quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

A Extensão da Encarnação


Retirado de: Minhas Reflexões

" O anjo, como prova de sua missão, anunciara a Maria o prodígio da fecundidade de Isabel, acrescentando que " todas as coisas são possíveis a Deus". E a alma, estéril qual Isabel, como ela se tornará fecunda. Impõem-se, todavia, crer nesse Alimento que dá a fecundidade; e recebê-lo, e então se produzirá mais para a Glória de Deus, num só dia com a Eucaristia, do que em toda uma vida sem ela.


Mas, para Maria, surge apenas, entre todas as grandezas que o Anjo lhe apresenta, sucessivamente, sua própria fraqueza, seu nada. Seja este nosso modelo. Somos míseras criaturas, indignas dum olhar, sequer, de Deus... Mas, já que Ele se digna chamar-nos, escolher-nos, digamos com Maria: " Fiat! Faça-se em mim segundo a vossa Palavra".

E, então, o Mistério que se operou em Maria opera-se em nós. No momento da Comunhão, a Eucaristia torna-se verdadeiramente a extensão da Encarnação, a dilatação desse incêndio de Amor, cujo foco se encontra na Santíssima Trindade e que, no seio de Maria, abrasando a natureza humana em geral, só atingiria, todavia, sua plenitude pela união particular a cada filho da humanidade. Em Maria, o Verbo uniu-se à natureza humana. Pela Eucaristia une-se a todos os homens.

Para resgatar-nos, bastava ao Verbo unir a Si numericamente uma só criatura humana. Ele queria ser o único a sofrer, a expiar no Corpo e na Alma, até morrer, sob o peso dos tormentos, em nome de todos. Mas quando essa humanidade já fora toda triturada e se tornara a fonte de toda justificação, Jesus Cristo mudou-a em seu Sacramento, que a todos oferece, para que todos possam participar dos méritos e da glória do Corpo que tomara em Maria. E agora, basta-nos recebê-lo, e temos mais que Maria, temos o Corpo glorioso e ressuscitado do Salvador, com seus Estigmas de Amor, prova de sua vitória sobre os poderes deste mundo.

E - que maravilha! - recebemos, ao comungar, mais do que Maria recebeu na Encarnação! Ela trazia no seu seio o Corpo passível do Verbo, enquanto nós recebemos seu Corpo impassível e celestial. Ela trazia o Homem de Dores, enquanto nós possuímos o Filho de Deus, coroado de glória. Ele vem também a nós de modo mais consolador. Maria via diariamente passar e diminuir-se o tempo em que havia de possuir nas suas castas entranhas tão precioso fardo, até que, passados nove meses, dele se separou. Quanto a nós, podemos renovar quotidianamente nossa felicidade, recebendo e trazendo em nós o Verbo-Eucaristia, todos os dias de nossa vida.

Ao formar-se em Maria a Humanidade santa do Verbo, o Espiríto Santo dotou sua augusta Esposa com os mais ricos dons. O Verbo lhe trouxe, além de sua glória, todas as virtudes reunidas em grau nunca visto até então. E se tal Mistério se tivesse operado repetidamente, ela teria recebido, cada vez, uma dotação nova e superior em magnificências. O mesmo se dá conosco. Cada vez que Nosso Senhor se dá a nós, dá-se com todas as suas graças, todos os seus dons. Enriquece-nos contínua e incansavelmente e, qual outro sol que renasce cada dia com brilho sempre novo, Ele renasce cada dia em nós, com a mesma beleza, a mesma glória do primeiro dia.

" Verbum caro factum est." O Verbo se fez Carne, eis toda a glória de Maria. O Verbo se fez Pão do homem, é toda a nossa glória. Nosso Senhor deu-se à primeira vez a fim de satisfazer seu Amor, e dá-se incessantemente para saciar seu Amor sempre novo e infinito. Ser uma esmola de graças é insignificante para seu Coração, então faz-se Dom, faz-se Pão, e a Igreja no-lo distribui. Poderia, por acaso, fazer mais, ir mais longe? Ou aproximar-nos mais de sua Mãe, não em dignidade, nem em virtudes, mas na efusão do seu Amor, maior, parece, no dom que nos faz do que naquele que fez a Maria? A Santíssima Virgem soube, porém, reconhecer as graças de Deus. Participando da honra que lhe foi feita, saibamos como Ela, Amar".

(A Divina Eucaristia - São Pedro Julião Eymard,vol. 2, p.61 a 63.)

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

A Odisséia da Vida

Um belíssimo vídeo sobre a concepção! Aumentem o volume do PC e desfrutem da música e das fantásticas imagens:


Fala-se tanto de “direito da mulher”, de “saúde reprodutiva”, mas se esquece desta nova vida que dentro de uma mãe existe. Não se trata de critérios religiosos ou conservadores – que patético argumento ad hominem! – mas de reconhecimento que este ser não é um “órgão” da mulher, um “apêndice” de seu corpo, mas um novo indivíduo com uma carga genética diferente da que possui a mãe.


Mas, talvez para algum interlocutor fiel ao “mito do progresso” – haja fé! – essa coisa de “carga genética” deva soar também como medieval, já que “se a Igreja o afirma…” O que dizer a ele? Bem, já tentaram provar a alguém que perdeu o uso da razão – alguém para quem a realidade objetiva já não importa – que ele não é, por exemplo, Napoleão Bonaparte? É uma tarefa realmente complicada…

Fonte: Ignem in Terram

Dança litúrgica?

Publicado em: Ignem in Terram

Como não encontrei na rede, trago aqui para o blog o trecho, que apareceu em uma lista de discussão católica, de uma entrevista do Cardeal Arinze, antigo prefeito da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, sobre a chamada “dança litúrgica”. O texto original pode ser visto aqui [peço desculpas por não mencionar o autor da tradução, mas é porque não estou seguro de quem a fez...].

O comentário feliz e autorizado do Cardeal acerca da dança poder ser muito bem aplicado a tantos outros abusos…

Pergunta: Seu dicastério aprovou a dança litúrgica?


Nunca houve documento da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos dizendo que a dança é permitida na Missa.

O assunto da dança é difícil e delicado. De qualquer modo, é bom saber que a tradição da Igreja latina não conhece a dança. É algo que as pessoas introduziram nos últimos 10 ou 20 anos. Nem sempre foi assim. E agora isso está se espalhando como fogo em todos os continentes – uns mais, outros menos. No meu continente, a África, está se espalhando, bem como na Ásia.

Agora, alguns padres e leigos acham que a Missa fica incompleta sem dança. O problema é: nós vamos à Missa, em primeiro lugar, para adorar a Deus – é o que chamamos dimensão vertical. Não vamos à Missa para entreter uns aos outros. Não é o objetivo da Missa. Pra isso existe o salão paroquial.


Então, para os que querem nos entreter – depois da Missa, vamos ao salão paroquial e vocês podem dançar. E nós vamos aplaudir. Mas quando vamos à Missa não vamos para aplaudir. Não vamos para observar ou admirar as pessoas. Queremos adorar a Deus, agradecer a Ele, pedir perdão pelos nossos pecados e pedir as coisas de que precisamos.

Não me interpretem mal, mas é que quando eu disse isso em outro lugar retrucaram “você é um bispo africano. Vocês, africanos, estão sempre dançando. Como é que você nos diz para não dançar?”

Um momento – nós, africanos, não ficamos dançando o tempo todo!

Além disso, existe uma diferença em relação aos que participam da procissão do ofertório. Eles trazem os dons, com alegria. Há um movimento do corpo para os lados. Eles trazem os dons para Deus. Isso é bom, de verdade. E o coro canta. Eles se movimentam um pouco, ninguém vai condenar isso. E quando você sai, se movimenta mais um pouco, e está tudo bem.

