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domingo, 26 de janeiro de 2025

A (des)continuidade - Traditionis Custodes (Parte I)

Foto CNS/L'Osservatore Romano

Acompanhando o Motu Proprio Summorum Pontificum, o papa Bento XVI fez questão de enviar uma carta a cada bispo do mundo inteiro em que explicava a sua vontade ao ter promulgado o documento "sobre o uso da liturgia romana anterior à reforma realizada em 1970". Nesta carta, quero destacar um parágrafo que sintetiza toda a ideia do documento e que já há muito foi difundido neste mesmo blog e em outros mundo afora: 

Não existe qualquer contradição entre uma edição e outra do Missale Romanum. Na história da Liturgia, há crescimento e progresso, mas nenhuma ruptura. Aquilo que para as gerações anteriores era sagrado, permanece sagrado e grande também para nós, e não pode ser de improviso totalmente proibido ou mesmo prejudicial. Faz-nos bem a todos conservar as riquezas que foram crescendo na fé e na oração da Igreja, dando-lhes o justo lugar. Obviamente, para viver a plena comunhão, também os sacerdotes das Comunidades aderentes ao uso antigo não podem, em linha de princípio, excluir a celebração segundo os novos livros. De facto, não seria coerente com o reconhecimento do valor e da santidade do novo rito a exclusão total do mesmo.

Parece, à primeira vista, um pouco óbvia a conclusão do papa: não pode haver contradição entre os dois missais romanos, senão, um estaria correto e outro errado. Ou um estaria com a fé católica ou o outro estaria privado desta, ou um santificaria e edificaria ou o outro não, etc. No entanto, seguindo um princípio lógico, quis o papa afirmar a ideia da busca por conciliar as duas liturgias romanas em pé de igualdade, mesmo que ainda exista uma certa preferência subjetiva entre as duas.

O ponto mais certeiro desta citação do documento de Bento XVI é exatamente o que consta no art. 1º do Motu Proprio Summorum Pontificum

Art. 1. O Missal Romano promulgado por  Paulo VI é a expressão ordinária da «lex orandi» («norma de oração») da Igreja Católica de rito latino. Contudo o Missal Romano promulgado por São Pio V e reeditado pelo Beato  João XXIII deve ser considerado como expressão extraordinária da mesma «lex orandi» e deve gozar da devida honra pelo seu uso venerável e antigo. Estas duas expressões da «lex orandi» da Igreja não levarão de forma alguma a uma divisão na «lex credendi» («norma de fé») da Igreja; com efeito, são dois usos do único rito romano. 

O papa esclareceu uma grande questão que estava aberta na Igreja, se era lícito ou não continuar celebrando a liturgia romana anterior à reforma de 1970, e se isto é considerado um atentado à unidade da eclesial ou ao próprio romano pontífice enquanto garantidor desta unidade deseja pelo Senhor. E a resposta do papa foi a de que o rito romano teria duas formas, dois usos, uma ordinária (a mais recente, moderna) e uma extraordinária (mais antiga). 

Este pensamento fixou-se como uma "reparação histórica" a todos quantos lutaram pela manutenção da liturgia romana antiga, que como afirmou o papa Bento XVI, não poderia ser considerado prejudicial, pois permanecia sagrado e grande também para a atual geração. Lembremos que até hoje encontramos muitos sacerdotes idosos, aqueles padres comuns de nossas igrejas, que celebram suas missas, até mesmo com algumas irreverências, diga-se, que encontraram sua vocação por meio daquela liturgia, ainda que hoje não a celebrem mais, e que naquela missa foram ordenados.

Nesta esteira, cabe pensar que o atual papa Francisco foi batizado, crismado, teve a sua primeira comunhão e juventude inteira inteira assistindo a missa anterior à reforma de 1970, basta lembrar que ele foi ordenado sacerdote em 1964, quando a liturgia romana já estava modificada, porém ainda tinha muito mais semelhança com a velha forma que com a nova. O despertar da sua vocação não foi uma atração pela liturgia nova porque esta não existia, foi pela missa antiga, já que esta era a única forma do rito romano.

Entretanto, a geração do papa Francisco e as seguintes que tiveram contato com todas as deformações litúrgicas que não foram corrigidas pelas autoridades, mas que, pelo contrário, pareciam ser incentivadas a ponto de desfigurar de tal forma o rito que somente mantinha-se a sua validade por não alterarem a fórmula da consagração eucarística, dispuseram que a então chamada forma extraordinária do rito romano não pode ser considerada rito romano. E poderá ser considerada o quê? 

Foi em 16/07/2021 que o papa Francisco publicou o Motu Proprio Traditiones Custodes, que indo no sentido oposto ao do seu predecessor e com uma carta enviada aos bispos do mundo inteiro na qual explicava sua motivação, determinando que a denominada missa ordinária, considerada como aquela prevista "nos livros litúrgicos promulgados pelos santos pontífices Paulo VI e João Paulo II, em conformidade com os decretos do Concílio Vaticano II, são a única expressão da lex orandi do Rito Romano".

Percebemos aí que catorze anos depois, os papas entraram em contradição. A contradição é algo que não pode existir na Igreja, pois a verdade é indivisível e só permite que uma afirmação seja correta enquanto a outra deverá obrigatoriamente ser falsa. Parece-nos muito mais baseado na lógica ficarmos com o posicionamento do papa Bento XVI segundo o qual a liturgia romana teria duas formas de ser celebrada, de lex orandi, portanto, tanto por que a liturgia romana - dita extraordinária - cronologicamente é anterior, tanto porque foi utilizada durante mais de 16 séculos quase que invariavelmente na Igreja, gerando santos e uma civilização inteira como testemunha de sua unidade.

Diante de tudo isto, o que chega até a minha geração? Mais fraturas no corpo eclesial. Mais feridas. Mais rupturas incisivas, mais autoritarismo, mais desobediência, mais contradições e mais desunião entre os fiéis. Drásticas medidas levam a drásticos resultados. Um fato incontestável é que a descontinuidade entre os dois pontificados recentes é só mais uma marca da história da Igreja no século XXI.

