terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Os Cristãos no Egito estão desprotegidos contra o terrorismo, denuncia Núncio

Retirado: Aci digital

O Núncio Apostólico no Egito, Dom Michael Louis Fitzgerald, assinalou que nestes momentos os cristãos não se sentem protegidos contra o terrorismo neste país majoritariamente muçulmano.


Assim o indicou o Prelado à agência vaticana Fides depois do atentado terrorista de 31 de dezembro contra a igreja dos Santos de Alexandria do Egito que cobrou a vida de 22 pessoas e deixou outras 79 feridas, a maioria delas coptos ortodoxos.

O Núncio comentou que expressou as suas condolências ao líder copto Shenouda III e acrescentou que "este momento exige a todos a oração pela paz, e não colocar-nos uns contra os outros, mas trabalhar pela unidade nacional".

Fides assinala ademais que houveram tensões e incidentes entre a polícia e os manifestantes coptos, que acusam as autoridades de não proteger adequadamente as comunidades cristãs locais.

"Os cristãos não se sentem suficientemente protegidos, mas compreendem as dificuldades para prevenir os atos de terrorismo", assinala o Arcebispo Fitzgerald. "Dentro de sete dias, os coptos ortodoxos celebram o Natal. Espero que esta comunidade cristã possa celebrar esta festividade na tranqüilidade, na paz e na alegria", concluiu.

Dom João Braz de Aviz, é nomeado Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica.

O Arcebispo de Brasília, Dom João Braz de Aviz, foi nomeado pelo Papa Bento XVI como novo prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica.


O anúncio foi realizado na manhã desta terça-feira, 4, pelo Boletim da Sala de Imprensa da Santa Sé.

Dom Aviz sucede o cardeal esloveno Franc Rodé, 76 anos, que pediu renúncia da função por limite de idade (75 anos), conforme prevê o Código de Direito Canônico.

Leia na íntegra (em italiano) a nomeação de Dom Aviz:
L'Osservatore Romano

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Vigorizar raízes cristãs da Europa, pediu o Papa Bento XVI

De: Aci digital

Em uma carta enviada ao Arcebispo de Santiago de Compostela em ocasião da conclusão do Ano Santo Compostelano, o Papa Bento XVI alentou a Europa a vigorizar suas raízes cristãs.

No texto enviado em 31 de dezembro a Dom Julián Barrio Barrio, o Papa assinala que os que peregrinaram em 2010 a Santiago "têm que voltar para suas casas como retornaram a Jerusalém os discípulos do Emaús. Não seremos testemunhas acreditáveis de Deus se não formos fiéis colaboradores e servidores dos homens".

"Este serviço a uma compreensão profunda e a uma defesa valorosa do homem é uma exigência do Evangelho e uma contribuição essencial à sociedade de nossa condição cristã".

Dirigindo-se aos jovens, "com quem terei a sorte de me reunir no próximo ano em Madrid, para a celebração da Jornada Mundial da Juventude" em agosto de 2011, o Papa os convidou "a deixar-se interpelar por Cristo, realizando com Ele um diálogo franco e pausado e perguntando-se também: Contará o Senhor comigo para ser seu apóstolo no mundo, para ser mensageiro de seu amor? Que não falte a generosidade na resposta, nem tampouco aquele arrojo que levou Tiago a seguir o Mestre sem economizar sacrifícios".

Bento XVI anima aos seminaristas "a que se identifiquem cada vez mais com Jesus, que os chama a trabalhar em sua vinha".

"A vocação ao sacerdócio é um admirável dom do qual se deve estar orgulhoso, porque o mundo necessita de pessoas dedicadas por completo a fazer a Jesus Cristo presente, configurando toda sua vida e seu afazer com Ele, repetindo diariamente com humildade suas palavras e seus gestos, para ser sua transparência em meio da grei que lhes foi encomendada".

Finalmente o Papa expressou que "conservando em minha alma a lembrança de minha grata estadia em Compostela, peço ao Senhor que o perdão e a aspiração à santidade que germinaram neste Ano Santo Compostelano ajudem a fazer mais presente, sob a guia de São Tiago, a Palavra redentora de Jesus Cristo nessa Igreja particular e em todos os povos da Espanha"

"Que sua luz seja percebida igualmente na Europa, como um convite incessante a vigorizar suas raízes cristãs e assim potencializar seu compromisso pela solidariedade e a firme defesa da dignidade do homem".

Papa critica atentado contra cristãos no Egito

O Papa Bento XVI criticou o atentado que matou 21 fiéis e feriu dezenas, em Alexandria, no Egito, na noite do Ano Novo. Após o Ângelus deste domingo, 2, o Santo Padre afirmou que, tanto "esse gesto de morte", como colocar bombas junto das casas dos cristãos no Iraque, para obrigá-los a partir, "ofende a Deus e a toda humanidade", que precisamente neste sábado, "rezou pela paz e iniciou com esperança um novo ano".


