quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Novo bispo auxiliar de Fortaleza

O Santo Padre nomeou como Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Fortaleza (Brasil) o Rev.do Rosalvo Cordeiro de Lima, do clero da Diocese de Mogi das Cruzes, agora pároco da paróquia de São José de Salesópolis, atribuindo-lhe o título de Castello di Tatroporto .


Rev.do Rosalvo Cordeiro de Lima

O Rev.do Rosalvo Cordeiro de Lima nasceu em 25 de janeiro de 1962, em União dos Palmares (Alagoas). Estudou filosofia no Seminário Sagrado Coração de Jesus em Mogi das Cruzes e Teologia na Faculdade de Teologia de Nossa Senhora da Assunção, São Paulo.

Foi ordenado sacerdote em 01 de novembro de 1992, em Arujá, Diocese de Mogi das Cruzes.

Após a ordenação exerceu os seguintes cargos: vigário da paróquia Jesus Cristo Redentor do Homem, em Itaquaquecetuba (1992-1993), Coordenador da Pastoral das Vocações da Diocese de Mogi das Cruzes (1994-2000), administrador da paróquia Jesus Cristo Redentor do Homem (1994-1997).

Desde 1997 é pároco da paróquia São José, Salesópolis. Desde 2000 ele também atua como diretor espiritual dos seminaristas, de Mogi das Cruzes.

Fonte: Boletim da Santa Sé

Esperemos que este faça alguma coisa!

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Sobre o modo de receber a Sagrada Comunhão

Acabo de ler no Rorate Caeli a carta do reitor da Catedral de Phoenix, Arizona, sobre o modo de receber a Sagrada Comunhão. A intenção do sacerdote é promover, entre seus paroquianos, o modo tradicional de receber a comunhão na boca.



A atual legislação canônica permite que a comunhão seja dada sobre as mãos dos fiéis, observados certos cuidados e afastados os perigos de irreverência ou sacrilégio. Tal permissão não significa que esta forma, que vigorou nos tempos primitivos, seja a mais adequada aos dias atuais. Não por acaso, foi proibida durante séculos, na medida em que surgiram heresias que solapavam a fé, a piedade e a reverência.

Minha geração aprendeu nos seminários que o modo antiquado se tornara moderno e que expressaria mais adequadamente a emergência de uma fé "adulta". Comungar de pé e nas mãos tornou-se sinônimo de "tomada de consciência" e "engajamento"; enquanto a forma tradicional, de joelhos e na boca, passou a ser tolerada para as velhinhas que se aproximam meio sem saber bem o que fazem. Nalguns lugares, a recepção de joelhos foi sendo dificultada, noutros proibida (sic!).

Nós, padres da minha geração, aprendemos e ensinamos durante anos que a forma antiquada devia ser promovida, até que o Papa Bento XVI, com seu magistério do exemplo, levou-nos a questionar velhos e novos "dogmas". Em suas missas, distribui exclusivamente a Sagrada Comunhão na boca aos fiéis ajoelhados; os demais ministros distribuem-na exclusivamente na boca aos fiéis de pé.

Há razões teológicas e pastorais para agir assim. Encíclicas sobre a Santíssima Eucaristia não são suficientes para promover a fé e a piedade. Quantos de nossos fiéis as leem? Homilias, palestras, estudos, todos falam aos ouvidos - e é verdade que a "fé vem pelo ouvido" - mas não somos somente ouvido. A moderna psicologia não despreza nossa capacidade de apreensão e expressão através dos demais sentidos, como parece fazer nossa moderna pastoral.

Santo Agostinho ensina que "Nemo autem illam carnem manducat, nisi prius adoraverit" ou, em linguagem vulgar, que ninguém coma desta carne sem antes adorá-la. Qual das formas expressa, do ponto de vista litúrgico, mais adequadamente a adoração devida à carne do Senhor? Somente uma mente muito afetada pela ideologia poderia negar que a posição de joelhos e a comunhão recebida na boca seja a resposta justa.

Conhecemos bem os argumentos contrários. Vão das razões de higiene ao clássico axioma: o importante é o coração. Pois bem, então que acabemos com todos os signos litúrgicos e nos tornemos de vez protestantes, reduzindo o culto a palavrório e musiquinhas sentimentaloides. Aliás, bem anti-higiênica a lama que Nosso Senhor fez com saliva para ungir os olhos do cego de nascença, mandando-o em seguida lavar-se na piscina de Siloé (Jo 9,6-7), e quão desnecessária para Aquele que conhece o íntimo dos corações, não é mesmo?

Há quem cite, sem conhecer seu profundo significado, as palavras de Nosso Senhor sobre os "verdadeiros adoradores". Aqui não cabe uma exegese sobre as palavras em questão, nem sou eu o mais indicado para fazê-la. A Santa Igreja, intérprete autêntica das Escrituras, nunca entendeu tais palavras como desprezo, censura ou proibição dos sinais litúrgicos. Pelo contrário, a Encarnação do Verbo, suas palavras e atitudes e a dimensão sacramental da fé cristã são a prova mais eloquente da "corporeidade" de nosso culto espiritual.

Na minha nova paróquia, como nas anteriores, pouquíssimas pessoas recebem a Sagrada Comunhão nas mãos. Faz algum tempo, introduzi também um genuflexório na fila em que distribuo a Sagrada Comunhão, deixando os fiéis à vontade para se ajoelharem. Qual a minha surpresa com o grande número dos fiéis que optaram por receber assim o Corpo do Senhor! Sobretudo entre os jovens, a prática parece conquistar sempre mais adeptos. Preservei, evidentemente, os direitos daqueles poucos que preferem a comunhão nas mãos, salvaguardados os princípios dogmáticos e afastado o perigo de profanação.

Estranhamente os mesmos que defendem os "sagrados" direitos dos leigos parecem se opor a que se lhes dê esta opção. Na verdade, se é direito deles receber a comunhão de joelhos, não fornecer os meios, dificultar ou impedir a prática são um abuso de poder por parte dos sacerdotes. Nunca antes se viu tanto clericalismo nas fileiras sacerdotais, e qualquer fiel "adulto", "consciente" e "engajado" que não costuma se resignar às arbitrariedades de seus pastores sabe como ele se manifesta disfarçadamente, sob a capa do pastoralismo.

Sei que minha prática pastoral desagrada a "gregos e baianos". Uns consideram um retrocesso a comunhão de joelhos, outros um abuso a comunhão nas mãos. Faço o que faz, manda ou permite a Santa Igreja. Mudarei o que ela mudar, quando ela mudar. Aos incomodados, meus votos de boa viagem!

Obs.: A Comissão "Ecclesia Dei", em resposta a um consulente de Munique, esclareceu que "(...) a celebração da Santa Missa na Forma Extraordinária do Rito Romano prevê a recepção da Comunhão de joelhos, na qual a Sagrada Hóstia é colocada diretamente sobre a língua do fiel comungante". O indulto, portanto, não se estende à Missa Tradicional.

Por: Rorate Caeli
Via: OBLATVS

O que Bento XVI realmente pensa sobre Assis

O esplendor da Paz de Francisco


«A partir deste homem, de Francisco, que respondeu plenamente à chamada de Cristo Crucificado, emana ainda hoje o esplendor de uma paz que convenceu o Sultão e pode derrubar verdadeiramente os muros». Um artigo para 30Giorni do Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Cardeal Joseph Ratzinger.