[Continua...]

sexta-feira, 24 de janeiro de 2025

Uma decadência (im)prevista

Foto de Marko Vombergar/ALETEIA

 Foto de Marko Vombergar/ALETEIA


Nos anos de 2007 a 2013, mais precisamente até fevereiro de 2013, quando se vivia o pontificado de Bento XVI, uma gama de presbíteros, seminaristas e leigos sob o impulso exemplar do papa da época eram motivados a empreender esforços para transformar a liturgia moderna - forma ordinária do rito romano na denominação do próprio Bento XVI - cada vez mais parecida/conectada com a liturgia antiga, isto é a então denominada forma extraordinária do rito romano.

Respirava-se naqueles anos uma expectativa de quando e como o papa celebraria algum ato litúrgico conforme as rubricas antigas (o que por si só seria algo extraordinário!), mas os anos se passavam e o seu mestre de cerimônias Guido Marini era enfático em afirmar que não havia sido requerido nada do tipo, não tendo data prevista para tal. 

Muitos eram também os sacerdotes, que no afã do momento, repristinavam paramentos esquecidos, confeccionavam outros, escreviam textos na internet conclamando para o respeito ao texto conciliar e o seu correto modo de interpretação (a chamada hermenêutica da continuidade), celebravam em igrejas cada vez mais lotadas de jovens a missa antiga e pregavam pelo apelo à obediência ao papa, ao respeito à liturgia antiga e moderna, e ao estudo sério do catecismo.

Em março de 2013 com a eleição do papa Francisco, estes mesmos sacerdotes, seminaristas e leigos, acabaram por acordar de um sonho, diga-se, porque o papa já não usava rendas, nem belos paramentos, trajava somente a batina branca com cruz da cor de prata e não "rubricava" como era de se esperar de um jesuíta. Muitos destes mudaram o discurso, as vestes, os textos e alguns até mudaram a fé, aliás, deixaram a fé. 

Não pretendo nestas linhas criticar o papa Francisco, mas sim apontar o que eu vi e ouvi nestes anos de internet. A bem da verdade, durante este intervalo de 2016 até hoje, eu mesmo passei por algumas mudanças. Estive a investigar os dois lados de um paralelo, como o padre Paulo Ricardo chamou, a batalha dos missais. 

O que aqui busco expor brevemente é como tivemos uma guinada, de 2013 para cá, naquilo que há pouco tempo era considerado um "sopro do Espírito" ou também, como diz-se no Concílio Vaticano II, os "sinais dos tempos", de que o pontificado de Bento XVI era o início de uma reestruturação da reforma litúrgica do pós-concílio, isto é, nas palavras do mesmo papa, uma reforma da reforma. 

Esta mesma reforma tinha alguns pontos visíveis, como a centralidade do crucifixo sobre o altar (a fim de minimizar a nova orientação litúrgica do sacerdote, que agora celebra versus populum), o uso do incenso, maior espaço para o canto gregoriano e para a polifonia sacra, e a primazia da beleza nas vestes, nos objetos e nos gestos litúrgicos como um todo. Talvez o erro tenha sido que esta reforma da reforma só tenha tido o apoio do papa e dos sacerdotes, mas não dos bispos, que após o final do pontificado do papa alemão puseram-se mais à vontade em muitos temas e agora são "Traditionis Custodes".

Por fim, para não alongar o que deveria ser breve, entendo que cada missal, o de 1962 e o de 1970 possui uma cultura circundante, que molda caráter e ações. Para um lado e para outro vemos conversões, vida de oração, bons testemunhos e catolicidade. Em um e em outro, há sim contradições quanto a gestos, frases e momentos, mas em ambos encontramos a fé da Igreja. É verdade, tenho que ser honesto, no missal anterior temos mais facilmente acesso ao depósito da fé, mas ainda há barreiras eclesiais para todos afirmarem isso.

Creio que voltarei a escrever sobre este assunto, principalmente comentando o efeito Traditionis Custodes.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

O discurso inaugural do Card. Sarah no Sacra Liturgia UK 2016

Pax et bonum!

Nos últimos dias muitos blogs e sites fizeram eco às palavras do Cardeal Robert Sarah, proferidas em seu discurso inaugural na conferência Sacra Liturgia UK 2016, que se encerra hoje. Pensamos que poderíamos apenas repostar a notícia de algum blog, mas achamos por bem ir além.

Após algumas pesquisas, encontramos uma página em que o discurso parece estar colocado na íntegra e logo iniciamos um trabalho de tradução.

Abaixo segue esta nossa tradução, que ainda poderá passar por alguma melhoria. Todavia, tivemos pressa em colocar o texto sob a apreciação de nossos leitores e esperamos que seja de bom proveito.

SACRA LITURGIA UK 2016Oratório de São Filipe Néri (Oratório de Brompton),Londres, 05/07/2016
Em primeiro lugar quero expressar minha gratidão à S. Ema., o Cardeal Vincent Nichols, por suas boas vindas à Arquidiocese de Westminster e por suas gentis palavras de saudação. Assim também quero agradecer à S. Exa., o Bispo Dominique Rey, Bispo de Fréjus-Toulon, pelo seu convite para estar presente com vocês nesta terceira conferência internacional "Sacra Liturgia", e para apresentar a vocês o discurso de abertura nesta tarde. Parabenizo V. Exa. nesta iniciativa internacional de promover o estudo da importância da formação e da celebração litúrgicas na vida e na missão da Igreja.

Neste discurso quero colocar diante de vocês algumas considerações sobre como a Igreja Ocidental pode caminhar rumo a uma implementação mais fiel da Sacrosanctum Concilium. Fazendo isto, proponho a seguinte pergunta: "O que os Padres do Concílio Vaticano Segundo tinham em mente com a reforma litúrgica?" Assim, gostaria de considerar como suas intenções foram implementadas seguindo o Concílio. Enfim, gostaria de colocar algumas sugestões para a vida litúrgica da Igreja hoje, de modo que nossa prática litúrgica possa mais fielmente refletir as intenções dos Padres Conciliares.

É muito claro, penso, que a Igreja ensina que a liturgia católica é o lugar singularmente privilegiado da ação salvadora de Cristo em nosso mundo hoje, por meio da real participação em que recebemos sua graça e sua força que são tão necessárias para nossa perseverança e crescimento na vida cristã. É o lugar divinamente instituído onde vamos cumprir nosso dever de oferecer sacrifício a Deus, de oferecer o Único Verdadeiro Sacrifício. É onde percebemos nossa profunda necessidade de adorar o Deus todo-poderoso. A liturgia católica não é uma reunião humana ordinária.

