sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Santa Inês, Virgem e Mártir, rogai por nós!

Virgem e mártir, Santa Inês se deixou transformar pelo amor de Deus que é santo. Seu nome vem do grego, que significa pura. Ela pertenceu a uma família romana e, segundo os costumes do seu tempo, foi cuidada por uma aia (uma babá) que só a deixaria após o casamento.


Santa Inês tiva cerca de 12 anos quando um pretendente se aproximou dela; segundo a tradição, era filho do prefeito de Roma e estava encantado pela beleza física de Inês. Mas sua beleza principal é aquela que não passa: a comunhão com Deus. De maneira secreta, ela tinha feito uma descoberta vocacional, era chamada a ser uma das virgens consagradas do Senhor; e fez este compromisso. O jovem não sabia e, diante de tantas propostas, ela sempre dizia 'não'. Até que ele denunciou Inês para as autoridades, porque sob o império de Diocleciano, era correr risco de vida. Quem renunciasse Jesus ficava com a própria vida; caso contrário, se tornava um mártir. Foi o que aconteceu com esta jovem de cerca de 12 ou 13 anos.

Tão conhecida e citada pelos santos padres, Santa Inês é modelo de uma pureza à prova de fogo, pois diante das autoridades e do imperador, ela se disse cristã. Eles começaram pelo diálogo, depois as diversas ameaças com fogo e tortura, mas em nada ela renunciava o seu Divino Esposo. Até que pegaram-na e a levaram para um lugar em Roma próprio da prostituição, mas ela deixou claro que Jesus Cristo, seu Divino Esposo, não abandona os seus. De fato, ela não foi manchada pelo pecado.

Auxiliada pelo Espírito Santo, com muita sabedoria, ela permaneceu fiel ao seu voto e ao seu compromisso; até que as autoridades, vendo que não podiam vencê-la pela ignorância, mandaram, então, degolar a jovem cristã. Ela perdeu a cabeça, mas não o coração, que ficou para sempre em Cristo.

Santa Inês tem uma basílica que foi consagrada a ela no lugar onde foi enterrada.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

São Fabião, Papa e Mártir, rogai por nós!


Sucessor de Santo Antero, foi eleito Bispo da Igreja de Roma em 236. As extraordinárias circunstâncias de sua eleição, em muito se assemelham à de São Zeferino (15º Papa da Igreja), e foram relatadas pelo historiador Eusébius.

Depois da morte do Papa Antero, havia vindo a Roma, com alguns outros de sua vila, e estava na cidade, como mero espectador, quando a nova eleição teve início. Concentrados no local, haviam nomes de várias pessoas ilustres e também muitos nobres de elevada consideração. Durante a fase preparatória e as orações para a escolha do novo Pontífice, repentinamente uma pomba desceu sobre a cabeça de Fabiano, que não gozava de fama ou qualquer consideração social. Os membros da assembléia logo associaram esta manifestação extraordinária à cena descrita no Evangelho, quando o Espírito Santo desceu sobre o Salvador da humanidade e por isto, com divina inspiração, elegeram Fabiano e o aclamaram com tal alegria que, por unanimidade o conduziram à Cadeira de Pedro.

Durante seus quatorze anos de pontificado, dirigiu a Igreja com certa tranqüilidade, já que a chama da perseguição levantou-se somente nos anos finais, quando acabou sendo martirizado por ordem do governo imperial. Dos registros contidos no Livro Pontifical, consta que São Fabiano determinou que Roma fosse dividida em sete distritos eclesiásticos, sendo cada distrito supervisionado por um diácono. Designou sete subdiáconos para recolher e preservar, juntamente com outros notários a "ata dos mártires". Instituiu as quatro ordens menores e também empreendeu grandes trabalhos de manutenção das catacumbas dos mártires.

São Fabiano morreu decapitado durante o governo do imperador Décio, no dia 20 de janeiro de 250. São Cipriano também fez referências ao seu martírio. Seu corpo foi depositado na cripta dos Papas, nas catacumbas de São Calixto, onde, em épocas recentes (1850), foi descoberta sua lápide com seu nome gravado em grego.

Retirado de: Ecclesiam Suam

São Sebastião, mártir, rogai por nós!


O santo de hoje nasceu em Narbonne; os pais oriundos de Milão, na Itália, no século terceiro. São Sebastião, desde cedo, foi muito generoso e dado ao serviço. Recebeu a graça do santo batismo e zelou por ele em relação à sua vida e à de seus irmãos! Ao entrar para o serviço no império como soldado, tinha muita saúde no físico, na mente e, principalmente, na alma. Não demorou muito, tornou-se o primeiro capitão da guarda do império.

Sebastião ficou conhecido por muitos cristãos, pois, sem que as autoridades soubessem – nesse tempo, no império de Diocleciano, a Igreja e os cristãos eram duramente perseguidos –, porque o imperador adorava os deuses. Enquanto os cristãos não adoravam as coisas, mas as três Pessoas do mistério da Trindade. Esse mistério o levava a consolar os cristãos que eram presos de maneira secreta, mas muito sábia; uma evangelização eficaz pelo testemunho que não podia ser explícito. São Sebastião tornou-se defensor da Igreja como soldado, como capitão e também como apóstolo dos confessores, daqueles que eram presos. Também foi apóstolo dos mártires, os que confessavam Jesus em todas as situações, renunciando à própria vida. O coração de São Sebastião tinha esse desejo: tornar-se mártir. Mas um apóstata denunciou-o para o império e lá estava ele, diante de um imperador muito triste, porque era uma traição ao império. Mas ele deixou claro, com muita sabedoria, auxiliado pelo Espírito Santo, que o melhor que ele fazia para o império era este serviço. Denunciou o paganismo e a injustiça.

São Sebastião, defensor da verdade no amor apaixonado a Deus. O imperador, com o coração fechado, mandou prendê-lo num tronco e muitas flechadas sobre ele foram lançadas até o ponto de pensar que estava morto. Mas uma mulher, esposa de um mártir, o conhecia, aproximou-se dele e percebeu que ele estava ainda vivo por graça. Ela cuidou das feridas dele. Ao recobrar sua saúde depois de um tempo, apresentou-se novamente para o imperador, pois queria o seu bem. Evangelizou, testemunhou, mas, desta vez, no ano de 288 foi duramente martirizado.

Retirado de: Ecclesiam Suam

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Uma Fortaleza em defesa da família, contra o aborto e o PNDH-3

Estou impressionado, e comigo os jovens da Caravana Terra de Santa Cruz. Já sabíamos, por experiência da Caravana de Julho de 2010, que a população é maciçamente contrária ao aborto, à lei da homofobia, à legalização da prostituição, à sovietização do Brasil, etc.

Mas quanto mais percorremos nosso imenso País, mais temos mostras incontestes de que o brasileiro não quer o PNDH-3.

O vídeo abaixo, da campanha em Juazeiro do Norte, mostra bem isso. Temos ainda diversos vídeos do interior e, sobretudo, de Fortaleza, que em breve publicaremos. O caravanista que seleciona os vídeos, Paulo Américo, acaba de me dizer que fará um esforço para tentar colocar ainda hoje alguns vídeos dos 3 dias de campanha na capital.

São tantos, e tão interessantes, que pedi ao responsável pela filmadora que parasse um pouco de filmar, pois tornaria ainda mais difícil a escolha!


Aproveito para agradecer os amigos do Instituto que tão bem acolheram a Caravana. Alojamento, alimentação e orientações teriam sido dificílimas, não fosse sua dedicação exemplar.

Domingo é dia de descanso para os caravanistas. Daqui a pouco iremos à Missa no rito romano tradicional, para a qual nos convidaram nossos amigos. Depois disso, um deles se dispôs a mostrar a cidade aos jovens.

Amanhã pegamos novamente a estrada.

Se os propugnadores do PNDH-3 não param, saibam que muito menos paramos nós!

Estamos de saída para a próxima cidade, debaixo de chuva. Não sei como os rapazes vão conseguir preparar os bagageiros, que ficam em cima das vans... Mas estamos no Brasil, e o jeitinho acabará resolvendo.

***
Enquanto isso, aproveito para publicar mais um vídeo. É o primeiro da Caravana Terra de Santa Cruz em Fortaleza-CE.

Além de termos sido muito bem recebidos pelo público, fomos cordialmente recebidos pelo Presidente da Assembléia Legislativa do Ceará, o Dep. Francisco Caminha. Membro e fundador da Frente Parlamentar Contra o Aborto da Câmara Estadual do Ceará, o presidente é contrário ao PNDH-3 e acolheu com simpatia a visita de 6 membros da Caravana.

