sábado, 30 de março de 2013

As dores de Nossa Senhora segundo São Josemaria Escrivá

Segundo uma antiga tradição, os cristãos recordam “as sete dores de Nossa Senhora”: momentos em que, perfeitamente unida ao seu Filho Jesus, pôde compartilhar de modo singular a profundidade de dor e de amor do Seu sacrifício. Apresentamos uma seleção de textos de S. Josemaria sobre cada uma das dores.

Primeira dor: a profecia de Simeão

Quando se cumpriu o tempo da sua purificação, segundo a Lei de Moisés, levaram-nO a Jerusalém para O apresentarem ao Senhor, como está escrito na Lei do Senhor: "Todo o primogénito varão será consagrado ao Senhor", e para oferecer um sacrifício, de acordo com o que diz a Lei do Senhor: "um par de rolas ou duas pombinhas".
Ora, havia em Jerusalém um homem chamado Simeão; era justo e piedoso, esperava a consolação de Israel e o Espírito Santo estava com ele.
Tinha-lhe sido revelado pelo Espírito Santo que não morreria antes de ver o Messias do Senhor. Impelido pelo Espírito, foi ao templo e, quando os pais trouxeram o menino Jesus a fim de cumprirem o que ordenava a Lei a seu respeito, tomou-O nos braços, bendisse a Deus e exclamou:
“Agora, Senhor, podes deixar o teu servo partir em paz , segundo a tua palavra, porque os meus olhos viram a Salvação, que preparaste em favor de todos os povos: luz para iluminar as nações e glória de Israel, teu povo".
Seu pai e Sua mãe estavam admirados com o que se dizia d’Ele. Simeão abençoou-os e disse a Maria, Sua mãe: "Este menino está aqui para a queda e o ressurgimento de muitos em Israel, e a ser sinal de contradição; uma espada trespassará a tua alma, a fim de se revelarem os pensamentos de muitos corações"
(Lc 2, 22-35).

Nossa Senhora ouve com atenção o que Deus quer, pondera aquilo que não entende, pergunta o que não sabe. Imediatamente a seguir, entrega-se sem reservas ao cumprimento da vontade divina: eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a Vossa palavra. Vedes esta maravilha? Santa Maria, mestra de toda a nossa conduta, ensina-nos agora que a obediência a Deus não é servilismo, não subjuga a consciência, pois move-nos interiormente a descobrirmos a liberdade dos filhos de Deus.
Cristo que passa, 173

Mestra de caridade! Recordai aquele episódio da apresentação de Jesus no templo. O velho Simeão assegurou a Maria, sua Mãe: este Menino está destinado para ruína e para ressurreição de muitos em Israel e para ser sinal de contradição; o que será para ti mesma uma espada que trespassará a tua alma, a fim de que sejam descobertos os pensamentos ocultos nos corações de muitos. A imensa caridade de Maria pela Humanidade faz com que se cumpra também n'Ela a afirmação de Cristo: ninguém tem mais amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos.

Com razão os Romanos Pontífices chamaram a Maria Corredentora: juntamente com o seu Filho paciente e agonizante, de tal modo padeceu e quase morreu e de tal modo abdicou, pela salvação dos homens, dos seus direitos maternos sobre o seu Filho e o imolou, na medida em que d'Ela dependia, para aplacar a justiça de Deus, que com razão se pode dizer que ela redimiu o género humano juntamente com Cristo. Assim entendemos melhor aquele momento da Paixão de Nosso Senhor, que nunca nos cansaremos de meditar: stabat autem iuxta crucem Jesu mater eius, junto da Cruz de Jesus estava a sua Mãe.
Amigos de Deus, 287


Segunda dor: a fuga para o Egipto
Depois de partirem, um anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e disse-lhe: “Levanta-te, toma o menino e sua mãe, e foge para o Egipto; fica lá até que eu te avise, pois Herodes procurará o menino para O matar”. E ele levantou-se de noite, tomou o menino e sua mãe, e partiu para o Egipto, permanecendo ali até à morte de Herodes, a fim de se cumprir o que o Senhor anunciou pelo profeta: “Do Egipto chamei o meu Filho” (Mt 2, 13-15)

Maria cooperou com a sua caridade para que nascessem na Igreja os fiéis membros da Cabeça de que é efectivamente mãe segundo o corpo. Como Mãe, ensina; e, também como Mãe, as suas lições não são ruidosas. É preciso ter na alma uma base de finura, um toque de delicadeza, para compreender o que nos manifesta, mais do que com promessas, com obras.

Mestra de fé! Bem-aventurada és tu, porque acreditaste! Assim a saúda Isabel, sua prima, quando Nossa Senhora sobe à montanha para a visitar. Tinha sido maravilhoso aquele acto de fé de Santa Maria: eis aqui a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra. No nascimento de seu Filho contempla as grandezas de Deus na terra; há um coro de Anjos e tanto os pastores como os poderosos da terra vêm adorar o Menino. Mas depois a Sagrada Família tem de fugir para o Egipto, para escapar às intenções criminosas de Herodes. Depois, o silêncio; trinta longos anos de vida simples, vulgar, como a de qualquer lar, numa pequena povoação da Galileia.

O Santo Evangelho facilita-nos rapidamente o caminho para entender o exemplo da Nossa Mãe: Maria conservava todas estas coisas dentro de si, ponderando-as no seu coração. Procuremos nós imitá-la, tratando com o Senhor, num diálogo cheio de amor, de tudo o que nos acontece, mesmo dos acontecimentos mais insignificantes. Não nos esqueçamos de que devemos pesá-los, avaliá-los, vê-los com olhos de fé, para descobrir a Vontade de Deus.