Mas quando você coloca, digamos, uma dançarina, eu preciso perguntar o que isso tem a ver. O que exatamente você pretende? E quando as pessoas acabam de dançar, na Missa, o resto aplaude – o que isso significa? Que nós gostamos. Que viemos pelo entretenimento. Façam de novo que gostamos. Mas então tem algo errado. Quando as pessoas aplaudem, tem algo errado – imediatamente. Uma dança terminou e eles aplaudem.

É possível que haja uma dança tão interessante que eleve as mentes para Deus, e assim eles estão rezando e adorando a Deus. Quando a dança termina, as pessoas ainda estão envolvidas na oração. Mas é esse o tipo de dança que temos visto? Perceba que não é fácil.

A maioria das danças feitas durante a Missa deviam ser feitas no salão paroquial – e algumas delas, nem mesmo no salão paroquial!

Em um lugar, não vou dizer qual, eu vi uma dança durante a Missa que era ofensiva, quebrava as regras da teologia moral e da modéstia. Quem quer que tenha montado isso devia ter a cabeça lavada com um balde de água benta.

Por que fazer o povo de Deus sofrer tanto? Nós já não temos problemas suficientes? Só aos domingos, por uma hora, as pessoas vêm adorar a Deus. E vocês me vêm com uma dança! Vocês são tão pobres que não tenham nada mais para trazer? Que vergonha! É como eu penso.

Alguém pode dizer “ah, mas o Papa foi ao país tal e teve dança”.

Espera um pouco: foi o Papa que planejou isso? Pobre Papa: ele vem, os outros planejam. E ele não sabe o que planejaram. Se alguém faz algo engraçado – o Papa é responsável por isso? Isso significa que a partir de agora está valendo? Eles mostraram isso pra nós na Congregação? Teríamos rejeitado! Se as pessoas querem dançar, elas sabem aonde ir.

Mais sobre o tema pode ser visto no vídeo abaixo.

Revelações sobre Pio XII confirmam posição de Bento XVI

De: Zenit


As últimas revelações históricas confirmam a posição de Bento XVI, em seu último livro, sobre Pio XII e seu apoio aos judeus perseguidos.


Em sua conversa com o jornalista Peter Seewald, recolhida no livro "Luz do mundo", o Pontífice confirma que, por ocasião do processo de beatificação desse Papa, Eugenio Pacelli, ordenou uma investigação que confirma "os aspectos positivos".

Este estudo, acrescenta o Pontífice, não confirma "as questões negativas" alegadas contra ele.

Precisamente no dia 17 de novembro, o Papa recebeu diretamente do fundador da Pave the Way Foudation, Gary Krupp, judeu, as novas revelações históricas que confirmam esta posição.

Krupp, em declarações a ZENIT, revela que se trata de documentos e depoimentos de testemunhas oculares que buscam iluminar o papel de Pio XII e que agora são publicadas no site da Fundação (www.ptwf.org) para incentivar o estudo da comunidade internacional de historiadores.

"O desejo é de que, com a divulgação deste material, a controvérsia de 46 anos sobre o papado de Pio XII possa ser superada. Até hoje, a fundação publicou mais de 40 mil páginas de documentos originais, artigos e vídeos de testemunhas oculares sobre esse período histórico", acrescenta o fundador.

Krupp, na audiência com o Papa, apresentou também o livro "O Papa Pio XII e a 2ª Guerra Mundial. A verdade documentada", que acaba de ser publicado em hebraico.

O fundador também apresentou ao Santo Padre uma série de depoimentos, acreditados por notários, que recolhem testemunhos de pessoas que assistiram aos esforços do Papa Pio XII por salvar os judeus.

No encontro com o Papa, apresentou-se também a nova edição do livro "Hitler, a Guerra e o Papa" ("Hitler, the War and the Pope"), escrito pelo professor americano Ronald Rychlak, que será apresentado a delegações das Nações Unidas em 11 de dezembro, em Nova York.

Além disso, o Papa recebeu um livro ainda não publicado, "O contexto do Papa Pio XII" ("The framing of Pope Pius XII"), escrito pelo mesmo autor e pelo general Mihai Ion Pacepa, o agente de maior cargo que desertou em toda a história dos serviços secretos dos países comunistas que gravitavam ao redor da União Soviética.

O livro revela a operação soviética de desinformação - o plano se chamava "Seat 12" - para acabar com a reputação de Pio XII e isolar a comunidade judaica do mundo católico.

O livro revela como se produziu, financiou o interpretou a obra de teatro de Rolf Hochhuth, "O vigário", apresentada ao mundo inteiro em 20 idiomas e que semeou a lenda negra contra Pio XII.

A obra revela outras operações de desinformação contra esse Papa e a Igreja Católica, que se prolongaram até tempos recentes.

Outro livro de Mihai Ion Pacepa, "Horizontes vermelhos", é considerado como a faísca que acabaria com o ditador Nicolai Ceausescu na Romênia.

Em "Luz do mundo", por sua vez, o Papa pede a superação das interpretações ideológicas sobre o que Pio XII poderia ter feito durante a 2ª Guerra Mundial.

"O decisivo é o que ele tentou fazer e acho que, neste ponto, é preciso reconhecer realmente que foi um dos grandes justos, que salvou muitos judeus, a tantos como nenhum outro", conclui seu Sucessor.

(Jesús Colina)

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Santo André, rogai por nós!


Hoje a Igreja está em festa, pois celebramos a vida de um escolhido do Senhor para pertencer ao número dos Apóstolos.


Santo André nasceu em Betsaida, no tempo de Jesus, e de início foi discípulo de João Batista até que aproximou-se do Cordeiro de Deus e com São João, começou a segui-lo, por isso André é reconhecido pela Liturgia como o "protocleto", ou seja, o primeiro chamado: "Primeiro a escutar o apelo, ao Mestre, Pedro conduzes; possamos ao céu chegar, guiados por tuas luzes!"

Santo André se expressa no Evangelho como "ponte do Salvador", porque é ele que se colocou entre seu irmão Simão Pedro e Jesus; entre o menino do milagre da multiplicação dos pães e Cristo; e, por fim, entre os gentios (gregos) e Jesus Cristo. Conta-nos a Tradição que depois de Pentecostes, Santo André teria ido pregar o Evangelho na região dos mares Cáspio e Negro.

Apóstolo da coragem e alegria, Santo André foi fundador das igrejas na Acaia, onde testemunhou Jesus com o seu próprio sangue, já que foi martirizado numa cruz em forma de X, a qual recebeu do santo este elogio: "Salve Santa Cruz, tão desejada, tão amada. Tira-me do meio dos homens e entrega-me ao meu Mestre e Senhor, para que eu de ti receba o que por ti me salvou!"

Católicos que promovem aborto não podem receber Comunhão, reitera o Cardeal Burke

Da agência de notícias: Aci digital

O Prefeito da Assinatura Apostólica da Santa Sé, o agora Cardeal Raymond Burke, reiterou que os políticos católicos que defendem, promovem e/ou apóiam o aborto não podem receber a comunhão.


O Cardeal que preside o que poderia ser considerada a "Corte Suprema" no Vaticano, fez estas declarações nas vésperas do Consistório de 20 de novembro no qual o Papa Bento XVI criou 24 novos cardeais.

Em diálogo com a jornalista Tracey McClure que o entrevistou sobre o fato de que em alguns lugares não se está aplicando esta recomendação de restringir o acesso à Eucaristia a católicos abortistas, o Cardeal explicou que esta disposição obedece as normas da Igreja.

O Cardeal Burke disse que "com respeito à pergunta sobre se é que pode receber a Santa Comunhão uma pessoa que pública e obstinadamente defende o direito de uma mulher a abortar o filho que leva em suas entranhas, parece-me algo claríssimo nos 2000 anos de tradição da Igreja: a Igreja afirmou energicamente que uma pessoa que está pública e obstinadamente em pecado grave não deve aproximar-se para receber a Santa Comunhão e, se ele ou ela o faz, então deve ser-lhe negada a Santa Comunhão".

