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sexta-feira, 24 de janeiro de 2025

Uma decadência (im)prevista

Foto de Marko Vombergar/ALETEIA

 Foto de Marko Vombergar/ALETEIA


Nos anos de 2007 a 2013, mais precisamente até fevereiro de 2013, quando se vivia o pontificado de Bento XVI, uma gama de presbíteros, seminaristas e leigos sob o impulso exemplar do papa da época eram motivados a empreender esforços para transformar a liturgia moderna - forma ordinária do rito romano na denominação do próprio Bento XVI - cada vez mais parecida/conectada com a liturgia antiga, isto é a então denominada forma extraordinária do rito romano.

Respirava-se naqueles anos uma expectativa de quando e como o papa celebraria algum ato litúrgico conforme as rubricas antigas (o que por si só seria algo extraordinário!), mas os anos se passavam e o seu mestre de cerimônias Guido Marini era enfático em afirmar que não havia sido requerido nada do tipo, não tendo data prevista para tal. 

Muitos eram também os sacerdotes, que no afã do momento, repristinavam paramentos esquecidos, confeccionavam outros, escreviam textos na internet conclamando para o respeito ao texto conciliar e o seu correto modo de interpretação (a chamada hermenêutica da continuidade), celebravam em igrejas cada vez mais lotadas de jovens a missa antiga e pregavam pelo apelo à obediência ao papa, ao respeito à liturgia antiga e moderna, e ao estudo sério do catecismo.

Em março de 2013 com a eleição do papa Francisco, estes mesmos sacerdotes, seminaristas e leigos, acabaram por acordar de um sonho, diga-se, porque o papa já não usava rendas, nem belos paramentos, trajava somente a batina branca com cruz da cor de prata e não "rubricava" como era de se esperar de um jesuíta. Muitos destes mudaram o discurso, as vestes, os textos e alguns até mudaram a fé, aliás, deixaram a fé. 

Não pretendo nestas linhas criticar o papa Francisco, mas sim apontar o que eu vi e ouvi nestes anos de internet. A bem da verdade, durante este intervalo de 2016 até hoje, eu mesmo passei por algumas mudanças. Estive a investigar os dois lados de um paralelo, como o padre Paulo Ricardo chamou, a batalha dos missais. 

O que aqui busco expor brevemente é como tivemos uma guinada, de 2013 para cá, naquilo que há pouco tempo era considerado um "sopro do Espírito" ou também, como diz-se no Concílio Vaticano II, os "sinais dos tempos", de que o pontificado de Bento XVI era o início de uma reestruturação da reforma litúrgica do pós-concílio, isto é, nas palavras do mesmo papa, uma reforma da reforma. 

Esta mesma reforma tinha alguns pontos visíveis, como a centralidade do crucifixo sobre o altar (a fim de minimizar a nova orientação litúrgica do sacerdote, que agora celebra versus populum), o uso do incenso, maior espaço para o canto gregoriano e para a polifonia sacra, e a primazia da beleza nas vestes, nos objetos e nos gestos litúrgicos como um todo. Talvez o erro tenha sido que esta reforma da reforma só tenha tido o apoio do papa e dos sacerdotes, mas não dos bispos, que após o final do pontificado do papa alemão puseram-se mais à vontade em muitos temas e agora são "Traditionis Custodes".

Por fim, para não alongar o que deveria ser breve, entendo que cada missal, o de 1962 e o de 1970 possui uma cultura circundante, que molda caráter e ações. Para um lado e para outro vemos conversões, vida de oração, bons testemunhos e catolicidade. Em um e em outro, há sim contradições quanto a gestos, frases e momentos, mas em ambos encontramos a fé da Igreja. É verdade, tenho que ser honesto, no missal anterior temos mais facilmente acesso ao depósito da fé, mas ainda há barreiras eclesiais para todos afirmarem isso.

Creio que voltarei a escrever sobre este assunto, principalmente comentando o efeito Traditionis Custodes.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

O discurso inaugural do Card. Sarah no Sacra Liturgia UK 2016

Pax et bonum!

Nos últimos dias muitos blogs e sites fizeram eco às palavras do Cardeal Robert Sarah, proferidas em seu discurso inaugural na conferência Sacra Liturgia UK 2016, que se encerra hoje. Pensamos que poderíamos apenas repostar a notícia de algum blog, mas achamos por bem ir além.

Após algumas pesquisas, encontramos uma página em que o discurso parece estar colocado na íntegra e logo iniciamos um trabalho de tradução.

