quinta-feira, 31 de maio de 2012

Pe. Lombardi: Este é o momento para solidarizar-se com o Papa Bento XVI

(ACI/EWTN Noticias)

O Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Padre Federico Lombardi, assinalou que este é o momento para solidarizar-se com o Papa Bento XVI, depois da publicação dos documentos reservados do Vaticano, razão pela qual há foi preso um trabalhado do vaticano chamado Paolo Gabriele, que servia como mordomo do Santo Padre.

Em um encontro ontem com os jornalistas, o Padre Lombardi respondeu algumas perguntas sobre uma hipótese de demissão do Papa divulgada por alguns meios. O fato foi desmentido no Vatican Information Service, no qual o Vaticano afirma que isto se trata de elucubrações de alguns jornalistas sem base na realidade.

A Cúria Vaticana, explicou, expressou sua solidariedade ao Pontífice e segue trabalhando em plena comunhão com o Sucessor do Pedro: "este é precisamente o momento adequado para demonstrar estima, apreço pelo Santo Padre, pelo serviço que ele realiza; para mostrar plena solidariedade com ele e, portanto, demonstrar união, unidade e coerência no modo enfrentar esta situação".

O sacerdote sublinhou que é importante que a comunicação sobre este doloroso evento para o Papa e a Igreja esteja inspirada em critérios de verdade rigorosa.

“Parece-me que existe uma linha de vontade de verdade, de claridade, de vontade de transparência que, embora necessite tempo, avança. Estamos buscando administrar uma situação nova. Procuramos a verdade, tentamos entender o que aconteceu objetivamente. Mas antes de falar é necessário ter entendido com certeza, por uma questão de respeito às pessoas e à verdade".

O Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé disse logo que será necessário esperar para ter um quadro completo da situação, já que as investigações e os interrogatórios formais se encontram ainda em um nível preliminar. Os órgãos interessados nesta fase são a magistratura vaticana e a comissão cardinalícia composta pelos seguintes purpurados: o Cardeal Julián Herranz, de 82 anos de idade e Presidente Emérito do Pontifício Conselho para os textos legislativos, o Prefeito Emérito da Congregação para a Evangelização dos Povos, Cardeal Josef Tomko, e o Arcebispo Emérito de Palermo (Itália), Dom Salvatore de Giorgi.

O Padre Lombardi disse ademais que ontem pela manhã o único acusado, Paolo Gabriele, manteve uma conversa com seus advogados, que provavelmente apresentarão uma instância de liberdade condicional ou prisão domiciliar para seu cliente.

Do mesmo modo, o sacerdote jesuíta desmentiu alguns detalhes publicados pela imprensa, como que na casa do Gabriele se encontraram pacotes de documentos preparados para serem enviados a destinatários específicos. O material encontrado em posse do mordomo (em seu apartamento) está ainda sendo estudado e catalogado.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

La lengua muerta? La lengua latina atrae sobre todo jóvenes.

Il Bollettino Salesiano trae una entrevista con don Roberto Spataro, SDB, profesor en la Universidad Pontificia Salesiana. La entrevista contiene el siguiente párrafo:

"La expresión "lengua muerta" atribuida al latín es solo una banalidad. Ningún filólogo serio la considera tal porque, aunque dejo de ser la lengua-madre a final del período tardo-antiguo, el latín ha continuado siendo una lengua escrita y hablada hasta el fin del siglo XIX por todos los hombres cultos, incluidos físicos y matemáticos. Era la lengua oficial en parlamentos nacionales como el húngaro o el croata. ¿Puede ser, por otra parte, considerada muerta una lengua que continúa siendo estudiada por muchísimas personas en todo el mundo? ¿Está muerta una lengua en la que el estudio de sus textos alimenta pensamientos nobles y elevados? Por otra parte, es la lengua supranacional de la Santa Sede, de muchos humanistas que se comunican en latín, de la liturgia que, celebrada en lengua latina, atrae un número creciente de fieles, sobre todo jóvenes".

Fuente: Il Bollettino Salesiano
Visto en: Messa in Latino

San Juan Bosco. Imagen

terça-feira, 22 de maio de 2012

Dossiê FSSPX – Parte III


Dossiê FSSPX – Parte III
Diálogos, reconciliações e esperança de retorno definitivo

Era. Lefebvre estava certo em sua preocupação: o fim de sua vida estava próximo. Tão próximo que ele viveu menos de três anos após ser punido, ele e os outros 5 bispos, com a excomunhão. Morreu aos 85 anos, numa segunda-feira, às 03h25 do dia 25 de março de 1991, segunda-feira da Semana Santa, em Martigny; esperara muito para operar a sua causa mortis: um tumor canceroso do tamanho de três laranjas extraído do seu estômago. Segundo relatos de testemunhas, em seus últimos dias, teria dito: “Eu não quero estar diante de Deus para ser questionado: ‘O que você fez com seu episcopado?’” Às suas exéquias, oficiadas no Seminário de Êcone no dia 02 de abril seguinte – onde também está a sua sepultura, compareceram cerca de 20 mil pessoas. O Núncio de então e o bispo de Sion, Mons. Schwery, estiveram no funeral. Sobre o caixão, afixaram uma placa onde gravaram as palavras que ele pedira: Tradidi quod et accepi (Transmiti o que recebi).

Peregrinação da Fraternidade a Roma durante o Ano Santo 2000. Estiveram presentes mais de 6000 fiéis assistidos por eles e provenientes de todas as partes do mundo

Apesar de tudo, os filhos espirituais de Lefebvre nunca deixaram de dizer que eram católicos. Continuaram a declarar reconhecimento da autoridade do Romano Pontífice e fidelidade à Igreja. Não se privaram, por exemplo, da peregrinação jubilar a Roma por ocasião do Ano Santo de 2000, quando, diante dos olhares incrédulos de muitos, avançaram pela Via dela Conciliazione, seguindo Mons. Fellay que erguia nas mãos uma simples cruz de madeira, e adentraram na Basílica de São Pedro, um dos locais para cumprir os seculares exercícios espirituais feitos durante os Anos Santos.

