quinta-feira, 24 de março de 2011

Celibato sacerdotal grita ao mundo secularizado que Deus está presente

O Prefeito da Congregação vaticano para o Clero, Cardeal Mauro Piacenza, assinalou que o celibato sacerdotal "grita" ao mundo secularizado que Deus sempre está presente.


Em um artigo publicado na edição de 23 de março de L'Osservatore Romano, o Cardeal recorda que "o celibato é um dom do Senhor que o sacerdote está chamado livremente a acolher e a viver com plenitude".

Logo depois de recordar que este ensinamento é um tema fundamental dos Papas, o Cardeal adverte que "só uma incorreta hermenêutica dos textos do (Concílio) Vaticano II poderia conduzir a ver no celibato um resíduo do passado do qual liberar-se".

"Tal posição -prossegue- além de ser erro histórico, teológica e doutrinalmente, é também daninha para os aspectos espiritual, pastoral, missionário e vocacional", acrescenta.

Seguidamente o Cardeal Piacenza ressalta a necessidade de formar doutrinalmente o candidato ao celibato sacerdotal porque "não se pode viver o que não se compreende através da razão" e sublinhou que "o celibato é um assunto de radicalidade evangélica".

"Pobreza, castidade e obediência não são conselhos reservados de modo exclusivo aos religiosos. São virtudes que devem ser vividas com intensa paixão missionária. Não podemos baixar o nível da formação e, de fato da proposta da fé".

O Prefeito reconhece logo que "em um mundo secularizado é sempre mais difícil compreender as razões do celibato. Entretanto devemos ter a coragem, como Igreja, de nos perguntarmos se queremos nos resignar ante tal situação, aceitando como iniludível e a progressiva secularização das sociedades e das culturas, ou se estamos preparados para uma obra de profunda e real nova evangelização, ao serviço do Evangelho e, por isso, da verdade sobre o homem".

"Considero, em tal sentido, que o motivado apoio ao celibato e à sua adequada valorização na Igreja e no mundo possam representar algumas das maneiras mais eficazes para superar a secularização".

Finalmente o Cardeal Piacenza escreve que "não devemos nos deixar condicionar ou intimidar por quem não compreende o celibato e quisera modificar a disciplina eclesiástica, ao contrário, devemos recuperar a motivada consciência de que nosso celibato desafia a mentalidade do mundo, pondo em crise seu secularismo e seu agnosticismo, e gritando, nos séculos, que Deus está presente".

Por: ACI Digital

segunda-feira, 21 de março de 2011

São Bento, rogai por nós!

Abade vem de "Abbá", que significa pai, e isto o santo de hoje bem soube ser do monaquismo ocidental. São Bento nasceu em Núrcia, próximo de Roma, em 480, numa nobre família que o enviou para estudar na Cidade Eterna, no período de decadência do Império.


Diante da decadência – também moral e espiritual – o jovem Bento abandonou todos os projetos humanos para se retirar nas montanhas da Úmbria, onde dedicou-se à vida de oração, meditação e aos diversos exercícios para a santidade. Depois de três anos numa retirada gruta, passou a atrair outros que se tornaram discípulos de Cristo pelos passos traçados por ele, que buscou nas Regras de São Pacômio e de São Basílio uma maneira ocidental e romana de vida monástica. Foi assim que nasceu o famoso mosteiro de Monte Cassino.

A Regra Beneditina, devido a sua eficácia de inspiração que formava cristãos santos por meio do seguimento dos ensinamentos de Jesus e da prática dos Mandamentos e conselhos evangélicos, logo encantou e dominou a Europa, principalmente com a máxima "Ora et labora". Para São Bento a vida comunitária facilitaria a vivência da Regra, pois dela depende o total equilíbrio psicológico; desta maneira os inúmeros mosteiros, que enriqueceram o Cristianismo no Ocidente, tornaram-se faróis de evangelização, ciência, escolas de agricultura, entre outras, isso até mesmo depois de São Bento ter entrado no céu com 67 anos.

domingo, 20 de março de 2011

ANGELUS: PAPA FAZ APELO PELA SEGURANÇA E ASSISTÊNCIA HUMANITÁRIA NA LÍBIA

Cidade do Vaticano, 20 mar (RV) – Neste domingo, como tradicionalmente, o Santo Padre, da janela dos seus aposentos, rezou a oração mariana do Angelus junto aos milhares de fiéis e peregrinos que, provenientes de todo o mundo, estavam reunidos na Praça São Pedro. Bento XVI fez um apelo pela proteção da população na Líbia.

“Nos últimos dias – disse o Santo Padre -, as preocupantes notícias que chegaram da Líbia suscitaram também em mim muitas dúvidas e temores. Dediquei a isso especialmente minhas orações ao Senhor durante essa semana de Exercícios Espirituais.”