Quero sublinhar um fato muito importante aqui: Deus, não o homem, está no centro da liturgia católica. Viemos adorá-lo. A liturgia não é sobre você e eu; não é onde celebramos nossa própria identidade ou conquistas ou onde exaltamos ou promovemos nossa própria cultura e costumes religiosos locais. A liturgia é primeiro e acima de tudo sobre Deus e o que ele fez por nós. Em sua Divina Providência, o Deus todo-poderoso fundou a Igreja e instituiu a Sagrada Liturgia por meio da qual somos capazes de oferecer-lhe um culto verdadeiro de acordo com a Nova Aliança estabelecida por Cristo. Fazendo isto, ao adentrar as exigências dos ritos sagrados desenvolvidos na tradição da Igreja, recebemos nossa verdadeira identidade e significado como filhos e filhas do Pai.

É essencial que compreendamos esta especificidade do culto católico, pois em décadas recentes temos visto muitas celebrações litúrgicas onde o povo, personalidades e conquistas humanas têm sido proeminentes demais, quase ao ponto da exclusão de Deus. Como o Cardeal Ratzinger escreveu uma vez: "Se a liturgia aparece antes de tudo como uma oficina (um workshop) para nossa atividade, então aquilo que é enssencial foi esquecido: Deus. Pois a liturgia não é sobre nós, mas sobre Deus. Esquecer Deus é o perigo mais iminentes de nossa era" (Joseph Ratzinger, Theology of the Liturgy, Collected Works vol. 11, Ignatius Press, San Francisco 2014, p. 593).

Precisamos ser completamente claros sobre a natureza do culto católico se pretendemos ler corretamente e implementar fielmente a Constituição do Concílio Vaticano II sobre a Sagrada Liturgia.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

O Missal de Paulo VI e a Reforma da Reforma Litúrgica.


O pontificado de Bento XVI deu uma atenção especial à chamada "reforma da reforma". O foco era corrigir as imprecisões e aberturas do Missal de Paulo VI, que dão espaço a interpretações protestantes da Celebração Eucarística. Mas quais são essas aberturas e como elas surgiram? E qual deve ser a posição dos católicos frente a esses problemas?

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Palavras do Papa antes do Ângelus



Opus Dei -



Opus Dei - Percurso até o Palácio São JoaquimPALAVRAS DO PAPA ANTES DO ÂNGELUS

Caríssimos irmãos e amigos! Bom dia!

Dou graças à divina Providência por ter guiado meus passos até aqui, na cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Agradeço de coração sincero a Dom Orani e também a vocês pelo acolhimento caloroso, com que manifestam seu carinho pelo Sucessor de Pedro. Desejaria que a minha passagem por esta cidade do Rio renovasse em todos o amor a Cristo e à Igreja, a alegria de estar unidos a Ele e de pertencer a Igreja e o compromisso de viver e testemunhar a fé.



Uma belíssima expressão da fé do povo é a "Hora da Ave Maria". É uma oração simples que se reza nos três momentos característicos da jornada que marcam o ritmo da nossa atividade quotidiana: de manhã, ao meio-dia e ao anoitecer. É, porém, uma oração importante; convido a todos a rezá-la com a Ave Maria. Lembra-nos de um acontecimento luminoso que transformou a história: a Encarnação, o Filho de Deus se fez homem em Jesus de Nazaré.

Hoje a Igreja celebra os pais da Virgem Maria, os avós de Jesus: São Joaquim e Sant'Ana. Na casa deles, veio ao mundo Maria, trazendo consigo aquele mistério extraordinário da Imaculada Conceição; na casa deles, cresceu, acompanhada pelo seu amor e pela sua fé; na casa deles, aprendeu a escutar o Senhor e seguir a sua vontade. São Joaquim e Sant'Ana fazem parte de uma longa corrente que transmitiu o amor a Deus, no calor da família, até Maria, que acolheu em seu seio o Filho de Deus e o ofereceu ao mundo, ofereceu-o a nós. Vemos aqui o valor precioso da família como lugar privilegiado para transmitir a fé!


Olhando para o ambiente familiar, queria destacar uma coisa: hoje, na festa de São Joaquim e Sant'Ana, no Brasil como em outros países, se celebra a festa dos avós. Como os avós são importantes na vida da família, para comunicar o patrimônio de humanidade e de fé que é essencial para qualquer sociedade! E como é importante o encontro e o diálogo entre as gerações, principalmente dentro da família. O Documento de Aparecida nos recorda: "Crianças e anciãos constroem o futuro dos povos; as crianças porque levarão por adiante a história, os anciãos porque transmitem a experiência e a sabedoria de suas vidas" (DAp 447). Esta relação, este diálogo entre as gerações é um tesouro que deve ser conservado e alimentado! Nesta Jornada Mundial da Juventude, os jovens querem saudar os avós. Eles saúdam os seus avós com muito carinho e lhes agradecem pelo testemunho de sabedoria que nos oferecem continuamente.

E agora, nesta praça, nas ruas adjacentes, nas casas que acompanham conosco este momento de oração, sintamo-nos como uma única grande família e nos dirijamos a Maria para que guarde as nossas famílias, faça delas lares de fé e de amor, onde se sinta a presença do seu Filho Jesus.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

O nome de São José será acrescentado nas orações eucarísticas.



DECRETO

Pelo seu lugar singular na economia da salvação como pai de Jesus, São José de Nazaré, colocado à frente da Família do Senhor, contribuiu generosamente à missão recebida na graça e, aderindo plenamente ao início dos mistérios da salvação humana, tornou-se modelo exemplar de generosa humildade, que os cristãos têm em grande estima, testemunhando aquela virtude comum, humana e simples, sempre necessária para que os homens sejam bons e fiéis seguidores de Cristo. Deste modo, este Justo, que amorosamente cuidou da Mãe de Deus e se dedicou com alegre empenho na educação de Jesus Cristo, tornou-se guarda dos preciosos tesouros de Deus Pai e foi incansavelmente venerado através dos séculos pelo povo de Deus como protector do corpo místico que é a Igreja.