Dom Antônio Castro Mayer: compartilhou com Lefebvre também a mesma sanção canônica e a fundação de uma fraternidade sacerdotal

No Brasil, continuou uma extensão da obra iniciada pelo Arcebispo e continuada por Dom Castro Mayer até sua morte, pouco tempo depois daquele, em 26 de abril de 1991, às vésperas dos 87 anos de idade. A União Sacerdotal São João Maria Vianney fora fundada em 1982 com os mesmos desejos da Fraternidade São Pio X: reunir seminaristas, sacerdotes e fiéis que queriam continuar usando ordinariamente os livros anteriores à reforma do Vaticano II. Após a morte de Dom Castro Mayer, a União foi governada por Dom Licínio Rangel. Acontecera a este o mesmo ocorrido em Êcone: recebera a sagração episcopal sem mandato pontifício em 28 de julho de 1991, em São Fidélis (Rio de Janeiro), em cerimônia presidida por Bernard Tissier de Mallarais, sendo assistido por Alfonso de Galarreta e Richard Williamson. O fato foi muito noticiado na época por jornais de circulação nacional.

Dom Fernando Rifan, Administrador Apostólico da Administração Apostólica São João Maria Vianney.Sua sagração episcopal em 2002 foi um dos marcos do fim do cisma de Campos

Mas, os “Padres de Campos” e o cisma instaurado também lá, não resistiu muito tempo: em 2001, Dom Licínio e os seus 25 padres escreveram uma carta ao Papa João Paulo II, expressando total submissão e comunhão com Roma. A reaproximação acontecera quando da peregrinação jubilar que haviam feito com a Fraternidade São Pio X. O Vaticano não só reconheceu a União, como erigiu-a como Administração Apostólica São João Maria Vianney, e nomeou Dom Licínio como seu primeiro administrador apostólico, reconhecendo, portanto, a sua sagração episcopal ilicitamente conferida dez anos antes e concedendo-lhe a sede episcopal titular de Zarna. Ele permaneceu no cargo por pouco tempo, parecendo que só aguardara a plena comunhão com o Papa para morrer em paz; adormeceu no sono do Senhor, 5 meses depois de ver o fim do cisma de Campos, em 16 de dezembro de 2002. Sucedeu-lhe no governo da Administração o até então Administrador Coadjutor, que Dom Licínio solicitara a João Paulo II, Dom Fernando Areas Rifan. Sua sagração episcopal acontecera em 18 de agosto de 2002 (veja o vídeo), presidida pelo Cardeal Dario Castrillón, então Presidente da Pontifícia Comissão “Ecclesia Dei”, assistido por Dom Alano Maria Pena, então Arcebispo de Niterói – Província Eclesiástica onde a sede da Administração está situada, e por Dom Licínio Rangel. Dom Fernando Rifan é titular de uma sede episcopal hoje extinta Cedamusa (no norte africano).


Dom Fernando Rifan com o Papa Bento XVI

Clero secular da Administração Apostólica, durante o seu retiro anual
À esquerda de Dom Rifan, Pe. Paulo Ricardo Azevedo

A Administração Apostólica São João Maria Vianney é, portanto, uma circunscrição eclesiástica especialmente ereta àqueles que querem permanecer unicamente na espiritualidade e formação do usus antiquior, mas não deixam de reconhecer a validade do Concílio Vaticano II, suas reformas, seus documentos e os Pontífices eleitos depois dele. Em 2007, elencava 40 sacerdotes em seu clero, 32 seminaristas, 75 religiosos, cerca de 28 mil fiéis e 24 escolas. Pode erigir – como já o fez – paróquias pessoais em qualquer território, até mesmo fora de sua sede, para atender os fiéis que assim o desejarem. Dom Fernando Rifan é, por conseguinte, até agora, o único bispo licitamente sagrado e que celebra (quase que) exclusivamente o rito antigo (eventualmente concelebra em cerimônias da forma ordinária; durante a Assembleia Geral do episcopado brasileiro, por exemplo), que está em plena comunhão com a Igreja e seu Administração é incorporado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. Na mesma cidade de Campos, estão sediadas a Diocese homônima, como qualquer outra diocese, e a Administração Apostólica, que não é restrita a limites físicos.

Procissão da Fraternidade em direção à Basílica de São Pedro. Peregrinação do Ano Santo 2000

Apesar das acusações motivadas por incompreensões e ódio e que diziam que Bento XVI “queria voltar atrás, para antes do Concílio”, o Pontífice decidiu por bem remover, em decreto da Congregação para os Bispos de janeiro de 2009, a excomunhão aplicada aos quatro Bispos ordenados sem mandato pontifício, atendendo a insistentes pedidos de Mons. Fellay. Em carta emitida ao episcopado mundial e explicando-se sobre sua atitude, o Papa justificou-se que havia tomado tal decisão pelo mesmo motivo com que foram lançadas as excomunhões em 1988: convidar os quatro Bispos ao regresso. E, ademais, que a Igreja não poderia permanecer indiferente com uma comunidade que, naquele ano, contava com “491 sacerdotes, 215 seminaristas, 6 seminários, 88 escolas, 2 institutos universitários, 117 irmãos, 164 irmãs e milhares de fiéis”. Mas, antes, a Fraternidade deve reconhecer que “a autoridade magisterial da Igreja não se pode congelar no ano de 1962”. E que ainda não possui uma posição canônica regular não por “razões disciplinares, mas doutrinais”. Bento XVI, ao fim de sua explicação, ainda se perguntou retoricamente se o que fez era necessário. Respondeu-se e a quem questiona assim que a Pedro foi dada a missão de confiar os irmãos na fé e que o mesmo Apóstolo, em sua primeira Carta, exortou a todos a estarem sempre prontos a responder a quem questionasse a sua fé. Despediu-se com as palavras de São Paulo aos Gálatas, em não abusar da liberdade e, assim, destruir-se mutuamente.

Questionado sobre o levantamento também da excomunhão de Mons. Lefebvre, o Cardeal Giovanni Battista Re, que assinou o decreto de remissão das censuras canônicas, afirmou que não compete à Igreja definir a validade de sanções contra pessoas já falecidas.

Não obstante, houve posições de alguns dos quatro Bispos que questionaram a sua intenção de reconciliar-se com a Igreja: entre a publicação do decreto de remissão das excomunhões e da carta do Papa, foi divulgada em 21 de janeiro de 2009 (com intrigantes) dois meses de atraso da gravação) uma entrevista de Mons. Richard Williamson a um canal televisivo sueco, dizendo acreditar no revisionismo do Holocausto, que não haviam existido câmaras de gás e, portanto, os judeus não tinham morrido nelas, mas em campos de concentração nazistas. Tão pensamento é ilegal e punível como crime nos tribunais alemães, onde foi iniciado uma investigação criminal do bispo. À época, a situação tornou-se tão constrangedora para a Santa Sé de modo especial, em suas relações com a comunidade judaica e com governos que jamais negariam o genocídio de judeus e o número de vítimas da Segunda Guerra Mundial, que Bento XVI disse ao jornalista alemão Peter Seewald, no livro-entrevista “Luz do mundo” lançado em 2010, que se tivesse tomado prévio conhecimento das vergonhosas declarações de Mons. Williamson, havia separado o seu caso dos demais Bispos até então excomungados, e não revogaria a sanção canônica que pesava contra ele. Consciente da polêmica que tinha provocado, a ponto de ter sido expulso da Argentina pelo Governo e ser rechaçado por membros da Fraternidade, dirigiu um pedido de perdão ao Papa por suas palavras impensadas e se comparou ao profeta Jonas, que, jogado ao mar, fez com que toda a tempestade, ora deflagrada, acabasse. Foi advertido pelo Papa e por seu Superior, Mons. Fellay, a não mais apresentar declarações públicas como o tinha feito.

