sábado, 27 de outubro de 2012

Declaração da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei sobre a FSSPX


Declaração da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei
A Pontifícia Comissão Ecclesia Dei aproveita a oportunidade para anunciar que, no seu mais recente comunicado (6 de setembro de 2012) a Fraternidade Sacerdotal São Pio X indicou a necessidade de sua parte de um tempo adicional de reflexão e estudo, para preparar a própria resposta às últimas iniciativas da Santa Sé. 
O estudo atual das discussões em curso entre a Santa Sé e a Fraternidade Sacerdotal é fruto de três anos de diálogos doutrinais e teológicos, durante ao quais uma comissão conjunta se reuniu oito vezes para estudar e discutir, entre as outras questões, alguns pontos controversos na interpretação de certos documentos do Concílio Vaticano II. Quando tais diálogos doutrinais terminaram, foi possível proceder a uma fase de discussão mais diretamente focada no grande desejo de reconciliação da Fraternidade Sacerdotal São Pio X com a Sé de Pedro. 
Outros passos fundamentais neste processo positivo de gradual reintegração haviam sido realizados pela Santa Sé em 2007 mediante a extensão à Igreja universal da Forma Extraordinária do Rito Romano com o Motu Proprio Summorum Pontificum, e, em 2009, com a abolição das excomunhões. Apenas alguns meses atrás, neste difícil caminho, foi alcançado um ponto fundamental quando, em 13 de junho de 2012, a Pontifícia Comissão apresentou à Fraternidade Sacerdotal São Pio X uma declaração doutrinal junto com uma proposta para a normalização canônica do próprio estado dentro da Igreja católica. 
Atualmente, a Santa Sé está à espera da resposta oficial dos Superiores da Fraternidade Sacerdotal sobre estes dois documentos. Depois de trinta anos de separação, é compreensível sua necessidade de tempo para absorver o significado destes recentes desenvolvimentos. Enquanto o nosso Santo Padre Bento XVI busca promover e preservar a unidade da Igreja mediante a realização da reconciliação há tempos esperada da Fraternidade Sacerdotal São Pio X com a Sé de Pedro – uma potente manifestação da obra munus Petrinum – é necessário paciência, serenidade, perseverança e confiança. 
 
 Fonte: Canção Nova

domingo, 22 de julho de 2012

Tradileaks: as condições da FSSPX a Roma

Circula na web uma carta assinada pelo Padre Christian Thouvenot, Secretário Geral, dirigida anteontem, 18, aos superiores de distritos, seminários e casas autônomas da Fraternidade São Pio X, em apresentação à declaração do Capítulo Geral, concluído no último dia 14. Nela, Padre Thouvenot relata que “em 9 de maio, [Dom Fellay] esteve em Roma, juntamente com o Primeiro Assistente [Padre Niklaus Pfluger], para pedir insistemente a Monsenhor Pozzo a garantia de poder continuar a denunciar os erros e os escândalos, caso a Santa Sé erija a Fraternidade canonicamente em Prelazia. A discussão fracassou, particularmente, sobre o reconhecimento da licitude do novo rito, ou seja, sobre a bondade dessa lei litúrgica e, por conseguinte, a legitimidade de celebrar segundo o rito de Paulo VI”.
 
A carta trata também da reunião cardinalícia de 16 de maio, que fez alterações ao texto do “preâmbulo Fellay”, supostamente aprovado de antemão pelo próprio Papa: “O exame do texto apresentado por Dom Fellay por uma assembléia de cardeais levou a substanciais pedidos de alterações (“além da questão litúrgica, o reconhecimento do Concílio Vaticano II e do magistério posterior para assim compreender a continuidade com o magistério anterior, a exclusão de nossa referência ao juramento anti-modernista e a introdução de referências ao novo Catecismo, etc.). Estes pedidos foram entregues ao nosso Superior Geral na quarta-feira, 13 de junho. Imediatamente, Dom Fellay respondeu que não poderia assinar tal declaração. Estamos, então, de volta ao ponto de partida”.

O Secretário Geral da Fraternidade declara ainda que o Capítulo Geral definiu os pré-requisitos para uma eventual regularização canônica:

Seriam condições sine qua non para um entendimento aliberdade para guardar, transmitir e ensinar a sã doutrina do Magistério constante da Igreja e da Verdade imutável da Tradição divina; a liberdade para defender, corrigir, repreender, mesmo publicamente, os fautores de erros ou inovações do modernismo, do liberalismo, do Concílio Vaticano II e suas consequências”. E mais: “usar exclusivamente a liturgia de 1962. Manter a prática sacramental que temos atualmente (incluindo: ordens, confirmação, casamento)”. A última condição essencial seria a “garantia de ao menos um bispo”.

Haveria ainda “condições desejáveis”. A Fraternidade gostaria de ter seus “tribunais eclesiásticos próprios em primeira instância”, assim como “isenção das casas da Fraternidade Sacerdotal São Pio X em relação aos bispos diocesanos” e uma “Comissão Pontíficia em Roma para a Tradição em dependência [direta] do Papa, com maioria dos membros e presidência para a Tradição”, pedido este já realizado pelo próprio Dom Marcel Lefebvre em 1987.
 
E conclui o Padre Thouvenot, com algumas considerações acrescentadas a pedido de Dom Fellay: “A Casa Geral está bem ciente dos problemas e inquietações — muitas vezes exageradas, que puderam ser causadas por algumas ambigüidades, ambigüidades que Roma esclareceu apenas recentemente, especialmente com a resposta da Congregação para a Doutrina da Fé em 13 de junho. Dom Fellay é, de toda forma, grato a Roma por finalmente ter esclarecido verdadeiramente a sua posição, o que permite agora lidar com os problemas mais facilmente. Que doravante nossas forças se unam, e que se pare de julgar temerariamente o próximo, assim como de se insultar uns aos outros impunemente.
 
Retirado de Fratres in Unum

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé sobre Declaração do Capítulo da FSSPX.

O recém concluído Capítulo Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X publicou uma Declaração acerca da possibilidade de uma normalização canônica no relacionamento da Fraternidade e da Santa Sé. Embora tenha sido publicada, a Declaração permanece fundamentalmente um documento interno para estudo e discussão entre os membros da Fraternidade.

A Santa Sé tomou conhecimento desta Declaração, mas permanece na espera da comunicação oficial da Fraternidade Sacerdotal, para a continuação do diálogo com a Pontifícia Comissão 'Ecclesia Dei'.
 

terça-feira, 26 de junho de 2012

Santo Padre dá novo sinal à reconciliação com a Fraternidade São Pio X

O Papa Bento XVI nomeou o Arcebispo Augustine Di Noia como novo Vice-presidente da Pontifícia Comissão "Ecclesia Dei", a designação foi considerada pela Congregação para a Doutrina da Fé como um sinal do forte desejo do Santo Padre por chegar à reconciliação com a Fraternidade Sacerdotal São Pio X.