"Diante dessa estratégia de violência que toma como alvo os cristãos, e tem consequências sobre toda a população, rezo pelas vítimas e seus familiares e encorajo as comunidades eclesiais a perseverarem na fé e no testemunho de não-violência que vem do Evangelho”, disse Bento XVI.

Nesse contexto, o Papa recordou ainda os “numerosos agentes pastorais assassinados em 2010 em várias partes do mundo", e disse: “a eles vai igualmente a nossa afetuosa recordação diante do Senhor. Permaneçamos unidos em Cristo, nossa esperança e nossa paz!"

Cerca de mil cristãos participavam da Missa de Ano Novo na Igreja, em Alexandria, e ao saírem do templo, por volta das 00h30 (local), foram surpreendidos pela explosão de uma bomba, em frente à Igreja. O atentado, que ainda não foi reivindicado, aconteceu depois das ameaças expressas em novembro passado pela ala iraquiana de Al Qaeda que, depois de reivindicar o ataque ocorrido em Bagdá, contra a igreja sírio-católica, ameaçou a comunidade copta egípcia.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Fotos da Solenidade da Virgem Maria, Mãe de Deus, no Vaticano.

Hoje 1° de janeiro de 2011, a Igreja celebra a Festa da Santa Mãe de Deus, e também o primeiro dia do ano civil de 2011.

Sendo hoje uma Festa de preceito, o Santo Padre celebrou esta manhã na basílica de São Pedro a Santa Missa em honra da Mãe de Deus, que foi concelebrada por dois cardeais e três bispos e teve a assistência de dois cardeais, na qualidade de diáconos, criados recentemente. O Santo Padre usou a tradicional casula romana de Paulo VI e os demais concelebrantes outras casulas romanas.

Veja as fotos:







Solenidade da Santa Mãe de Deus

Primeiras Vésperas da Solenidade da Santíssima Mãe de Deus e Te Deum

 "Depois de um ano, nos reunimos (...) para elevar nosso agradecimento a Deus por tantas graças que recebemos e, sobretudo, pela graça em pessoa, ou seja, pelo Dom vivente e pessoal do Pai, que é o seu Filho predileto, o Nosso Senhor Jesus Cristo". Foi a afirmação do Papa Bento XVI ao presidir a oração das Vésperas da Solenidade de Maria Santíssima Mãe de Deus, nesta sexta-feira, 31, na Basílica de São Pedro, no Vaticano.

O Papa explicou que a "gratidão pelos dons recebidos de Deus, no tempo que nos é dado viver, nos ajuda a descobrir um grande valor inscrito no tempo. Impresso em seus ritmos anuais, mensais, semanais e diários, habita o amor de Deus, os seus dons de graça. É tempo de salvação".

"O Deus eterno entrou e permanece no tempo do homem", destacou Bento XVI, que ainda declara que "o Eterno entra no tempo e renova-o na raiz, libertando o homem do pecado e tornando-o filho de Deus".


O Santo Padre recordou que "nós somos 'a plenitude' do tempo", por causa da vinda de Cristo e sua redenção, como disse o apóstolo São Paulo na carta aos Gálatas (cf, Gl 4,4ss). Explicou também que o Natal nos lembra dessa "plenitude" e renova a esperança trazida por Jesus a todas as pessoas.

Apenas no Menino de Belém acontece "o encontro da eternidade com o tempo", explicou o Papa, e complementou que Nele, há um convite para nos encontrarmos com Deus e com seu amor que nos dá a salvação.

"Nossa experiência humana é tão cheia de maldade, de sofrimento e tragédias de todos os tipos - desde as doenças provocadas pela maldade dos homens às resultantes de fenômenos naturais - mas agora há uma permanente e indelével, alegre e libertadora novidade: a de Cristo, o Salvador", ressaltou.

Bento XVI disse que a Igreja está empenhada para atender ao Menino Jesus e ajudar os batizados a cultivar um íntimo relacionamento com Ele. "Para ser verdadeiro discípulo de Cristo, um apoio fundamental vem através da meditação diária da Palavra de Deus (...), 'a base de toda autêntica espiritualidade cristã'", explicou.

O Santo Padre recordou que "o lugar privilegiado da Palavra de Deus é a Santa Missa" e encorajou os cristãos a darem testemunho da caridade.

Por fim, o Papa convidou os fiéis a olharem para frente e encontrarem a confiança em Jesus. "Nele está toda a nossa esperança, porque Ele veio para a salvação de cada homem e de paz".

De: Canção Nova

Atentado aos cristãos no Egito

Ao menos 21 pessoas morreram após um carro-bomba explodir em frente a uma igreja cristã na cidade de Alexandria, no Egito, à meia-noite deste sábado (1º).


Segundo autoridades egípcias, cerca de 24 pessoas ficaram feridas no atentado. O veículo explodiu no momento em que os fiéis saiam da igreja dos Santos, no bairro Sidi Bechr.

O automóvel estava estacionado no local, segundo o ministério do Interior. Diversas ambulâncias foram chamadas para o atendimento às vítimas – muitas delas foram levadas aos hospitais com queimaduras e cortes pelo corpo.

(*) Com informações das agências Efe, France Presse e Reuters.

