quarta-feira, 25 de maio de 2011
domingo, 22 de maio de 2011
Card. Darío Castrillón : os sacerdotes podem decidir, sem permissão nem por parte da Santa Sé nem por parte do bispo, se celebrar a Missa no rito antigo.
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Caio Vinícius
"Carta apostólica do Papa Bento XVI Summorum Pontificum sobre o uso da liturgia romana anterior à reforma realizada em 1970 está a fazer regressar à plena comunhão com Roma também alguns não-católicos. Os pedidos nesse sentido estão chegando depois de o papa ter renovado a possibilidade de celebram acordo com o antigo rito."
"A carta, sob a forma de Motu proprio, não se refere à actual Forma normal - a Forma ordinária - da Liturgia Eucarística, que é Missal Romano publicado por Paulo VI e, em seguida, reeditado por duas vezes pelo Papa João Paulo II, mas refere-se ao uso da forma extraordinária, que é a do Missale Romanum prévia ao Concílio, publicada em 1962 com a autoridade do Papa João XXIII. Este não é um caso de dois ritos diferentes, mas de um duplo uso único rito Romano. É a forma de celebração - explica o cardeal colombiano - "que foi usada por mais de 1400 anos. Este rito, o que poderíamos chamar gregoriano, tem inspirado as missas de Palestrina, Mozart, Bach e Beethoven, grandes catedrais e maravilhosas obras de pintura e escultura. "
Cardeal Darío"Graças ao Motu proprio não poucos têm solicitado o retorno à plena comunhão e alguns já retornaram - o presidente da Ecclesia Dei acrescenta -. Na Espanha, o" Oásis de Jesus Sacerdote ", um inteiro mosteiro enclausurado com trinta irmãs guiadas por seu fundador, já foi reconhecido e regularizado pela Comissão Pontifícia; então há casos de grupos americanos, da Alemanha e de França que estão no caminho da regularização. Finalmente, há sacerdotes em particular e leigos que nos contactam, escrevem para nós e nos pedem uma reconciliação e, por outro lado, existem outros tantos fiéis que expressam a sua gratidão para com o papa e sua alegria pelo Motu proprio ".
Cardeal Castrillón: Por ocasião do Baptismo do Senhor, por exemplo, Bento XVI celebrou na Capela Sistina com o rosto para o crucifixo. O Santo Padre celebra em italiano, de acordo com a forma ordinária, o que não exclui, contudo, a possibilidade de celebrar voltado para o altar e não versus populum, e que também prevê a celebração em latim.
Lembremo-nos que a forma ordinária é a Missa que normalmente todos os padres dizem, de acordo com a reforma pós-conciliar, enquanto que a forma extraordinária é a missa anterior à reforma litúrgica, que, de acordo com o Motu proprio hoje toda a gente pode comemorar, e que nunca foi proibida.
Cardeal Darío: Um ou dois têm dificuldades, mas essas são apenas algumas excepções, porque a maioria concorda com o Papa. Em vez disso, encontramos algumas dificuldades práticas . É preciso que fique claro: isto não é um regresso ao passado, mas um passo em frente, porque dessa maneira você tem dois tesouros, e não apenas um.
Este tesouro, portanto, está sendo oferecido, respeitando os direitos daqueles que são sobretudo aqueles ligados à liturgia antiga. Aí então pode seguir alguns problemas a serem resolvidos com o senso comum. Por exemplo, pode acontecer que um sacerdote não tem a preparação adequada e sensibilidade cultural. Pensam só nos sacerdotes que vêm de áreas onde a língua é muito diferente do latim. Mas isso ainda não significa uma rejeição: é a apresentação de uma dificuldade real, que está a ser superada.
A nossa própria Pontifícia Comissão está pensando em organizar uma forma de ajuda aos seminários, às dioceses e às conferências episcopais.
Outra possibilidade a ser estudada é o de promover a vinda de recursos multimédia para conhecer e aprender a forma extraordinária com toda a riqueza teológica. Espiritual, e artística ligada à antiga liturgia. Além disso, parece importante também para envolver grupos de sacerdotes que já utilizam a forma extraordinária, que se ofereçam eles mesmos para celebrar e para demonstrar e ensinar a celebração de acordo com o missal de 1962.
Recentes palavras do Cardeal Castrillón Hoyos, Presidente Emérito da Pontifícia Comissão "Ecclesia Dei".
"os fiéis que desejam celebrar segundo o rito antigo não devem ser considerados como de segunda classe, mas uma parte do povo de Deus ao qual se reconheceu o direito de assistir à Missa que nutriu durante séculos o Povo cristão, e a sensibilidade de muitos santos, como São Felipe Neri, São João Bosco, Santa Teresa de Lisieux, Beato João XXIII, e São Pio de Pietralcina; e é possível assinalar que o antigo rito exprime melhor o sentido do sacrifício Cristo, que se renova em cada santa Missa. Bento XVI tem deu realização a um dos objectivos do Concílio Vaticano II, que " obedecendo fielmente à tradição, declara que a Santa Mãe Igreja considera iguais em direito e em dignidade todos os ritos legitimamente reconhecido" (Sacrosantum Concilium). Acrescenta que "o mesmo Pontífice quis que os futuros sacerdotes, já desde o tempo do seminário, sejam preparados para compreender e celebrar a Missa em latim, assim como para utilizar textos latinos, e siguir o Canto gregoriano" (Exortação Apostólica Sacramentum Caritatis)
Cardeal Darío: É, antes, uma disputa que surgiu a partir duma falta de conhecimento. Alguns pedem permissão por exemplo, como se fosse uma concessão ou um caso excepcional, mas não há necessidade: o Papa foi claro. É um erro de algumas pessoas e alguns jornalistas acreditar que o uso da língua latina pertence apenas ao antigo rito, que, ao contrário, está também previsto no missal de Paulo VI.
Através do Motu proprio "Summorum Pontificum", o Papa oferece a todos os sacerdotes a possibilidade de celebrar missa na forma tradicional, e aos fiéis de exercer o direito de ter este rito quando as condições especificadas no Motu proprio estão preenchidas.
Cardeal Darío : Os Lefebvrianos, à partida, mantiveram que a velha forma que nunca tinha sido abolida. É claro que nunca tenha sido revogada, embora antes do Motu proprio, muitos já considera proibido.
Mas agora, ela pode ser oferecida a todos os fiéis que a desejam que, dependendo das possibilidades. Mas também é evidente que se não houver um padre adequadamente preparado, não pode ser oferecido porque não é só sobre a língua latina, mas também de conhecer o antigo uso como tal.
Temos de compreender algumas diferenças: o maior lugar para o silêncio para os fiéis, que incentiva a contemplação do mistério e oração pessoal.
Encontrando novamente espaços de silêncio hoje é para a nossa cultura não só uma necessidade religiosa.
Lembro-me de ter participado como um bispo em um encontro de alto nível de gestão empresarial , em que se falou da necessidade de o gerente ter disponível uma sala meio escura, onde se senta para pensar antes de decidir.
Cardeal Darío:O papa oferece à Igreja um tesouro que é espiritual, cultural, religioso e católico. Temos recebido cartas de aprovação de prelados também das igrejas ortodoxas, anglicanos e protestantes . Finalmente, existem alguns padres da Fraternidade de São Pio X, que, isoladamente, estão a tentar regularizar sua situação. Alguns deles já assinou a fórmula de aderência. Nós somos informados que existem fieis tradicionalistas , apegados à Fraternidade, que tenham começado a frequentar as missas no rito mais velhos oferecidos nas igrejas das dioceses ".
Cardeal Darío : A excomunhão diz respeito apenas a quatro Bispos, porque foram ordenados sem o mandato do Papa e contra a sua vontade, enquanto os sacerdotes estão apenas suspensos.A Missa que ele celebram é sem sombra de dúvida válida, mas não lícita e, por conseguinte, a participação não é recomendada, a não ser em um domingo que não haja outras possibilidades.
Certamente nem os padres, nem os fiéis estão excomungados. Permitam-me reiterar, neste aspecto, a importância de uma compreensão clara das coisas para poder julgar correctamente.De facto, os bispos da Fraternidade de São Pio X, liderados por Monsenhor Bernard Fellay, reconheceram expressamente o Vaticano II como um Concílio Ecuménico e monsenhor Fellay reafirmou isso em uma reunião com o Papa João Paulo II, e de forma mais explícita na audiência de 29 de agosto de 2005 com Bento XVI.
Também não se pode esquecer que Monsenhor Marcel Lefebvre assinou todos os documentos do Concílio.
Acho que suas críticas sobre o Concílio diz respeito à clareza de certos textos, na ausência da qual o caminho está aberto para interpretações que não estão em conformidade com a doutrina tradicional.
Cardeal Darío : Sim, sem dúvida, porque é justamente na liturgia que todo o sentido da catolicidade é expresso e ela [a liturgia] é uma fonte de unidade. Eu realmente gosto do Novus Ordo que eu celebro diariamente. Eu não tinha mais celebrado de acordo com o missal de 1962, após a reforma litúrgica pós-conciliar.