Se a nossa fé é débil, recorramos a Maria. Conta S. João que, devido ao milagre das bodas de Caná que Cristo realizou a pedido de sua Mãe, acreditaram n'Ele os seus discípulos. A Nossa Mãe intercede sempre diante de seu Filho para que nos atenda e se nos mostre de tal modo que possamos confessar: - Tu és o Filho de Deus.
Amigos de Deus, 284-285


Terceira dor: Jesus perdido no Templo

Seus pais iam todos os anos a Jerusalém pela festa da Páscoa. Quando chegou aos doze anos, subieram até lá, segundo o costume dos dias da festa. Terminados esses días, regressaram a casa e o Menino ficou em Jerusalém, sem que os pais o soubessem. Pensando que Ele se encontrava com a caravana, fizeram um dia de viagem e começaram a procurá-Lo entre os seus parentes e conhecidos. Não O tendo encontrado, voltaram a Jerusalém à sua procura. Ao fim de três dias encontraram-nO no Templo, sentado entre os doutores, a ouvi-los e a afazer-lhes perguntas. Todos os que O ouviam estavam estupefactos com a sua inteligência e as suas respostas. Ao vê-Lo ficaram assombrados , e sua mãe disse-Lhe: “Filho, porque nos fizeste isto? Olha que teu pai e eu andávamos aflitos, à tua procura”. Ele respondeu-lhes: “Porque me procuráveis? Não sabeis que devia estar em casa de meu Pai?” Mas eles não compreenderam o que lhes disse. (Lc 2, 41-50).

O Evangelho da Santa Missa recordou-nos aquela cena comovente de Jesus que fica em Jerusalém ensinando no templo. Maria e José perguntaram por ele a parentes e conhecidos. E, como não o encontrassem, voltaram a Jerusalém à sua procura. A Mãe de Deus, que procurou com afã o seu Filho, perdido sem sua culpa e que sentiu a maior alegria ao encontrá-lo, ajudar-nos-á a voltar atrás, a rectificar o que for preciso, quando, pelas nossas leviandades ou pecados, não consigamos descobrir Cristo. Teremos assim a alegria de o abraçar de novo, para lhe dizer que nunca mais o perderemos.

Maria é Mãe da ciência, porque com Ela se aprende a lição que mais importa: que nada vale a pena se não estamos junto do Senhor, que de nada servem todas as maravilhas da terra, todas as ambições satisfeitas, se no nosso peito não arde a chama de amor vivo, a luz da santa esperança, que é uma antecipação do amor interminável, na nossa Pátria definitiva.
Amigos de Deus, 278
Onde está Jesus? - Senhora: o Menino!... Onde está?

Maria chora. - Bem corremos, tu e eu, de grupo em grupo, de caravana em caravana; não O viram. - José, depois de fazer esforços inúteis para não chorar, chora também... E tu... E eu.

Eu, como sou um criadito rústico, choro até mais não poder e clamo ao céu e à terra..., por todas as vezes que O perdi por minha culpa e não clamei.

Jesus! Que eu nunca mais Te perca... E então, a desgraça e a dor unem-nos, como nos uniu o pecado, e saem de todo o nosso ser gemidos de profunda contrição e frases ardentes, que a pena não pode, não deve registar.

E, ao consolar-nos com a alegria de encontrar Jesus - três dias de ausência! - disputando com os Mestres de Israel (Lc II, 46), ficará bem gravada, na tua alma e na minha, a obrigação de deixarmos os de nossa casa, para servir o Pai Celestial.
Santo Rosário, Quinto mistério gozoso

Quarta dor: Maria encontra o seu Filho a caminho do Calvário
Mal Jesus se levantou da Sua primeira queda, encontra Sua Mãe Santíssima, junto do caminho por onde Ele passa.
Com imenso amor Maria olha para Jesus, e Jesus olha para a Sua Mãe; os Seus olhares encontram-se, e cada coração verte no outro a Sua própria dor. A alma de Maria fica mergulhada em amargura, na amargura de Jesus Cristo.

- Ó vós, que passais pelo caminho: olhai e vede se há dor semelhante à minha dor (Lam I, 12)!

Mas ninguém repara, ninguém presta atenção; apenas Jesus.

Cumpriu-se a profecia de Simeão: uma espada trespassará a tua alma (Lc II, 35).

Na escura solidão da Paixão, Nossa Senhora oferece ao seu Filho um bálsamo de ternura, de união, de fidelidade; um sim à Vontade divina.

Pela mão de Maria, tu e eu queremos também consolar Jesus, aceitando sempre e em tudo a Vontade do Seu Pai, do nosso Pai.

Só assim saborearemos a doçura da Cruz de Cristo e abraçá-la-emos com a força do Amor, levando-a em triunfo por todos os caminhos da terra.
Via Sacra, IV Estação


Quinta dor: Jesus morre na Cruz
Junto da Cruz de Jesus estavam sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de de Cléofas, e Maria de Magdala. Ao ver sua mãe e, junto dela, o discípulo que Ele amava, Jesus disse a sua Mãe: “Mulher, eis aí o teu filho”. depois disse ao discípulo: “Eis aí a tua mãe”. E, desde aquela hora, o discípulo recebeu-a em sua casa. Depois, sabendo que tudo estava consumado e para que se cumprisse a Escritura, Jesus disse: “Tenho sede”. Estava ali um vaso cheio de vinagre. Embeberam uma esponja no vinagre e, fixando-a a um ramo de hissopo, levaram-Lha à boca. Quando Jesus tomou o vinagre, disse: “Tudo está consumado”. E inclinando a cabeça, rendeu o espírito (Jo 19, 25-30).

Agora, pelo contrário, no escândalo do sacrifício da Cruz, Santa Maria estava presente, ouvindo com tristeza os que passavam por ali e blasfemavam abanando a cabeça e gritando: Tu, que arrasas o templo de Deus e, em três dias o reedificas, salva-te a ti mesmo! Se és o Filho de Deus, desce da cruz. Nossa Senhora escutava as palavras de seu Filho, unindo-se à sua dor; Meu Deus, meu Deus, por que me desamparaste? Que podia Ela fazer? Fundir-se com o amor Redentor de seu Filho, oferecer ao Pai a dor imensa - como uma espada afiada - que trespassava o seu Coração puro.

De novo Jesus se sente confortado com essa presença discreta e amorosa de sua Mãe. Maria não grita, não corre de um lado para outro... Stabat: está de pé, junto ao Filho. É então que Jesus olha para Ela, dirigindo depois o olhar para João. E exclama: - Mulher, aí tens o teu filho. Depois diz ao discípulo: Aí tens a tua Mãe. Em João, Cristo confia à sua Mãe todos os homens e especialmente os seus discípulos, os que haviam de acreditar n'Ele.