Abaixo segue esta nossa tradução, que ainda poderá passar por alguma melhoria. Todavia, tivemos pressa em colocar o texto sob a apreciação de nossos leitores e esperamos que seja de bom proveito.

SACRA LITURGIA UK 2016Oratório de São Filipe Néri (Oratório de Brompton),Londres, 05/07/2016
Em primeiro lugar quero expressar minha gratidão à S. Ema., o Cardeal Vincent Nichols, por suas boas vindas à Arquidiocese de Westminster e por suas gentis palavras de saudação. Assim também quero agradecer à S. Exa., o Bispo Dominique Rey, Bispo de Fréjus-Toulon, pelo seu convite para estar presente com vocês nesta terceira conferência internacional "Sacra Liturgia", e para apresentar a vocês o discurso de abertura nesta tarde. Parabenizo V. Exa. nesta iniciativa internacional de promover o estudo da importância da formação e da celebração litúrgicas na vida e na missão da Igreja.

Neste discurso quero colocar diante de vocês algumas considerações sobre como a Igreja Ocidental pode caminhar rumo a uma implementação mais fiel da Sacrosanctum Concilium. Fazendo isto, proponho a seguinte pergunta: "O que os Padres do Concílio Vaticano Segundo tinham em mente com a reforma litúrgica?" Assim, gostaria de considerar como suas intenções foram implementadas seguindo o Concílio. Enfim, gostaria de colocar algumas sugestões para a vida litúrgica da Igreja hoje, de modo que nossa prática litúrgica possa mais fielmente refletir as intenções dos Padres Conciliares.

É muito claro, penso, que a Igreja ensina que a liturgia católica é o lugar singularmente privilegiado da ação salvadora de Cristo em nosso mundo hoje, por meio da real participação em que recebemos sua graça e sua força que são tão necessárias para nossa perseverança e crescimento na vida cristã. É o lugar divinamente instituído onde vamos cumprir nosso dever de oferecer sacrifício a Deus, de oferecer o Único Verdadeiro Sacrifício. É onde percebemos nossa profunda necessidade de adorar o Deus todo-poderoso. A liturgia católica não é uma reunião humana ordinária.

Quero sublinhar um fato muito importante aqui: Deus, não o homem, está no centro da liturgia católica. Viemos adorá-lo. A liturgia não é sobre você e eu; não é onde celebramos nossa própria identidade ou conquistas ou onde exaltamos ou promovemos nossa própria cultura e costumes religiosos locais. A liturgia é primeiro e acima de tudo sobre Deus e o que ele fez por nós. Em sua Divina Providência, o Deus todo-poderoso fundou a Igreja e instituiu a Sagrada Liturgia por meio da qual somos capazes de oferecer-lhe um culto verdadeiro de acordo com a Nova Aliança estabelecida por Cristo. Fazendo isto, ao adentrar as exigências dos ritos sagrados desenvolvidos na tradição da Igreja, recebemos nossa verdadeira identidade e significado como filhos e filhas do Pai.

É essencial que compreendamos esta especificidade do culto católico, pois em décadas recentes temos visto muitas celebrações litúrgicas onde o povo, personalidades e conquistas humanas têm sido proeminentes demais, quase ao ponto da exclusão de Deus. Como o Cardeal Ratzinger escreveu uma vez: "Se a liturgia aparece antes de tudo como uma oficina (um workshop) para nossa atividade, então aquilo que é enssencial foi esquecido: Deus. Pois a liturgia não é sobre nós, mas sobre Deus. Esquecer Deus é o perigo mais iminentes de nossa era" (Joseph Ratzinger, Theology of the Liturgy, Collected Works vol. 11, Ignatius Press, San Francisco 2014, p. 593).

Precisamos ser completamente claros sobre a natureza do culto católico se pretendemos ler corretamente e implementar fielmente a Constituição do Concílio Vaticano II sobre a Sagrada Liturgia.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Cardeal Cañizares: Summorum Pontificum estabelece igualdade de condições entre as formas do Rito Romano.