"A nomeação de um prelado de alto nível neste posto é um sinal da solicitude pastoral do Santo Padre pelos católicos tradicionalistas em comunhão com a Santa Sé e de seu forte desejo de reconciliação com aquelas comunidades tradicionalistas que não estão em comunhão com a Sé de Pedro. O presidente da Comissão, é o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o Cardeal William J. Levada", indicou o dicasterio em uma nota divulgada esta terça-feira pelo Vatican Information Service.

A nota recordou que a Pontifícia Comissão "Ecclesia Dei" foi fundada em 1988 pelo Beato João Paulo II para "facilitar a ‘plena comunhão eclesiástica de sacerdotes, seminaristas, comunidades religiosas ou indivíduos até agora ligados de distintas formas com a Fraternidade fundada pelo arcebispo Lefebvre’ e para promover a atenção pastoral dos fiéis que seguem a antiga tradição litúrgica latina da Igreja Católica".

"Em 2009, a Pontifícia Comissão se vinculou estruturalmente com a Congregação para a Doutrina da Fé para tratar as questões doutrinais no diálogo permanente entre a Santa Sé e a Fraternidade Sacerdotal São Pio X".

"O arcebispo Di Noia, respeitado teólogo dominicano, dedicou muita atenção a estas questões doutrinais, assim como à prioridade da hermenêutica da continuidade e a reforma na correta interpretação do Concílio Vaticano II; uma área de importância crítica no diálogo entre o Santa Sé e a Fraternidade Sacerdotal. Sob a direção do Cardeal Levada, com a assistência de Dom Guido Pozzo, secretário da Pontifícia Comissão, este diálogo tem sido constante durante os últimos três anos".

"Previamente, o arcebispo Di Noia havia sido secretário da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, na qual junto com o prefeito, o cardeal Antonio Cañizares, supervisou a reorganização do dicasterio e a preparação de um novo ‘Regolamento’ seguindo as indicações do motu proprio ‘Quaerit Semper’ de Bento XVI (30 de agosto de 2011)".

"A experiência e a contínua colaboração do arcebispo Di Noia com a Congregação para o Culto Divino facilitará o desenvolvimento de determinadas disposições litúrgicas durante a celebração segundo o 'Missale Romanum' de 1962".

Do mesmo modo, a nota aparecida hoje no Vatican Information Service indica que "o amplo respeito de que goza o arcebispo Di Noia na comunidade judia contribuirá a solucionar alguns problemas que surgiram no âmbito das relações católico-judias durante os progressos do caminho para a reconciliação das comunidades tradicionalistas".


Fonte: ACI Digital

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé sobre o encontro entre D. Fellay e o Cardeal Levada

Na tarde de quarta-feira, 13 de junho, o Cardeal William Levada, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e Presidente da Pontifícia Comissão ‘Ecclesia Dei, encontrou-se com Dom Bernard Fellay, Superior Geral da Fraternidade São Pio X, que estava acompanhado por um assistente.

Também presentes no encontro estavam Dom Luis Ladaria, SJ, Secretário da Congregação para a Doutrina da Fé, e Monsenhor Guido Pozzo, Secretário da Pontifícia Comissão ‘Ecclesia Dei’.

O propósito do encontro foi de apresentar a avaliação da Santa Sé sobre o texto submetido em abril pela Fraternidade São Pio X, em resposta ao Preâmbulo Doutrinal que a Congregação para a Doutrina da Fé apresentou à Fraternidade em 14 de setembro de 2011. As discussões subsequentes ofereceram uma oportunidade de fornecer as explicações e esclarecimentos apropriados. De sua parte, Dom Fellay ilustrou a atual situação da Fraternidade São Pio X e prometeu tornar sua resposta conhecida dentro de um espaço razoável de tempo.

Também durante o encontro, um rascunho foi submetido, propondo uma Prelazia Pessoal como o instrumento mais apropriado a qualquer reconhecimento canônico futuro da Fraternidade.

Como afirmado no comunicado lançado em 16 de maio de 2012, a situação dos outros três bispos da Fraternidade São Pio X será tratada separada e individualmente.

Ao fim do encontro, foi expressada a esperança de que esta oportunidade adicional para reflexão também contribua para alcançar a plena comunhão entre a Fraternidade São Pio X e a Sé Apostólica.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Resposta do Papa à FSSPX saíra em algumas horas.

O superior da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), Dom Bernard Fellay, foi convocado ao Vaticano para encontrar, na tarde de hoje, 13 de junho de 2012, os responsáveis pela Congregação para a Doutrina da Fé (CDF), foi informada a I.Media. Neste encontro, o Prefeito da Congregação, Cardeal William Levada, irá comunicar ao responsável pela FSSPX as conclusões de Bento XVI ao final das discussões destinadas a reinserir a Fraternidade na plena comunhão com Roma.
 
 
Bento XVI, que realizou diversos gestos em favor desta reconciliação, recebeu em meados de maio, das mãos do Cardeal Levada, as conclusões dos Cardeais e Bispos membros de seu dicastério acerca da reconciliação com a Fraternidade Sacerdotal São Pio X. À época, os membros da CDF pediram “novos aprofundamentos” da FSSPX sobre certas questões doutrinais, e a Congregação deveria, então, prosseguir suas discussões com Dom Fellay.
 
 
Neste ínterim, Bento XVI tomou uma decisão, tendo provavelmente em conta as propostas da CDF. A escolha do Papa muito seguramente foi comunicada em 9 de junho ao Cardeal William Levada e a Dom Luis Francisco Ladaria Ferrer, prefeito e Secretário da CDF, recebidos em audiência pelo Papa.


Fonte: I.Media
Tradução: Fratres in Unum

terça-feira, 22 de maio de 2012

Dossiê FSSPX – Parte III


Dossiê FSSPX – Parte III
Diálogos, reconciliações e esperança de retorno definitivo

Era. Lefebvre estava certo em sua preocupação: o fim de sua vida estava próximo. Tão próximo que ele viveu menos de três anos após ser punido, ele e os outros 5 bispos, com a excomunhão. Morreu aos 85 anos, numa segunda-feira, às 03h25 do dia 25 de março de 1991, segunda-feira da Semana Santa, em Martigny; esperara muito para operar a sua causa mortis: um tumor canceroso do tamanho de três laranjas extraído do seu estômago. Segundo relatos de testemunhas, em seus últimos dias, teria dito: “Eu não quero estar diante de Deus para ser questionado: ‘O que você fez com seu episcopado?’” Às suas exéquias, oficiadas no Seminário de Êcone no dia 02 de abril seguinte – onde também está a sua sepultura, compareceram cerca de 20 mil pessoas. O Núncio de então e o bispo de Sion, Mons. Schwery, estiveram no funeral. Sobre o caixão, afixaram uma placa onde gravaram as palavras que ele pedira: Tradidi quod et accepi (Transmiti o que recebi).

