BÊNÇÃO URBI ET ORBI
NATAL DO SENHOR DE 2011
Amados irmãos e irmãs de Roma e do mundo inteiro!
Cristo nasceu para nós! Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens
do seu agrado: a todos chegue o eco deste anúncio de Belém, que a Igreja
Católica faz ressoar por todos os continentes, sem olhar a fronteiras nacionais,
linguísticas e culturais. O Filho da Virgem Maria nasceu para todos; é o
Salvador de todos.
Numa antífona litúrgica antiga, Ele é invocado assim: «Ó Emanuel, nosso rei e
legislador, esperança e salvação dos povos! Vinde salvar-nos, Senhor nosso
Deus».
Veni ad salvandum nos! Vinde salvar-nos!
Tal é o grito
do homem de todo e qualquer tempo que, sozinho, se sente incapaz de superar
dificuldades e perigos. Precisa de colocar a sua mão numa mão
maior e mais forte, uma mão do Alto que se estenda para ele. Amados irmãos e
irmãs, esta mão é Cristo, nascido em Belém da Virgem Maria. Ele é a mão
que Deus estendeu à humanidade, para fazê-la sair das areias movediças do pecado
e segurá-la de pé sobre a rocha, a rocha firme da sua Verdade e do seu Amor (cf.
Sal 40, 3).
E é isto mesmo o que significa o nome daquele Menino (o nome que, por vontade
de Deus, Lhe deram Maria e José): chama-se Jesus, que significa «Salvador» (cf.
Mt 1, 21;
Lc 1, 31).
Ele foi enviado por Deus Pai,
para nos salvar sobretudo do mal mais profundo que está radicado no homem e na
história: o mal que é a separação de Deus, o orgulho presunçoso do homem fazer
como lhe apetece, de fazer concorrência a Deus e substituir-se a Ele, de decidir
o que é bem e o que é mal, de ser o senhor da vida e da morte (cf.
Gn 3, 1-7). Este é o grande mal, o grande pecado, do qual nós, homens,
não nos podemos salvar senão confiando-nos à ajuda de Deus, senão gritando por
Ele: «
Veni ad salvadum nos – Vinde salvar-nos!»
O próprio fato de elevarmos ao Céu esta imploração já nos coloca na justa
condição, já nos coloca na verdade do que somos nós mesmos: realmente
nós somos aqueles que gritaram por Deus e foram salvos (cf.
Est (
em grego) 10, 3f). Deus é o Salvador, nós aqueles que se
encontram em perigo. Ele é o médico, nós os doentes. O fato de reconhecer isto
mesmo é o primeiro passo para a salvação, para a saída do labirinto onde nós
mesmos, com o nosso orgulho, nos encerramos.
Levantar os olhos para o
Céu, estender as mãos e implorar ajuda é o caminho de saída, contanto que haja
Alguém que escute e possa vir em nosso socorro.
Jesus Cristo é a prova de que Deus escutou o nosso grito. E não só!
Deus nutre por nós um amor tão forte que não pôde permanecer em Si
mesmo, mas teve de sair de Si mesmo e vir ter conosco, partilhando até ao fundo
a nossa condição (cf.
Ex 3, 7-12). A resposta que Deus deu, em
Cristo, ao grito do homem, supera infinitamente as nossas expectativas, chegando
a uma solidariedade tal que não pode ser simplesmente humana, mas divina.
Só o Deus que é amor e o amor que é Deus podia escolher salvar-nos
através deste caminho, que é certamente o mais longo, mas é aquele que respeita
a verdade d’Ele e nossa: o caminho da reconciliação, do diálogo e da
colaboração.
Por isso, amados irmãos e irmãs de Roma e do mundo inteiro,
neste
Natal de 2011, dirijamo-nos ao Menino de Belém, ao Filho da Virgem Maria e
digamos: «Vinde salvar-nos»! Repitamo-lo em união espiritual com tantas
pessoas que atravessam situações particularmente difíceis, fazendo-nos voz de
quem a não tem.
Juntos, invoquemos o socorro divino para as populações do Nordeste da África,
que padecem fome por causa das carestias, por vezes ainda agravadas por um
estado persistente de insegurança. A comunidade internacional não deixe faltar a
sua ajuda aos numerosos refugiados vindos daquela Região, duramente provados na
sua dignidade.
O Senhor dê conforto às populações do Sudeste asiático, particularmente da
Tailândia e das Filipinas, que se encontram ainda em graves situações de
emergência devido às recentes inundações.
O Senhor socorra a humanidade ferida por tantos conflitos, que ainda
hoje ensanguentam o Planeta. Ele, que é o Príncipe da Paz, dê paz e
estabilidade à Terra onde escolheu vir ao mundo, encorajando a retoma do diálogo
entre israelitas e palestinianos. Faça cessar as violências na Síria, onde já
foi derramado tanto sangue. Favoreça a plena reconciliação e a estabilidade no
Iraque e no Afeganistão. Dê um renovado vigor, na edificação do bem comum, a
todos os componentes da sociedade nos países do Norte da África e do Médio
Oriente.
O nascimento do Salvador sustente as perspectivas de diálogo e colaboração no
Myanmar à procura de soluções compartilhadas. O Natal do Redentor garanta a
estabilidade política nos países da região africana dos Grande Lagos e assista o
empenho dos habitantes do Sudão do Sul na tutela dos direitos de todos os
cidadãos.
Amados irmãos e irmãs, dirijamos o olhar para a Gruta de Belém: o
Menino que contemplamos é a nossa salvação. Ele trouxe ao mundo uma
mensagem universal de reconciliação e de paz. Abramos- Lhe o nosso coração,
acolhamo-Lo na nossa vida. Repitamos-Lhe com confiada esperança: «
Veni ad
salvandum nos».
Boletim da Sala de Imprensa da Santa Sé