sábado, 7 de maio de 2011

Pontifical em forma de Desenho

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Semana Santa na Administração S.João Maria Vianney

Domingo de Ramos






Missa Crismal




Retirado de: Salvem a Liturgia

" A Liturgia da Igreja vai além da própria 'reforma conciliar'", afirma Bento XVI


A liturgia da Igreja “vive de uma relação correta e consistente entre a sã traditio e a legítima progressio”, e, neste sentido, a reforma litúrgica realizada pelo Concílio Vaticano II não se contrapõe à tradição anterior.


Foi o que esclareceu o Papa Bento XVI, ao receber hoje em audiência os membros do Pontifício Instituto Litúrgico S. Anselmo, instituição criada por João XXIII há 50 anos como centro de estudos e pesquisa “para garantir uma sólida base para a reforma litúrgica conciliar”.

No seu discurso, o Papa referiu-se à reforma realizada pelo Concílio, recordando que "existe um vínculo estreito e orgânico entre a renovação da Liturgia e a renovação de toda a vida da Igreja”.

“A Liturgia da Igreja vai além da própria ‘reforma conciliar’, cujo objetivo, de fato, não era principalmente o de mudar os ritos e gestos, mas sim renovar as mentalidades e colocar no centro da vida cristã e da pastoral a celebração do mistério pascal de Cristo”.

“Infelizmente, talvez, também pelos pastores e especialistas, a liturgia foi tomada mais como um objeto a reformar que como um sujeito capaz de renovar a vida cristã”, reconheceu.

Neste sentido, admitiu que às vésperas do Concílio, “de fato, parecia cada vez mais viva, no campo da liturgia, a urgência de uma reforma, postulada também pelas petições realizadas por diversos episcopados”.

Por outro lado – acrescentou – “a forte demanda pastoral que motivava o movimento litúrgico requeria que se favorecesse e suscitasse uma participação ativa dos fiéis nas celebrações litúrgicas, através do uso de línguas nacionais, e que se aprofundasse na questão da adaptação dos ritos às diversas culturas, especialmente em terra de missão”.

Ademais, “mostrou-se clara desde o início a necessidade de um estudo mais aprofundado do fundamento teológico da Liturgia, para evitar cair no ritualismo ou promover o subjetivismo, o protagonismo do celebrante”.

Outra das necessidades foi “que a reforma estivesse bem justificada no âmbito da Revelação e em continuidade com a tradição da Igreja”.

Este é o motivo pelo qual João XXIII instituiu o Pontifício Instituto Litúrgico S. Anselmo – acrescentou. O Papa recordou o trabalho de “pioneiros” como Cipriano Vagaggini, Adrien Nocent, Salvatore Marsili e Burkhard Neunheuser.

Ambos termos, “tradição” e “legítimo progresso”, explicou, foram utilizados pelos Padres conciliares para estabelecer “seu programa de reforma, em equilíbrio com a grande tradição litúrgica do passado e do futuro”.

“Não raro, contrapõe-se, de maneira desajeitada, tradição e progresso. Na verdade, os dois conceitos estão integrados: tradição é uma realidade viva, que por isso inclui em si o princípio do desenvolvimento, do progresso”, afirmou o Papa.

Por último, o Papa quis sublinhar “duplo caráter teológico e eclesiológico da liturgia. A celebração realiza, ao mesmo tempo, uma epifania do Senhor e uma epifania da Igreja, duas dimensões que se conjugam em unidade na assembleia litúrgica”.

“Na ação litúrgica da Igreja, subsiste a presença ativa de Cristo: o que realizou em seu caminho entre os homens, Ele continua tornando operante através de sua ação pessoal sacramental, cujo centro é a Eucaristia.”

“A liturgia cristã é a liturgia da promessa realizada em Cristo, mas também é a liturgia da esperança, da peregrinação rumo à transformação do mundo, que acontecerá quando Deus for tudo em todos”, concluiu o Papa.

Retirado de: Zenit

Discurso na íntegra aqui.

União homoafetiva: A família é outra realidade

Nessa quinta-feira, 5, o Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil aprovou a união estável entre pessoas do mesmo sexo, chamada união homoafetiva.


Nesse contexto, Dom João Carlos Petrini, membro da Comissão da CNBB para a Vida e Família, reafirmou a posição da Igreja quanto ao significado da família. O bispo falou na tarde desta sexta-feira, em coletiva de imprensa na 49ª assembleia geral da CNBB, em Aparecida.

“A Igreja não vai fazer uma cruzada sobre esse assunto. Não faz parte do estilo da Igreja especialmente nos últimos séculos. Mas nós vamos aprofundar cada vez mais a sua proposta, que é aquela de permanecer fiel àquilo que é reconhecido como um desígnio de Deus sobre a pessoa e a família”, afirmou.

O bispo disse que a decisão do STF traz uma mudança radical para a humanidade e que as pessoas ainda não pararam para pensar sobre o teor do assunto.

Ele recorreu ao livro de Gênesis para falar de família e da união homoafetiva. “Está no início da Bíblia, no Livro do Gênesis, nos primeiros versículos a origem e a diferença nos sexos. Não é uma elaboração posterior da parte das culturas humanas.”

“Talvez não avaliamos a importância da mudança que está sendo introduzida estes dias, que não é um pormenor da vida. Trata-se de uma alteração na história que é multimilenar e não é exclusividade da Igreja e do cristianismo.”

Dom Petrini afirmou que a Igreja respeita a decisão dos órgãos do Governo brasileiro, mas ressaltou que a nomenclatura “família” para as uniões homoafetivas descaracteriza o verdadeiro significado de família.

“A família é outra realidade, tem outro fundamento, se move dentro de outro horizonte, e esperamos que seja mantida esta distinção; assim como seria estranho uma pessoa que usasse um jaleco branco fosse chamada de médico, mas não é médico enquanto não tiver certos atributos para poder exercitar a medicina, da mesma forma é estranho também chamar qualquer tipo de união de casamento só porque duas pessoas decidiram morar embaixo do mesmo teto”.

O bispo reafirmou que a posição da Igreja sobre o tema é muito aberta para quem quiser acolher ou rejeitar.

“Quem quiser poderá acolher ou rejeitar a posição da Igreja. Não vamos dar início a nenhuma cruzada, mas vamos procurar defender aquilo que desde Adão e Eva e até ontem foi sempre uma característica típica da vida em nossas sociedades”, disse.

(Com CNBB)

Fonte: Zenit

Dom Henrique Soares fala claro sobre a Reforma Litúrgica de Bento XVI


quinta-feira, 5 de maio de 2011

São Pio V, Papa, rogai por nós!


Pio V nasceu em 1504 em Bosco, Itália, de nobre família Ghislieri. No santo Batismo deram ao filho o nome de Miguel. Menino ainda, deu Miguel indício de vocação sacerdotal, distinguindo-se sempre por uma piedade pouco vulgar.


Seguindo a sua inclinação, entrou na Ordem de S. Domingos, na qual ocupou diversos cargos de Superior. Igualmente distinto em santidade como em ciência, foi Miguel nomeado inquisidor, cargo este que desempenhou com grande competência. Muitas cidades e regiões inteiras lhe devem terem ficado livres da peste de heresia.

Reconhecendo-lhe o valor e os grandes méritos, o Papa Pio IV conferiu-lhe a dignidade de Bispo e Cardeal da Igreja Católica. O conclave, reunido por ocasião da morte de Pio IV, elevou-o ao pontificado.