PREFÁCIO DO CARDEAL CAÑIZARES À TESE DE DOUTORADO DO PADRE ALBERTO SORIA JIMÉNEZ, O.S.B.
Estamos diante de um trabalho que aborda, em termos científicos, um tema que nos últimos anos tem sido objeto de controvérsias acirradas. Todavia, desde o início duas características de sua obra devem ser levadas em consideração: seu caráter acadêmico e a pertença do autor a uma comunidade fiel aos grandes princípios da liturgia, mas na qual a forma extraordinária do Rito Romano não é celebrada. Isso lhe permitiu observar a situação de fora”,tornando possível a grande objetividade refletida em sua pesquisa.
A concepção, claramente presente tanto no motu proprio como nos documentos relacionados, de que a liturgia herdada é uma riqueza a ser preservada deve ser entendida no espírito do movimento litúrgico na linha de Romano Guardini, a qual Bento XVI deve tanto de sua relação pessoal com a liturgia desde sua juventude. A história detalhada e documentada do processo, desde seu início nos anos 70 até os dias de hoje, que o autor dessa obra nos apresenta, mostra como essa legislação não foi um resultado momentâneo de pressão, nem uma reflexão da opinião pessoal e isolada do Papa, mas que outras pessoas haviam desejado por muito tempo uma solução semelhante. Esses critérios do jovem padre Joseph Ratzinger foram consolidados e purificados ao longo dos anos, e foram assumidos por João Paulo II, que havia considerado a possibilidade de oferecer uma legislação apropriada.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Sacra Liturgia 2013: Missa celebrada pelo Card.Cañizares em honra de São Josemaría Escrivá

Por ocasião da conferência internacional organizada pelo bispo de Fréjus-Toulon, França, para estudar, promover e renovar a apreciação pela celebração formação litúrgica o Cardeal Cañizares, Prefeito da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, celebrou uma missa Novus Ordo no dia de São Josemaría Escrivá, na basílica de Santo Apolinário em Roma.

Informações aqui.





sábado, 2 de março de 2013

Pe. Zuhlsdorf: O resgate da liturgia solene


Entrevista com o Padre John Zuhlsdorf
Por Marcio Antonio Campos
Fonte: Gazeta do Povo, Curitiba
Para restaurar a sacralidade da missa, desfigurada por invenções locais alheias ao senso litúrgico da Igreja, Bento XVI resolveu, em 2007, liberar a celebração da missa tridentina, que era a norma na Igreja até 1969. Essa é a avaliação de um dos principais blogueiros de liturgia do mundo, o padre americano John Zuhlsdorf. Ele discorda da avaliação de muitos especialistas, para os quais a liberação da missa tridentina seria meramente um gesto de boa vontade para buscar o fim do cisma dos tradicionalistas da Sociedade São Pio X. Zuhlsdorf, que mantém o blog What does the prayer really say? (www.wdtprs.com), concedeu entrevista por e-mail à Gazeta do Povo.
 
Qual o papel da liturgia para Bento XVI?
O culto a Deus pela liturgia sempre foi central em seu pensamento. Ele escreveu muito sobre o tema.
 
Ratzinger liga a crise da Igreja à crise da liturgia. Como elas se relacionam?
Deus está no topo da hierarquia dos nossos afetos. Se nossa relação com Deus está distorcida, defeituosa ou inadequada, todos os nossos relacionamentos serão distorcidos, defeituosos ou inadequados. Se nosso culto a Deus não é adequado ou agradável a Ele, enfraquecemos todos os outros aspectos de nossa vida. Nenhuma esfera da vida da Igreja pode estar bem se o culto litúrgico da Igreja não estiver saudável. Isso significa que precisamos rezar e adorar a Deus, como Igreja, da maneira como a própria Igreja determina que devemos fazê-lo. E precisamos manter uma continuidade com a forma como a Igreja sempre rezou. Essa continuidade é quebrada quando decidimos fazer as coisas de acordo com nossos próprios critérios, alterando incorretamente o modo de adorar e rezar. Assim fazemos mal a nós e a todos, porque estamos nisso juntos.

Quais as principais contribuições de Bento XVI para a liturgia?
Sua principal contribuição para o Novus Ordo (a missa celebrada atualmente) é, acima de tudo, a permissão para a celebração da missa tridentina na forma antiga, com o “motu proprio” Summorum pontificum. Parece paradoxal, mas não é. A celebração da forma mais tradicional lado a lado com o Novus Ordo cria uma atração gravitacional sobre como a forma nova é celebrada, no sentido de haver maior solenidade. O uso da missa tradicional, que está crescendo, ajudará a“curar” o culto e direcioná-lo para a continuidade com a herança católica e com o modo como a Igreja quer que celebremos.
 
A missa tridentina ganhou força com Bento XVI, mas ainda está disponível para uma minoria bem restrita. Ela permanecerá assim?
Pequenas minorias podem fazer coisas grandiosas. Além disso, o número de pessoas que frequentam a missa tradicional cresce lentamente, mas de forma consistente. Pelo menos nos Estados Uni­­dos, jovens padres e seminaristas vêm se interessando pela missa tridentina. À medida que eles vão assumindo paróquias, veremos um aumento no interesse por parte dos fiéis também.