Peregrinação da Fraternidade a Roma durante o Ano Santo 2000. Estiveram presentes mais de 6000 fiéis assistidos por eles e provenientes de todas as partes do mundo

Apesar de tudo, os filhos espirituais de Lefebvre nunca deixaram de dizer que eram católicos. Continuaram a declarar reconhecimento da autoridade do Romano Pontífice e fidelidade à Igreja. Não se privaram, por exemplo, da peregrinação jubilar a Roma por ocasião do Ano Santo de 2000, quando, diante dos olhares incrédulos de muitos, avançaram pela Via dela Conciliazione, seguindo Mons. Fellay que erguia nas mãos uma simples cruz de madeira, e adentraram na Basílica de São Pedro, um dos locais para cumprir os seculares exercícios espirituais feitos durante os Anos Santos.

Dom Antônio Castro Mayer: compartilhou com Lefebvre também a mesma sanção canônica e a fundação de uma fraternidade sacerdotal

No Brasil, continuou uma extensão da obra iniciada pelo Arcebispo e continuada por Dom Castro Mayer até sua morte, pouco tempo depois daquele, em 26 de abril de 1991, às vésperas dos 87 anos de idade. A União Sacerdotal São João Maria Vianney fora fundada em 1982 com os mesmos desejos da Fraternidade São Pio X: reunir seminaristas, sacerdotes e fiéis que queriam continuar usando ordinariamente os livros anteriores à reforma do Vaticano II. Após a morte de Dom Castro Mayer, a União foi governada por Dom Licínio Rangel. Acontecera a este o mesmo ocorrido em Êcone: recebera a sagração episcopal sem mandato pontifício em 28 de julho de 1991, em São Fidélis (Rio de Janeiro), em cerimônia presidida por Bernard Tissier de Mallarais, sendo assistido por Alfonso de Galarreta e Richard Williamson. O fato foi muito noticiado na época por jornais de circulação nacional.

Dom Fernando Rifan, Administrador Apostólico da Administração Apostólica São João Maria Vianney.Sua sagração episcopal em 2002 foi um dos marcos do fim do cisma de Campos

Mas, os “Padres de Campos” e o cisma instaurado também lá, não resistiu muito tempo: em 2001, Dom Licínio e os seus 25 padres escreveram uma carta ao Papa João Paulo II, expressando total submissão e comunhão com Roma. A reaproximação acontecera quando da peregrinação jubilar que haviam feito com a Fraternidade São Pio X. O Vaticano não só reconheceu a União, como erigiu-a como Administração Apostólica São João Maria Vianney, e nomeou Dom Licínio como seu primeiro administrador apostólico, reconhecendo, portanto, a sua sagração episcopal ilicitamente conferida dez anos antes e concedendo-lhe a sede episcopal titular de Zarna. Ele permaneceu no cargo por pouco tempo, parecendo que só aguardara a plena comunhão com o Papa para morrer em paz; adormeceu no sono do Senhor, 5 meses depois de ver o fim do cisma de Campos, em 16 de dezembro de 2002. Sucedeu-lhe no governo da Administração o até então Administrador Coadjutor, que Dom Licínio solicitara a João Paulo II, Dom Fernando Areas Rifan. Sua sagração episcopal acontecera em 18 de agosto de 2002 (veja o vídeo), presidida pelo Cardeal Dario Castrillón, então Presidente da Pontifícia Comissão “Ecclesia Dei”, assistido por Dom Alano Maria Pena, então Arcebispo de Niterói – Província Eclesiástica onde a sede da Administração está situada, e por Dom Licínio Rangel. Dom Fernando Rifan é titular de uma sede episcopal hoje extinta Cedamusa (no norte africano).


Dom Fernando Rifan com o Papa Bento XVI

Clero secular da Administração Apostólica, durante o seu retiro anual
À esquerda de Dom Rifan, Pe. Paulo Ricardo Azevedo

A Administração Apostólica São João Maria Vianney é, portanto, uma circunscrição eclesiástica especialmente ereta àqueles que querem permanecer unicamente na espiritualidade e formação do usus antiquior, mas não deixam de reconhecer a validade do Concílio Vaticano II, suas reformas, seus documentos e os Pontífices eleitos depois dele. Em 2007, elencava 40 sacerdotes em seu clero, 32 seminaristas, 75 religiosos, cerca de 28 mil fiéis e 24 escolas. Pode erigir – como já o fez – paróquias pessoais em qualquer território, até mesmo fora de sua sede, para atender os fiéis que assim o desejarem. Dom Fernando Rifan é, por conseguinte, até agora, o único bispo licitamente sagrado e que celebra (quase que) exclusivamente o rito antigo (eventualmente concelebra em cerimônias da forma ordinária; durante a Assembleia Geral do episcopado brasileiro, por exemplo), que está em plena comunhão com a Igreja e seu Administração é incorporado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Na mesma cidade de Campos, estão sediadas a Diocese homônima, como qualquer outra diocese, e a Administração Apostólica, que não é restrita a limites físicos.

Procissão da Fraternidade em direção à Basílica de São Pedro. Peregrinação do Ano Santo 2000

Apesar das acusações motivadas por incompreensões e ódio e que diziam que Bento XVI “queria voltar atrás, para antes do Concílio”, o Pontífice decidiu por bem remover, em decreto da Congregação para os Bispos de janeiro de 2009, a excomunhão aplicada aos quatro Bispos ordenados sem mandato pontifício, atendendo a insistentes pedidos de Mons. Fellay. Em carta emitida ao episcopado mundial e explicando-se sobre sua atitude, o Papa justificou-se que havia tomado tal decisão pelo mesmo motivo com que foram lançadas as excomunhões em 1988: convidar os quatro Bispos ao regresso. E, ademais, que a Igreja não poderia permanecer indiferente com uma comunidade que, naquele ano, contava com “491 sacerdotes, 215 seminaristas, 6 seminários, 88 escolas, 2 institutos universitários, 117 irmãos, 164 irmãs e milhares de fiéis”. Mas, antes, a Fraternidade deve reconhecer que “a autoridade magisterial da Igreja não se pode congelar no ano de 1962”. E que ainda não possui uma posição canônica regular não por “razões disciplinares, mas doutrinais”. Bento XVI, ao fim de sua explicação, ainda se perguntou retoricamente se o que fez era necessário. Respondeu-se e a quem questiona assim que a Pedro foi dada a missão de confiar os irmãos na fé e que o mesmo Apóstolo, em sua primeira Carta, exortou a todos a estarem sempre prontos a responder a quem questionasse a sua fé. Despediu-se com as palavras de São Paulo aos Gálatas, em não abusar da liberdade e, assim, destruir-se mutuamente.