Mons. Tissier também não poupou duras críticas ao Papa Bento XVI em entrevista a uma revista, definindo-o como “um verdadeiro modernista com uma teoria completa de modernismo atualizado”.
Os sacramentos administrados por sacerdotes e bispos da Fraternidade São Pio X são válidos?
O próprio Bento XVI respondeu a isso na mesma carta enviada aos bispos do mundo inteiro, sobre a remissão das excomunhões, assinada em 10 de março de 2010: Enquanto a Fraternidade não tiver uma posição canônica na Igreja, também os seus ministros não exercem ministérios legítimos na Igreja. [...] Especificando uma vez mais: enquanto as questões relativas à doutrina não forem esclarecidas, a Fraternidade não possui qualquer estado canónico na Igreja, e os seus ministros — embora tenham sido libertos da punição eclesiástica — não exercem de modo legítimo qualquer ministério na Igreja.

Em 1996, Mons. Nobert Brunner, então bispo de Sion (Suíça) foi o primeiro a questionar sobre isso a Congregação para os Bispos. Esta, somando com uma resposta do Pontifício Conselho para a Interpretação dos Textos Legislativos, definiu que os sacerdotes ordenados ou por Mons. Lefebvre ou por algum dos quatros Bispos ilicitamente sagrados por ele e membros da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, são suspensos a divinis por pretenderem se incardinar numa instituição não canonicamente reconhecida pela Igreja e administrarem os sacramentos são acéfalos, não incardinados em diocese ou instituto canônico algum, que validamente lhes concederiam a jurisdição requerida para a lícita administração dos sacramentos do Batismo, Eucaristia, Matrimônio e Unção dos Enfermos. Do mesmo modo, são ilícitos os sacramentos da Ordem e da Confirmação conferidos por qualquer um dos quatro bispos da Fraternidade.

Reunião dos Superiores da Fraternidade na sede do Distrito italiano
sobre o conteúdo do Preâmbulo doutrinal entregue pelo Cardeal Levada.
Aparentemente, Mons. Williamson não compareceu ao encontro,
como ele não pode ser visto na foto junto aos outros três Bispos.
07-08 de outubro de 2011

Todavia, primeiramente, a Igreja licita e valida qualquer sacramento administrado em perigo de morte por qualquer padre suspenso ou até mesmo laicizado (não mais clérigo), em favor da necessidade da salvação da alma do fiel. Os ministros ordenados da Fraternidade, em segundo lugar, advogam em causa da validade dos sacramentos administrados por eles em virtude da mesma necessidade universalmente defendida pela Igreja; alegam, ainda, que a jurisdição requerida para a mesma validade seria supressa pela Igreja (Ecclesia supplet) em favor dos fiéis que necessitam dos sacramentos e até mesmo em favor dos tribunais eclesiásticos instituídos pela Fraternidade para julgares casos de nulidade matrimonial.

Em maio de 1991, Mons. Ferrario, bispo do Havaí, emitiu um decreto de pseudo-excomunhão a alguns católicos de sua diocese que assistiram a missas celebradas por sacerdotes da Fraternidade e por receberem um bispo desta para administrar a Confirmação. Contudo, o Cardeal Ratzinger declarou que a atitude dos fiéis não constituía um delito de cisma e que, portanto, sem fundamento, o decreto episcopal não tinha nenhuma validez.

Contudo, para qualquer fiel católico que não pertence à comunidade leiga da Fraternidade São Pio X, é válida a mesma lei que rege a recepção dos sacramentos administrados pelo clero ortodoxo, que não reconhece a primazia de Pedro: só em caso de verdadeira necessidade, caso não haja ministro ordenado, incardinado e com legítima jurisdição, é que qualquer católico pode receber sacramentos administrados por qualquer ministro ordenado católico, independente de sua situação canônica.


Fonte: Direto da Sacristia


domingo, 20 de maio de 2012

Dossiê FSSPX – Parte II

Dossiê FSSPX – Parte II
De Êcone às excomunhões

Depois de contar com o apoio do bispo onde estava situado o seminário de Êcone, o Cardeal Wright, então Prefeito da Congregação para o Clero, também elogiou os estatutos da Fraternidade.

Vista parcial do Seminário Internacional São Pio X
O primeiro da Fraternidade homônima

Mas, os tempos de paz duraram até o momento que a recusa ao Novus Ordo foi publicamente declarada por Mons. Lefebvre, fato que aconteceu em 10 de junho de 1971, seguida por todos os alunos do Seminário São Pio X de Êcone. O mesmo tinha sido feito pelos Cardeais Ottaviani, então Prefeito do agora renomeado Santo Ofício, e Bacci em carta dirigida a Paulo VI. Até ao ano de 1974, porém, a nova fraternidade recebe sinais seguros de sua aprovação no Vaticano, até mesmo permitir a sua ereção canônica em duas dioceses suíça e uma italiana. A partir de então, iniciou-se o período mais difícil para a Fraternidade. Seguem-se os fatos:

Naquele mesmo ano, entre os dias 11 e 13 de novembro, aconteceu uma visita apostólica ao seminário de Êcone presidida pelo Cardeal Garrone, então Prefeito da Congregação para a Educação Católica (para os Seminários e Institutos de Estudos). Medidas como essas são normais em institutos de formação sacerdotal e religiosa. Ainda mais tranquilizantes foram as conclusões do Visitador, embora tenha sublinhado que o Seminário não aplicara a reforma litúrgica, e nisso havia “algo de espírito anticonciliar”.