Felix culpa, canta a Igreja, feliz culpa, porque nos fez ter tal e tão grande Redentor! Feliz culpa, podemos acrescentar também, que nos mereceu receber por Mãe, Santa Maria! Já estamos seguros, já nada nos deve preocupar, porque Nossa Senhora, coroada Rainha dos Céus e da Terra, é a omnipotência suplicante diante de Deus. Jesus não pode negar nada a Maria, nem tão pouco a nós, filhos da sua própria Mãe.
Amigos de Deus, 288


Sexta dor: Jesus é descido da Cruz e entregue a sua Mãe
Chegada já a tarde, como era a parasceve, isto é, a véspera do sábado, José de Arimateia, responsável membro do Sinédrio, que também esperava o reino de Deus, foi corajosamente procurar Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus. Pilatos admirou-se d’Ele já estar morto e, mandando chamar o centurião, preguntou-lhe se já tinha morrido. Informado pelo centurião, ordenou que o corpo fosse entregue a José. Este, depois de comprar um lençol; tirou Jesus da cruz e envolveu-O nele. Em seguida, depositou-O num sepulcro cavado na rocha e rolou uma pedra contra a porta do sepulcro (Mc 15, 42-46).

Situados agora no Calvário, quando Jesus já morreu e não se manifestou ainda a glória do seu triunfo, temos uma boa ocasião para examinar os nossos desejos de vida cristã, de santidade para reagir com um acto de fé perante as nossas debilidades e, confiando no poder de Deus, fazer o propósito de pôr amor nas coisas do nosso dia-a-dia. A experiência do pecado tem de nos conduzir à dor, a uma decisão mais madura e mais profunda de sermos fiéis, de nos identificarmos deveras com Cristo, de perseverarmos, custe o que custar, nessa missão sacerdotal que Ele encomendou a todos os seus discípulos sem excepção, que nos impele a sermos sal e luz do mundo.
Cristo que passa, 96

É a hora de recorreres à tua Mãe bendita do Céu, para que te acolha nos seus braços e te consiga do seu Filho um olhar de misericórdia. E procura depois fazer propósitos concretos: corta de uma vez, ainda que custe, esse pormenor que estorva e que é bem conhecido de Deus e de ti. A soberba, a sensualidade, a falta de sentido sobrenatural aliar-se-ão para te sussurrarem: isso? Mas se se trata de uma circunstância tonta, insignificante! Tu responde, sem dialogar mais com a tentação: entregar-me-ei também nessa exigência divina! E não te faltará razão: o amor demonstra-se especialmente em coisas pequenas. Normalmente, os sacrifícios que o Senhor nos pede, os mais árduos, são minúsculos, mas tão contínuos e valiosos como o bater do coração.
Amigos de Deus, 134


Sétima dor: dão sepultura ao Corpo de Jesus
Depois disto, José de Arimateia, o que era discípulo de Jesus, mas em segredo, por medo dos judeus, pediu a Pilatos para levar o Corpo de Jesus. Pilatos permitiu-lho. Veio, pois, e tirou o Seu Corpo. Veio também Nicodemos, aquele que, anteriormente, se dirigira de noite a Jesus, trazendo uma composição de quase cem libras de mirra e aloés. Tomaram o Corpo de Jesus e envolveram-no em ligaduras, juntamente com os perfumes, segundo a maneira de sepultar usada entre os judeus. No lugar em que Ele tinha sido crucificado, havia um horto e, no horto, um túmulo novo, no qual ninguém fora ainda sepultado. Por causa da Preparação dos judeus, como o túmulo estava perto, foi ali que puseram Jesus (Jo 19, 38-42).

Vamos pedir agora ao Senhor, para terminar este tempo de conversa com Ele, que nos conceda poder repetir com S. Paulo que triunfamos por virtude daquele que nos amou. Pelo qual estou certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as virtudes, nem o presente, nem o futuro, nem a força, nem o que há de mais alto, nem de mais profundo, nem qualquer outra criatura poderá jamais separar-nos do amor de Deus que está em Jesus Cristo Nosso Senhor .

Este amor também a Escritura o canta com palavras inflamadas: as águas copiosas não puderam extinguir a caridade, nem os rios afogá-la. Este amor encheu sempre o Coração de Santa Maria, ao ponto de enriquecê-la com entranhas de Mãe para toda a humanidade. Em Nossa Senhora o amor a Deus confunde-se com a solicitude por todos os seus filhos. O seu Coração dulcíssimo teve de sofrer muito, atento aos mínimos pormenores - não têm vinho - ao presenciar aquela crueldade colectiva, aquele encarniçamento dos verdugos, que foi a Paixão e Morte de Jesus. Mas Maria não fala. Como o seu Filho, ama, cala e perdoa. Essa é a força do amor.
Amigos de Deus, 237




Fonte:Site São Josemaria Escrivá

sábado, 8 de dezembro de 2012

IMACULADA CONCEIÇÃO DA SANTÍSSIMA VIRGEM MARIA



Também a nós é concedida a «plenitude da graça», que devemos fazer resplandecer na nossa vida, porque «o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo — escreve São Paulo — nos abençoou com toda a espécie de bênçãos espirituais... Foi assim que Ele nos escolheu... antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis... Predestinou-nos para ser adoptados como seus filhos» (Ef 1, 3-5). Nós recebemos esta filiação por intermédio da Igreja, no dia do Baptismo. A tal propósito, santa Hildegarda de Bingen escreve: «Portanto, a Igreja é a mãe virgem de todos os os cristãos. Na força secreta do Espírito Santo, concebe-os e dá-os à luz, oferecendo-os a Deus de tal modo que também eles sejam chamados filhos de Deus» (Scivias, visio III, 12: CCL Continuatio Mediævalis XLIII, 1978, 142). E, por fim, entre os antiquíssimos cantores da beleza espiritual da Mãe de Deus, sobressai são Bernardo de Claraval, afirmando que a invocação: «Ave Maria, cheia de graça» é «agradável a Deus, aos anjos e aos homens. Aos homens, graças à maternidade; aos Anjos, graças à virgindade; e a Deus, graças à humildade» (Sermo XLVII, De Annuntiatione Dominica: SBO VI, I, Roma 1970, 266).