Na Igreja Católica os fiéis, de modo ininterrupto, manifestarem sempre uma especial devoção a São José honrando solenemente a memória do castíssimo Esposo da Mãe de Deus como Patrono celeste de toda a Igreja; de tal modo que o Beato João XXIII, durante o Concílio Ecuménico Vaticano II, decretou que no antiquíssimo Cânone Romano fosse acrescentado o seu nome. O Sumo Pontífice Bento XVI acolheu e quis aprovar tal iniciativa manifestando-o várias vezes, e que agora o Sumo Pontífice Francisco confirmou, considerando a plena comunhão dos Santos que, tendo sido peregrinos connosco neste mundo, nos conduzem a Cristo e nos unem a Ele.

Considerando o exposto, esta Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, em virtude das faculdades concedidas pelo Sumo Pontífice Francisco, de bom grado decreta que o nome de São José, esposo da Bem-aventurada Virgem Maria, seja, a partir de agora, acrescentado na Oração Eucarística II, III e IV da terceira edição típica do Missal Romano. O mesmo deve ser colocado depois do nome da Bem-aventurada Virgem Maria como se segue: na Oração Eucarística II: "ut cum beata Dei Genetrice Virgine Maria, beato Ioseph, eius Sponso, beatis Apostolis", Na Oração Eucarística III: "cum beatissima Virgine, Dei Genetrice, Maria, cum beato Ioseph, eius Sponso, cum beatis Apostolis"; na Oração Eucarística IV: "cum beata Virgine, Dei Genetrice, Maria, cum beato Ioseph, eius Sponso, cum Apostolis".

Para os textos redigidos em língua latina utilizam-se as formulas agora apresentadas como típicas. Esta Congregação ocupar-se-á em prover à tradução nas línguas ocidentais mais difundidas; para as outras línguas a tradução devera ser preparada, segundo as normas do Direito, pelas respectivas Conferências Episcopais e confirmadas pela Sé Apostólica através deste Dicastério.

Nada obste em contrário.

Sede da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, 1 de Maio de 2013, São José Operário.
Antonio Card. Cañizares Llovera
Prefeito


+ Arthur Roche
Arcebispo Secretário

sábado, 2 de março de 2013

Pe. Zuhlsdorf: O resgate da liturgia solene


Entrevista com o Padre John Zuhlsdorf
Por Marcio Antonio Campos
Fonte: Gazeta do Povo, Curitiba
Para restaurar a sacralidade da missa, desfigurada por invenções locais alheias ao senso litúrgico da Igreja, Bento XVI resolveu, em 2007, liberar a celebração da missa tridentina, que era a norma na Igreja até 1969. Essa é a avaliação de um dos principais blogueiros de liturgia do mundo, o padre americano John Zuhlsdorf. Ele discorda da avaliação de muitos especialistas, para os quais a liberação da missa tridentina seria meramente um gesto de boa vontade para buscar o fim do cisma dos tradicionalistas da Sociedade São Pio X. Zuhlsdorf, que mantém o blog What does the prayer really say? (www.wdtprs.com), concedeu entrevista por e-mail à Gazeta do Povo.
 
Qual o papel da liturgia para Bento XVI?
O culto a Deus pela liturgia sempre foi central em seu pensamento. Ele escreveu muito sobre o tema.
 
Ratzinger liga a crise da Igreja à crise da liturgia. Como elas se relacionam?
Deus está no topo da hierarquia dos nossos afetos. Se nossa relação com Deus está distorcida, defeituosa ou inadequada, todos os nossos relacionamentos serão distorcidos, defeituosos ou inadequados. Se nosso culto a Deus não é adequado ou agradável a Ele, enfraquecemos todos os outros aspectos de nossa vida. Nenhuma esfera da vida da Igreja pode estar bem se o culto litúrgico da Igreja não estiver saudável. Isso significa que precisamos rezar e adorar a Deus, como Igreja, da maneira como a própria Igreja determina que devemos fazê-lo. E precisamos manter uma continuidade com a forma como a Igreja sempre rezou. Essa continuidade é quebrada quando decidimos fazer as coisas de acordo com nossos próprios critérios, alterando incorretamente o modo de adorar e rezar. Assim fazemos mal a nós e a todos, porque estamos nisso juntos.

Quais as principais contribuições de Bento XVI para a liturgia?
Sua principal contribuição para o Novus Ordo (a missa celebrada atualmente) é, acima de tudo, a permissão para a celebração da missa tridentina na forma antiga, com o “motu proprio” Summorum pontificum. Parece paradoxal, mas não é. A celebração da forma mais tradicional lado a lado com o Novus Ordo cria uma atração gravitacional sobre como a forma nova é celebrada, no sentido de haver maior solenidade. O uso da missa tradicional, que está crescendo, ajudará a“curar” o culto e direcioná-lo para a continuidade com a herança católica e com o modo como a Igreja quer que celebremos.
 
A missa tridentina ganhou força com Bento XVI, mas ainda está disponível para uma minoria bem restrita. Ela permanecerá assim?
Pequenas minorias podem fazer coisas grandiosas. Além disso, o número de pessoas que frequentam a missa tradicional cresce lentamente, mas de forma consistente. Pelo menos nos Estados Uni­­dos, jovens padres e seminaristas vêm se interessando pela missa tridentina. À medida que eles vão assumindo paróquias, veremos um aumento no interesse por parte dos fiéis também.

Bento XVI também usou as missas papais para mandar mensagens sobre a maneira como ele quer ver a missa ser celebrada…
Sim, é importante a ação humilde, mas clara, do papa. Ele ensina pelo exemplo e pelo convite, em vez da imposição. Ele vem tentando trazer a Igreja de volta ao culto ad orientem (voltado para o oriente), e por isso pede que os altares tenham o crucifixo no centro, mesmo quando o padre está de frente para os fiéis. É um arranjo provisório na direção de colocar padre e fiéis juntos, voltados para a mesma direção, para o crucifixo, para o “oriente litúrgico”.Esta é a melhor forma de expressar nossa esperança e anseio pelo Senhor. O papa também vem promovendo a comunhão de joelhos e diretamente na boca, que é a forma adequada de nos aproximarmos do Senhor Eucarístico. Esses são os exemplos mais importantes.
 