Como Papa, desenvolveu Pio V uma atividade admirável, para o bem da Igreja de Deus sobre a terra. Foi um pontificado dos mais abençoados. Exemplaríssimo na vida particular, ardente de zelo pela glória de Deus e a salvação das almas, possuía Pio V as qualidades necessárias de um grande reformador. É impossível resumir em poucas linhas o que este grande Papa fez, pela defesa da verdadeira fé, pela exterminação das heresias e pela reforma dos bons costumes na Igreja toda. Incansável mostrou-se em restabelecer a disciplina eclesiástica, em defender os direitos da Santa Sé, em remover escândalos, erros e heresias, em particular a causa dos oprimidos e necessitados. Cumpridor consciencioso do dever, não se fiava na palavra de outros, quando se tratava do governo de Igreja ou da disciplina. Ele mesmo, em pessoa se informava, queria ver, ouvir para depois formar opinião própria e resolver os casos em questão. De máximo rigor usava contra a imoralidade pública; prostitutas queria ele que fossem enterradas, não no cemitério, mas no esterquilínio. Deu leis severas contra o jogo e proibiu as touradas, como contrárias à piedade cristã. Em 1566 publicou o “Catecismo Romano”, obra importantíssima sobre a doutrina católica. Deve-lhe a Igreja também a organização oficial e definitiva do Breviário e do Missal.

Não só mandou embaixadores a todas as cortes cristãs européias, mas, por sua ordem, muitos homens percorreram a França, os Países Baixos, a Alemanha e a Inglaterra em defesa da fé católica, que seriamente periclitava, principalmente naqueles países.

Infelizmente sua campanha contra Isabel, rainha da Inglaterra, cuja destronização chegou a decretar sem podê-la tornar efetiva, causou muitos sofrimentos e perseguições aos católicas ingleses. A Companhia de Jesus, cuja fundação é contemporânea desse pontificado, achou em Pio V um grande protetor.

Ameaçava grande perigo à Igreja, como à Europa toda, da parte dos turcos, cujo imperador jurara exterminar a religião cristã. Pio V envidou todos os esforços, fez valer toda sua influência junto aos príncipes cristãos para conjurar essa desgraça iminente. Para obter de Deus que abençoasse as armas cristãs, ordenou que se fizessem, em toda a parte da cristandade, preces públicas, particularmente o terço, procissões, penitência. Paralelamente, em 1570, os otomanos, de notável poderio militar, apoderaram-se do Santo Sepulcro em Jerusalém e não permitiam a visita dos cristãos. O próprio Papa, em pessoa, tomou parte nesses exercícios extraordinários, impostos pela extrema necessidade. Organizou uma Cruzada, cujo comando entregou a Dom João da Áustria, que era irmão de Carlos V, Imperador do Sacro Império Romano. Aconteceu a Batalha Naval no Golfo de Lepanto. A armada turca, com poderio militar que ultrapassava o dobro dos navios dos cruzados, incidiu ferozmente para destruir os cristãos. Os chefes cruzados ajoelharam e suplicaram a intercessão de Nossa Senhora. Por intercessão de Maria Santíssima, foram inspirados pelo Espírito Santo a rezar o Terço como única forma de enfrentar e vencer o inimigo e assim o fizeram. O êxito foi glorioso. A vitória dos cristãos em Lepanto (1571) foi completa. As festas de Nossa Senhora da Vitória e do SS. Rosário perpetuam até hoje a memória daquele célebre fato. No momento em que a batalha se decidia a favor dos cristãos, teve o Papa, por revelação divina, conhecimento da vitória e imediatamente convidou as pessoas presentes a dar graças a Deus. Era seu plano organizar uma nova campanha contra os turcos, mas uma doença dolorosa não lho permitiu pô-la em execução. A doença era o prenúncio da morte, para a qual Pio se preparou com o maior cuidado. Quando as dores ( causadas por cálculos renais) chegavam ao auge, exclamava o doente: “Senhor ! aumentai a dor e dai-me paciência !”. Mandou que lhe lessem trechos da Sagrada Paixão e Morte de Nosso Senhor, e continuamente se confortava com a citação de versos bíblicos e jaculatórias, até que a morte lhe pôs termo à vida, tão rica em trabalhos, sofrimentos e glórias. Antes, porém, havia instituído, como agradecimento pela vitória em Lepanto, a festa de Nossa Senhora das Vitórias. (Dois anos mais tarde, o Papa Gregório XIII, seu sucessor, lembrando que a vitória de Lepanto foi mais uma vitória do Rosário, mudou o nome da festa para Nossa Senhora do Rosário.)

Pio V morreu em 15 de maio de 1572, tendo seu pontificado durado seis anos e três meses. Não há virtude que este grande Papa não tenha exercitado. Todos os dias celebrava ou ouvia a Santa Missa, com o maior recolhimento. Terníssima devoção tinha a Jesus Crucificado. Todas as orações fazia aos pés do Crucificado, os quais inúmeras vezes beijava.

Certa vez que ia beijá-los, conforme o costume, a imagem retirou-se, salvando-o assim de morte certa. Pessoa má tinha-os coberto de um pó levíssimo e venenoso. Numa quinta-feira Santa, quando realizava a cerimônia do “Mandatum”, entre os doze pobres havia um, cujos pés apresentavam uma úlcera asquerosa. Pio, reprimindo uma natural repugnância, beijou a ferida com muita ternura. Um fidalgo inglês, que viu este ato, ficou tão comovido, que, no mesmo dia, se converteu à Igreja Católica.

Pio era tão amigo da oração, que os turcos afirmaram ter mais medo da oração do Papa, do que dos exércitos de todos os príncipes unidos. À oração unia rigor contra si mesmo: a vida era-lhe de penitência contínua. ‘Três vezes somente por semana comia carne e ainda assim em quantidade diminutíssima.

Grande amor mostrava aos pobres e doentes. Entre os pobres, gozavam de preferência os neófitos. Pouco aproveitavam os parentes. Quando, em certa ocasião, alguém lhe lembrou de subvencionar mais os parentes, Pio respondeu: “Deus fez-me Papa para cuidar da Igreja e não de meus parentes”.

Seguindo o exemplo do divino Mestre, perdoava de boa vontade aos inimigos e ofensores. Nunca se lhe ouviu da boca uma palavra áspera.

Pio empregava bem o tempo. Era amigo do trabalho e todo o tempo que sobrava da oração, pertencia às ocupações do alto cargo. Alguém lhe aconselhara que poupasse mais a saúde, e tomasse mais descanso. Pio respondeu-lhe: “Deus deu-me este cargo, não para que vivesse segundo a minha comodidade, mas para que trabalhasse para o bem dos meus súditos. Quem é governador da Igreja, deve atender mais às exigências da consciência que às do corpo”.

Pio V foi canonizado por Clemente XI. O corpo descansa na Igreja de Santa Maria Maggiore.

Retirado de: Página Oriente

quarta-feira, 4 de maio de 2011

La grandezza di Giovanni Paolo II? La santità della sua vita


In un secolo, la storia rimane caratterizzata dagli “eventi”; in un decennio sono le persone e le loro azioni – anche le piccole azioni – che la determinano. Se questo è vero, mi sia consentito sintetizzare la storia della vita di Giovanni Paolo II – così come io la vedo – con un piccolo aneddoto.


In una delle sue visite in Polonia si accorse di un pezzo di pane per terra; si inginocchiò, lo baciò e lo mise sul prato perché lo mangiassero gli uccelli.