Bento XVI

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

ASSUNÇÃO DA SANTÍSSIMA VIRGEM MARIA



Em 1º de novembro de 1950, o Venerável Papa Pio XII proclamava como dogma que a Virgem Maria “terminado o curso da vida terrena, foi assunta à glória celeste em alma e corpo”. Esta verdade de fé era conhecida pela Tradição, afirmada pelos Padres da Igreja, e era, sobretudo, um aspecto relevante do culto rendido à Mãe de Cristo. O elemento cultual constitui, por assim dizer, a força motora que determinou a formulação deste dogma: o dogma parece um ato de louvor e de exaltação em relação à Virgem Santa. Este emerge também do próprio texto da Constituição apostólica, onde se afirma que o dogma é proclamado “em honra ao Filho, para a glorificação da Mãe e a alegria de toda a Igreja”. É expresso assim na forma dogmática algo que já foi celebrado no culto da devoção do Povo de Deus como a mais alta e estável glorificação de Maria: o ato de proclamação da Assunta se apresentou quase como uma liturgia da fé. E no Evangelho que escutamos agora, Maria mesma pronuncia profeticamente algumas palavras que orientam nesta perspectiva. Diz: “Todas as gerações, de agora em diante, me chamarão feliz” (Lc 1,48). é uma profecia para toda a história da Igreja. Esta expressão do Magnificat, referida por São Lucas, indica que o louvor à Virgem Santa, Mãe de Deus, intimamente unida a Cristo, seu filho, diz respeito à Igreja de todos os tempos e de todos os lugares. E a anotação destas palavras da parte do Evangelista pressupõe que a glorificação de Maria estivesse já presente no período de São Lucas e ele a considerou um dever e um compromisso da comunidade cristã para todas as gerações. As palavras de Maria indicam que é um dever da Igreja recordar a grandeza de Nossa Senhora para a fé. Esta solenidade é um convite, portanto, a louvar Deus, e a olhar para a grandeza de Nossa Senhora, para que conheçamos Deus na face dos seus.

Homilia de Bento XVI - Festa da Assunção de Maria - 15/08/2012

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Virgindade Perpétua de Maria:: Escritos de São Jerônimo – Capítulos 3 e 4

Capítulo 3

Sua primeira declaração [argumento de Helvídio para refutar a Virgindade Perpétua de Maria] : “Mateus diz: ‘O nascimento de Jesus Cristo foi assim: quando sua mãe Maria estava prometida a José, antes de coabitarem, encontrou-se grávida pelo Espírito Santo. E José, seu marido, sendo um homem justo e não desejando denunciá-la publicamente, pensou em repudiá-la em segredo. Mas enquanto pensava essas coisas, um anjo do Senhor lhe apareceu em sonho e disse: ‘José, filho de Davi, não temas em tomar para ti Maria como tua esposa, pois o que nela foi gerado provém do Espirito Santo’. Notem” – continua ele – “que a palavra empregada é ‘prometida‘ e não ‘confiada‘, como vocês dizem; é óbvio que a única razão para estar prometida é porque deveria se casar um dia. E o Evangelista não iria dizer ‘antes de coabitarem’ se eles não viessem a coabitar no futuro, já que ninguém usaria a frase ‘antes de jantar’ se certa pessoa não fosse jantar. Também o anjo a chama ‘tua esposa’ e se refere a ela como unida a José. A seguir, somos chamados a ouvir a declaração da Escritura: ‘E José despertou do seu sono e fez como o anjo do Senhor lhe havia ordenado, tomando-a para si como esposa; e não a conheceu até que deu à luz a seu filho’”.

Capítulo IV

[São Jerônimo começa a argumentar e destruir Helvídio] Consideremos cada um desses pontos, pois seguindo o caminho dessa impiedade mostraremos que ele [Helvídio] está se contradizendo. Admite que [Maria] estava “prometida” e que o próximo passo seria se tornar esposa daquele homem a quem estava prometida. Novamente, ele a chama de “esposa” e diz que a única razão para estar prometida seria pelo fato de casar-se um dia. E, temendo que não o compreendêssemos suficientemente bem, ainda diz: “a palavra usada é ‘prometida’ e não ‘confiada’, isto é, ela ainda não se tornara esposa, nem mesmo havia sido unida pelo contrato de casamento”.

Mas quando ele continua: “o Evangelista jamais usaria tais palavras se eles não viessem a se juntar futuramente, já que não se usa a frase ‘antes de jantar’ se certa pessoa não for jantar”. Sinceramente não sei se devo lamentar ou rir. Deveria acusá-lo de ignorância ou de imprudência? Como se isto, supondo que uma pessoa dissesse: “Antes de jantar no porto, naveguei para a África”, significasse que tais palavras obrigatoriamente demonstrassem que essa pessoa alguma vez já jantou no porto. Se eu preferisse dizer: “o apóstolo Paulo, antes de ir para a Espanha, foi preso em Roma”, ou (como também acho provável) “Helvídio, antes de se arrepender, morreu”; acaso teria Paulo obrigatoriamente estado na Espanha [após a prisão], ou Helvídio se arrependeria após a morte, ainda que a Escritura diga: “No Sheol quem vos dará graças?”?

Não podemos entender a preposição “antes” – ainda que muitas vezes signifique ordem no tempo – como também ordem de pensamento? Portanto, não há necessidade que nossos pensamentos se concretizem, se alguma causa suficiente vier a evitá-los (sua concretização). Logo, quando o Evangelista diz “antes que coabitassem”, indica apenas o tempo imediatamente precedente ao casamento, e mostra que estava em estado bem adiantado, pois ela já estava prometida, a ponto de estar próximo o momento de se tornar esposa. Conforme diz [o Evangelista], antes de se beijarem e se abraçarem, antes da consumação do casamento, ela se encontrou grávida. E ela foi determinada para pertencer a ninguém mais a não ser José, que guardou com zêlo o ventre cada vez maior de sua prometida, com olhar inquieto mas que, a esta altura, quase que com o privilégio de um marido.

Ainda que possa parecer – conforme o exemplo citado – que ele teve relações sexuais com Maria após o seu parto, o seu desejo poderia ter desaparecido pelo fato dela já ter concebido anteriormente. E, embora encontremos que foi dito a José em um sonho: “Não temas em receber Maria por tua esposa” e, de novo: “José despertou do seu sono e fez conforme o anjo lhe ordenara, tomando-a por sua esposa”, não devemos nos preocupar com isto, pois ainda que seja chamada “esposa”, ela somente deixou de ser prometida, pois sabemos que é usual na Escritura dar esse título para aqueles que são noivos.