Retirado: G1

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

São Silvestre, rogai por nós!

Este Papa dos inícios da nossa Igreja era um homem piedoso e santo, mas de personalidade pouco marcada. São Silvestre I apagou-se ao lado de um Imperador culto e ousado como Constantino, o qual, mais que servi-lo se terá antes servido dele, da sua simplicidade e humanidade, agindo por vezes como verdadeiro Bispo da Igreja, sobretudo no Oriente, onde recebe o nome de Isapóstolo, isto é, igual aos apóstolos.


E na realidade, nos assuntos externos da Igreja, o Imperador considerava-se acima dos próprios Bispos, o Bispo dos Bispos, com inevitáveis intromissões nos próprios assuntos internos, uma vez que, com a sua mentalidade ainda pagã, não estava capacitado para entender e aceitar um poder espiritual diferente e acima do civil ou político.

E talvez São Silvestre, na sua simplicidade, tivesse sido o Papa ideal para a circunstância. Outro Papa mais exigente, mais cioso da sua autoridade, teria irritado a megalomania de Constantino, perdendo a sua proteção. Ainda estava muito viva a lembrança dos horrores por que passara a Igreja no reinado de Diocleciano, e São Silvestre, testemunha dessa perseguição que ameaçou subverter por completo a Igreja, terá preferido agradecer este dom inesperado da proteção imperial e agir com moderação e prudência.

Constantino terá certamente exorbitado. Mas isso ter-se-á devido ao desejo de manter a paz no Império, ameaçada por dissenções ideológicas da Igreja, como na questão do donatismo que, apesar de já condenado no pontificado anterior, se vê de novo discutido, em 316, por iniciativa sua.

Dois anos depois, gerou-se nova agitação doutrinária mais perigosa, com origem na pregação de Ario, sacerdote alexandrino que negava a divindade da segunda Pessoa e, consequentemente, o mistério da Santíssima Trindade. Constantino, inteirado da agitação doutrinária, manda mais uma vez convocar os Bispos do Império para dirimirem a questão. Sabemos pelo Liber Pontificalis, por Eusébio e Santo Atanásio, que o Papa dá o seu acordo, e envia, como representantes seus, Ósio, Bispo de Córdova, acompanhado por dois presbíteros.

Ele, como dignidade suprema, não se imiscuiria nas disputas, reservando-se a aprovação do veredito final. Além disso, não convinha parecer demasiado submisso ao Imperador.

Foi o primeiro Concílio Ecumênico (universal) que reuniu em Niceia, no ano 325, mais de 300 Bispos, com o próprio Imperador a presidir em lugar de honra. Os Padres conciliares não tiveram dificuldade em fazer prevalecer a doutrina recebida dos Apóstolos sobre a divindade de Cristo, proposta energicamente pelo Bispo de Alexandria, Santo Atanásio. A heresia de Ario foi condenada sem hesitação e a ortodoxia trinitária ficou exarada no chamado Símbolo Niceno ou Credo, ratificado por S. Silvestre.

Constantino, satisfeito com a união estabelecida, parte no ano seguinte para as margens do Bósforo onde, em 330, inaugura Constantinopla, a que seria a nova capital do Império, eixo nevrálgico entre o Oriente e o Ocidente, até à sua queda em poder dos turcos otomanos, em 1453.

Data dessa altura a chamada doação constantiniana, mediante a qual o Imperador entrega à Igreja, na pessoa de S. Silvestre, a Domus Faustae, Casa de Fausta, sua esposa, ou palácio imperial de Latrão (residência papal até Leão XI), junto ao qual se ergueria uma grandiosa basílica de cinco naves, dedicada a Cristo Salvador e mais tarde a S. João Batista e S. João Evangelista (futura e atual catedral episcopal de Roma, S. João de Latrão). Mais tarde, doaria igualmente a própria cidade.

Depois de um longo pontificado, cheio de acontecimentos e transformações profundas na vida da Igreja, morre S. Silvestre I no último dia do ano 335, dia em que a Igreja venera a sua memória.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Cardeal Burke celebra missa pontifical no seminário dos Franciscanos da Imaculada em Roma

Texto e fotos de: New Liturgical Movement

No domingo, 26 de dezembro, Sua Eminência o Cardeal Raymond Leo Burke celebrou uma Missa Pontifical no Seminário dos Frades Franciscanos da Imaculada, em Roma. A Missa foi celebrada em honra do Padre Stefano Maria Manelli, sendo o seu dia de festa do padroeiro, e em ação de graças para a elevação de Sua Eminência ao cardinalato. A missa foi cantada pelos coros combinado dos frades franciscanos e Irmãs da Imaculada de vários conventos dos F.I na Itália, e foi conduzido pela Ir. Maria Cecília Manelli e Pe. Giovanni Maria Manelli - resultando em um excelente exemplo da magnificência da Missa. Os irmãos e irmãs também tiveram a honra de receber Sua Excelência Dom Gino Reali, bispo da diocese local de Porto-Santa Rufino, em Roma.