Qual o papel do monsenhor Guido Marini, mestre de cerimônias pontifícias, nesse processo?
O monsenhor Marini entende muito bem a visão que o Santo Padre tem do culto litúrgico, e trabalhou para implementá-la. Ele tem feito um ótimo trabalho e espero que o próximo papa o mantenha no cargo.

Por que demora tanto para as mudanças e sugestões do papa serem aceitas nas dioceses e paróquias?
Porque é muito mais fácil demolir um prédio que construí-lo. Mas a geração dos que foram animados pelo chamado “espírito do Vaticano II”, oposto aos seus documentos, está passando. Uma nova geração está assumindo posições de liderança e não tem a bagagem desse entendimento torto do Concílio, o que Bento XVI chamou de “hermenêutica da ruptura”. A nova geração quer a continuidade e está bem aberta ao que o papa vem fazendo.
 
Visto em: Da Mihi Animas

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Summorum Pontificum é válido também para o Rito Ambrosiano

A fim de cumprir com a mens do Santo Padre, o Círculo John Henry Newman organizou, no passado 11 de janeiro, um encontro público sobre a aplicação do Motu Proprio Summorum Pontificum ao Rito Ambrosiano. A tese do Círculo (lógica e de bom senso) é a seguinte: o Motu proprio - sendo lei universal da Igreja - deve ser aplicado também da Diocese de Milão.
 
O doutor Andrea Sandri, presidente do Círculo, traçou os marcos fundamentais da falha da aplicação do Motu proprio na Diocese Ambrosiana: a só um mês da promulgação do documento papal, o até então Vigário Episcopal para a Evangelização e os Sacramentos e Pró-Presidente da Congregação do rito Ambrosiano - mons. Luigi Manganini - publicava uma carta na qual se afirmava que o Motu proprio interessava, "como é óbvio, as paróquias e as comunidades de Rito Romano presentes na Diocese, onde porém nestes anos não nos foram requisitadas para o uso da precedente concessão de João Paulo II, nem resultam existir grupos estáveis de fiéis aos quais poderiam ser oportunos passos de reconciliação".

O segundo documento analisado pelo doutor Sandri é a carta de mons. Perl (agora vice-presidente da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei), em resposta ao padre Jeffrey Moore. O sacerdote pedia a confirmação da aplicabilidade do Motu proprio na diocese de Lugano, na qual se é celebrado o rito ambrosiano e romano. A resposta do monsenhor é clara: "se é verdade que o motu proprio do Santo Padre não menciona explicitamente o rito ambrosiano, ele não exclui os outros ritos latinos, se a vontade do Sumo Pontífice se aplica ao rito romano, considerado superior em dignidade, por isso, tanto mais que o outro ritos latinos, incluindo o rito ambrosiano". Bastaram estas palavras para encerrar a partida em favor da aplicabilidade do Motu proprio em terra ambrosiana, porém - se sabe - certas ideias são difíceis de extirpar.
 
O doutor Sandri cedeu a palavra ao padre Marino Neri, filólogo e liturgista. O sacerdote analisou o rito ambrosiano do ponto de vista histórico - evidenciando a penhora de Santo Ambrósio à tradição romana e, ao mesmo tempo, a sua tentativa de ir ao encontro da tradição local - e do ponto de vista filológico, confrontando sinopticamente o Cânon Romano e ambrosiano, e analisando algumas obras de Santo Ambrósio, úteis para compreender a sua mens litúrgica.
 
O doutor Fabio Adernò - canonista e advogado eclesiástico - analisou a natureza jurídica do Motu proprio, que é - ao mesmo tempo - lei universal e, depois, dirigida a toda a Igreja, e lei especial enquanto afirma a existência de uma forma "extraordinária" do Rito.

Adernò então demonstrou como a expressão "rito romano" - enquanto expressão litúrgica majoritária da Igreja - possa ser considerada sinônima de "rito latino", compreende também o rito ambrosiano, e reafirmou - além destas interpretações - um princípio base do direito: a autoridade inferior não pode nem ab-rogar, nem modificar ou ignorar quanto disposto da autoridade superior, mas somente aplicar. 

O encontro se concluiu com a alegria que os responsáveis diocesanos tiveram a descobrir o tesouro da Missa ambrosiana antiga e que, sobretudo, aplicando generosamente o Motu proprio Summorum Pontificum reafirmam com força o seu apego ao Santo Padre.

No dia seguinte, padre Marino Neri celebrou uma santa Missa em rito romano antigo junto da Abadia dos monges Olivetanos de Seregno.
 
(...)
 
Fonte: Cordialiter

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

O Rito Moçárabe e o Ano da Fé

 
Dom Bráulio Rodríguez Plaza, arcebispo de Toledo, publicou um magnífico artigo no jornal L'Osservatore Romano em 18 de dezembro, no qual relaciona o Rito Hispano-Moçárabe com o Ano da Fé. Colocamos um parágrafo do artigo do Primado da Espanha:

Este ano de graça considero que é muito importante dar a conhecer os conteúdos da fé da Igreja; isso, sem dúvida, nos pode ajudar a aprofundar na lex credendi que nos mostra nossa própria tradição, a bonita tradição litúrgica do Rito Hispano-Moçárabe. Uma fé que forjou uma cultura, nossa cultura; e para uma contínua e verdadeira renovação deve ter-se em conta a volta às fontes e o conhecimento de si mesmo: «Esta antiga Liturgia hispano-moçárabe representa, portanto, uma realidade eclesial, e também cultural, que não pode ser relegada ao esquecimento se se querem compreender em profundidade as raízes do espírito cristão do povo espanhol»
O site Lex Orandi  traduziu o artigo para a língua espanhola.

Fonte: Lex Orandi
 


quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Uso das dalmáticas pelos acólitos na Espanha


 
Uso das dalmáticas pelos acólitos.
 
De acordo com informações resgatadas pelo historiador Don Ramón de la Campa, no Arquivo da Catedral de Sevilha, que agora é colocado ao lado do arcebispado de Sevilha no Palácio do Arcebispo, estão todas as disputas que existiam entre o Cabido da Catedral e Dom Jaime de Palafox y Cardona (1684-1701), o "homem de mil ações." Ele pretendia abolir todos os usos particulares e privilégios hispânicas: procedência do deão sobre o vigário eclesiástico, danças dos seis, uso de ornamentos brancos e celestes para a Imaculada..., e o uso de dalmáticas pelos ministros menores. Todos os pleitos foram a Roma, o que nos interessa, entre outros, à SCR (Sagrada Congregação dos Ritos). Eles foram longos, e nós sabemos como terminou, é certo que o costume foi perpetuado. Se pediu o parecer a muitas catedrais da Espanha, e todas respondiam afirmativamente, ao uso de dalmáticas por ministros leigos ou clérigos não ordenados, como própria de nossa nação. Uma das soluções sugeridas é que fossem paramentos não abençoados, mas isto não satisfez.
 