Bento XVI também usou as missas papais para mandar mensagens sobre a maneira como ele quer ver a missa ser celebrada…
Sim, é importante a ação humilde, mas clara, do papa. Ele ensina pelo exemplo e pelo convite, em vez da imposição. Ele vem tentando trazer a Igreja de volta ao culto ad orientem (voltado para o oriente), e por isso pede que os altares tenham o crucifixo no centro, mesmo quando o padre está de frente para os fiéis. É um arranjo provisório na direção de colocar padre e fiéis juntos, voltados para a mesma direção, para o crucifixo, para o “oriente litúrgico”.Esta é a melhor forma de expressar nossa esperança e anseio pelo Senhor. O papa também vem promovendo a comunhão de joelhos e diretamente na boca, que é a forma adequada de nos aproximarmos do Senhor Eucarístico. Esses são os exemplos mais importantes.
 
Qual o papel do monsenhor Guido Marini, mestre de cerimônias pontifícias, nesse processo?
O monsenhor Marini entende muito bem a visão que o Santo Padre tem do culto litúrgico, e trabalhou para implementá-la. Ele tem feito um ótimo trabalho e espero que o próximo papa o mantenha no cargo.

Por que demora tanto para as mudanças e sugestões do papa serem aceitas nas dioceses e paróquias?
Porque é muito mais fácil demolir um prédio que construí-lo. Mas a geração dos que foram animados pelo chamado “espírito do Vaticano II”, oposto aos seus documentos, está passando. Uma nova geração está assumindo posições de liderança e não tem a bagagem desse entendimento torto do Concílio, o que Bento XVI chamou de “hermenêutica da ruptura”. A nova geração quer a continuidade e está bem aberta ao que o papa vem fazendo.
 
Visto em: Da Mihi Animas

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Bento XVI aprova modificações nos ritos de posse do novo Papa

Por Catholic News Service | Tradução: Fratres in Unum.com – O Papa Bento XVI ordenou diversas alterações para as Missas e liturgias que marcarão a inauguração do pontificado do próximo papa.
 
Os ritos e gestos que não são estritamente sacramentais ocorrerão antes de uma Missa ou em uma cerimônia que não envolva Missa, disse o Monsenhor Guido Marini, mestre de cerimônias litúrgicas papais, ao jornal do Vaticano, em 22 de fevereiro.
 
Uma das mudanças mais visíveis, segundo ele, seria a restauração do “ato público de obediência”, em que cada cardeal presente na Missa inaugural do papa se apresenta e promete obediência.
 
Quando o Papa Bento celebrou a sua Missa inaugural, em 2005, 12 pessoas foram escolhidas para representar todos os católicos: três cardeais, um bispo, um padre diocesano, um diácono transitório, um religioso, uma religiosa, um casal, bem como um jovem e uma jovem recém-crismados.
 
Marini disse que o Papa Bento aprovou pessoalmente as alterações no dia 18 de fevereiro; elas incluem a oferta de uma escolha mais ampla de orações tradicionais de Missas em polifonia e canto, em vez do novo repertório musical composto para o livro de 2005.
 
Após ter experimentado pessoalmente os ritos litúrgicos redigidos pelo predecessor de Monsenhor Marini – e aprovados pelo Papa Bento imediatamente após a sua eleição – o papa sugeriu “algumas alterações com o objetivo de melhorar o texto” dos ritos para o início do pontificado, formalmente conhecido como o “Ordo Rituum pro Ministerii Petrini Initio Romae Episcopi.”
 
As alterações, disse o Monsenhor Marini, “seguem na linha das modificações feitas nas liturgias papais” ao longo do curso do pontificado do Papa Bento.
 
A edição anterior do caderno de rituais também pedia que o novo papa visitasse as basílicas de São Paulo Fora dos Muros e Santa Maria Maior dentro de duas ou três semanas de sua posse.
 
O novo livro, disse Monsenhor Marini, deixa essa incumbência para que o novo papa decida “quando essa visita seria mais oportuna, mesmo com alguma distância da sua eleição, e sob a maneira que ele julgar melhor, seja ela uma Missa, uma celebração da Liturgia das Horas ou um ato litúrgico particular” como aquele que se encontra no livro de rituais de 2005.
 