Em sua homilia, o Cardeal Burke focou na necessidade de beleza e esplendor, na liturgia sagrada, ecoando o que Sua Santidade o Papa Bento XVI escreveu na carta que acompanha o seu Moto Proprio "Summorum Pontificum": "Não é apropriado falar destas duas versões do Missal Romano como se fossem «dois ritos». Pelo contrário, é uma questão de um duplo uso do único e mesmo Rito. "E" O que para as gerações anteriores era sagrado, permanece sagrado e grande também para nós, e não pode ser de improviso totalmente proibido ou mesmo prejudicial. Cabe a todos nós, para conservar as riquezas que foram crescendo na fé da Igreja e de oração, e dar-lhes seu devido lugar ... "

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terça-feira, 28 de dezembro de 2010

O que diziam os Santos Padres sobre o aborto.

Hoje no dia em que celebramos a festa dos Santos Mártires Inocentes, recordamos dos atuais mártires, as vítimas de suas próprias mães.

Vejamos o que pensavam e diziam os Santos Padres sobre o aborto.

Beato Pio IX: “Declaramos estar sujeitos a excomunhão latae sententiae (anexa diretamente ao crime) os que praticam aborto com a eliminação do concebido”

(Bula Apostolicae Sedis de 12/10/1869).




Pio XI: 63. Mas devemos recordar ainda, Veneráveis Irmãos, outro gravíssimo delito por que se atenta contra a vida da prole escondida ainda no seio materno.

Uns julgam que isso é permitido e deixado ao beneplácito da mãe e do pai. Outros, todavia, o consideram ilícito a não ser que haja gravíssimas causas, que chamam indicação médica, social, eugênica.

Todos estes exigem que, no que se refere às leis penais do Estado, pelas quais é proibida a morte da prole gerada mas ainda não nascida, as leis públicas reconheçam a declarem livre de qualquer castigo a indicação que preconizam e que uns entendem ser uma e outros entendem ser outra. E até não falta quem peça que as autoridades públicas prestem o seu auxílio nessas operações assassinas, o que, ai! todos sabem quão freqüentissimamente acontece em certos lugares.

“NÃO MATAR”

64. No que respeita, porém, à “indicação médica e terapêutica” — para Nos servirmos de suas próprias palavras — já dissemos, Veneráveis Irmãos, quanta compaixão sentimos pela mãe a quem o cumprimento do seu dever natural expõe a graves perigos da saúde e até da própria vida; mas que causa poderá jamais bastar para desculpar de algum modo a morte direta do inocente? Porque é desta que aqui se trata.

Quer a morte seja infligida à mãe, quer ao filho, é contra o preceito de Deus e a voz da natureza: “Não matar” (Ex 20, 13; Cf. Decr. Santo Ofício, 4 maio 1898, 24 julho 1895, 31 maio 1884). A vida de um e de outro é de fato coisa igualmente sagrada, que ninguém, nem sequer o poder público, terá jamais o direito de destruir.

Insensatissimamente se faz derivar contra os inocentes o jus gladii, que não tem valor senão contra os culpados; também de maneira nenhuma existe aqui o direito de defesa até ao sangue contra o injusto agressor (pois quem chamará injusto agressor a uma criancinha inocente?); tampouco o chamado direito de extrema necessidade, que pode ir até à morte direta do inocente.

Os médicos que têm probidade e ciência profissional louvavelmente se esforçam por defender e conservar ambas as vidas, a da mãe e a do filho; pelo contrário, mostrar-se-iam indigníssimos do nobre título e da glória de médicos aqueles que, sob a aparência de arte médica ou movidos de mal-entendida compaixão, se entregassem a práticas assassinas.

65. E tudo isto está plenamente de acordo com as severas palavras com que o Bispo de Hipona [Santo Agostinho] se insurge contra os cônjuges depravados que procuram evitar a prole e, não obtendo êxito, não receiam matá-la criminosamente. Diz ele:

“Algumas vezes essa crueldade impura ou impureza cruel chega ao ponto de recorrer aos venenos da esterilidade, e, se com eles nada consegue, procura extinguir de algum modo no ventre materno o fruto concebido e livrar-se dele, preferindo que a prole morra antes de viver ou se já vivia no ventre seja morta antes de nascer. Sem dúvida, se ambos assim são, não são cônjuges; e, se tais foram desde princípio, não se uniram por matrimônio, mas por ilícitas relações; se, porém, ambos assim não são, ouso dizer: ‘ou ela é de algum modo meretriz do marido, ou ele adúltero da mulher’” (S. Agostinho, De nupt. et concupisc. c. XV).

66. Aquilo, porém, que se propõe acerca da indicação social e eugênica pode e deve ser tomado em consideração, contanto que se proceda de modo lícito e honesto e dentro dos devidos limites; mas, quanto a querer prover à necessidade em que se apóia com a morte dos inocentes, repugna à razão e é contrário ao preceito divino, promulgado aliás por aquelas palavras apostólicas: “não se deve fazer mal para que daí venha bem” (Cf. Rom. III, 8).

