filhas e os meus filhos!

Mês de maio: um tempo rico em festas litúrgicas e em aniversários da Obra. Desejamos percorrê-lo conduzidos pela mão da Virgem, nossa Mãe, que nos leva sempre ao seu Filho e, com Ele e por Ele, ao Espírito Santo e a Deus Pai. Desde agora, pedimos a Nossa Senhora que nos acompanhe muito de perto, que nos obtenha sempre graças abundantes para sermos dóceis ao Paráclito – como Ela o foi – e assim nos parecermos mais e mais com o seu Filho Jesus.

Nas semanas decorridas desde a eleição do Papa Francisco, pudemos contemplar os afãs de renovação interior que se produziram em tanta gente, porque são muitas as pessoas que manifestaram publicamente a necessidade de se aproximarem de novo ou com mais frequência do sacramento da Penitência. Agradeçamos ao Senhor estes dons cuidando, em primeiro lugar, de aproveitá-los a fundo pessoalmente, ao mesmo tempo que nos esforçamos por ajudar os nossos parentes, amigos, colegas de trabalho ou de estudo, a decidir-se a empreender diariamente – como nós mesmos temos que fazer – uma vida plenamente coerente com a fé que professamos.

Continuando com a exposição dos artigos do Credo, aprofundemos no mistério da Ascensão do Senhor. Cremos, com efeito, que Jesus Cristo, depois de ressuscitado, subiu ao céu e está sentado à direita de Deus Pai [1]. Esta solenidade, que celebraremos neste mês – na quinta-feira dia 9 ou, nos países em que foi transferida para o domingo seguinte, no dia 12 –, deve constituir para todos uma ocasião de recordar o ditoso fim a que fomos chamados. Esta verdade lembra-nos um fato histórico e, ao mesmo tempo, um acontecimento de salvação. Como fato histórico, a Ascensão “marca a entrada definitiva da humanidade de Jesus no domínio celestial de Deus, de onde há de voltar, mas que, entrementes, o oculta aos olhos dos homens” [2]. Agora está presente na Eucaristia, de modo sacramental; mas, no seu ser natural, está somente no Céu, de onde virá no fim dos tempos, cheio de glória e majestade, para julgar todos os homens.

O evangelista que relata com mais pormenor este acontecimento é São Lucas. No começo dos Atos do Apóstolos, escreve que o Senhor, depois da sua Paixão, apresentou-se vivo diante deles [diante dos Apóstolos e de outros discípulos], com muitas provas, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando-lhes das coisas do reino de Deus [3]. Também narra que, em uma das aparições aos Apóstolos, o Senhor lhes abriu o entendimento para que compreendessem as Escrituras. E disse-lhes: “Assim está escrito: que era necessário que Cristo padecesse, mas que ressurgisse dentre os mortos ao terceiro dia, e que em seu nome se pregasse a penitência e a remissão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. Vós sois as testemunhas de tudo isto” [4].

São Josemaria considerou muitas vezes estas cenas, nas reuniões familiares que costumava ter com numerosas pessoas. Numa ocasião, por exemplo, convidava os que o escutavam a pensar no Senhor depois da Ressurreição, quando falava de muitas coisas, de tudo o que os seus discípulos lhes perguntavam. Aqui imitamo-lo agora um pouquinho, porque vós e eu somos discípulos do Senhor e queremos trocar impressões [5]. E em outro momento, acrescentava: Falava-lhes como nós falamos agora aqui: a mesma coisa! Isso é a contemplação: trato com Deus. E a contemplação e o trato com Deus levam-nos ao zelo pelas almas, à fome de trazer Cristo aos que se afastaram [6].

Mas voltemos ao momento da Ascensão, quando Jesus os levou até perto de Betânia e, levantando as mãos, os abençoou. E, enquanto os abençoava, separou-se deles e começou a elevar-se ao céu [7]. Numa das últimas audiências, refletindo sobre este mistério, o Papa Francisco perguntava-se: Qual é o significado deste acontecimento? Quais são as suas consequências para a nossa vida? Que significa contemplar Jesus sentado à direita do Pai? [8].