Nos dias 13 de fevereiro e 03 de março de 1975, Mons. Lefebvre foi interrogado por uma comissão papal formada por três cardeais acerca de sua declaração redigida e publicada criticando alguns pontos da visita apostólica. No dia 06 de maio, por fim, foi condenado pela mesma comissão em virtude de erros encontrados na Declaração, e o Cardeal Jean Villot ordenou ao Mons. Mamie, novo bispo de Friburgo, que retirasse a aprovação concedida por seu predecessor à Fraternidade São Pio X e que fosse, portanto, supressa. Em vão, Mons. Lefebvre apelou ao Tribunal da Assinatura Apostólica, pedindo ao seu Prefeito Cardeal Staffa que se realmente fosse encontrado algum erro em sua declaração, que a punição fosse a ele aplicação e não à Fraternidade, que estava fundada segundo a legislação canônica.

Em 29 de junho seguinte, Paulo VI confirmou a Mons. Lefebvre que aprovara tudo quanto tinha feito a Comissão cardinalícia.

Em 27 de outubro, o Cardeal Villot escreveu ao episcopado mundial dizendo que aos sacerdotes da Fraternidade não fosse concedida incardinação nas dioceses.

Em 26 de junho de 1976, Mons. Benelli, oficial da Secretaria de Estado e futuro Cardeal, prescreve a Mons. Lefebvre que não ordene sacerdotes sem permissão de seus bispos diocesanos. Três semanas antes de receber a comunicação epistolar, viajou por seis vezes a Roma onde lhe pediram que estabelecesse relações formais com o Vaticano. Foram inúteis as restrições de não ordenar mais sem a permissão dos Ordinários, pois três dias após prosseguiu com as ordenações previstas. Em 01 de julho, foi-lhe comunicada a suspensão a divinis do Arcebispo e dos sacerdotes recém-ordenados.

Audiência com Paulo VI: acusações mútuas e clima tenso

Em 11 de setembro de 1976, Lefebvre foi recebido por Paulo VI em seus últimos anos de vida. No início da audiência, o Papa estava alegre e receptivo. Depois, com o progresso e o rumo da conversa, seu ânimo foi mudando, e disse: ”Você me condena! Você me condena! Me chama de modernista, de herege, de protestante! Não posso permitir isto. Você está fazendo um mal, não deve continuar, você está causando escândalo na Igreja”. E Lefebvre permanecia calado, até quando Paulo VI ordenou: “Fale, fale. O que você tem para dizer??”. E o Arcebispo começou a se explicar, enquanto Paulo VI estava nervoso, angustiado e com feições tristes.

Após pouco mais de dois meses de eleito Papa, João Paulo II concedeu-lhe uma audiência de 1h45 (fato raríssimo) em dezembro de 1978. Assim o que o viu, o Papa o abraçou, mas depois de ouvir os motivos de Lefebvre e seus questionamentos sobre o Concílio, repetiu exaltadamente: “A obediência! A obediência! A obediência! A obediência!”. A audiência, ao fim das contas, também foi tensa.

Não obstante, os anos avançaram e a formação sacerdotal na Fraternidade continuou normalmente. Mons. Lefebvre já contava com mais de oitenta anos e temia que, após sua morte, sem apoio e sem quem ordenasse seus sacerdotes, a Fraternidade desaparecesse. Por pensar assim, em abril de 1987 anunciou que sagraria bispos, mesmo sem autorização papal – que não possuíram, é verdade, jurisdição, pois só quem a concede é o Papa; mas administrariam os sacramentos da Confirmação e da Ordem. Contudo, como tentativa de aproximação e a fim de evitar um cisma, depois que o Cardeal Gagnon fez uma visita canônica à Fraternidade nos fins de 1987, em carta em abril do ano seguinte ao então Cardeal Ratzinger, o Papa João Paulo II reconheceu as disposições de Mons. Lefebvre. Portanto, seguiu-se uma série de encontros naquele mesmo mês com teólogos e canonistas da Congregação para a Doutrina da Fé e da referida Fraternidade. O resultado foi um acordo, e a assinatura de um protocolo em 05 de maio. Neste, Mons. Lefebvre declarou em seu nome e no da Fraternidade que prometia fidelidade à Igreja Católica e ao Romano Pontífice, cabeça do Colégio episcopal (reconhecendo, portanto, a colegialidade episcopal aprovada no Vaticano II); aceitava a doutrina conciliar contida no número 25 da Constituição dogmática “Lumen Gentium” do Vaticano II sobre o magistério eclesiástico e a adesão que lhe é devida; empenhava-se em estabelecer comunicação com a Sé Apostólica, evitando qualquer polêmica sobre os documentos conciliares e as reformas posteriores; reconhecia a validade da Missa e dos Sacramentos celebrados com a intenção requerida e segundo os ritos das edições típicas, promulgadas por Paulo VI e João Paulo II; reconhecia e respeitava a disciplina comum da Igreja e as leis eclesiásticas, especialmente aquelas contidas no Código de Direito Canônico de 1983, salvo as particularidades concedidas à Fraternidade. Na segunda parte do texto, era previsto que a Fraternidade seria constituída como sociedade de vida apostólica de direito pontifício e com certa isenção ao culto público, à cura das almas e às atividades apostólicas; seriam usados os livros litúrgicos anteriores à reforma litúrgica conciliar; uma comissão especialmente constituída mediaria as relações com os diversos dicastérios da Santa Sé; e seria sugerido ao Santo Padre um nome dentre os membros da Fraternidade para a eleição de um bispo próprio, que não seria o superior-geral.

Tudo aparentava acontecer bem e evoluindo para o fim daquele problema que já durava alguns anos. Contudo, em maio de 1988, Mons. Lefebvre escreveu ao então Cardeal Ratzinger exigindo que a sagração episcopal de um membro da Fraternidade fosse efetuada até o dia 30 de junho seguinte, acrescentando que se o seu pedido não fosse aceito, ele mesmo sagraria por dever de consciência. O Cardeal respondeu pedindo que reconsiderasse a decisão. No fim do mesmo mês, os dois se encontraram em Roma e foi comunicado a Mons. Lefebvre que o Papa nomearia um bispo da Fraternidade para que sua sagração fosse no dia 15 de agosto seguinte, clausura do Ano Mariano. Em carta posterior, o Arcebispo voltou a insistir na data de 30 de junho, e voltou a ameaçar que, do contrário, ele mesmo ordenaria por conta própria.