O Pontífice continuou o apelo, pedindo para que todos os que têm responsabilidade política e militar dediquem especial cuidado à segurança dos cidadãos e ao seu acesso às ajudas humanitárias. O pedido vem na esteira dos últimos acontecimentos. Na tarde de ontem, uma coalizão internacional, seguindo a resolução 1973 das Nações Unidas, iniciou as hostilidades contra as forças que, para manter o Presidente Muamar Kadafi no poder, estão usando extrema brutalidade contra os rebeldes.

O Papa ainda manifestou sua comovida proximidade à população e assegurou-a de suas orações, “pedindo a Deus que um horizonte de paz e de concórdia surja, o quanto antes, para a Líbia e para toda a região do norte da África.

Minutos antes, em sua mensagem – que antecedeu a oração do Angelus -, Bento XVI falou sobre este segundo domingo de Quaresma, que “é também chamado o domingo da Transfiguração, porque – explicou o Papa - o Evangelho narra esse mistério da vida de Cristo”. Citando a passagem do Evangelho segundo São Mateus, disse: “Jesus, após ter anunciado aos seus discípulos a sua paixão, tomou consigo Pedro, os irmãos Tiago e João, e os levou a um lugar à parte, sobre uma alta montanha. E se transfigurou diante deles: o seu rosto brilhou como o sol, e as suas roupas ficaram brancas como a luz”.

O Santo Padre continuou: “de acordo com os sentidos, a luz do sol é a mais intensa que se conheça na natureza, mas, segundo o Espírito, os discípulos viram, por um breve momento, um esplendor ainda mais intenso, o da glória divina de Jesus, que ilumina toda a história da salvação. São Máximo, o Confessor, diz que ‘suas roupas brancas traziam o símbolo das palavras da Sagrada Escritura, que se tornaram claras, transparentes e luminosas´” (Ambiguum 10: PG 91, 1128 B).

Bento XVI frisou que “a Transfiguração não é uma mudança de Jesus, mas é a revelação de sua divindade, a íntima compenetração de seu ser com Deus, que se torna pura luz. Em seu ser um com o Pai, Jesus mesmo é Luz da Luz” (Jesus de Nazaré, Milano 2007, 357).

Após discorrer sobre essa passagem, o Pontífice afirmou que “também nós participamos dessa visão e desse dom sobrenatural, dando espaço à oração e à escuta da Palavra de Deus”. “Invoquemos a Virgem Maria para que nos ajude a escutar e seguir sempre o Senhor Jesus, até a Paixão e a Cruz, para também participarmos da sua glória”, concluiu.

Após saudar, em suas diversas línguas, os fiéis e peregrinos presentes, o Santo Padre concedeu a todos a sua Benção apostólica. (ED/SP)

sábado, 19 de março de 2011

Onomástico do Papa Bento XVI

No día de seu onomástico, desejamos ao nosso Santo Padre Bento XVI que, pela intercessão de São José, o Senhor o proteja, o guarde de todo mal, o bendiga na terra e o defenda de seus inimigos.

Ao mesmo tempo, nós invocamos o Glorioso Patriarca São José pedindo pela Santa Igreja, nestes tempos difíceis e turbulentos , nestes tempos em que se mostram surpreendentemente atuais as palavras que o Papa Leão XIII escreveu há 120 anos atrás: "Agora, Veneráveis ​​Irmãos, vós sabeis os tempos em que vivemos são um pouco menos deploráveis para a religião cristã que nos piores dias, que no passado eram cheias de sofrimento para a Igreja. Nós vemos a fé, a raiz de todas as virtudes cristãs, reduzir a tantas almas, vemos a caridade esfriar, os jovens hábitos de vida e visões depravadas; a Igreja de Jesus Cristo abertamente atacada por algum lado ou de guerra, a astúcia cruel contra o Soberano Pontífice, e os próprios fundamentos da religião comprometidos com uma ousadia que cresce diariamente em intensidade. Estas coisas são, de fato, tão notórias que não é necessário que cheguemos sobre a profundidade a que a sociedade contemporânea tem afundado, ou em projetos que agora agitam a mente dos homens. Diante de tais circunstâncias malfadado e problemas, os remédios humanos são insuficientes, e torna-se necessário, como um único recurso, para implorar o auxílio do poder divino "(Encíclica" Quamquam multi).

São José, advogado da Boa Morte, intercedei por nós!


A vida de S. José, a assistência de Jesus e de Maria, tudo contribui a fazer a sua morte preciosa aos olhos do Senhor.


A Igreja confronta aquela morte, agora a um sono pacifico, como aquele de um menino que se adormenta sobre o seio da sua mãe; agora com uma chama perfumada, que se consuma na proporção que queima, e que morre, exalando o perfume suave que penetrava a sua substância. A morte dos Santos é sempre invejável, porque todos morrem no beijo do Senhor; mas aquele beijo é um doce e precioso sentimento de amor.