Logo após, os mesmos caravanistas foram entrevistados pela televisão da Câmara, e deram entrevistas ao vivo para a Rádio da Assembléia Legislativa.

Nada mais apropriado do que visitar os representantes, após ter conversado com os representados de todo o estado!


Abaixo fotos dos membros da Caravana Terra de Santa Cruz, na Missa em rito gregoriano:




Fonte (Texto e vídeos): Valores Inegociáveis
Fonte (Fotos): Santa Igreja

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Novo Colaborador do Blog

Olá, como vão vocês? Espero que bem. Chamo-me Paulo Roberto, resido em Fortaleza, capital do Ceará, sou o novo colaborador do Blog Santa Igreja. Sou acólito, a 6 anos, acólito nas duas formas do Rito Romano.

A pedido de meu amigo Caio, um rapaz de um conhecimento incrível, não só em liturgia, mas em outras matérias, venho a partir de hoje, passar meus conhecimentos e atualidades a todos vós. Que Deus abençõe a todos, Nossa Senhora Auxiliadora os ilumine. Viva o Santo Padre!

Vídeo da Eleição do Sumo Pontífice João Paulo II

A Doutrina das Indulgências


A doutrina das Indulgências


Por Leonardo Silva de Paula

Quem é católico certamente já teve que escutar frases acusadoras como: “Os católicos são idólatras, pois adoram Maria e os santos!”, “Os católicos se prostram para adorar ídolos de barro, são idólatras!”, “A Igreja Católica mandava prender, torturar e queimar todos os que se posicionavam contra seu poder!” ou ainda a famosa “A Igreja Católica vendia lugares no céu, ou o perdão dos pecados!”.

Não há dúvidas que essas sentenças citadas acima, além de outras tantas que somos obrigados a escutar muitas vezes são frutos de uma total falta de piedade cristã, além de um desconhecimento imenso da doutrina e da fé que baseiam a Igreja Católica e a vida de seus filhos.

Faz-se necessário entender que, em nenhum momento de sua história, a Igreja Católica tencionou ou buscou afastar-se dos Sagrados Mandamentos e Ensinamentos confiados a ela por seu Fundador, Nosso Senhor Jesus Cristo, na pessoa do apóstolo Pedro, considerado pela cristandade católica como o primeiro bispo de Roma e o primeiro Papa.

Durante os muitos séculos de sua existência, nossa igreja enfrentou com bravura inúmeros períodos conturbados da História. Passou pelo ápice e a queda de Roma sob os bárbaros; conheceu o apogeu e o declínio do Império Bizantino; presenciou o surgimento e a organização das primeiras nações européias; acompanhou as navegações que aproximaram o “Velho Mundo” do “Novo Continente”; sofreu com toda a humanidade os horrores das Grandes Guerras, e enfrenta hoje a hostilidade, às vezes velada, escondida, de uma grande multidão que busca, sob falsos pretextos de liberdade e igualdade entre todos, difamar o nome da Igreja de Cristo, incitar o ódio e a descrença contra seus líderes e por abaixo quase dois séculos de uma bela e frutuosa história de fé e testemunho cristão, escoltados pela promessa de Nosso Senhor Jesus Cristo a Pedro: “E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.” (Mt 16, 18-19)

A Igreja, como uma instituição sediada na terra, é composta por homens e mulheres, todos falhos, fracos, sujeitos a equívocos, por serem pecadores, herdeiros do pecado original, fruto da desobediência dos primeiros pais, Adão e Eva.

Apesar disso, o próprio Senhor garantiu a Pedro a vitória da Igreja sobre as forças do inferno, como vimos na citação acima e, em outro momento, prometeu a seus discípulos que lhes mandaria o Espírito Santo, o Paráclito, que daria testemunho da verdade, confirmando ao mundo a Palavra de Deus, proclamada por meio d’Ele, para que todos cressem que no senhorio de Jesus sobre o mundo (cf. Jo 15, 26 – 16 ss).

Portanto, é injusto, da parte de quem quer que seja questionar ou desacreditar a santidade e a autoridade da Igreja Católica, conferida por Jesus Cristo, pelo fato de alguns entre seus membros cometerem erros, mesmo que erros considerados graves. É hipocrisia valer-se dos erros de alguns para manchar a imagem de todo um corpo, de todo um povo. O próprio Senhor nos advertiu: “Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão e não reparas na trave que está no teu olho? Ou como podes dizer a teu irmão: Deixa-me, irmão, tirar de teu olho o argueiro, quando tu não vês a trave no teu olho? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho e depois enxergarás para tirar o argueiro do olho de teu irmão.” (Lc 6, 41-42) Não estarão os críticos da Igreja esquecendo que, à frente de suas próprias denominações religiosas estão homens, tão humanos e pecadores quanto qualquer líder católico? Não estarão se esquecendo de olhar primeiro suas próprias falhas para, após tomar consciência delas e corrigi-las, apontar os erros de seus irmãos?

Sendo assim, é plenamente compreensível o fato de que, como homens, todos estamos sujeitos a errar diversas vezes durante nossa peregrinação terrestre, devendo, no entanto, evitar constantemente, as ocasiões de pecado, desenvolvendo tal horror aos erros e tal amor a Cristo e à sua Palavra, que, aqui mesmo na terra, iniciemos nossa santificação, a purificação de nossa alma, para desfrutarmos um dia da visão da Face de Nosso Deus, na eternidade.

O nosso objetivo, com esse texto, não é declarar a Igreja Católica como uma igreja melhor que as outras, sob uma análise puramente humana e infantil. Acreditamos, porém, que ao reconhecer a autoridade de Pedro como o primeiro chefe dessa Igreja e de seus sucessores, nós fazemos parte da verdadeira Igreja sonhada e fundada por Cristo, Nosso Senhor, na pessoa de Pedro, e que tem, nesse mesmo Jesus, seu Chefe, Esposo e Cabeça.

Tomaremos como tema desse artigo a última das sentenças apresentadas no início: a “venda” do perdão dos pecados, ou de lugares no céu, pela Igreja Católica. O presente texto não possui o objetivo de ser o único depositário da verdade, ou o mais explicativo, ou ainda o único local onde os cristãos católicos terão suas dúvidas satisfeitas ou esclarecidas. Não, de forma alguma é este nosso propósito. O que nos move a escrever essas linhas é a consciência da obrigação cristã que todos temos de ajudar e formar nossos irmãos na fé que se encontram ainda em início de caminhada ou aqueles cuja fé se encontra abalada, muitas vezes devido às falácias e intrigas semeadas por muitos dos irmãos de denominações protestantes.

***

“A salutar instituição das indulgências contribui, assim, por sua parte, para que a Igreja se apresente a Cristo sem mancha nem ruga, mas santa e imaculada, admiravelmente unida em Cristo pelo elo da caridade sobrenatural. De fato, por meio das indulgências são os membros da Igreja padecente mais rapidamente agregados à Igreja triunfante. Daí resulta que por essas mesmas indulgências o Reino de Cristo se instaura muito mais rapidamente ‘até que todos tenhamos chegado à unidade da fé e de pleno conhecimento do Filho de Deus, à idade de homem perfeito, à medida da estatura que convém ao complemento de Cristo’.” (Papa Paulo VI, Indulgentiarum Doctrina)

É muito comum que protestantes e não cristãos levantem a voz e apontem o dedo para os católicos afirmando – sempre com muita “certeza e convicção” – que a Igreja Católica vendia o perdão dos pecados durante a Idade Média. Como se não bastasse a reinante ignorância sobre esse importante período da história humana e da própria cristandade (leia mais no livro “Uma História que não é contada”, do professor Felipe Aquino), os argumentos utilizados pelos críticos da Igreja revelam um total desconhecimento sobre uma das mais belas doutrinas do catolicismo: as indulgências.

Antes de avançar mais a fundo no que são as indulgências, é preciso falar um pouco sobre o pecado. Todo pecado é falta humana que nos afasta da convivência plena e pacífica com Deus Nosso Senhor. Porém, para que se entendam melhor os efeitos do pecado na relação entre o ser humano e Deus, a Igreja nos apresenta as definições pecado grave, ou mortal e pecado leve, ou venial.

Por pecado grave, entende-se aquele cometido conscientemente, de forma deliberada (não acidental) e constituído de matéria grave (desobediência a alguma lei ou preceito fundamental e importante da Lei de Deus). Este pecado representa nossa rejeição ao projeto do Senhor para nós: o pecador prefere aderir ao pecado e ao mundo, recusando a vontade de Deus. Ele nos priva da comunhão com Deus e nos torna incapazes de participar da vida eterna. Essa privação da vida eterna recebe o nome de pena eterna do pecado.