O Prefeito explicou que a sanção de negar a Comunhão a uma pessoa que dissente publicamente dos ensinamentos da Igreja procura "evitar que a pessoa cometa um sacrilégio. Em outras palavras, evitar que receba o Sacramento indignamente, já que a santidade do Sacramento mesmo exige estar em estado de graça para receber o Corpo e o Sangue de Cristo".

"É desalentador que alguns membros da Igreja digam que não entendem isto ou que digam que de alguma maneira existe um atenuante para alguém que, embora esteja pública e obstinadamente em pecado grave, possa receber a Santa Comunhão", disse o Cardeal.

"Esta resposta por parte de muitos membros da Igreja provém da experiência de viver em uma sociedade que está completamente secularizada, e a idéia que está gravada a fogo –o pensamento centrado em Deus que marcou a disciplina da Igreja– não a entendem facilmente os que são bombardeados cada dia com uma espécie de aproximação sem Deus ao mundo e a muitas questões. É por isso que eu busco não me desanimar para continuar proclamando a mensagem em uma forma que as pessoas possam entender".

O Cardeal pediu aos bispos que neste tema não deixem sozinhos os seus sacerdotes diante dos católicos que defendem ou promovem o aborto: "para mim, não foi fácil confrontar esta questão diante de alguns políticos católicos. E tive alguns sacerdotes que falaram comigo e me contaram como é difícil quando eles têm indivíduos em suas paróquias que estão em uma situação de pecado público e grave… então, eles voltam o olhar para o Bispo para serem animados e inspirados para enfrentar esta situação".

Por isso, "quando um bispo adota medidas pastorais apropriadas sobre este tema, também está ajudando a muitos outros bispos, e também os sacerdotes".

O Cardeal Burke insistiu ainda que é necessário pregar esta mensagem "a tempo e fora de tempo, tanto se ela for calidamente recebida como quando não é recebida, ou é recebe resistência ou é criticada".

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

O Menino Jesus do Espinho

Uma piedosa lenda de Natal conta que o Menino Jesus sentado num troneto brincou tecendo uma coroa de espinhos.

E um espinho machucou seu dedo indicador da mão direita.Nesse momento, com ciência profética, Ele previu os sofrimentos que haveria de aceitar para redimir o genro humano.Em sua doçura de criança e na candura de sua inocência infinita Ele pressentiu as dores lancinantes de sua Paixão e Morte na Cruz.Contemplou também a glória de sua Ressurreição. Anteviu a Redenção da humanidade, o triunfo universal da Igreja e da Cristandade.

Na iconografia tradicional, o Menino Jesus do Espinho aparece sentado numa poltrona com braços de madeira, estofada em veludo vermelho, meditando sobre os futuros tormentos da Paixão.

Numa outra tela do célebre pintor espanhol Francisco de Zurbarán (1598-1664) o Menino Deus contempla o dedo sangrando.

O rosto mais sereno parece velado pelo presságio do sofrimento vindouro trazido pela ferida. É uma clara premonição da Paixão de Cristo, através de uma descrição suave e melancólica.

O contraste entre a inocência e a doçura da criança com o horror da tortura toca os mais nobres sentimentos dos fiéis.

E inspira uma meditação apropriada para o Advento, período litúrgico iniciado no último domingo de novembro, tempo penitencial que nos prepara para bem receber no Natal ao Menino Jesus.

domingo, 28 de novembro de 2010

Homilia de Bento XVI na Vígilia pela Vida Nascente



Queridos irmãos e irmãs,


com esta celebração vespertina, o Senhor nos dá a graça e a alegria de abrir o novo Ano Litúrgico, iniciando pela sua primeira etapa: o Advento, o período que faz memória da vinda de Deus entre nós. Todo o início traz em si uma graça particular, porque é abençoado pelo Senhor. Neste Advento nos será dada, mais uma vez, a oportunidade de fazer a experiência da proximidade d'Aquele que criou o mundo, que orienta a história e que tomou conta de nós, alcançando o cume de sua condescendência ao fazer-se homem. Exatamente o mistério grande e fascinante de Deus conosco, mais ainda, de Deus que se fez um de nós, é que celebraremos nas próximas semanas, caminhando em direção ao Santo Natal. Durante o tempo do Advento, sentiremos a Igreja que nos toma pela mão e, à semelhança de Maria Santíssima, expressa a sua maternidade fazendo-nos experimentar a alegre expectativa da vinda do Senhor, que abraça a todos no seu amor que salva e consola.

Enquanto os nossos corações abrem-se rumo à celebração anual do nascimento de Cristo, a liturgia da Igreja orienta o nosso olhar à meta definitiva: o encontro com o Senhor que virá no esplendor da sua glória. Por isso nós que, em toda a Eucaristia, "anunciamos a sua morte, proclamamos a sua ressurreição, na expectativa da sua vinda", vigiamos em oração. A liturgia não cessa de encorajar-nos e sustentar-nos, colocando em nossos lábios, nos dias do Advento, o grito com o qual se encerra toda a Sagrada Escritura, na última página do Apocalipse de São João: "Vem, Senhor Jesus!" (22, 20).

Queridos irmãos e irmãs, o nosso reunir-se nesta noite para iniciar o caminho do Advento enriquece-se por um outro importante motivo: com toda a Igreja, desejamos celebrar solenemente uma vigília de oração pela vida nascente. Desejo expressar o meu agradecimento a todos aqueles que aderiram a esse convite e a quantos se dedicam de modo específico a acolher e proteger a vida humana nas diversas situações de fragilidade, em particular nos seus inícios e nos seus primeiros passos. Propriamente o início do Ano Litúrgico faz-nos viver novamente a expectativa de Deus que se faz carne no seio da Virgem Maria, de Deus que se faz pequeno, torna-se criança; fala-nos da vinda de um Deus próximo, que desejou percorrer a vida do homem, desde os inícios, e isso para salvá-la totalmente, em plenitude. E, assim, o mistério da Encarnação do Senhor e o início da vida humana estão intimamente e harmonicamente conectados entre si dentro do único projeto salvífico de Deus, Senhor da vida de todos e de cada um. A Encarnação revela-nos com intensa luz e de modo surpreendente que toda a vida humana tem uma dignidade altíssima, incomparável.


O homem apresenta uma originalidade inconfundível com relação a todos os outros seres vivos que povoam a terra. Apresenta-se como sujeito único e singular, dotado de inteligência e vontade livre, ainda que composto de realidades materiais. Vive simultaneamente e indivisivelmente na dimensão espiritual e na dimensão corpórea. Sugere isso também o texto da Primeira Carta aos Tessalonicenses que foi proclamado: "O Deus da paz –escreve São Paulo – vos conceda santidade perfeita. Que todo o vosso ser, espírito, alma e corpo, seja conservado irrepreensível para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo!" (5, 23). Somos, portanto, espírito, alma e corpo. Somos parte deste mundo, ligados às possibilidades e aos limites da condição material; ao mesmo tempo, somos abertos a um horizonte infinito, capaz de dialogar com Deus e de acolhê-lo em nós. Operamos nas realidades terrenas e, através dessas, podemos perceber a presença de Deus e tender a Ele, verdade, bondade e beleza absoluta. Saboreamos fragmentos de vida e felicidade e anelamos à plenitude total.

Deus ama-nos de modo profundo, total, sem distinções; chama-nos à amizade com Ele; torna-nos participantes de uma realidade que ultrapassa toda a imaginação e todo o pensamento e palavra: a sua própria vida divina. Com comoção e gratidão tomemos consciência do valor, da dignidade incomparável de toda a pessoa humana e da grande responsabilidade que temos com relação a todos. "Cristo, novo Adão, na própria revelação do mistério do Pai e do seu amor, revela o homem a si mesmo e descobre-lhe a sua vocação sublime. [...] Pela sua encarnação, Ele, o Filho de Deus, uniu-se de certo modo a cada homem" (Constituição Gaudium et Spes, 22).