67. Aqueles, enfim, que têm o supremo governo das nações e o poder legislativo não podem licitamente esquecer-se de que é dever da autoridade pública defender a vida dos inocentes com leis oportunas e sanções penais, tanto mais quanto menos se podem defender aqueles cuja vida está em perigo e é atacada, entre os quais ocupam, sem dúvida, o primeiro lugar as crianças ainda escondidas no seio materno.

Se os magistrados públicos não só não defenderem essas crianças mas, por leis e decretos, as deixarem ou até entregarem a mãos de médicos ou de outros para serem mortas, lembrem-se de que Deus é juiz e vingador do sangue inocente, que da terra clama ao céu (Cf. Gn 4, 10).

Encíclica “Casti Connubii”, 31 de dezembro de 1930


Pio XII: “A vida humana inocente, de qualquer modo que se encontre, é subtraída, desde o primeiro instante de sua existência, a qualquer direto ataque voluntário.


“É este um direito fundamental da pessoa humana, de valor geral no conceito cristão da vida; válido tanto para a vida ainda escondida no seio da mãe, como para a vida já desabrochada fora dela; tanto contra o aborto direto como contra a direta morte da criança antes, durante e depois do parto.

“Porquanto fundada possa ser a distinção entre os diversos momentos do desenvolvimento de vida nascida ou ainda não nascida para o direito profano e eclesiástico e para algumas conseqüências civis e penais, segundo a lei moral, trata-se em todos estes casos de um grave e ilícito atentado à inviolabilidade da vida humana.

“Este princípio vale para a vida da criança, como para a da mãe. Jamais e em nenhum caso a Igreja ensinou que a vida da criança deve ser preferida à da mãe.

“É errôneo colocar a questão com esta alternativa: ou a vida da criança ou a da mãe. Não; nem a vida da mãe, nem a da criança, podem ser submetidas a um ato de direta supressão.

“Para uma outra parte, a exigência não pode ser senão uma; fazer todo esforço possível para salvar a vida de ambas, da mãe e da criança.”

Discurso ao Congresso “Fronte da Família” de 27 de novembro de 1951.

João Paulo II: “Com a autoridade que Cristo conferiu a Pedro e aos seus Sucessores, em comunhão com os Bispos — que de várias e repetidas formas condenaram o aborto e que, na consulta referida anteriormente, apesar de dispersos pelo mundo, afirmaram unânime consenso sobre esta doutrina — declaro que o aborto directo, isto é, querido como fim ou como meio, constitui sempre uma desordem moral grave, enquanto morte deliberada de um ser humano inocente.


“Tal doutrina está fundada sobre a lei natural e sobre a Palavra de Deus escrita, é transmitida pela Tradição da Igreja e ensinada pelo Magistério ordinário e universal”.

João Paulo II, encíclica “Evangelium vitae”, (n. 62)

Santos Mártires Inocentes, rogai por nós!

A festa dos Santos Inocentes é do século V, pouco mais ou menos. A morte destas crianças manifesta, a seu modo, a realeza de Jesus. Foi por ter acreditado nas palavras dos Magos e dos Príncipes dos Sacerdotes, por ele consultados, que Herodes viu no Menino Jesus de Belém um rival, e perseguiu com carnificina o "Rei dos Judeus", que acabava de nascer. Mas, como canta a Igreja: "Cruel Herodes, que receias tu da vinda de Cristo? Não arrebata os cetros mortais, aquele que dá os reinos celestes".

É a glória deste Rei Divino que os Inocentes proclamam com a sua morte e a honra que eles dão a Deus é um motivo de confusão para os inimigos de Jesus, porque, longe de conseguirem o fim que se propunham, não fazem mais que dar cumprimento às profecias, as quais anunciavam que o Filho do Homem voltaria do Egito e que em Belém seria grande o choro das mães lamentando a morte dos filhos. E para pôr mais ao vivo a desolação dessas mães, Jeremias evoca Raquel, mãe de Benjamim, chorando a perda de seus descendentes. Mãe compassiva, a Igreja reveste os seus ministros de paramentos de cor vermelha que lembra o sangue derramado pelos inocentes.

Confessemos nós por uma vida isenta de vícios a divindade de Jesus que estas almas inocentes confessaram com a morte.

A festa de hoje também é um convite a refletirmos sobre a situação atual desses milhões de "pequenos inocentes": crianças vítimas do descaso, do aborto, da fome e da violência. Rezemos neste dia por elas e pelas nossas autoridades, para que se empenhem cada vez mais no cuidado e no amor às nossas crianças, pois delas é o Reino dos Céus. Por estes pequeninos, sobretudo, é que nós cristãos aspiramos a um mundo mais justo e solidário.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

“Chega de missa criativa, na igreja silêncio e oração”.

Retirado de: Fratres in Unum.com

Apresentamos nossa tradução da entrevista concedida pelo Cardeal Antonio Cañizares a Andrea Tornielli, do Il Giornale, via La Buhardilla de Jerónimo.

A liturgia católica vive “uma cerca crise” e Bento XVI quer dar vida a um novo movimento litúrgico, que volte a trazer mais sacralidade e silêncio à Missa, e mais atenção à beleza no canto, na música e na arte sacra.