Por pecado leve ou venial, entende-se toda má ação ou inclinação do ser humano que, mesmo não consistindo em uma violação da dignidade da vida e pureza humana, ou negação e desrespeito pela soberana grandeza de Deus e de suas resoluções (pecado mortal), deixa em nós um apego prejudicial às criaturas, ou seja, faz com que criemos um vínculo perigoso com as “pequenas” e costumeiras falhas e vícios diários, comuns ao ser humano. Esse pecado exige purificação, que pode acontecer tanto em vida, como após a morte, no estado chamado Purgatório.

Para entender melhor:

Quando um indivíduo escolhe tirar a vida de outra pessoa e realiza o ato, comete um pecado grave, pois:

a- O assassinato não foi um acidente (portanto foi praticado deliberadamente, intencionalmente);

b- O crime foi realizado conscientemente (o autor sabia o que estava fazendo e quais as conseqüências de seu ato);

c- O assassino atentou contra a vida de um ser humano, algo grave perante Deus, o único detentor dos direitos sobre a vida e a morte (ou seja, pecado em matéria grave).

Ao cometermos um pecado grave estamos colocando aquele ato ou decisão acima de Deus. Estamos trocando a graça Dele pelo pecado. Como Deus nos deu liberdade de escolha, Ele aceita nossa decisão. A conseqüência disso é a privação da vida eterna: não poderemos desfrutar da vida eterna junto da Trindade e de toda a corte celeste. Essa é a pena eterna do pecado, que só pode ser perdoada, absolvida completamente, mediante o sacramento da Confissão (ou Reconciliação).

Muitas vezes o ser humano se acostuma a dizer “não” a Deus através de erros ou falhas costumeiras como a mentira. Quem mente a primeira vez, mentirá mais uma e mais outra vez, como num verdadeiro “efeito-dominó”. Ainda que esse pecado muitas vezes não seja cometido de forma deliberada, consciente ou em matéria grave (características do pecado mortal), é um ato que nos distancia de Deus e nos faz mais apegados às coisas do mundo. Nos “acostumamos a pecar”. A mentira aqui se enquadra no que a Igreja chama de pecado venial.

Ocorre que, por causa desse “apego às criaturas”, presente tanto no pecado mortal quanto no pecado venial, o pecador adquire outra pena além da pena eterna: a pena temporal. A pena temporal pode ser entendida como todos os sofrimentos, provações e dificuldades que passaremos aqui na terra, por causa de nossos pecados. Jesus nos explica a pena temporal quando nos diz “...dali não sairás antes de teres pago o último centavo.” (Mt 5,26). Ou seja, temos uma dívida a pagar pelos pecados cometidos.

Enquanto, através da Confissão Sacramental, Cristo nos liberta da pena eterna do pecado, a remissão da pena temporal é feita através da oração, caridade e obras de penitência ou “obras indulgenciáveis”.

Durante os primeiros séculos da história da Igreja, os pecadores só recebiam a absolvição de suas penas (as temporais, mesmo não havendo esse conceito naquela época) após realizarem severas obras de penitência pública e/ou privada, associadas a um verdadeiro e forte desejo de arrancar de si os resquícios do pecado. É claro que nem todos podiam praticar obras penitenciais como autoflagelação, uso do cilício e os severos jejuns comuns à época (1).

Como Mãe preocupada e generosa com seus filhos (mas não injusta), a Igreja apelou para o Tesouro dos Méritos ou Satisfações de Cristo e de seus santos, do qual ela é depositária, guardiã. Esse tesouro espiritual constitui-se dos méritos adquiridos junto a Deus por Jesus Cristo, através de seus sofrimentos e sua morte de cruz, associado às orações e obras de caridade e misericórdia de todos os seus membros, vivos e mortos, oferecidas a Deus em intenção e benefício da Igreja e de seus filhos.

Ensina-nos o Santo Padre Papa Paulo VI, em sua “Constituição Apostólica Indulgentiarum Doctrina”:

“A convicção existente na Igreja de que os Pastores do rebanho do Senhor podem por meio da aplicação dos méritos de Cristo e dos Santos libertar cada fiel dos restos de seus pecados introduziu aos poucos no correr dos séculos, pelo sopro do Espírito Santo que sempre anima o Povo de Deus, o uso das indulgências; uso pelo qual se efetuou um progresso, não uma mudança, na doutrina e na disciplina da Igreja, e da raiz que é a revelação brotou um novo bem para a utilidade dos fiéis e de toda a Igreja.


Pouco a pouco se propagou o uso das indulgências e se tornou um fato notório na história da Igreja desde que os Pontífices Romanos decretaram que certas obras favoráveis ao bem geral da Igreja ‘poderiam ser imputadas ao título de uma penitência total’; e aos fiéis ‘verdadeiramente penitentes, que tivessem confessado seus pecados’ e realizassem tais obras, esses mesmos Pontífices ‘pela misericórdia de Deus e... confiando nos méritos e na autoridade dos apóstolos’, ‘na plenitude do poder apostólico’ concediam o perdão não só pleno e abundante, mas até o mais cabal, de todos os seus pecados". Pois ‘o Filho unigênito de Deus adquiriu um grande tesouro para a Igreja Militante... Esse tesouro... quis ele fosse distribuído aos fiéis para sua salvação por são Pedro, portador das chaves do céu, e por seus sucessores, seus vigários na terra, e fosse, por motivos particulares e razoáveis, a fim de remir ora parcial ora completamente a pena temporal devida ao pecado, misericordiosamente aplicado, em geral ou em particular, como diante de Deus se julgasse mais útil, aos que, verdadeiramente penitentes se tivessem confessado. Sabe-se que os méritos da Bem-aventurada Mãe de Deus e de todos os eleitos contribuem para a riqueza desse tesouro’.” (Indulgentiarum Doctrina, Capítulo IV, §7)

Então, dispondo desse Tesouro de méritos, a Igreja passou a aplicar esses méritos a seus filhos que não possuíam condições físicas de cumprir com as penitências mais pesadas. Assim, a Igreja instituiu, a partir do século IX, as “obras indulgenciáveis”.

Sendo assim, após uma confissão sacramental, o fiel deveria praticar determinada obra de caridade ou penitência, para que, através desse sacrifício, sua pena temporal fosse também apagada, como a pena eterna o fora com a confissão. Ao invés de um pesado jejum, o fiel podia agora ao rezar a oração do terço, visitar determinado Santuário, ou orar em um cemitério no Dia dos Fiéis Defuntos (Dia de Finados), obter a expiação de sua pena temporal, associando seu esforço às orações e obras dos membros da Igreja, presentes no Tesouro de Méritos!

A prática de obras de penitência pela expiação dos pecados não é invenção da Igreja Católica, muito menos as normas, exigências ou exceções à forma como ela deve ser realizada. O Antigo Testamento nos mostra como Deus aceita o sacrifício do pobre fiel que não tem como oferecer atos mais pesados ou bens mais valiosos em expiação de suas falhas. “Se não houver meio de se obter uma ovelha ou uma cabra, oferecerá ao Senhor em expiação pelo seu pecado duas rolas ou dois pombinhos, um em sacrifício pelo pecado e o outro em holocausto.(...) Se não houver meio de se encontrarem duas rolas ou dois pombinhos, trará como oferta, pelo pecado cometido, o décimo de um efá de flor de farinha em sacrifício pelo pecado. Não lhe deitará azeite nem lhe porá incenso, porque é um sacrifício pelo pecado” (Lv 7,5.11).

O fiel pode oferecer a Deus o que puder, desde que seja acompanhado de um profundo desejo de conversão e reta intenção de não tornar a pecar, com a graça de Deus. Ou seja: não basta apenas realizar a obra, mas sim, realizá-la com verdadeiro arrependimento e com o puro intento de não mais pecar. Daí, podemos notar que a Igreja não retira de onde não tem, meios de perdoar os pecados de seus membros, vendendo ou comerciando a remissão dos pecados através de ações escolhidas por seus líderes. Não existe comércio do perdão: a Igreja ensina seus filhos como se achegar de forma mais íntima do coração de Deus e como agir para reconciliar-se com ele, libertar-se do pecado e alcançar o perdão e a vida eterna.

A indulgência por si só, também não leva ninguém ao céu. É preciso que o fiel que deseja lucrar o benefício da indulgência cumpra com algumas condições:

a- Fazer um exame de consciência rigoroso e minucioso, depois confessar-se e após a absolvição sacramental, deve assistir à Missa completa e comungar;

b- Deve possuir e/ou desenvolver o mais absoluto horror ao pecado cometido e manifestar firme intenção de não cometê-lo novamente;

c- E deve ter em mente o desejo de lucrar a indulgência associada ao ato enquanto o executa.