A seguinte evidência, retirada do Deuteronômio, assim o indica: “Se um homem” – diz o Escritor [sagrado] – “encontra uma mulher prometida no campo e a violenta, deve ser morto porque humilhou a esposa do seu próximo”; e, em outro lugar: “Se uma virgem é prometida a um marido, e um homem a encontra na cidade e a violenta, então deveis trazê-los para fora do portão da cidade e os apedrejareis até à morte; a mulher porque não gritou, estando na cidade, e o homem porque humilhou a esposa do seu próximo. Fareis isto para eliminar o mal do meio de vós”; e também, em outra parte: “Que tipo de homem é este que possui uma esposa prometida e ainda não a recebeu? Que volte para sua casa, para que não morra na batalha, e que outro homem a despose”.

Mas se alguém guarda dúvidas do porquê a Virgem concebeu após estar prometida [a José], uma vez que não estava prometida a mais ninguém, ou, para usar os termos da Escritura, estava sem marido, deixe-me explicar três razões: [1ª] Pela genealogia de José, Maria possuía parentesco com ele, e a origem de Maria também precisava ser demonstrada; [2ª] Porque ela não poderia ser enquadrada na Lei de Moisés para ser apedrejada como adúltera; [3ª] Porque em sua fuga para o Egito ela precisava de segurança, o que poderia ser obtido com a ajuda de um guardião, de preferência um marido.

Quem, naquele tempo, acreditaria na palavra da Virgem, de que teria concebido pelo poder do Espírito Santo, e que o anjo Gabriel lhe teria aparecido para anunciar o propósito de Deus? Todos não a chamariam de adúltera, como fizeram com Suzana? Ainda nos tempos presentes, quando praticamente toda a terra abraçou a Fé, não vêm os judeus afirmar que as palavras de Isaías: “Eis que a ‘Virgem’ conceberá e dará à luz um filho” são equívocas porque o termo hebraico almah que aparece na frase, significa mulher jovem, enquanto que o termo bethulah, que significa virgem não é usado? Tal posição, abordaremos com mais detalhes adiante.

Finalmente, com exceção de José, Isabel e da própria Maria – e talvez de mais alguns poucos que podemos supor ouviram a verdade da boca deles – todos supunham que Jesus era filho de José. E de tal modo era essa a suposição que até mesmo os Evangelistas, expressando a opinião corrente – que é a regra correta para qualquer historiador – o chamavam de pai do Salvador, como, por exemplo: “Movido pelo Espírito, ele (isto é, Simeão) veio ao Templo. Então os pais trouxeram o menino Jesus para cumprir as prescrições da Lei a seu respeito”; e, em outro lugar: “E seus pais iam todos os anos a Jerusalém por ocasião da festa da Páscoa”; e, mais adiante: “Tendo completado os dias, eles retornaram, mas o menino Jesus permaneceu em Jerusalém, e seus pais não sabiam disso”.

Note-se que a própria Maria respondeu ao [anjo] Gabriel com as seguintes palavras: “Como se sucederá isso, se não conheço varão?”, dizendo isto a respeito de José; e, mais: “Filho, por que fizeste isto conosco? Teu pai e eu estávamos à tua procura”. Não fazemos uso aqui, como muitos fazem, do discurso dos judeus ou dos escarnecedores. Os Evangelistas chamam José de “pai” e Maria confessa que ele era pai. Não – como já disse antes – que José fosse realmente o pai do Salvador, mas, preservando a reputação de Maria, todos o viam como sendo o pai [de Jesus], pois ouvira a advertência do anjo: “José, filho de Davi, não temas em tomar para ti Maria como tua esposa, pois o que nela foi gerado provém do Espírito Santo”, pois pensava em repudiá-la em segredo; tudo isto bem demonstrando que o filho não era dele.

Ao dizermos tudo isto, mais com o objetivo de oferecer uma instrução imparcial do que responder a um oponente, mostramos o porquê José era chamado de pai de Nosso Senhor e o porquê Maria era chamada de esposa de José. Isto também responde ao porquê de certas pessoas serem chamadas de “seus irmãos”. Entretanto, este último ponto encontrará seu lugar apropriado mais adiante.

Continua…
( Tradução: José Fernandes Vidal e Carlos Martins Nabeto – Central de Obras do Cristianismo Primitivo)

sábado, 4 de agosto de 2012

Virgindade Perpétua de Maria:: Escritos de São Jerônimo – Capítulos 1 e 2


Introdução – Capítulo 1

Há algum tempo, recebi o pedido de alguns irmãos para responder a um panfleto escrito por um tal Helvídio. Demorei para fazê-lo, não porque fosse tarefa difícil defender a verdade e refutar um ignorante sem cultura, que dificilmente tomou contato com os primeiros graus do saber, mas porque fiquei preocupado em oferecer uma resposta digna, que desmoronasse os seus argumentos.

Havia ainda a preocupação de que um discípulo confuso (o único sujeito do mundo que se considera clérigo e leigo; único também, como se diz, que pensa que a eloqüência consiste na tagarelice, e que falar mal de alguém torna o testemunho de boa fé) poderia passar a blasfemar ainda mais, caso lhe fosse dada outra oportunidade para discutir. Ele, então, como se estivesse sobre um pedestal, passaria a espalhar suas opiniões em todos os lugares.

Também temia que, quando caísse na realidade, passasse a atacar seus adversários de forma ainda mais ofensiva.

Mas, mesmo que eu achasse justos todos esses motivos para guardar silêncio, muito mais justamente deixaram de me influenciar a partir do instante em que um escândalo foi instaurado entre os irmãos, que passaram a acreditar nesse falatório. O machado do Evangelho deve agora cortar pela raiz essa árvore estéril, e tanto ela quanto suas folhagens sem frutos devem ser atiradas no fogo, de tal maneira que Helvídio – que jamais aprendeu a falar – possa aprender, finalmente, a controlar a sua língua.