O Cardeal Antonio Cañizares Llovera, 65 anos, Prefeito da Congregação para o Culto Divino, que enquanto bispo na Espanha era chamado de “o pequeno Ratzinger”, é o homem ao qual o Papa confiou esta tarefa. Nesta entevista a Il Giornale, o “ministro” da liturgia de Bento XVI revela e explica programas e projetos.

Como cardeal, Joseph Ratzinger havia lamentado uma certa pressa na reforma litúrgica pós-conciliar. Qual é a sua opinião?

A reforma litúrgica foi realizada com muita presa. Havia ótimas intenções e o desejo de aplicar o Vaticano II. Mas houve precipitação. Não se deu tempo e espaço suficiente para acolher e interiorizar os ensinamentos do Concílio; de repente, mudou-se o modo de celebrar.


Recordo bem a mentalidade então difundida: era necessário mudar, criar algo novo. Aquilo que havíamos recebido, a tradição, era visto como um obstáculo. A reforma foi entendida como obra humana, muitos pensavam que a Igeja era obra de nossas mãos e não de Deus. A renovação litúrgica foi vista como uma investigação de laboratório, fruto da imaginação e da criatividade, a palavra mágica de então.

Como cardeal, Ratzinger havia prognosticado uma “reforma da reforma” litúrgica, palavras atualmente impronunciáveis, mesmo no Vaticano. Todavia, parece evidente que Bento XVI a deseje. É possível falar dela?

Não sei se é possível, ou se é conveniente, falar de “reforma da reforma”. O que vejo absolutamente necessário e urgente, segundo o que deseja o Papa, é dar vida a um novo, claro e vigoroso movimento litúrgico em toda a Igreja. Porque, como explica Bento XVI no primeiro volume de sua Opera Omnia, em relação à liturgia se decide o destino da fé e da Igreja. Cristo está presente na Igreja através dos sacramentos. Deus é o sujeito da história, e não nós. A liturgia não é uma ação do homem, mas de Deus.


O Papa, mais que decisões impostas de cima, fala com o exemplo. como ler as mudanças introduzidas por ele nas celebrações papais?

Acima de tudo, não deve haver nenhuma dúvida sobre a bondade da renovação litúrgica conciliar, que trouxe grandes benefícios para a vida da Igreja, como a participação mais consciente e ativa dos fiéis e a presença enriquecida da Sagrada Escritura. Mas além destes e outros benefícios, não faltaram sombras, surgidas nos anos seguintes ao Vaticano II: a liturgia, isso é fato, foi “ferida” por deformações arbitrárias, provocadas também pela secularização que desgraçadamente atinge também dentro da Igreja. Consequentemente, em muitas celebrações já não se coloca Deus no centro, mas o homem e seu protagonismo, sua ação criativa, o papel principal é dado à assembléia. A renovação conciliar foi entendida como uma ruptura e não como um desenvolvimento orgânico da tradição. Devemos reaviver o espírito da liturgia e para isso são significativos os gestos introduzidos nas liturgias do Papa: a orientação da ação litúrgica, a cruz no centro do altar, a comunhão de joellhos, o canto gregoriano, o espaço para o silêncio, a beleza na arte sacra. É também necessário e urgente promover a adoração eucarística: diante da presenção real do Senhor, não se pode senão estar em adoração.

Quando se fala de uma recuperação da dimensão do sagrado, há sempre quem apresente tudo isso como um simples retorno ao passado, fruto de nostalgia. Como o senhor responde?

A perda do sentido do sagrado, do Mistério, de Deus, é uma das perdas de consequências mais graves para um verdadeiro humanismo. Quem pensa que reavivar, recuperar e reforçar o espírito da liturgia e a verdade da celebração é um simples retorno a um passado superado, ignora a verdade das coisas. Colocar a liturgia no centro da vida da Igreja não é em nada nostálgico, mas, pelo contrário, é garantia de estar a caminho em direção ao futuro.

Como julga o estado da liturgia católica no mundo?

Diante do risco da rotina, diante de algumas confusões, da pobreza e da banalidade do canto e da música sacra, pode-se dizer que há uma certa crise. Por isso é urgente um novo movimento litúrgico. Bento XVI, indicando o exemplo de São Francisco de Assis, muito devoto do Santíssimo Sacramento, explicou que o verdadeiro reformador é alguém que obedece a fé: não se move de maneira arbitrária e não se arroga nenhuma discricionariedade sobre o rito. Não é o dono, mas o custódio do tesouro instituido pelo Senhor e confiado a nós. O Papa, portanto, pede à nossa Congregação promover uma renovação segundo o Vaticano II, em sintonia com a tradição litúrgica da Igreja, sem esquecer a norma conciliar que prescreve não introduzir inovações exceto quando as requererem uma verdadeira e comprovada utilidade para a Igreja, com a advertência de que as novas formas, em todo caso, devem surgir organicamente das já existentes.

O que pretende fazer como Congregação?