Questionado sobre o levantamento também da excomunhão de Mons. Lefebvre, o Cardeal Giovanni Battista Re, que assinou o decreto de remissão das censuras canônicas, afirmou que não compete à Igreja definir a validade de sanções contra pessoas já falecidas.

Não obstante, houve posições de alguns dos quatro Bispos que questionaram a sua intenção de reconciliar-se com a Igreja: entre a publicação do decreto de remissão das excomunhões e da carta do Papa, foi divulgada em 21 de janeiro de 2009 (com intrigantes) dois meses de atraso da gravação) uma entrevista de Mons. Richard Williamson a um canal televisivo sueco, dizendo acreditar no revisionismo do Holocausto, que não haviam existido câmaras de gás e, portanto, os judeus não tinham morrido nelas, mas em campos de concentração nazistas. Tão pensamento é ilegal e punível como crime nos tribunais alemães, onde foi iniciado uma investigação criminal do bispo. À época, a situação tornou-se tão constrangedora para a Santa Sé de modo especial, em suas relações com a comunidade judaica e com governos que jamais negariam o genocídio de judeus e o número de vítimas da Segunda Guerra Mundial, que Bento XVI disse ao jornalista alemão Peter Seewald, no livro-entrevista “Luz do mundo” lançado em 2010, que se tivesse tomado prévio conhecimento das vergonhosas declarações de Mons. Williamson, havia separado o seu caso dos demais Bispos até então excomungados, e não revogaria a sanção canônica que pesava contra ele. Consciente da polêmica que tinha provocado, a ponto de ter sido expulso da Argentina pelo Governo e ser rechaçado por membros da Fraternidade, dirigiu um pedido de perdão ao Papa por suas palavras impensadas e se comparou ao profeta Jonas, que, jogado ao mar, fez com que toda a tempestade, ora deflagrada, acabasse. Foi advertido pelo Papa e por seu Superior, Mons. Fellay, a não mais apresentar declarações públicas como o tinha feito.

Mons. Tissier também não poupou duras críticas ao Papa Bento XVI em entrevista a uma revista, definindo-o como “um verdadeiro modernista com uma teoria completa de modernismo atualizado”.
Os sacramentos administrados por sacerdotes e bispos da Fraternidade São Pio X são válidos?
O próprio Bento XVI respondeu a isso na mesma carta enviada aos bispos do mundo inteiro, sobre a remissão das excomunhões, assinada em 10 de março de 2010: Enquanto a Fraternidade não tiver uma posição canônica na Igreja, também os seus ministros não exercem ministérios legítimos na Igreja. [...] Especificando uma vez mais: enquanto as questões relativas à doutrina não forem esclarecidas, a Fraternidade não possui qualquer estado canónico na Igreja, e os seus ministros — embora tenham sido libertos da punição eclesiástica — não exercem de modo legítimo qualquer ministério na Igreja.

Em 1996, Mons. Nobert Brunner, então bispo de Sion (Suíça) foi o primeiro a questionar sobre isso a Congregação para os Bispos. Esta, somando com uma resposta do Pontifício Conselho para a Interpretação dos Textos Legislativos, definiu que os sacerdotes ordenados ou por Mons. Lefebvre ou por algum dos quatros Bispos ilicitamente sagrados por ele e membros da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, são suspensos a divinis por pretenderem se incardinar numa instituição não canonicamente reconhecida pela Igreja e administrarem os sacramentos são acéfalos, não incardinados em diocese ou instituto canônico algum, que validamente lhes concederiam a jurisdição requerida para a lícita administração dos sacramentos do Batismo, Eucaristia, Matrimônio e Unção dos Enfermos. Do mesmo modo, são ilícitos os sacramentos da Ordem e da Confirmação conferidos por qualquer um dos quatro bispos da Fraternidade.

Reunião dos Superiores da Fraternidade na sede do Distrito italiano
sobre o conteúdo do Preâmbulo doutrinal entregue pelo Cardeal Levada.
Aparentemente, Mons. Williamson não compareceu ao encontro,
como ele não pode ser visto na foto junto aos outros três Bispos.
07-08 de outubro de 2011

Todavia, primeiramente, a Igreja licita e valida qualquer sacramento administrado em perigo de morte por qualquer padre suspenso ou até mesmo laicizado (não mais clérigo), em favor da necessidade da salvação da alma do fiel. Os ministros ordenados da Fraternidade, em segundo lugar, advogam em causa da validade dos sacramentos administrados por eles em virtude da mesma necessidade universalmente defendida pela Igreja; alegam, ainda, que a jurisdição requerida para a mesma validade seria supressa pela Igreja (Ecclesia supplet) em favor dos fiéis que necessitam dos sacramentos e até mesmo em favor dos tribunais eclesiásticos instituídos pela Fraternidade para julgares casos de nulidade matrimonial.

Em maio de 1991, Mons. Ferrario, bispo do Havaí, emitiu um decreto de pseudo-excomunhão a alguns católicos de sua diocese que assistiram a missas celebradas por sacerdotes da Fraternidade e por receberem um bispo desta para administrar a Confirmação. Contudo, o Cardeal Ratzinger declarou que a atitude dos fiéis não constituía um delito de cisma e que, portanto, sem fundamento, o decreto episcopal não tinha nenhuma validez.

Contudo, para qualquer fiel católico que não pertence à comunidade leiga da Fraternidade São Pio X, é válida a mesma lei que rege a recepção dos sacramentos administrados pelo clero ortodoxo, que não reconhece a primazia de Pedro: só em caso de verdadeira necessidade, caso não haja ministro ordenado, incardinado e com legítima jurisdição, é que qualquer católico pode receber sacramentos administrados por qualquer ministro ordenado católico, independente de sua situação canônica.


Fonte: Direto da Sacristia


domingo, 20 de maio de 2012

Dossiê FSSPX – Parte II

Dossiê FSSPX – Parte II
De Êcone às excomunhões

Depois de contar com o apoio do bispo onde estava situado o seminário de Êcone, o Cardeal Wright, então Prefeito da Congregação para o Clero, também elogiou os estatutos da Fraternidade.