Por outro lado, em uma resposta de e-mail a indagações, Monsenhor Marini disse ao Catholic News Service que nenhuma modificação significativa havia sido feita ao “Ordo rituum conclavis,” o livro de rituais, Missas e orações que acompanham o conclave para eleger um novo papa.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Vaticano II e reforma litúrgica: entrevista ao Card. Kurt Koch, presidente do Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos

O Concílio Vaticano II e a sua "correta interpretação" é e continua a ser "o ponto de referência essencial" para a missão da Igreja hoje, sublinhou-o o Cardeal Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, Kurt Koch. Numa entrevista, há dias, à agência católica austríaca Kath.net, o Cardeal abordou a questão da reforma litúrgica, esclarecendo em particular o significado daquela que praticamente agora em muitas partes é chamada a "reforma da reforma".
 
Uma definição, esclarece, que "não pode ter nenhuma outra finalidade para além daquela de despertar o autêntico patrimônio do Concílio e de torná-lo frutuoso para a situação da Igreja hoje". Neste sentido, sublinha, "a questão da reforma litúrgica está intimamente ligada à questão da interpretação correta do Concílio".

No início da entrevista o Purpurado centra-se no significado do Ano da Fé desejado por Bento XVI, marcando um importante paralelismo com o que fez no seu tempo Paulo VI - "vejo mais semelhanças que diferenças" - apontando que para ambos os Papas o Concílio Vaticano II é o "ponto de referência essencial". Assim, se para o Papa Montini o Ano da Fé foi uma "consequência do Concílio" e a oportunidade de chamar a atenção para a urgência da "confissão da verdadeira fé católica" perante os "graves problemas" daquele tempo, para o Papa Ratzinger o Ano da Fé está ligado ao quinquagésimo aniversário da abertura do Concílio Vaticano II, "a fim de implementar as principais preocupações deste Concílio".

Quanto às responsabilidades ecumênicas a ele confiadas pelo Santo Padre, o Cardeal Koch sublinha que o Ano da Fé constitui uma a chamada a uma "nova consciência que a unidade entre os cristãos só pode ser encontrada se se refletir em conjunto sobre os fundamentos da fé". Até porque os "desertos do mundo de hoje" de que fala o Papa e a fraca incidência da fé cristã na sociedade actual "afetam todas as Igrejas cristãs e as comunidades eclesiais".
 
Quanto à  reforma litúrgica da Igreja Católica, tema seguido de perto também pelas outras Igrejas e Comunidades eclesiais, o Purpurado não deixou de observar o "uso excessivo" da própria palavra reforma. E para evitar qualquer instrumentalização, interrogou-se sobre qual será o seu verdadeiro significado. Estamos, disse, perante uma "alternativa fundamental." Na verdade, se por reforma se entende "uma ruptura com a história passada", esta "já não é uma reforma." Pelo contrário, quando entendida no seu "significado literal", a reforma litúrgica tira o seu significado "daquela forma fundamental do serviço do culto cristão que é prescrita pela tradição da Igreja". De fato, porém, "a reforma da liturgia após o Concílio foi muitas vezes considerada e implementada com uma hermenêutica da descontinuidade e da ruptura", considerando sobretudo o fato de que ela está "centrada no mistério pascal da morte e ressurreição de Cristo." No entanto, "o Papa Bento XVI, ainda quando era cardeal, julgou que a maior parte dos problemas no desenvolvimento pós-conciliar da liturgia está relacionada com o fato de que a abordagem do Concílio a este mistério fundamental não foi suficientemente tida em conta."
 
Fonte: News.va

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Reforma da Reforma: Sagração Episcopal na arquidiocese de Gênova

Na imponente Catedral de São Lorenzo de Gênova o Cardeal Angelo Bagnasco, Arcebispo Metropolitano do lugar, sagrou bispo S.E.R. Mons. Guido Gallese. Na presença do presidente da CEI (Conferência Episcopal Italiana), na qualidade de bispos co-sagrantes, estavam o cardeal Giuseppe Versaldi e o bispo Palletti, até agora auxiliar de Gênova. Entre os concelebrantes muitos bispos ligúrios e piemonteses e um grande número de sacerdotes da diocese de Gênova e de Alessandria.[incluindo Mons.Guido Marini ndr.](...)  O cardeal  Bagnasco lembrou ao novo prelado na homilia que o mesmo deverá ter «a ternura de uma mãe, a determinação de um pai, a paciência de um santo, também quando os outros não a tem, não o compreendem e o desdenham» porque o bispo «é uma lâmpada que brilha, colocada sobre um candelabro para dar luz à casa». (...)































Fonte: http://www.diocesialessandria.it/

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