Capítulo 2

Invoco o Espírito Santo para que Ele possa se expressar através da minha boca e, assim, defenda a virgindade da bem-aventurada Maria. Invoco o Senhor Jesus para que proteja o santíssimo ventre no qual permaneceu por aproximadamente dez meses, sem quaisquer suspeitas de colaboração de natureza sexual. Rogo também a Deus Pai para que demonstre que a mãe de Seu Filho – que se tornou mãe antes de se casar – permaneceu Virgem ainda após o nascimento de seu Filho.

Não desejamos entrar no campo da eloqüência, nem usar de armadilhas lógicas ou dos subterfúgios de Aristóteles. Usaremos as reais palavras da Escritura; [Helvídio] será refutado pelas mesmas provas que empregou contra nós, para que possa ver que lhe foi possível ler conforme está escrito, e, ainda assim, foi incapaz de perceber a conclusão de uma fé sólida.

Continua…
( Tradução: José Fernandes Vidal e Carlos Martins Nabeto – Central de Obras do Cristianismo Primitivo)

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Natividade da Santíssima Virgem


HUGO DE SÃO VICTOR
SERMO IV
DA NATIVIDADE DA VIRGEM MARIA
Sermones Centum

"Ave, Estrela do Mar".

Irmãos caríssimos, o mundo presente é um mar. À semelhança do mar, ele fede, incha, é falso e instável. Fede pela luxúria, incha pelo orgulho, é instável pela curiosidade. Faz-se necessário, pois, irmãos caríssimos, possuir um navio e as coisas que pertencem ao navio se quisermos atravessar sem perigo um mar tão perigoso. Importa que tenhamos um navio, um mastro, uma vela e duas traves entre as quais se estende a vela, uma trave superior e uma trave inferior, assim como um sinalizador ao alto pelo qual possamos avaliar a direção do vento. Devemos possuir cordas, remos, leme, âncora e a comida que nos for necessária. Tenhamos também uma rede, com a qual possamos pescar algum peixe. Vejamos, porém, o que todas estas coisas significam.

O navio significa a fé, que em Abraão teve início como em sua primeira tábua. Com Isaac e Jacó o navio aumentou consideravelmente. Depois deles o navio passou a crescer com a propagação das dez tribos. Quanto maior o número dos que criam, tanto mais se dilatava o navio da fé. Mais ainda se dilatou em seguida, após a passagem do Mar Vermelho, recebendo os filhos de Israel a Lei de Deus e multiplicando-se na terra prometida. Vindo depois Cristo e padecendo pelo gênero humano, ouviu-se em toda a terra o som da pregação apostólica, e este navio muito se dilatou com a multidão dos povos que nele entravam. No tempo do Anti Cristo, esfriando-se a caridade de muitos, excluir-se-ão os falsos fiéis e o navio será acabado na sua parte superior e mais estreita. E assim como em Adão foi colocada na proa a primeira tábua da fé, assim o último justo será na popa a sua última tábua.

Certamente todos aqueles que, desde o início, atravessaram proveitosamente o mar do tempo presente, todos aqueles que escaparam de seus perigos, todos os que alcançaram o porto da salvação, todos eles navegaram no navio da fé, e foi por ele que realizaram a travessia.
Pela fé Abel ofereceu a Deus uma hóstia mais agradável do que Caim, pela qual obteve o testemunho de sua justiça e pela qual, já falecido, ainda falava. Pela fé Henoc agradou a Deus, e foi transladado. Pela fé Noé construíu uma arca para a salvação de sua casa. Pela fé, ao ser chamado, Abraão obedeceu dirigir-se ao lugar que lhe haveria de ser dado. Pela fé Sara, a estéril, recebeu a capacidade de conceber. Pela fé Isaac abençoou cada um de seus filhos. Pela fé José, ao morrer, lembrou-se do retorno dos filhos de Israel à terra prometido, e lhes ordenou para lá transportarem os seus ossos. Pela fé Moisés foi escondido ao nascer. Pela fé negou ser filho da filha do Faraó. Pela fé celebrou a Páscoa. Pela fé os filhos de Israel atravessaram o Mar Vermelho. Pela fé se derrubaram os muros de Jericó. E que mais ainda direi? O dia não será suficiente para falar dos santos da antiguidade que pela fé venceram reinos, operaram a justiça, alcançaram as promessas. Destes alguns fecharam as bocas dos leões, como Daniel. Outros extingüiram o ímpeto do fogo, como os três jovens; outros convalesceram de sua enfermidade, como Jó e Ezequias; tornaram-se fortes na guerra, como Josué e Judas Macabeu; por meio de Elias e Eliseu algumas mulheres receberam de volta seus falecidos que ressuscitaram. Outros foram cortados, não aceitando serem livrados da morte temporal em troca da transgressão da Lei, como os sete irmãos cujo martírio lemos no Segundo Livro dos Macabeus. Outros foram apedrejados como Jeremias no Egito e Ezequiel na Babilônia; foram cortados, como Isaías; mortos pela espada, como Urias e Josias, ou andaram errantes, como Elias e outros eremitas (Heb. 11, 4-38). E todos estes, e muitos outros, atravessaram pela fé os perigos do mundo presente, e foram encontrados provados pelo testemunho da fé.

As tábuas deste navio são as sentenças das Sagradas Escrituras, e para sua fabricação algumas destas tábuas nos são trazidas pelo Velho Testamento e outras pelo Novo. Os pregos, pelos quais se unem estas tábuas, isto é, pelos quais se unem estas sentenças, são os escritos dos santos, pelos quais são colocadas em concordância as coisas contidas em ambos os testamentos. Estas tábuas são cortadas pelo estudo e aplainadas pela meditação.

O mastro, que se dirige para o alto, significa a esperança, pela qual nos erguemos à busca e ao conhecimento das coisas celestes, conforme está escrito:

"Buscai as coisas do alto, não vos interesseis pelas terrenas, pensai nas coisas do alto, onde Cristo está sentado à direita de Deus Pai".
Col. 3, 1-3

A vela é a caridade, que se estende para a frente, para a direita e para a esquerda. Estende-se para a frente pelo desejo das coisas futuras; para a direita pelo amor dos amigos, para a esquerda pelo amor dos inimigos. As duas traves superior e inferior significam a rezão e a sensualidade; a superior é a razão, e a inferior é a sensualidade. A caridade deve firmar-se superiormente pela razão, na qual deve permanecer imovelmente presa; inferiormente, porém, deve ficar presa mas movendo-se, pois por ela deve exercitar-se na boa obra. É assim que é feito no navio material, porque a trave superior não se move, mas sim a trave inferior.