Bispos ilicitamente sagrados por Mons. Lefebvre e Dom Castro Mayer, da esquerda para a direita:
o suíço Bernard Fellay, em seu segundo mandato como Superior-geral da Fraternidade;
o cântabro Alfonso de Galarreta, reitor do seminário argentino de La Reja,
o franco-provençal Bernard Tissier de Mallarais; e o inglês Richard Williamson

Em 09 de junho, o próprio João Paulo II enviou pessoalmente uma angustiosa carta desejando impedir o ato cismático, nestes termos: “Não somente o convido a isto [renunciar o projeto de ordenar bispos sem mandato da Sé Apostólica], mais ainda, peço-lhe pelas chagas de Cristo nosso Redentor, em nome de Cristo, que na vigília de sua Paixão orou por seus discípulos “para que todos sejam um”. Mas, o pedido do Papa não foi suficiente para desencorajá-lo do que aconteceu poucos dias depois. De fato, no dia 30 de junho, assistido pelo brasileiro Dom Antônio Castro Mayer, então Bispo emérito de Campos (só por um bispo, portanto, enquanto que a tradição pede dois co-sagrantes, embora que isso não invalide nada), Lefebvre ordenou quatro membros como bispos: Bernard Fellay, Bernard Tissier de Mallarais, Richard Williamson e Alfonso de Galarreta. Todos, válidos bispos sagrantes e ilícitos bispos sagrados, incorreram em excomunhão “latae sententiae” do cânon 1382 do Código de Direito Canônico de 1983, e reservada à Sé Apostólica (única competente a absolver da pena).

A sanção canônica foi oficialmente comunicada em 02 de julho, mediante o Motu proprio “Ecclesia Dei Adfflicta”. A Santa Sé acolheu os seminaristas e sacerdotes que se dispersaram da Fraternidade após consumado o cisma, e erigiu a Fraternidade Sacerdotal São Pedro. João Paulo II também erigiu o Instituto de Cristo Rei e Sumo Sacerdote e se dignou ele mesmo ordenar sacerdote o genovês que até hoje preside o mesmo Instituto, Mons. Gilles Wach. Foi a maneira encontrada para combater o cisma e atender tanto aos seminaristas, padres e fiéis católicos que têm a sensibilidade litúrgica do rito tradicional.

Enquanto isso, a Fraternidade apresentou argumentos, baseados em cânones do Código de 1983, entre eles que o estado de necessidade visto pelo Arcebispo invalidava a pena que seria aplicada em circunstância contrária; que o cisma só seria consumado se se quisesse constituir uma hierarquia paralela à oficialmente eleita e disposta pela Igreja, que aconteceria se também pretendesse conceder jurisdição, que se classificaria, portanto, em usurpação do ofício papal; e que, finalmente, o cisma não acontece simplesmente por desobediência, pois esta é apenas o não reconhecimento de uma ordem dada por uma autoridade, e não a dúvida da própria autoridade que formulou a ordem.

Justa ou não para eles, o fato é que as excomunhões foram lançadas e foi iniciado o período mais recente dessa história.
Continua…

sábado, 19 de maio de 2012

Dossiê FSSPX – Parte I

Dossiê FSSPX – Parte I
O início

Às vésperas da reunião da Congregação para a Doutrina da Fé (em alguma “feria quarta” da primeira quinzena do mês de maio), quando será decidida a regularização canônica da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, depois de recebida por parte daquela a resposta de Mons. Fellay ao Preâmbulo Doutrinal, é importante apresentar uma retrospectiva dos fatos que se seguiram desde o Concílio Vaticano II em torno, inicialmente, da pessoa do Arcebispo Marcel Lefebvre, e agora, da Fraternidade por ele fundada. À luz desta explicação, será mais fácil compreender a natureza das discussões e como este caso é caro ao Papa Bento XVI como, em último lugar numa escala de importância, prova de que existe uma solução; o que não foi possível em 1988, quando ele foi o mediador nas frustradas negociações.


1. Primeiros anos

Antes mesmo de nos determos no relato anterior às excomunhões de 1988, voltaremos alguns anos, afim de que seja conhecida mais detalhadamente a figura de Mons. Lefebvre e saber de seus motivos.

Procissão de ingresso dos Padres Conciliares

Vaticano, início da década de 60. Mons. Lefebvre é um dos mais de 2000 prelados presentes no Segundo Concílio do Vaticano – ele fora nomeado pelo Papa João XXIII para fazer parte de sua comissão preparatória. Ele tomou o seu assento, entre os milhares hierarquicamente dispostos na Basílica de São Pedro para os Padres Conciliares e peritos, como Superior-geral da Congregação do Santo Espírito, na qual professara votos 31 anos antes, depois de pedir excardinação da diocese de Lille (França) para o clero da qual tinha sido ordenado em 1929. Tinha um longo passado em terras de missão africanas. De fato, ainda sacerdote foi enviado ao Gabão, e em 1947 foi nomeado Vigário Apostólico do Dakar e lhe foi concedida uma sede episcopal titular (diocese extinta), e para tal cargo recebeu a sagração episcopal em sua terra natal em 18 de setembro do mesmo ano. No início do ano de 1948, foi-lhe acumulado o cargo de Administrador Apostólico de Saint-Louis du Sénégal. No mesmo ano foi promovido ao título de Arcebispo e nomeado Delegado Apostólico no Senegal. Pela promoção arquiepiscopal, Mons. Lefebvre foi privilegiado com o uso do pálio – embora não fosse sequer arcebispo metropolitano. Tal concessão era prevista até a sua ab-rogação por Paulo VI, de ser o uso do pálio arquiepiscopal concedido a qualquer bispo (e não somente aos arcebispos metropolitanos); contudo, como acontece a outros privilégios cancelados, o uso só continuou àqueles que já o haviam recebido. Mas, quando de sua nomeação para o arcebispado de Dakar, ele recebeu outro pálio, com o qual foi paramentado em suas exéquias em 1991.

2. Retorno da África e Vaticano II


Membros do Coetus Internationalis Patrum durante o Vaticano II

Mas, como poderia um bispo de apostolado tão numeroso em África, enviado pelo Papa Pio XII e, segundo dizem, de grande estima deste, em tão recentes 8 anos em missão africana, participar das quatro sessões do Vaticano II como Superior-geral (cargo estranho a um bispo) de sua Congregação e já tendo renunciado ao bispado de Tulle (a menor diocese francesa), após apenas 7 meses de sua nomeação? Quando Arcebispo de Dakar, Mons. Lefebvre foi veementemente contrário à instituição de uma hierarquia episcopal africana. Para ele, somente à França competia uma missão civilizadora e evangelizadora em África, e disto não poderia se abrir mão. Ciente e preocupado com isso, o então presidente senegalês Leopold Senghor, católico, pediu ao Papa João XXIII que o retirasse de África; apesar de ter conquistado o respeito de muitos senegaleses, incluindo muçulmanos. E, como foi dito anteriormente, participou do Vaticano II como Superior-geral da Congregação dos Padres do Espírito Santo, como havia sido eleito após retornar a França. E foi muito assíduo nos debates conciliares, sendo membro do Grupo Internacional de Padres, que se opôs às inovações da Aliança Europeia, animada pelo teólogo jesuíta Karl Rahner. Essa sua resistência iniciara-se nos anos de estudos na Universidade Gregoriana, com a influência vinda do então Pe. Louis Billot, seu professor, que em 1911 foi criado cardeal – título retirado pela defesa de suas ideias na Ação Católica francesa. Aprendeu a rejeitar o liberalismo como sendo “a heresia por excelência após o modernismo” e que fazia os cristãos não crerem na imutabilidade dos artigos da fé.