Quando, quinta, 24 de Maio, sob o céu grávido de chuva, se moveu o trem que deveria conduzir a Assis os representantes de um grande número de Igreja cristãs para testemunhar e rezar pela Paz, este trem me pareceu como um símbolo do nosso peregrinar na história. Não somos, de fato, talvez, todos passageiros de um mesmo trem? O fato de que o trem tenha escolhido, como seu destino, a paz, a justiça e a reconciliação não é, talvez, uma grande ambição e, ao mesmo tempo, um esplêndido sinal de esperança? Onde quer que seja, passando pelas estações, acorreu um multidão para saudar os peregrinos da Paz. Nas estradas de Assis e na grande tenda, o lugar do testemunho comum, fomos novamente circundados do entusiasmo e da alegria cheia de esperança, em particular pelo grande número de jovens.

A saudação das pessoas era direcionado ao homem ancião vestido de branco que estava no trem. Homens e mulheres, que na vida cotidiana muitas vezes se confrontam e parecem divididos por barreiras intransponíveis, saudavam o Papa, que com a força da sua personalidade, a profundidade da sua fé, a paixão que daí brota para a paz e a reconciliação, mostrou como aquilo que parecia ter feito brotar o impossível do carisma do seu ofício: convocar para, em conjunto, a realização de uma peregrinação pela paz, representantes da cristandade dividida e representantes de diversas religiões. Mas o aplauso, endereçado sobretudo ao Papa, exprimia também um consenso espontâneo para todos aqueles que com ele, buscam a paz e a justiça e era um sinal do desejo profundo de paz que experimentam os indivíduos defronte às devastações que nos circundam provocadas pelo ódio e pela violência.

Também se, às vezes, o ódio aparece invencível e se multiplica sem cessar na espiral da violência, aqui, por um momento, se percebeu a presença da força de Deus, da força da paz. Me vêem à mente as palavras do Salmo: “Com o meu Deus, transporei os muros”( Sl 18, 30). Deus não nos coloca uns contra os outros, ao contrário, Ele que é Uno, que é Pai de todos, nos ajudou, ao menos por um momento, a transpor o muro que nos separam, fazendo-nos reconhecer que Ele é a Paz e que não podemos ser próximos de Deus se estamos longe da paz.

No seu discurso, o Papa citou um outro ponto crucial da Bíblia, a frase da Carta aos Efésios: “Cristo é nossa Paz. Ele fez de nós um só Povo, derrubando o muro de separação que estava entre nós, isto é, a inimizade” (Ef 2, 14). Paz e justiça no Novo Testamento, são nomes de Cristo (por “Cristo, nossa justiça” ver por exemplo 1 Cor 1, 30). Como cristãos não devemos esconder esta nossa convicção: da parte do Papa e o Patriarca Ecumênico a confissão de Cristo nossa Paz foi clara e solene. Mas, justamente, por essa razão, há algo que nos une além das fronteiras: a peregrinação pela paz e pela justiça. As palavras que um cristão deve dizer àquele que se coloca em caminho em direção a tais metas são as mesmas usadas pelo Senhor na resposta ao escriba que tinha reconhecido no dúplice mandamento que exorta a amar a Deus e o próximo a síntese da mensagem néo-testamentária: “Não estás distante do Reino de Deus” (Mc 12, 34). Para uma correta compreensão do evento de Assis, me parece importante considerar que não se tratou de uma auto-apresentação das religiões que seriam intercambiáveis entre si. Não se tratou de afirmar uma igualdade entre as religiões, que não existe. Assis, foi mais a expressão de um caminho, de uma busca, da peregrinação pela paz que é tal somente se unida à justiça. De fato, lá onde falta a justiça, onde aos indivíduos é negado o direito, a ausência de guerra pode ser somente um véu, atrás do qual se escondem a injustiça e a opressão. Com o seu testemunho pela paz, com o seu empenho pela paz na justiça, os representantes das religiões começaram, nos limites das suas possibilidades, um caminho que deve ser para todos um caminho de purificação. Isto vale também para nós cristãos.

Alcançamos verdadeiramente a Cristo somente se chegamos à sua paz e à sua justiça. Assim, a cidade de São Francisco, pode ser a melhor intérprete deste pensamento. Antes da sua conversão, Francisco era cristão, assim como o eram os seus concidadãos. E também o vitorioso exército de Perúgia que o colocou prisioneiro e derrotado no cárcere era formado por cristãos.

Foi somente, então, derrotado, prisioneiro, sofredor, que começou a pensar no cristianismo de modo novo. E somente depois desta experiência que lhe foi possível pensar e compreender a voz do Crucificado que lhe falou na pequena Igreja em ruínas de São Damião, que se tornou, por isso, a imagem mesma da Igreja da sua época, profundamente ferida e em decadência. Somente então viu como a nudez de Cristo, a sua pobreza e a sua humilhação extrema estavam em contraste com o luxo e a violência que antes lhe pareciam normais. E somente então conheceu verdadeiramente a Cristo e entendeu que as cruzadas não eram o caminho correto para defender os cristãos e os direitos dos cristãos na Terra Santa, mas que, antes, era necessário levar a sério e à letra a mensagem da imitação do Crucificado.

A partir deste homem, de Francisco, que respondeu plenamente à chamada de Cristo Crucificado, emana ainda hoje o esplendor de uma paz que convenceu o sultão e pode verdadeiramente derrubar os muros. Se nós, como cristãos, tomamos o caminho da paz sob o exemplo de São Francisco, não devemos temer perder a nossa identidade: é justamente então que a encontramos. E se outros se unem a nós na busca da paz e da justiça, nem eles e nem nós devemos temer que a verdade possa ser pisoteada por belas frases feitas. Não, se nós nos dirigimos seriamente em direção à paz, então estamos no caminho correto do Deus da Paz (Rm 15, 32), cuja face se fez visível a nós cristãos pela fé em Cristo.

Por: Fratres in Unum e Missa Gregoriana em Portugal

domingo, 30 de janeiro de 2011

Disputationes Theologicae: Fraternidade São Pio X entre sectarismos, ambiguidades e declarações de cisma



“Como expliquei na Carta aos Bispos católicos, do passado dia 10 de Março, a remissão da excomunhão foi uma providência no âmbito da disciplina eclesiástica para libertar as pessoas do peso de consciência representado pela censura eclesiástica mais grave. Mas obviamente as questões doutrinais permanecem e, enquanto não forem esclarecidas, a Fraternidade não dispõe de um estatuto canônico na Igreja e os seus ministros não podem exercer de modo legítimo qualquer ministério”.



Posições contraditórias e ambíguas na Fraternidade São Pio X
pela redação de Disputationes Theologicae

Os votos do superior do distrito da França da Fraternidade São Pio X para 2011: "Não vão à Missa do motu proprio"

Com um certo escândalo, lemos as recentíssimas proposições do abbé Régis de Cacqueray (o superior do distrito da França, o maior e mais prestigioso da Fraternidade São Pio X), sobre a assistência à Missa de São Pio V, celebrada por sacerdotes canonicamente reconhecidos pela Santa Sé. O influente sacerdote, muito estimado pelos seus superiores, ao ponto de ser encarregado de um dos papéis mais importantes da instituição, exprime-se, no seu texto de votos para o ano novo de 2011, com os termos que se seguem: "Para sermos completos sobre esse assunto (falava sobre a importância de assistir à Missa tradicional, mesmo se for difícil encontrá-la), devemos ainda citar as outras Missas de São Pio V, celebradas com o favor dos indultos sucessivos, e por último com o motu proprio. É verdade que nós desaconselhamos a sua frequentação" [1]. Não se deveria, segundo ele, frequentar os sacramentos distribuídos por aqueles que estão em posições diferentes daquelas da Fraternidade, mas, neste aparente clima de acordos canônicos, se afirma até que seria oportuno que os padres diocesanos se aproximassem do rito tradicional, sem, porém, poder contar - haja vista a severa admoestação - com a presença dos fiéis da Fraternidade.