Solo una persona con i piedi ben piantati per terra e con lo sguardo rivolto al cielo può captare il piccolo miracolo della vita, in mezzo al trambusto quotidiano. Oggi si direbbe che è il gesto di un ecologista; un teologo preciserebbe che è un gesto di chi ama Dio attraverso la creazione. La chiave di ciò che la Chiesa chiama “santità” si radica, appunto, nel vivere in modo straordinario le cose ordinarie.

La stessa piazza San Pietro, che è stata testimone, il 13 maggio 1981, dell’attentato contro la vita del Papa polacco, per mano di un assassino professionista, ha costituito il 1° maggio scorso, trent’anni dopo, il quadro imponente della sua beatificazione. Cosa è avvenuto tra queste due date?

Molte cose sono successe nei 26 anni del Pontificato del 264° Papa della storia della Chiesa. Tra tutti i suoi predecessori, è stato quello che ha viaggiato di più (un centinaio di viaggi, toccando 145 Paesi e 150 destinazioni interne all’Italia), quello che ha pubblicato più documenti e che ha pronunciato più discorsi (si calcolano circa 180 milioni di parole), il primo che ha pubblicato libri di memorie o di pensieri, divenuti tutti dei bestseller.

E tuttavia, ai fini di ciò che è avvenuto il 1° maggio, non sono queste le cose più importanti. Poco dopo la sua elezione, mentre era diretto a un santuario della Vergine, con alcuni dei suoi collaboratori, chiese loro: “Qual è la cosa più importante per il Papa nella sua vita, nel suo lavoro?”. Loro gli risposero: “Forse l’unità dei cristiani, la pace in Medio Oriente, la distruzione della cortina di ferro..?”. Ma lui gli replicò sorridendo: “Per il Papa, la cosa più importante è la preghiera”.

Certamente Giovanni Paolo II merita l’appellativo di “grande”, per l’insieme del suo Pontificato. Ma la sua vera grandezza sta nella sua santità; non nella sua attività.

Ho letto da poco un’intervista ad Arturo Mari, il fotografo ufficiale del Papa. Tra le centinaia di migliaia di fotografie scattate nei viaggi, con ogni sorta di personalità e con moltitudini enormi, gli si chiede quale fosse la sua preferita. Mari risponde: “quella che gli ho fatto qualche giorno prima della sua morte, nella cappella privata, il venerdì santo del 2005. Era molto malato, ma ha voluto essere presente, in qualche modo, alla tradizionale Via Crucis al Colosseo”. Nella foto lo si vede abbracciato con forza a un grande crocifisso appoggiato sul suo viso. Una sintesi completa del suo Pontificato, incentrato nella preghiera e nella sofferenza, attraverso cui ha vissuto in grado eroico le virtù cristiane.

Non mi si fraintenda. Non voglio dire che Karol Wojtyla non avesse difetti. E neanche che il suo lungo Pontificato sia stato esente da errori. Chi conosce i processi canonici di canonizzazione sa bene che sono come guardare attraverso una potente lente d’ingrandimento: la pelle apparentemente tersa mostra tutte le piccole rughe e gli effetti del tempo. E gli esperti in storia della Chiesa sanno bene che sono necessari anni per valutare esaustivamente i Pontificati dei grandi Papi. Ciò che voglio dire è che, secondo le conclusioni del processo, egli ha combattuto tenacemente contro i propri difetti, ha aumentato le sue virtù lottando ed è riuscito a indirizzare verso Dio le azioni di un Pontificato pieno di realizzazioni.

La mia impressione è che si è compreso subito, con particolare chiarezza, che la Chiesa è tale più nelle sue basi che nella sua cupola e che le nazioni non sono i loro politici ma la loro gente. I suoi continui viaggi in tutto il mondo avevano come obiettivo quello di ribadire che la chiave sta nell’uomo e nella donna comuni.

Proclamando insistentemente che “i diritti dell’uomo sono anche diritti di Dio”, diceva qualcosa di più di una bella frase. La accompagnava con una concreta denuncia degli scandali del XX secolo: i genocidi e i crimini contro l’umanità; l’apartheid, la tortura e la fame; gli attacchi contro le libertà civili, i diritti politici o i diritti economico-sociali; le guerre e gli attacchi contro il diritto alla vita; l’autodeterminazione dei popoli o la discriminazione contro le minoranze. Forse proprio per questo incoraggiava sempre a lottare per “una società in cui nessuno sia così povero da non avere nulla da dare agli altri e nessuno sia così ricco da non poter ricevere nulla dagli altri”.

Su Giovanni Paolo II sono stati fatti numerosi studi sulla sua capacità di comunicazione. Certamente, nel mondo dell’immagine è stato un protagonista indiscutibile, probabilmente perché si trovava a suo agio quando comunicava. Non per un narcisismo di chi sa di “venire bene” in televisione, ma perché gioiva nel trasmettere la verità.

Forse l’analisi più veritiera l’ha fatta un giornalista del New York Times nel settembre del 1987. In quell’anno, il Papa era stato negli Stati Uniti e il giornalista si poneva la domanda sul successo che avrebbe riscosso Giovanni Paolo II nei media. Lo stesso giornalista si è risposto: “Il Papa domina la televisione semplicemente ignorandola”.

Questa risposta avrebbe fatto drizzare i capelli agli esperti di immagine. Ma era una buona diagnosi. Ignorava le telecamere perché guardava al di sopra dei riflettori. Non dipendeva da questi, ma dalle necessità dei suoi interlocutori.

Lo spagnolo Joaquin Navarro-Valls, che è stato il suo portavoce, diceva: “ha mostrato a un’intera generazione che il tema di Dio è inevitabile. Era convinto che non è possibile comprendere l’essere umano se si prescinde da Dio. Istintivamente comprendeva che, senza Dio, l’uomo è solo un triste animale ingegnoso”.

Gorbaciov lo ha chiamato “la prima autorità morale della Terra”. Questa autorità morale l’ha proiettata in molte direzioni. Forse l’azione più incisiva è stato il suo ruolo nel crollo dei regimi comunisti dell’Est europeo. Certamente la pressione di Reagan, con il suo “scudo spaziale” e la debolezza economica e politica del mondo sovietico, sono state decisive per il crollo finale. Tuttavia, quando Giovanni Paolo II ha iniziato a parlare del socialismo come di “una parentesi nella storia dell’Europa”, i popoli slavi hanno abbandonato la loro storica penombra, colpendo la coscienza dell’Occidente. Questo è stato l’inizio della fine. Quando hanno vinto la paura, è iniziata l’opposizione sistematica e i muri si sono incrinati fino a crollare. Da Budapest a Berlino, da Praga a Sofia e Bucarest, l’ondata iniziata a Varsavia da Giovanni Paolo II ha sradicato il totalitarismo da milioni di cuori.

Forse la cosa più sorprendente di Giovanni Paolo II è stata la sua eccezionale capacità di mobilitare i più giovani. Le maggiori concentrazioni di persone che si siano mai viste in Oriente e Occidente hanno avuto lui come protagonista: tre milioni a Roma (agosto 2000), più di quattro milioni a Manila (gennaio 1995). Il motivo? La sua miscela di carisma ed esigenza morale. Egli non ha mai nascosto le esigenze della vita cristiana. Debole e fragile, vedendo già vicina l’ora della sua morte, saputo che una moltitudine di giovani si era riunita a piazza San Pietro per stare vicino al “Papa amico”, Giovanni Paolo II ha sussurrato le sue ultime parole: “Vi ho cercato, adesso voi siete venuti da me e per questo vi ringrazio”. Il 1° maggio sono tornati. La piazza del Vaticano era una festa di giovani.