Assinatura de Lefebvre (a quarta de cima para baixo) no documento, entre outros, sobre a liberdade religiosa

Apesar de participar da primeira à quarta sessões e assinar todos os documentos, começa a discordar dos relativos à liberdade religiosa, ao ecumenismo e à colegialidade dos bispos, que, para ele, poderia diminuir a autoridade papal. As suas intervenções causaram tanta polêmica que os bispos seus confrades na Congregação solicitaram-lhe uma audiência e perguntaram se falava em seu nome ou em nome dos mais de 4000 padres de quem era superior-geral. Era em seu nome que falava.

3. O gérmen da FSSPX

Em 1968, não concordando com as reformas que deveria executar dentro da Congregação e devido à oposição que lhe foi feita, renunciou ao cargo de seu Superior-geral.

Um ano depois, alguns seminaristas descontentes o procuraram e o animaram a formá-los segundo a espiritualidade e a teologia que desejavam.

Em 1970, decidiu fundar um seminário destinado à formação de sacerdotes exclusivamente no espírito pré-conciliar. O então bispo de Friburgo, na Suíça, Mons. François Charrière, concede licença para a ereção do seminário de Êcone, e o mesmo Bispo erige canonicamente a Fraternidade Sacerdotal São Pio X em 1º novembro de 1970.

Continua...





segunda-feira, 14 de maio de 2012

Haverá Regresso?



Padres da Fraternidade São Pio X indo ao Túmulo de Pedro

Jubileu 2000

domingo, 13 de maio de 2012

A resposta do Papa à FSSPX não demorará


Por Andrea Tornielli
" Nos próximos dias os cardeais da Congregação para a doutrina da fé discutirão a proposta de mudança do "preâmbulo doutrinal" enviada no passado 17 de abril por Fellay ao Vaticano. Então a decisão final virá pelo Papa. Pelo fim de maio se prevê o anúncio, as previsões são positivas, também pelas troca de cartas que foram publicadas mostram muito claramente a oposição forte que se passa no interno da Fraternidade São Pio X a qualquer acordo com Roma.

Visto em: Sacri Palazzi

sábado, 12 de maio de 2012

Nossa Senhora de Fátima, ora pro nobis.


A treze de maio na Cova da ÍriaNo céu aparece a Virgem MariaAve, ave, ave MariaAve, ave, ave Maria

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Uma Prelazia Pessoal para a Fraternidade São Pio X


Às vésperas da publicação da decisão do Papa Bento XVI relativa à Fraternidade São Pio X, vêm à luz, através do site francês Riposte Catholique, duas cartas trocadas pelos bispos da mesma: uma, dos três bispos sem cargos de direção, destinada ao Superior Geral e a seus assistentes; outra, a resposta dos últimos.
 
A carta de Dom de Galarreta, Dom Tissier de Mallerais e Dom Williamson, traz um apelo desesperado para que Dom Fellay não assine o preâmbulo doutrinal que prepara o “acordo prático”, uma vez que as discussões doutrinárias “provaram que um acordo doutrinal é impossível com a Roma atual”, segundo os signatários. Declaram, portanto, a “unanimidade de sua oposição formal” a tal tipo de acordo.
 
Os bispos opositores citam declarações de Dom Lefebvre em que o prelado define o busílis do problema. Este seria não tanto os erros superficiais ou particulares, mas “uma perversão total do espírito, toda uma filosofia nova fundada sobre o subjetivismo”. Os bispos acrescentam que o pensamento de Bento XVI, idêntico neste aspecto ao de João Paulo II, estaria impregnado de subjetivismo. A própria aceitação da Fraternidade seria manifestação desta “fantasia subjetivista” que tolera a verdade, desde que esta aceite tolerar o erro.
 
Colocam o problema prático, de fato não desprezível, das garantias dadas à Fraternidade em relação à Cúria romana e aos bispos diocesanos. Veem que, pouco a pouco, a Fraternidade já não poderia manter o mesmo combate. E concluem que a aceitação do acordo puramente prático é um caminho sem volta, de divisão e destruição da obra de Dom Lefebvre.
 
Dom Fellay responde que a descrição da realidade da Igreja feita pelos bispos carece de “sobrenaturalidade”e de “realismo”.
 
O Superior Geral pergunta se os bispos ainda creem que “esta Igreja visível cuja sede está em Roma é a mesma Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo” e que Bento XVI é ainda o papa legítimo. Supondo evidentemente que o creiam, pergunta como poderiam recusar uma vontade legítima do Papa, sem que se lhes seja imposto nada de contrário aos mandamentos de Deus. Segundo Dom Fellay, a visão que os bispos têm de Igreja é muito humana e fatalista: veem “os perigos, os complôs, as dificuldades”, mas não veem mais “a assistência da graça e do Espírito Santo”.
 
A ausência de realismo se manifesta, segundo Dom Fellay, na intensidade e na amplitude dos erros. Transformar os erros do Concílio em super-heresias, em mal absoluto, seria uma atitude semelhante a dos liberais ao dogmatizarem o Concílio pastoral. Como não seria realista atribuir às autoridades todos os erros e males que se acham na Igreja.
 
Dom Fellay por fim declara que jamais procurou um acordo prático, que preferia manter o status quo intermediário, mas “manifestamente, Roma não o tolera mais”. E como a proposta de Prelazia Pessoal não é uma “armadilha” e a situação em 2012 não é a mesma de 1988, conclui que não deveria hesitar em aceitar o que foi proposto.
 
No parágrafo final, Dom Fellay lamenta as recentes atitudes dos bispos que, de modo diverso entre eles, procuram impor os próprios pontos de vista, até sob a forma de ameaças e publicamente.

De tudo o que as cartas revelam, muitas coisas ficam claras.
 