Ou seja: quem, por seus atos, escolheu o inferno e não se arrependeu (confessando-se e recebendo a absolvição sacramental) não pode lucrar a absolvição da pena temporal através das indulgências. A Indulgência só vale quando o fiel já foi absolvido de sua pena eterna e pratica a obra indulgenciável obedecendo às condições prescritas acima.

Não há, portanto, fundamento nas palavras de protestantes e não cristãos que atacam a Igreja e sua doutrina das indulgências, colocando-a como uma “vendedora do perdão dos pecados”. Nada mais falso e em mais descompasso com a verdadeira fé e a Sã doutrina da Igreja Católica que, apoiada nos ensinamentos de Cristo, seu senhor e mestre, continuará a dar testemunho da verdade até a consumação dos séculos.

Bibliografia:

MARTINS DE JESUS, Leandro. Entendendo a Doutrina das Indulgências. Site “Veritatis Splendor”: http://www.veritatis.com.br/article/5663 Acessado em: 21 de maio de 2010

RAMALHETE, Professor Carlos. A Igreja Católica vendia lugares no céu? Site “Vetitatis Splendor”: http://www.veritatis.com.br/article/3843 Acessado em: 21 de maio de 2010

PAULO VI, Papa. Constituição Apostólica Indulgentiarum Doctrina. Página Oficial do Vaticano: http://www.vatican.va/holy_father/paul_vi/apost_constitutions/documents/hf_p-vi_apc_01011967_indulgentiarum-doctrina_po.html. Acessado em: 21 de maio de 2010

Notas:

(1) É preciso ter em mente que, em nenhum momento, a Igreja desejou impor sofrimento a seus filhos, pelo simples prazer ou ato de sofrer. Isso é masoquismo, algo abominável que vai contra os princípios da Lei de Deus. As práticas penitenciais, como os severos jejuns a pão e água, ou ainda a autoflagelação ou o uso do cilício, eram comuns no início do cristianismo (e não apenas na Idade Média, como insistem muitos escritores e professores anti-católicos) e eram maneiras encontradas pelos fiéis para que, infligindo sofrimentos e privações a seus próprios corpos, desenvolvessem aversão ao pecado e às suas conseqüências, além de, a exemplo de Cristo, Servo Sofredor, aceitassem os sofrimentos terrenos como forma de purificação espiritual na busca da perfeição e da eternidade.


(2) Até antes do Concílio Vaticano II, as indulgências eram aplicadas a períodos de tempo. Segundo Dom Estêvão Bettencourt, “Quando, antes do Concílio Vaticano II (1962-1965), se falava de “indulgencia de 100, 300 dias, um ou mais anos”, não se designava um estágio no purgatório, pois neste não há dias nem anos. Com essa contagem, indicava-se o perdão da expiação que outrora alguém prestaria fazendo 100, 300 dias, um ou mais anos de penitencia rigorosa, avaliada segundo a praxe da Igreja antiga.” (BETTENCOURT, Estêvão. Indulgências: Que são? In: Pergunte e Responderemos, ano XLIX, setembro de 2008, nº 555, p.387 apud MARTINS DE JESUS, Leandro. Entendendo a Doutrina das Indulgências.)


(3) Não se pode afirmar com categoria, como fazem os críticos, que o comércio de Indulgências é dogma ou prática ordenada pela Igreja Católica. Isso nunca fez ou faz parte da doutrina ensinada pela Igreja e não encontra base ou eco em nenhuma carta, encíclica, bula, decreto ou demais publicações oficiais de resoluções e ensinamentos papais. Ocorreram, não há dúvidas, casos famosos de abusos na aplicação da doutrina das indulgências durante a Idade Média. É preciso avaliar, porém, que o “comércio de indulgências” foi uma prática resultante das falhas e resoluções errôneas de membros individuais dentre o clero da Igreja. Mesmo sendo membros influentes na sociedade e comunidade cristã, seu proceder nunca encontrou apoio na doutrina da Igreja, ainda que essa prática condenável estivesse se tornando comum em determinados locais ou contextos.


(4) Muito do que se escreve hoje de negativo com relação às indulgências, e que se diz baseado em documentos ou testemunhos da época, revela total falta de caridade e senso crítico para tratar fatos e textos relacionando-os com os contextos e com a realidade da época em que foram escritos. Não havia, na Idade Média, por exemplo, a facilidade de que dispomos hoje para nos formarmos e informarmos sobre a doutrina e as opiniões da Igreja sobre o mundo. Muitos sacerdotes não compreendiam bem o funcionamento das indulgências e com isso, mais por ignorância do que por desejo de ver perdido o rebanho de Cristo, repassavam informações nem sempre corretas aos fiéis, a respeito do tempo de validade das indulgências, por exemplo, etc.


(5) A Constituição Apostólica Indulgentiarum Doctrina, do Papa Paulo VI, de onde foram retirados alguns trechos é um importantíssimo documento pastoral e oficial da Igreja Católica acerca da doutrina das Indulgências. Para que não houvessem equívocos na compreensão e prática das indulgências por parte de religiosos e fiéis, o Santo Padre redigiu e publicou esse documento, no dia 1º de janeiro de 1967, rememorando a história e o significado das indulgências para a Igreja, além de estabelecer algumas novas normas para a para a prática dessa doutrina, “para que o mesmo uso das indulgências fosse levado à máxima dignidade e altíssima estima”, nas palavras do próprio Pontífice. É um documento de leitura essencial e altamente recomendável para a formação cristã e para os que desejam entender melhor essa doutrina.
 
Retirado de: A Vida Sacerdotal

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Bebês “descartáveis”

De: Zenit
Aumenta o número de fetos com deficiência que são abortados

Os pró-aborto sempre defenderam o direito das mulheres de controlar seus corpos e de ter o nascituro como quiserem. Em uma decisão estranha, um tribunal belga aprovou esse raciocínio até afirmar que uma criança tem o direito de ser abortada.

A revista belga Revue Générale des Assurances et responsabilité publicou a sentença do Tribunal de Apelação em Bruxelas, de 21 de setembro, sobre o caso de uma criança nascida com deficiência, após um erro no diagnóstico pré-natal, de acordo com a revista Gènéthique de 29 de novembro a 3 de dezembro.

O tribunal decidiu que os pais da criança poderiam exigir indenização dos médicos que não conseguiram detectar a incapacidade. Eles alegaram que, ao legalizar o aborto terapêutico, os legisladores pretendiam que as mulheres pudessem evitar dar à luz crianças com deficiências graves, "tendo em conta não só os interesses da mãe, mas também os do nascituro em si".

Assim, os juízes consideraram que a criança deve ter o "direito" ao aborto, se a sua deficiência for diagnosticada corretamente.

Esta reportagem sobre a sentença não explicou como o tribunal chegou a considerar o nascituro como capaz de ser sujeito de direitos, e por que esse direito era apenas o de ser assassinado, e não o de viver.

Uma boa mãe?

A escritora britânica Virginia Ironside deu mais um passo a mais na aceitação cada vez mais comum da visão de que é melhor abortar bebês com deficiência, ao declarar que preferiria afogar seu filho para acabar com seu sofrimento, informou a 5 de outubro o jornal Daily Mail.

Ela fez o comentário durante um programa de rádio na BBC1, Sunday Morning Live. Ironside disse também que abortar um bebê indesejado ou com deficiência "é o ato de uma mãe amorosa".

Suas declarações provocaram muitas críticas. Peter Evans, falando em nome da Christian Medical Fellowship, disse: "Para nós, fazer julgamentos de que uma pessoa não é digna de viver, não é digna da oportunidade de viver, é algo perigoso", informou o Daily Mail.

Ian Birrell, pai de uma filha com deficiência, de 16 anos, assinou um artigo adjunto em que reconhecia as dificuldades de cuidar de uma criança deficiente, mas também disse que é uma experiência intensamente gratificante. Acusou Ironside de mostrar uma maneira de pensar muito comum, segundo a qual as pessoas com deficiência seriam inferiores.

"Imagine a indignação se a Sra. Ironside tivesse dito que as crianças negras ou os adolescentes gays deveriam ser exterminados", disse Birrell.

Outros, porém, a defenderam. O colunista do jornal Guardian, Zoe Williams, afirmou que ela tinha "uma opinião válida e foi corajosa ao expressá-la" em um artigo em 5 de outubro.