Gli esperti dei processi di canonizzazione solitamente condensano in tre voci la chiave della santità di una persona: vox populi, la fama di santità tra la gente; vox Ecclesiae, il riconoscimento da parte della Chiesa delle sue virtù; vox Dei, un fatto straordinario, senza spiegazione scientifica, avvenuto grazie alla sua intercessione, ovvero, un miracolo. Queste tre “voci” sono risuonate con speciale vigore in quella piazza millenaria di San Pietro. Il “santo subito”, coniato spontaneamente nel pomeriggio dell’8 aprile 2005, è stato declinato con tonalità inedite in quel mattino romano dello scorso 1° maggio.

[Questo articolo è stato pubblicato anche dal quotidiano spagnolo El Mundo, del 2 maggio scorso]

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*Rafael Navarro-Valls è docente della Facoltà di diritto dell’Università Complutense di Madrid e segretario generale della Real Academia de Jurisprudencia y Legislación spagnola.

Dal: Zenit.it

Nomeações para o episcopado brasileiro realizadas pelo Papa

D. Dimas Lara, novo arcebispo de
Campo Grande
A Santa Sé informou nesta quarta-feira que Bento XVI nomeou o secretário-geral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), Dom Dimas Lara Barbosa, como novo arcebispo da arquidiocese de Campo Grande (Mato Grosso do Sul). Dom Dimas, que é atual auxiliar do Rio de Janeiro, sucede Dom Vitório Pavanello, 75, que teve seu pedido de renúncia aceito por razão de idade.


Em saudação enviada ao povo de Campo Grande, Dom Dimas se apresenta como um “irmão entre irmãos”, segundo informa a CNBB.

“Venho até vocês como um irmão entre irmãos, com o firme propósito de dar o melhor de mim mesmo, para que todos possamos crescer no conhecimento e na vivência da Palavra de Deus e da Fé da Igreja”, afirma.

O Papa fez ainda outras nomeações para o episcopado brasileiro. Nomeou o assessor da Comissão Episcopal para a Doutrina da Fé da CNBB, padre Wilson Angotti Filho, como bispo auxiliar da arquidiocese de Belo Horizonte (Minas Gerais).

“Desde o momento em que, nos primeiros dias de abril, recebi a notícia de que o Santo Padre Bento XVI me nomeava como bispo auxiliar de Belo Horizonte, sinto-me muito unido a essa Igreja, situada no coração das Minas Gerais; o meu coração já começou a bater em sintonia com o de vocês, partilhando alegrias, preocupações, assim como as esperanças que os animam”, disse padre Wilson, em mensagem enviada ao povo da arquidiocese de Belo Horizonte.

Com a nomeação do padre Wilson, Belo Horizonte passa a ter três bispos auxiliares.

Bento XVI nomeou ainda o padre Julio Endi Akamine – atual Provincial da Sociedade do Apostolado Católico (SAC), em São Paulo, ou Palotinos como a Sociedade é conhecida – como bispo auxiliar de São Paulo. Padre Júlio será o sexto bispo auxiliar da arquidiocese de São Paulo.

“Agradeço ao Papa Bento XVI por ter acolhido o pedido de nomear mais um bispo auxiliar para São Paulo e convido toda a Arquidiocese a agradecer comigo a Deus pela nomeação de Pe. Júlio”, disse em nota o arcebispo de São Paulo, cardeal Odilo Scherer.

Dom Dimas

O novo arcebispo de Campo Grande é mineiro de Boa Esperança. Nascido em 1º de abril de 1956, foi ordenado padre no dia 3 de dezembro de 1988. Nomeado bispo auxiliar do Rio de Janeiro, recebeu a ordenação episcopal no dia 6 de setembro de 2003. Quatro anos depois, em maio de 2007, foi eleito secretário geral da CNBB.

Antes de entrar para o seminário, Dom Dimas cursou Engenharia Eletrônica no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos (SP). Estudou filosofia no Instituto de Filosofia São Bento, em São Paulo, e teologia no Instituto de Teologia Sagrado Coração de Jesus, em Taubaté (SP). Na Universidade Gregoriana de Roma, fez doutorado em Teologia Sistemática.

Padre Wilson

Paulista de Tumiritinga, padre Wilson nasceu no dia 5 de abril de 1958. Fez seus estudos de filosofia e teologia, respectivamente, no Seminário Diocesano de São Carlos e na Faculdade Pontifícia Nossa Senhora da Assunção, em São Paulo. Em Roma, na Universidade Gregoriana, fez mestrado em teologia dogmática.

Ordenado padre em 1982, exerceu inúmeras atividades na diocese de Jaboticabal, à qual pertence. Foi vigário paroquial, coordenador diocesano da Pastoral Vocacional, professor, assessor diocesano da Catequese, coordenador diocesano de Pastoral, pároco.

Desde 2007, padre Wilson é assessor da Comissão Episcopal Pastoral para a Doutrina da Fé, da CNBB, e membro do Instituto Nacional de Pastoral (INP) e do Conselho Editorial das Edições CNBB.

Padre Júlio

Nascido em Garça (SP), no dia 30 de novembro de 1962, padre Júlio fez seus estudos de filosofia na Universidade Católica do Paraná, em Curitiba, e teologia no Studium Theologicum, também na capital paranaense. Ordenado padre no dia 4 de julho de 1988, padre Júlio fez mestrado e doutorado em Teologia Sistemática na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma.

Padre Júlio foi vigário paroquial e, depois, pároco da paróquia Santo Antônio em Cambé; reitor do Seminário Maior Palotino, em Curitiba; assessor da Organização dos Seminários e Institutos Filosofófico-teológicos do Brasil (OSIB) no Regional Sul 2 da CNBB (Paraná), secretariado geral da SAC para a Formação; consultor local da Comunidade da Casa Geral, em Roma; diretor Espiritual do Seminário Maior Palotino, em Curitiba; reitor da Província São Paulo Apóstolo; professor de teologia no Studium Theologicum.

(Com CNBB)
 De: Zenit

Catequese de Bento XVI - "Escola de Oração"


Queridos irmãos e irmãs,


hoje, gostaria de iniciar uma nova série de Catequeses. Após as Catequeses sobre os Padres da Igreja, sobre os grandes teólogos da Idade Média, sobre as grandes mulheres, gostaria agora de escolher um tema que está muito presente no coração de todos nós: é o tema da oração, de modo específico daquela cristã, a oração, isto é, que Jesus nos ensinou e que continua a ensinar à Igreja. É em Jesus, de fato, que o homem torna-se capaz de aproximar-se de Deus com a profundidade e intimidade da relação de paternidade e de filiação. Unidos aos primeiros discípulos, com humilde confiança dirijamo-nos então ao mestre e Lhe peçamos: "Senhor, ensina-nos a rezar" (Lc 11,1).

Nas próximas Catequeses, escutando a Sagrada Escritura, a grande tradição dos padres da Igreja, dos Mestres de espiritualidade, da Liturgia, desejamos aprender a viver ainda mais intensamente a nossa relação com o Senhor, quase como que uma "Escola de oração". Sabemos bem, de fato, que a oração não é um dado adquirido: é preciso aprender a rezar, quase adquirindo sempre novamente esta arte; também aqueles que são muito avançados na vida espiritual sentem sempre a necessidade de inscrever-se na escola de Jesus para aprender a rezar com autenticidade. Recebemos a primeira lição do Senhor através do Seu exemplo. Os Evangelhos descrevem-nos Jesus em diálogo íntimo e constante com o Pai: é uma comunhão profunda daquele que veio ao mundo não para fazer a sua vontade, mas aquela do Pai, que o enviou para a salvação do homem.