É difícil dizer o quanto há de "teológico" nessas afirmações, e quanto de "ideológico" ou de "partidarismo". Qual quer que seja a intenção do abbé de Cacqueray, o problema é aquele mesmo, como afirmado concomitantemente ao anúncio da reunião de Assis em outubro próximo, "o perigo que resultaria para as almas". Note-se que a frase do abbé de Caqueray, ainda que gravemente escandalosa, não vem acompanhada de nenhuma justificação teológica, e muito menos de uma rigorosa exposição dos pressupostos de tal afirmação, nem das suas consequências. Todavia, os contornos da "Pétite Eglise" não são ignorados pelo leitor atento.

Uma argumentação bem estruturada

Por outro lado, o pensamento de um outro teólogo da Fraternidade, o abbé Mérel (já professor na Ecône, e com cargos no distrito da França) é mais profundo especulativamente, e mais estruturado teologicamente. Num artigo [2] que ficou célebre - foi publicado em muitas ocasiões em revistas locais da Fraternidade a partir de 2008 -, e que possivelmente tenha inspirado as declarações mais vagas do seu superior, exprime-se ele em termos teológicos acessíveis, mas estritamente bem construídos. O discurso é simples: a missa de São Pio V, em si, é boa. Entretanto, assistir à Missa de São Pio V nem sempre é bom, depende das circunstâncias. Até aqui, ainda se poderia estar de acordo. Todavia, o abbé Mérel prossegue afirmando que, onde a Missa tradicional fosse celebrada por um sacerdote da Ecclesia Dei, não seria bom participar dela. De fato, pode-se fazer mal uso de uma coisa boa, diz o autor. Com o rum - o exemplo é do texto -, que é uma coisa boa em si, pode-se embriagar-se e pecar. Quais seriam, portanto, as circunstâncias que tornariam má a participação da Missa? Continua o abbé Mérel: "Não é necessário assistir à Missa dos 'ralliés' (com esse termo, entendam-se os "traidores", que dependem da Ecclesia Dei e não da Fraternidade - alusão ao "ralliement" de Leão XIII) [3], porque eles se submetem à hierarquia conciliar". Continua: "a missa de um padre 'rallié' (traduz-se "alienado" / "traidor") é a Missa de um padre que, ao menos oficialmente, obedece o bispo local e o Papa (...), um padre que, obedecendo as autoridades liberais e modernistas, tornar-se-á, necessariamente, um padre que, no fim das contas, trai tudo o que fez Mons. Lefebvre, trai as almas, engana-as".

O autor não esquece as questões pastorais, embora secundárias na economia do discurso: diz, por exemplo, que o fiel encontrará, nas igrejas dos "ralliés", publicações cheias de erros, que poderiam perturbá-lo, ou ouvirá pregações pouco ortodoxas, feitas, durante a Missa tradicional, por um padre que tradicional não é, ou conviverá com "fiéis menos formados na fé", arriscando, em contato com eles, "deixar-se arrastar". O abbé Mérel, porém, com o talento especulativo que o distingue, dá a verdadeira razão teológica, radicana num terreno mais "universal", e não numa variante ligada às circunstâncias, e fala, de modo absoluto, de todos os padres "ralliés", não apenas daqueles que pregam "mal". Sustenta que o padre "rallié", o padre canonicamente submetido a Roma, "não está numa posição justa na Igreja. Não está em regra com Deus". E conclui: "não se pode nunca desagradar a Deus, estas missas não são para nós!". Ainda que às vezes, por razões excepcionais, se devesse assistir às Missas dos Institutos "Ecclesia Dei", dever-se-ia "abster-se de comungar", diz ainda o autor, porque seria necessário permanecer em uma resistência ostensivamente passiva. Fala-se, neste caso, da mesma assistência, prevista pelos moralistas, a um rito protestante ou greco-cismático. Em resumo, comungar nas Missas ditas por um sacerdote que não adere às posições da Fraternidade é um pecado, é algo que "desagrada a Deus", e isso em razão do ministro. Não se deve, pois, participar, não apenas por causa das homilias heterodoxas, fator variável e secundário, mas em razão do fato de o celebrante estar submetido a uma autoridade à qual não se deve senão resistir, sob pena de pecado. Destaquemos que o autor não assume o risco que declarar lícita a assistência às Missas sem homilia; seria obrigado a admitir que o sacramento é válido e lícito, e não oferece perigo de contaminar a fé dos fiéis; por outro lado, não quer proibir a participação das Missas dos padres da Fraternidade que sustentam teses perigosas para a fé. É a submissão a Roma que, sozinha, faz com que não se possa receber a eucaristia.

Uma magistral declaração de cisma

O artigo do abbé Mérel é uma magistral declaração de cisma, ainda que, do ponto de vista do autor, o pecado de cisma (ou de heresia, ou ambos, o texto não o especifica) parece ser mais imputável ao Papa e àqueles que se Lhe submetem. A hierarquia católica teria, no seu conjunto, cometido o pecado de afastar-se da verdade, e, portanto, não se poderia entrar em comunhão com ela nos sacramentos, mesmo se o rito é tradicional. Esse texto foi escrito no verão de 2008, para indicar aos fiéis como comportar-se depois do motu proprio. O mesmo Motu proprio que fora pedido ao Papa pelas autoridades da Fraternidade, que ofereceram, para isso, a cruzada de um milhão de rosários.

Para sermos completos, digamos que não é completamente falso o que disse o abbé de Cacqueray, que às vezes pode ser desaconselhado assistir a uma Missa. Poderia ser o caso, ainda em missas tradicionais, quando o significado teológico da Missa de sempre é gravemente deformado ou até reduzido - como, infelizmente, às vezes acontece - a um puro fenômeno teatral, que acaba por juntar incenso, sedas preciosas e homilias heterodoxas. Mas é insustentável que o princípio deva aplicar-se universalmente a todas as Missas dos que estão canonicamente submetidos ao Papa: uma tal ruptura da communicatio in sacris, com todos aqueles que subscrevem as posições da Fraternidade, não é nada mais que a aplicação prática de uma teoria cismática. Quando São Tomás de Aquino fala de cisma, distingue dois modos de cometer esse pecado. O primeiro é a separação da autoridade eclesiástica, o segundo é a recusa de comungar "in sacris" com outras partes da Igreja submissas ao Papa [4]. Esse último também é um modo de despedaçar o Corpo Místico de Cristo.

Como se fosse necessário, afirmamos que estar submedidos a uma autoridade de direta instituição divina, como a do Papa, não significa, de modo algum, submeter publicamente a inteligência a tudo aquilo que tal autoridade sustenta, ou dá a entender, ou parece aprovar, quando fala como teólogo privado, ou age como pessoa privada. Essa não é a doutrina católica do Primado, nem o Pontífice reinante jamais reclamou semelhante submissão. De fato, ainda que se possa conceder que uma certa fatia do tradicionalismo costuma, com servilismo e escarso senso teológico, dogmatizar até às vírgular as afirmações de qualquer autoridade eclesiástica, ainda que somente local, deve-se reconhecer honestamente que esse fenômeno não é, de modo algum, universal. Pelo contrário, afirmar que, necessáriamente, em todos os casos de obediência canônica, peca-se contra a fé, por omissão de defesa da verdade revelada, é não apenas uma mentira e um engano aos fiéis, mas até um absurdo teológico. Afirmaríamos, então, ridiculamente, que a autoridade suprema tornou-se formalmente herética, e, com ela, todos os que se lhe submetem visivelmente, pelo próprio fato de submeter-se.