O Senhor subiu ao Céu como Cabeça da Igreja: deixou-nos para preparar-nos um lugar, como tinha prometido [9]. “Precede-nos no Reino glorioso do Pai para que nós, membros do seu corpo, vivamos na esperança de estarmos um dia eternamente com Ele” [10]. No entanto, para entrarmos com Cristo na glória, é necessário que sigamos os seus passos. O Papa faz notar que, enquanto sobe a Jerusalém para a sua última Páscoa – em que ia consumar o sacrifício redentor –, Jesus vê já a sua meta, o Céu, mas sabe com certeza que o caminho que o devolve à glória do Pai passa pela Cruz, pela obediência ao desígnio divino de amor à humanidade (...). Também nós devemos ter bem presente na nossa vida cristã que entrar na glória de Deus exige a fidelidade diária à sua vontade, mesmo quando esta requer sacrifício; quando, em certas ocasiões, requer que mudemos os nossos planos [11]. Não esqueçamos, filhas e filhos meus, que não há cristianismo sem Cruz, não há verdadeiro amor sem sacrifício, e procuremos conformar a nossa vida diária com esta realidade gozosa. Porque significa darmos os mesmos passos que o Mestre seguiu, Ele que é o Caminho, a Verdade e a Vida [12].

Por isso, a grande festa da Ascensão convida-nos a examinar como deve concretizar-se a nossa adesão à vontade divina: sem rêmoras, sem laços que nos atem ao nosso eu, com a determinação plena, renovada em cada dia, de procurar, aceitar e amar com todas as nossas forças essa vontade. O Senhor não nos oculta que a obediência rendida à vontade de Deus exige renúncia e entrega, porque o amor não reclama direitos: quer servir. Ele percorreu primeiro o caminho. Jesus: como foi que obedeceste? Usque ad mortem, mortem autem crucis (Fil 21, 8), até à morte, e morte de Cruz. Temos que sair de nós mesmos, complicar a vida, perdê-la por amor de Deus e das almas [13].

A Sagrada Escritura conta que, depois da Ascensão, os Apóstolos regressaram a Jerusalém com grande alegria. E estavam continuamente no templo bendizendo a Deus [14]. Uns dias antes, quando Jesus lhes anunciara que perderiam a sua presença sensível, tinham-se enchido de tristeza [15]; agora, porém, mostram-se cheios de alegria. Como se explica esta mudança? É que, com os olhos da fé, mesmo antes da chegada visível do Espírito Santo, compreendem que Jesus, embora se subtraia à sua vista, permanece sempre com eles, não os abandona e, na glória do Pai, os sustém, os guia e intercede por eles [16].

Sabemos pela fé que também agora Jesus Cristo continua junto de nós e em nós, mediante a graça, com o Pai e o Espírito Santo, e na Sagrada Eucaristia. Ele é o nosso apoio e a nossa fortaleza, o irmão mais velho, o amigo mais íntimo, que nunca nos abandona, especialmente nos momentos de tribulação ou de luta. Segundo afirma São João na sua primeira Carta, Ele é o nosso advogado: como é bonito ouvir isto! Quando uma pessoa é citada pelo juiz ou entra num pleito, a primeira coisa que faz é procurar um advogado para que o defenda. Nós temos um que nos defende sempre, que nos defende das ciladas do demônio, nos defende de nós mesmos, dos nossos pecados! (...). Não temamos ir a Ele para pedir-lhe perdão, pedir-lhe benção, pedir-lhe misericórdia! [17] Esforçamo-nos por agir na presença de Deus, aconteça o que acontecer? Sabemos acolher as suas disposições? Com que intensidade o invocamos?

A certeza de que o Mestre nos acompanha constitui outra consequência do fato da Ascensão, que nos cumula de paz e alegria. Uma alegria e uma paz que necessariamente temos de comunicar aos outros, a todas as pessoas que passam por nós e especialmente aos que – talvez sem se aperceberem muito disso – sofrem por causa do seu afastamento de Deus. Como recalcava São Josemaria ao escrever sobre esta festa, temos uma grande tarefa à nossa frente. Não é possível permanecermos passivos, porque o Senhor nos declarou expressamente: Negociai até que eu volte (Lc 19, 13). Enquanto esperamos o regresso do Senhor, que voltará para tomar posse plena do seu Reino, não podemos ficar de braços cruzados. A propagação do Reino de Deus não é apenas tarefa oficial dos membros da Igreja que representam Cristo por terem recebido dEle os poderes sagrados. Vos autem estis corpus Christi (1 Cor 12, 27): vós também sois corpo de Cristo – frisa o Apóstolo –, com o mandato específico de negociar até o fim [18].