Nesta primeira Catequese, como introdução, gostaria de propor alguns exemplos de oração presentes nas antigas culturas, para fazer notar como, praticamente sempre e por toda a parte, somos voltados a Deus.

Começo com o antigo Egito, como exemplo. Aqui um homem cego, pedindo à divindade para restituir-lhe a vista, atesta algo de universalmente humano, qual seja a pura e simples oração de súplica da parte de quem se encontra em sofrimento, quando reza: "O meu coração deseja ver-te... Tu, que me tendes feito ver as trevas, cria a luz para mim. Que eu te veja! Inclina sobre mim o teu rosto amado" (A. Barucq – F. Daumas, Hymnes et prières de l’Egypte ancienne, Paris 1980, trad. it. in Preghiere dell’umanità, Brescia 1993, p. 30). Que eu te veja. Aqui está o núcleo da oração!

Entre as religiões da Mesopotâmia dominava um sentimento de culpa misterioso e paralisante, não privado, contudo, da esperança de resgate e libertação da parte de Deus. Podemos assim apreciar esta súplica da parte de um crente daqueles antigos cultos, que soa assim: "Ó Deus, que és indulgente também na culpa mais grave, absolve o meu pecado... Olha, Senhor, ao teu servo exausto, e sopra a tua brisa sobre ele: sem demora, perdoai-lhe. Alivia a tua punição severa. Solto das amarras, faz com que eu volte a respirar; quebra a minha corrente, desata-me dos laços" (M.-J. Seux, Hymnes et prières aux Dieux de Babylone et d’Assyrie, Paris 1976, trad. it. in Preghiere dell’umanità, op. cit., p. 37). São expressões que demonstram como o homem, na sua busca por Deus, já intuía, ainda que confusamente, por um lado a sua culpa, e por outro os aspectos da misericórdia e da bondade divina.

No interior da religião pagã da Grécia antiga, assiste-se a uma evolução muito significativa: as orações, ainda que continuando a invocar o auxílio divino para obter o favor celeste em todas as circunstâncias da vida cotidiana e para conseguir alguns benefícios materiais, orientam-se progressivamente na direção de solicitações mais desinteressadas, que consentem ao homem crente aprofundar o seu relacionamento com Deus e tornar-se melhor. Por exemplo, o grande filósofo Platão reporta uma oração do seu mestre, Sócrates, tido justamente como um dos fundadores do pensamento ocidental. Assim rezava Sócrates: "Fazei com que eu seja belo por dentro. Que eu considere rico quem é sábio e que de dinheiro possua somente o quanto possa levar e conduzir à sabedoria. Não peço nada mais" (Opere I. Fedro 279c, trad. it. P. Pucci, Bari 1966). Desajaria ser, sobretudo, belo por dentro e sábio, e não rico de dinheiro.

Naquelas excelsas obras-primas da literatura de todos os tempos que são as tragédias gregas, após vinte e cinco séculos, lidas, meditadas e representadas, estão contidas orações que expressam o desejo de conhecer a Deus e de adorar a sua majestade. Uma dessas recita assim: "Sustento da terra, que sobre a terra tendes tua Sede, seja quem tu fores, difícil de se compreender, Zeus, seja tu lei da natureza ou pensamento dos mortais, a ti me dirijo: já que tu, procedendo por caminhos silenciosos, julgas os acontecimentos humanos segundo a justiça" (Euripide, Troiane, 884-886, trad. it. G. Mancini, in Preghiere dell’umanità, op. cit., p. 54). Deus permanece um pouco nebuloso e, todavia, o homem conhece esse Deus desconhecido e reza àquele que guia os caminhos da terra.

Também entre os Romanos, que constituíram aquele grande Império em que nasceu e se difundiu em grande parte o Cristianismo das origens, a oração, ainda que associada a uma concepção utilitarista e fundamentalmente ligada ao pedido da proteção divina sobre a vida da comunidade civil, abre-se por vezes a invocações admiráveis pelo fervor da piedade pessoal, que se transforma em louvor e agradecimento. Disso é testemunha um autor da África romana do século II depois de Cristo, Apuleio. Nos seus escritos, ele manifesta a insatisfação dos contemporâneos em relação às religiões tradicionais e o desejo de uma relação mais autêntica com Deus. Na sua obra-prima, intitulada Le metamorfosi, um crente dirige-se a uma divindade feminina com estas palavras: 'Tu sim és santa, tu és em todo o tempo salvadora da espécie humana, tu, na tua generosidade, provê sempre auxílio aos mortais, tu ofereces aos miseráveis em trabalho o doce afeto que pode ter uma mãe. Nem o dia, nem a noite, nem momento algum, por breve que seja, passa sem que tu o preenchas com os teus benefícios" (Apuleio di Madaura, Metamorfosi IX, 25, trad. it. C. Annaratone, in Preghiere dell’umanità, op. cit., p. 79).

No mesmo período, o imperador Marco Aurelio – que era também filósofo pensador sobre a condição humana – afirma a necessidade de rezar para estabelecer uma cooperação frutuosa entre a ação divina e a ação humana. Escreve no seu Ricordi: "Quem te disse que os deuses não nos ajudam também naquilo que depende de nós? Começa portanto a rezar a eles, e verás" (Dictionnaire de Spiritualitè XII/2, col. 2213). Esse conselho do imperador filósofo foi efetivamente colocado em prática por inumeráveis gerações de homens antes de Cristo, demonstrando assim que a vida humana sem a oração, que abre a nossa existência ao mistério de Deus, fica privada de sentido e referência. Em cada oração, de fato, expressa-se sempre a verdade da criatura humana, que, por um lado experimenta a debilidade e indigência, e por isso pede o auxílio dos Céus, e por outro é dotada de uma extraordinária dignidade, porque, preparando-se para acolher a Revelação divina, descobre-se capaz de entrar em comunhão com Deus.

Queridos amigos, nesses exemplos de orações de diversas épocas e civilizações, emerge a consciência que o ser humano tem de sua condição de criatura e da sua dependência de um Outro a ele superior e fonte de todo o bem. O homem de todos os tempos reza porque não pode prescindir de perguntar-se sobre qual seja o sentido da sua existência, que permanece obscuro e desconfortante se não é colocado em relações com o mistério de Deus e do seu projeto sobre o mundo. A vida humana é uma mistura de bem e mal, de sofrimento imerecido e de alegria e beleza, que espontânea e irresistivelmente nos impelem a pedir a Deus aquela luz e aquela força interior que nos socorrem sobre a terra e abrem uma esperança que vai para além dos confins da morte. As religiões pagãs são uma invocação que da terra espera uma palavra do Céu. Um dos últimos grandes filósofos pagãos, que viveu já em plena época cristã, Proclo de Constantinopola, dá voz a essa expectativa, dizendo: "Incognoscível, ninguém te contém. Tudo aquilo que pensamos te pertence. São de ti os nossos males e os nossos bens, de ti depende toda a nossa vontade, ó inefável, que as nossas almas sentem presente, a ti elevando um hino de silêncio" (Hymni, ed. E. Vogt, Wiesbaden 1957, in Preghiere dell’umanità, op. cit., p. 61).

Nos exemplos de oração das várias culturas, que consideramos, podemos ver um testemunho da dimensão religiosa e do desejo de Deus inscrito no coração de cada homem, que recebem cumprimento e plena expressão no Antigo e no Novo Testamento. A Revelação, de fato, purifica e leva à sua plenitude o desejo ardente originário do homem por Deus, oferecendo-lhe, na oração, a possibilidade de uma relação mais profunda com o Pai celeste.