A Fraternidade, se não quiser ser cismática, deve reconhecer que ela já está submetida visivelmente ao Papa, tanto quanto qualquer padre diocesano. Ontologicamente, a submissão da Fraternidade à autoridade eclesiástica não difere daquela de todos os outros Institutos, tradicionais ou não. Permanece, todavia, um problema canônico, que deve ser resolvido o mais breve possível, por que, de fato, no perdurar desse estado anormal há o perigo de conduzir alguns dos seus membros a posições teológicas gravemente errôneas. Os artigos citados o confirmam.

As incoerências de uma política dupla


Acrescentemos que, se é natural e compreensível que os sacerdotes da Fraternidade queiram continuar fiéis aos princípios do próprio fundador, também é bom e moralmente necessário ser coerentes com o que se propõe nas próprias declarações públicas. Ora, a tese discutida acima, como notamos, teologicamente insustentável, denuncia um obstáculo insuperável à conclusão de um acordo canônico entre a Fraternidade e a Santa Sé, mas também uma clara vontade de continuar em dois vagões paralelos, que não comungam nem mesmo nos sacramentos celebrados em rito tradicional. De fato, se, para comungar in sacris com o Papa - como é implicitamente afirmado - será necessário atingir o acordo doutrinal, com o qual a Santa Sé fará própria a posição da Fraternidade, então será necessário ter a coerência de afirmar que, atualmente, a hierarquia católica está ao menos próxima da heresia e do cisma, tanto que se justifique uma escolha tão grave. Tertium non datur.

Mas se, pelo contrário, o acordo fosse possível e, talvez, iminente, segundo os termos do próprio Mons. Fellay, e se o Superior Geral da Fraternidade procedesse efetivamente a um acordo canônico - permanecendo as reservas expressas sobre o progeto da reunião interreligiosa de Assis e o desacordo com certas escolhas do Papa - o que fará o abbé de Cacqueray? Desaconselhará os "seus" fiéis a ir nas Missas na Fraternidade? Dir-lhes-á que não recebam a comunhão das mãos de Mons. Fellay, porque assinou com as autoridades de organizam os encontros de Assis? A coerência entre os propósitos desses dois importantes responsáveis pela obra fundada por Mons. Lefebvre é muito menos difícil de compreender: parece mais o reflexo de uma política ambígua. Por isso e por outros motivos, sempre foi expressa, nestas páginas, a firme convicção da oportunidade de um acordo canônico, que não pretenda ser "doutrinal". Do ponto de vista dogmático, de fato, é absurda a ideia de um acordo "doutrinal", que o Vigário de Cristo deveria assinar. Do ponto de vista prático, os fatos demonstram que é uma presunção querer resolver em poucas linhas - com algum episódico encontro entre especialistas - a complexidade da atual situação eclesiástica, e, com ela, os problemas levantados por alguns textos magisteriais. Não é, porém, absurdo - nem teologicamente, nem prudencialmente - reconhecer canonicamente a autoridade de Pedro, salvaguardando uma autonomia de debate teológico sobre alguns pontos de perplexidade.

Estamos prontos para publicar aqui, se necessário, qualquer correção ou precisamento que, sobre a questão, provier dos legítimos superiores da Fraternidade São Pio X, e a tornar pública uma eventual retificação, assim que, publicamente, eles quiserem dissociar-se dos conteúdos aqui expressos. Esperamos ainda, e sobretudo, um clara resposta à pergunta se se pode cumprir o preceito dominical assistindo a uma Missa da Fraternidade São Pedro, e receber a eucaristia de um sacerdote do Bom Pastor, do Cristo-Rei, ou de uma diocese qualquer.

A Fraternidade São Pio X, que não pode ser acusada de laxismo, sempre precisou, e às vezes puniu com firmeza, quando as opiniões de um membro contrastavam com as gerais. Se as opiniões da "Petite Eglise", hoje abertamente sustentadas por alguns dos seus sacerdotes, não são compartilhadas pelo Superior Geral, com a mesma firmeza deveria desmenti-las publicamente. Caso contrário, dir-se-á que o discurso é voluntariamente ambíguo.

Tradução: São Pio V

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[1] Le texte intégral peut être consulté sur La porte latine, site officiel de la Fraternité saint Pie X en France, à l’adresse suivante : voeux de M. l'abbé de Cacqueray pour 2011

[2] Abbé Jacques Mérel, « Discussion de parvis sur la messe des ralliés », in Le Pélican, juillet-août 2008 ; publié intégralement dans Le Sel de la Terre, n°70, Automne 2009, pp. 188-193.

[3] Com o termo "rallié" designa-se, na França, o católico "amigo do poder", "traidor". A palavra difundiu-se notavelmente sob o pontificado de Leão XIII, com o sentido de "católico alienado" e designa, nos ambientes da Fraternidade São Pio X, os institutos que dizem a Missa tradicional dependentes da Ecclesia Dei.

[4] Saint Thomas d’Aquin, Summa Theologiae, IIa-IIae, qu. 39, a. 1, corpus : “Ecclesiae autem unitas in duobus attenditur, scilicet in connexione membrorum Ecclesiae ad invicem, seu communicatione; et iterum in ordine omnium membrorum Ecclesiae ad unum caput (…). Et ideo schismatici dicuntur qui subesse renuunt summo pontifici, et qui membris Ecclesiae ei subiectis communicare recusant”.

sábado, 29 de janeiro de 2011

O Crucifixo no centro do Altar na Missa “versus populum”


Il Crocifisso al centro dell’altare nella Messa “verso il popolo”


Rubrica di teologia liturgica a cura di don Mauro Gagliardi

*di don Mauro Gagliardi

Sin da tempi remoti, la Chiesa ha stabilito segni sensibili, che aiutassero i fedeli ad elevare l’anima a Dio. Il Concilio di Trento, riferendosi in particolare alla S. Messa, ha motivato questa consuetudine ricordando che «la natura umana è tale che non può facilmente elevarsi alla meditazione delle cose divine senza aiuti esterni: per questa ragione la Chiesa come pia madre ha stabilito alcuni riti [...] per rendere più evidente la maestà di un Sacrificio così grande e introdurre le menti dei fedeli, con questi segni visibili della religione e della pietà, alla contemplazione delle sublimi realtà nascoste in questo Sacrificio» (DS 1746).

Uno dei segni più antichi consiste nel volgersi verso oriente per pregare. L’oriente è simbolo di Cristo, il Sole di giustizia. «Erik Peterson ha dimostrato la stretta connessione fra la preghiera verso oriente e la croce, connessione evidente al più tardi per il periodo post costantiniano. [...] Presso i cristiani si diffuse l’uso di indicare la direzione della preghiera con una croce sulla parete orientale nell’abside delle basiliche, ma anche nelle camere private, ad esempio, di monaci ed eremiti» (U.M. Lang, Rivolti al Signore, Siena 2006, p. 32).

«Se ci si domanda verso dove guardassero il sacerdote ed i fedeli durante la preghiera, la risposta deve suonare: in alto, verso il catino absidale! La comunità orante durante la preghiera non guardava affatto davanti a sé all’altare o alla cattedra, bensì elevava in alto le mani e gli occhi. Così il catino absidale assurse all’elemento più importante della decorazione della chiesa, nel momento più intimo e santo dell’agire liturgico, la preghiera» (S. Heid, «Gebetshaltung und Ostung in frühchristlicher Zeit», Rivista di Archeologia Cristiana 82 [2006], p. 369 [mia trad.]). Quando dunque si trova rappresentato nell’abside Cristo tra gli apostoli e i martiri, non si tratta solo di una raffigurazione, bensì di una sua epifania dinanzi alla comunità orante. La comunità allora «elevava in alto le mani e gli occhi “al cielo”, guardava concretamente a Cristo nel mosaico absidale e parlava con lui, lo pregava. Evidentemente, Cristo così era direttamente presente nell’immagine. Giacché il catino absidale era il punto di convergenza dello sguardo orante, l’arte provvedeva a fornire quanto l’orante necessitava: il Cielo, dal quale il Figlio di Dio appariva alla comunità come da una tribuna» (ibid., p. 370).