Williams disse que o argumento de Ironside era um passo crucial, pois ela tinha formulado a dimensão moral de ser pró-aborto. Foi como um golpe ao que William descreve como "a autoproclamada superioridade moral dos antiabortistas".

O Sunday Times deu oportunidade a Virginia Ironside para que explicasse melhor o seu raciocínio, em um artigo de opinião publicado em 10 de outubro. Argumentou que as mortes misericordiosas de pessoas idosas e doentes acontecem e que os juízes, em geral, se mostram clementes com elas. Estender esta prática ao feto ou ao recém-nascido é exatamente o que faria uma boa mãe, disse.

Novos testes

A postura de eliminar aqueles considerados indignos receberá ajuda dos novos exames que tornarão mais fácil a detecção de anormalidades na gravidez. Foi desenvolvido um exame de sangue para as mulheres grávidas capaz de detectar quase todas as doenças genéticas, informou em 9 de dezembro o Times de Londres.

Se os exames mais amplos confirmarem os resultados preliminares, o teste poderia substituir técnicas mais invasivas e arriscadas, como a amniocentese, que exige a inserção de uma agulha no útero para retirar uma amostra de tecido fetal.

Da mesma forma, o exame poderá ser usado a partir da primeira semana de gravidez, assim como na oitava, bem antes dos processos atualmente em uso, dando à mulher mais tempo para decidir abortar ou não, acrescentou o Times.

Alasdair Palmer, comentando estas notícias no jornal Telegraph de 11 de dezembro, afirmou que exames como esse evitariam que pessoas como ele nascessem. Palmer, que sofre de esclerose múltipla, falou da preocupação sobre um possível aumento no número de abortos de bebês com defeitos genéticos, incluindo os menos importantes, como o lábio leporino.

Rotineiramente, seriam abortados os bebês com síndrome de Down e, após a aceitação desta forma de pensar como uma prática aceitável, seria mais difícil traçar uma linha. "Devemos abortar aqueles que sofrem de autismo, dislexia, ou os são excessivamente baixos?", perguntou-se.

"Não vejo base alguma que permita que a lei especifique, e muito menos que imponha, um princípio que diga: este defeito genético é suficientemente ruim e é melhor que o bebê não nasça, mas este outro não é tão ruim", refletiu Palmer.

Mesmo sem os novos exames, já houve um significativo declínio no nascimento de crianças com doenças genéticas devido ao aborto seletivo. Uma longa reportagem da Associated Press, publicada em 17 de fevereiro, citou a Dra. Wendy Chung, diretora de genética clínica da Universidade de Columbia, quem disse que, devido aos diagnósticos, diminuiu a porcentagem de doenças como a de Tay-Sachs.

Nos últimos anos, têm aumentado os exames para a fibrose cística e, em Massachusetts, por exemplo, o nascimento de bebês com esta doença caiu de 29, em 2000, para apenas 10, em 2003.

Na Califórnia, relatou a Associated Press, Kaiser Permanente, uma organização de saúde de grande porte, oferece diagnóstico pré-natal. De 2006 a 2008, 87 casais com mutações de fibrose cística concordaram em examinar seus fetos e foi constatado que 23 tinham a doença; 16 dos 17 fetos que teriam uma forma grave desta doença foram abortados, e também 4 dos 6 cujo prognóstico seria menos grave.

Às vezes, os casais optam por abortar mesmo se não há problemas genéticos, conforme relatado em 10 de dezembro pelo jornal Canadian National Post.

Quando um casal descobriu que estava esperando gêmeos, os cônjuges acharam que não poderiam lidar com dois filhos, além do menino que já tinham. Então, eles decidiram fazer o que é chamado de "redução seletiva", e um dos gêmeos foi abortado.

O artigo citou uma obstetra de Nova York, Mark Evans, especialista nesta técnica, quem disse que muitos casos têm a ver com casais que estão em seu segundo casamento e já têm filhos, então só querem mais um.

Cada ser humano é único

"Deus ama cada ser humano de maneira única e profunda", declarou Bento XVI em 13 de fevereiro, em seu discurso aos membros da Academia Pontifícia para a Vida.

O Papa destacou que a bioética é um campo de batalha crucial na luta entre a supremacia da tecnologia e a responsabilidade moral do ser humano. Neste conflito, é vital manter o princípio da dignidade da pessoa humana como fonte de direitos dos indivíduos.

"Ao invocar o respeito à dignidade da pessoa, é essencial que este seja pleno, total e sem sujeições, exceto a de reconhecer que se está sempre diante de uma vida humana", disse ele.

O Pontífice advertiu que a história mostra quão perigoso pode ser o Estado quando proclama que é a fonte e o princípio da ética e legisla sobre assuntos que afetam a pessoa e a sociedade.

O passo do direito a abortar ao direito de ser abortado demonstra claramente o perigo de abandonar os princípios éticos fundamentais.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Fotos da Missa Gregoriana celebrada por D.Adalberto, em Fortaleza.

Esta manhã, na paróquia de São João Batista, em Fortaleza, Sua Excelência Dom Adalberto da Silva, bispo auxiliar emérito de Fortaleza, oficiou uma Missa na Forma Extraordinária do Rito Romano.

Eis as fotos:










sábado, 15 de janeiro de 2011

Ereção do primeiro Ordinariato para ex-anglicanos e nomeação do Ordinário

EREÇÃO DO ORDINARIATO PESSOAL DE
NOSSA SENHORA DE WALSINGHAM
E NOMEAÇÃO DO PRIMEIRO ORDINÁRIO

No dia 15 de janeiro, a Congregação para a Doutrina da Fé, conforme determinado pela Constituição Apostólica Anglicanorum Coetibus, erigiu o Ordinariato Pessoal de Our Lady of Walshingham, no território da Conferência Episcopal de Inglaterra e Gales. Ao mesmo tempo, o Santo Padre nomeou primeiro Ordinário o Revmo. Pe. Keith Newton.

Revmo. Pe. Keith Newton


Frequentou a Alsop High School de Liverpool entre 1963 e 1970, realizando sucessivamente os estudos de Teologia no King's College da Universidade de Londres entre 1970 e 1973, onde obteve o diploma de Bachelor of Divinity e depois lhe foi conferido o título de Associate of King's College. Obtido o "Post Graduate Certificate of Education" junto ao Christ Church College de Cantuária em 1974, prosseguiu com a formação em vista do sacerdócio na Igreja da Inglaterra [anglicana] no St. Augustine's College de Cantuária.

Ordenado diácono em 1975 e presbítero em 1976 para a diocese anglicana de Chelmsford, desempenhou sua primeira função de vigário paroquial na Igreja de Santa Maria em Great Ilford. Em 1978 foi nomeado pároco no Wimbledon Team Ministry na diocese anglicana de Southwark. De 1985 a 1991 pôs-se a serviço da diocese de Southern Malawi, na província anglicana da África Central. Entre 1986 e 1991 foi decano da Catedral de São Paulo em Blantyre, Malawi. Regressou ao Reino Unido em 1991, na diocese anglicana de Bristol, e foi pároco em Knowle de 1992 a 2002, na paróquia de Holy Nativity.

Foi ordenado bispo anglicano em 7 de março de 2002 pelo arcebispo de Cantuária, George Carey, desempenhando de 2002 a 2010 o ministério de Bispo Sufragâneo de Richborough e a função de Visitador Episcopal Provincial na Província de Cantuária.

Juntamente com a esposa, foi recebido na plena comunhão com a Igreja Católica na Catedral de Westminster em 1º de janeiro de 2011 por S. Exa. Dom Alan Hopes [auxiliar de Westminster].

[Foi ordenado diácono em 13 de janeiro de 2011 e sacerdote católico em 15 de janeiro de 2011 por S. Exa. Dom Vincent Nichols, arcebispo de Westminster]

Fonte: Santa Sé
Tradução: OBLATVS  

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

João Paulo II será beatificado em 1º de maio


O Papa João Paulo II será beatificado em 1º de maio de 2011. A data foi oficializada na manhã desta sexta-feira, 14, com a assinatura do decreto de beatificação pelo Papa Bento XVI, que recebeu em audiência o prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, Cardeal Angelo Amato.

A cura da religiosa francesa Marie Simon-Pierre Normand do Mal de Parkinson foi o milagre reconhecido para a Beatificação.

O Rito de Beatificação será presidido pelo próprio Santo Padre, na Basílica de São Pedro, no Vaticano, no II Domingo da Páscoa - conhecido como da Divina Misericórdia, Festa litúrgica instituída pelo próprio João Paulo II.