Devemos considerar a renovação litúrgica segundo a hermêutica da continudade na reforma indicada por Bento XVI para ler o Concílio. E para fazê-lo, é necessário superar a tendência de “congelar” o estado atual da reforma pós-conciliar, de um modo que não faz justiça ao desenvolvimento orgânico da liturgia da Igreja.


Estamos tentanto levar adiante um grande empenho na formação dos sacerdotes, seminaristas, consagrados e fiéis leigos, para favorecer a compreensão do verdadeiro significado das celebrações da Igreja. Isso requer uma adequada e ampla instrução, vigilância e fidelidade nos ritos, e uma autêntica educação para vivê-los plenamente. Este empenho será acompanhado pela revisão e pela atualização dos textos introdutórios de diversas celebrações (prenotanda). Somos conscientes também de que dar impulso a este novo movimento não será possível sem uma renovação pastoral da iniciação cristã.


Uma perspectiva que deveria ser aplicada também à arte e à música…

O novo movimento litúrgico deverá fazer descobrir a beleza da liturgia. Por isso, abriremos uma nova seção em nossa Congregação dedicada à “Arte e música sacra” a serviço da liturgia. Isso nos levará a oferecer, o quanto antes, critérios e orientações para a arte, canto e música sacras. Como também pensamos em oferecer o mais rápido possível critérios e orientações para a pregação.

Nas Igrejas desaparecem os genuflexórios, a Missa às vezes é ainda um espaço aberto à criatividade, são cortadas inclusive as partes mais sagradas do cânon. Como inverter esta tendência?

A vigilância da Igreja é fundamental e não deve ser considerada como algo inquisitório ou repressivo, mas como um serviço. Em todo caso, devemos tornar todos conscientes da exigência, não só dos direitos do fiéis, mas também dos “direitos de Deus”.

Existe também o risco oposto, isto é, o de se crer que a sacralidade da liturgia depende da riqueza dos paramentos: uma posição fruto de esteticismo que parece ignorar o coração da liturgia…


A beleza é fundamental, mas é algo muito distintito de um esteticismo vazio, formalista e estéril, no qual se cai às vezes. Existe o risco de se acreditar que a beleza e a sacralidade da liturgia dependem da riqueza ou da antiguidade dos paramentos. É necessário uma boa formação e uma boa catequese baseada no Catecismo da Igreja Católica, evitando também o risco oposto, o da banalização, e atuando com decisão e energia quando se recorre a costumes que tiveram seu sentido no passado, mas que atualmente não têm ou não contribuem de nenhum modo para a verdade da celebração.

Poderia nos dar alguma indicação concreta sobre o que poderia mudar na liturgia?

Mais que pensar em mudanças, devemos nos comprometer em reaviver e promover um novo movimento litúrgico, seguindo o ensinamento de Bento XVI, a reaviver o sentido do sagrado e do Mistério, pondo Deus no centro de tudo. Devemos impulsionar a adoração eucarística, renovar e melhorar o canto litúrgico, cultivar o silêncio, dar mais espaço à meditação. Disso surgirá as mudanças…

Deus não nos abandona, nunca estamos sozinhos, diz Bento XVI

O Papa Bento XVI participou de um almoço com os pobres atendidos pelas comunidades romanas das Missionárias da Caridade neste domingo, 26, por ocasião do centenário de nascimento da Beata Madre Teresa de Calcutá. O encontro aconteceu no átrio da Sala Paulo VI, no Vaticano, às 10h (horário de Brasília – 13h em Roma).


Ele recordou que o Natal enche os corações de alegria e paz, e que Deus se fez homem para mostrar o quanto nos quer bem e nos ama.

"Deus tornou-se um de nós para fazer-se próximo a cada um, para vencer o mal, para libertar-nos do pecado, para dar-nos esperança, para dizer-nos que nunca estamos sozinhos. Nós podemos sempre dirigir-nos a Ele, sem medo, chamando-o de Pai, seguros de que, em todo o momento, em toda a situação da vida, também nas mais difíceis, Ele não nos abandona", salientou.

O Pontífice convidou cada um dos presentes a permitir que a luz do Menino Jesus ilumine a vida e transforme-a em luz, como se pode perceber de modo especial na vida dos santos. En seguida, recordou o testemunho da Beata Teresa de Calcutá, um reflexo do amor de Deus na noite humana do sofrimento.

"Celebrar 100 anos do seu nascimento é motivo de gratidão e reflexão para um renovado e alegre compromisso no serviço do Senhor e dos irmãos, especialmente dos mais necessitados. A quem se pergunta o porquê de Madre Teresa ter se tornado assim tão famosa, a resposta é simples: porque viveu de modo humilde e escondido, por amor e no amor de Deus. Ela mesma afirmava que o seu maior prêmio era amar Jesus e servi-Lo nos pobres".

Por fim, o Santo Padre agradeceu a presença e o trabalho missionário dos consagrados na Congregação fundada por Madre Teresa. "Ao homem, frequentemente em busca de felicidades ilusórias, o vosso testemunho de vida diz onde se encontra a verdadeira alegria: no compartilhar, no dar, no amar com a mesma gratuidade de Deus, que rompe a lógica do egoísmo humano", disse.