Dunque, «pregare e guardare per i cristiani tardoantichi formano un tutt’uno. L’orante voleva non solo parlare, ma sperava anche di vedere. Se nell’abside si mostrava in modo meraviglioso una croce celeste o il Cristo nella sua gloria celeste, allora per ciò stesso l’orante che guardava verso l’alto poteva vedere esattamente questo: che il cielo si apriva per lui e Cristo gli si mostrava» (ibid., p. 374).

Il Crocifisso al centro dell’altare nella Messa «verso il popolo»

Dai precedenti cenni storici, si deduce che la liturgia non viene veramente compresa, se la si immagina principalmente come un dialogo tra il sacerdote e l’assemblea. Non possiamo qui entrare nei dettagli: ci limitiamo a dire che la celebrazione della S. Messa «verso il popolo» è un concetto entrato a far parte della mentalità cristiana solo in epoca moderna, come dimostrato da studi seri e ribadito da Benedetto XVI: «L’idea che sacerdote e popolo nella preghiera dovrebbero guardarsi reciprocamente è nata solo nell’epoca moderna ed è completamente estranea alla cristianità antica. Infatti, sacerdote e popolo non rivolgono l’uno all’altro la loro preghiera, ma insieme la rivolgono all’unico Signore» (Teologia della Liturgia, Città del Vaticano 2010, pp. 7-8).

Nonostante il Vaticano II non avesse mai toccato questo aspetto, nel 1964 l’Istruzione Inter Oecumenici, emanata dal Consilium incaricato di attuare la riforma liturgica voluta dal Concilio, al n. 91 prescrisse: «È bene che l’altare maggiore sia staccato dalla parete per potervi facilmente girare intorno e celebrare versus populum». Da quel momento, la posizione del sacerdote «verso il popolo», pur non essendo obbligatoria, è divenuta il modo più comune di celebrare Messa. Stando così le cose, Joseph Ratzinger propose, anche in questi casi, di non perdere il significato antico di preghiera «orientata» e suggerì di ovviare alle difficoltà ponendo al centro dell’altare il segno di Cristo crocifisso (cf. Teologia della Liturgia, p. 88). Sposando questa proposta, aggiunsi a mia volta il suggerimento che le dimensioni del segno devono essere tali da renderlo ben visibile, pena la sua scarsa efficacia (cf. M. Gagliardi, Introduzione al Mistero eucaristico, Roma 2007, p. 371).

La visibilità della croce d’altare è presupposta dall’Ordinamento Generale del Messale Romano: «Vi sia sopra l’altare, o accanto ad esso, una croce, con l’immagine di Cristo crocifisso, ben visibile allo sguardo del popolo radunato» (n. 308). Non si precisa, però, se la croce debba stare necessariamente al centro. Qui intervengono pertanto motivazioni di ordine teologico e pastorale, che nel ristretto spazio a nostra disposizione non possiamo esporre. Ci limitiamo a concludere citando di nuovo Ratzinger: «Nella preghiera non è necessario, anzi, non è neppure conveniente guardarsi a vicenda; tanto meno nel ricevere la comunione. [...] In un’applicazione esagerata e fraintesa della “celebrazione verso il popolo”, infatti, sono state tolte come norma generale – persino nella basilica di San Pietro a Roma – le Croci dal centro degli altari, per non ostacolare la vista tra il celebrante e il popolo. Ma la Croce sull’altare non è impedimento alla visuale, bensì comune punto di riferimento. È un’“iconostasi” che rimane aperta, che non impedisce il reciproco mettersi in comunione, ma ne fa da mediatrice e tuttavia significa per tutti quell’immagine che concentra ed unifica i nostri sguardi. Oserei addirittura proporre la tesi che la Croce sull’altare non è ostacolo, ma condizione preliminare per la celebrazione versus populum. Con ciò diventerebbe anche nuovamente chiara la distinzione tra la liturgia della Parola e la preghiera eucaristica. Mentre nella prima si tratta di annuncio e quindi di un immediato rapporto reciproco, nella seconda si tratta di adorazione comunitaria in cui noi tutti continuiamo a stare sotto l’invito: Conversi ad Dominum – rivolgiamoci verso il Signore; convertiamoci al Signore!» (Teologia della Liturgia, p. 536).

[Il prossimo articolo della rubrica sarà pubblicato il 9 febbraio]

*Don Mauro Gagliardi è Ordinario della Facoltà di Teologia dell’Ateneo Pontificio “Regina Apostolorum” di Roma e Consultore dell’Ufficio delle Celebrazioni Liturgiche del Sommo Pontefice e della Congregazione per il Culto Divino e la Disciplina dei Sacramenti.

Dal: Zenit.it

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Fotos da Posse do Card. Kurt Koch, na Diaconia de N.S. do Sagrado Coração

Por: Catholic Press Photo

A cerimônia de tomada de posse ocorreu no dia 1° de janeiro, festa da Santa Mãe de Deus, na igreja dos padres missionários do Sagrado Coração de Jesus, do título de Nossa Senhora do Sagrado Coração.






quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Dando a vida pelo Papa

Retirado de: Zenit

Memórias de um ex-guarda-costas de João Paulo II


Por Edward Pentin

Durante 12 anos, o ex-capitão da guarda suíça Roman Fringeli foi treinado e preparado para dar a vida pelo Papa.


Papa recebe quadro de artista italiana, ao seu lado
está o ex-guarda costas, Fringeli.
De 1987 a 1999, ele protegeu o futuro beato João Paulo II como um de seus cinco guarda-costas pessoais nas viagens papais. Este período compreendeu 15 viagens apostólicas a Asia, Europa, África y América.

Durante três anos e meio deste período, Fringeli liderou o contingente de guardas suíços que acompanhava João Paulo II quando este viajava ao exterior. “Diante de uma necessidade das circunstâncias, eu teria dado minha vida pelo Papa”, afirmou. “Este era sempre meu pensamento quando viajávamos”.

Natural da Basileia, norte da Suíça, Fringeli deixou a força oficial há cerca de 10 anos. Mas seu entusiasmo permanece e ele está disposto a compartilhar suas felizes e às vezes angustiantes experiências.

Ele recorda vivamente como lutaram com grande trabalho para conter uma multidão em Nairobi, como gritaram com os militares em Moçambique para que evitassem que uma grande massa de gente se aproximasse demais do Papa e como enfrentaram a difícil tarefa de proteger o Papa diante de um milhão de pessoas em Seul.

“Recordo Ruanda, durante uma missa, tivemos um aviso de um ataque terrorista aéreo”, conta. “Pode imaginar? Justamente ali, havia quatro anos, tinha acontecido o genocídio”.

Em outra viagem, estando com o Papa em voo charter, o avião fez três tentativas de aterrissar, por causa da neblina. Depois de ser desviado a Johannesburgo, o contingente do Papa teve de viajar de carro para Lesotho, para chegar ali ao som de tiros das forças especiais, que tinham resgatado um grupo de reféns.

O Papa João Paulo II, que tinha ido a Maseru para beatificar o sacerdote missionário Joseph Gérard, visitou depois alguns feridos no hospital. “Foi uma viagem especial e terrível. João Paulo II queria oferecer uma mensagem de paz e o fez”, relata Fringeli.