No início deste nosso caminho na "Escola da oração", desejamos então pedir ao Senhor que ilumine a nossa mente e o nosso coração, para que o relacionamento com Ele na oração seja sempre mais intenso, afetuoso e constante. Mais uma vez dizemo-Lhe: “Senhor, ensina-nos a rezar" (Lc 11,1).

terça-feira, 3 de maio de 2011

Encerrado o corpo do beato João Paulo II na capela de S. Sebastião

A procissão encabeçada pelo Arcipreste da Basílica, Cardeal Angelo Comastri, seguiu da Sacristia e deteve-se frente à Confissão de São Pedro [túmulo onde estão os restos mortais do Apóstolo] para um momento de oração, com a Ladainha dos Santos Pontífices, e dirigiu-se para a Capela de São Sebastião, onde já estava o caixão de João Paulo II sob o altar, mas ainda à vista.


Ao final da Ladainha, após a tripla invocação em canto de Beate Ioanne Paule, foi recitada a oração própria do novo Beato e feita a incensação. Então, os operários da Fábrica colocaram a grande lápide de mármore branco – com as palavras Beatus Ioannes Paulus PP. II – e fecharam o vão sob o altar, onde está depositado o caixão. Muitos dos presentes fizeram mais uma vez o ato de devoção de beijar a lápide, enquanto a assembleia expressou alegre comoção.

A breve cerimônia terminou em torno das 19h45. Estiveram presentes os Cardeais Angelo Sodano, Decano do Sagrado Colégio; Tarcisio Bertone, Secretário de Estado; Angelo Amato, Giovanni Coppa, Giovanni Lajolo, Giovanni Battista Re, Leonardo Sandri, e os Cardeais Franciszek Macharski e Stanisław Dziwisz, sucessores do Cardeal Wojtyła na Sé de Cracóvia. Da mesma forma, estiveram presentes os Arcebispos Fernando Filoni, Dominique Mamberti e Mieczysław Mokrzycki, ex-vice-secretário pessoal de João Paulo II. Também assistiu a cerimônia o postulador, monsenhor Sławomir Oder, e entre as religiosas estava naturalmente presente a Irmã Tobiana Sobódka e algumas outras irmãs do apartamento pontifício.

Desde as 7h (horário de Roma) desta terça-feira, os fiéis que entram na Basílica podem venerar o Beato na colocação definitiva, junto à Capela de São Sebastião.

Oração própria do Beato João Paulo II
(segundo a Liturgia das Horas)

Ó Deus, rico de misericórdia, que escolhestes o Beato João Paulo II para governar a Vossa Igreja como Papa, concedei-nos que, instruídos pelos seus ensinamentos, possamos abrir confiadamente os nossos corações à graça salvífica de Cristo, único Redentor do homem. Ele que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. Amém.

domingo, 1 de maio de 2011

Beato Karol Wojtyla






Homilia de Bento XVI na Beatificação de João Paulo II


Amados irmãos e irmãs,


passaram já seis anos desde o dia em que nos encontrávamos nesta Praça para celebrar o funeral do Papa João Paulo II. Então, se a tristeza pela sua perda era profunda, maior ainda se revelava a sensação de que uma graça imensa envolvia Roma e o mundo inteiro: graça esta, que era como que o fruto da vida inteira do meu amado Predecessor, especialmente do seu testemunho no sofrimento. Já naquele dia sentíamos pairar o perfume da sua santidade, tendo o Povo de Deus manifestado de muitas maneiras a sua veneração por ele. Por isso, quis que a sua Causa de Beatificação pudesse, no devido respeito pelas normas da Igreja, prosseguir com discreta celeridade. E o dia esperado chegou! Chegou depressa, porque assim aprouve ao Senhor: João Paulo II é Beato!

Desejo dirigir a minha cordial saudação a todos vós que, nesta circunstância feliz, vos reunistes, tão numerosos, aqui em Roma vindos de todos os cantos do mundo: cardeais, patriarcas das Igrejas Católicas Orientais, irmãos no episcopado e no sacerdócio, delegações oficiais, embaixadores e autoridades, pessoas consagradas e fiéis leigos; esta minha saudação estende-se também a quantos estão unidos conosco através do rádio e da televisão.

Estamos no segundo domingo de Páscoa, que o Beato João Paulo II quis intitular Domingo da Divina Misericórdia. Por isso, se escolhi esta data para a presente celebração, foi porque o meu Predecessor, por um desígnio providencial, entregou o seu espírito a Deus justamente ao anoitecer da vigília de tal ocorrência. Além disso, hoje tem início o mês de Maio, o mês de Maria; e neste dia celebra-se também a memória de São José operário. Todos estes elementos concorrem para enriquecer a nossa oração; servem-nos de ajuda, a nós que ainda peregrinamos no tempo e no espaço; no Céu, a festa entre os Anjos e os Santos é muito diferente! E todavia Deus é um só, e um só é Cristo Senhor que, como uma ponte, une a terra e o Céu, e neste momento sentimo-lo muito perto, sentimo-nos quase participantes da liturgia celeste.

"Felizes os que acreditam sem terem visto" (Jo 20, 29). No Evangelho de hoje, Jesus pronuncia esta bem-aventurança: a bem-aventurança da fé. Ela chama de modo particular a nossa atenção, porque estamos reunidos justamente para celebrar uma Beatificação e, mais ainda, porque o Beato hoje proclamado é um Papa, um Sucessor de Pedro, chamado a confirmar os irmãos na fé. João Paulo II é Beato pela sua forte e generosa fé apostólica. E isto traz imediatamente à memória outra bem-aventurança: "Feliz de ti, Simão, filho de Jonas, porque não foram a carne e o sangue que to revelaram, mas sim meu Pai que está nos Céus" (Mt 16, 17). O que é que o Pai celeste revelou a Simão? Que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus vivo. Por esta fé, Simão se torna "Pedro", rocha sobre a qual Jesus pode edificar a sua Igreja. A bem-aventurança eterna de João Paulo II, que a Igreja tem a alegria de proclamar hoje, está inteiramente contida nestas palavras de Cristo: "Feliz de ti, Simão" e "felizes os que acreditam sem terem visto". É a bem-aventurança da fé, cujo dom também João Paulo II recebeu de Deus Pai para a edificação da Igreja de Cristo.

Entretanto perpassa pelo nosso pensamento mais uma bem-aventurança que, no Evangelho, precede todas as outras. É a bem-aventurança da Virgem Maria, a Mãe do Redentor. A Ela, que acabava de conceber Jesus no seu ventre, diz Santa Isabel: "Bem-aventurada aquela que acreditou no cumprimento de tudo quanto lhe foi dito da parte do Senhor" (Lc 1, 45). A bem-aventurança da fé tem o seu modelo em Maria, pelo que a todos nos enche de alegria o fato de a beatificação de João Paulo II ter lugar no primeiro dia deste mês mariano, sob o olhar materno d’Aquela que, com a sua fé, sustentou a fé dos Apóstolos e não cessa de sustentar a fé dos seus sucessores, especialmente de quantos são chamados a sentar-se na cátedra de Pedro. Nas narrações da ressurreição de Cristo, Maria não aparece, mas a sua presença pressente-se em toda a parte: é a Mãe, a quem Jesus confiou cada um dos discípulos e toda a comunidade. De forma particular, notamos que a presença real e materna de Maria aparece assinalada por São João e São Lucas nos contextos que precedem tanto o Evangelho como a primeira Leitura de hoje: na narração da morte de Jesus, onde Maria aparece aos pés da Cruz (Jo 19, 25); e, no começo dos Atos dos Apóstolos, que a apresentam no meio dos discípulos reunidos em oração no Cenáculo (Act 1, 14).