Vista parcial do Seminário Internacional São Pio X
O primeiro da Fraternidade homônima

Mas, os tempos de paz duraram até o momento que a recusa ao Novus Ordo foi publicamente declarada por Mons. Lefebvre, fato que aconteceu em 10 de junho de 1971, seguida por todos os alunos do Seminário São Pio X de Êcone. O mesmo tinha sido feito pelos Cardeais Ottaviani, então Prefeito do agora renomeado Santo Ofício, e Bacci em carta dirigida a Paulo VI. Até ao ano de 1974, porém, a nova fraternidade recebe sinais seguros de sua aprovação no Vaticano, até mesmo permitir a sua ereção canônica em duas dioceses suíça e uma italiana. A partir de então, iniciou-se o período mais difícil para a Fraternidade. Seguem-se os fatos:

Naquele mesmo ano, entre os dias 11 e 13 de novembro, aconteceu uma visita apostólica ao seminário de Êcone presidida pelo Cardeal Garrone, então Prefeito da Congregação para a Educação Católica (para os Seminários e Institutos de Estudos). Medidas como essas são normais em institutos de formação sacerdotal e religiosa. Ainda mais tranquilizantes foram as conclusões do Visitador, embora tenha sublinhado que o Seminário não aplicara a reforma litúrgica, e nisso havia “algo de espírito anticonciliar”.

Nos dias 13 de fevereiro e 03 de março de 1975, Mons. Lefebvre foi interrogado por uma comissão papal formada por três cardeais acerca de sua declaração redigida e publicada criticando alguns pontos da visita apostólica. No dia 06 de maio, por fim, foi condenado pela mesma comissão em virtude de erros encontrados na Declaração, e o Cardeal Jean Villot ordenou ao Mons. Mamie, novo bispo de Friburgo, que retirasse a aprovação concedida por seu predecessor à Fraternidade São Pio X e que fosse, portanto, supressa. Em vão, Mons. Lefebvre apelou ao Tribunal da Assinatura Apostólica, pedindo ao seu Prefeito Cardeal Staffa que se realmente fosse encontrado algum erro em sua declaração, que a punição fosse a ele aplicação e não à Fraternidade, que estava fundada segundo a legislação canônica.

Em 29 de junho seguinte, Paulo VI confirmou a Mons. Lefebvre que aprovara tudo quanto tinha feito a Comissão cardinalícia.

Em 27 de outubro, o Cardeal Villot escreveu ao episcopado mundial dizendo que aos sacerdotes da Fraternidade não fosse concedida incardinação nas dioceses.

Em 26 de junho de 1976, Mons. Benelli, oficial da Secretaria de Estado e futuro Cardeal, prescreve a Mons. Lefebvre que não ordene sacerdotes sem permissão de seus bispos diocesanos. Três semanas antes de receber a comunicação epistolar, viajou por seis vezes a Roma onde lhe pediram que estabelecesse relações formais com o Vaticano. Foram inúteis as restrições de não ordenar mais sem a permissão dos Ordinários, pois três dias após prosseguiu com as ordenações previstas. Em 01 de julho, foi-lhe comunicada a suspensão a divinis do Arcebispo e dos sacerdotes recém-ordenados.

Audiência com Paulo VI: acusações mútuas e clima tenso

Em 11 de setembro de 1976, Lefebvre foi recebido por Paulo VI em seus últimos anos de vida. No início da audiência, o Papa estava alegre e receptivo. Depois, com o progresso e o rumo da conversa, seu ânimo foi mudando, e disse: ”Você me condena! Você me condena! Me chama de modernista, de herege, de protestante! Não posso permitir isto. Você está fazendo um mal, não deve continuar, você está causando escândalo na Igreja”. E Lefebvre permanecia calado, até quando Paulo VI ordenou: “Fale, fale. O que você tem para dizer??”. E o Arcebispo começou a se explicar, enquanto Paulo VI estava nervoso, angustiado e com feições tristes.

Após pouco mais de dois meses de eleito Papa, João Paulo II concedeu-lhe uma audiência de 1h45 (fato raríssimo) em dezembro de 1978. Assim o que o viu, o Papa o abraçou, mas depois de ouvir os motivos de Lefebvre e seus questionamentos sobre o Concílio, repetiu exaltadamente: “A obediência! A obediência! A obediência! A obediência!”. A audiência, ao fim das contas, também foi tensa.

Não obstante, os anos avançaram e a formação sacerdotal na Fraternidade continuou normalmente. Mons. Lefebvre já contava com mais de oitenta anos e temia que, após sua morte, sem apoio e sem quem ordenasse seus sacerdotes, a Fraternidade desaparecesse. Por pensar assim, em abril de 1987 anunciou que sagraria bispos, mesmo sem autorização papal – que não possuíram, é verdade, jurisdição, pois só quem a concede é o Papa; mas administrariam os sacramentos da Confirmação e da Ordem. Contudo, como tentativa de aproximação e a fim de evitar um cisma, depois que o Cardeal Gagnon fez uma visita canônica à Fraternidade nos fins de 1987, em carta em abril do ano seguinte ao então Cardeal Ratzinger, o Papa João Paulo II reconheceu as disposições de Mons. Lefebvre. Portanto, seguiu-se uma série de encontros naquele mesmo mês com teólogos e canonistas da Congregação para a Doutrina da Fé e da referida Fraternidade. O resultado foi um acordo, e a assinatura de um protocolo em 05 de maio. Neste, Mons. Lefebvre declarou em seu nome e no da Fraternidade que prometia fidelidade à Igreja Católica e ao Romano Pontífice, cabeça do Colégio episcopal (reconhecendo, portanto, a colegialidade episcopal aprovada no Vaticano II); aceitava a doutrina conciliar contida no número 25 da Constituição dogmática “Lumen Gentium” do Vaticano II sobre o magistério eclesiástico e a adesão que lhe é devida; empenhava-se em estabelecer comunicação com a Sé Apostólica, evitando qualquer polêmica sobre os documentos conciliares e as reformas posteriores; reconhecia a validade da Missa e dos Sacramentos celebrados com a intenção requerida e segundo os ritos das edições típicas, promulgadas por Paulo VI e João Paulo II; reconhecia e respeitava a disciplina comum da Igreja e as leis eclesiásticas, especialmente aquelas contidas no Código de Direito Canônico de 1983, salvo as particularidades concedidas à Fraternidade. Na segunda parte do texto, era previsto que a Fraternidade seria constituída como sociedade de vida apostólica de direito pontifício e com certa isenção ao culto público, à cura das almas e às atividades apostólicas; seriam usados os livros litúrgicos anteriores à reforma litúrgica conciliar; uma comissão especialmente constituída mediaria as relações com os diversos dicastérios da Santa Sé; e seria sugerido ao Santo Padre um nome dentre os membros da Fraternidade para a eleição de um bispo próprio, que não seria o superior-geral.