O almoço contou com a presença de cerca de 350 pessoas atendidas pelos Centros de Acolhida da Congregação em Roma, além de 150 Irmãs, Irmãos contemplativos, Sacerdotes e seminaristas. Também estiveram presentes a Superiora Geral das Irmãs Missionárias da Caridade, Ir. Mary Prema Pierick; o cofundador e Superior Geral dos Irmãos contemplativos, Ir. Sebastian Vazhakala; o Superior Geral dos Sacerdotes Missionários da Caridade e Postulador da Causa de Canonização da Beata Teresa de Calcutá.

Na quarta-feira, 5 de janeiro, às 14h (horário de Brasília – 17h em Roma), o Papa fará uma visita às crianças internadas no Policlínico Gemelli de Roma. O encontro acontece na véspera da Epifania. Na oportunidade, Bento XVI abençoará um centro de tratamento para crianças com espinha bífida e participará na distribuição de presentes aos jovens pacientes.

Publicado originalmente em: Canção Nova

São João, apóstolo e evangelista, rogai por nós!


O nome deste evangelista significa: "Deus é misericordioso": uma profecia que foi se cumprindo na vida do mais jovem dos apóstolos. Filho de Zebedeu e de Salomé, irmão de Tiago Maior, ele também era pescador, como Pedro e André; nasceu em Betsaida e ocupou um lugar de primeiro plano entre os apóstolos.


Jesus teve tal predileção por João que este assinalava-se como "o discípulo que Jesus amava". O apóstolo São João foi quem, na Santa Ceia, reclinou a cabeça sobre o peito do Mestre e, foi também a João, que se encontrava ao pé da Cruz ao lado da Virgem Santíssima, que Jesus disse: "Filho, eis aí a tua mãe" e, olhando para Maria disse: "Mulher, eis aí o teu filho". (Jo 19,26s).

Quando Jesus se transfigurou, foi João, juntamente com Pedro e Tiago, que estava lá. João é sempre o homem da elevação espiritual, mas não era fantasioso e delicado, tanto que Jesus chamou a ele e a seu irmão Tiago de Boanerges, que significa "filho do trovão".

João esteve desterrado em Patmos, por ter dado testemunho de Jesus. Deve ter isto acontecido durante a perseguição de Domiciano (81-96 dC). O sucessor deste, o benigno e já quase ancião Nerva (96-98), concedeu anistia geral; em virtude dela pôde João voltar a Éfeso (centro de sua atividade apostólica durante muito tempo, conhecida atualmente como Turquia). Lá o coloca a tradição cristã da primeiríssima hora, cujo valor histórico é irrecusável.

O Apocalipse e as três cartas de João testemunham igualmente que o autor vivia na Ásia e lá gozava de extraordinária autoridade. E não era para menos. Em nenhuma outra parte do mundo, nem sequer em Roma, havia já apóstolos que sobrevivessem. E é de imaginar a veneração que tinham os cristãos dos fins do século I por aquele ancião, que tinha ouvido falar o Senhor Jesus, e O tinha visto com os próprios olhos, e Lhe tinha tocado com as próprias mãos, e O tinha contemplado na sua vida terrena e depois de ressuscitado, e presenciara a sua Ascensão aos céus. Por isso, o valor dos seus ensinamentos e o peso de das suas afirmações não podiam deixar de ser excepcionais e mesmo únicos.

Dele dependem (na sua doutrina, na sua espiritualidade e na suave unção cristocêntrica dos escritos) os Santos Padres daquela primeira geração pós-apostólica que com ele trataram pessoalmente ou se formaram na fé cristã com os que tinham vivido com ele, como S. Pápias de Hierápole, S. Policarpo de Esmirna, Santo Inácio de Antioquia e Santo Ireneu de Lião. E são estas precisamente as fontes donde vêm as melhores informações que a Tradição nos transmitiu acerca desta última etapa da vida do apóstolo.

São João, já como um ancião, depara-se com uma terrível situação para a Igreja, Esposa de Cristo: perseguições individuais por parte de Nero e perseguições para toda a Igreja por parte de seu sucessor, o Imperador Domiciano.

Além destas perseguições, ainda havia o cúmulo de heresias que desentranhava o movimento religioso gnóstico, nascido e propagado fora e dentro da Igreja, procurando corroer a essência mesma do Cristianismo.

Nesta situação, Deus concede ao único sobrevivente dos que conviveram com o Mestre, a missão de ser o pilar básico da sua Igreja naquela hora terrível. E assim o foi. Para aquela hora, e para as gerações futuras também. Com a sua pregação e os seus escritos ficava assegurado o porvir glorioso da Igreja, entrevisto por ele nas suas visões de Patmos e cantado em seguida no Apocalipse.

Completada a sua obra, o santo evangelista morreu quase centenário, sem que nós saibamos a data exata. Foi no fim do primeiro século ou, quando muito, nos princípios do segundo, em tempo de Trajano (98-117 dC).
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