Mas talvez sua visita mais problemática foi em Berlim, em 1996. Grupos de anarquistas protestavam de forma selvagem, lançando objetos no papa-móvel, enquanto outros desfilavam nus enquanto o Papa passava.

“De repente, essa gente começou a lançar bolas vermelhas cheias de tinta nas janelas do papa-móvel”. Fringeli recorda que estava atrás do veículo papal, tentando afastar os manifestantes. “Senti-me envergonhado da Alemanha pelo que aconteceu. A polícia permitiu que a multidão se aproximasse demais do papa-móvel”.

Bento XVI visitará Berlim em setembro e alguns estão preocupados com a possibilidade de que esse evento se repita. “Nunca se sabe o que acontecerá em Berlim”, disse Fringeli. “Pode aparecer mais uma vez gente louca, mas Bento XVI é alemão e isso pode ajudar, também talvez a polícia faça melhor o seu trabalho, controlando as multidões”.

Fringeli também disse que o surpreendeu ver que a polícia alemã parecia assustada por ter de frear a multidão. “Eles não queriam tocá-los”.

Mas na África, Fringeli viu que a segurança local pode ser excessiva. Na viagem que João Paulo II fez a Iaundé, capital de Camarões, em 1995, ele recorda ver um homem com deficiência mental que estava perambulando em frente ao papa-móvel. A polícia o arrastou “como se fosse um saco de batatas”, jogando-o na multidão.

Nem revólver nem colete

A proteção que o Vaticano dá ao Papa durante as viagens consiste em dois guardas suíços à paisana, um capitão e um cabo, além de três policiais do Vaticano. O restante da proteção fica com as autoridades locais.

Durante seu período de serviço, Fringeli não usava colete à prova de balas nem revólver. “Que você pode fazer com uma pistola na frente de uma multidão?” “Poderia matar pessoas, e o mesmo acontece na basílica da praça de São Pedro ou em uma audiência”.

Em vez disso, ele confiava muito em sua perspicácia visual e no treinamento pessoal. O ex-guarda nos mostrou uma foto sua vestido em traje preto, caminhando ao lado de João Paulo II, em uma visita à Romênia, com os olhos fixos na multidão.

“Sempre estava observando com precisão, buscando um movimento repentino, alguém correndo ou saltando por cima das linhas de segurança; essa era minha tarefa”.

Ao ser questionado sobre a falha de segurança que houve na basílica de São Pedro no Natal de 2009, quando uma mulher saltou em direção ao Papa, ele destaca o quão inesperado pode ser algo assim.

“Você precisa saber o que está acontecendo em questão de segundo”. “Normalmente, isso é responsabilidade da pessoa que está ao lado do Papa, mas nesta ocasião tudo aconteceu muito rápido”. Apesar de tudo, Fringeli afirma que a segurança do Vaticano é muito boa.

O ex-guarda tem muitas boas recordações de Wojtyla e está encantado com a notícia de sua beatificação. “Para mim, João Paulo II foi um Papa santo, como todos os papas nos dois ou três últimos séculos”, disse.

Ele conta que João Paulo II sempre dizia que Nossa Senhora o protegia e que colocou sua sobrevivência nas mãos da Virgem desde o atentado de 1981.

“Foi um mensageiro da paz”, disse. “Alguns diziam que teria sido melhor se ele tivesse estado mais tempo no Vaticano e não viajando tanto, mas para o Papa não eram viagens de lazer, ele tinha uma agenda muito apertada, que durava o dia inteiro”.

Fringeli lembra um outro episódio, em que centenas de pessoas caminharam durante vários dias, de Zâmbia até o Zimbabue, para ver Wojtyla. As 104 viagens que João Paulo II fez fora da Itália estavam dedicadas a essas pessoas, especialmente de países pobres, que nunca poderiam ir a Roma.

O ex-guarda conta com carinho como João Paulo II sempre agradecia sua equipe de segurança ao final de cada viagem. Quando era mais jovem, frequentemente realizava passeios espontâneos, que nem sempre ganhavam a simpatia dos guarda-costas. “Não era fácil viajar com o Papa, porque não sabíamos o que ele faria fora do programa”. “Mas a experiência ajudava muito”.

Apesar das obrigações das viagens papais, Fringeli se sentia muito satisfeito e seu entusiasmo nunca diminuía. “Era estranho. Durante a viagem nos cansávamos muito, mas ao final sempre pensávamos: quando será a próxima?”

Ele rende homenagem a duas figuras chave das viagens apostólicas: o cardeal Roberto Tucci, organizador das viagens longas, a quem define como “um grande, grande homem”, e Camilo Cibin, o último guarda-costas da polícia vaticana, que protegeu o Papa até este completar 80 anos.

“Sem nenhum dos dois – disse – o Papa não teria sido capaz de fazer nenhuma de suas viagens.”

CRISTÃOFOBIA ESTÁ SUBSTITUINDO O ANTI-SEMITISMO DO SÉCULO XX,ADVERTE BISPO ESPANHOL

.- O Bispo de San Sebastián (Espanha), Dom José Ignacio Munilla, defendeu a liberdade religiosa dos cristãos nos países do Ocidente e Oriente, onde o laicismo e os fundamentalismos islâmico e hindu estão fazendo que a Cristãofobia ocupe o lugar do anti-semitismo do século XX.

Em seu artigo "De deuses e homens", publicado este 23 de janeiro, Dom Munilla afirmou que "é um fato que a liberdade religiosa não é respeitada nem por uns nem por outros (...). O laicismo do Ocidente difunde um racionalismo anti-religioso, enquanto que os fundamentalismos do Oriente impulsionam uma religiosidade irracional".

O bispo indicou que isto coloca os cristãos árabes "em meio de um perigoso “sanduíche”: suspeitos de cumplicidade com os Estados Unidos, pelo mero fato de ser cristãos; e ao mesmo tempo ignorados por um Ocidente laicista que se envergonha de suas raízes".

Entretanto, o Bispo afirmou que o diálogo inter-religioso do cristianismo com o islã e o hinduísmo é viável, pois "o verdadeiro choque de trens se produz no encontro do laicismo, por um lado, e o fundamentalismo, pelo outro, que se retroalimentam, até o extermínio".

O bispo afirmou que um exemplo é o filme francês "Dos homens e dos deuses", do diretor Xavier Beauvois, que relata a tomada do monastério cistercense de Monte Atlas (Argélia) por parte do Grupo Islâmico Armado em meados de 1996 e que terminou com a decapitação dos sete monges.

Dom Munilla afirmou que o filme "recolhe com fidelidade a boa harmonia destes monges cristãos com os habitantes muçulmanos daquela região, ao mesmo tempo que a irrupção repentina do fundamentalismo islâmico, que muda por completo o cenário de convivência pacífica”.

"Longe de ser um filme que se vale do fundamentalismo para satanizar o Islã em conjunto, este reflete de forma sobressalente o ideal do diálogo inter-religioso propugnado pela Igreja no Concílio Vaticano II", afirmou.