"A sua vida e o seu Pontificado foram percorridos pelo desejo de dar a conhecer ao mundo todo [...] a consoladora e entusiasmante grandeza da misericórdia de Deus", afirma o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, padre Federico Lombardi.

De acordo com padre Lombardi, a urna com os restos mortais do Papa polonês será transferida das Grutas Vaticanas para o altar da Capela de São Sebastião, na Basílica de São Pedro. No translado, ela não será aberta - logo, não será uma exumação.

Ainda não foi decidida a data em que será celebrada a memória litúrgica do Beato João Paulo II. Esse dia será estabelecido pela Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos após a Beatificação.

Karol Wojtyla - nome de batismo de João Paulo II - foi o 264º Pontífice da Igreja Católica, o primeiro de origem eslava. Ele faleceu em 2 de abril de 2005, após mais de 25 anos como Sucessor de São Pedro.

De acordo com o Cardeal Angelo Amato, a Causa de João Paulo II teve dois aspectos facilitadores.

"O primeiro diz respeito à dispensa pontifícia da espera de cinco anos para o seu início. Já a segunda foi a passagem para um tribunal especial, que não a colocou em lista de espera. No entanto, no que diz respeito ao rigor e zelo processual, não foram dados privilégios. A Causa foi tratada como as outras, seguindo todos os passos previstos pela legislação da Congregação", disse.

Na lista, figuram também os nomes de outros candidatos à honra dos altares através do próximo passo, que é o reconhecimento de mais um milagre para a canonização.

Processo de beatificação



- 28/04/2005 - Bento XVI concedeu dispensa do tempo de cinco anos de espera para o início da Causa de Beatificação e Canonização de João Paulo II. A causa foi aberta oficialmente em 28 de junho pelo vigário-geral para a Diocese de Roma, Cardeal Camillo Ruini.

O Vaticano explica que a dispensa pontifícia dos cinco anos de espera entre a morte do candidato a santo e o início da Causa aconteceu devido à "imponente fama de santidade de que gozava João Paulo II em vida, na morte e depois da morte";

- 2/04/2007 - dois anos após a morte, na Basílica de São João de latrão, em Roma, o Cardeal Camillo Ruini declarou concluída a primeira fase diocesana do processo de beatificação de João Paulo II, confiando os resultados à Congregação para as Causas dos Santos. Isso acontece através de uma cerimônia jurídico-processual durante a qual são lidas, em latim, as palavras para a passagem dos documentos, compostos por 130 testemunhos a favor e contra a beatificação, além da conclusão de teólogos e historiadores a respeito;

- 1º/04/2009 - os relatos de possíveis milagres pela intercessão do Papa polonês sob avaliação da Congregação para as Causas dos Santos somam mais de 250;

- 19/12/2009 - com um decreto assinado pelo Papa Bento XVI, são reconhecidas as virtudes heroicas e Wojtyla é proclamado venerável;

- 21/10/2010 - uma Comissão Médica da Congregação para as Causas dos Santos recebe os Atos da Investigação Canônica, bem como os detalhes das perícias médico-legais, para exame científico. Os peritos, após estudar com o habitual cuidado os testemunhos processuais e toda a documentação, expressam-se favoravelmente quanto à inexplicabilidade científica da cura;

- 14/12/2010 - os Consultores teólogos, após terem acesso às conclusões médicas, procedem à avaliação teológica do caso e, unanimemente, reconhecem a unicidade, antecedência e caráter coral da invocação destinada ao Servo de Deus João Paulo II, cuja intercessão foi eficaz para a cura prodigiosa;

- 11/01/2011 - a Sessão Ordinária dos Cardeais e dos Bispos da Congregação para as Causas dos Santos emite unanimemente uma sentença afirmativa sobre a cura milagrosa da Irmã Marie Simon Pierre, como realizada por Deus de modo cientificamente inexplicável, após intercessão do Sumo Pontífice João Paulo II, confiadamente invocado tanto pela curada quanto por muitos outros fiéis.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Ad Orientem [II]


II . O CONCÍLIO VATICANO II E A ORIENTAÇÃO LITÚRGICA


O Concílio Vaticano II não se pronunciou formalmente sobre a orientação da oração litúrgica na Igreja, portanto, qualquer debate sobre o assunto foi levado mais tarde nos tempos da reforma litúrgica em si. A teologia litúrgica e sacramental na Eucaristia tende a ter uma mudança radical durante este tempo.

O Concílio debateu a necessidade de "levar os fiéis até o altar." Essa frase envolve dois aspectos: O primeiro é encontrar formas em que os fiéis possam participar mais ativamente da Missa, trazendo suas almas para o Santo Sacrifício do Altar, tudo através de uma adequada formação litúrgica. O segundo aspecto é evitar longas distâncias entre o altar e os fiéis (como acontece, por exemplo, as igrejas, com coro, como Notre Dame de Paris, onde a distância entre os fiéis e o altar é muito grande), de modo que os fiéis se sintam participantes da Missa, e olhem com mais detalhes o que acontece no Altar.

Portanto, a necessidade de que foi instruída nas novas igrejas, o altar foi construído próximo aos fiéis. Da mesma forma, foram instruídos a construir longe da parede, para que pudesse ser cercada por lisa (presumivelmente, a questões relacionadas com o incenso.)

No entanto, o Concílio não decidiu sobre uma mudança para a celebração dos Santos Mistérios de forma  ad orientem ou versus populum.

No entanto, a instrução "Inter Oecumenici" 1964, preparado pelo Consilium (entidade responsável pela execução das reformas propostas pelo CVII), deu uma interpretação sobre este assunto, que foi claramente uma tentativa "admissível" uma prática já difundida em alguns países desde o início do Movimento Litúrgico, em particular, em relação à Guardini. A citação é:

"É aceitável construír o altar separado da parede para facilitar o regresso e pode ser realizada de frente ao  povo, e colocada no edifício sagrado para que ele seja verdadeiramente o centro para o qual torna-se espontaneamente a atenção da assembléia dos fiéis. "

No entanto, esta declaração tem dois tons a considerar: Primeiro, note que é apenas uma recomendação para a construção nova e, por outro, é apenas uma recomendação, por si só e, portanto, não são considerados prescrição normativa. Portanto, é um segundo argumento de importância salientar que a posição "ad orientem"  é como conciliar e correta celebração litúrgica da Santa Missa (mesmo que se aceite a celebração versus populum).

Não obstante o acima exposto, em consonância com a interpretação dada por J. A. Jungmann (liturgista) sobre a dispensa da celebração "versus populum" era evidente nos anos seguintes uma instituição de fato de tal orientação (o que é atribuível a uma interpretação de ruptura), o que levou à destruição e mutilação de muitos altares, com um valor cultural, patrimônio litúrgico.

III . O MISSAL ROMANO
O Missal Romano, em sua primeira edição de 1970, fornece outras informações relevantes para a orientação da Liturgia durante a Missa.

Um exemplo é a seguinte frase, tirada da Instrução Geral do Missal Romano, na segunda edição de 1975, o que é equivalente ao correspondente à primeira edição (1970):

. "107 Voltando ao centro do altar voltado para o povo, e estendeu as mãos e convida o povo a orar, dizendo: Orai, irmãos, irmãs [...]"..

Você pode ver com clareza absoluta, se referiu ao "ad orientem", conforme as regras da missa (como o sacerdote deve pronunciar o "Orate Fratres" voltado para o povo, como na forma extraordinária.)

Esta frase de Instrução Geral da terceira edição do Missal Romano de 2000, prevê:

. "146 Então, voltou ao centro do altar, o sacerdote, de pé, voltado para o povo, estendendo e juntando as mãos, convida o povo a orar, dizendo: Orai, irmãos, irmãs .[...]".

Então, mais uma vez, você pode verificar como o "ad orientem" é referido como normativa dentro da missa. No entanto, esta terceira edição inclui uma declaração da Instrução de 1964, dizendo que a celebração versus populum "é altamente desejável, sempre que possível."

Portanto, você pode verificar a grande mudança litúrgica, entre 1975 e 2000, e tornou-se uma "recomendação" em uma "obrigação" que, em nossos tempos, parece ser um dia, se não mais correta, já que rompe com tradição da Igreja, já desde o começo, como se pode atestar a Louis Bouyer, que é citado pelo cardeal Ratzinger em seu famoso livro "O Espírito da Liturgia" e do livro "Gone to the Lord" Monsenhor Klaus Gamber, ou "Voltando-se para o Senhor" Uwe Michael Lang.