Há relatos de viajantes do século XIX que incluem aos ceroferários e turiferário com dalmáticas. Também existem testemunhos de que no seminário de Sevilha havia antigamente dalmáticas de todos as cores para quando o seminário assistia solenemente à catedral. (...)
 
***
Post publicado originalmente em: 12 de julho de 2011.
Obtido de: Una Voce Málaga
Tradução livre: Santa Igreja

sábado, 10 de novembro de 2012

Papa: "O canto sacro ajuda a expressar a fé"


A Sala Paulo VI ficou lotada na manhã deste sábado com 6 mil participantes do Encontro promovido pela Associação Italiana Santa Cecília, recebidos pelo Papa.

Neste domingo, o coral fará uma execução na Basílica de São Pedro, na celebração presidida pelo Cardeal-arcipreste Angelo Comastri, oferecendo serviço de louvor com o seu canto.

Falando aos cantores, o Papa ressaltou que a música sacra pode favorecer muito a fé e cooperar com a Nova Evangelização. “A fé nasce sempre da escuta da Palavra de Deus, e não há dúvidas de que a música, e principalmente o canto, pode conferir à recitação dos salmos e cantos bíblicos uma maior força comunicativa” – disse.

Bento XVI citou episódios da vida de Santo Ambrósio e Santo Agostinho, cujas sensibilidades e capacidades musicais serviram à fé e à evangelização. Os testemunhos destes dois santos ajudam a explicar o fato que a Constituição Sacrosanctum Concilium, em linha com a tradição da Igreja, ensina que “o canto sacro, unido às palavras, é parte necessária e integrante da liturgia solene”. O Papa explicou que o canto coopera para nutrir e expressar a fé e, portanto, à glória de Deus e à santificação dos fiéis.

Agradecendo pelo precioso serviço que prestam, Bento XVI completou que a música não é um assessório ou uma “decoração” da liturgia, mas é a própria liturgia.

Outro aspecto proposto foi a relação entre o canto sacro e a Nova Evangelização. Ele tem uma tarefa relevante para favorecer a redescoberta de Deus, uma aproximação à mensagem cristã e aos mistérios da fé: “Quanta gente foi tocada no profundo de suas almas ao ouvir música sacra; e quantos se sentiram novamente atraídos por Deus pela beleza da música litúrgica!. Vocês que têm o dom do canto podem fazer cantar o coração de tanta gente nas celebrações litúrgicas”.

Terminando, o Papa fez votos de que a música litúrgica tenda sempre mais ao alto, para louvar dignamente o Senhor e mostrar que a Igreja é o lugar onde a beleza “é de casa”.
 
Fonte: Rádio Vaticano 

domingo, 23 de setembro de 2012

São Padre Pio de Pietrelcina, rogai por nós e pela Liturgia!

"Mantenha-se sempre do lado da Igreja Católica, porque só Ela pode lhe dar paz verdadeira, posto que só Ela possui Jesus no Santíssimo Sacramento, o verdadeiro Príncipe da Paz"
 
(Padre Pio)

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Ofício Divino: resumo para o dia da Assunção de Nossa Senhora.

Fizemos um pequeno resumo da Liturgia das Horas para o dia de hoje, para que possamos com esta oração, mesmo que diminuída, entrar em união com Nossa Senhora.

                                                            Vésperas 

V. 
Vinde, ó Deus, em meu auxílio. 
R. 
Socorrei-me sem demora. 
Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. 
Como era no princípio, agora e sempre. Amém. Aleluia. 

Hino 
Nova estrela do céu, gáudio da terra,
ó Mãe do Sol, geraste o Criador: 
estende a tua mão ao que ainda era,
levanta o pecador. 

Deus fez de ti escada luminosa: 
por ela o abismo galga o próprio céu; 
dá subirmos contigo, ó gloriosa, 
envolva-nos teu véu![...]

Salmodia 

Ant. 1 Maria foi hoje elevada aos céus, 
os anjos se alegram, louvando o Senhor.
Salmo 121(122)
1 Que alegria, quando ouvi que me disseram: * 
'Vamos à casa do Senhor!' 
2 
E agora nossos pés já se detêm, *
Jerusalém, em tuas portas. [...]

Cântico Ef 1,3-10 

3 Bendito e louvado seja Deus, * 
o Pai de Jesus Cristo, Senhor nosso, 
– que do alto céu nos abençoou em Jesus Cristo * 
com bênção espiritual de toda sorte! [...]

(R.
 Bendito sejais vós, nosso Pai, 
que nos abençoastes em Cristo!
) 

Leitura breve 1Cor 15,22-23

Como em Adão todos morem, assim também em Cristo todos reviverão. Porém, cada qual
segundo uma ordem determinada: Em primeiro lugar, Cristo, como primícias; depois, os que
pertencem a Cristo.

Responsório breve

R. 
Foi exaltada a Virgem Maria, 
Acima dos coros dos anjos. R. Foi exaltada. 
V. 
Bendito o Senhor que a elevou! Acima.
Glória ao Pai. 
R. Foi exaltada.

Cântico evangélico (MAGNIFICAT) Lc 1,46-55
Ant. Hoje a Virgem Maria subiu para os céus,
alegremo-nos todos, pois reina com Cristo sem fim, pelos séculos.
 
A alegria da alma no Senhor

46 A minha alma engrandece ao Senhor *
47
 e exulta meu espírito em Deus, meu Salvador;
48
 porque olhou para humildade de sua serva, *
doravante as gerações hão de chamar-me de bendita.[...] 

Ant. Hoje a Virgem Maria subiu para os céus,
alegremo-nos todos, pois reina com Cristo sem fim, pelos séculos.