Hoje ao resumir, por vezes, o rito extraordinário, eu próprio tenho redescoberto a riqueza da velha liturgia que o Papa quer manter viva, preservando o antiga forma de tradição Romana. Nunca devemos esquecer que o último ponto de referência na liturgia, como na vida, é sempre Cristo. Temos, portanto, sem medo, também no rito litúrgico, voltar-nos para Ele, em direcção ao crucifixo, juntamente com os fiéis, para celebrar o santo sacrifício, de um modo incruento, como o Concílio de Trento, definiu a Missa.
Fonte: Missa Gregoriana em Portugal
sábado, 21 de maio de 2011
O Brasil se prepara à Beatificação do Anjo Bom da Bahia
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Caio Vinícius
No próximo domingo, 5º da Páscoa, a Igreja no Brasil terá a grande alegria de ver subir às honras dos altares, como Beata ou Bem-Aventurada, aquela que já em vida foi cognominada o “anjo bom da Bahia” – a Irmã Dulce –, amiga e companheira dos pobres e desvalidos. Seu itinerário de santidade, no qual a Igreja reconhece as suas virtudes heróicas, é um caminho marcado humana e naturalmente por incompreensões de tantos, mas que, sobrenaturalmente, foi capaz de tocar os corações endurecidos, para que na meiguice de quem pedia não se deixasse faltar o essencial aos mais pobres, ensinando a todos a partilhar, mesmo o pouco que tinham.A data coincide com a Memória de Santa Rita que, como cai no domingo, neste ano não é celebrada, mas nos mostra também outra mulher forte que em outra época e situação viveu a fé e é sinal até hoje da providência de Deus em sua vida.
Em nossa mudança cultural, a mídia utilizou o termo “beata” de uma maneira imprópria e, em nosso linguajar comum, acabamos acolhendo esse tipo de interpretação que, inclusive, está em nossos dicionários. Cabe a nós restaurarmos o verdadeiro uso da palavra e valorizá-la. Muitos vocábulos importantes já foram deturpados em nossa língua. Que a Beata Irmã Dulce interceda por nós para que consigamos anunciar o Evangelho e levar as pessoas a fazer da nossa cultura uma cultura de valores humanos e cristãos que ajudem a transformar esta situação de violência, corrupção, medo, destruição e divisão que ora ocorre.
A constituição pastoral Lumen gentium do Concílio Ecumênico Vaticano II recorda, em seu quinto capítulo, a vocação universal à santidade, ou seja, ser santo é o caminho que todo aquele que renasce pela água do batismo deve percorrer. O Beato João Paulo II, quando em sua visita ao Brasil, disse que o Brasil precisava de Santos. Eles existem, não é a Igreja que os “fabrica”, mas apenas constata com um processo minucioso a vida e as virtudes daqueles e daquelas que o povo já tem em conta de “santos”. E vai muito mais além, para a beatificação e canonização supõe também um milagre por intercessão e da invocação do nome de quem pedimos a Deus. Milagre esse comprovado por médicos e cientistas, demonstrando que não tem outra explicação que não seja uma intervenção especial. Quando professamos a nossa fé, pronunciamos que acreditamos na Igreja Santa, ou seja, a santidade é uma nota teológica na Igreja, mesmo sabendo que, embora santa, ela possui em seu seio membros pecadores que são continuamente chamados à conversão.
Temos uma beata muito perto de nós, uma brasileira como nós, que escolhendo radicalmente a Cristo, percebeu, no quotidiano de sua missão, a singular presença que Ele manifestava naqueles que não tinham nome, nem muitas vezes propriamente um rosto para a sociedade. Acredito que em nossas comunidades existam muitas outras pessoas, homens e mulheres, jovens e adultos, crianças e idosos, leigos e consagrados, que viveram uma vida heróica e poderiam ser colocados como exemplos de vida para todos nós.
O Beato João Paulo II nos recordou que “santo é aquele que faz de modo extraordinário, as coisas ordinárias”; nesse contexto, sem dúvida, pode ser inserida a vida daquela que dentro em breve, por sua santidade, não será simplesmente o anjo bom da Bahia, mas o anjo bom do Brasil.
Ir. Dulce fez, de modo extraordinário, aquilo que cada cristão deve fazer ordinariamente, ou seja, no cotidiano, no dia a dia: exercer a caridade, fazer-se oferta pelo outro, ver no outro a presença do Cristo Ressuscitado, sobretudo daqueles que mais sofrem e que estão à margem, dando-lhes a certeza de que possuem sua dignidade e que Deus lhes manifestará com predileção o seu amor, pois vem em socorro dos que são pobres e oprimidos.
Tirar o pobre da sua mais profunda miséria dos bens materiais, daquele mais básico, da fome, foi aquilo que fez o “anjo bom do Brasil”, sem que tivesse, entretanto, bens matérias, nunca deixou de acreditar na Providência Divina, que jamais lhe faltou, pois nela confiava, e quando a ela rogava tudo lhe chegava, mesmo o pouco, pois mesmo isso, diante de Deus é muito, nunca acumulando, mas partilhando e fazendo multiplicar para salvar a fome de tantos.
A razão principal de sua ação foi justamente o seu encontro com Jesus, o Cristo Senhor Ressuscitado, que deu sentido a toda a sua vida e trabalho. O segredo de uma vida doada aos irmãos tem sempre como centro o Cristo. Aberta à ação do Espírito Santo, a nossa querida Ir. Dulce deixou-se conduzir pelos caminhos da fraternidade e, mesmo em dificuldades econômicas extremas, demonstrou a providência de Deus atuando e agindo. Neste tempo de tantos questionamentos sobre os valores cristãos, a sua vida é uma demonstração daquilo que um cristão, com a graça de Deus, consegue amenizar da pobreza e da dor humana. A Igreja, através de seus santos e santos, dá uma resposta ao mundo de como a vida de santidade e a busca de Deus, seguindo a Cristo e vivendo a Sua Palavra, não só transforma os corações, mas faz da pessoa um sinal de paz e de vida para os seus irmãos e irmãs. E tudo isso é dom, é graça do Senhor.
Preocupar-se com os que estão à margem e comprometer-se com a necessidade de mudança, em um país como o nosso, com tantas dádivas de Deus, não poderíamos ter pessoas que passam fome se houvesse uma justiça mais distributiva, que nasce da capacidade de por em comum os bens que a todos pertencem. Se uma pobre como a Irmã Dulce pôde fazer tantas coisas para tantos, como não poderia ser diferente o nosso país se todos tivessem a mesma disponibilidade de pensar no seu irmão com responsabilidade, e assim multiplicar os dons que Deus nos concede.
Cuidar do pobre e do faminto, como fazia a Irmã Dulce, não é um convivente para que nesse estado de miséria esses se mantenham, é conduzi-los à sua dignidade de Filhos de Deus, dando-lhes a certeza de que os bens desse mundo são transitórios, efêmeros, e que não é da vontade Dele que homens e mulheres morram de fome, não tenham onde morar.
Sabemos que a ação social para as pessoas necessitadas precisa resolver com urgência a fome, e por isso parece como se fosse apenas assistencialista, mas sabemos que esse primeiro passo leva à formação e questiona a transformação social, econômica e política. A consciência dos cristãos leva-os a se comprometerem com o “mundo novo”, onde reine a presença de Deus que conduz à paz e à vida em plenitude. Os que questionam a assistência aos pobres também não aceitam quando reclamamos das injustiças e da necessária mudança social. Os Santos e Santas fazem tudo isso com uma vida de simplicidade e virtudes, sendo sinal de contradição para o seu tempo.
A Igreja do Rio de Janeiro se une à Igreja Mãe de São Salvador da Bahia na ação de graças pela beatificação da mulher que cuidou dos mais pobres. Cumprimento Excelentíssimo Senhor Arcebispo, Dom Murilo Sebastião Ramos Krieger, SCJ, e o Legado Pontifício, Sua Eminência Geraldo Majela, Cardeal da Santa Igreja Romana, Agnelo, pela alegria eclesial que proporcionam ao povo da Bahia e do Brasil pela santidade da fidelidade e do serviço da religiosa elevada às glórias dos altares.
Que interceda por nós o “anjo bom do Brasil”, a bem-aventurada Irmã Dulce, para que todos, desde os mais simples até os mais importantes, que em verdade deveriam estar à testa para servir, sejam capazes de aprender a partilhar, a fazer de modo extraordinário, o ordinário de repartir o pão com os necessitados.
Beata Irmã Dulce, interceda por nós!