O sinalizador superior do vento significa o discernimento dos espíritos. Para isto o sinalizador, ou o que quer que o substitua, é colocado sobre o mastro, para que através dele se distinga o vento ou a direção de onde ele sopra. Deste sinalizador, isto é, do discernimento dos espíritos, foi escrito:

"Examinai os espíritos, para ver se são de Deus".
I Jo. 4, 1

E também:

"A outro é dado o discernimento dos espíritos".
I Cor. 12, 10

As cordas são as virtudes, a humildade, a paciência, a compaixão, a modéstia, a castidade, a continência, a constância, a mansidão, a bondade, a prudência, a fortaleza, a justiça, a temperança. Estas cordas, isto é, as virtudes, devem pelo seu exercício ser sempre estendidas para que por elas possa firmar-se o mastro da nossa esperança. De fato, não há mastro da esperança que possa manter-se firme se estiver ausente o exercício das virtudes.
Seguem-se os remos, que saem do navio e mergulham nas águas, os quais significam as boas obras, que procedem da fé e se estendem às águas, isto é, aos próximos. As águas são os povos, que tem suas origens pelo nascimento, fluem pela mortalidade, e refluem pela morte. Devemos, porém, ter estes remos não apenas à direita, para que não façamos o bem apenas àqueles que nos fazem o bem, mas também à esquerda, para que façamos o bem àqueles que nos fazem o mal, conforme está escrito:

"Fazei bem aos que vos odeiam".
Mt. 5, 44

E também:

"Se o teu inimigo tem fome, dá-lhe de comer; se tem sede, dá-lhe de beber".
Rom. 12, 20

O leme, pelo qual se dirige o navio, significa o discernimento pelo qual somos conduzidos em frente, de modo que não nos dissipemos à direita pela prosperidade, nem sucumbamos à esquerda pela adversidade. A nossa âncora é a humildade, que é lançada para baixo e pela qual nosso navio se estabiliza, para que não ocorra que, soprando o vento das sugestões diabólicas e agitando- se o mar de nossos pensamentos nosso navio se rompa e afunde nas profundezas. O navio de nossa fé deve, portanto, tornar-se firme e estável pela humildade, para que no tempo da tentação embora não possa se entregar a um livre curso, possa permanecer firme em seu lugar.

Devemos ter nosso alimento pelo estudo das Escrituras. Os maus não apetecem este manjar, conforme está escrito:

"Sua alma aborrecia todo alimento, e chegaram às portas da morte".
Salmo 106, 18

Ele é dado aos bons, conforme está escrito:

"Enviou a sua palavra para curá-los, para livrá-los da ruína".
Salmo 106, 20

A rede significa a pregação. Devemos utilizá-la sem cessar, para poder com ela pescar os homens submersos nas ondas do mundo presente e, retirando-lhes as escamas dos pecados, prepará-los para Nosso Senhor Jesus Cristo. Devemos também, conforme o costume dos marinheiros, cantar as canções do mar pela modulação do louvor divino, conforme nos diz o Salmista:

"Bendirei o Senhor em todo o tempo, o seu louvor estará sempre na minha boca".
Salmo 33, 1

Depois de tudo isto, porém, ainda será necessário para nós a ação do vento, que significa a inspiração do Espírito Santo, para que por ela nos dirijamos ao porto da tranqüilidade, ao médico da salvação, à terra prometida, à casa da eternidade. O Senhor nos dará o vento pela inspiração de seu Espírito, conforme está escrito:

"Toda dádiva excelente e todo dom perfeito vem do alto e desce do Pai das luzes".
Tiago 1, 17

As luzes são os dons; o Pai das luzes é o autor, o doador e o distribuidor destes dons. O dom perfeito significa os dons da graça. Ele, que nos deu os demais bens, seja os que nos vem pela natureza, seja os que nos são dados pela graça, nos dará também o vento favorável, isto é, o Espírito Santo.

Para que, porém, irmãos caríssimos, possamos atravessar este mar com proveito, saudemos freqüentissimamente a Estrela do Mar, isto é, a bem aventurada Maria, e invoquemo-la saudando-a dizendo:

"Ave, Estrela do Mar".

Segundo o costume dos marinheiros, ergamos sempre nossas preces à bem aventurada Maria, assim como ao seu Filho. Seja ela para nós uma mãe espiritual, por meio de Jesus, fruto de seu ventre, o qual, nascido dela e por nós entregue, é Deus, e reina feliz, pela vastidão dos séculos que hão de vir.
Amén.

Retirado de: São Pio V

domingo, 14 de agosto de 2011

ASSUNÇÃO DA SANTÍSSIMA VIRGEM MARIA


A 1° de novembro de 1950, Pio XII definiu o dogma da Assunção da Beata Virgem Maria. Proclamava assim solenemente que a crença segundo a qual Maria, ao fim da sua vida terrestre, foi levada em corpo e alma à glória do Céu, faz realmente parte do depósito da fé, recebido dos Apóstolos."Bendita entre todas as mulheres", em razão da sua maternidade divina,a Virgem Imaculada, que desde a sua concepção fora isenta do pecado original, não devia conhecer a corrupção do túmulo. Para evitar qualquer dado impreciso, o Papa absteve-se inteiramente de determinar o modo e as circuntâncias de tempo e lugar em que a Assunção deveria ter-se realizado: somente o fato da Assunção, em corpo e alma, à glória do Céu, constitue o objeto da definição.

domingo, 24 de julho de 2011

terça-feira, 31 de maio de 2011

SALVE REGINA CAELORUM


Salve Regina Misericordiae. Tu nos ab hoste prótege, et mortis hora súscipe.

Salve, Rainha de misericórdia. Protegei-nos do inimigo e acolhei-nos da hora da nossa morte.

A festa da Bem-Aventurada Virgem Maria Rainha foi instituída pelo papa Pio XII em 11 de outubro pela carta Encíclica Ad Caeli Reginam. Quis com esta festa proclamar a realeza da Santíssima Mãe de Deus perante o mundo, ratificando nos fiéis a memória da Rainha do Céu e da Terra que já se prestava em alguns países.