Também a segunda Leitura de hoje nos fala da fé, e é justamente São Pedro que escreve, cheio de entusiasmo espiritual, indicando aos recém-batizados as razões da sua esperança e da sua alegria. Apraz-me observar que nesta passagem, situada na parte inicial da sua Primeira Carta, Pedro exprime-se não no modo exortativo, mas indicativo. De fato, escreve: «Isto vos enche de alegria»; e acrescenta: «Vós amais Jesus Cristo sem O terdes conhecido, e, como n’Ele acreditais sem O verdes ainda, estais cheios de alegria indescritível e plena de glória, por irdes alcançar o fim da vossa fé: a salvação das vossas almas» (1 Ped 1, 6.8-9). Está tudo no indicativo, porque existe uma nova realidade, gerada pela ressurreição de Cristo, uma realidade que nos é acessível pela fé. "Esta é uma obra admirável – diz o Salmo (118, 23) – que o Senhor realizou aos nossos olhos", os olhos da fé.

Queridos irmãos e irmãs, hoje diante dos nossos olhos brilha, na plena luz de Cristo ressuscitado, a amada e venerada figura de João Paulo II. Hoje, o seu nome junta-se à série dos Santos e Beatos que ele mesmo proclamou durante os seus quase 27 anos de pontificado, lembrando com vigor a vocação universal à medida alta da vida cristã, à santidade, como afirma a Constituição conciliar Lumem gentium sobre a Igreja. Os membros do Povo de Deus – bispos, sacerdotes, diáconos, fiéis leigos, religiosos e religiosas – todos nós estamos a caminho da Pátria celeste, tendo-nos precedido a Virgem Maria, associada de modo singular e perfeito ao mistério de Cristo e da Igreja. Karol Wojtyła, primeiro como Bispo Auxiliar e depois como Arcebispo de Cracóvia, participou no Concílio Vaticano II e bem sabia que dedicar a Maria o último capítulo da Constituição sobre a Igreja significava colocar a Mãe do Redentor como imagem e modelo de santidade para todo o cristão e para a Igreja inteira. Foi esta visão teológica que o Beato João Paulo II descobriu na sua juventude, tendo-a depois conservado e aprofundado durante toda a vida; uma visão, que se resume no ícone bíblico de Cristo crucificado com Maria ao pé da Cruz. Um ícone que se encontra no Evangelho de João (19, 25-27) e está sintetizado nas armas episcopais e, depois, papais de Karol Wojtyła: uma cruz de ouro, um "M" na parte inferior direita e o lema "Totus tuus", que corresponde à conhecida frase de São Luís Maria Grignion de Monfort, na qual Karol Wojtyła encontrou um princípio fundamental para a sua vida: "Totus tuus ego sum et omnia mea tua sunt. Accipio Te in mea omnia. Praebe mihi cor tuum, Maria – Sou todo vosso e tudo o que possuo é vosso. Tomo-vos como toda a minha riqueza. Dai-me o vosso coração, ó Maria" (Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, n. 266).

No seu Testamento, o novo Beato deixou escrito: "Quando, no dia 16 de Outubro de 1978, o conclave dos cardeais escolheu João Paulo II, o Card. Stefan Wyszyński, Primaz da Polónia, disse-me: 'A missão do novo Papa será a de introduzir a Igreja no Terceiro Milênio'". E acrescenta: "Desejo mais uma vez agradecer ao Espírito Santo pelo grande dom do Concílio Vaticano II, do qual me sinto devedor, juntamente com toda a Igreja e sobretudo o episcopado. Estou convencido de que será concedido ainda por muito tempo, às sucessivas gerações, haurir das riquezas que este Concílio do século XX nos prodigalizou. Como Bispo que participou no evento conciliar, desde o primeiro ao último dia, desejo confiar este grande patrimônio a todos aqueles que são, e serão, chamados a realizá-lo. Pela minha parte, agradeço ao Pastor eterno que me permitiu servir esta grandíssima causa ao longo de todos os anos do meu pontificado". E qual é esta causa? É a mesma que João Paulo II enunciou na sua primeira Missa solene, na Praça de São Pedro, com estas palavras memoráveis: "Não tenhais medo! Abri, melhor, escancarai as portas a Cristo!". Aquilo que o Papa recém-eleito pedia a todos, começou, ele mesmo, a fazê-lo: abriu a Cristo a sociedade, a cultura, os sistemas políticos e econômicos, invertendo, com a força de um gigante – força que lhe vinha de Deus –, uma tendência que parecia irreversível. Com o seu testemunho de fé, de amor e de coragem apostólica, acompanhado por uma grande sensibilidade humana, este filho exemplar da Nação Polaca ajudou os cristãos de todo o mundo a não ter medo de se dizerem cristãos, de pertencerem à Igreja, de falarem do Evangelho. Numa palavra, ajudou-nos a não ter medo da verdade, porque a verdade é garantia de liberdade. Sintetizando ainda mais: deu-nos novamente a força de crer em Cristo, porque Cristo é o Redentor do homem – Redemptor hominis: foi este o tema da sua primeira Encíclica e o fio condutor de todas as outras.

Karol Wojtyła subiu ao sólio de Pedro trazendo consigo a sua reflexão profunda sobre a confrontação entre o marxismo e o cristianismo, centrada no homem. A sua mensagem foi esta: o homem é o caminho da Igreja, e Cristo é o caminho do homem. Com esta mensagem, que é a grande herança do Concílio Vaticano II e do seu "timoneiro" – o Servo de Deus Papa Paulo VI –, João Paulo II foi o guia do Povo de Deus ao cruzar o limiar do Terceiro Milênio, que ele pôde, justamente graças a Cristo, chamar "limiar da esperança". Na verdade, através do longo caminho de preparação para o Grande Jubileu, ele conferiu ao cristianismo uma renovada orientação para o futuro, o futuro de Deus, que é transcendente relativamente à história, mas incide na história. Aquela carga de esperança que de certo modo fora cedida ao marxismo e à ideologia do progresso, João Paulo II legitimamente reivindicou-a para o cristianismo, restituindo-lhe a fisionomia autêntica da esperança, que se deve viver na história com um espírito de "advento", numa existência pessoal e comunitária orientada para Cristo, plenitude do homem e realização das suas expectativas de justiça e de paz.

Por fim, quero agradecer a Deus também a experiência de colaboração pessoal que me concedeu ter longamente com o Beato Papa João Paulo II. Se antes já tinha tido possibilidades de o conhecer e estimar, desde 1982, quando me chamou a Roma como Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, pude durante 23 anos permanecer junto dele crescendo sempre mais a minha veneração pela sua pessoa. O meu serviço foi sustentado pela sua profundidade espiritual, pela riqueza das suas intuições. Sempre me impressionou e edificou o exemplo da sua oração: entranhava-se no encontro com Deus, inclusive no meio das mais variadas incumbências do seu ministério. E, depois, impressionou-me o seu testemunho no sofrimento: pouco a pouco o Senhor foi-o despojando de tudo, mas permaneceu sempre uma "rocha", como Cristo o quis. A sua humildade profunda, enraizada na união íntima com Cristo, permitiu-lhe continuar a guiar a Igreja e a dar ao mundo uma mensagem ainda mais eloquente, justamente no período em que as forças físicas definhavam. Assim, realizou de maneira extraordinária a vocação de todo o sacerdote e bispo: tornar-se um só com aquele Jesus que diariamente recebe e oferece na Eucaristia.