Este mês, dedicado em muitos países a Maria, tem sido sempre na Obra um tempo especialmente apostólico. O nosso Padre ensinou-nos a ir em romaria a uma ermida ou igreja dedicada à Virgem, se possível em companhia de algum dos nossos amigos ou colegas. Todos temos a experiência de que, ao regressarmos depois à vida normal – ao trabalho, à família –, notamos uma força interior nova, que a nossa Mãe nos consegue para nos encaminharmos ou reencaminharmos rumo ao seu Filho Jesus. Vem-me à memória a primeira romaria do nosso Padre a um santuário mariano – a Sonsoles, em Ávila: amanhã será um novo aniversário – e a inesquecível novena a Nossa Senhora de Guadalupe do ano de 1970, em que rezou com tanta fé pela Igreja, pelo Papa e pelo Opus Dei. Sugiro-vos que façamos a Romaria de maio deste ano muito unidos a essas intenções que o nosso Fundador continua a ter no Céu.

Na segunda quinzena deste mês, no dia 19, a liturgia apresenta-nos a solenidade de Pentecostes, e, no domingo seguinte, a festa da Santíssima Trindade. O Paráclito – agora como na época apostólica e sempre na vida da Igreja – é quem fortalece os cristãos e lhes comunica valentia para anunciar Jesus por toda a parte. Meditai no que aconteceu após a morte de Estevão, o primeiro mártir. Naquele dia – dizem concisamente os Atos dos Apóstolos – irrompeu uma grande perseguição contra a igreja de Jerusalém, e todos, exceto os Apóstolos, se dispersaram pelas regiões da Judeia e da Samaria [19]. Aquela perseguição, em vez de coibir o crescimento da Igreja, trouxe como consequência a sua expansão para além dos confins de Jerusalém; arraigou em novos lugares, em novas gentes, mesmo em pessoas que não pertenciam ao povo de Israel, como eram os samaritanos. Coisa idêntica aconteceu com São Paulo durante as suas viagens apostólicas.

Ao considerarmos estes fatos, recordados nas leituras do tempo pascal, deveríamos em boa lógica perguntar-nos: Dou testemunho da minha fé em Cristo? Peço a Deus que me aumente esta virtude teologal, juntamente com a esperança e a caridade, especialmente neste Ano da fé? Ajuda-me a ser audaz a consideração de que Jesus ressuscitado caminha junto de mim por todas as sendas da minha vida corrente? Vou com frequência ao Sacrário para pedir ao Senhor uma maior piedade no meu trato com Ele e com a sua Santíssima Mãe? Escutemos as perguntas que nos faz o Papa Francisco: Tu e eu, adoramos o Senhor? Vamos a Deus somente para pedir, para agradecer, ou dirigimo-nos a Ele também para adorá-lo? (...). Adorar o Senhor quer dizer dar-lhe o lugar que lhe corresponde; adorar o Senhor quer dizer afirmar, crer – mas não apenas com palavras – que só Ele guia verdadeiramente a nossa vida [20].

No mês passado, fui ao Líbano numa viagem rápida. Como sempre, contei com a vossa ajuda para impulsionar o trabalho apostólico dos fiéis da Prelazia nesse querido país, encruzilhada do Oriente Médio. Acompanhado por todas e por todos, rezei diante de Nossa Senhora do Líbano, no santuário de Harissa, pedindo especialmente pela paz em toda aquela região e no resto do mundo. Não desistamos de recorrer a Santa Maria em todas as necessidades da Igreja e da sociedade. É a atitude que a nossa Mãe nos ensina na festa da Visitação, no último dia do mês: fomentar em todos os momentos a disposição de servir os outros nas diversas circunstâncias que se apresentem, com Maria serviu a sua prima Isabel.

Apresentai a Nossa Senhora as minhas intenções: não há nada de egoísmo neste pedido, porque – entre muitas outras – inclui-se nessas intenções o pedido pela vossa fidelidade quotidiana, traçada com alegria, com perseverança, com fome de santidade pessoal e de zelo apostólico. Suplicai à Mãe da Igreja que obtenha da Trindade Santíssima, para a Igreja inteira e para esta partezinha da Igreja que é a Prelazia, muitos sacerdotes, plenamente entregues ao seu ministério. Rezai de modos especial pelos novos presbíteros da Obra, que receberão a ordenação sacerdotal no próximo dia 4, para que sejam – como o nosso Padre desejava – santos, doutos, alegres e esportistas no terreno sobrenatural.