Dom Munilla recordou que em sua mensagem para o Dia Mundial da Paz deste ano, o Papa Bento XVI assinalou que a liberdade religiosa é o caminho para a paz e para encontrar a verdade, porque esta "não se impõe com a violência mas pela força da própria verdade."
       FONTE: ACI DIGITAL

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Vaticano divulga agenda de Bento XVI para os próximos meses


A agenda do Papa até abril foi divulgada pela Santa Sé, nesta segunda-feira, 24. Confira o calendário de celebrações:


Fevereiro

2 - Quarta-feira
Festa da Apresentação do Senhor
Dia Mundial da Vida Consagrada
Basílica Vaticana, 17h30 (no horário de Roma, 14h30 em Brasília)
Vésperas com os membros dos Institutos de Vida Consagrada e das Sociedades de Vida Apostólica

5 - Sábado
Basílica Vaticana, 10h (no horário de Roma, 7h em Brasília)
Santa Missa e Rito de Ordenação episcopal

21 - segunda-feira
Sala do Consistório, 12h (no horário de Roma, 8h em Brasília)
Consistório para algumas Causas de Canonização


Março

9 - Quarta-feira de Cinzas
Basílica de Santo Anselmo, 16h30 (no horário de Roma, 12h30 em Brasília)
Estação e Procissão Penitencial
Basílica de Santa Sabina, 17h (no horário de Roma, 13h em Brasília)
Santa Missa, bênção e imposição das cinzas

13 – 1º Domingo da QuaresmaPalácio Apostólico
Capela Redemptoris Mater, 18h (no horário de Roma, 14h em Brasília)
Início dos exercícios espirituais da Cúria Romana

19 - Sábado
Capela Redemptoris Mater, 9h (no horário de Roma, 5h em Brasília)
Conclusão dos exercícios espirituais da Cúria Romana


20 - Domingo
2º Domingo da Quaresma
Santa Missa e Rito de Dedicação da Nova Paróquia Romana de São Corbiniano, 9h (no horário de Roma, 5h em Brasília)

Abril

17 - Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor
Praça de São Pedro, 9h30 (no horário de verão de Roma, 4h30 em Brasília)
Benção dos Ramos, Procissão e Santa Missa

21 - Quinta-feira Santa
Basílica Vaticana, 9h30 (no horário de Roma, 4h30 em Brasília)
Santa Missa Crismal

Basílica de São João de Latrão, 17h30 (no horário de Roma, 12h30 em Brasília)
CAPELA PAPAL
Início do Tríduo Pascal
Santa Missa da Ceia do Senhor

22 - Sexta-feira Santa
Basílica Vaticana, 17h (no horário de Roma, 12h em Brasília)
CAPELA PAPAL
Celebração da Paixão do Senhor

Coliseu, 21h15 (no horário de Roma, 16h15 em Brasília)
Via Sacra

23 - Sábado Santo
Basílica Vaticana, 21h (no horário de Roma, 16h em Brasília)
CAPELA PAPAL
Vigília Pascal na Noite Santa


24 - Domingo de Páscoa
Praça de São Pedro, 10h15 (no horário de Roma, 5h15 em Brasília)
CAPELA PAPAL
Santa Missa do Dia

Balcão central da Basílica Vaticana, 12h (no horário de Roma, 7h em Brasília)
Benção Urbi et Orbi

Festa da Conversão de São Paulo


O apóstolo dos gentios e das nações nasceu em Tarso. Da tribo de Benjamim, era judeu de nação. Tarso era mais do que uma colônia de Roma, era um município. Logo, ele recebeu também o título de cidadão romano. O seu pai pertencia à seita dos fariseus. Foi neste ambiente, em meio a tantos títulos e adversidades, que ele foi crescendo e buscando a Palavra de Deus.


Combatente dos vícios, foi um homem fiel a Deus. Paulo de Tarso foi estudar na escola de Gamaliel, em Jerusalém, para aprofundar-se no conhecimento da lei, buscando colocá-la em prática. Nessa época, conheceu o Cristianismo, que era tido como um seita na época. Tornou-se, então, um grande inimigo dessa religião e dos seguidores desta. Tanto que a Palavra de Deus testemunha que, na morte de Santo Estevão, primeiro mártir da Igreja, ele fez questão de segurar as capas daqueles que o [Santo Estevão] apedrejam, como uma atitude de aprovação. Autorizado, buscava identificar cristãos, prendê-los, enfim, acabar com o Cristianismo. O intrigante é que ele pensava estar agradando a Deus. Ele fazia seu trabalho por zelo, mas de maneira violenta, sem discernimento. Era um fariseu que buscava a verdade, mas fechado à Verdade Encarnada. Mas Nosso Senhor veio para salvar todos.

Encontramos, no capítulo 9 dos Atos dos Apóstolos, o testemunho: "Enquanto isso, Saulo só respirava ameaças e morte contra os discípulos do Senhor. Apresentou-se ao príncipe dos sacerdotes e pediu-lhes cartas para as sinagogas de Damasco, com o fim de levar presos, a Jerusalém, todos os homens e mulheres que seguissem essa doutrina. Durante a viagem, estando já em Damasco, subitamente o cercou uma luz resplandecente vinda do céu. Caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: 'Saulo, Saulo, por que me persegues?'. Saulo então diz: 'Quem és, Senhor?'. Respondeu Ele: 'Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Duro te é recalcitrar contra o aguilhão'. Trêmulo e atônito, disse Saulo: 'Senhor, que queres que eu faça?' respondeu-lhe o Senhor: 'Levanta-te, entra na cidade, aí te será dito o que deves fazer'".

O interessante é que o batismo de Saulo é apresentado por Ananias, um cristão comum, mas dócil ao Espírito Santo.

Hoje estamos comemorando o testemunho de conversão de São Paulo. Sua primeira pregação foi feita em Damasco. Muitos não acreditaram em sua mudança, mas ele perseverou e se abriu à vontade de Deus, por isso se tornou um grande apóstolo da Igreja, modelo de todos os cristãos.

Por: Canção Nova

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Palácio de Zarzuela desmente acusações de Ussía

"Todas as audiências havidas entre Sua Majestade e o Papa Bento XVI, como com o Pontífice anterior, foram públicas e conhecidas. Não existe nenhuma audiência recôndita e não comunicada". Com palavras categóricas, a Casa Real respondeu ontem, sábado, às perguntas do diário La Gaceta sobre as declarações do escritor Alfonso Ussía no programa Lágrimas en la Lluvia da Intereconomía TV, desmentindo, portanto, as afirmações do escritor sobre um encontro privado entre o Rei e o Pontífice.


No programa televisivo apresentado por Juan Manuel de Prada, em que se debatia sobre a Monarquia ou a República, Alfonso Ussía tomou a palavra e lançou a bomba informativa da noite: "O Rei foi ver o Papa dez dias antes e o Papa lhe disse: 'Cumpre com sua obrigação. Seu dever é cumprir a Constituição'. O Rei foi pessoalmente ver o Papa e pedir-lhe um pouco a vênia".

Diante da transcendência da afirmação, Prada perguntou a Ussía se tinha "certeza" disso: "Absoluta certeza. Absoluta certeza. Tiveram uma longa conversa, o Rei expôs ao Papa seus problemas de consciência com a assinatura dessa lei e o Papa lhe disse: 'V. M. tem de cumprir com suas obrigações constitucionais'".

Participaram do programa Juan Manuel de Prada e María Cárcaba, apresentadores, assim como Miguel Ayuso, catedrático de Direito Constitucional, Dalmacio Negro, catedrático emérito de Ciência Política, Pedro González-Trevijano, reitor da Universidade Rei Juan Carlos, e o escritor Alfonso Ussía.

Origem: Religión en Libertad, traduzido e via OBLATVS.

Guarda Suíça celebra 505 anos

A Guarda Suíça celebrou seu 505° aniversário com uma Missa, celebrada no sábado, em Santa Maria da Piedade, no Vaticano.


O arcebispo Dom Fernando Filoni, substituto do secretário de Estado, presidiu à Missa, transmitindo durante a homilia a saudação de Bento XVI.

O prelado disse que “o Senhor convida cada um a segui-lo, mas chama alguns a compartilhar e colaborar em sua missão, confiando uma tarefa especial para cada pessoa”.

Assim – disse –, “servir ao Santo Padre é a maneira concreta de vocês participarem na missão universal da Igreja. Que Maria lhes dê um renovado espírito de fidelidade e serviço”.