Fonte: RV
Em nossa mudança cultural, a mídia utilizou o termo “beata” de uma maneira imprópria e, em nosso linguajar comum, acabamos acolhendo esse tipo de interpretação que, inclusive, está em nossos dicionários. Cabe a nós restaurarmos o verdadeiro uso da palavra e valorizá-la. Muitos vocábulos importantes já foram deturpados em nossa língua. Que a Beata Irmã Dulce interceda por nós para que consigamos anunciar o Evangelho e levar as pessoas a fazer da nossa cultura uma cultura de valores humanos e cristãos que ajudem a transformar esta situação de violência, corrupção, medo, destruição e divisão que ora ocorre.
A constituição pastoral Lumen gentium do Concílio Ecumênico Vaticano II recorda, em seu quinto capítulo, a vocação universal à santidade, ou seja, ser santo é o caminho que todo aquele que renasce pela água do batismo deve percorrer. O Beato João Paulo II, quando em sua visita ao Brasil, disse que o Brasil precisava de Santos. Eles existem, não é a Igreja que os “fabrica”, mas apenas constata com um processo minucioso a vida e as virtudes daqueles e daquelas que o povo já tem em conta de “santos”. E vai muito mais além, para a beatificação e canonização supõe também um milagre por intercessão e da invocação do nome de quem pedimos a Deus. Milagre esse comprovado por médicos e cientistas, demonstrando que não tem outra explicação que não seja uma intervenção especial. Quando professamos a nossa fé, pronunciamos que acreditamos na Igreja Santa, ou seja, a santidade é uma nota teológica na Igreja, mesmo sabendo que, embora santa, ela possui em seu seio membros pecadores que são continuamente chamados à conversão.
Temos uma beata muito perto de nós, uma brasileira como nós, que escolhendo radicalmente a Cristo, percebeu, no quotidiano de sua missão, a singular presença que Ele manifestava naqueles que não tinham nome, nem muitas vezes propriamente um rosto para a sociedade. Acredito que em nossas comunidades existam muitas outras pessoas, homens e mulheres, jovens e adultos, crianças e idosos, leigos e consagrados, que viveram uma vida heróica e poderiam ser colocados como exemplos de vida para todos nós.
O Beato João Paulo II nos recordou que “santo é aquele que faz de modo extraordinário, as coisas ordinárias”; nesse contexto, sem dúvida, pode ser inserida a vida daquela que dentro em breve, por sua santidade, não será simplesmente o anjo bom da Bahia, mas o anjo bom do Brasil.
Ir. Dulce fez, de modo extraordinário, aquilo que cada cristão deve fazer ordinariamente, ou seja, no cotidiano, no dia a dia: exercer a caridade, fazer-se oferta pelo outro, ver no outro a presença do Cristo Ressuscitado, sobretudo daqueles que mais sofrem e que estão à margem, dando-lhes a certeza de que possuem sua dignidade e que Deus lhes manifestará com predileção o seu amor, pois vem em socorro dos que são pobres e oprimidos.
Tirar o pobre da sua mais profunda miséria dos bens materiais, daquele mais básico, da fome, foi aquilo que fez o “anjo bom do Brasil”, sem que tivesse, entretanto, bens matérias, nunca deixou de acreditar na Providência Divina, que jamais lhe faltou, pois nela confiava, e quando a ela rogava tudo lhe chegava, mesmo o pouco, pois mesmo isso, diante de Deus é muito, nunca acumulando, mas partilhando e fazendo multiplicar para salvar a fome de tantos.
A razão principal de sua ação foi justamente o seu encontro com Jesus, o Cristo Senhor Ressuscitado, que deu sentido a toda a sua vida e trabalho. O segredo de uma vida doada aos irmãos tem sempre como centro o Cristo. Aberta à ação do Espírito Santo, a nossa querida Ir. Dulce deixou-se conduzir pelos caminhos da fraternidade e, mesmo em dificuldades econômicas extremas, demonstrou a providência de Deus atuando e agindo. Neste tempo de tantos questionamentos sobre os valores cristãos, a sua vida é uma demonstração daquilo que um cristão, com a graça de Deus, consegue amenizar da pobreza e da dor humana. A Igreja, através de seus santos e santos, dá uma resposta ao mundo de como a vida de santidade e a busca de Deus, seguindo a Cristo e vivendo a Sua Palavra, não só transforma os corações, mas faz da pessoa um sinal de paz e de vida para os seus irmãos e irmãs. E tudo isso é dom, é graça do Senhor.
Preocupar-se com os que estão à margem e comprometer-se com a necessidade de mudança, em um país como o nosso, com tantas dádivas de Deus, não poderíamos ter pessoas que passam fome se houvesse uma justiça mais distributiva, que nasce da capacidade de por em comum os bens que a todos pertencem. Se uma pobre como a Irmã Dulce pôde fazer tantas coisas para tantos, como não poderia ser diferente o nosso país se todos tivessem a mesma disponibilidade de pensar no seu irmão com responsabilidade, e assim multiplicar os dons que Deus nos concede.
Cuidar do pobre e do faminto, como fazia a Irmã Dulce, não é um convivente para que nesse estado de miséria esses se mantenham, é conduzi-los à sua dignidade de Filhos de Deus, dando-lhes a certeza de que os bens desse mundo são transitórios, efêmeros, e que não é da vontade Dele que homens e mulheres morram de fome, não tenham onde morar.
Sabemos que a ação social para as pessoas necessitadas precisa resolver com urgência a fome, e por isso parece como se fosse apenas assistencialista, mas sabemos que esse primeiro passo leva à formação e questiona a transformação social, econômica e política. A consciência dos cristãos leva-os a se comprometerem com o “mundo novo”, onde reine a presença de Deus que conduz à paz e à vida em plenitude. Os que questionam a assistência aos pobres também não aceitam quando reclamamos das injustiças e da necessária mudança social. Os Santos e Santas fazem tudo isso com uma vida de simplicidade e virtudes, sendo sinal de contradição para o seu tempo.
A Igreja do Rio de Janeiro se une à Igreja Mãe de São Salvador da Bahia na ação de graças pela beatificação da mulher que cuidou dos mais pobres. Cumprimento Excelentíssimo Senhor Arcebispo, Dom Murilo Sebastião Ramos Krieger, SCJ, e o Legado Pontifício, Sua Eminência Geraldo Majela, Cardeal da Santa Igreja Romana, Agnelo, pela alegria eclesial que proporcionam ao povo da Bahia e do Brasil pela santidade da fidelidade e do serviço da religiosa elevada às glórias dos altares.
Que interceda por nós o “anjo bom do Brasil”, a bem-aventurada Irmã Dulce, para que todos, desde os mais simples até os mais importantes, que em verdade deveriam estar à testa para servir, sejam capazes de aprender a partilhar, a fazer de modo extraordinário, o ordinário de repartir o pão com os necessitados.
Beata Irmã Dulce, interceda por nós!
† Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ
Fonte: RV
sexta-feira, 20 de maio de 2011
A Constituição "conforme" o STF
Postado por
Caio Vinícius
A Constituição "conforme" o STF
À luz da denominada "interpretação conforme", estão conformando a Constituição Federal à sua imagem e semelhança, e não àquela que o povo desenhou por meio de seus representantes.
Participei, a convite dos constituintes, de audiências públicas e mantive permanentes contatos com muitos deles, inclusive com o relator, senador Bernardo Cabral, e com o presidente, deputado Ulysses Guimarães.Lembro-me que a ideia inicial, alterada na undécima hora, era a de adoção do regime parlamentar. Por tal razão, apesar de o decreto-lei ser execrado pela Constituinte, a medida provisória, copiada do regime parlamentar italiano, foi adotada.
Por outro lado, a fim de não permitir que o Judiciário se transformasse em legislador positivo, foi determinado que, na ação de inconstitucionalidade por omissão (art. 103, parágrafo 2º), uma vez declarada a omissão do Congresso, o STF comunicasse ao Parlamento o descumprimento de sua função constitucional, sem, entretanto, fixar prazo para produzir a norma e sem sanção se não a produzisse.
Negou-se, assim, ao Poder Judiciário, a competência para legislar.
Nesse aspecto, para fortalecer mais o Legislativo, deu-lhe o constituinte o poder de sustar qualquer decisão do Judiciário ou do Executivo que ferisse sua competência.
No que diz respeito à família, capaz de gerar prole, discutiu-se se seria ou não necessário incluir o seu conceito no texto supremo -entidade constituída pela união de um homem e de uma mulher e seus descendentes (art. 226, parágrafos 1º, 2º, 3º, 4º e 5º)-, e os próprios constituintes, nos debates, inclusive o relator, entenderam que era relevante fazê-lo, para evitar qualquer outra interpretação, como a de que o conceito pudesse abranger a união homossexual.
Aos pares de mesmo sexo não se excluiu nenhum direito, mas, decididamente, sua união não era -para os constituintes- uma família.
Aliás, idêntica questão foi colocada à Corte Constitucional da França, em 27/1/2011, que houve por bem declarar que cabe ao Legislativo, se desejar mudar a legislação, fazê-lo, mas nunca ao Judiciário legislar sobre uniões homossexuais, pois a relação entre um homem e uma mulher, capaz de gerar filhos, é diferente daquela entre dois homens ou duas mulheres, incapaz de gerar descendentes, que compõem a entidade familiar.