Mas José morreu verdadeiramente no beijo do Senhor, porque expirou nos braços de Jesus. E se, como acreditamos, ele teve o uso dos sensos e da palavra até o último suspiro, o qual não podia ser que um suspiro o uma onda de amor, como não terá ele coroado uma vida assim santa, se não com o pronunciar os nomes sagrados de Jesus e de Maria?

Ó morte beata! Se não posso, como José, expirar entre Jesus e Maria, visíveis aos meus olhares, possa pelo menos, sobre os meus lábios moribundos, unir o vosso nome, ó José, aos nomes de Jesus e de Maria!

A santa morte de José produziu preciosos frutos sobre a terra, que foi como aromatizada pelo suave perfume que deixa de si uma santa vida e uma santa morte e deu aos cristãos um potente protetor no Céu perto de Deus, especialmente para os agonizantes.

Qualquer um que envoca São José na última batalha, seja também violenta, vencerá. Beato quem coloca a sua confiança neste santo Patriarca e une expirando o nome santo de José aos docíssimos nomes de Jesus e de Maria.

Todo o mundo cristão o reconhece advogado dos agonizantes e portanto da boa morte. José, filho de Jacó, socorria no tempo da carestia os Egipzianos distribuindo a eles a farinha que tinha colhido; mas para socorrer os proprios irmãos, fez ainda mais, não contente de ter repleto os seus sacos de farinha, adicionou o preço dos mesmos. Assim fará certamente o nosso glorioso S. José; com que generosidade não tratará os seus devotos? Ah sim, ao momento de extrema necessidade deles, no ponto de morte, ele saberá recompensar os devotos, homagens com que será honorado.

A morte dos servos de S. José é calma e suave. Santa Teresa narra as circunstâncias que acompanhavam os últimos instantes das suas primeiras filhas, muito devotas a S. José. « Observei, disse ela, que ao momento do último respiro elas gozavam de grande paz e tranquilidade; a morte delas foi simili ao doce repouso da oração. Nada indicava que dentro delas tivesse agitação da tentação. Aquelas luzes divinas liberam o meu coração do timor da morte. Morrer, me parece agora, a coisa mais fácil para uma fiel devota de S. José».

TE JOSEPH CÉLEBRENT


Te, Ioseph, celebrent agmina caelitum,
te cuncti resonent Christiadum chori,
qui, clarus meritis, iunctus es inclitae,
casto foedere Virgini.

Almo cum túmidam gérmine cóniugem
admírans, dúbio tangeris ánxius,
afflátu súperi Fláminis, Angelus
concéptum púerum docet.

Tu natum Dóminum stringis, ad éxteras
Aegýpti prófugum tu séqueris plagas;
amíssum Sólymis quaeris et ínvenis,
miscens gáudia flétibus.

Post mortem réliquos sors pia cónsecrat
palmámque eméritos glória súscipit;
tu vivens, Súperis par, frúeris Deo,
mira sorte beátior.

Nobis, summa Trias, parce precántibus;
da Ioseph méritis sídera scándere,
ut tandem líceat nos tibi pérpetim
gratum prómere cánticum.
Amen.

São José, rogai por nós!


Pouco conhecemos sobre a vida de S. José; unicamente as rápidas referências transmitidas pelos evangelhos. Este pouco, contudo, é o suficiente para destacar seu papel primordial na história da salvação.


José é o elo de ligação entre o Antigo e o Novo Testamento. É o último dos patriarcas. Para destacar este caráter especial de José, o evangelho de S. Mateus se apraz em atribuir-lhe "sonhos", à exemplo dos grandes patriarcas, fundadores do povo judeu (Mt 1,20-24; 2,13-19). A fuga de José com sua família para o Egito repete, de certa forma, a viagem do patriarca José, para que nele e em seu filho Jesus se cumprisse o novo Êxodo (Mt 2,13-23; Os 11,1; Gn 37; 50,22-26).

A missão de José na história da salvação consistiu em dar a Jesus um nome, fazê-lo descendente da linhagem de Davi, como era necessário para cumprir as promessas.

Sua pessoa fica na penumbra, mas o Evangelho nos indica concisamente as fontes de sua grandeza interior: era um "justo" (Abraão tinha buscado seis justos na cidade e não os tinha achado);de uma fé profunda, inteiramente disponível à vontade de Deus, alguém que "esperou contra toda esperança".

Sua figura quase desapareceu nos primeiros séculos do cristianismo, para que se firmasse melhor a origem divina de Jesus. Mas já na Idade Média, S. Bernardo, Sto. Alberto Magno e S. Tomás de Aquino lhe dedicaram tratados cheios de devoção e entusiasmo. Desde então, seu culto não tem feito senão crescer continuamente. Pio IX declarou-o padroeiro da Igreja universal com o decreto Quemadmodum Deus; Leão XIII, na encíclica Quamquam pluries, propunha-o como advogado dos lares cristão. Em nossos dias foi declarado modelo dos operários.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Papa confere títulos honoríficos a fundadores do Ordinariato para ex-anglicanos


Nota do site do Ordinariato para ex-anglicanos:



Foi hoje anunciado que o Ordinário do Ordinariato Pessoal de Nossa Senhora de Walsingham foi distinguido por Sua Santidade, Papa Bento XVI, com o título de Protonotário Apostólico.