Crer em Jesus Cristo comporta também ter um olhar novo sobre o homem, um olhar de confiança, de esperança. De resto, a própria experiência e a reta razão atestam que o ser humano é um sujeito capaz de entender e desejar, autoconsciente e livre, irrepetível e insubstituível, vértice de todas as realidades terrenas, que exige ser reconhecido como valor em si mesmo e merece ser acolhido sempre com respeito e amor. Ele tem o direito de não ser tratado como um objeto a se possuir, ou como uma coisa que se pode manipular a bel prazer, de não ser tornado um puro instrumento em vantagem de outros e seus interesses. A pessoa é um bem em si mesma e é preciso buscar sempre o seu desenvolvimento integral. O amor por todos, portanto, se é sincero, tende espontaneamente a dar atenção preferencial aos mais débeis e pobres. Sobre essa linha, coloca-se a solicitude da Igreja pela vida nascente, a mais frágil, a mais ameaçada pelo egoísmo dos adultos e do obscurecimento de consciência. A Igreja continuamente reafirma aquilo que declarou o Concílio Vaticano II contra o aborto e toda a violação da vida nascente: "A vida, uma vez concebida, deve ser protegida com o máximo cuidado" (Ibid., n. 51).

Há tendências culturais que buscam anestesiar as consciências com motivações espúrias. Com relação ao embrião no ventre materno, a própria ciência coloca em evidência a autonomia capaz de interação com a mãe, a coordenação dos processos biológicos, a continuidade do desenvolvimento, a crescente complexidade do organismo. Não se trata de um acúmulo de material biológico, mas de um novo ser vivente, dinâmico e maravilhosamente ordenado, um novo indivíduo da espécie humana. Assim aconteceu com Jesus no seio de Maria; assim foi com cada um de nós, no ventre de nossa mãe. Com o antigo autor cristão Tertuliano, podemos afirmar: "É já um homem aquele que o será" (Apologetico, IX, 8); não há nenhuma razão para não considerá-lo pessoa desde a sua concepção.

Infelizmente, também após o nascimento, a vida das crianças continua a ser exposta ao abandono, à fome, à miséria, à doença, aos abusos, à violência, à exploração. As múltiplas violações de seus direitos que se cometem no mundo ferem dolorosamente a consciência de todo o homem de boa vontade. Diante do triste panorama das injustiças cometidas contra a vida do homem, antes e depois do nascimento, faço meu o apaixonado apelo do Papa João Paulo II à responsabilidade de todos e de cada um: "Respeita, defende, ama e serve a vida, cada vida humana! Unicamente por esta estrada, encontrarás justiça, progresso, verdadeira liberdade, paz e felicidade" (Encíclica Evangelium vitae, 5). Exorto os protagonistas da política, da economia e da comunicação social a fazer o que esteja ao seu alcance para promover uma cultura sempre respeitosa pela vida humana, para procurar condições favoráveis e retas de apoio ao acolhimento e desenvolvimento dessa vida.

À Virgem Maria, que acolheu o Filho de Deus feito homem com a sua fé, com o seu ventre materno, com carinho, com acompanhamento solidário e vibrante de amor, confiamos a oração e o empenho a favor da vida nascente. Fazemo-lo na liturgia – que é o lugar onde vivemos a verdade e onde a verdade vive conosco – adorando a divina Eucaristia, em que contemplamos o Corpo de Cristo, aquele Corpo que encarnou em Maria por obra do Espírito Santo, e d'Ela nasce em Belém, para a nossa salvação. Ave, verum Corpus, natum de Maria Virgine! Amém.

Advento: Esperança da vinda do Salvador.



No século V a data inicial do Ano litúrgico era a festa da Anunciação. Celebrada, a princípio, em março, esta festa foi transferida depois para dezembro. Conforme o que se pratica em outras partes, diz o Concílio de Toledo em 665, a esta festa da Anunciação seria celebrada no dia 18 de dezembro, pois acontece muitas vezes vir a cair na Quaresma ou no dia da Páscoa. No século X começava o Ano do primeiro Domingo do Advento, isto é, poucas semanas antes do Natal do Senhor. Desde 380, um Concílio de Saragoça ordenara uma preparação para a festa de natal. Mais tarde no Concílio de Tours de 563 menciona-se o Advento como um período litúrgico com ritos e fórmulas próprias.

Na liturgia nestoriana (VI séc.) o Advento abrangia quatro domingos, chamados da Anunciação, e nas liturgias ambrosiana e mozárabe compreendia 6 domingos. Na liturgia romana, o Advento abrangia a princípio 5 semana; atualmente resume-se a quatro.O primeiro domingo do Advento é o que vem a cair mais próximo da festa de Santo André (30 de novembro).

A alegria de vermos aparecer em breve Cristo na Terra é uma das notas predominantes deste tempo litúrgico. Discreta a princípio, expande-se pouco a pouco, tornando-se no Natal um hino de exultação. A ideia da purificação das almas intimamente ligada à do regresso de Cristo, encontra-se neste tempo, com as profecias de Isaías e São João Batista. Neste tempo litúrgico somos convidados como na Quaresma a mudarmos de vida, tanto é que na Idade Média era obrigatório o jejum e se cobriam as imagens com panos roxos como no Tempo da Paixão, era a chamada "Quaresma do Advento". Hoje porém, ainda ficaram resquícios destes tempos, como por exemplo, na cor que continua sendo o roxo (salvo no domingo Gaudete, 3° do Advento pode-se usar o róseo). No Advento não se canta ou reza o Glória (salvo na festa da Imaculada Conceição da Beatíssima Virgem Maria).

Durante o Advento relembramos três figuras especiais, que nos levarão a entrar no Mistério da Salvação, estas são: o Profeta Isaías, São João Batista e a Virgem Maria.

ISAÍAS

É o profeta que, durante os tempos difíceis do exílio do povo eleito, levava a consolação e a esperança. Na segunda parte do seu livro, dos capítulos 40 - 55 (Livro da Consolação), anuncia a libertação, fala de um novo e glorioso êxodo e da criação de uma nova Jerusalém, reanimando assim, os exilados.

As principais passagens deste livro são proclamadas durante o tempo do Advento num anúncio perene de esperança para os homens de todos os tempos. Anuncia a chegada do Messias esperado, sendo portanto o próprio Filho de Deus, o grande Rei e libertador que vencerá Satanás, que reinará eternamente sobre o seu povo, e a quem todas as nações obedecerão.
JOÃO BATISTA

É o último dos profetas e segundo o próprio Jesus, "mais que um profeta", "o maior entre os que nasceram de mulher", o mensageiro que veio diante d'Ele a fim de lhe preparar o caminho, anunciando a sua vinda (conf. Lc 7, 26 - 28), pregando aos povos a conversão, pelo conhecimento da salvação e perdão dos pecados (Lc 1, 76s).

A figura de João Batista ao ser o precursor do Senhor e aponta-lO como presença já estabelecida no meio do povo, encarna todo o espírito do Advento; por isso ele ocupa um grande espaço na liturgia desse tempo, em especial no segundo e no terceiro domingo.

João Batista é o modelo dos que são consagrados a Deus e que, no mundo de hoje, são chamados a também ser profetas e profecias do reino, vozes no deserto e caminho que sinaliza para o Senhor, permitindo, na própria vida, o crescimento de Jesus e a diminuição de si mesmo, levando, por sua vez os homens a despertar do torpor do pecado.