Este ativismo judicial, que fez com que a Suprema Corte substituísse o Poder Legislativo, eleito por 130 milhões de brasileiros -e não por um homem só-, é que entendo estar ferindo o equilíbrio dos Poderes e tornando o Judiciário o mais relevante dos três, com força para legislar, substituindo o único Poder que reflete a vontade da totalidade da nação, pois nele situação e oposição estão representadas.
Sei que a crítica que ora faço poderá, inclusive, indispor-me com os magistrados que a compõem. Mas, há momentos em que, para um velho professor de 76 anos, estar de bem com as suas convicções, defender a democracia e o Estado de Direito, em todos os seus aspectos, é mais importante do que ser politicamente correto.
Sinto-me como o personagem de Eça, em "A Ilustre Casa de Ramires", quando perdeu as graças do monarca: "Prefiro estar bem com Deus e a minha consciência, embora mal com o rei e com o reino".
***
IVES GANDRA DA SILVA MARTINS, 76, advogado, professor emérito da Universidade Mackenzie, da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército e da Escola Superior de Guerra, é presidente do Conselho Superior de Direito da Fecomercio.
Retirado: Zenit
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Mútuo Enriquecimento
Postado por
Caio Vinícius
Retirado de: Father Z
Tradução: Osvaldo Mafra Lopes Junio
Visto em: Salvem a Liturgia
Nas duas últimas décadas, eu tenho falado que – na cabeça do Papa Ratzinger – há um processo mais orgânico e demorado de crescimento, renovação e revisão à ser incentivado, do qual eventualmente emergiria um tertium quid, uma forma do Rito Romano que refletiria as reforma pedidas pelo Concílio Varticano II e o Rito Romano tal qual recebido da experiência de oração da Igreja ao longo dos séculos. O que não ocorreu com o Novus Ordo, por ele ter sido um produto artificial fabricado sobre uma mesa. Mas as duas formas, velha e nova, usadas lado à lado, criariam uma atração gravitacional entre elas.
Eu acho que muitos anos atrás, o Papa Ratzinger assumiu que o novo, forma ordinária, teria uma prioridade lógica e que alguma influência da forma antiga viria produzir o tertium quid. Agora, no entanto, eu não estou tão seguro. Eu sinto uma mudança de direção. Eu suspeito que o Santo Padre pensa o inverso agora. Mas somente o tempo dirá.
Haverá seguramente um influência de um sobre o outro, um mútuo enriquecimento, uma atração gravitacional. E que esta influência crescerá enormemente conforme a “Solução Biológica” mudar a demografia do clero. Homens mais jovens, sem a bagagem do “espírito do concílio”, homens mais jovens interessados na hermenéutica da continuidade desejada pelo Papa Bento para ser aplicada à todas as coisas conciliares e pós-conciliares, estarão também interessados na forma Extraordinária. E se eles não estiverem ansiosos por usarem-na eles mesmos, eles estarão ao menos abertos à ela. Quanto mais jovens padres – futuros bispos – iniciem à exercitar seu ministério na Igreja em cada esfera da sua vida, mais as coisas irão mudar.
Mas, voltando à questão do enriquecimento mútuo.
As formas ordinária e extraordinária são claramente – conforme a mentalidade do Sumo Pontífice – destinadas à estarem “uma ao lado da outra” (UE 6). Elas influenciarão uma à outra. Isto é lógico.
Eu acredito que a forma extraordinária remodelará drasticamente a Forma Ordinária, especialmente no ars celebrandi, mas talvez também numa reintrodução de elementos perdidos na reforma. Isto afetará certamente como padres vêem eles mesmos e como conduzem o seu papel.
Entretanto, eu também acredito que a forma ordinária influenciará, na verdade tem influenciado, como os padres dizem a forma extraordinária.
Primeiramente, houve uma quase total perda da Forma Extraordinária que fez com que aqueles que a desejavam fossem mais cuidadosos, atentos e reverentes. Em assuntos humanos, familiaridade pode gerar desprezo ... ou ao menos negligência. Nas palavras de Joni Mitchell: “Não que seja sempre assim, mas você só percebe o que perdeu quando ele já se foi. Eles pavimentaram o paraíso e fizeram em eu lugar um estacionamento.” A observância da Forma Extraordinária beneficiou-se da opressão.
A mudança do foco na Forma Ordinária do padre no altar, para o padre e a assembléia, tem sido mais que de grande ajuda também. Eu acho que os padres são hoje em dia mais concientes em sua ars celebrandi, que há realmente pessoas lá, o que os leva a serem mais cuidadosos e reverentes e, em suas palavras e ações, projeta-os além do suporte do altar, não de um modo solipsístico, mas em um genuíno desejo, como mediator, para comunicar o que Deus deseja dar através das acões e palavras sagradas dos sacros mistérios.
Irei tratar um outro ponto vizinho ao assunto no qual entramos aqui neste post.
No que concerne à ars celebrandi, por anos, no período nergo quando apenas por querer a forma antiga como um seminarista significava certamente a expulsão dos seminários da corrente dominante, eu escutei críticas à missa antiga por causa da forma com que o padre a dizia. Isso era muito estranho, com certeza. Se os padres fazem coisas estúpidas por eles mesmos, a culpa é deles. De alguma forma elementos do rito podem convidar à algumas escolas, com certeza. Mas é o padre que diz a missa, não o libro que diz a missa.
Uma forma comum de denigrir a forma antiga da Missa era o comentário zombeteiro que padres seriam escrupulosos na forma que eles, por exemplo, diziam as palavras da consagração ou faziam alguns gestos. Alguns padres eram terrivelmente escrupulosos. Por causa da formação e do seu próprio desejo de não cometer pecados, eles levavam a sério o antigo ensinamento que erros na celebração eram pecados mortais. Quando isto era acoplado à um carater escrupuloso e também ao Jansenismo que chegou à alguns seminários, especialmente aqueles com uma base Irlandesa sobre a influência dos franceses que tinham uma abordagem terrivelmente rígida para muitas dimensões da vida humana e para o mundo material, o resultado na liturgia não era sempre ótimo.
Para fazer minhas considerações finais, talvez os anos de intervenção – que foram, sem dúvida, manchados pelos horrores da ilícita e frequentemente estúpida experimentação, dos abusos litúrgicos e do muito mal gosto – serviram para romper o controle de algumas escolas de abordagem, algumas talvez de rigidez jansenistas, de escrupuloso rubricismo contra a qual, eu temo, muitas da multidão de discontinuidades reagiu tão fortemente que elas romperam seus grilhões após o Concílio e enlouqueceram, nos levando junto com eles à um buraco litúrgico do qual agora temos que sair pela escada do Summorum Pontificium.
Eu volto agora ao meu ponto sobre o comentário. Fr. Augustine Thompson, OP, deixou um interessante comentário. Ele tomou meu ponto de que a Forma Ordinária enxercerá também uma atração gravitacional sobre a Forma Extraordinária. Heresia para alguns tradicionalistas ... mas a verdade. Padres são homens de seu próprio tempo, não apenas de épocas passadas.
Fr. Thompson observa:
Tendo sido ordenado à cerca de 25 anos, e tendo celebrado missa todo dia sem impedimento (ex. Sexta Feira Santa) mais ainda, eu celebrei o antigo rito (Dominicano) pelo menos 1000 vezes e o rito novo ainda mais vezes. E existem coisas que celebrantes, especialmente novos celebrantes do antigo rito, podem aprender do novo.
Em particular, eu percebi que os novos celebrantes do Rito Dominicano tentam correlacionar rigidamente os gestos (por exemplo no Per Ipsum) com as palavras por causa das rúbricas inseridas “faça cruz,” “pegue a hóstia”, etc ... no meio da sentença. O sentido de liberdade que vem do novo rito (onde os gestos feitos são geralmente aqueles que vêm naturalmente ao padre), dá uma sensação de propriedade pessoal do movimento. Quando eu instigo novos celebrantes à simplesmente conhecerem os gestos à fazer e fazê-los naturalmente conforme eles lêem o livro, eles percebem que a ação por completo é mais graciosa (e o gesto termina no momento certo). Agora, eu aprendi a fluidez do movimento através de uma constante prática – e finalmente consegui isso apenas quando eu parei com a escrupulosa tentativa de seguir rigidamente as rúbricas – e então eu realizei que se eu permitisse à mim mesmo o sentido de liberdade no rito novo desde o começo, isto teria vindo mais rápido.
Na verdade, o objetivo é celebrar com fluidez e elegância, e fazê-lo conforme as rubricas indicam. Mas um sentimento “novus ordo” de liberdade tem ajudado o novo celebrante do rito antigo à fazê-lo mais naturamente.