Padre John Broadhurst e Padre Andrew Burnham também foram distinguidos com o título de Prelados de Honra.


De forma que os três padres são agora conhecidos como Monsenhores.

A mesma notícia no Catholic Herald:

O Papa distinguiu os três ex-bispos anglicanos, os primeiros membros do Ordinariato de Nossa Senhora de Walsingham, com o título de monsenhor [na realidade "monsenhor" não é título, mas apelativo que se usa para certos sacerdotes, alguns por serem detentores de títulos, outros por desempenharem certos ofícios; o Ordinário, por exemplo, mesmo sem qualquer título é chamado "monsenhor" ex officio, como o são os vigários-gerais].

Padre Keith Newton, líder do Ordinariato que desempenha a maioria das funções de um bispo, e Padre John Broadhurst, ex-bispo [anglicano] de Fulham, receberam a comenda papal de Protonotários Apostólicos, mais elevado título eclesiástico para não bispos. Padre Andrew Burnham, ex-bispo [anglicano] de Ebbsfleet, recebeu a comenda papal de Prelado de Honra, e portanto também é um monsenhor [a informação está incorreta, conforme se lê acima no site do Ordinariato].

Os três tornaram-se os primeiros clérigos do primeiro ordinariato pessoal do mundo estabelecido para grupos de ex-anglicanos em janeiro, fruto da Constituição Apostólica Anglicanorum Coetibus.

Grupos de ex-anglicanos serão recebidos na Igreja na Semana Santa e os padres para o Ordinariato serão ordenados por volta de Pentecostes.

O ordinário espera que cerca de 900 pessoas se tornarão membros do Ordinariato na Semana Santa, incluindo 61 clérigos. A maioria dos leigos que entrarão no Ordinariato participaram de um Rito de Eleição em todo o país na semana passada.

Padre Newton afirmou: "Estou deveras encantado com o número de leigos anglicanos que iniciaram sua jornada em direção à plena comunhão com a Igreja Católica na Semana Santa. Não tem sido uma jornada fácil para muitos mas eu sei que eles serão largamente abençoados. Os Ritos de Eleição (ou Alistamento para membros do Ordinariato) nas dioceses foram uma parte muito comovente e importante desta jornada".

Fonte: OBLATVS

quinta-feira, 17 de março de 2011

Quanto Jesus deseja unir-se conosco na santa Comunhão


Desiderio desideravi hoc Pascha manducare vobiscum, antequam patiar ― «Tenho desejado ansiosamente comer convosco esta Páscoa, antes que padeça» (Luc 22, 15).

Sumário. Nenhuma abelha esvoaça com tanta avidez sobre as flores para lhes sorverem o mel, como Jesus vai morar nas almas que o desejam. Eis porque no Evangelho nos convida tantas vezes a que nos aproximemos dele na santa Comunhão. Faz tantas promessas e tantas ameaças, para manifestar o grande desejo que tem de unir-se conosco. Que ingratidão, pois, se não correspondemos a tão grande amor!

I. Jesus Cristo chama hora sua a noite em que devia começar a sua paixão. Mas como é que pode chamar uma hora tão funesta a sua hora? É porque foi a hora por ele almejada em toda a sua vida, visto que havia determinado que naquela noite havia de nos deixar a santa Comunhão, destinada a consumar a sua união com as almas diletas, pelas quais devia em breve dar o sangue e a vida. Eis aqui o que naquela noite Jesus disse a seus discípulos: Desiderio desideravi hoc pascha manducare vobiscum ― «Tenho desejado ansiosamente comer esta Páscoa convosco». Palavra pela qual o Redentor nos quis dar a entender o desejo ansioso que tinha de unir-se conosco neste santíssimo Sacramento de amor: desiderio desideravi ― «desejei ansiosamente»; estas palavras, diz São Lourenço Justiniani, saíram do Coração de Jesus abrasado em imenso amor.

Ora, a mesma chama que então ardia no Coração de Jesus, ainda está ardendo ali até ao presente; e a todos nós renova o convite feito então aos apóstolos de o receberem: Accipite et comedite, hoc est corpus meum (Mt 26, 26) ― «Tomai e comei: isto é o meu corpo». Além disso, para atrair-nos a recebê-lo com amor, promete o paraíso: Qui manducat meam carnem, habet vitam aeternam (Jo 6, 55) ― «Quem como a minha carne, tem a vida eterna». No caso contrário ameaça-nos com a morte eterna: Nisi manducaveritis carnem Filii hominis, non habebitis vitam in vobis (Jo 6, 54) ― «Se não comerdes a carne do Filho do homem, não tereis a vida em vós».