Feliz és tu, amado Papa João Paulo II, porque acreditaste! Continua do Céu – nós te pedimos – a sustentar a fé do Povo de Deus. Amém.

Beato João Paulo II

sábado, 30 de abril de 2011

Homilia de João Paulo II na Festa da Divina Misericórdia, em 2001.


HOMILIA DO SANTO PADRE JOÃO PAULO II
NA CELEBRAÇÃO DA MISSA NO
"DOMINGO DA DIVINA MISERICÓRDIA"


Domingo, 22 de abril de 2001

"Não temas! Eu sou o Primeiro e o Último. O que vive; conheci a morte, mas eis-Me aqui vivo pelos séculos dos séculos" (Ap 1, 17-18).

Ouvimos na segunda leitura, tirada do livro do Apocalipse, estas palavras confortadoras. Elas convidam-nos a dirigir o olhar para Cristo, para experimentar a sua presença tranquilizadora. A cada um, seja qual for a condição em que se encontre, até a mais complexa e dramática, o Ressuscitado responde: "Não temas!"; morri na cruz, mas agora "vivo pelos séculos dos séculos"; "Eu sou o Primeiro e o Último. O que vive".

"O Primeiro", isto é, a fonte de cada ser e a primícia da nova criação: "O Último", o fim definitivo da história; "O que vive", a fonte inexaurível da Vida que derrotou a morte para sempre. No Messias crucificado e ressuscitado reconhecemos os traços do Anjo imolado no Gólgota, que implora o perdão para os seus algozes e abre para os pecadores penitentes as portas do céu; entrevemos o rosto do Rei imortal que já tem "as chaves da Morte e do Inferno" (Ap 1, 18).

2. "Louvai o Senhor porque Ele é bom, porque é eterno o Seu amor" (Sl 117, 1). Façamos nossa a exclamação do Salmista, que cantamos no Salmo responsorial: porque é eterno o amor do Senhor! Para compreendermos profundamente a verdade destas palavras, deixemo-nos conduzir pela liturgia ao centro do acontecimento da salvação, que une a morte e a ressurreição de Cristo à nossa existência e à história do mundo. Este prodígio de misericórdia mudou radicalmente o destino da humanidade. É um prodígio em que se abre em plenitude o amor do Pai que, pela nossa redenção, não se poupa nem sequer perante o sacrifício do seu Filho unigénito.

Em Cristo humilhado e sofredor, crentes e não-crentes podem admirar uma solidariedade surpreendente, que o une à nossa condição humana para além de qualquer medida imaginável. Também depois da ressurreição do Filho de Deus, a Cruz "fala e não cessa de falar de Deus Pai, que é absolutamente fiel ao seu eterno amor para com o homem... Crer neste amor significa acreditar na misericórdia" (Dives in misericordia, 7).

Desejamos dar graças ao Senhor pelo seu amor, que é mais forte do que a morte e do que o pecado. Ele revela-se e torna-se actuante como misericórdia na nossa existência quotidiana e convida todos os homens a serem, por sua vez, "misericordiosos" como o Crucificado. Não é porventura amar a Deus e amar o próximo e até os "inimigos", seguindo o exemplo de Jesus, o programa de vida de cada baptizado e de toda a Igreja?

3. Com estes sentimentos, celebramos o segundo Domingo de Páscoa, que desde o ano passado, ano do Grande Jubileu, também é chamado "Domingo da Divina Misericórdia". É para mim uma grande alegria poder unir-me a todos vós, queridos peregrinos e devotos provenientes de várias nações para comemorar, à distância de um ano, a canonização da Irmã Faustina Kowalska, testemunha e mensageira do amor misericordioso do Senhor. A elevação às honras dos altares desta humilde Religiosa, filha da minha Terra, não significa um dom só para a Polónia, mas para a humanidade inteira. De facto, a mensagem da qual ela foi portadora constitui a resposta adequada e incisiva que Deus quis oferecer às interrogações e às expectativas dos homens deste nosso tempo, marcado por grandes tragédias. Jesus, um dia disse à Irmã Faustina: "A humanidade não encontrará paz, enquanto não tiver confiança na misericórdia divina" (Diário, pág. 132). A Misericórdia divina! Eis o dom pascal que a Igreja recebe de Cristo ressuscitado e oferece à humanidade no alvorecer do terceiro milénio.

4. O Evangelho, que há pouco foi proclamado, ajuda-nos a compreender plenamente o sentido e o valor deste dom. O evangelista João faz-nos partilhar a emoção sentida pelos Apóstolos no encontro com Cristo depois da sua ressurreição. A nossa atenção detém-se no gesto do Mestre, que transmite aos discípulos receosos e admirados a missão de serem ministros da Misericórdia divina. Ele mostra as mãos e o lado com os sinais da paixão e comunica-lhes: "Assim como o Pai Me enviou, também Eu vos envio a vós" (Jo 20, 21). Imediatamente a seguir, "soprou sobre eles e disse-lhes: recebei o Espírito Santo; àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoardos, àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos" (Jo 20, 22-23). Jesus confia-lhes o dom de "perdoar os pecados", dom que brota das feridas das suas mãos, dos seus pés e sobretudo do seu lado trespassado. Dali sai uma vaga de misericórdia para toda a humanidade.

Revivemos este momento com grande intensidade espiritual. Também hoje o Senhor nos mostra as suas chagas gloriosas e o seu coração, fonte ininterrupta de luz e de verdade, de amor e de perdão.

5. O Coração de Cristo! O seu "Sagrado Coração" deu tudo aos homens: a redenção, a salvação, a santificação. Deste Coração superabundante de ternura Santa Faustina Kowalska viu sair dois raios de luz que iluminavam o mundo. "Os dois raios segundo quanto o próprio Jesus lhe disse representam o sangue e a água" (Diário, pág. 132). O sangue recorda o sacrifício do Gólgota e o mistério da Eucaristia; a água, segundo o rico simbolismo do evangelista João, faz pensar no baptismo e no dom do Espírito Santo (cf. Jo 3, 5; 4, 14).

Através do mistério deste coração ferido, não cessa de se difundir também sobre os homens e as mulheres da nossa época o fluxo reparador do amor misericordioso de Deus. Quem aspira à felicidade autêntica e duradoura, unicamente nele pode encontrar o seu segredo.

6. "Jesus, confio em Ti". Esta oração, querida a tantos devotos, exprime muito bem a atitude com que também nós desejamos abandonar-nos confiantes nas tuas mãos, ó Senhor, nosso único Salvador.

Arde em Ti o desejo de seres amado, e quem se sintoniza com os sentimentos do teu coração aprende a ser construtor da nova civilização do amor. Um simples acto de abandono é o que basta para superar as barreiras da escuridão e da tristeza, da dúvida e do desespero. Os raios da tua divina misericórdia dão nova esperança, de maneira especial, a quem se sente esmagado pelo peso do pecado.

Maria, Mãe da Misericórdia, faz com que conservemos sempre viva esta confiança no teu Filho, nosso Redentor. Ajuda-nos também tu, Santa Faustina, que hoje recordamos com particular afecto. Juntamente contigo queremos repetir, fixando o nosso olhar frágil no rosto do divino Salvador: "Jesus, confio em Ti". Hoje e sempre. Amen.

Retirado de: Vatican.va

Festa da Divina Misericórdia


A Misericórdia divina! Eis o dom pascal que a Igreja recebe de Cristo ressuscitado e oferece à humanidade no alvorecer do terceiro milênio.



( João Paulo II)
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