Preces

 
Proclamemos a grandeza de Deus Pai todo-poderoso: Ele quis que Maria, Mãe de seu
Filho, fosse celebrada por todas as gerações. Peçamos humildemente:

R. 
Cheia de graça, intercedei por nós!

Deus, autor de tantas maravilhas, que fizestes a Imaculada Virgem Maria participar em
corpo e alma da glória celeste de Cristo,
– conduzi para a mesma glória os corações de vossos filhos e filhas. R. 
Vós, que coroastes Maria como rainha do céu,
– fazei que nossos irmãos e irmãs falecidos se alegrem eternamente em vosso reino, na companhia dos santos. R. 

 
Pai nosso... 
Oração
 
Deus eterno e todo-poderoso, que elevastes à glória do céu em corpo e alma a imaculada Virgem Maria, Mãe do vosso Filho, dai-nos viver atentos às coisas do alto a fim de participarmos da sua glória. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. 
Conclusão da Hora
O Senhor nos abençoe,
nos livre de todo o mal
e nos conduza à vida eterna. Amém.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

SÃO PEDRO E SÃO PAULO, ROGAI POR NÓS!


Constitues eos principes super omnem
terram: memores erunt nominis
tui, Domine, in omni progenie et generatione.

sábado, 23 de junho de 2012

NATIVIDADE DE SÃO JOÃO BATISTA


No oitavo dia se reuniram para a circuncisão da criança e propuseram, que lhe fosse dado o nome do pai. A mãe, porém, opôs-se e disse: "Não; deve chamar-se João". Disseram-lhe: "Mas, na tua família não há pessoa desse nome". Isabel, porém, insistiu que ao menino fosse dado o nome de João. Então, fizeram sinal ao pai, para que manifestasse a sua opinião. Zacarias pediu uma tabuinha para escrever e escreveu: "João é o seu nome". Ficaram todos admirados. No mesmo instante desatou-se-lhe a língua e Zacarias falou, bendizendo a Deus. Cheio do Espírito Santo, entoou um dos cantos mais belos que a liturgia conhece, e que faz parte do Ofício que os sacerdotes da Igreja diariamente oferecem a Deus - "Bendito seja o Senhor de Israel, porque visitou seu povo e o resgatou. Suscitou um Salvador poderosos, na casa de seu servo Davi, como tinha prometido por boca dos profetas..." E dirigindo-se ao filhinho, disse: "E tu, ó menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque irás ante a face do Senhor, preparar-Lhe os caminhos..."

terça-feira, 19 de junho de 2012

Mons. Bux – Espero que o Papa escreva uma encíclica sobre a liturgia

Cidade do Vaticano (TMNews) – “Minha esperança é que o Papa escreva uma encíclica sobre a liturgia, a partir da fé, e que os cardeais, bispos e sacerdotes, desenvolvamos mais esse tema”. Assim declarou aos microfones da Rádio Vaticano o Mons. Nicola Bux, professor da Faculdade de Teologia de Puglia e consultor da Congregação para a Doutrina da Fé e para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos.

“O que aconteceu, e que o Papa denúncia de algum modo – afirma Bux – é exatamente o que os Padres Conciliares não queriam. Muitos entenderam a reforma como uma revolução e colocaram o homem no centro, com sua vontade inquebrantável de protagonismo, no lugar de Deus. Eliminamos do centro [do altar] o Santíssimo Sacramento para abrir espaço para nossos clérigos, num momento em que – como se vê na crônica – faríamos bem em estar de um lado, como ministros. Não lamentemos depois a decadência da ética, inclusive na Igreja. Como nos recordou Bento XVI, com uma forte expressão, “a crise da Igreja nasce justamente de uma crise da liturgia”.

***

Visto em: Secretum Meum Mihi / Juventutem Argentinae

domingo, 6 de maio de 2012

“Por muitos” ou “por todos”? A resposta certa é a primeira.


As Igrejas de várias nações do mundo estão restaurando na Missa, uma após a outra, as palavras da consagração do cálice tiradas literalmente dos Evangelhos e usadas por séculos mas, nas últimas décadas, substituídas por uma tradução diferente.

Enquanto o texto tradicional na versão latina original ainda diz: “Hic est enim calix sanguinis mei […] qui pro vobis et pro multis effundetur,” as novas fórmulas pós-conciliares leram no “pro multis” um imaginário “pro omnibus”. E, ao invés de “por muitos”, traduziram por “por todos”.

Ainda no último período do pontificado de João Paulo II, algumas autoridades vaticanas, incluindo Joseph Ratzinger, tentaram renovar a fidelidade nas traduções ao “pro multis”. Mas sem sucesso.
Bento XVI resolveu cuidar disso pessoalmente. Prova disso está na carta que ele escreveu no último dia 14 de abril aos bispos da Alemanha.

O link para o texto completo da carta segue abaixo. Nela, Bento XVI resume as questões principais da controvérsia para melhor fundamentar sua decisão de restaurar a correta tradução do “pro multis”.
Mas, para melhor compreender o contexto, vale lembrar aqui de alguns elementos.

Em primeiro lugar, ao dirigir sua carta aos bispos da Alemanha, Bento XVI também deseja alcançar os bispos de outras regiões de língua alemã: Áustria, os Cantões Alemães na Suíça e o Tirol do Sul, na Itália.

De fato, se na Alemanha, apesar da forte resistência, a conferência episcopal optou recentemente pela tradução do “pro multis” não mais com o “für alle”, por todos, mas com o “für viele”, por muitos, este não é o caso da Áustria.

Tampouco é o caso da Itália. Em novembro de 2010, por votação, dos 187 bispos votantes, somente 11 escolheram o “per molti”. Uma maioria esmagadora votou a favor do “per tutti”, indiferentes às instruções do Vaticano. Um pouco antes, as conferências episcopais de 16 regiões italianas, com exceção da Ligúria, se pronunciaram pela retenção da fórmula “per tutti”.

Em outras partes do mundo, estão retornando ao uso do “por muitos”: na América Latina, na Espanha, na Hungria, nos Estados Unidos. Frequentemente com desacordo e desobediência.

Mas Bento XVI claramente deseja ver esta questão resolvida. Sem imposições, mas instando os bispos a preparar o clero e os fiéis, com uma catequese apropriada, para uma mudança que deve ocorrer inevitavelmente.