Retirado de: Sacram Liturgiam 

Versus Deum na Forma Ordinária

Retirado de: Dominus Vobiscum

A posição "Ad Orientem" ou "Versus Deum" na nova forma do Rito Romano, também conhecido como "Liturgia de Paulo VI" ou "Pós conciliar" . Manteve a tradicional posição de celebrar o Santo Sacrifício do Altar. Muitos sacerdotes e bispos empolgados com a nova e oficial posição "Versus Popolum"(de frente para o povo) começavam a celebrar desta forma e assim se tornou costume em todo o mundo pós concilio Vaticano II. Deixando essa posição restrita a antiga e já "desatualizada" Missa "Tridentina".


Poderíamos colocar a culpa na orientação de se colocar um altar separado da parede, onde o sacerdote pudesse celebrar a Missa de frente para o povo. Assim a maioria entendeu que aquela antiga posição de celebrar estava abolida pelo novo Missal Romano. Vejamos:

"O altar maior deve ser construído separado da parede, de modo a que se possa facilmente andar ao seu redor e celebrar, nele, olhando na direção do povo [versus populum]”. Missal 1970

Já na última Edição de 2002 essa parte foi reformada :

retomou esse texto à letra, mas, no final, acrescentou o seguinte: “Isso é desejável sempre que possível”.

Esse acréscimo foi lido por muitos como um enrijecimento do texto de 1969, no sentido de que agora haveria uma obrigação geral de construir - “sempre que possível” - os altares voltados para o povo. Essa interpretação, porém, já havia sido repelida pela Congregação para o Culto Divino, que tem competência sobre a questão, em 25 de setembro de 2000, quando explicou que a palavra “expedit” [é desejável] não exprime uma obrigação (...).” (Ratzinger, op. cit.)

O Missal Romano de Paulo VI encontramos as informações que confirmam tal ensino: o sacerdote deve, segundo tais textos, durante a Liturgia Eucarística, “voltar-se para o povo” durante alguns atos; isto significa que, se deve voltar-se ao povo, é porque antes estava voltado ad Orientem. “Estes avisos que em certos momentos o sacerdote esteja ‘voltado para o povo’ seriam supérfluos, se o sacerdote durante toda a celebração ficasse atrás do altar e frente ao povo.” (RUDROFF, Pe. Francisco. Santa Missa, Mistério de nossa Fé. 1996).

Nunca a posição ad Orientem foi expressamente proibida por algum decreto, nem esse foi o desejo dos Padres do Concílio Vaticano II, autor da reforma litúrgica. Igualmente, essa é a forma histórica de oferecimento da Missa, observada inclusive pelos ritos orientais.

Algumas congregações Religiosas como os Legionários de Cristo, a Prelazia do Opus Dei, Cartuxos, Dominicanos etc. Celebram de modo privado e público em "Versus Deum" algumas vezes no mês ou até mesmo durante a semana.

Este assunto só veio a tona novamente após o Concílio Vaticano II, com a coragem do Papa Bento XVI, de celebrar "Versus Deum" na Capela Sistina no Vaticano. Onde foi motivo de especulação por vários setores progressistas da Igreja Latina.

Depois da "confusão" ou "mal entendido" , em que se falava que o Papa estava errado ou misturando os ritos , veio a explicação de vários liturgistas e até mesmo de um livro que o Papa tinha escrito no seu tempo de Cardeal.

O Papa Bento XVI, veio mostrar aos bispos e sacerdotes que essa posição não deve ser suprimida ou negada. Ela pode ser feita na "Missa Nova", a instrução do missal indica isso essa posição tradicional.

Uma nota publicada, em 1993 , a Congregação para o Culto (liturgia) , em seu boletim Notitiae, reafirmou o valor de ambas as opções, celebração versus populum ou versus Deum, de modo que quaisquer dúvidas devem ser dissipadas.

“Quando o sacerdote celebra versus populum, sua orientação espiritual deveria ser sempre versus Deum per Iesum Christum [para Deus, por meio de Jesus Cristo].” (Cardeal Joseph Ratzinger, A introdução do decano do Sacro Colégio ao livro de Uwe Michael Lang, in 30 Dias ).

INSTRUÇÕES PARA CELEBRAR A MISSA NOVA "VERSUS DEUM":


Momentos em que o sacerdote deve ficar de frente para os fiéis:

Terminado o canto da entrada, e estando todos de pé, o sacerdote e os fiéis fazem o sinal da cruz. O sacerdote diz: Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. O povo responde: Amém.

· Voltado para o povo e abrindo os braços, o sacerdote saúda-o com uma das fórmulas propostas. Ele mesmo ou outro ministro pode, com brevíssimas palavras, introduzir os fieis na Missa do dia. (IGMR, 124)

· Outra vez no centro do altar, o sacerdote, de pé e voltado para o povo, estendendo e unindo as mãos, convida o povo a rezar, dizendo: Orai irmãos e irmãs etc.

O povo põe-se de pé e responde, dizendo: Receba o Senhor. Em seguida, o sacerdote, de mãos estendidas, diz a Oração sobre as oferendas. No fim o povo aclama: Amém. (IGMR, 146)

Em seguida, o sacerdote, de mãos estendidas, diz em voz alta a oração: Senhor Jesus Cristo, dissestes aos vossos apóstolos...;

· terminada esta, estendendo e unindo as mãos, voltado para o povo, anuncia a paz, dizendo: A paz do Senhor esteja sempre convosco. O povo responde: O amor de Cristo nos uniu. Depois, conforme o caso, o sacerdote ou o Diácono acrescenta: Meus irmãos e irmãs saúdem-vos em Cristo Jesus. (IGMR, 154)

Terminada a oração, o sacerdote faz genuflexão, toma a hóstia consagrada na mesma missa e segurando-a um pouco elevada sobre a patena ou sobre o cálice,

· diz voltado para o povo: Felizes os convidados para a Ceia do Senhor..., e, juntamente com o povo, acrescenta uma só vez: Senhor, eu não sou digno... (IGMR, 157)

Oração pós comunhão:


A seguir, de pé, junto à cadeira ou ao altar,

· voltado para o povo, o sacerdote diz, de mãos unidas Oremos, e de mãos estendidas, recita a Oração depois da Comunhão, que pode ser precedida de um momento de silêncio, a não ser que já se tenha guardado silêncio após a Comunhão. No fim da oração o povo aclama: Amém.
(IGMR, 165)

Versus Deum per Iesum Christum


Para o católico praticante normal, dois parecem ser os resultados mais evidentes da reforma litúrgica do Concílio Vaticano II: o desaparecimento da língua latina e o altar orientado para o povo. Quem ler os textos conciliares poderá constatar, com espanto, que nem uma nem outra coisa se encontram neles desta forma.


Claro, seria preciso dar espaço à língua vulgar, segundo as intenções do Concílio (cf. Sacrosanctum Concilium 36, 2) - sobretudo no âmbito da liturgia da Palavra - mas, no texto conciliar, a norma geral imediatamente precedente reza: “O uso da língua latina, salvo quando se tratar de um direito particular seja conservado nos ritos latinos” (Sacrosanctum Concilium 36, 1).

Sobre a orientação do altar para o povo, não há sequer uma palavra no texto conciliar. Ela é mencionada em instruções pós-conciliares. A mais importante delas é a Institutio generalis Missalis Romani, a Introdução Geral ao novo Missal Romano, de 1969, onde, no número 262, se lê: “O altar maior deve ser construído separado da parede, de modo a que se possa facilmente andar ao seu redor e celebrar, nele, olhando na direção do povo [versus populum]”. A introdução à nova edição do Missal Romano, de 2002, retomou esse texto à letra, mas, no final, acrescentou o seguinte: “Isso é desejável sempre que possível”. Esse acréscimo foi lido por muitos como um enrijecimento do texto de 1969, no sentido de que agora haveria uma obrigação geral de construir - “sempre que possível” - os altares voltados para o povo. Essa interpretação, porém, já havia sido repelida pela Congregação para o Culto Divino, que tem competência sobre a questão, em 25 de setembro de 2000, quando explicou que a palavra “expedit” [é desejável] não exprime uma obrigação, mas uma recomendação. A orientação física deveria - assim diz a Congregação - ser distinta da espiritual. Quando o sacerdote celebra versus populum, sua orientação espiritual deveria ser sempre versus Deum per Iesum Christum [para Deus, por meio de Jesus Cristo]. Sendo que ritos, sinais, símbolos e palavras nunca podem esgotar a realidade última do mistério da salvação, deve-se evitar posições unilaterais e absolutizantes a respeito dessa questão.