Estes convites, estas promessas, estas ameaças nasceram todas do desejo que tem Jesus Cristo de se unir conosco na santa comunhão, e este desejo nasce do amor que nos tem. «Não há abelha», disse um dia o Senhor a Santa Matilde, «que com tanta avidez esvoace sobre as flores para lhes sorver o mel, como eu anseio entrar nas almas que me desejam». Porque Jesus nos ama, quer ser amado de nós, e porque nos deseja seus, quer ser desejado, como diz São Gregório: Sitit sitiri Deus. Bem-aventurada a alma que se aproxima da mesa da comunhão com grande desejo de se unir a Jesus Cristo!

II. Adorável Jesus meu, não podeis dar-nos maiores provas de amor par anos fazer compreender quanto nos amais. Destes vossa vida por nós; ficastes no Santíssimo Sacramento, para que venhamos aí alimentar-nos de vossa carne, e quão grande desejo tendes que Vos recebamos! Como podemos ser sabedores de tantas finezas de vosso amor, sem ficarmos abrasados no vosso amor? Longe de mim, afetos terrenos, saí de meu coração; vós é que me impedis de arder por Jesus como ele arde por mim. Ó meu Redentor, que outros testemunhos de afeto posso eu ainda esperar, depois dos que me tendes dado? Por meu amor sacrificastes a vossa vida inteira; por meu amor abraçastes uma morte tão amarga e ignominiosa; por meu amor chegastes, por assim dizer, a aniquilar-Vos, reduzindo-Vos na Eucaristia a estado de alimento, para Vos dardes todo a mim. Ah, Senhor! não permitais que eu seja ingrato a tão grande bondade.

Graças vos dou pelo tempo que me concedeis para chorar minhas ingratidões e Vos amar. Arrependo-me, ó soberano Bem, de ter tantas vezes desprezado o vosso amor. Amo-Vos, ó Bondade infinita; amo-Vos, ó Tesouro infinito; amo-Vos, ó Amor infinito, digno de infinito amor. + Jesus, meu Deus, amo-Vos sobre todas as coisas. Por piedade, ajudai-me, ó meu Jesus, a banir do meu coração todos os afetos que não são para Vós, para que daqui por diante não deseje, não busque e não ame senão a Vós. Meu amado Redentor, fazei com que eu Vos ache sempre e sempre Vos ame. Apoderai-Vos de toda a minha vontade, para que queira somente o vosso beneplácito. Meu Deus, meu Deus, a quem então amarei, se não amo a Vós em quem se encontram todos os bens? Só a Vós quero, e nada mais. ― Ó Maria, minha Mãe, tomai meu coração e enchei-o de perfeito amor a Jesus. (II 406.)

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Santo Afonso Maria de Ligório. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo Primeiro: Desde o primeiro Domingo do Advento até Semana Santa inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 308-311.
 
De: São Pio V

terça-feira, 15 de março de 2011

Mais detalhes do Segundo Pontifical na Basílica de São Pedro

O blog Coetus Sacerdotalis Summorum Pontificum publicou hoje mais detalhes da segunda missa pontifical na Basílica de São Pedro em virtude de um novo encontro sobre o Summorum Pontificum. Tal encontro já havia sido anunciado em outubro passado.

As associações italianas Giovani e Tradizione e o Sodalício Amicizia Sacerdotale Summorum Pontificum, estão organizando um novo encontro sobre o motu proprio Summorum Pontificum em Roma no Angelicum em Maio de 2011, o qual será concluído com uma outra Missa Pontifical na Forma Extraordinária do Rito Romano na Basílica de São Pedro no Vaticano no Altar da Cátedra.

Desta vez a Santa Missa será celebrada pelo Cardeal Antonio Cañizares Llovera, Prefeito da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, no domingo 15 de maio de 2011. “Giovani e Tradizione” publicou agora o programa definitivo para o Encontro, o qual se pode consultar aqui.

O presbítero assistente, o diácono e o subdiácono da Santa Missa serão oficiais da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei. O restante do serviço litúrgico será fornecido pelo Instituto de Cristo Rei Sumo Sacerdote, enquanto que um dos dois coros será dirigido pelo Cardeal Domenico Bartolucci.


Retirado: New Liturgical Movement
Traduzido por: Coetus Sacerdotalis Summorum Pontificum

Bispos japoneses: “Nossa missão é manter viva a esperança”

Publicado em: Zenit

Pedem orações dos cristãos do mundo inteiro



Após o terrível terremoto e o tsunami que devastaram o Japão, todos, começando pela Igreja Católica, estão trabalhando para levar ajuda às vítimas da tragédia.


Neste contexto, os bispos japoneses querem estar em primeira linha, para "manter viva a chama da esperança", afirmou à Fides Dom Martin Tetsuo Hiraga, bispo de Sendai, a diocese mais afetada.

"A situação é muito difícil. Ainda não podemos compreender a magnitude do desastre - confessou. As notícias são fragmentárias. Minha diocese é muito grande e abrange quatro prefeituras civis, ao longo de 500 km de costa, no norte da ilha de Honshu, a maior do arquipélago japonês. O tsunami afetou mais de 300 km de costa."