Com todo o afeto, abençoa-vos

                                                               o vosso Padre

                                                               +Javier

Roma, 1 de maio de 2013

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Carta do Prelado do Opus Dei

Caríssimos: que Jesus guarde as minhas filhas e os meus filhos!

Ainda são muito recentes os momentos de grande importância de que fomos testemunhas na vida da Igreja: a eleição de um novo Romano Pontífice. Como acontece  sempre nestes eventos, pudemos experimentar a ação do Paráclito e o que Bento XVI afirmava ao iniciar o ministério petrino: “A Igreja está viva; esta é a maravilhosa experiência deste dias (...). A Igreja é jovem. Traz em si mesma o futuro do mundo e, portanto, indica também a cada um de nós o caminho para o futuro. A Igreja é jovem, e nós assim o vemos: experimentamos a alegria que o Ressuscitado prometeu aos seus” [1].

Com uma grande alegria, unidos a toda a Igreja, todas e todos na Obra acolhemos a eleição do Papa Francisco, que trouxe consigo uma rajada de espiritualidade, de anelos de melhora. A festa de São José, dia em que o novo Pontífice deu início solene ao seu ministério de Pastor supremo da Igreja universal, tornou especialmente tangível a percepção de que o Senhor, a sua Mãe Santíssima e o santo Patriarca velam pela Igreja em cada momento; de que a Esposa de Cristo nunca está só no meio das vicissitudes e flutuações que encontra no decorrer da sua existência.

De que modo vive José a sua vocação como custódio de Maria, de Jesus, da Igreja?, perguntava o Papa Francisco. E respondia: Com a atenção constantemente voltada para Deus, aberto aos seus sinais, disponível para o seu projeto e não tanto para o próprio; é o que Deus pede a Davi (...). Deus não deseja uma casa construída pelo homem, mas a fidelidade à sua palavra, ao seu desígnio; quem constrói a casa é o próprio Deus, mas com pedras vivas marcadas pelo seu Espírito. José é “custódio” porque sabe escutar a Deus, deixar-se guiar pela sua vontade, e precisamente por isso é ainda mais sensível às pessoas que lhe foram confiadas; sabe como ler com realismo os acontecimentos, está atento ao que o rodeia, e sabe tomar as decisões mais sensatas [2]. Como já vos fiz notar antes da eleição e vo-lo confirmei depois – seguindo em tudo o nosso Padre –, já queremos ao novo Papa com imenso afeto sobrenatural e humano, ao mesmo tempo que procuramos apoiar – com abundante oração e mortificação – os primeiros passos do seu ministério, sempre importantes.

Ontem começou o tempo pascal. O aleluia cheio de júbilo, que sobe da terra ao céu de todos cantos da terra, manifesta a fé inquebrantável da Igreja no seu Senhor. Jesus, após a sua afrontosa morte na Cruz, recebeu de Deus Pai, pelo Espírito Santo, uma nova vida – uma vida plena de glória na sua Humanidade Santíssima –, como confessamos aos domingos num dos artigos do Credo: o mesmo Jesus – perfectus homo, homem perfeito – que sofreu a morte sob Pôncio Pilatos e foi sepultado, esse mesmo Jesus ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras [3], para nunca mais morrer e como penhor da nossa ressurreição futura e da vida eterna que esperamos. Digamos, pois, com a Igreja: Na verdade, é justo e necessário, é nosso dever e salvação dar-vos glória sempre, Senhor, mas mais solenemente neste tempo em que Cristo, nossa páscoa, foi imolado. Ele é o Cordeiro de Deus que tirou o pecado do mundo: morrendo, destruiu a morte, e, ressuscitando, restaurou a vida [4].

Procuremos aprofundar, com a ajuda do Paráclito, neste grande mistério da fé, sobre o qual se apoia – como o edifício sobre os seus alicerces – toda a vida cristã. “O mistério da Ressurreição de Cristo – ensina o Catecismo da Igreja Católica – é um acontecimento real que teve manifestações historicamente comprovadas, como atesta o Novo Testamento”[5]. São Paulo explicava-o aos cristãos de Corinto: Porque eu vos transmiti em primeiro lugar o mesmo que recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras; foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras; e apareceu a Cefas e depois aos doze [6].