Esse esclarecimento é importante, pois deixa transparecer o caráter relativo das formas simbólicas externas, opondo-se, assim, aos fanatismos que infelizmente nos últimos quarenta anos não tiveram pequena freqüência nos debates em torno da liturgia. Mas, ao mesmo tempo, ilumina também a direção última da ação litúrgica, nunca totalmente expressa nas formas exteriores, e que é a mesma para o sacerdote e para o povo (voltados para o Senhor: para o Pai, por meio de Cristo no Espírito Santo). A resposta da Congregação deveria, portanto, criar um clima menos tenso para a discussão; um clima no qual possam ser procuradas as melhores maneiras de realização prática do mistério da salvação, sem condenações recíprocas, ouvindo atentamente aos outros, mas sobretudo ouvindo as indicações últimas da própria liturgia. Etiquetar apressadamente certas posições como “pré-conciliares”, “reacionárias”, “conservadoras”, ou “progressistas” ou “estranhas à fé”, não deveria mais ser admitido nesse embate, no qual se deveria muito mais deixar espaço a um novo e sincero esforço comum para realizar a vontade de Cristo da melhor forma possível.

Este pequeno livro de Uwe Michael Lang, oratoriano residente na Inglaterra, analisa a questão da orientação da oração litúrgica do ponto de vista histórico, teológico e pastoral. Fazendo isso, reacende, num momento oportuno - assim me parece -, um debate que, apesar das aparências, nunca cessou realmente, mesmo depois do Concílio.

O liturgista de Innsbruck Josef Andreas Jungmann, um dos idealizadores da Constituição sobre a Sagrada Liturgia do Vaticano II, opôs-se firmemente desde o início ao polêmico lugar comum segundo o qual o sacerdote, até aquele momento, teria celebrado “voltando as costas para o povo”. Jungmann sublinhava, ao contrário, que não se tratava de voltar as costas para o povo, mas de assumir a mesma orientação do povo. A liturgia da Palavra tem caráter de proclamação e de diálogo: é dirigir a palavra e responder, e deve ser, conseqüentemente, o voltar-se recíproco de quem proclama para quem escuta e vice-versa. Já a oração eucarística é a oração em que o sacerdote serve de guia, mas na qual está orientado, ao lado do povo e como o povo, para o Senhor. Por isso - segundo Jungmann -, uma mesma direção do sacerdote e do povo pertence à essência da ação litúrgica. Mais tarde, Louis Bouyer - outro dos principais liturgistas do Concílio - e Klaus Gamber, cada um a seu modo, retomaram a questão. Apesar de sua grande autoridade, tiveram desde o início alguns problemas em se fazer ouvir, tão forte era a tendência a pôr em relevo o elemento comunitário da celebração litúrgica e a considerar, por isso, o sacerdote e o povo como reciprocamente voltados um para o outro.

Apenas recentemente o clima se fez menos tenso e, assim, quando alguém faz perguntas como as de Jungmann, Bouyer e Gamber, já não desperta mais a suspeita de que alimente sentimentos “anticonciliares”. Os progressos da pesquisa histórica tornaram o debate mais objetivo, e os fiéis intuem cada vez mais o quanto pode ser discutível uma solução na qual se percebe, a duras penas, a abertura da liturgia para o que a espera e para o que a transcende. Nessa situação, o livro de Uwe Michael Lang, tão agradavelmente objetivo e em nada polêmico, pode revelar-se uma ajuda preciosa. Sem a pretensão de apresentar novas descobertas, ele oferece com grande cuidado os resultados das pesquisas realizadas nas últimas décadas, fornecendo as informações necessárias para que se possa chegar a um juízo objetivo. É muito positivo o fato de se evidenciar, a esse respeito, não apenas a contribuição da Igreja da Inglaterra, pouco conhecida na Alemanha, mas também o debate sobre a questão, interno ao Movimento de Oxford no século XIX, em cujo contexto amadureceu a conversão de John Henry Newman. É com base nisso que se desenvolvem depois as respostas teológicas.

Por: Tradição em Sorocaba

Ad Orientem [I]

Missa Novus Ordo

Um exemplo bastante notável da má aplicação da reforma litúrgica pós-Vaticano II, é claramente devido a uma má hermenêutica dos documentos do mesmo, correspondente à proibição sistemática da posição "ad orientem" durante a celebração, e sua substituição por exploração de "versus populum" .

Aprofundemos um pouco sobre isso.


I. ORIENTAÇÃO NA IGREJA PRIMITIVA E DESENVOLVIMENTO DA LITURGIA
A tradição diz-nos que a orientação da Igreja liturgicamente é para o oriente, pois remonta ao início da Igreja nas comunidades primitivas. Esta orientação da oração mantém o seu significado em claro até bem no segundo milênio, como nós aprendemos com o Papa Bento XVI durante seu cardinalato, na obra "O Espírito da Liturgia". Neste trabalho [Bento XVI] faz uma síntese muito precisa, aprovada em renomados historiadores litúrgicos e sagrados.

A orientação para o oriente em oração e, portanto, sobre a Sagrada Liturgia, contém em si uma expressão muito gráfica da síntese cristã da História da Salvação: Nele, a oração é dirigida a Deus Pai, por ação do Espírito Santo, que enviou seu Filho, o Verbo de Deus, para resgatar; dado a nós como penhor da vida eterna, tão admirável, no Santo Sacrifício do Altar, no qual o próprio Jesus Cristo está presente, real e substancial através do trabalho do Espírito Santo, através da Sua Igreja que é seu Corpo Místico de quem ele é a cabeça e voltará no final da história, com glória e majestade. Portanto, a orientação é para o oriente, como ele mostra, em um primeiro aspecto, a espera vigilante do Messias, que é o dom que vem de cima, do Oriente, em um segundo aspecto, a direcção revela a importância, em virtude do nosso sacerdócio comum, temos parcerias com o sacerdote, que, em virtude do sacerdócio de Jesus Cristo age "in persona Christi ", dando o Pai o sacrifício Pura, Imaculada e Santamente, a obtenção do Santo Sacrifício, a santificação de cada um de nós, finalmente, um terceiro aspecto, eloquentemente afirma a esperança cristã na forma vigilante, a segunda vinda do Salvador que vem em glória e majestade (como o Sol da Justiça), para julgar o mundo e para consumar todas as coisas nele.
Missa em Rito Gregoriano, anterior ao Vaticano II
Inicialmente, vemos que, no momento da "Domus Ecclesiae" orientação litúrgica primitiva inicia-se em direção ao leste, porque esta veio diretamente da tradição judaica da sinagoga, onde todos se direcionavam para as escrituras sagradas, que devem ser o caminho para encontrar a presença divina contida no Santo dos Santos do Templo de Jerusalém, destruído no século I de nossa era. Por si só, as sinagogas tinham essa orientação e, portanto, os primeiros cristãos, aprovaram a Sinagoga ser parte da liturgia (agora correspondem a um tipo de "Liturgia da Palavra").


Posteriormente, a Paz de Constantino, que estava começando a construir prédios para as grandes basílicas e igrejas, o que foi possível para orientar corretamente para o leste, seguindo a tradição judaica, mas dando um significado diferente: A orientação é no sentido litúrgico o Oriente Médio, porque vem o sol, que representa Cristo. Portanto, as basílicas e igrejas construídas no período, ou leste ou oeste, estavam em uma ábside (correspondente ao local de destino), uma imagem de Cristo triunfante (ou Pai, em alguns casos), conhecida como o "Pantocrator", que foi sinal visível e evidente dessa orientação litúrgica em direção a Deus.

Com o nascimento da Eucaristia no sacrário, a mesma foi colocada no centro, e assim foi mais fortemente reforçada a orientação da liturgia de Deus, que também está verdadeiramente presente no lugar litúrgico (o que corresponde, muitas vezes mais abside, e em alguns casos, o altar-mor, coberta com o dossel, que foi suspenso o "Dove", que continha a reserva da Eucaristia).

Posteriormente, o desenvolvimento do dogma cristológico e da evolução da tradição da Igreja, especialmente no que em relação à arquitetura sacra, provocou uma mudança perceptível quanto o Pantocrator foi gradualmente substituído pelo crucifixo com a imagem da Paixão, que , sobre a questão da orientação, apenas reafirmando a orientação litúrgica em direção a Deus, mas com particular incidência sobre a Paixão, morte e ressurreição, que são os fatos que mais fortemente desenvolvida no Santo Sacrifício eucarístico. A frase "Sim, que transpassaram", é uma forma sintética para descrever a importância da orientação litúrgica durante estes tempos, que durou sem grandes mudanças em relação ao período anterior ao Concílio Vaticano II.

Por: Sacram Liturgiam
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...