Em primeiro lugar, Roma não aceita mais o status quo intermediário. Se os bispos e sacerdotes da Fraternidade são católicos, não podem permanecer no estado de insubmissão ao Romano Pontífice. Esta submissão, necessária para a salvação, não se limita a declarações genéricas de fidelidade à Igreja de sempre, ao papado, e às missas una cum. A submissão é à Igreja de sempre que vive hoje e ao Papa Bento XVI. A recusa provavelmente exigiria do Papa uma nova bula de excomunhão, por pecado contra a Unidade da Igreja.
 
Roma ofereceu uma Prelazia Pessoal à Fraternidade e lhe permitiu criticar determinadas formulações do Concílio Vaticano II.
 
O Conselho Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X aceitou.
 
Haverá divisões e os chefes do cisma serão Dom de Galarreta, Dom Tissier de Mallerais e Dom Williamson.
 
Tudo agora é uma questão de tempo e, ao que parece, não passa de maio.
 
Rezemos para que o estrago seja mínimo.


Fonte: OBLATVS

É possível receber a comunhão em uma Igreja Ortodoxa?

domingo, 6 de maio de 2012

“Por muitos” ou “por todos”? A resposta certa é a primeira.


As Igrejas de várias nações do mundo estão restaurando na Missa, uma após a outra, as palavras da consagração do cálice tiradas literalmente dos Evangelhos e usadas por séculos mas, nas últimas décadas, substituídas por uma tradução diferente.

Enquanto o texto tradicional na versão latina original ainda diz: “Hic est enim calix sanguinis mei […] qui pro vobis et pro multis effundetur,” as novas fórmulas pós-conciliares leram no “pro multis” um imaginário “pro omnibus”. E, ao invés de “por muitos”, traduziram por “por todos”.

Ainda no último período do pontificado de João Paulo II, algumas autoridades vaticanas, incluindo Joseph Ratzinger, tentaram renovar a fidelidade nas traduções ao “pro multis”. Mas sem sucesso.
Bento XVI resolveu cuidar disso pessoalmente. Prova disso está na carta que ele escreveu no último dia 14 de abril aos bispos da Alemanha.

O link para o texto completo da carta segue abaixo. Nela, Bento XVI resume as questões principais da controvérsia para melhor fundamentar sua decisão de restaurar a correta tradução do “pro multis”.
Mas, para melhor compreender o contexto, vale lembrar aqui de alguns elementos.

Em primeiro lugar, ao dirigir sua carta aos bispos da Alemanha, Bento XVI também deseja alcançar os bispos de outras regiões de língua alemã: Áustria, os Cantões Alemães na Suíça e o Tirol do Sul, na Itália.

De fato, se na Alemanha, apesar da forte resistência, a conferência episcopal optou recentemente pela tradução do “pro multis” não mais com o “für alle”, por todos, mas com o “für viele”, por muitos, este não é o caso da Áustria.

Tampouco é o caso da Itália. Em novembro de 2010, por votação, dos 187 bispos votantes, somente 11 escolheram o “per molti”. Uma maioria esmagadora votou a favor do “per tutti”, indiferentes às instruções do Vaticano. Um pouco antes, as conferências episcopais de 16 regiões italianas, com exceção da Ligúria, se pronunciaram pela retenção da fórmula “per tutti”.

Em outras partes do mundo, estão retornando ao uso do “por muitos”: na América Latina, na Espanha, na Hungria, nos Estados Unidos. Frequentemente com desacordo e desobediência.

Mas Bento XVI claramente deseja ver esta questão resolvida. Sem imposições, mas instando os bispos a preparar o clero e os fiéis, com uma catequese apropriada, para uma mudança que deve ocorrer inevitavelmente.

Depois desta carta, fica fácil prever que o “per molti” também será restaurado nas Missas celebradas na Itália, apesar do voto contrário dos bispos em 2010.

A nova versão do missal, aprovada pela conferência episcopal italiana, está atualmente sob o exame da Congregação para o Culto Divino. E, neste ponto, certamente será corrigida de acordo com as instruções papais.

Um Segundo ponto diz respeito aos contínuos obstáculos encontrados pela tradução do “por muitos”.
Até 2001, os proponentes de traduções mais “livres” dos textos litúrgicos apelavam a um documento de 1969 do “Consilium ad exsequendam Constitutionem de Sacra Liturgia”, cujo secretário era monsenhor Annibale Bugnini, um documento sem assinatura, estranhamente escrito [originalmente] em francês, comumente referido por suas primeiras palavras: “Comme le prévoit”.

Em 2001, a Congregação para o Culto Divino publicou uma instrução, “Liturgiam Authenticam,” para a correta implementação da reforma litúrgica conciliar. O texto, datado de 28 de março, foi assinado pelo cardeal prefeito Jorge Arturo Medina Estevez e pelo arcebispo secretário Francesco Pio Tamburrino, e foi aprovado pelo papa João Paulo II numa audiência concedida oito dias antes ao cardeal secretário de estado Ângelo Sodano.

Lembrando que o rito romano “tem seu próprio estilo e estrutura que devem ser respeitados o máximo possível na tradução”, a instrução recomendava a tradução de textos litúrgicos que fossem “não tanto um trabalho de invenção criativa, senão um [trabalho] de fidelidade e exatidão na transcrição dos textos latinos para a língua vernácula”. Boas traduções – prescrevia o documento – “devem ser livres de uma dependência exagerada dos modos modernos de expressão e, de modo geral, livres de uma linguagem psicologizante”.

A instrução “Liturgiam Authenticam” sequer citava o “Comme le prévoit”. E era uma omissão voluntária, para privar o texto definitivamente de uma autoridade e de uma oficialidade que ele jamais havia tido.

Mas, apesar disso, a instrução encontrou uma enorme e fortíssima resistência, mesmo dentro da Cúria romana, tanto que foi ignorada e contradita por dois documentos pontifícios subseqüentes.

O primeiro foi a encíclica “Ecclesia de Eucharistia” de João Paulo II em 2003. No segundo parágrafo, onde lembra as palavras de Jesus para a consagração do vinho, afirma: “Tomai, todos, e bebei: Este é o cálice do meu Sangue, o Sangue da nova e eterna aliança, que será derramado por vós e por todos para remissão dos pecados” (cf. Mateus 14,24; Lucas 22,20 e 1Cor 11,25). O “por todos” ali presente é uma variação que não tem base alguma nos textos bíblicos citados, evidentemente introduzido a partir das traduções presentes nos missais pós-conciliares.