O caráter total excepcional da ressurreição de Cristo consiste em que a sua Humanidade Santíssima, uma vez reunidos de novo a alma e o corpo pela virtude do Espírito Santo, foi completamente transfigurada na glória de Deus Pai. É um fato histórico certificado por testemunhas plenamente críveis; mas é, ao mesmo tempo e sobretudo, objeto fundamental da fé cristã. O Senhor, “no seu corpo ressuscitado, passa do estado de morte para outra vida, além do tempo e do espaço. Na Ressurreição, o corpo de Jesus enche-se do poder do Espírito Santo; participa da vida divina no estado da sua glória, de tal modo que São Paulo pôde dizer de Cristo que Ele é o «Adão celeste» (cf. 1 Cor 15, 35-50)”[7].

Meditemos no que São Josemaria escreveu numa das suas homilias: Cristo vive. Jesus é o Emanuel: Deus conosco. A sua Ressurreição revela-nos que Deus não abandona os seus (...).

Cristo vive na sua Igreja. “Digo-vos a verdade: a vós convém que eu vá, porque, se não for, o Consolador não virá a vós; mas, se for, eu vo-lo enviarei” (Jo 16, 7). Tais eram os desígnios de Deus: Jesus, morrendo na Cruz, dava-nos o Espírito de Verdade e de Vida. Cristo permanece na sua Igreja: nos seus sacramentos, na sua liturgia, na sua pregação e em toda a sua atividade.

De modo especial, Cristo continua presente entre nós nessa entrega diária que é a Sagrada Eucaristia. Por isso, a Missa é o centro e a raiz da vida cristã. Em todas as missas está sempre o Cristo total, Cabeça e Corpo.
Por Cristo, com Cristo e em Cristo. Porque Cristo é o Caminho, o Medianeiro; nEle encontramos tudo; fora dEle, a nossa vida torna-se vazia. Em Jesus Cristo, e instruídos por Ele, atrevemo-nos a dizer
audemus dicere Pater noster, Pai nosso. Atrevemo-nos a chamar Pai ao Senhor dos céus e da terra.

A presença de Jesus vivo é a garantia da sua presença no mundo [8].

Jesus ressuscitado é também o Dono do mundo, o Senhor da história: nada acontece sem que Ele o queira ou permita em função dos desígnios salvadores de Deus.  São João no-lo apresenta no Apocalipse em toda a sua glória: No meio dos candelabros [vi] alguém semelhante ao Filho do homem, vestido com uma túnica até aos pés e o peito cingido por um cinto de ouro. A sua cabeça e os seus cabelos eram brancos como lã cor de neve, os seus olhos como chamas de fogo, os seus pés semelhantes ao metal precioso incandescido na fornalha, a sua voz como o estrondo de muitas águas. Segurava na mão direita sete estrelas, da sua boca saía uma espada afiada de dois gumes, e o seu rosto era como o sol quando brilha em todo o seu esplendor [9].

Esta soberania de Nosso Senhor sobre o mundo e sobre a história em toda a sua amplitude exige de nós, seu discípulos, que nos empenhemos com todas as nossas forças na edificação do seu reino na terra. Uma tarefa que requer não só que amemos a Deus com todo o coração e toda a alma, mas que amemos com uma caridade afetiva e efetiva, com obras e de verdade [10], cada um dos nossos semelhantes, particularmente os que estão mais necessitados. Por isso, compreende-se muito bem – escreveu São Josemaria – a impaciência, a angústia e os anseios inquietos  daqueles que, com alma naturalmente cristã (cf. Tertuliano, Apologético, 17), não se resignam perante as situações de injustiça pessoal e social que o coração humano é capaz de criar. Tantos séculos de convivência entre os homens, e ainda tanto ódio, tanta destruição, tanto fanatismo acumulado em olhos que não querem ver e em corações que não querem amar [11].