Eu estou certo de que há outros exemplos de vezes quando minha celebração do rito novo ajudou-me com o antigo. (E vice-versa)
Discutir de uma forma cuidadosa, tendo relido primeiro o que você pode querer compartilhar, e então perguntando a você mesmo: “Isto contribui para algo de útil?”
O Cristianismo, não as ideologias, é a solução para a pobreza na América Latina
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Caio Vinícius
O Presidente da Pontifícia Comissão para a América Latina (CAL), Cardeal Marc Ouellet, afirmou que só a prática de um "cristianismo profundo" resolverá o problema da pobreza na América Latina e não as ideologias políticas como a teologia marxista da libertação.
"A Igreja interveio com documentos muito acertados para marcar a diferença entre uma teologia e uma ideologia de tipo marxista. Houve uma purificação interna nesta corrente e na Igreja mesma houve uma transformação", disse esta segunda-feira ao jornal uruguaio El País.
O também Prefeito da Congregação para os Bispos disse que agora o que se vê na Igreja na América Latina é uma orientação "para a evangelização e a nova evangelização. O tom mudou e isso é muito positivo. Há uma nova consciência, o cristianismo tem algo que contribuir à sociedade latino-americana e não demos tudo o que poderíamos ter dado".
"Caíram as ideologias. O cristianismo volta a flutuar neste momento da história como a grande esperança da humanidade", afirmou o Cardeal, que participa no Uruguai da 33ª Assembléia Geral do CELAM.
Vida e família
Na entrevista, o Cardeal reiterou que a Igreja defende a vida e a dignidade humana desde a concepção ante as tentativas para legalizar o aborto. "O respeito à vida humana é um princípio fundamental", afirmou.
O Cardeal Ouellet também defendeu o verdadeiro matrimônio e advertiu que a legalização do matrimônio homossexual "não é uma ajuda à família que está fundada na relação de um homem com uma mulher onde há conjugalidade, fecundidade possível e isso é a base da sociedade. O estado deve reconhecer que a família, fundada por um homem e uma mulher, é a base da sociedade".
A autoridade vaticana reiterou a política de "tolerância zero" contra os casos de abusos contra menores por parte de alguns sacerdotes. "A Igreja levou muito a sério estas coisas", assegurou.
"Talvez no passado não houve uma consciência tão aguda destes fenômenos de abuso sexual, agora com os corretivos que foram contribuídos e a disciplina existe uma toma de consciência e purificação".
"Espera-se que o que a Igreja faça em seu interior leve frutos na sociedade. Espera-se que o exemplo que a Igreja está dando na luta contra os abusos produza frutos e em outros ambientes", afirmou.
Retirado: ACI Digital
"A Igreja interveio com documentos muito acertados para marcar a diferença entre uma teologia e uma ideologia de tipo marxista. Houve uma purificação interna nesta corrente e na Igreja mesma houve uma transformação", disse esta segunda-feira ao jornal uruguaio El País.
O também Prefeito da Congregação para os Bispos disse que agora o que se vê na Igreja na América Latina é uma orientação "para a evangelização e a nova evangelização. O tom mudou e isso é muito positivo. Há uma nova consciência, o cristianismo tem algo que contribuir à sociedade latino-americana e não demos tudo o que poderíamos ter dado".
"Caíram as ideologias. O cristianismo volta a flutuar neste momento da história como a grande esperança da humanidade", afirmou o Cardeal, que participa no Uruguai da 33ª Assembléia Geral do CELAM.
Vida e família
Na entrevista, o Cardeal reiterou que a Igreja defende a vida e a dignidade humana desde a concepção ante as tentativas para legalizar o aborto. "O respeito à vida humana é um princípio fundamental", afirmou.
O Cardeal Ouellet também defendeu o verdadeiro matrimônio e advertiu que a legalização do matrimônio homossexual "não é uma ajuda à família que está fundada na relação de um homem com uma mulher onde há conjugalidade, fecundidade possível e isso é a base da sociedade. O estado deve reconhecer que a família, fundada por um homem e uma mulher, é a base da sociedade".
A autoridade vaticana reiterou a política de "tolerância zero" contra os casos de abusos contra menores por parte de alguns sacerdotes. "A Igreja levou muito a sério estas coisas", assegurou.
"Talvez no passado não houve uma consciência tão aguda destes fenômenos de abuso sexual, agora com os corretivos que foram contribuídos e a disciplina existe uma toma de consciência e purificação".
"Espera-se que o que a Igreja faça em seu interior leve frutos na sociedade. Espera-se que o exemplo que a Igreja está dando na luta contra os abusos produza frutos e em outros ambientes", afirmou.
Retirado: ACI Digital
IL VELO DEL CALICE E LA BENEDIZIONE DELL’INCENSO
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Caio Vinícius
IL VELO DEL CALICE E LA BENEDIZIONE DELL’INCENSO
Rubrica di teologia liturgica a cura di don Mauro Gagliardi
di Nicola Bux*
ROMA, mercoledì, 18 maggio 2011 (ZENIT.org).- Si odono di frequente richiami a volgere l’attenzione all’Oriente cristiano, intanto sono omessi nel rito romano elementi che lo richiamano, come velare il calice e benedire l’incenso. La presenza di tende e veli nella liturgia è riconducibile al culto giudaico; per esempio il doppio velo all’ingresso del santuario nel tempio di Gerusalemme, segno di riverenza verso il mistero della Shekina, la presenza divina. Così per l’incenso e gli altri aromi che bruciavano sull’altare apposito antistante, al fine di elevare visibilmente l’anima alla preghiera, secondo le parole del salmo 140: Dirigatur, Domine, oratio mea, sicut incensum, in conspectu tuo – La mia preghiera stia davanti a te come incenso, o Signore. Nello stesso tempo il profumo copriva l’effetto sgradevole degli odori degli animali immolati e del sangue dei sacrifici.
Il velo rappresenta visibilmente l’esigenza di non toccare con mani, impure, le cose sacre: un simbolo dell’esigenza di purezza spirituale per avvicinarsi a Dio. Se la liturgia è fatta di simboli, questo è uno dei più importanti. I veli coprono le mani dei ministri, come gli angeli offerenti rappresentati nell’arte bizantina e romanica. In linea di principio, i vasi sacri, quando non in uso, sono sempre velati per alludere alla ricchezza che vi si nasconde.
Il velo del calice è un piccolo drappo del medesimo colore e stoffa della pianeta o casula, oppure sempre bianco, che serve a coprire tutto il calice, sull’altare o sulla credenza, dall’inizio della Messa all’offertorio; e poi dopo la purificazione che segue la comunione. Nel rito bizantino i veli sono due, per il calice e per il disco, ovvero la patena dei pani da consacrare. Nel rito romano, sebbene sia prescritto «lodevolmente» dall’Ordinamento generale del Messale di Paolo VI (n. 118), il velo che copre il calice è, nell’odierna prassi celebrativa, ordinariamente omesso.
Veniamo all’incensazione. Il sacerdote, all’inizio della Liturgia Eucaristica, messo l’incenso nel turibolo, lo benedice e poi incensa tutto l’altare, in onore del Signore. L’incenso viene benedetto, nella Messa in forma extraordinaria, con la preghiera: Per intercessionem beati Michaelis Archangeli, stantis a dextris altaris incensi, et omnium electorum suorum, incensum istud dignetur Dominus benedicere, et in odorem suavitatis accipere – Per intercessione di san Michele arcangelo, che sta alla destra dell’altare dell’incenso, e di tutti i suoi santi, il Signore voglia benedire questo incenso e accoglierlo come profumo a Lui gradito. Questa benedizione è più solenne della prima, nella quale si dice: Ab illo benedicaris, in cuius honore cremaberis – Ti benedica Colui in onore del quale sarai bruciato. Qui sono invocati gli angeli perché il mistero dell’incenso non rappresenta altro che la preghiera dei santi presentata a Dio dagli angeli, come dice san Giovanni nell’Apocalisse (8,4): Et ascendit fumus incensorum de orationibus sanctorum de manu angeli coram Deo – E dalla mano dell’Angelo il fumo degli aromi ascende con la preghiera dei santi davanti a Dio.
Ancor prima però, come spiega Prosper Guéranger, «siccome il pane e il vino che ha offerti hanno cessato d’appartenere all’ordine delle cose comuni e usuali, [il sacerdote] li profuma con l’incenso, come fa per Cristo stesso, rappresentato dall’altare». Belle le parole che accompagnano l’incensazione prima in forma di triplice croce e poi di triplice cerchio sul pane e del calice: Incensum istud a Te benedictum ascendat ad Te Domine et descendat super nos misericordia tua – Ascenda a te, Signore, questo incenso da Te benedetto e discenda su di noi la tua misericordia. È tutto il senso della liturgia, che ascende a gloria della presenza divina e discende per la nostra salvezza – in latino, salvare vuol dire conservare – affinché siamo completamente noi stessi e possiamo vivere in eterno con Dio. Il sacerdote si inchina «in spirito di umiltà e con animo contrito» affinché il sacrificio si compia alla presenza di Dio in modo da essere gradito; poi invoca lo Spirito sulle offerte. Il sacerdote, rendendo il turibolo al diacono, gli rivolge un augurio che fa ugualmente a sé medesimo, dicendo: Accendat in nobis Dominus ignem sui amoris, et flammam aeternae caritatis – Il Signore accenda in noi il fuoco del suo amore e la fiamma dell’eterna carità. Il diacono, ricevendo il turibolo, bacia la mano del sacerdote e poi la parte superiore delle catene, invertendo l’ordine delle azioni che aveva compiuto presentandoglielo. Tutti questi usi sono orientali e la liturgia li conserva perché sono dimostrazioni di rispetto e riverenza.