O segundo documento é a última das cartas que João Paulo II costumeiramente endereçava aos padres toda Quinta-feira Santa. Tinha a data remetente de 13 de março de 2005, escrita no Hospital Gemelli, e afirmava no 4º parágrafo que:
“‘Hoc est enim corpus meum quod pro vobis tradetur’. O corpo e o sangue de Cristo são dados pela salvação do homem, da totalidade do homem e por todos os homens. Esta salvação é integral e ao mesmo tempo universal, pois ninguém, ao menos que livremente o escolha, é excluído do poder salvífico do sangue de Cristo: ‘qui pro vobis et pro multis effundetur´. É um sacrifício oferecido por “muitos” como diz o texto bíblico (Mc 14,24; Mt 26,28; Is 53, 11-12); esta expressão tipicamente semítica se refere à multidão que é salva por Cristo, o único Redentor, e, ao mesmo tempo, infere a totalidade dos seres humanos a quem a salvação é oferecida: o sangue do Senhor é “derramado por vós e por todos”, como algumas traduções legitimamente explicitam. O corpo de cristo é verdadeiramente oferecido ‘pela vida do mundo’ ( Jo 6, 51; 1 Jo 2,2).”

João Paulo II estava com a vida por um fio, estaria morto 20 dias depois. E foi um papa nestas condições, que sequer tinha forças para ler, a quem obrigaram assinar um documento em favor do “por todos”.

Na Congregação para a Doutrina da Fé, que não tinha recebido o texto antecipadamente, a questão foi recebida com desapontamento. Tanto que, alguns dias mais tarde, no dia 21 de março, segunda-feira da Semana Santa, numa reunião tumultuada entre os chefes de alguns dicastérios da Cúria, o Cardeal Ratzinger registrou seu protesto.

E menos de um mês depois, Ratzinger foi eleito papa. Anunciado ao mundo com visível satisfação pelo cardeal protodiácono Medina, o mesmo que havia assinado a instrução “Liturgiam Authenticam”.

Com Bento XVI como papa, a restauração da tradução correta do “pro multis” imediatamente se tornou um objetivo de sua “reforma da reforma” na arena litúrgica.

Ele sabia que encontraria uma oposição ferrenha. Mas nesta arena ele nunca teve medo de tomar decisões difíceis, como o provou o motu proprio “Summorum Pontificum” pela liberação da Missa no rito antigo.

Um fato bem interessante é o modo com o qual Bento XVI quer implementar suas decisões. Não somente com ordens peremptórias, mas através da persuasão.

Três meses depois de sua eleição a papa, ele fez com que a Congregação para o Culto Divino, liderada então pelo cardeal Francis Arinze, conduzisse uma pesquisa entre as conferências episcopais para descobrir suas opiniões a respeito da tradução do “pro multis” pelo “por muitos”.

Tendo reunido tais opiniões, no dia 17 de outubro de 2006, sob a instrução do papa, o cardeal Arinze enviou uma carta circular a todas as conferências episcopais, elencando seis motivos em favor do “por muitos” e encojarando-os – sempre que a formula “por todos” estivesse sendo usada – a “realizar a catequese necessária dos fiéis” em face da mudança.

É esta catequese que Bento XVI sugere que seja feita na Alemanha particularmente, numa carta enviada aos bispos alemães no último dia 14 de abril. Nela, ele aponta que não lhe parece que esta iniciativa pastoral sugerida com autoridade há seis anos atrás tenha sido jamais realizada.



Visto em: Fratres in Unum

sábado, 5 de maio de 2012

Libreria Editrice Vaticana publica o "Ordo do Vaticano"


A Comissão Ecclesia Dei acabou de lançar um “Ordo divini offici recitandi sacrique peragendi” publicado pela Libreria Editrice Vaticana, cuja elaboração foi dirigida pelo Monsenhor Pozzo, Secretário da mesma comissão.

Este Ordo, composto inteiramente em latim, inclui, como todos os documentos deste tipo, as indicações do Oficio Divino a serem cantadas ou recitadas e das missas celebradas em cada dia do ano.

Este Ordo começa no Primeiro Domingo do Advento de 2011*. O calendário das festas do Temporal e do Santoral segue rigorosamente aquele usado em 1962 (por exemplo, e contrariando o uso em muitos lugares tradicionais, ele proíbe o uso do órgão nos domingos do Advento, com referência à instrução “De Musica Sacra”, de setembro de 1958). É obviamente um ordo romano, que não indica as festas “nacionais”… Por outro lado, ele menciona a possibilidade de usar o prefácio do Advento que existia em 1962 em todas as dioceses da França, mas não (incluído) no Missal romano….

O Ordo do Vaticano** resolve a questão da mistura (da disciplina litúrgica) da comunhão dupla que pode acontecer na noite e no dia do Natal e da Páscoa, autorizando-a, de acordo com as prescrições de 1964 (esta comunhão dupla é, em qualquer caso, praticada sem problemas em todas as capelas tradicionais***). Ainda sim, num sentido rigoroso, também resolve a questão da abstinência da sexta-feira, não através da legislação em vigor em 1962 (abstinência em todas as sextas-feiras, exceto naquelas que coincidem com as Festas de obrigação). Ele segue a disciplina do Novo Código de Direto Canônico na sua interpretação mais rigorosa (abstinência em todas as sextas-feiras, exceto naquelas que coincidem com os dias assinalados como solenidade, ou seja, as festas de I Classe como a sexta-feira na Oitava de Pascoa). Com exceção destas datas, em todas as sextas-feiras ele indica (em negrito, para que não possa ser ignorado por ninguém): Abstinentia.

Pelo qual, paradoxalmente, (o Ordo do Vaticano) é mais rigoroso e mais próximo da disciplina tradicional que… o Ordo usado pela Fraternidade de São Pio X e editado pelo Monastério de Saint-François du Trévoux, que apenas menciona a obrigação da abstinência nas sextas-feiras da Quaresma.


Observações do blog Rorate-Caeli
* Um pouco atrasado, eles deveriam publicar o ordo de 2012-2013. Na verdade, eles deveriam não só publica-lo, mas os responsáveis devem parar com esta insensatez e publicar o Ordo na internet, como fizeram os monges de Le Barroux ou os padres da Administração Apostólica São João Maria Vianney nos últimos anos. É um serviço público e uma obra de caridade.
** O texto original (em francês) refere-se como o “Ordo do Pozzo” – um nome que demonstra subserviência com o qual estamos certos a Pontificia Comissão não concordaria.
*** De maneira alguma; a comunhão dupla no Natal e na Páscoa ainda é evitada em vários lugares.

Visto em: Una Voce Brasil

terça-feira, 1 de maio de 2012

Festa de São José Operário


Beátus omnis qui timet Dóminum,
qui ámbulat in viis eius.
Labóres mánuum tuárum manducábis, beátus es, et bene tibi erit, allelúia.
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