            Esta é, como sabeis, uma das preocupações que o novo Papa manifestou desde os primeiros momentos do seu pontificado. Impelidos pelo exemplo e pelos ensinamentos do nosso Padre, continuemos a esforçar-nos por levar a caridade de Cristo, a solicitude espiritual e material pelos outros, ao ambiente em que cada qual trabalha; de modo pessoal, mas também procurando e pedindo a urgente colaboração de outras pessoas que manifestam esta preocupação pelos necessitados. Não esqueçamos nunca que o Opus Dei nasceu e se reforçou, por querer divino, entre os pobres e doentes dos bairros periféricos de Madri; e a eles o nosso Fundador se dedicou com generosidade e otimismo, com grande emprego de tempo, nos primeiros anos da Obra. Em 1941, escrevia: Não é preciso recordar-vos, porque assim o viveis, que o Opus Dei nasceu entre os pobres de Madri, nos hospitais e nos bairros mais miseráveis: e continuamos a atender os pobres, as crianças e os doentes. É uma tradição que nunca se interromperá na Obra [12].

Poucos anos depois, São Josemaria completava este ensinamento com outras palavras bem claras que, apesar do tempo decorrido, conservam plena atualidade. Neste tempo de confusão – escrevia –, não se sabe o que é direita, nem centro, nem esquerda, no campo político e no social. Mas se por esquerda se entende conseguir o bem-estar para os pobres, a fim de que todos possam satisfazer o direito de viver com um mínimo de conforto, de trabalhar, de estar bem atendidos se adoecem, de distrair-se, de ter filhos e poder educá-los, de ser velhos e ser atendidos, então eu estou mais à esquerda do que ninguém. Naturalmente, dentro da doutrina social da Igreja, e sem compromissos com o marxismo ou com o materialismo ateu; nem com a luta de classes, anticristã, porque nestas coisas não podemos transigir [13].

Doía especialmente ao nosso Fundador ver que o desamor e a falta de caridade com os indigentes também se dava às vezes entre os cristãos:

Os bens da terra, repartidos entre poucos; os bens da cultura, encerrados em cenáculos. E, lá fora, fome de pão e de sabedoria; vidas humanas – que são santas, porque vêm de Deus – tratadas como simples coisas, como números de uma estatística. Compreendo e partilho dessa impaciência, levantando os olhos para Cristo, que continua a convidar-nos a pôr em prática o mandamento novo do amor.

Todas as situações que a nossa vida atravessa trazem uma mensagem divina e pedem-nos uma resposta de amor, de entrega aos outros [14].

Minhas filhas e filhos, meditemos nestas palavras e façamo-las ressoar nos ouvidos de muitas pessoas, a fim de que o mandamento novo da caridade brilhe na vida de todos e seja – como Jesus queria – o distintivo de todos os seus discípulos [15]. Quereria que aprofundássemos na frase que se lê no Evangelho após o relato da ressurreição de Jesus: Gavisi sunt discipuli viso Domino [16], os discípulos encheram-se de alegria ao verem o Senhor. Consideremos também que o Mestre nos segue sempre de perto, e temos que descobri-lo, de olhá-lo, nas circunstâncias extraordinárias e ordinárias da vida corrente, convencidos daquilo que São Josemaria afirmava: ou o encontramos aí, ou não o encontraremos nunca. Por isso, será que, com o triunfo de Cristo, com a certeza de que Ele conta conosco, demos um novo rumo ao nosso gaudium cum pace, à nossa alegria cheia de paz? Tem essa alegria conteúdo sobrenatural e humano?

Ao longo deste mês, a par do júbilo da Igreja pela Páscoa e por ter de novo um sucessor de Pedro na terra, acrescentam-se no nosso caso outros motivos de alegria: especialmente os aniversários da Primeira Comunhão e da Confirmação de São Josemaria no dia 23. Que boa ocasião para que, nas próximas semanas,  peçamos ao Senhor, por intercessão do nosso Padre, a luz abundante e a fortaleza do Espírito Santo para o Papa Francisco, para a Igreja Santa, para a humanidade! Não vos escondo que me dá muito gosto percorrer a história do Opus Dei, a história das misericórdias de Deus, e peço à Trindade Santíssima que o mesmo suceda com todas e com todos: não vivemos de recordações, mas da alegria de ver a mão de Deus no caminho percorrido pela Obra, na vida de São  Josemaria.

Com todo o afeto, abençoa-vos

                                                               o vosso Padre

                                                               +Javier

Roma, 1º de abril de 2013.

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