Desde o início do cristianismo os fiéis cristãos e os Santos Padres e Doutores deram claro testemunho dos esplendores da Virgem Maria. Também os teólogos não se cansavam de mostrar a conveniência do título da Realeza da Virgem Maria, que está sempre acompanhada com a obra Redentora de Seu Filho Nosso Senhor Jesus Cristo. Ela é portanto, Rainha do Universo porque seu Filho é Rei de todo o Universo.

sexta-feira, 25 de março de 2011

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Nossa Senhora de Lourdes, rogai por nós!

Foi no ano de 1858 que a Virgem Santíssima apareceu, nas cercanias de Lourdes, França, na gruta Massabielle, a uma jovem chamada Santa Marie-Bernard Soubirous ou Santa Bernadete. Essa santa deixou por escrito um testemunho que entrou para o ofício das leituras do dia de hoje.


“Certo dia, fui com duas meninas às margens do Rio Gave buscar lenha. Ouvi um barulho, voltei-me para o prado, mas não vi movimento nas árvores. Levantei a cabeça e olhei para a gruta. Vi, então, uma senhora vestida de branco; tinha um vestido alvo com uma faixa azul celeste na cintura e uma rosa de ouro em cada pé, da cor do rosário que trazia com ela. Somente na terceira vez, a Senhora me falou e perguntou-me se eu queria voltar ali durante quinze dias. Durante quinze dias lá voltei e a Senhora apareceu-me todos os dias, com exceção de uma segunda e uma sexta-feira. Repetiu-me, vária vezes, que dissesse aos sacerdotes para construir, ali, uma capela. Ela mandava que fosse à fonte para lavar-me e que rezasse pela conversão dos pecadores. Muitas e muitas vezes perguntei-lhe quem era, mas ela apenas sorria com bondade. Finalmente, com braços e olhos erguidos para o céu, disse-me que era a Imaculada Conceição”.

Maria, a intercessora, modelo da Igreja, imaculada, concebida sem pecado, e, em virtude dos méritos de Cristo Jesus, Nossa Senhora, nessa aparição, pediu o essencial para a nossa felicidade: a conversão para os pecadores. Ela pediu que rezássemos pela conversão deles com oração, conversão, penitência.

Isso aconteceu após 4 anos da proclamação do Dogma da Imaculada Conceição. Deus quis e Sua Providência Santíssima também demonstrou, dessa forma, a infalibilidade da Igreja. Que chancela do céu essa aparição da Virgem Maria em Lourdes. E os sinais, os milagres que aconteceram e continuam a acontecer naquele local.

Lá, onde as multidões afluem, o clero e vários Papas lá estiveram. Agora, temos a graça de ter o Papa Bento XVI para nos alertar sobre este chamado.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Festa da Purificação de Nossa Senhora e Anunciação de Jesus


A festa de hoje celebra ao mesmo tempo a Apresentação de Jesus no Templo e a Purificação de Nossa Senhora, quarenta dias depois de nascer o Salvador. Prende-se pois pelo duplo objetivo que encerra aos mistérios da Epifania e do Natal, de que ainda se sentea alegria envolvente.

Esta festa é uma festa de Luz e por duplo motivo: o primeiro pela profecia do velho Simeão, que ao receber no templo o Salvador o saudou como a luz que vinha iluminar os povos, em segundo porque é a festa das candeias. A procissão das velas, suprimida noutras festas de Maria, conservou-se nesta para engrandecer a glória de Cristo, luz do mundo. Esta é a festa mais antiga da Virgem Maria.

***

EVANGELHO DA FESTA DA PURIFICAÇÃO DE NOSSA SENHORA E APRESENTAÇÃO DE JESUS.

Quando se completaram os dias para a purificação da mãe e do filho, conforme a lei de Moisés, Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, a fim de apresentá-lo ao Senhor. Conforme está escrito na lei do Senhor: “Todo primogênito do sexo masculino deve ser consagrado ao Senhor”.



Foram também oferecer o sacrifício — um par de rolas ou dois pombinhos — como está ordenado na Lei do Senhor. Em Jerusalém, havia um homem chamado Simeão, o qual era justo e piedoso, e esperava a consolação do povo de Israel. O Espírito Santo estava com ele e lhe havia anunciado que não morreria antes de ver o Messias que vem do Senhor.


Movido pelo Espírito, Simeão veio ao Templo. Quando os pais trouxeram o menino Jesus para cumprir o que a Lei ordenava, Simeão tomou o menino nos braços e bendisse a Deus:“Agora, Senhor, conforme a tua promessa, podes deixar teu servo partir em paz; porque meus olhos viram a tua salvação, que preparaste diante de todos os povos: luz para iluminar as nações e glória do teu povo Israel”.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

A Epifania de Nosso Senhor Jesus Cristo

 
“Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Ajoelharam-se diante dele, e o adoraram. Depois abriram seus cofres e lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra”. (Cf. Mateus 2, 1-12)        
 
A festa da Epifania que, antes de entrar em Roma, já existia no Oriente e em algumas Igrejas do Ocidente, parece ter tido  por origem uma festa do Natal; o dia 6 de janeiro era para essas Igrejas, pouco mais ou menos o que o Natal, 25 de dezembro, era para a Igreja Romana.
 
Introduzida em Roma na segunda metade do século IV, a festa da Epifania tornou-se como que o complemento da festa do Natal. A Igreja celebra hoje a manifestação de Nosso Senhor Jesus Cristo ao mundo inteiro e o grau de esplendor do mistério da Encarnação. S.Leão Magno e com ele toda a Santa Tradição viu nos Reis Magos, que pressurosos correm aos pés de Cristo, as primícias da gentilidade: eles trazem atrás de si todos os povos do universo e, por isso, a história do mundo; é um mistério de que os Magos indicaram o começo, mas que continua a sesnrolar-se à medida que a Igreja se expande.
 
Os presentes revelam a personalidade e a missão de Jesus, quem Ele é e o que veio fazer. O ouro aponta Jesus como Rei universal; o incenso, como Deus, “suba até vós Senhor, minha oração como incenso”. A mirra, planta que servia para fazer bálsamos para o corpo sofrido, pois ele é Rei e Deus pelo amor e pelo serviço sem reservas até a morte. A estrela é o sinal de que toda a criação o reconhecia como Deus e o aponta como o único caminho  para a salvação.
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