Tudo aparentava acontecer bem e evoluindo para o fim daquele problema que já durava alguns anos. Contudo, em maio de 1988, Mons. Lefebvre escreveu ao então Cardeal Ratzinger exigindo que a sagração episcopal de um membro da Fraternidade fosse efetuada até o dia 30 de junho seguinte, acrescentando que se o seu pedido não fosse aceito, ele mesmo sagraria por dever de consciência. O Cardeal respondeu pedindo que reconsiderasse a decisão. No fim do mesmo mês, os dois se encontraram em Roma e foi comunicado a Mons. Lefebvre que o Papa nomearia um bispo da Fraternidade para que sua sagração fosse no dia 15 de agosto seguinte, clausura do Ano Mariano. Em carta posterior, o Arcebispo voltou a insistir na data de 30 de junho, e voltou a ameaçar que, do contrário, ele mesmo ordenaria por conta própria.

Bispos ilicitamente sagrados por Mons. Lefebvre e Dom Castro Mayer, da esquerda para a direita:
o suíço Bernard Fellay, em seu segundo mandato como Superior-geral da Fraternidade;
o cântabro Alfonso de Galarreta, reitor do seminário argentino de La Reja,
o franco-provençal Bernard Tissier de Mallarais; e o inglês Richard Williamson

Em 09 de junho, o próprio João Paulo II enviou pessoalmente uma angustiosa carta desejando impedir o ato cismático, nestes termos: “Não somente o convido a isto [renunciar o projeto de ordenar bispos sem mandato da Sé Apostólica], mais ainda, peço-lhe pelas chagas de Cristo nosso Redentor, em nome de Cristo, que na vigília de sua Paixão orou por seus discípulos “para que todos sejam um”. Mas, o pedido do Papa não foi suficiente para desencorajá-lo do que aconteceu poucos dias depois. De fato, no dia 30 de junho, assistido pelo brasileiro Dom Antônio Castro Mayer, então Bispo emérito de Campos (só por um bispo, portanto, enquanto que a tradição pede dois co-sagrantes, embora que isso não invalide nada), Lefebvre ordenou quatro membros como bispos: Bernard Fellay, Bernard Tissier de Mallarais, Richard Williamson e Alfonso de Galarreta. Todos, válidos bispos sagrantes e ilícitos bispos sagrados, incorreram em excomunhão “latae sententiae” do cânon 1382 do Código de Direito Canônico de 1983, e reservada à Sé Apostólica (única competente a absolver da pena).

A sanção canônica foi oficialmente comunicada em 02 de julho, mediante o Motu proprio “Ecclesia Dei Adfflicta”. A Santa Sé acolheu os seminaristas e sacerdotes que se dispersaram da Fraternidade após consumado o cisma, e erigiu a Fraternidade Sacerdotal São Pedro. João Paulo II também erigiu o Instituto de Cristo Rei e Sumo Sacerdote e se dignou ele mesmo ordenar sacerdote o genovês que até hoje preside o mesmo Instituto, Mons. Gilles Wach. Foi a maneira encontrada para combater o cisma e atender tanto aos seminaristas, padres e fiéis católicos que têm a sensibilidade litúrgica do rito tradicional.

Enquanto isso, a Fraternidade apresentou argumentos, baseados em cânones do Código de 1983, entre eles que o estado de necessidade visto pelo Arcebispo invalidava a pena que seria aplicada em circunstância contrária; que o cisma só seria consumado se se quisesse constituir uma hierarquia paralela à oficialmente eleita e disposta pela Igreja, que aconteceria se também pretendesse conceder jurisdição, que se classificaria, portanto, em usurpação do ofício papal; e que, finalmente, o cisma não acontece simplesmente por desobediência, pois esta é apenas o não reconhecimento de uma ordem dada por uma autoridade, e não a dúvida da própria autoridade que formulou a ordem.

Justa ou não para eles, o fato é que as excomunhões foram lançadas e foi iniciado o período mais recente dessa história.
Continua…

sábado, 19 de maio de 2012

Dossiê FSSPX – Parte I

Dossiê FSSPX – Parte I
O início

Às vésperas da reunião da Congregação para a Doutrina da Fé (em alguma “feria quarta” da primeira quinzena do mês de maio), quando será decidida a regularização canônica da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, depois de recebida por parte daquela a resposta de Mons. Fellay ao Preâmbulo Doutrinal, é importante apresentar uma retrospectiva dos fatos que se seguiram desde o Concílio Vaticano II em torno, inicialmente, da pessoa do Arcebispo Marcel Lefebvre, e agora, da Fraternidade por ele fundada. À luz desta explicação, será mais fácil compreender a natureza das discussões e como este caso é caro ao Papa Bento XVI como, em último lugar numa escala de importância, prova de que existe uma solução; o que não foi possível em 1988, quando ele foi o mediador nas frustradas negociações.


1. Primeiros anos

Antes mesmo de nos determos no relato anterior às excomunhões de 1988, voltaremos alguns anos, afim de que seja conhecida mais detalhadamente a figura de Mons. Lefebvre e saber de seus motivos.

Procissão de ingresso dos Padres Conciliares

Vaticano, início da década de 60. Mons. Lefebvre é um dos mais de 2000 prelados presentes no Segundo Concílio do Vaticano – ele fora nomeado pelo Papa João XXIII para fazer parte de sua comissão preparatória. Ele tomou o seu assento, entre os milhares hierarquicamente dispostos na Basílica de São Pedro para os Padres Conciliares e peritos, como Superior-geral da Congregação do Santo Espírito, na qual professara votos 31 anos antes, depois de pedir excardinação da diocese de Lille (França) para o clero da qual tinha sido ordenado em 1929. Tinha um longo passado em terras de missão africanas. De fato, ainda sacerdote foi enviado ao Gabão, e em 1947 foi nomeado Vigário Apostólico do Dakar e lhe foi concedida uma sede episcopal titular (diocese extinta), e para tal cargo recebeu a sagração episcopal em sua terra natal em 18 de setembro do mesmo ano. No início do ano de 1948, foi-lhe acumulado o cargo de Administrador Apostólico de Saint-Louis du Sénégal. No mesmo ano foi promovido ao título de Arcebispo e nomeado Delegado Apostólico no Senegal. Pela promoção arquiepiscopal, Mons. Lefebvre foi privilegiado com o uso do pálio – embora não fosse sequer arcebispo metropolitano. Tal concessão era prevista até a sua ab-rogação por Paulo VI, de ser o uso do pálio arquiepiscopal concedido a qualquer bispo (e não somente aos arcebispos metropolitanos); contudo, como acontece a outros privilégios cancelados, o uso só continuou àqueles que já o haviam recebido. Mas, quando de sua nomeação para o arcebispado de Dakar, ele recebeu outro pálio, com o qual foi paramentado em suas exéquias em 1991.