SANTÍSSIMA VIRGEM MARIA

Não há melhor maneira de se viver o Advento que unindo-se a Maria como mãe, grávida de Jesus, esperando o seu nascimento. Assim como Deus precisou do sim de Maria, hoje, Ele também precisa do nosso sim para poder nascer e se manifestar no mundo; assim como Maria se "preparou" para o nascimento de Jesus, a começar pele renúncia e mudança de seus planos pessoais para sua vida inteira, nós precisamos nos preparar para vivenciar o Seu nascimento em nós mesmos e no mundo, também numa disposição de "Faça-se em mim segundo a sua Palavra" (Lc 1, 38), permitindo uma conversão do nosso modo de pensar, da nossa mentalidade, do nosso modo de viver, agir etc.

Em Maria encontramos se realizando, a expectativa messiânica de todo o Antigo Testamento.

sábado, 27 de novembro de 2010

Omelia del Santo Padre Benedetto XVI

Por: Missa Gregoriana em Portugal

Cari fratelli e sorelle,


con questa celebrazione vespertina, il Signore ci dona la grazia e la gioia di aprire il nuovo Anno Liturgico iniziando dalla sua prima tappa: l’Avvento, il periodo che fa memoria della venuta di Dio fra noi. Ogni inizio porta in sé una grazia particolare, perché benedetto dal Signore. In questo Avvento ci sarà dato, ancora una volta, di fare esperienza della vicinanza di Colui che ha creato il mondo, che orienta la storia e che si è preso cura di noi giungendo fino al culmine della sua condiscendenza con il farsi uomo. Proprio il mistero grande e affascinante del Dio con noi, anzi del Dio che si fa uno di noi, è quanto celebreremo nelle prossime settimane camminando verso il santo Natale. Durante il tempo di Avvento sentiremo la Chiesa che ci prende per mano e, ad immagine di Maria Santissima, esprime la sua maternità facendoci sperimentare l’attesa gioiosa della venuta del Signore, che tutti ci abbraccia nel suo amore che salva e consola.

Mentre i nostri cuori si protendono verso la celebrazione annuale della nascita di Cristo, la liturgia della Chiesa orienta il nostro sguardo alla meta definitiva: l’incontro con il Signore che verrà nello splendore della sua gloria. Per questo noi che, in ogni Eucaristia, “annunciamo la sua morte, proclamiamo la sua risurrezione nell’attesa della sua venuta”, vigiliamo in preghiera. La liturgia non si stanca di incoraggiarci e di sostenerci, ponendo sulle nostre labbra, nei giorni di Avvento, il grido con il quale si chiude l’intera Sacra Scrittura, nell’ultima pagina dell’Apocalisse di san Giovanni: “Vieni, Signore Gesù!” (22,20).

Cari fratelli e sorelle, il nostro radunarci questa sera per iniziare il cammino di Avvento si arricchisce di un altro importante motivo: con tutta la Chiesa, vogliamo celebrare solennemente una veglia di preghiera per la vita nascente. Desidero esprimere il mio ringraziamento a tutti coloro che hanno aderito a questo invito e a quanti si dedicano in modo specifico ad accogliere e custodire la vita umana nelle diverse situazioni di fragilità, in particolare ai suoi inizi e nei suoi primi passi. Proprio l’inizio dell’Anno Liturgico ci fa vivere nuovamente l’attesa di Dio che si fa carne nel grembo della Vergine Maria, di Dio che si fa piccolo, diventa bambino; ci parla della venuta di un Dio vicino, che ha voluto ripercorrere la vita dell’uomo, fin dagli inizi, e questo per salvarla totalmente, in pienezza. E così il mistero dell’Incarnazione del Signore e l’inizio della vita umana sono intimamente e armonicamente connessi tra loro entro l’unico disegno salvifico di Dio, Signore della vita di tutti e di ciascuno. L’Incarnazione ci rivela con intensa luce e in modo sorprendente che ogni vita umana ha una dignità altissima, incomparabile.

L’uomo presenta un’originalità inconfondibile rispetto a tutti gli altri esseri viventi che popolano la terra. Si presenta come soggetto unico e singolare, dotato di intelligenza e volontà libera, oltre che composto di realtà materiale. Vive simultaneamente e inscindibilmente nella dimensione spirituale e nella dimensione corporea. Lo suggerisce anche il testo della Prima Lettera ai Tessalonicesi che è stato proclamato: “Il Dio della pace – scrive san Paolo – vi santifichi interamente, e tutta la vostra persona, spirito, anima e corpo, si conservi irreprensibile per la venuta del Signore nostro Gesù Cristo” (5,23). Siamo dunque spirito, anima e corpo. Siamo parte di questo mondo, legati alle possibilità e ai limiti della condizione materiale; nello stesso tempo siamo aperti su un orizzonte infinito, capaci di dialogare con Dio e di accoglierlo in noi. Operiamo nelle realtà terrene e attraverso di esse possiamo percepire la presenza di Dio e tendere a Lui, verità, bontà e bellezza assoluta. Assaporiamo frammenti di vita e di felicità e aneliamo alla pienezza totale.

Dio ci ama in modo profondo, totale, senza distinzioni; ci chiama all’amicizia con Lui; ci rende partecipi di una realtà al di sopra di ogni immaginazione e di ogni pensiero e parola: la sua stessa vita divina. Con commozione e gratitudine prendiamo coscienza del valore, della dignità incomparabile di ogni persona umana e della grande responsabilità che abbiamo verso tutti. “Cristo, che è il nuovo Adamo – afferma il Concilio Vaticano II – proprio rivelando il mistero del Padre e del suo amore, svela anche pienamente l’uomo a se stesso e gli manifesta la sua altissima vocazione ... Con la sua incarnazione il Figlio di Dio si è unito in certo modo ad ogni uomo” (Cost. Gaudium et spes, 22).

Credere in Gesù Cristo comporta anche avere uno sguardo nuovo sull’uomo, uno sguardo di fiducia, di speranza. Del resto l’esperienza stessa e la retta ragione attestano che l’essere umano è un soggetto capace di intendere e di volere, autocosciente e libero, irripetibile e insostituibile, vertice di tutte le realtà terrene, che esige di essere riconosciuto come valore in se stesso e merita di essere accolto sempre con rispetto e amore. Egli ha il diritto di non essere trattato come un oggetto da possedere o come una cosa che si può manipolare a piacimento, di non essere ridotto a puro strumento a vantaggio di altri e dei loro interessi. La persona è un bene in se stessa e occorre cercare sempre il suo sviluppo integrale. L’amore verso tutti, poi, se è sincero, tende spontaneamente a diventare attenzione preferenziale per i più deboli e i più poveri. Su questa linea si colloca la sollecitudine della Chiesa per la vita nascente, la più fragile, la più minacciata dall’egoismo degli adulti e dall’oscuramento delle coscienze. La Chiesa continuamente ribadisce quanto ha dichiarato il Concilio Vaticano II contro l’aborto e ogni violazione della vita nascente: “La vita, una volta concepita, deve essere protetta con la massima cura” (ibid., n. 51).
Ci sono tendenze culturali che cercano di anestetizzare le coscienze con motivazioni pretestuose. Riguardo all’embrione nel grembo materno, la scienza stessa ne mette in evidenza l’autonomia capace d’interazione con la madre, il coordinamento dei processi biologici, la continuità dello sviluppo, la crescente complessità dell’organismo. Non si tratta di un cumulo di materiale biologico, ma di un nuovo essere vivente, dinamico e meravigliosamente ordinato, un nuovo individuo della specie umana. Così è stato Gesù nel grembo di Maria; così è stato per ognuno di noi, nel grembo della madre. Con l’antico autore cristiano Tertulliano possiamo affermare: “E’ già un uomo colui che lo sarà” (Apologetico, IX, 8); non c’è alcuna ragione per non considerarlo persona fin dal concepimento.