Dunque, la Chiesa non ha escluso gli aromi dai suoi riti, anzi usa il balsamo per preparare il Crisma. L’incensazione simboleggia il sacrificio perfetto dei santi doni del pane e del vino, cioè Gesù Cristo, a cui sono unite le nostre persone in sacrificio spirituale, emananti profumo soave che sale al cielo (cf. Gen 8,21; Ef 5,2); così sono le preghiere dei santi (Ap 5,8) e le virtù dei cristiani (2Cor 2,15).
Qualcuno osserverà che, da quanto il velo del tempio si è squarciato, non abbiamo più bisogno di alcun velo, e da quando si è offerto il sacrificio di Cristo non abbiamo più bisogno di incenso. In verità non dovremmo nemmeno più aver bisogno di alcun edificio sacro, perché Cristo è il nuovo tempio. Il punto è che, con la venuta di Gesù, il profano non è scomparso del tutto: però è continuamente incalzato dal sacro che è dinamico, in via di compimento: «Perciò dobbiamo ritrovare il coraggio del sacro,il coraggio della distinzione di ciò che è cristiano; non per creare steccati, ma per trasformare, per essere realmente dinamici» (J. Ratzinger, Servitori della vostra gioia, Milano 2002, p 127).
[Il prossimo articolo della rubrica sarà pubblicato il 1° giugno]
——–
*Don Nicola Bux è professore di Liturgia orientale a Bari e consultore delle Congregazioni per la Dottrina della Fede, per le Cause dei Santi, per il Culto Divino e la Disciplina dei Sacramenti; nonché dell’Ufficio delle Celebrazioni Liturgiche del Sommo Pontefice.
in Zenit
segunda-feira, 16 de maio de 2011
domingo, 15 de maio de 2011
Bento XVI: Jesus, o Bom Pastor
Postado por
Caio Vinícius
Queridos irmãos e irmãs!
A liturgia do 4º Domingo da Páscoa nos apresenta um dos ícones mais belos que, desde os primeiros séculos da Igreja, representou o Senhor Jesus: o do Bom Pastor. O Evangelho de São João, no capítulo X, descreve os traços peculiares da relação entre Cristo Pastor e seu rebanho, uma relação tão estreita que ninguém poderá jamais afastar as ovelhas da sua mão. Estas, de fato, estão unidas a Ele por um vínculo de amor e de conhecimento recíproco, que lhes garante o dom incomensurável da vida eterna. Ao mesmo tempo, a atitude do rebanho com relação ao Bom Pastor, Cristo, é apresentada pelo evangelista com dois verbos específicos: escutar e seguir. Estes termos designam as características fundamentais daqueles que vivem o seguimento de Cristo. Antes de mais nada, a escuta da sua Palavra, da qual nasce e se alimenta a fé. Somente quem está atento à voz do Senhor é capaz de avaliar, em sua consciência, as decisões justas para agir segundo Deus. Da escuta deriva, portanto, o seguir Jesus: age-se como discípulo depois de ter escutado e acolhido interiormente os ensinamentos do Mestre, para vivê-los cotidianamente.
Neste domingo, surge espontaneamente a lembrança de Deus, dos pastores da Igreja e daqueles que estão se formando para ser pastores. Eu vos convido, portanto, a uma especial oração pelos bispos - incluído o Bispo de Roma! -, pelos párocos, por todos aqueles que têm responsabilidades na guia do rebanho de Cristo, para que sejam fiéis e sábios ao levar a cabo seu ministério. Em particular, rezamos pelas vocações ao sacerdócio neste Dia Mundial de Oração pelas Vocações, para que não faltem nunca operários válidos na messe do Senhor. Há 60 anos, o Venerável Pio XII instituiu a Obra Pontifícia para as vocações sacerdotais. A feliz intuição do meu predecessor se fundava na convicção de que as vocações crescem e amadurecem nas igrejas particulares, facilitadas por contextos familiares saudáveis e robustecidos pelo espírito de fé, de caridade e de piedade. Na mensagem enviada para este Dia Mundial, sublinhei que uma vocação se realiza quando sai "da sua vontade fechada, da sua ideia de autorrealização, para embrenhar-se noutra vontade, a de Deus, deixando-se guiar por ela". Também nesta época, em que a voz do Senhor corre o risco de se perder em meio a tantas vozes, cada comunidade eclesial está chamada a promover e cuidar das vocações ao sacerdócio e à vida consagrada. Os homens, de fato, sempre têm necessidade de Deus, também em nosso mundo tecnológico, e sempre haverá necessidade de pastores que anunciem sua Palavra e que façam encontrar o Senhor nos sacramentos.
Queridos irmãos e irmãs, revigorados pela alegria pascal e pela fé no Ressuscitado, confiemos nossos propósitos e nossas intenções a Nossa Senhora, Mãe de toda vocação, para que, com sua intercessão, suscite e sustente numerosas e santas vocações ao serviço da Igreja e do mundo.
Retirado: Zenit
A liturgia do 4º Domingo da Páscoa nos apresenta um dos ícones mais belos que, desde os primeiros séculos da Igreja, representou o Senhor Jesus: o do Bom Pastor. O Evangelho de São João, no capítulo X, descreve os traços peculiares da relação entre Cristo Pastor e seu rebanho, uma relação tão estreita que ninguém poderá jamais afastar as ovelhas da sua mão. Estas, de fato, estão unidas a Ele por um vínculo de amor e de conhecimento recíproco, que lhes garante o dom incomensurável da vida eterna. Ao mesmo tempo, a atitude do rebanho com relação ao Bom Pastor, Cristo, é apresentada pelo evangelista com dois verbos específicos: escutar e seguir. Estes termos designam as características fundamentais daqueles que vivem o seguimento de Cristo. Antes de mais nada, a escuta da sua Palavra, da qual nasce e se alimenta a fé. Somente quem está atento à voz do Senhor é capaz de avaliar, em sua consciência, as decisões justas para agir segundo Deus. Da escuta deriva, portanto, o seguir Jesus: age-se como discípulo depois de ter escutado e acolhido interiormente os ensinamentos do Mestre, para vivê-los cotidianamente.
Neste domingo, surge espontaneamente a lembrança de Deus, dos pastores da Igreja e daqueles que estão se formando para ser pastores. Eu vos convido, portanto, a uma especial oração pelos bispos - incluído o Bispo de Roma! -, pelos párocos, por todos aqueles que têm responsabilidades na guia do rebanho de Cristo, para que sejam fiéis e sábios ao levar a cabo seu ministério. Em particular, rezamos pelas vocações ao sacerdócio neste Dia Mundial de Oração pelas Vocações, para que não faltem nunca operários válidos na messe do Senhor. Há 60 anos, o Venerável Pio XII instituiu a Obra Pontifícia para as vocações sacerdotais. A feliz intuição do meu predecessor se fundava na convicção de que as vocações crescem e amadurecem nas igrejas particulares, facilitadas por contextos familiares saudáveis e robustecidos pelo espírito de fé, de caridade e de piedade. Na mensagem enviada para este Dia Mundial, sublinhei que uma vocação se realiza quando sai "da sua vontade fechada, da sua ideia de autorrealização, para embrenhar-se noutra vontade, a de Deus, deixando-se guiar por ela". Também nesta época, em que a voz do Senhor corre o risco de se perder em meio a tantas vozes, cada comunidade eclesial está chamada a promover e cuidar das vocações ao sacerdócio e à vida consagrada. Os homens, de fato, sempre têm necessidade de Deus, também em nosso mundo tecnológico, e sempre haverá necessidade de pastores que anunciem sua Palavra e que façam encontrar o Senhor nos sacramentos.
Queridos irmãos e irmãs, revigorados pela alegria pascal e pela fé no Ressuscitado, confiemos nossos propósitos e nossas intenções a Nossa Senhora, Mãe de toda vocação, para que, com sua intercessão, suscite e sustente numerosas e santas vocações ao serviço da Igreja e do mundo.
Retirado: Zenit
La misión de la liturgia antigua en el futuro de la Iglesia
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Caio Vinícius
Celebrado un congreso sobre el motu proprio “Summorum Pontificum”
El paso dado por el Papa Benedicto XVI de regular la celebración de la Misa en su forma extraordinaria es mucho más que una recuperación arqueológica o que una concesión a determinados grupos de fieles “nostálgicos”.