Depois da Missa, realizou-se um desfile com bandeiras e uma banda, na praça de São Pedro, para comemorar a fundação deste corpo militar.

A Guarda Suíça, comandada pelo coronel Daniel Rudolf Anrig, está composta por 110 soldados e um capelão, monsenhor Alain Guy Raemy. Sua fundação se deve ao Papa Julio II della Rovere (1503-1513), que há 500 anos pediu aos Estados pertencentes à Confederatis Superioris Allemanniae que lhe permitissem recrutar jovens suíços para formar uma guarda papal.

No dia 22 de janeiro de 1506, este pontífice deu boas-vindas e abençoou, na praça de São Pedro, o primeiro contingente de 150 guardas suíços, liderados pelo capitão Kaspar von Silenen.

Os recrutas devem ser homens católicos suíços, solteiros, com idades entre 19 e 30 anos e ter treinamento militar.

Ainda que a tradição diga que foi Michelangelo quem desenhou seus uniformes, na realidade o atual desenho data de 1915.

A tradicional cerimônia de juramento dos novos recrutas celebra-se a 6 de maio de cada ano, dia em que se comemora o sacrifício de 147 guardas suíços, que durante o saque de Roma, em 1527, pelas tropas de Carlos V, defenderam o Papa Clemente VII com suas vidas.

De: Zenit

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Santa Inês, Virgem e Mártir, rogai por nós!

Virgem e mártir, Santa Inês se deixou transformar pelo amor de Deus que é santo. Seu nome vem do grego, que significa pura. Ela pertenceu a uma família romana e, segundo os costumes do seu tempo, foi cuidada por uma aia (uma babá) que só a deixaria após o casamento.


Santa Inês tiva cerca de 12 anos quando um pretendente se aproximou dela; segundo a tradição, era filho do prefeito de Roma e estava encantado pela beleza física de Inês. Mas sua beleza principal é aquela que não passa: a comunhão com Deus. De maneira secreta, ela tinha feito uma descoberta vocacional, era chamada a ser uma das virgens consagradas do Senhor; e fez este compromisso. O jovem não sabia e, diante de tantas propostas, ela sempre dizia 'não'. Até que ele denunciou Inês para as autoridades, porque sob o império de Diocleciano, era correr risco de vida. Quem renunciasse Jesus ficava com a própria vida; caso contrário, se tornava um mártir. Foi o que aconteceu com esta jovem de cerca de 12 ou 13 anos.

Tão conhecida e citada pelos santos padres, Santa Inês é modelo de uma pureza à prova de fogo, pois diante das autoridades e do imperador, ela se disse cristã. Eles começaram pelo diálogo, depois as diversas ameaças com fogo e tortura, mas em nada ela renunciava o seu Divino Esposo. Até que pegaram-na e a levaram para um lugar em Roma próprio da prostituição, mas ela deixou claro que Jesus Cristo, seu Divino Esposo, não abandona os seus. De fato, ela não foi manchada pelo pecado.

Auxiliada pelo Espírito Santo, com muita sabedoria, ela permaneceu fiel ao seu voto e ao seu compromisso; até que as autoridades, vendo que não podiam vencê-la pela ignorância, mandaram, então, degolar a jovem cristã. Ela perdeu a cabeça, mas não o coração, que ficou para sempre em Cristo.

Santa Inês tem uma basílica que foi consagrada a ela no lugar onde foi enterrada.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

São Fabião, Papa e Mártir, rogai por nós!


Sucessor de Santo Antero, foi eleito Bispo da Igreja de Roma em 236. As extraordinárias circunstâncias de sua eleição, em muito se assemelham à de São Zeferino (15º Papa da Igreja), e foram relatadas pelo historiador Eusébius.

Depois da morte do Papa Antero, havia vindo a Roma, com alguns outros de sua vila, e estava na cidade, como mero espectador, quando a nova eleição teve início. Concentrados no local, haviam nomes de várias pessoas ilustres e também muitos nobres de elevada consideração. Durante a fase preparatória e as orações para a escolha do novo Pontífice, repentinamente uma pomba desceu sobre a cabeça de Fabiano, que não gozava de fama ou qualquer consideração social. Os membros da assembléia logo associaram esta manifestação extraordinária à cena descrita no Evangelho, quando o Espírito Santo desceu sobre o Salvador da humanidade e por isto, com divina inspiração, elegeram Fabiano e o aclamaram com tal alegria que, por unanimidade o conduziram à Cadeira de Pedro.

Durante seus quatorze anos de pontificado, dirigiu a Igreja com certa tranqüilidade, já que a chama da perseguição levantou-se somente nos anos finais, quando acabou sendo martirizado por ordem do governo imperial. Dos registros contidos no Livro Pontifical, consta que São Fabiano determinou que Roma fosse dividida em sete distritos eclesiásticos, sendo cada distrito supervisionado por um diácono. Designou sete subdiáconos para recolher e preservar, juntamente com outros notários a "ata dos mártires". Instituiu as quatro ordens menores e também empreendeu grandes trabalhos de manutenção das catacumbas dos mártires.

São Fabiano morreu decapitado durante o governo do imperador Décio, no dia 20 de janeiro de 250. São Cipriano também fez referências ao seu martírio. Seu corpo foi depositado na cripta dos Papas, nas catacumbas de São Calixto, onde, em épocas recentes (1850), foi descoberta sua lápide com seu nome gravado em grego.

Retirado de: Ecclesiam Suam

São Sebastião, mártir, rogai por nós!


O santo de hoje nasceu em Narbonne; os pais oriundos de Milão, na Itália, no século terceiro. São Sebastião, desde cedo, foi muito generoso e dado ao serviço. Recebeu a graça do santo batismo e zelou por ele em relação à sua vida e à de seus irmãos! Ao entrar para o serviço no império como soldado, tinha muita saúde no físico, na mente e, principalmente, na alma. Não demorou muito, tornou-se o primeiro capitão da guarda do império.

Sebastião ficou conhecido por muitos cristãos, pois, sem que as autoridades soubessem – nesse tempo, no império de Diocleciano, a Igreja e os cristãos eram duramente perseguidos –, porque o imperador adorava os deuses. Enquanto os cristãos não adoravam as coisas, mas as três Pessoas do mistério da Trindade. Esse mistério o levava a consolar os cristãos que eram presos de maneira secreta, mas muito sábia; uma evangelização eficaz pelo testemunho que não podia ser explícito. São Sebastião tornou-se defensor da Igreja como soldado, como capitão e também como apóstolo dos confessores, daqueles que eram presos. Também foi apóstolo dos mártires, os que confessavam Jesus em todas as situações, renunciando à própria vida. O coração de São Sebastião tinha esse desejo: tornar-se mártir. Mas um apóstata denunciou-o para o império e lá estava ele, diante de um imperador muito triste, porque era uma traição ao império. Mas ele deixou claro, com muita sabedoria, auxiliado pelo Espírito Santo, que o melhor que ele fazia para o império era este serviço. Denunciou o paganismo e a injustiça.

São Sebastião, defensor da verdade no amor apaixonado a Deus. O imperador, com o coração fechado, mandou prendê-lo num tronco e muitas flechadas sobre ele foram lançadas até o ponto de pensar que estava morto. Mas uma mulher, esposa de um mártir, o conhecia, aproximou-se dele e percebeu que ele estava ainda vivo por graça. Ela cuidou das feridas dele. Ao recobrar sua saúde depois de um tempo, apresentou-se novamente para o imperador, pois queria o seu bem. Evangelizou, testemunhou, mas, desta vez, no ano de 288 foi duramente martirizado.

Retirado de: Ecclesiam Suam
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