Depois desta carta, fica fácil prever que o “per molti” também será restaurado nas Missas celebradas na Itália, apesar do voto contrário dos bispos em 2010.

A nova versão do missal, aprovada pela conferência episcopal italiana, está atualmente sob o exame da Congregação para o Culto Divino. E, neste ponto, certamente será corrigida de acordo com as instruções papais.

Um Segundo ponto diz respeito aos contínuos obstáculos encontrados pela tradução do “por muitos”.
Até 2001, os proponentes de traduções mais “livres” dos textos litúrgicos apelavam a um documento de 1969 do “Consilium ad exsequendam Constitutionem de Sacra Liturgia”, cujo secretário era monsenhor Annibale Bugnini, um documento sem assinatura, estranhamente escrito [originalmente] em francês, comumente referido por suas primeiras palavras: “Comme le prévoit”.

Em 2001, a Congregação para o Culto Divino publicou uma instrução, “Liturgiam Authenticam,” para a correta implementação da reforma litúrgica conciliar. O texto, datado de 28 de março, foi assinado pelo cardeal prefeito Jorge Arturo Medina Estevez e pelo arcebispo secretário Francesco Pio Tamburrino, e foi aprovado pelo papa João Paulo II numa audiência concedida oito dias antes ao cardeal secretário de estado Ângelo Sodano.

Lembrando que o rito romano “tem seu próprio estilo e estrutura que devem ser respeitados o máximo possível na tradução”, a instrução recomendava a tradução de textos litúrgicos que fossem “não tanto um trabalho de invenção criativa, senão um [trabalho] de fidelidade e exatidão na transcrição dos textos latinos para a língua vernácula”. Boas traduções – prescrevia o documento – “devem ser livres de uma dependência exagerada dos modos modernos de expressão e, de modo geral, livres de uma linguagem psicologizante”.

A instrução “Liturgiam Authenticam” sequer citava o “Comme le prévoit”. E era uma omissão voluntária, para privar o texto definitivamente de uma autoridade e de uma oficialidade que ele jamais havia tido.

Mas, apesar disso, a instrução encontrou uma enorme e fortíssima resistência, mesmo dentro da Cúria romana, tanto que foi ignorada e contradita por dois documentos pontifícios subseqüentes.

O primeiro foi a encíclica “Ecclesia de Eucharistia” de João Paulo II em 2003. No segundo parágrafo, onde lembra as palavras de Jesus para a consagração do vinho, afirma: “Tomai, todos, e bebei: Este é o cálice do meu Sangue, o Sangue da nova e eterna aliança, que será derramado por vós e por todos para remissão dos pecados” (cf. Mateus 14,24; Lucas 22,20 e 1Cor 11,25). O “por todos” ali presente é uma variação que não tem base alguma nos textos bíblicos citados, evidentemente introduzido a partir das traduções presentes nos missais pós-conciliares.

O segundo documento é a última das cartas que João Paulo II costumeiramente endereçava aos padres toda Quinta-feira Santa. Tinha a data remetente de 13 de março de 2005, escrita no Hospital Gemelli, e afirmava no 4º parágrafo que:
“‘Hoc est enim corpus meum quod pro vobis tradetur’. O corpo e o sangue de Cristo são dados pela salvação do homem, da totalidade do homem e por todos os homens. Esta salvação é integral e ao mesmo tempo universal, pois ninguém, ao menos que livremente o escolha, é excluído do poder salvífico do sangue de Cristo: ‘qui pro vobis et pro multis effundetur´. É um sacrifício oferecido por “muitos” como diz o texto bíblico (Mc 14,24; Mt 26,28; Is 53, 11-12); esta expressão tipicamente semítica se refere à multidão que é salva por Cristo, o único Redentor, e, ao mesmo tempo, infere a totalidade dos seres humanos a quem a salvação é oferecida: o sangue do Senhor é “derramado por vós e por todos”, como algumas traduções legitimamente explicitam. O corpo de cristo é verdadeiramente oferecido ‘pela vida do mundo’ ( Jo 6, 51; 1 Jo 2,2).”

João Paulo II estava com a vida por um fio, estaria morto 20 dias depois. E foi um papa nestas condições, que sequer tinha forças para ler, a quem obrigaram assinar um documento em favor do “por todos”.

Na Congregação para a Doutrina da Fé, que não tinha recebido o texto antecipadamente, a questão foi recebida com desapontamento. Tanto que, alguns dias mais tarde, no dia 21 de março, segunda-feira da Semana Santa, numa reunião tumultuada entre os chefes de alguns dicastérios da Cúria, o Cardeal Ratzinger registrou seu protesto.

E menos de um mês depois, Ratzinger foi eleito papa. Anunciado ao mundo com visível satisfação pelo cardeal protodiácono Medina, o mesmo que havia assinado a instrução “Liturgiam Authenticam”.

Com Bento XVI como papa, a restauração da tradução correta do “pro multis” imediatamente se tornou um objetivo de sua “reforma da reforma” na arena litúrgica.

Ele sabia que encontraria uma oposição ferrenha. Mas nesta arena ele nunca teve medo de tomar decisões difíceis, como o provou o motu proprio “Summorum Pontificum” pela liberação da Missa no rito antigo.

Um fato bem interessante é o modo com o qual Bento XVI quer implementar suas decisões. Não somente com ordens peremptórias, mas através da persuasão.

Três meses depois de sua eleição a papa, ele fez com que a Congregação para o Culto Divino, liderada então pelo cardeal Francis Arinze, conduzisse uma pesquisa entre as conferências episcopais para descobrir suas opiniões a respeito da tradução do “pro multis” pelo “por muitos”.

Tendo reunido tais opiniões, no dia 17 de outubro de 2006, sob a instrução do papa, o cardeal Arinze enviou uma carta circular a todas as conferências episcopais, elencando seis motivos em favor do “por muitos” e encojarando-os – sempre que a formula “por todos” estivesse sendo usada – a “realizar a catequese necessária dos fiéis” em face da mudança.

É esta catequese que Bento XVI sugere que seja feita na Alemanha particularmente, numa carta enviada aos bispos alemães no último dia 14 de abril. Nela, ele aponta que não lhe parece que esta iniciativa pastoral sugerida com autoridade há seis anos atrás tenha sido jamais realizada.



Visto em: Fratres in Unum
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