Purtroppo, anche dopo la nascita, la vita dei bambini continua ad essere esposta all’abbandono, alla fame, alla miseria, alla malattia, agli abusi, alla violenza, allo sfruttamento. Le molteplici violazioni dei loro diritti che si commettono nel mondo feriscono dolorosamente la coscienza di ogni uomo di buona volontà. Davanti al triste panorama delle ingiustizie commesse contro la vita dell’uomo, prima e dopo la nascita, faccio mio l’appassionato appello del Papa Giovanni Paolo II alla responsabilità di tutti e di ciascuno: “Rispetta, difendi, ama e servi la vita, ogni vita umana! Solo su questa strada troverai giustizia, sviluppo, libertà vera, pace e felicità” (Enc. Evangelium vitae, 5). Esorto i protagonisti della politica, dell’economia e della comunicazione sociale a fare quanto è nelle loro possibilità, per promuovere una cultura sempre rispettosa della vita umana, per procurare condizioni favorevoli e reti di sostegno all’accoglienza e allo sviluppo di essa.

Alla Vergine Maria, che ha accolto il Figlio di Dio fatto uomo con la sua fede, con il suo grembo materno, con la cura premurosa, con l’accompagnamento solidale e vibrante di amore, affidiamo la preghiera e l’impegno a favore della vita nascente. Lo facciamo nella liturgia - che è il luogo dove viviamo la verità e dove la verità vive con noi - adorando la divina Eucaristia, in cui contempliamo il Corpo di Cristo, quel Corpo che prese carne da Maria per opera dello Spirito Santo, e da lei nacque a Betlemme, per la nostra salvezza. Ave, verum Corpus, natum de Maria Virgine! Amen.

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sexta-feira, 26 de novembro de 2010

O CRIME DO ABORTO

D. João Evangelista Martins Terra, SJ
(O Lutador, 7 a 13 de janeiro de 1996, p. 8)

O direito à vida é o fundamento de todos os demais direitos. O primeiro pecado histórico foi o de Caim. Todo pecado se reduz a homicídio. Mata-se biologicamente, economicamente, socialmente, moralmente, psicologicamente. Mas o analogado principal é sempre o assassinato. O Diálogo de Cristo com o jovem rico diz tudo: “Se queres entrar para a vida eterna, guarda os mandamentos. Quais? perguntou o jovem. Jesus respondeu: Não matarás” (Mt 19,17-18). A vida humana é sagrada, inviolável. Procede, desde a origem, de um ato criador de Deus. A morte deliberada de um ser humano inocente é crime monstruoso. Não há autoridade alguma que possa legitimamente permiti-la.

Ora, o aborto provocado é a morte deliberada e direta de um ser humano inocente na faz inicial de sua existência, que vai da concepção ao nascimento. O Concílio Vaticano II classifica o aborto de crime abominável” (nefandum crimen, GS, 51).

A ciência genética moderna demonstrou que, a partir do momento em que o óvulo é fecundado, inaugura-se uma nova vida, que não é a do pai nem a da mãe, mas sim a de um novo ser humano que se desenvolve por conta própria. Nunca poderia tornar-se humana, se não o fosse já desde então. Não há mais dúvida possível sobre o surgimento da vida humana na concepção. Todo o patrimônio genético do novo ser já se encontra determinado no óvulo fecundado. Após a concepção nada ocorre de novo que possa alterar a natureza do novo ser surgido com a união das duas células. A partir daí, só há desenvolvimento do feto humano. Desde o primeiro instante já está programado aquilo que será o novo ser vivo, uma pessoa individual, com características já bem determinadas. Todos os aspectos biológicos, psicossomáticos e até o temperamento do novo ser humano já estão definidos, inclusive a cor dos cabelos. Desde a fecundação, tem início a aventura de uma vida humana com as imensas potencialidades que caracterizam a pessoa humana. O ser humano deve ser respeitado e tratado como uma pessoa desde a sua concepção e, por isso, desde esse mesmo momento, devem-lhe ser reconhecidos os direitos da pessoa, entre os quais o primeiro de todos, o direito inviolável de cada ser humano inocente à vida.

A encíclica Evangelium Vitae, de João Paulo II, ensina que, mesmo na hipótese da probabilidade, hoje já descartada pela ciência, de que o embrião humano ainda não fosse uma pessoa humana, a simples probabilidade contrária de se encontrar em presença de uma pessoa humana já exige a proibição categórica de interromper a vida do embrião humano. Pois, como diz o jurista José C. G. Wagner, o direito à vida é inviolável. Havendo a dúvida sobre a possibilidade de existir vida humana no embrião, há pelo menos ameaça de violação pois a dúvida sobre se há ou não vida humana é a admissão de que pode haver.

Ora, o que é inviolável não pode estar sujeito à ameaça de violação. Se há a menor possibilidade de vida humana no embrião, então uma lei permitindo interromper seu desenvolvimento é uma violação evidente do direito à vida. Diante do direito à vida, não existem privilégios nem exceções para ninguém. Perante as exigências morais, todos somos absolutamente iguais. Não há vida mais importante ou menos importante. Dentro da ordem natural, é a mãe que renuncia à vida em favor do filho. O filho no seio da mãe não é um injusto agressor. Ele está no seu devido lugar, mesmo se a vida da mãe corre perigo. O feto, além de inocente, é indefeso e não deve responder sequer pelo risco de vida da mãe.

Se a vida é um direito inviolável, eliminar a vida pelo aborto é sempre um crime de violação do fundamento dos direitos humanos, que é a vida. Esse direito não permite qualquer exceção. Nem o estupro, nem o risco de vida podem violar um direito inviolável. Nem mesmo o Código Penal pode prever qualquer exceção. O Código pode despenalizar, mas não pode descriminalizar o aborto. Eliminar a vida é sempre crime.

“Como o direito inviolável à vida é cláusula constitucional pétrea, ou seja, não pode ser alterada nem mesmo por emenda constitucional, para se adotar o aborto será necessária uma revolução que derrogue a atual Constituição (J. C. G. Wagner, FSP, 27-11-95)).

A pior crise do mundo moderno é a “cultura da morte” (denunciada incansavelmente pelo Papa) que, usando todos os meios de comunicação, está apostada na difusão do permissivismo sexual, do menosprezo pela maternidade e na fundação de instituições internacionais que se batem sistematicamente pela legalização e difusão do aborto no mundo.

Uma das mais belas conquistas de nossos dias é a emergência do feminismo que reivindica os direitos da mulher sistematicamente violados em todo o mundo.

Mas ao lado dessa magnífica revolução cultural, surgiu um arremedo degenerado de feminismo, verdadeira excrescência teratológica no organismo social, fruto de lavagem cerebral operada pela televisão. Essa “feminismomania” apesar de ser um quisto microscópico, tem uma virulência arrasadora, procurando suplantar, pelo grito, a voz da razão e do bom senso. Todos os meios de pressão são usados para impor a legalização do aborto. Apelando para o pluralismo da sociedade moderna e para a democracia, se reivindica para cada pessoa a total autonomia para dispor da própria vida e da vida de quem ainda não nasceu. Segundo essas “feministas”, feto é mera matéria biológica e só é vida após sua “libertação” do útero. Desprezando a convicção e a consciência da quase totalidade das mulheres do mundo, essas feministas desvairadas, autocredenciando-se como profetas da democracia, gritam que a lei deve ser expressão da vontade da maioria que é favorável ao aborto. Estamos perante o relativismo ético que faz da maioria parlamentar o árbitro supremo do direito, numa tirania contra o ser humano mais débil e indefeso, quando pretende coagir a maioria parlamentar a decretar a legitimação do aborto. Essa é a fraqueza da democracia na qual a regulação dos interesses é feita a favor de parcelas mais fortes e mais industriadas para manobrar não apenas o poder, mas também a formação dos consensos. A democracia se torna então uma palavra vazia.