"Nós ainda não sabemos quantas pessoas morreram, quantas estão desaparecidas, nem quantas estão desabrigadas. Não sabemos se entre estes há fiéis católicos", reconheceu o prelado.

Dada a incerteza, "ainda é difícil dizer o que pode ser feito ou como ajudar (...). As pessoas estão exaustas e desorientadas. O impacto material e emocional na sociedade tem sido muito forte".

"Estão chegando carros e voluntários provenientes de todo o Japão. É preciso união e boa vontade de todos", acrescentou.

"Nós, católicos da diocese de Sendai, somos pouco mais de dez mil, um pequeno rebanho. Mas continuamos rezando pelas vítimas e faremos o possível para levar alívio, para dar testemunho da mensagem do amor de Cristo, neste momento de sofrimento."

Os bispos japoneses se reunirão amanhã em Sendai, explicou Dom Hiraga, para decidir que estratégia adotar.

Devemos buscar conselho sobre como agir. Enquanto isso, confiamos em Deus e pedimos a oração de todos os cristãos no mundo."

"Nós recebemos a mensagem do Santo Padre e lhe agradecemos por suas palavras, que nos dão coragem e esperança. Hoje, esta é a nossa missão específica: ajudar o país a voltar a dirigir os olhos ao céu e manter viva a chama da esperança."

A diocese de Sendai tem oficialmente 10.944 batizados, representando 0,15% da população (mais de 7,2 milhões) do território.

Tem 53 paróquias e 13 casas missionárias, servidas por 27 sacerdotes diocesanos e 19 sacerdotes religiosos, 5 religiosos leigos e 262 freiras.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Nossa Senhora e a conversão da Rússia

Retirado de: Zenit

Entrevista com o Pe. Erich Fink

A conversão da Rússia é o sonho do padre Erich Fink desde que ele trabalhava na lavoura, na Alemanha, aos 10 anos de idade.

Agora sacerdote, trabalhando pastoralmente em Berezniki, na Rússia oeste-central, ele explica nesta entrevista que o chamado de Nossa Senhora de Fátima a rezar pela conversão da Rússia continua valendo.

Padre, a Rússia foi o seu sonho de infância. Por quê?

Padre Fink: Eu acredito que foi um chamado de Nossa Senhora de Fátima. Eu conhecia um pouco sobre a Rússia por causa do meu pai. Ele ficou na Rússia sete anos quando era jovem, durante a guerra, três como soldado e quatro como prisioneiro. Ele falava com muito carinho dos russos. Falava das mulheres russas que jogavam pão para os presos, por cima dos muros, sabendo que era ilegal e que podia dar pena de morte. Depois ele voltou para a Alemanha e casou com a minha mãe.

Nós sofremos muito naqueles anos. Procurávamos ajudar a família naquelas dificuldades e descobrimos a oração de Fátima. Nossa Senhora prometeu aliviar os problemas das famílias, então começamos a rezar o terço. Foi naquela época que a mensagem ficou clara para mim. A paz do mundo dependia da conversão da Rússia. Então eu resolvi que queria trabalhar na Rússia.

Que idade o senhor tinha?

Padre Fink: Eu tinha dez anos. Em cinco anos eu soube claramente que queria ser padre. E já naquela época eu queria ir para a Rússia, ajudar nessa conversão.

Houve alguma pessoa em particular que inspirasse o senhor a isso?

Padre Fink: Nenhuma pessoa me inspirou. Eu me lembro que estava na granja dos meus pais e tive essa inspiração, e soube que, alguma hora, eu ia virar padre. E o desejo de ir para a Rússia era muito forte. Eu aproveitei todas as possibilidades para isso. Escutei que Tatiana Goricheva ia vir para a Alemanha, fui atrás e me encontrei com ela...

Tatiana Goricheva era uma dissidente lituana que ficou presa durante muitos anos e contava a história da conversão dela...


Padre Fink: Isso. Ela era uma filósofa ateia e se converteu. Aí começou a pregar e dar testemunho da fé recém-encontrada. Por isso é que ela foi presa e exilada. Eu me encontrei com ela e falei que queria trabalhar na Rússia, como padre. Ela me disse: "Não é muito realista e, no decurso da sua vida, a Rússia não vai mudar".

Qual foi o seu maior desafio quando chegou a Berezniki?

Padre Fink: A língua! Eu só sabia o alfabeto e nenhuma frase!

E os desafios de trabalhar na Rússia?

Padre Fink: Da manhã até cair a tarde as pessoas vêm até mim para pedir ajuda espiritual e material. Mas eu tenho que decidir, toda vez, como ajudar, e pergunto para mim mesmo: "Isso é um desejo sincero de ajuda espiritual? Qual é a forma apropriada de dar assistência social?". Também tenho que ajudar as pessoas a se tornarem independentes para tomar suas decisões, encontrar suas próprias soluções para melhorar de vida. Esses são os grandes desafios.