2. Retorno da África e Vaticano II


Membros do Coetus Internationalis Patrum durante o Vaticano II

Mas, como poderia um bispo de apostolado tão numeroso em África, enviado pelo Papa Pio XII e, segundo dizem, de grande estima deste, em tão recentes 8 anos em missão africana, participar das quatro sessões do Vaticano II como Superior-geral (cargo estranho a um bispo) de sua Congregação e já tendo renunciado ao bispado de Tulle (a menor diocese francesa), após apenas 7 meses de sua nomeação? Quando Arcebispo de Dakar, Mons. Lefebvre foi veementemente contrário à instituição de uma hierarquia episcopal africana. Para ele, somente à França competia uma missão civilizadora e evangelizadora em África, e disto não poderia se abrir mão. Ciente e preocupado com isso, o então presidente senegalês Leopold Senghor, católico, pediu ao Papa João XXIII que o retirasse de África; apesar de ter conquistado o respeito de muitos senegaleses, incluindo muçulmanos. E, como foi dito anteriormente, participou do Vaticano II como Superior-geral da Congregação dos Padres do Espírito Santo, como havia sido eleito após retornar a França. E foi muito assíduo nos debates conciliares, sendo membro do Grupo Internacional de Padres, que se opôs às inovações da Aliança Europeia, animada pelo teólogo jesuíta Karl Rahner. Essa sua resistência iniciara-se nos anos de estudos na Universidade Gregoriana, com a influência vinda do então Pe. Louis Billot, seu professor, que em 1911 foi criado cardeal – título retirado pela defesa de suas ideias na Ação Católica francesa. Aprendeu a rejeitar o liberalismo como sendo “a heresia por excelência após o modernismo” e que fazia os cristãos não crerem na imutabilidade dos artigos da fé.

Assinatura de Lefebvre (a quarta de cima para baixo) no documento, entre outros, sobre a liberdade religiosa

Apesar de participar da primeira à quarta sessões e assinar todos os documentos, começa a discordar dos relativos à liberdade religiosa, ao ecumenismo e à colegialidade dos bispos, que, para ele, poderia diminuir a autoridade papal. As suas intervenções causaram tanta polêmica que os bispos seus confrades na Congregação solicitaram-lhe uma audiência e perguntaram se falava em seu nome ou em nome dos mais de 4000 padres de quem era superior-geral. Era em seu nome que falava.

3. O gérmen da FSSPX

Em 1968, não concordando com as reformas que deveria executar dentro da Congregação e devido à oposição que lhe foi feita, renunciou ao cargo de seu Superior-geral.

Um ano depois, alguns seminaristas descontentes o procuraram e o animaram a formá-los segundo a espiritualidade e a teologia que desejavam.

Em 1970, decidiu fundar um seminário destinado à formação de sacerdotes exclusivamente no espírito pré-conciliar. O então bispo de Friburgo, na Suíça, Mons. François Charrière, concede licença para a ereção do seminário de Êcone, e o mesmo Bispo erige canonicamente a Fraternidade Sacerdotal São Pio X em 1º novembro de 1970.

Continua...





segunda-feira, 14 de maio de 2012

Haverá Regresso?



Padres da Fraternidade São Pio X indo ao Túmulo de Pedro

Jubileu 2000

domingo, 13 de maio de 2012

A resposta do Papa à FSSPX não demorará


Por Andrea Tornielli
" Nos próximos dias os cardeais da Congregação para a doutrina da fé discutirão a proposta de mudança do "preâmbulo doutrinal" enviada no passado 17 de abril por Fellay ao Vaticano. Então a decisão final virá pelo Papa. Pelo fim de maio se prevê o anúncio, as previsões são positivas, também pelas troca de cartas que foram publicadas mostram muito claramente a oposição forte que se passa no interno da Fraternidade São Pio X a qualquer acordo com Roma.

Visto em: Sacri Palazzi

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Uma Prelazia Pessoal para a Fraternidade São Pio X


Às vésperas da publicação da decisão do Papa Bento XVI relativa à Fraternidade São Pio X, vêm à luz, através do site francês Riposte Catholique, duas cartas trocadas pelos bispos da mesma: uma, dos três bispos sem cargos de direção, destinada ao Superior Geral e a seus assistentes; outra, a resposta dos últimos.
 
A carta de Dom de Galarreta, Dom Tissier de Mallerais e Dom Williamson, traz um apelo desesperado para que Dom Fellay não assine o preâmbulo doutrinal que prepara o “acordo prático”, uma vez que as discussões doutrinárias “provaram que um acordo doutrinal é impossível com a Roma atual”, segundo os signatários. Declaram, portanto, a “unanimidade de sua oposição formal” a tal tipo de acordo.
 
Os bispos opositores citam declarações de Dom Lefebvre em que o prelado define o busílis do problema. Este seria não tanto os erros superficiais ou particulares, mas “uma perversão total do espírito, toda uma filosofia nova fundada sobre o subjetivismo”. Os bispos acrescentam que o pensamento de Bento XVI, idêntico neste aspecto ao de João Paulo II, estaria impregnado de subjetivismo. A própria aceitação da Fraternidade seria manifestação desta “fantasia subjetivista” que tolera a verdade, desde que esta aceite tolerar o erro.
 
Colocam o problema prático, de fato não desprezível, das garantias dadas à Fraternidade em relação à Cúria romana e aos bispos diocesanos. Veem que, pouco a pouco, a Fraternidade já não poderia manter o mesmo combate. E concluem que a aceitação do acordo puramente prático é um caminho sem volta, de divisão e destruição da obra de Dom Lefebvre.
 
Dom Fellay responde que a descrição da realidade da Igreja feita pelos bispos carece de “sobrenaturalidade”e de “realismo”.
 
O Superior Geral pergunta se os bispos ainda creem que “esta Igreja visível cuja sede está em Roma é a mesma Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo” e que Bento XVI é ainda o papa legítimo. Supondo evidentemente que o creiam, pergunta como poderiam recusar uma vontade legítima do Papa, sem que se lhes seja imposto nada de contrário aos mandamentos de Deus. Segundo Dom Fellay, a visão que os bispos têm de Igreja é muito humana e fatalista: veem “os perigos, os complôs, as dificuldades”, mas não veem mais “a assistência da graça e do Espírito Santo”.
 
A ausência de realismo se manifesta, segundo Dom Fellay, na intensidade e na amplitude dos erros. Transformar os erros do Concílio em super-heresias, em mal absoluto, seria uma atitude semelhante a dos liberais ao dogmatizarem o Concílio pastoral. Como não seria realista atribuir às autoridades todos os erros e males que se acham na Igreja.
 