A tradição cristã, desde suas origens, sempre considerou o aborto como desordem moral gravíssima. Já no tempo dos Apóstolos, a Didaké (ca. 70) prescrevia: “Não matarás o embrião por meio do aborto”. Atenágoras (160) diz que as mulheres que praticam aborto são homicidas. Tertuliano (197) afirma: “É um homicídio premeditado interromper ou impedir o nascimento. Já é um ser humano aquilo que o será” (CSEL 69,24).

Todos os códigos jurídicos, já há mais de quatro mil anos, condenavam o aborto como homicídio. O Código de Hamurabi (1748-1729 a.C.) castiga o aborto, mesmo involuntário ou acidental (§ 209-214). A coletânea das Leis Assírias (séc. XIX-XVIII a.C.) prevê pena terrível para o aborto intencional: a empalação. Entre os persas o aborto era punido com a pena de morte. Entre os hebreus, o historiador Flávio Josefo relata que o aborto é punido com a morte (Hist. dos Ant. Jud. 1, IV, C. VIII).

Na Grécia, as leis de Licurgo e de Solom, e a legislação de Tebas e Mileto consideravam o aborto, crime que devia ser punido.

Na Idade Média. A lei dos visigodos edita penas severas contra o aborto.

A repressão se agrava à medida que os séculos avançam. No séc. XIII, na Inglaterra, todo aborto era punido com a morte. Mesmo rigor no tempo de Carlos V (1553). Na Suíça a mulher que abortava era enterrada viva. No Brabante (1230), a mulher que abortava era queimada viva. Na França a pena de morte reunia todos os cúmplices de um aborto. O rei Henrique II da França decretou a pena de morte para a mulher que abortasse. A mesma pena foi renovada por Henrique III (1580), Luís XIV (1701) e Luís XV (1731). O Código penal francês, 1791, determina que todos os cúmplices de aborto fossem flagelados e condenados a 20 anos de prisão. O Código penal francês de 1810 prevê a pena de morte para o aborto e o infanticídio. Depois, a pena de morte foi substituída pela prisão perpétua, além disso os médicos, farmacêuticos e cirurgiões erma condenados a trabalhos forçados.

Na Igreja, os Concílios do século III decretaram que a mulher que praticasse o aborto ficasse excomungada até o fim da vida. Depois todos os Concílios mantiveram a pena de excomunhão.

(Nota: Atualmente, segundo o cânon 1398 do Código de Direito Canônico, "quem provoca aborto, seguindo-se o efeito, incorre em excomunhão latae sententiae {automática]". Segundo o canonista Pe. Jesus Hortal, a excomunhão "atinge por igual a todos os que, a ciência e consciência, intervêm no processo abortivo, quer com a cooperação material (médico, enfermeiras, parteiras etc.), quer com a cooperação moral verdadeiramente eficaz (como o marido, o amante ou o pai que ameaçam a mulher, obrigando-a a submeter-se ao procedimento abortivo. A mulher, não raramente, não incorrerá na excomunhão por encontrar-se dentro das circunstâncias atenuantes do cân. 1324 § 1º, 3º e 5º". Tais circunstâncias podem ser: a posse apenas parcial do uso da razão, o forte ímpeto da paixão ou a coação por medo grave. - Pe. Luiz Carlos Lodi da Cruz)

Retirado de: Pró-Vida Anápolis

A pessoa humana é corpo e alma

A pessoa humana, criada à imagem de Deus, é um ser ao mesmo tempo corporal e espiritual. […] Muitas vezes, o termo ‘alma’ designa na Sagrada Escritura a vida humana ou a pessoa inteira” (Catecismo da Igreja Católica 362. 363).


Acompanhamos a formação biológica e psíquica no desenvolvimento do ser humano, além do seu valor como pessoa humana possuidora de direitos desde a sua concepção até a sua morte natural. No entanto, sabemos que o ser humano é dotado de uma alma, um sopro de vida, algo que a Igreja define como sendo “Criada por Deus e Imortal” (CIC 265), que não perece quando se separa do corpo na morte.


A alma está presente no ser humano desde o momento de sua concepção, pois ali, no mais profundo do seu ser “o que há nele de maior valor, aquilo que mais particularmente o faz ser imagem de Deus: ‘Alma’ significa o princípio espiritual do homem” (CIC 264). A Igreja afirma que a alma de um ser não é dada por ninguém mais a não ser por Deus, que cria o ser humano e imprime em sua natureza a capacidade de ser elevada gratuitamente à comunhão com Ele.

“De onde vem a alma? Ela não pode vir de baixo, da matéria, porque ela é superior, e o menor não pode criar o maior. Então a alma deve vir de algo superior à matéria, ela só pode vir do Criador, ela vem de Deus”, afirma o professor e filósofo Paulo César.

Segundo o filósofo, em nossa sociedade atual é preciso entender este conceito de alma e do valor do ser humano, “não basta falar quem somos se não houver um processo da consciência valorativa no que diz respeito a afirmar o nosso valor”.

“Onde existe o ser, existe o valor. Um grão de areia tem o valor de um grão de areia, uma planta tem o valor no nível de uma planta, mas o ser humano aparece nesta cadeia numa espécie de ruptura continuada, ou seja, ele tem um valor transcendente. O nosso valor não se fundamenta no que vem de baixo [matéria], mas se fundamenta no próprio Criador”, diz professor Paulo.

Se biologicamente o ser humano tem um valor incomensurável pelo simples fato de possuir direitos - sobretudo o primeiro deles, o de nascer - quanto mais o seu valor diante do Criador. “Quem faz algum mal à pessoa, consciente ou inconsciente, está atentando contra o seu Criador”, diz o filósofo Paulo. “Por isso a ética diz que o ser humano nunca pode ser instrumentalizado. O que significa isso? Que o ser humano nunca pode ser usado como meio. Ele não pode ser usado como meio político, econômico, sexual; o ser humano deve ser o fim das instituições”, completa o filósofo.

De: Blog da Redação

Um ovo de tartaruga vale mais do que uma criança?

Professor Felipe Aquino, em Blog da Redação.

“A Igreja é radicalmente contra qualquer tipo de aborto provocado, ela nos ensina que o embrião, ainda quando é uma única célula, no momento que se forma o Zigoto, Deus cria uma alma que nunca mais vai acabar. Então, ali, na união corpo e alma, nós temos um ser humano; e o que o aborto faz é matar esse ser humano”, explica professor Felipe.


Na instrução da Congregação para a Doutrina da Fé, intitulada “Respeito à Vida Humana Nascente e à Dignidade da Procriação”, o então prefeito da mesma Congregação na época, o cardeal Joseph Ratzinger, hoje Papa Bento XVI, diz: “Desde o momento da concepção, a vida de todo ser humano deve ser respeitada de modo absoluto, porque o homem é, na terra, a única criatura que Deus ‘quis por si mesma’, e a alma espiritual de cada um dos homens é ‘imediatamente criada’ por Deus”

“Nenhuma circunstância, nenhum fim, nenhuma lei no mundo poderá jamais tornar lícito um ato que é intrinsecamente ilícito, porque é contrário à Lei de Deus, inscrita no coração de cada homem, reconhecível pela própria razão e proclamada pela Igreja”, afirma o Papa João Paulo II na sua encíclica “Evangelium Vitae” o Evangelho da Vida.

Assim, entendemos que não se pode cometer um crime para justificar um ato mau ou indesejado, pois um mal não se paga com outro mal. O Aborto, desde os tempos mais antigos, sempre foi considerado, em si mesmo, um ato mau, contrário à Lei de Deus: “Não Matarás”.

“A questão do aborto não é simplesmente religiosa, ela é, antes de tudo, uma questão humana. Mas a Igreja, como dizia o Papa Paulo VI, é ‘perita em humanidade’, e por isso ela é defensora dos direitos humanos.