Se trata en cambio, del inicio de un nuevo movimiento litúrgico querido por el Papa, que debe ser percibido por la Iglesia como “un signo de esperanza”.
Un día después de la publicación de la Instrucción Universae Ecclesiae, de la Comisión Pontificia Ecclesia Dei, tenía lugar en la Universidad Pontificia Santo Tomás de Aquino de Roma, el tercer simposio sobre el Motu Proprio Summorum Pontificum, con el título “Una esperanza para toda la Iglesia”.
En el simposio participaron como ponentes el cardenal Antonio Cañizares, prefecto de la Congregación para el Culto Divino, así como el cardenal Kurt Koch, presidente del Consejo Pontificio para la Promoción de la Unidad de los Cristianos, y el secretario de la Comisión Pontificia Ecclesia Dei, monseñor Guido Pozzo.
La intervención de este último fue publicada por L'Osservatore Romano en su edición de hoy. Monseñor Pozzo explicó el significado de la Instrucción, que pretende poner al alcance de todos los fieles el rico patrimonio litúrgico.
Esta decisión del Papa, subrayó el prelado, está en continuidad con la Sacrosanctum Concilium, que en su número 4 afirmaba “igual derecho y honor a todos los ritos legítimamente reconocidos, y quiere que en el futuro sean conservados y de alguna forma incrementados”.
Ahora, ambas formas de la liturgia romana “son un ejemplo de recíproco incremento y enriquecimiento”, subrayó. “Quien piensa o actúa lo contrario, mancha la unidad del rito romano, que debe ser tenazmente salvaguardada”.
No es un “indulto”
Monseñor Pozzo reiteró que la Universae Ecclesiae no hay que entenderla como un “indulto” ni “una ley para grupos particulares”, sino “una ley para toda la Iglesia”.
“El célebre principio lex orandi-lex credendi está en la base del restablecimiento de la forma extraordinaria: no ha cambiado la doctrina católica de la misa en el rito romano, porque liturgia y doctrina son inseparables”.
Puede haber, explicó, en cada forma “acentuaciones, subrayados, explicitaciones más marcadas de algunos aspectos respecto a otros, pero ello no afecta a la unidad sustancia de la liturgia”.
Además, recordó que la liturgia constituye “materia reservada al Papa”, y que éste, en su carta a los obispos acompañando el Summorum Pontificum, subrayaba que “no hay contradicción alguna” entre ambas.
El Papa “quiere ayudar a todos los católicos a vivir la verdad de la liturgia para que, conociendo y participando en la antigua forma romana de celebración, comprendan que la Sacrosanctum concilium quería reformar la liturgia en continuidad con la tradición”.
Puente “ecuménico”
Por su parte, el cardenal Kurt Koch afirmo que el motu proprio “podrá suponer pasos adelante en el ecumenismo” sólo si ambas formas del único rito romano no son consideradas como “una antístesis” sino “como un mutuo enriquecimiento”.
En este sentido, explicó que el problema ecuménico “se encuentra en esta cuestión hermenéutica fundamental”.
Quienes ven en el Summorum Pontificum un paso atrás, explicó el purpurado, es porque “entienden la reforma litúrgica postconciliar como un punto de llegada, que hay que defender, según el rígido conservadurismo de muchos progresistas”.
“Prefieren, de hecho, sostener la hermenéutica de la discontinuidad y de la ruptura, considerada inadecuada por el Papa, aplicándola sobre todo al campo de la liturgia y del ecumenismo”.
También el decreto sobre el ecumenismo marcó un nuevo inicio en las relaciones de la Iglesia católica con las demás confesiones cristianas, subrayó, pero “tampoco este giro ecuménico supone una ruptura con la tradición; se inscribe más bien en una continuidad con la tradición”, añadió
Aquí “reside la cuestión fundamental para el futuro de la Iglesia católica y, al mismo tiempo, para la credibilidad de su ecumenismo”, destacó, añadiendo que el Summorum Pontificum “podrá ser un puente ecuménico verdaderamente sólido solo si se percibe y recibe como una esperanza para toda la Iglesia”.
Nuevo movimiento litúrgico
El cardenal Koch explicó que el Papa “cree que hoy es indispensable un nuevo movimiento litúrgico”, que en el pasado él mismo había definido como “una reforma de la reforma de la liturgia”.
“El Santo Padre sabe que la reforma litúrgica postconciliar ha traído muchos frutos positivos, pero que los desarrollos litúrgicos del post Concilio presentan también muchas zonas de sombra, debidas en gran parte al hecho de que el concepto de misterio pascual del Concilio no ha sido suficientemente tenido en cuenta”.
Por ello, “también hoy es necesario un nuevo movimiento litúrgico, que tenga como objetivo hacer fructificar el verdadero patrimonio del concilio Vaticano II en la actual situación de la Iglesia, consolidando al mismo tiempo los fundamentos teológicos de la liturgia”.
Así, es necesario “no sólo la revitalización del primado cristológico, de la dimensión cósmica y del carácter de adoración de la liturgia, sino también y sobre todo el redescubrimiento del significado básico del misterio pascual en la celebración de la liturgia cristiana”.
Según el purpurado, el motu proprio “constituye sólo el inicio. Benedicto XVI sabe bien que a largo plazo no podemos quedarnos en una coexistencia entre la forma ordinaria y la forma extraordinaria del rito romano, sino que la Iglesia necesitará nuevamente en el futuro un rito común”.
“Con todo, dado que una nueva reforma litúrgica no se puede decidir en un despacho, sino que requiere un proceso de crecimiento y de purificación, el Papa por el momento subraya sobre todo que las dos formas del uso del rito romano pueden y deben enriquecerse mutuamente”.
Entre otras cosas, propugna que en el novus ordo “se manifieste más fuertemente que ahora esa sacralidad que atrae a muchos al uso antiguo. La garantía más segura de que el misal de Pablo VI pueda unir a las comunidades parroquiales y sea amado por ellas consiste en celebrar con gran reverencia en conformidad con las prescripciones, lo que hace visible la riqueza espiritual y la profundidad teológica de este misal”.
Superar dualismos
En efecto, explicó, uno de los debates más importantes tras el Concilio Vaticano II fue precisamente sobre la eucaristía, en tres vertientes: en primer lugar, si era un sacrificio o un banquete; en segundo lugar, si se trata de una acción en la que sólo participa el sacerdote o si es una acción del pueblo de Dios; en tercero, entre adoración o participación.
Sobre la consideración de la Eucaristía como sacrificio o como banquete, el Catecismo de la Iglesia Católica mantiene unido lo que es indivisible: “La misa es al mismo tiempo e inseparablemente el memorial del sacrificio en el que se perpetua el sacrificio de la cruz, y el sagrado banquete de la comunión del Cuerpo y la Sangre del Señor”.
Respecto al sujeto de la liturgia, el cardenal Koch reconoció que durante la historia, el papel original de todos los fieles como co-sujetos de la liturgia había ido poco a poco disminuyendo, y que el oficio divino comunitario de la Iglesia primitiva, en el sentido de una liturgia que veía partícipe a toda la comunidad, había asumido cada vez más el carácter de una misa privada del clero.
“La existencia de una continuidad de fondo entre la liturgia antigua y la reforma litúrgica puesta en marcha por el concilio Vaticano II se ve en la amplia y profundizada visión de la constitución litúrgica, según la cual el culto público integral es ejercido por el cuerpo místico de Jesucristo, es decir, por la cabeza y los miembros”.
En cuanto al tercer debate, sobre adoración y participación, el cardenal Koch afirmó que se trata de una “falsa contraposición”, pues “ya el propio san Agustín afirmaba que nadie debe comer 'de esta carne' si antes no la ha adorado”.
“La reforma litúrgica postconciliar es considerada en amplios círculos de la Iglesia católica como una ruptura con la tradición y como una nueva creación”, admitió, lo que ha provocado “una controversia sobre la liturgia que, vivida de forma emocional, sigue sintiéndose hoy”.
Por ello, el Papa “ha querido contribuir a la resolución de esta disputa y a la reconciliación dentro de la Iglesia: El motu proprio promueve, por así decirlo, ecumenismo intra-católico”.
Pero esto presupone que la liturgia antigua “se entienda también como 'puente ecuménico' – subrayó el cardenal a modo de conclusión –. De hecho, si el ecumenismo intra-católico fracasa, la controversia católica sobre la liturgia se extenderá también al ecumenismo, y la liturgia antigua no podrá llevar a cabo su función ecuménica de constructora de puentes”.
Por Inma Álvarez
En: Zenit
Conferência de Monsenhor Pozzo no Congresso ‘Summorum Pontificum’ em Roma: os reformadores [na continuidade] ganham força.
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Caio Vinícius
Monsenhor Pozzo (Ecclesia Dei) explica (bem!) a nova Instrução Universae Ecclesiae sobre o motu proprio.