Dom Fellay por fim declara que jamais procurou um acordo prático, que preferia manter o status quo intermediário, mas “manifestamente, Roma não o tolera mais”. E como a proposta de Prelazia Pessoal não é uma “armadilha” e a situação em 2012 não é a mesma de 1988, conclui que não deveria hesitar em aceitar o que foi proposto.
 
No parágrafo final, Dom Fellay lamenta as recentes atitudes dos bispos que, de modo diverso entre eles, procuram impor os próprios pontos de vista, até sob a forma de ameaças e publicamente.

De tudo o que as cartas revelam, muitas coisas ficam claras.
 
Em primeiro lugar, Roma não aceita mais o status quo intermediário. Se os bispos e sacerdotes da Fraternidade são católicos, não podem permanecer no estado de insubmissão ao Romano Pontífice. Esta submissão, necessária para a salvação, não se limita a declarações genéricas de fidelidade à Igreja de sempre, ao papado, e às missas una cum. A submissão é à Igreja de sempre que vive hoje e ao Papa Bento XVI. A recusa provavelmente exigiria do Papa uma nova bula de excomunhão, por pecado contra a Unidade da Igreja.
 
Roma ofereceu uma Prelazia Pessoal à Fraternidade e lhe permitiu criticar determinadas formulações do Concílio Vaticano II.
 
O Conselho Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X aceitou.
 
Haverá divisões e os chefes do cisma serão Dom de Galarreta, Dom Tissier de Mallerais e Dom Williamson.
 
Tudo agora é uma questão de tempo e, ao que parece, não passa de maio.
 
Rezemos para que o estrago seja mínimo.


Fonte: OBLATVS

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Comunicado de la FSSPX

Como puede entenderse, la prudencia debe reinar en este asunto, en el que tanto nos jugamos los católicos, como es la unidad de la Iglesia, no echando las campanas al vuelo, ni vendiendo la piel del oso antes de cazarlo.

Tras el comunicado oficial de la Santa Sede (ver
aquí), y después de las pertinentes aclaraciones efectuadas por el portavoz de su Oficina de Prensa, el P. Federico Lombardi -que ha calificado dicha respuesta como "alentadora", "un paso adelante" y "sustancialmente distinta" a la que había sido remitida hace unos meses-, ahora le ha tocado el turno de pronunciarse oficialmente a la FSSPX.

El Padre Lombardi ha señalado que "hay propuestas de añadidos o precisiones al texto del Préambulo, que serán examinadas y valoradas" por el dicasterio que dirige William S.R.E. Card. Levada (la Congregación para la Doctrina de la Fe) y después por el Papa. La resolución final, pues, aún tardará "algunas semanas".

En cuanto a la FSSPX, a través de su página web DICI, ha emitido el siguiente comunicado:


Comunicado de la Casa General de la Fraternidad San Pío X



La prensa indica que Mons. Bernard Fellay envió una “respuesta positiva” a la Congregación para la Doctrina de la Fe, y que, por consecuencia, la cuestión doctrinal ya queda resuelta entre la Santa Sede y la Fraternidad San Pío X.

La realidad es distinta.

En un correo del 17 de abril de 2012, el Superior General de la Fraternidad San Pío X contestó al pedido de aclaración que le había hecho el 16 de marzo el cardenal William Levada, en lo referente al Preámbulo doctrinal, entregado el 14 de septiembre de 2011. Como lo precisa el comunicado de prensa de la Pontificia Comisión Ecclesia Dei, fechado el día de hoy, el texto de la respuesta “será examinado por el Dicasterio (Congregación para la Doctrina de la Fe) y luego sometido al juicio del Santo Padre”.

Por lo tanto se trata no de una etapa y no de una conclusión.



Menzingen, el 18 de abril de 2012
Visto en: CATHOLICVS

sexta-feira, 16 de março de 2012

Bento XVI dá mais um tempo à FSSPX

A esta altura todos já lemos o comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé relativo ao encontro entre o Cardeal William Levada, prefeito da Doutrina da Fé e presidente da Ecclesia Dei, e Dom Bernard Fellay, Superior Geral da FSSPX, ocorrido hoje em Roma.

No curso do encontro o cardeal entregou a Dom Fellay uma carta “em obediência à decisão de Bento XVI”, na qual “se apresenta que a posição, expressa por ele [Dom Fellay], não é suficiente para superar os problemas doutrinais que estão na base da fratura entre a Santa Sé e a Fraternidade”.

Já se esperava que a resposta da Fraternidade ao preâmbulo doutrinal não satisfaria à Santa Sé. Ocorre que, por desejo do Papa, renovou-se o convite a Dom Fellay para “esclarecer a sua posição a fim de poder chegar à recomposição da fratura existente”.

Usam-se, no breve comunicado, duas expressões distintas: ruptura e fratura. Embora não sejam termos técnicos da teologia, parecem expressar a realidade atual (fratura - irregularidade canônica) e a que se deseja evitar (ruptura - cisma).

O último parágrafo do comunicado deixa a situação em suspenso por mais algum tempo, desqualificando as vozes que se levantaram para dar por encerradas as tratativas com a Fraternidade. Ainda é cedo para os açodados, de ambos os lados.
 
OBLATVS

sábado, 8 de outubro de 2011

Roma publicará el "preámbulo doctrinal"

Roma publicará el contenido de un eventual acuerdo con la Fraternidad San Pío X
Si se llega a un acuerdo con la Fraternidad Sacerdotal de San Pío X, el Vaticano publicará el “preámbulo doctrinal” bajo el cual concluirá este acuerdo para el regreso a la plena comunión con Roma de la fraternidad tradicionalista separada desde 1988. Esto indicaron a I. MEDIA fuentes vaticanas autorizadas, el 6 de octubre de 2011, en vísperas de una reunión durante la cual los responsables lefebvristas deberán decidir si aceptan los principios contenidos en el preámbulo doctrinal entregado el 14 de septiembre pasado por la Congregación para la Doctrina de la Fe, condición previa al establecimiento de una prelatura personal.

“No tenemos nada que ocultar”, afirmaron en el Vaticano las fuentes familiarizadas con el asunto, y agregaron: “Está claro que una vez que el texto sea definitivo, lo publicaremos”. En la Pontificia Comisión Ecclesia Dei, se propone así dejar la puerta abierta para “aclaraciones” si es necesario y se precisa que es pues “un texto provisional” que se presentó a Mons. Bernard Fellay, superior de la Fraternidad de San Pío X, y sus colaboradores, durante su visita al Vaticano el 14 de septiembre. La divulgación de este texto permitirá responder las inquietudes de ciertos medios eclesiales que temen concesiones demasiado grandes de Roma para los lefebvristas.

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