E o maior desafio da Igreja Católica na Rússia, qual é?

Padre Fink: Nós temos que dar testemunho da dignidade divina de toda pessoa humana. Esta é a maior necessidade na Rússia. Temos muitos problemas: alcoolismo, consumo de drogas, crianças de rua. Toda pessoa tem uma dignidade divina. Essa dignidade pode ser nutrida de uma postura holística, que não implique só ação social, mas também alimento espiritual. A Igreja Católica tem a possibilidade de fazer isso. A Igreja Ortodoxa tem menos experiência na ação social, e nós, católicos, podemos ajudar. Mas temos que entender a mentalidade russa para dar a ajuda apropriada e, ao mesmo tempo, entender e amar a Igreja Ortodoxa. Temos que entender que nós somos hóspedes, e que a conversão e a renovação da fé só podem acontecer através e na Igreja Ortodoxa. Para ajudar a Igreja Ortodoxa, precisamos entender a Igreja.

Se o senhor tivesse que lançar um apelo aos católicos, o que pediria a eles?


Padre Fink: O meu pedido é que eles compreendam a Rússia. Eu noto, na Europa e no Ocidente, que existem muitas dúvidas. "Não é um sistema democrático", essas coisas. Isso não ajuda. A Rússia precisa ser um país forte para resolver os seus problemas e está no caminho. A Rússia precisa da ajuda moral de todos os fiéis e precisa que eles se alegrem com os seus progressos. Mas não precisamos só de compreensão, precisamos de orações. Em Fátima, quando Nossa Senhora pediu que todos os católicos rezassem pela conversão da Rússia, nós sabíamos que o comunismo estava acabado. Muitos acham agora que não é mais necessário continuar rezando pela Rússia. É sim, as orações e o apoio espiritual são mais necessários agora do que nunca, porque a Rússia, só agora, está começando a se converter. Ela ainda não está convertida.

domingo, 13 de março de 2011

O Pluvial ou Capa de Asperges

Asperges na forma extraordinária do Rito Romano,
o padre usa o pluvial durante a aspersão e
depois coloca a casula para celebrar a Missa.
Na forma ordinária do Rito Romano, a aspersão
com a água faz-se de casula, sem a utilização do pluvial.
Durante as Vésperas pode-se usar o pluvial da cor
litúrgica do tempo em questão.

DEFINIÇÃO


É um grande manto, fechado na frente com uma fivela. É usado em várias cores litúrgicas em muitos atos litúrgicos, exceto na missa, depois de colocar a estola sobre a alva ou a sobrepeliz. O pluvial (capa, Mantus) é um longo manto litúrgico que quase chega ao pé, aberto na frente e preso no peito com um broche. A parte traseira é decorada com o chamado "escudo", realizada no local por botões ou fitas (resquício de um grande capuz antigo).

USO

O padre usa principalmente para as bênçãos solenes que são feitas no altar , nas procissões,nos funerais, para as orações solenes da Sexta-Feira Santa, na Vigília Pascal, Solenes Vésperas e Laudes, assim como no fim das Matinas solenes.Pode ser usada por um padre assistente, nas primeiras missas de novos sacerdotes (se não concelebrantes) e para a celebração dos sacramentos fora da missa e na bênção com o Santíssimo Sacramento.

O CERIMONIAL DOS BISPOS

66. A veste própria do presbítero celebrante, na Missa e outras ações sagradas, diretamente ligadas à
Missa, é a casula, a qual se veste por cima da alva e da estola, a não ser que se indique outra coisa.
O sacerdote põe a estola ao pescoço, pendente diante do peito.
O pluvial, ou capa de asperges, é usado pelo sacerdote nas ações sagradas solenes fora da Missa, nas
procissões e outros atos sagrados, segundo as rubricas próprias de cada rito.
Os presbíteros que assistem a uma celebração sagrada em que não celebrem devem usar as vestes
corais, sendo prelados ou cônegos; se não, a sobrepeliz por cima do hábito talar.

OBS.: Por mais que queiramos praticar a Reforma de Bento XVI, não podemos desobedecer as regras e normas de cada forma do Rito Romano. Não podemos incluir peculiaridades de uma forma do mesmo rito em outra, salvo se a mesma não interferir na liturgia.

Coetus Sacerdotalis Summorum Pontificum


Durante o Encontro Sacerdotal sobre o Summorum Pontificum em Garanhuns-PE, foi criado um grupo sacerdotal que dá assistência aos fiéis católicos ligados à Missa Gregoriana, em comunhão plena com o Papa. Este grupo foi batizado com o nome de: Coetus Sacerdotalis Summorum Pontificum. Tal "coetus" entrou também na blogosfera, visando justamente dar o seu apoio a Reforma Litúrgica e o resgate da Beleza do Rito Romano em sua forma extraordinária.