Como a palavra ‘aborto’ é muito clara, então, usa-se hoje novos termos para disfarçá-lo, como ‘programa de defesa da saúde da mulher’ ou dizem que a mulher tem direito ao seu corpo. Mas são duas vidas distintas, ou seja, se a mulher tem direito a seu corpo, a criança tem direito à vida.

Hoje, lamentavelmente, um ovo de tartaruga vale mais do que uma criança. Se você quebrar um ovo de tartaruga na praia, você é preso de forma inafiançável. Mas quantas e quantas crianças são abortadas e não acontece nada!”, diz professor Felipe Aquino.

O relato de um milagre

Publicado em: Blog da Redação

Você acredita em milagres?
Independentemente de sua resposta, vale a pena conferir o testemunho da professora Andréia de Deus, que, ao ir no médico, recebeu duas notícias: a primeira de que estava grávida e a segunda de que estava com um carcinoma ductal infiltrante estágio 3 (câncer de mama), o qual, segundo Dr. Paulo Roberto, médico obstetra: “É um câncer extremamente agressivo e, na gravidez, com o aumento da produção de estrogênio (hormônio feminino) este tipo de câncer aumenta muito”.

Segundo os médicos, Andréia tinha de três semanas a três meses de vida, por isso, as sessões de quimioterapia deveriam começar imediatamente e, diante deste quadro, a orientação médica era fazer o aborto para iniciar o tratamento. Ao sair do consultório médico com essa orientação, Andreia avistou uma movimentada avenida e, ao lado uma igreja, a de Nossa Senhora da Paz, em Ipanema (RJ), e pensou:

“Eu tinha duas possibilidades: ou eu me jogava na frente dos carros… mas aí olhei para o lado e vi a igreja. Entrei correndo, joguei o meu corpo próximo ao altar e fiz uma oração que Deus certamente deve ter entendido. Eu disse: ‘Me desculpe, meu Pai, mas hoje a conversa é de mãe para Mãe’”.

Andréia, então, consagrou a sua gravidez a Nossa Senhora da Paz e decidiu levar em frente a gestação, mesmo lutando contra o câncer. “Seria contraditório no momento em que eu mais precisava de vida, eu tirar vida”, afirma.

E testemunha: “É interessante que eu consagrava a Nossa Senhora a minha filha, eu não falava filho. E eu disse: ‘Se minha filha nascer ela vai se chamar Maria Vitória, para que todos possam ver o que ela foi nas nossas vidas’”.

A professora conta que recebeu sete doses pesadas de quimioterapia: “Fiquei completamente sem cabelo, sem pelos pelo corpo e com uma barriga enorme”. Segundo Dr. Paulo Roberto, obstetra que a acompanhava em seu tratamento: “Ela chegou aqui sem cabelo, muito anêmica, porque foram sete doses de quimioterapia, então eu achava que iria acontecer alguma coisa com o neném”.

Andréia tinha consciência do risco que corria, mesmo assim fez a opção pela vida, decidindo-se por não abortar. “Eu disse ao médico: ’se houver necessidade de escolha [de quem viverá] o senhor deverá escolher quem está chegando, o senhor deverá escolher a vida da minha filha, que ainda tem uma vida pela frente”.

Com sete meses de gravidez essa mulher de fé fez a cesárea e Dr. Paulo, que fez o parto, nos conta:

“Para a felicidade dela, para a minha surpresa e para a minha felicidade também, a criança nasceu bem, superbem, não teve lesão nenhuma, não aconteceu nada com ela”.

Maria Vitória fez jus ao nome. Nasceu saudável, sem nenhum tipo de sequela ou anomalia. “Ela nasceu cabeluda quando a mãe não tinha nenhum fio de cabelo para contar a história. Parece que estava isolada de todo o contexto”. E estava mesmo, essa criança é a prova de que, no ventre materno, o bebê é protegido durante o desenvolvimento.

Arquidioceses do Brasil realizam vigílias pela vida

Retirado de: Canção Nova

Fiéis das arquidioceses de todo Brasil se unirão ao Papa e os cristãos de todo mundo em oração pela vida dos nascituros (ser humano concebido, mais ainda não nascido), neste sábado, 27.


No Vaticano, a Vigília, presidida pelo Papa Bento XVI, incluirá a Adoração Eucarística, para agradecer o Senhor que, através da entrega total de si próprio, deu sentido e valor a toda vida humana, e também para invocar a sua proteção sobre cada ser humano.

O pedido pela adesão à Vigília pela Vida Nascente foi enviado, em nome do Papa Bento XVI, pelo presidente do Pontifício Conselho para a Família, Dom Ennio Antonelli, e pelo prefeito da Congregação para o Culto Divino, Dom Antonio Cañizares Llovera, em carta endereçada a todas as Conferências Episcopais do mundo.

“O tempo de preparação para o Santo Natal é um momento propício para invocar a proteção divina sobre todo ser humano chamado à existência, também como agradecimento a Deus pelo dom da vida, recebido dos nossos pais”, salientou o Papa.

Segundo os cardeais, Bento XVI gostaria que celebrações semelhantes acontecessem em outras dioceses. “O Santo Padre deseja que os bispos presidam nas Igrejas particulares celebrações análogas e envolvam as paróquias, as comunidades religiosas, as associações e os movimentos. Por esse motivo, nos pede que façamos em seu nome este convite”, afirmam.

Conscientes dos perigos que ameaçam a vida humana, especialmente hoje com a cultura relativista e utilitarista, os cardeais salientam que os fiéis são chamados mais do que nunca a serem o “povo da vida”, como dizia o Servo de Deus João Paulo II. “Nessa Vigília, celebrada por todas as Igrejas particulares unidas ao Santo Padre, Pastor universal, pediremos a graça e a luz do Senhor para a conversão dos corações e daremos um testemunho eclesial comum para uma cultura da vida e do amor”, elucidam.

União de preces

Para o Presidente da Comissão Episcopal “Vida e Família” e Arcebispo de Londrina (PR), Dom Orlando Brandes é muito importante participar deste momento de comunhão com a toda a Igreja, realizando uma vigília no mesmo dia e nas mesmas intenções.

Em Londrina, a Vigília organizada pela Pastoral da Família, reunirá os fiéis na matriz da Paróquia São Vicente de Paulo, às 22h30 para oração do terço meditado. Em seguida, a meia noite, será celebrada uma Missa pela Vida dos Nascituros.

“Ficamos muito felizes em atender o pedido do Papa e unir nossas vozes a de todo povo de Deus, que reza pelas vida desses indefesos, vida tão ameaçada no mundo todo”, destacou a coordenadora da Pastoral da Família da Diocese de Londrina, Marly Pupim.

As paróquias pertencentes à Arquidiocese de Juiz de Fora (MG) foram convocadas pelo arcebispo metropolitano, Dom Gil Antônio Moreira, a celebrarem o momento, cada uma com sua programação própria. A Catedral Metropolitana, por exemplo, realiza Missa às 19h30, no salão paroquial.

“Além do grupo jovem da paróquia, que vai ajudar na Celebração, estamos convidando todas as pastorais e movimentos”, destaca o vigário paroquial da Sé Metropolitana, padre José Domício, que celebrará essa Missa.

Para o sacerdote, o Papa escolheu esta data por causa da importante representação do tempo litúrgico para a Igreja. “O advento é a espera de Cristo que vem, no mistério do Natal, entrar na história da humanidade. Em cada mulher grávida, revivemos Maria a espera do Menino Jesus. Assim, em cada vida nascente temos uma fonte de paz e esperança”, enfatiza padre José Domício.

Na Arquidiocese de Brasília também será celebrada uma Missa com uma benção especial às gestantes, e os fiéis farão uma oração diante do Santíssimo pelas crianças nascentes de todo mundo, na paróquia do Santíssimo Sacramento.
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