O Secretário da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei desenvolveu no terceiro congresso sobre o motu proprio Summorum Pontificum a conferência mais esperada, pois dele era a tarefa de explicar ao auditório a fresquíssima Instrução Universae Ecclesiae sobre o motu proprio Ecclesiae publicada ontem.
O pano de fundo desta Instrução, explicou ele, são as informações e relatórios enviados pelo episcopado mundial, após os três anos de entrada em vigor do Motu Proprio. A partir deles, e também das comunicações dos grupos envolvidos, fica patente que o motu proprio já produziu frutuosos efeitos. Certamente, acrescentou, de forma desigual entre as várias igrejas locais. Além disso, seria ingênuo negar que ainda exista resistência e hostilidade tanto da parte do clero como dos bispos.
Mas a reticência deve ser dissipada exatamente pela minuciosa observância das disposições pontifícias, que convidam a reconhecer, por um lado, a liturgia reformada, purificada de abusos, mal-entendidos e imprecisões grosseiras, e, por outro, a grandeza da Tradição viva da Igreja.
A finalidade da Instrução Universae Ecclesiae é aplicar o [motu proprio] Summorum Pontificum.
Não há dúvida de que hoje, de fato, a fé está em jogo, que em grandes áreas da terra ela corre o risco de desaparecer como uma chama não alimentada, como lamentou o Papa na carta aos bispos pelo levantamento da excomunhão dos quatro bispos da FSSPX. A prioridade é, dessa forma, trazer o povo de volta para Deus; não a qualquer deus, mas àquele Deus que falou a Moisés no Sinai e se encarnou no seio de Maria. Ora, quem se opõe à liturgia antiga não desenvolve uma atividade pastoral no sentido devido e, na realidade, nega de fato a continuidade da Igreja.
A Instrução, portanto, esclarece ulteriormente que o motu proprio é lei para toda a Igreja, aliás, o que significa que (No. 28) derroga as normas incompatíveis emanadas a partir de 1962. O Motu Proprio, por conseguinte, não é um indulto ou uma concessão, mas uma disposição fundamental e geral sobre a liturgia.
A Instrução Universae Ecclesiae recorda em seu n. 8 que o motu proprio quer dar a TODOS os fiéis o tesouro da liturgia antiga, não para grupos específicos ou “nostálgicos”, como ainda ouvimos em certos círculos. O Motu Proprio é entendido em sentido favorável aos fiéis ligados à liturgia antiga. Aos bispos cabem promover estas aspirações legítimas, evitando a marginalização dos fiéis tradicionais, os quais, contudo, devem evitar formas de contestação da nova liturgia.
A Comissão Ecclesia Dei recebe plenos poderes para dirimir as controvérsias. Também são definidas a competência do bispo diocesano, que deve garantir que tudo se desenvolva serenamente, mas sempre na mente do Romano Pontífice, como expressa pelo motu proprio.
Há também os direitos e deveres dos fiéis leigos. Um coetus fidelium é estável se algumas pessoas se reúnem, mesmo após o motu proprio (eliminando assim o argumento hostil de que se deveria tratar de um grupo pré-existente) e também podem ser formados por fiéis de diversas paróquias e mesmo dioceses.
Não há número estabelecido; mas, de toda forma, mesmo para celebrações ordinárias é possível que os fiéis presentes sejam poucos.
Para os sacerdotes, exige-se um conhecimento básico de lingua latina: não um experto latinista. A este propósito, é determinado que os seminários devem ensinar o latim, como, de todo modo, impõe o documento conciliar Optatam totius: quem apela ao Concílio, comece por a aplicá-lo de verdade (e em tudo)!
Sobre as ordenações, de que o motu proprio não falava, a Instrução decidiu intervir com uma precisão: a pedido de alguns bispos que temiam vias paralelas e não harmonizadas na formação sacerdotal [ndr: Por que? Não são duas formas de um mesmo rito?], fica estabelecido que as ordens menores e a ordenação segundo o rito antigo sejam aplicáveis apenas aos institutos Ecclesia Dei. Fica também determinado que apenas com o diaconato se assume o estado clerical.
A Instrução tem um papel limitado, dada a natureza apenas aplicativa de tal documento. Seja como for, é um instrumento confiado in primis à responsabilidade dos bispos e padres, num espírito de caridade e solicitude pastoral. Mas, ao mesmo tempo, é uma ferramenta a serviço da celebração do culto divino. O Motu Proprio não é um passo atrás, mas um olhar para o futuro da Igreja, que não poderá jamais negar as suas próprias raízes, assim como não poderá jamais se fechar a uma renovação ancorada na Tradição da Igreja.
Por Enrico - Messa in Latino
Tradução - Fratres in Unum.com
O pano de fundo desta Instrução, explicou ele, são as informações e relatórios enviados pelo episcopado mundial, após os três anos de entrada em vigor do Motu Proprio. A partir deles, e também das comunicações dos grupos envolvidos, fica patente que o motu proprio já produziu frutuosos efeitos. Certamente, acrescentou, de forma desigual entre as várias igrejas locais. Além disso, seria ingênuo negar que ainda exista resistência e hostilidade tanto da parte do clero como dos bispos.
Mas a reticência deve ser dissipada exatamente pela minuciosa observância das disposições pontifícias, que convidam a reconhecer, por um lado, a liturgia reformada, purificada de abusos, mal-entendidos e imprecisões grosseiras, e, por outro, a grandeza da Tradição viva da Igreja.
A finalidade da Instrução Universae Ecclesiae é aplicar o [motu proprio] Summorum Pontificum.
Não há dúvida de que hoje, de fato, a fé está em jogo, que em grandes áreas da terra ela corre o risco de desaparecer como uma chama não alimentada, como lamentou o Papa na carta aos bispos pelo levantamento da excomunhão dos quatro bispos da FSSPX. A prioridade é, dessa forma, trazer o povo de volta para Deus; não a qualquer deus, mas àquele Deus que falou a Moisés no Sinai e se encarnou no seio de Maria. Ora, quem se opõe à liturgia antiga não desenvolve uma atividade pastoral no sentido devido e, na realidade, nega de fato a continuidade da Igreja.
A Instrução, portanto, esclarece ulteriormente que o motu proprio é lei para toda a Igreja, aliás, o que significa que (No. 28) derroga as normas incompatíveis emanadas a partir de 1962. O Motu Proprio, por conseguinte, não é um indulto ou uma concessão, mas uma disposição fundamental e geral sobre a liturgia.
A Instrução Universae Ecclesiae recorda em seu n. 8 que o motu proprio quer dar a TODOS os fiéis o tesouro da liturgia antiga, não para grupos específicos ou “nostálgicos”, como ainda ouvimos em certos círculos. O Motu Proprio é entendido em sentido favorável aos fiéis ligados à liturgia antiga. Aos bispos cabem promover estas aspirações legítimas, evitando a marginalização dos fiéis tradicionais, os quais, contudo, devem evitar formas de contestação da nova liturgia.
A Comissão Ecclesia Dei recebe plenos poderes para dirimir as controvérsias. Também são definidas a competência do bispo diocesano, que deve garantir que tudo se desenvolva serenamente, mas sempre na mente do Romano Pontífice, como expressa pelo motu proprio.
Há também os direitos e deveres dos fiéis leigos. Um coetus fidelium é estável se algumas pessoas se reúnem, mesmo após o motu proprio (eliminando assim o argumento hostil de que se deveria tratar de um grupo pré-existente) e também podem ser formados por fiéis de diversas paróquias e mesmo dioceses.
Não há número estabelecido; mas, de toda forma, mesmo para celebrações ordinárias é possível que os fiéis presentes sejam poucos.
Para os sacerdotes, exige-se um conhecimento básico de lingua latina: não um experto latinista. A este propósito, é determinado que os seminários devem ensinar o latim, como, de todo modo, impõe o documento conciliar Optatam totius: quem apela ao Concílio, comece por a aplicá-lo de verdade (e em tudo)!
Sobre as ordenações, de que o motu proprio não falava, a Instrução decidiu intervir com uma precisão: a pedido de alguns bispos que temiam vias paralelas e não harmonizadas na formação sacerdotal [ndr: Por que? Não são duas formas de um mesmo rito?], fica estabelecido que as ordens menores e a ordenação segundo o rito antigo sejam aplicáveis apenas aos institutos Ecclesia Dei. Fica também determinado que apenas com o diaconato se assume o estado clerical.
A Instrução tem um papel limitado, dada a natureza apenas aplicativa de tal documento. Seja como for, é um instrumento confiado in primis à responsabilidade dos bispos e padres, num espírito de caridade e solicitude pastoral. Mas, ao mesmo tempo, é uma ferramenta a serviço da celebração do culto divino. O Motu Proprio não é um passo atrás, mas um olhar para o futuro da Igreja, que não poderá jamais negar as suas próprias raízes, assim como não poderá jamais se fechar a uma renovação ancorada na Tradição da Igreja.
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