Para conhecer este novo, mas nem tanto, blog acesse:
http://coetusacerdotalis.blogspot.com/

sábado, 12 de março de 2011

São Gregório Magno, Papa e Doutor, rogai por nós!

Gregório Magno, Papa e Doutor da Igreja, nasceu em Roma, em 540. O pai, Gordiano, era Senador e, como a mãe, Sílvia, pessoa muito religiosa. De mútuo acordo Gordiano e Sílvia se dedicaram ao serviço de Deus, ele abraçando o estado eclesiástico e ela, retirando-se à solidão, para servir unicamente a Deus. Gordiano recebeu o diaconato e prestou grandes serviços como Cardeal-diácono.


Gregório recebeu uma educação esmerada e distinguia-se entre os companheiros, pelo seu saber e pela virtude. Tendo 34 anos de idade, o Imperador Justino II nomeou-o pretor, primeiro ministro de Roma. Nesta elevada posição deu altas provas de amor à justiça, de humildade e piedade. Depois da morte do pai, renunciou o cargo e fundou sete conventos: seis na Sicília e um em Roma. O seu palácio no Monte Célio foi transformado em mosteiro beneditino. Em 575 tomou o hábito da mesma Ordem. Como religioso, foi modelo para todos, nas virtudes da vida monástica. Em certa ocasião viu Gregório escravos, que tinham vindo da Inglaterra. A triste sorte desses infelizes comoveu-o profundamente e, sabendo que a Inglaterra estava ainda mergulhada nas trevas do paganismo, pediu e obteve licença para dedicar-se à obra da missão na Inglaterra. Não chegara ao termo da viagem, quando uma ordem do Papa Pelágio II, o chamou para Roma, onde foi incorporado ao Colégio dos sete diáconos da Igreja. Pouco tempo depois, em missão extraordinária, foi mandado a Constantinopla, de onde voltou para atender a vontade dos companheiros de Ordem, que o tinham eleito abade. Deus, porém, tinha-lhe reservado dignidade maior, Pelágio II, morreu em 590. A voz unânime do povo e do clero, na eleição de um sucessor, indicou Gregório, eleição que foi confirmada pelo império. Se bem que tudo fizesse para fugir da grande responsabilidade de Supremo Pastor, Gregório, vendo a inutilidade dos seus esforços, afinal aceitou a nova dignidade, curvando-se perante a evidência da vontade divina.

O pontificado de Gregório traz o estigma da caridade. Caridoso para com todos, era amado como um pai. Católicos hereges e judeus, dirigiam-se-lhe cheios de confiança, certos de serem atendidos nas suas necessidades.

O nome de Gregório está intimamente ligado à reforma do cantochão, a música litúrgica da Igreja, que é conhecida também sob o nome de canto gregoriano.

Ao lado de uma caridade sem par, vemos no caráter deste grande Papa uma firmeza admirável, na defesa da fé e dos bons costumes cristãos. Assim se opôs energicamente às indevidas imposições do Patriarca de Constantinopla; conseguiu do imperador a revogação de um decreto, que excluía funcionários públicos do estado eclesiástico, e proibia aos soldados a entrada em uma Ordem religiosa.

Embora de atividade pouco comum, no meio dos negócios da Igreja, não perdia de vista a santificação de sua alma. – “Eu estou pronto – assim se exprimia numa carta – para ouvir todos aqueles, que me quiserem fazer a caridade de uma repreensão salutar; considero como amigos só aqueles que possuírem a generosidade de indicar-me os meios de purificar minha alma das manchas que tem”.

Amigo das ciências, procurou despertar, principalmente entre o clero, interesse pelo estudo das mesmas. Na ignorância reconhecida a fonte de muitas desordens.

A situação geral da Igreja não era lisonjeira, e requeria um papa da têmpera de Gregório. Quando tomou as rédeas do governo, a Igreja oriental estava dividida pelos erros de Nestório e Eutiques. Gregório reconduziu muitos hereges à Igreja-mãe. A Inglaterra estava nas trevas do paganismo; Gregório para lá mandou os primeiros missionários. Na Espanha o arianismo conseguia implantar-se na alma da nação, graças ao governo dos Visigodos; Gregório restabeleceu lá a fé católica em toda a pureza. A Igreja da África foi libertada do mal dos donatistas, e a França deve a Gregório magno a extirpação de um grande mal – da simonia. De uma atividade admirável, Gregório Magno achou tempo ainda para compor numerosos livros, cheios de sabedoria e santidade. Após um pontificado abençoado de 13 anos, Gregório morreu em 604, na idade de 64 anos. Com Santo Ambrósio, Santo Agostinho e São Jerônimo é um dos quatro doutores latinos.

O diácono Pedro, que possuía toda confiança de São Gregório, afirma ter visto muitas vezes o divino Espírito Santo, em forma de uma pomba branca, descer sobre o Santo Papa. É por este motivo que a arte cristã apresenta São Gregório Magno com uma pomba branca, pairando-lhe a cabeça.
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